Garota Positivo

4 Capítulo 4 - "A Festa das Festas: Uma noite inesquecível"


Notas iniciais
Pra galera que notou, parece que temos capítulos a menos, não? :v então, explicando basicamente, é que eu resolvi juntar o cap 2 "Cinderela" ao 1, pq notei que não faria diferença e deixaria a história menos enrolona, e o 4 "Paixões mudam pessoas" junto ao 3. Ou seja, a partir daqui começa a treta de verdade HAHAHAHAHAHA BRACE YOURSELVES q E também, me perdoem pela demora a postar. Essa semana passada foi uma loucura, sem internet, sem computador, sem força de vontade e sem expectativas :( enfim, aqui está u-u/ prometo não demorar tanto pra postar o próximo. Espero que gostem, e deixem comentários, plis. É a única forma que eu tenho de saber se vocês estão curtindo ou não. Mamãe Bia ama vocês. BIJUS.

– E aê rapaz, quanto tempo!

– Nem me fala, porra! – Vinícius e Ramón espalmaram as mãos – Por onde ‘cê andou?

Eu, Moe, Jessy e Laura olhávamos umas pras outras, todas sentadas lado a lado no espaçoso sofá da sala de estar. Todas estávamos com as mãos no colo, o que era quase engraçado, todas exatamente na mesma posição. Os rapazes conversavam energicamente, e todas nós apenas os observávamos. Gesticulavam, gargalhavam, batiam um no outro... Era interessante assistir o quão diferentes podem ser as atitudes masculinas.

Horas se passaram, e nós dormimos. Acordei com um beijo de Vinícius, que me levantava do chão.

– E a Bela Adormecida acorda com o beijo do Príncipe Encantado. – sussurrou – Vamos, vocês vão pra cama, é mais confortável.

Miei alguma coisa, e apenas olhei o relógio de esguelha. Já eram quase duas da manhã.

– Mhamuhamuharhunhíucainnhã...

– Também te amo, mas você precisa dormir.

Na manhã seguinte, acordamos todas no quarto de Jessy. Segundo me disseram, a primeira a levantar fora Moe, que acordou Jessy, que acordou Laura, que me cutucou até que eu acordasse.

– Nhamunhã... – me espreguicei com vigor – Que horas são?...

– Onze e meia. – Laura respondeu, séria. – Jessy já está no banheiro do quarto, e Moe reivindicou o banheiro do quarto dos pais de Jessy. Disse que tinha fluídos que não eram dela em seu corpo.

– Argh. – entortei a boca – Eca.

– É isso aí. Somos as próximas, e estamos quase atrasadas pra aula.

Olhei ao redor, esfregando os olhos.

– Aliás, esqueci de perguntar ontem mas... Aonde foram os pais de Jessy?

– Madrid.

– ‘Tô falando sério.

– Eu também. Foram passar a segunda lua-de-mel em Madrid. – Laura recolhia suas coisas e enfiava na mochila – Inveja? É, eu também.

– Vinícius e eu decidimos ir pra Paris.

– Cidade das mocinhas. – ela sorriu – Era de se esperar que eu fosse pra Paris, não você.

– Imagino Moe...

– Certamente se contentará com um motel de luxo, sempre foi a mais desencanada de nós.

– Se você diz...

No colégio, todas nos separamos. Mesmo sendo amigas, pertencíamos a grupos sociais distintos, e como sempre foi assim, não havia porque destruir esse hábito já tão enraizado.

Encontrei meus colegas na porta da classe.

– Débora, você repassou a matéria de química?

– Sim... – Debby respondeu, descontraída. Já estava me afastando quando ela perguntou – E você, terminou a redação?

Girei nos calcanhares e a encarei.

– QUE redação?

– Terceira aula. – ela estendeu uma folha dobrada pra mim – Toma, fiz pra ti. Sabia que ‘cê ia esquecer.

– Debby...

– Que é? – ela respondeu, olhando pra fora da classe.

– Você é foda.

– Eu sei. – a campainha soou – Vamos, a primeira aula é Sociologia.

– Ainda bem, não dormi o suficiente durante a noite.

Sentamos em nossos lugares, um ao lado do outro.

– Dormiu na casa do Vinícius de novo?

– Nem... Da Jessy. Mas foi igualmente cansativo.

– Sei. – um garoto se aproximou e sentou no lugar à frente de Debby sem sequer olhar pra trás – Bom dia pra você também, Davi.

– Vai se ferrar.

– Obrigada. – ela sorriu.

Eu olhava de um para o outro, sem entender nada.

– Mas o quê?...

Débora olhou pra mim de soslaio como quem diz “nem pergunta”. Eu sabia que os dois eram (ou tinham sido) algo mais do que apenas colegas de classe, mas nenhum dos dois nunca confirmou algo e nem eu achei tão necessário perguntar. Afinal, era algo pessoal.

– Erica – Davi se virou pra mim, ignorando a presença de Débora como se ela nem estivesse lá – Vou dar uma festa lá em casa, sexta-feira. Meus pais estão saindo de viagem, então já sabe.

– Sexo, drogas e metade da sala voltando grávida? – sorri, recusando o convite impresso que ele me estendia – Não é lá muito minha praia. Sinto muito.

– Relaxa, pode levar seu namorado, não me importo. Só quero sua presença lá porque você tem amigas solteiras, legais, e é claro... – olhou com o canto dos olhos para Débora, que fingia não prestar atenção – muito gostosas.

A ênfase que ele deu à palavra foi quase infantil. Ri internamente, mas Débora ficou vermelha e comprimiu os lábios.

– Então, você só ‘tá me convidando porque tenho amigas gatas?

– Gos-to-sas. – corrigiu – Estou precisando me divertir um pouco, esfriar as ideias, e uma festa é a melhor opção. – deu de ombros – Essa viagem dos meus pais caiu como uma luva.

– Nunca pensei que você fosse desse tipo, Davi. – ri, lendo o convite – “A Festa das Festas: Uma noite inesquecível”. Nossa, você sabe fazer publicidade heim?

Ele levantou os ombros como quem diz “é né”.

Olhei Débora pelos cantos dos olhos. Ela tentava fingir que não se importava e que estava prestando atenção na aula, mas Davi se esforçou pra falar alto o suficiente pra que toda classe escutasse.

– Hey, acho que realmente não vou poder ir. – virei pra ela – Que tal ir no meu lugar, Debby? Sei que você também não é muito de festa, mas não custa inovar e...

– Não. – ela me interrompeu, pausadamente – Obrigada. Não estou me sentindo muito bem.

Colocou o celular no bolso, a mochila no ombro e deixou a classe. Mal percebi que ela já tinha arrumado todas as suas coisas e estava pronta para uma fuga dramática.

**

Não vi Débora pelo resto do dia, supus que tinha ido pra casa. Como nunca fomos tão próximas, eu não tinha o endereço dela, porque certamente teria ido bater lá. Ao invés disso, fui direto pra casa, o convite dentro da carteira como uma promessa que eu não estava disposta a cumprir.

Nunca gostei daquele tipo de festa, principalmente pelo fato de Vinícius adorar e nunca perder uma. Todos nós, mesmo do colegial, sabemos como são as festas de faculdade, e eu me negava a acreditar que, depois de começar a namorar comigo, ele continuava fazendo as mesmas coisas que fazia antes nessas festas.

Mesmo assim, parte de mim não se convencia.

Eu nunca tivera motivos sólidos pra desconfiar de qualquer infidelidade da parte dele, mas eu era tão insegura... e sabia o tesouro que tinha nas mãos. Um cara da faculdade, muito bonito, que morava sozinho, com a vida quase feita. Trabalhava, estudava e praticava esportes, e ainda conseguia arrumar tempo pra namorada. Era quase um superman, e qualquer uma iria adorar ser sua Lois Lane.

Então, o que ele via em mim? Uma guria normalzinha, terminando o ensino médio, que mal sabia o que queria da vida, dependente dos pais e mais ainda dele, insegura e com os sentimentos sempre muito bagunçados.

Um dia perguntei isso a ele, e rindo, respondeu que “me achava linda, divertida, e com essa fofura de garota nova que acha que todo mundo é bonzinho”.

“Dá vontade de te agarrar, botar em cima do ombro e não largar mais”, disse.

O chato é que, justamente por ser um cara tão autossuficiente e etc, por vezes Vinícius chegava a ser irritante. Às vezes sumia sem deixar notícias. Às vezes parecia nem se importar em como eu estava, porque ele estava sempre bem cansado. Era muito chato sentir que era eu quem estava correndo atrás dele, eu quem gostava mais dele, eu que me importava mais na relação, e por mais que eu tentasse fingir o contrário... Eu sabia que era assim que as coisas funcionavam.

O que não colaborava em nada com a minha “síndrome de chifre”, claro.

Odiava perder minhas tardes pensando nisso tudo, mas era inevitável. Sabe como é, “cabeça vazia, oficina do capeta”. E esse capeta sabia muito bem de todas as coisas que me tiravam o sono... e a paciência.

**

A semana passou como um relâmpago, o que foi ótimo, já que Vinícius não dera sinal de vida e eu nem me preocupara de procurar. Sabia que ele estava vivo e saudável, portanto, não havia razão pra enlouquecer.

Né?

Monica também recebeu um convite para a festa de Davi, e quando soube que eu havia recebido primeiro e não comentara nada com ela nem com as outras meninas, surtou. No fim da ópera, todas elas combinaram que iriam pra festa.

– Não é porque estou em “um relacionamento enrolado” com o Ramón que não posso me divertir um pouco, ok?

– ‘Tá, eu vou, mas não pretendo quebrar a minha abstinência de homens, então não ousem me pressionar, ok?

– Eu realmente tenho que ir...? Vocês sabem que eu não gosto nadinha dessas coisas... Eu não estou nada afim de ir...

– Laura, nós vamos, ok?

– Ok...

Ok então.

Enquanto eu observava as meninas discutindo, me passava pela cabeça que certamente iria furar com elas. Ah, sejamos francas, eu não ia gostar nada se o Vinícius fosse a uma festa daquele tipo e pior, nem me avisasse, e como passamos a semana sem contato, não comentei com ele sobre o acontecido. Deixei o assunto quieto, se elas não me perguntassem, eu não estaria mentindo, só omitindo.

No dia da festa, fui arrastada pra casa de Jéssica, mesmo completamente contra a minha vontade. Prometi a mim mesma que só ia ajuda-las com as roupas, cabelos e maquiagens, e a noite estava correndo muito bem. Meus planos estavam funcionando muito bem.

– Erica? – Moe interrompeu meus pensamentos – Você não vai mesmo?

– Ah.... Não. Não ‘tô no “humor: festa”. Sabe como é.

Laura fungou.

– Eu estou sendo arrastada e você vai conseguir fugir? Muito injusto.

– Moças – levantei as mãos, em sinal de paz – Eu tenho namorado, lembram? Prefiro evitar esse tipo de arruaça, se não se importam.

– Nos importamos sim. – Jessy esbarrou em mim – Quer saber? Vamos fazer um trato. Só deixamos você ficar em casa essa noite se o Vini-amorzinho for ficar com você. Caso não, você vem pra festa com a gente. – ela e Moe se entreolharam – E não nos faça te amarrar e jogar no porta-malas, não acho que caiba você e a Laura lá dentro.

Laura deu uma tapa na cabeça de Jessica, ignorando a ameaça.

– Que seja. – bufei – É noite de sexta, espero que esteja tudo bem com ele.

– Claro que está. – Moe pegou meu celular na mochila e clicou na discagem rápida – Vamos lá, pergunte ao garanhão se ele está disponível esta noite. – piscou.

A chamada do telefone parecia interminável. Cada segundo de “tu...tu...” parecia uma eternidade. Depois da terceira ligação, ele finalmente atendeu.

– Fala amor, algo errado?

Podia sentir minhas bochechas quentes. A ligação estava no alto-falante. As meninas prenderam uma risada.

– Não, relaxa, ‘tá tudo bem. – gaguejei – Então... você pode ficar comigo essa noite? – diante dos olhares ansiosos das três, completei – ‘Tô com saudade.

Ele riu baixo do outro lado da linha.

– Também estou com saudade, pequena. – limpou a garganta – Mas hoje realmente não dá. Tenho uma prova foda na segunda-feira e vou passar o fim de semana estudando. – uma pausa muito longa – Você não se importa, né?

Ao meu redor, Monica e Jessica celebravam em silêncio, fazendo dancinhas e erguendo os braços. É, parecia que seria eu e Laura amarradas no porta-malas.

– Não, por nada... Eu vou sair com as meninas pra uma...

– Uma pracinha aqui perto. – Jessica puxou o telefone da minha mão – Sabe como é, outra festa do pijama. Temos muito sorvete pra comer, muitos filmes melosos pra assistir e muito pra reclamar de vocês, homens. – riu.

Olhei pra ela sem entender direito o que estava acontecendo, mas ela fez sinal pra eu ficar quieta. Vinícius riu.

– Que seja então. Cuidem dessa baixinha aí e olhem o que falam, ela é muito facilmente influenciável. – fiz um movimento de colocar a mão no peito e fingir choque – A propósito, a Mônica ‘tá aí?

– Presente. – respondeu Moe.

– Olha lá o que vai colocar na cabeça da minha namorada. Não confio em ti não, rapá.

– Também de adoro, Vinizinho. Relaxa cara, não tinha como ela estar em melhores mãos que as minhas.

– Espero que não seja literalmente. Bem, vou indo, tenho muito o que reler. Beijos, vida. Se cuida aí. Vou deixar o celular desligado pra ninguém do trabalho me importunar, tá bom? – pausa – Cuidem bem dela, suas malucas.

– Sim senhor. – responderam Jessica e Monica, em uníssono. Depois que desligaram a chamada, completaram – Vamos?

Me fingi de desentendida e elas me empurraram pro banho. Depois que saí, Monica me estendia um vestido muito lindo. Escarlate com detalhes em dourado nas longas mangas que se abriam em boca-de-sino, que compensavam o comprimento curtíssimo da saia. Um cinto fino e dourado completava a visão incrível.

– Trouxe justamente pra você. É da minha irmã e nunca a vi usando, tenho certeza que ela não vai se importar se você fizer as honras. – ela praticamente jogou o vestido em cima de mim – Agora “vamo” logo, as três fadas madrinhas aqui também têm que terminar de se arrumar.

**

A festa estava tão cheia que era difícil até respirar no meio daquela “muvuca” toda. Logo Jessica se perdeu de nós, o que era completamente compreensível, visto a quantidade de “carne fresca” ao redor.

– Ela com certeza vai quebrar a dieta. – eu disse, em tom normal.

– O QUÊÊÊÊ? – Laura berrou no meu ouvido tão alto que quase esbarrei em um cara com cerveja. A encarei dizendo com os olhos “mano, menos!”. Ela entendeu e continuou me seguindo, e eu continuei seguindo Moe.

Depois de uns dez minutos zanzando pra lá e pra cá, sentei em um canto e aceitei um copo de refrigerante de um desconhecido. Ele estava tentando conversar comigo, mas a música estava tão alta e tinha tanta gente tentando conversar ao meu redor, que depois de uns segundos eu simplesmente desisti de entender o que ele estava dizendo e só concordava, balançando a cabeça.

Do nada, Laura pulou no meu colo.

– ERICAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA BORA DANÇAAAAAAAAAAAAAAAAAR!

Olhei pra ela, espantada. Pelos deuses, Laura bêbada? Eu realmente vivi o suficiente pra ver isso?

Ri e a deixei me levar pra dançar, esbarrando em uma dúzia de pessoas no caminho. Dançamos e rimos muito, tirando sarro uma da outra e das pessoas ao redor. Meus pés começaram a doer quando ela sugeriu que fôssemos pro piso de cima, descansar um pouco.

Nas escadarias, encontramos Moe conversando com um par de caras. Ela riu pra nós e se despediu deles, nos seguindo. O segundo andar estava bem mais calmo, com alguns poucos casais se agarrando aqui e ali. Monica nos falou baixinho que vira Jessica se pegando com uma pessoa que ela não tinha muita certeza se era homem ou mulher, o que nos fez rir muito.

Laura sugeriu que entrássemos em um dos quartos. Davi deveria vir de uma família especialmente rica, porque ali havia uns 10 quartos, ou mais. Agora, o que uma família de 3 filhos fazia com tantos quartos, era algo que eu perguntaria pra ele outro dia.

Encostamos nossas orelhas em quatro ou cinco portas até encontrar uma que não revelasse gemidos ou brigas. “Em briga de bêbado, ninguém se mete”, afirmava Monica. Se alguém matasse outro alguém, pelo menos não seríamos testemunhas.

Enquanto procurávamos um quarto disponível, bebíamos como se o amanhã não existisse. Minha cabeça já estava a 500 quilômetros do chão e meu caminhar bamboleava quando finalmente encontramos um quarto em silêncio.

Empurrei a porta com força olhando para trás, rindo com as meninas. De repente, as feições das duas fecharam, num misto de choque e incredulidade.

Olhei para trás rindo, perguntando em algum canto ainda sóbrio da minha mente o que elas tinham visto de tão assustador que havia deixado as duas com umas caras tão engraçadas.

Deixei meu copo cair. Minha risada sumiu. Minha voz e meu fôlego ficaram fora do quarto.

Na cama do quarto, Vinícius estava em cima de uma garota de cabelos louros fartos, emaranhados na cama. Estava tão nu como viera ao mundo. Os dois riam, mas as risadas também sumiram quando viraram os rostos pra porta.

Comecei a vomitar. Meus órgãos pareciam querer sair de mim.

A moça me encarou com seus grandes olhos azulados. Balancei a cabeça e saí correndo do quarto, desacreditando do que tinha visto de tantas formas que já nem me orientava. Esbarrava nas pessoas e nas coisas. Aqueles olhos... Eu reconheceria aqueles olhos a metros de distância.

A garota na cama com Vinícius... Era Jessica.

Notas finais
eita barraco