Garota Miniatura
1 Garota Miniatura
– Bia – eu gritei do portão de sua casa e ela não demora para aparecer na janela.
– Tô indo, Rodrigo! – ela me responde, pelo menos é isso o que acredito que seja, uma vez que ela está escovando os dentes ao mesmo tempo que fala.
Beatriz estuda comigo desde a sexta série e eu a considero minha melhor amiga. Já faz uma semana que estamos de férias, mas temos que concluir um trabalho que deve ser entregue no primeiro dia da volta às aulas. Depois de dez minutos, ela finalmente está pronta.
– Sempre atrasada, não quero nem pensar no dia do seu casamento.
– Quem disse que eu te convidaria? – ela me dá um leve soco no ombro.
– E quem disse que o noivo precisa ser convidado? – eu retruco.
– Sempre convencido! – um carro estaciona logo a nossa frente. – Imagino que este seja o motorista que a Natasha enviou.
– Motorista? Não brinca – estou feito criança.
Faremos o trabalho na casa da Natasha, amiga da Bia e nossa colega de classe. Ela não fala muito (pelo menos não na minha presença), tem ascendência japonesa e deve medir um metro e meio, deve ter se perdido dos outros seis anões. Não imaginava ir até lá de carro, trouxe até o dinheiro do ônibus, mas logo percebi que não daria certo: ela mora no meio do mato.
– Ah...Você conversou com sua mãe? – eu pergunto durante o caminho – Disse ela que iríamos ao cinema depois de terminarmos o trabalho?
Ela afirma com a cabeça.
– E quanto a minha mãe? Ela te ligou confirmando se você ia mesmo sair comigo? – questiono.
– Ligou e eu confirmei — ela me responde. — Por que ela tem tanta desconfiança quanto a você?
– Você sabe... eu não sou um dos melhores da escola. Foram três brigas na última semana de aula e meu boletim não está uma obra de arte.
– Você deveria relaxar mais – ela passa a mão no meu braço. – Sobre as notas, você poderia me deixar te ajudar, eu sou boa em Física.
– Obrigado pelo apoio, mas eu posso me virar sozinho – digo numa tentativa falha de não soar rude.
No resto da viagem, ela evita manter contato visual comigo, seus olhos ficaram o tempo todo voltados a janela do carro avistando mato e mais mato. Quando enfim chegamos, fico boquiaberto. Motorista particular e um casarão daqueles. Nunca que eu imaginaria que a pastel-de-flango fosse cheia da grana. Logo na entrada, o muro vazado deixa um imenso e lindo jardim transparecer, ele se estende pelo terreno todo, só um caminho que leva até a porta da frente está livre. O portão é aberto para que o carro entre e somos deixados em frente a porta.
– Oi! – ela vem até nós acenando.
– Oi – estou meio sem jeito, não a conheço direito, por isso mantenho qualquer deboche no pensamento.
Beatriz a cumprimenta com mais intimidade e logo estamos dentro da casa. Logo em seguida, Natasha digita uma senha numa pequena caixinha ao lado da porta. Imagino que seja o alarme.
– Então, podemos usar a sala de estudos – ela aponta para o corredor. É a segunda porta a direita. Mas antes... querem algo para beber ou um lanche?
Estava morrendo da fome, mas recuso pela velha e boa educação. Bia faz o mesmo. E assim, nos dirigimos até a sala de estudo, onde havia um notebook, um elegante piano de cauda e duas poltronas laranja, mas o que mais me chama atenção é a katana que ornamenta o ambiente.
– É de verdade? – Eu aponto para objeto que está acima da escrivaninha.
– Meu pai diz que sim, eu nunca pude mexer. É muito perigoso – ela diz zombando.
– Falando no seu pai – Bia começa. – O senhor Kawamura está?
– Ah, não – Natasha responde. – Ele é um homem muito ocupado, está no trabalho. Estamos completamente sozinhos aqui – ela sorri.
– Ele trabalha de quê? – estou curioso.
– Ele é... – ela hesita em me contar e seu olhar passeia por toda a sala.
– Você pode confiar na gente – eu digo para ela.
– Ele é delegado no 8º Batalhão e não gosta que eu fique espalhando isso, me desculpem – ela abaixa a cabeça.
– E você não tem medo de ficar aqui, sozinha no meio do nada – Bia está assustada.
– Você sabe, o trabalho do meu pai coloca ele e eu em risco – ela diz. – Por isso, ele não poupou dinheiro para investir num sistema de segurança eficaz. Várias fechaduras, softwares de segurança, portão eletrônico, alarme... essas coisas.
Posso sentir o suspiro de alívio de Beatriz.
– Bem – ela diz. – Vamos ao trabalho. Que tal começarmos com a origem do filósofo?
– Comecem vocês dois – Natasha diz a nós. – Volto já, esqueci uma coisa.
Natasha nos deixa sozinhos por mais de dez minutos. Tudo que eu imagino e desejo é que ela tenha sido ainda mais educada que eu, e tenha preparado um lanche mesmo depois da recusa. No nosso trabalho de filosofia, recebemos como tema “Voltaire” e, além de entregar um trabalho escrito, devíamos representar uma de suas teorias de forma criativa e única.
Enquanto Natasha não chegava, resolvemos discutir algumas ideias, apesar de filosofia não ser uma das matérias que mais me destaco. Porém, nossa troca de ideias é interrompida por um barulho que ecoava pela casa. Parecia algo arrastando pelo piso. Eu achei estranho, confesso, mas resolvi não deixar transparecer.
– Continue pesquisando que eu já volto – eu disse a Beatriz. – Vou ver se Natasha precisa de ajuda.
Ela hesita um pouco, mas isso não me impede. Percorri o corredor checando todas as portas que haviam ali, algumas estavam trancadas, outras abertas. Pude entrar numa pequena biblioteca, num quarto e em dois banheiros, até que cheguei no hall de entrada. Escuto o barulho de novo e agora parece estar atrás de mim. Depois que me viro só consigo identificar duas imagens antes da escuridão total: Natasha e um violino acertando em cheio a minha cara.
– Rodrigo – ouço repetidamente em cochichos, a medida que as coisas começam a clarear e ganhar formas. – Acorda!
Enfim tudo está nítido, embora a iluminação seja onde quer que estamos não esteja muito boa. Olho ao redor tentando captar tudo: estamos num local que eu imagino ser o porão, Beatriz está no chão, presa a um pilar a quatro metros de mim, que por sinal estou no mesmo estado que ela.
– O que houve? – eu finalmente digo alguma coisa. – Onde está a Natasha?
– Eu sei tanto ou quanto você – Bia me responde aterrorizada. – E-e-eu senti algo na cabeça e acordei aqui...eu estou com medo – ela não aguenta e cai no choro.
Ouvimos um rangido de porta se abrindo e ficamos em silêncio imediatamente, Beatriz tenta engolir o choro e acaba numa crise de soluços.
– Confesso que pensei que você fosse mais forte, amiga – uma voz sarcástica quebra nossa tentativa de silêncio. – Não durou nem dez minutos aqui embaixo – risadas tomam o lugar de suas falas.
– Natasha – Bia diz confusa e eu também estou. – Que brincadeira de mau gosto é essa?
– Nós somos melhores amigas, não somos? Deveria saber que não sou de brincadeiras.
– Você está louca? O que você quer? – Bia está gritando.
– Estou ultrapassando um obstáculo – na sua última palavra ela aponta para Beatriz.
– Eu não estou entendendo nada? – eu pergunto a essa nânica a minha esquerda. – O que ela fez para você?
– Eu amo o Ricardo – ela está com cara de maníaca agora. – Eu quero ele para mim. Mas ela não sai do meu caminho.
– Então é disso que se trata? Um garota da escola? – Bia está inconformada. – Você nunca me disse que gostava dele!
– E como eu poderia, hein? – ela está extremamente calma. – Como poderia dizer se você não parava de falar de como você o ama e como ele olha para você – seu tom muda para falsa contentação. – Como vocês são fofos juntos, não é?
– Tudo bem – eu digo, ainda confuso. – Mas por que eu estou aqui? Posso te garantir que não sou um concorrente seu.
– Ah, claro – ela até parece uma pessoa normal. – Antes de eu matar essa vadia, ela vai assistir você ser morto. Dá todo um drama para a cena – ela sorri para mim.
– Eu não acho uma boa ideia – eu digo, agora estou realmente aterrorizado.
– Mas nós achamos.
– Nós? – Bia pensa o mesmo que eu. – Então não é só você?
– Vocês me pegaram.
– Não entende, Bia? – tudo fica claro para mim. – Isso só pode ser coisa da Luana também. Ela nunca gostou de você, principalmente depois da última semana de aula, quando você humilhou ela no intervalo.
– Eu não acho que ela seria capaz disso – ela me responde. – Quero dizer, é tudo coisa boba de escola.
– Eu não duvido – respondo com convicção.
Natasha nos interrompeu e nos apresentou a agenda de performances de hoje. Ela comentou de uma tal de Ushizaki, um sistema de execução utilizado no Japão no século XII, onde cada membro da pessoa era amarrado num boi diferente que a desmembravam quando eram forçados a correr para o lado contrário. Nos dois seríamos tratados dessa forma, a diferença é que minha morte seria mais rápido que a lenta e dolorosa que Beatriz teria.
– Claro que não temos bois aqui, mas eu bolei um esquema que simulará os bois. O resultado será até melhor – ela está orgulhosa de si mesma – Para mim, é claro.
– Eu aplaudiria se minhas mãos não estivessem atadas – eu começo com o sarcasmo. – Eu te subestimei, miniatura de gente.
– Continue com o deboche – ela diz pra mim. – Vou checar se está tudo de acordo com meu parceiro, já volto – ela manda beijos.
Ouvimos a porta se fechando.
– Temos que agir – Bia diz pra mim desesperada.
– Estou mais adiantado nisso, querida – mostro a ela minhas mãos desatadas. – A dona gigante não é muito boa com nós, pelo visto.
Desamarro meus pés e vou até Beatriz para soltá-la.
– Você viu os pulsos dela? – eu pergunto enquanto desamarro as mãos dela. – Parecem mais machucadas que os seus.
– Você acha que no pânico que estou, eu fiz alguma coisa além de imaginar bois me desmembrando? – ela está nervosa. – O que faremos?
– Não se preocupe – eu enxugo suas lágrimas. – Vou tirar a gente daqui. Precisamos de uma arma!
– O que poderíamos encontrar aqui nesse porão escuro?
– Não sei – eu respondo. – Mas temos que achar alguma coisa. Você fica perto da porta e avisa se ouvir o mínimo barulho, tudo bem?
Ela acena com a cabeça e se posiciona enquanto eu tento achar alguma coisa útil para nós. Tento. Não há nada além de poeira e muita poeira, se há, deve estar encoberto pela escuridão. Estava quase perdendo a esperança quando algo me vêm à cabeça.
– Bia, volta pro seu lugar – eu aponto para aonde estávamos amarrados. – Finja que nada aconteceu.
– Mas por quê? – ela está confusa.
Eu subo as escadas e bato várias vezes na porta com força.
– Você vai ver – respondo a ela enquanto também retorno ao meu lugar. – Quando ela vir, você chama atenção dela e faz com que ela encare você.
Ela não hesita e logo ouvimos passos, quase imperceptíveis, seguidos do rangido da porta.
– Parece que os convidados estão fazendo mais do que esperar quietos pela morte, não é? – ela olha para Bia e então para mim. – Por que esse barulho todo?
– Foi aquele unicórnio de chifre laranja – Bia começa a seguir o plano. – Você é doida, uma doida cheia de esperança. Você realmente acha que me matar vai fazer o Ricardo ficar com você? – agora ela começou a berrar. – VOCÊ É PATÉTICA!
– Que tal por eu ser muito mais inteligente que você, por eu ter um cérebro na cabeça, anencéfala – Natasha começa a se aproximar cada vez mais de Bia. – Ou por eu ter outros assuntos além de como sou perfeita, tenho a vida perfeita...blá,blá,blá – ela debocha. A distância entre seus rostos é menor que um palmo. – Você é a patética. Ele só gosta de você porque não te conhece, fofa – ela dá uma gargalhada.
– Não sou eu que estou dizendo o quanto sou mil vezes melhor que você, sou? – Bia está com raiva. – Agora eu sei por que sua mãe te abandonou, FOFA.
– VADIA MIMADA! – Natasha pressiona suas mãos contra a garganta de Beatriz.
Com a fera anã atiçada, era minha vez de agir. Levanto o mais rápido o possível e passo a corda, que antes me amarrava, em volta do pescoço da doida e a afasto da Bia. A nossa vantagem não dura muito, pois ela acerta meu nariz com a parte de trás da sua cabeça. Eu me distraio e mal percebo que já estou no chão e ela em cima de mim, repetindo a cena que ela fazia com a Bia há poucos minutos atrás.
– Como você se soltou, hein, idiota? – ela pergunta pra mim, retoricamente é claro, já que não posso responder com suas mãos em minha garganta. – Parece que a nanica não é tão frágil assim.
Tenho que admitir, por mais que eu me esforce não consigo sair dessa situação. Pode ser pelo ar me faltando e pela minha cabeça e nariz atingidos... ou ela realmente é mais forte que eu. Meus pulmões finalmente sentem o ar outra vez quando Natasha é puxada para longe de mim e empurrada em direção ao pilar ao qual estávamos presos. Depois disso só ouço dois barulhos: o da cabeça dela ao bater na estrutura e de sua queda no chão.
– Você tá bem? – Bia me pergunta preocupada e depois me abraça apertado. Meu coração está batendo mais forte e não é por que não estou mais quase morrendo asfixiado.
– Bem melhor agora – digo olhando em seus olhos cor-de-mel. – Mas acho que meu nariz tá quebrado e sangrando – concluo após levar minha mão ao nariz.
– Você acha que eu a matei? – ela pergunta olhando para Natasha caída no chão. – E-e-eu não queria...
– Não se desespere – eu digo colocando as duas mãos em seus ombros e vou até o corpo da japonesa, me abaixo e checou seu pulso. – Se quisermos fugir, é melhor agir antes que ela acorde – Beatriz suspira ao ouvir minha última frase.
– Veja se não há alguma coisa nos bolsos dela, talvez uma chave – eu faço o que ela diz.
– Um controle – eu mostro para ela. – O controle do portão!
– Vamos, então!
Saímos daquele lugar escuro o mais rápido que podíamos e quando chegamos ao corredor, noto que não é o mesmo que percorri antes do violino me pôr para dormir. Beatriz vai em uma direção qualquer e puxa com ela, mas eu resisto.
– Acho que em vez de procurarmos a porta, devíamos tentar a janela de algum quarto. Assim ganhamos tempo.
– Certo, então. – ela recua da sua posição anterior.
Não demora muito para acharmos uma porta que estivesse aberta, mas para nossa infelicidade, havia grades nas janelas.
– Voltamos ao seu plano – eu digo a ela e sorrio. – Mas é bom checarmos outros quartos, vai que alguma janela esteja livre.
Aquele parecia o último cômodo destrancado no corredor, mas depois de chegarmos ao fim dele, viramos a esqueda e logo chegamos ao hall de entrada. Eu tento abrir a porta à força, mesmo tendo certeza que aquilo não funcionaria.
– Olha, Rodrigo – Bia aponta para a porta. – Não há nada além da maçaneta, nenhuma fechadura.
– Então é isso – eu me aproximo daquilo que, mais cedo, achava que era o alarme. — A porta é trancada através de uma senha.
Antes que eu possa tentar qualquer combinação, somos interrompidos por sons vindos do corredor que acabamos de percorrer.
– Deve ser ela – Bia está desesperada outra vez.
– Meu celular – eu digo para ela. – Eu deixei na sala de estudos. Rápido! – Eu pego a mão dela e vamos correndo em direção a sala.
Bia vai em minha frente e abre a porta, mas logo é jogada ao chão por uma figura feminina, dessa vez maior que a japonesa. Eu vou desesperado em direção a Beatriz, mas sou impedido no meio do caminho, quando sou empurrado para o canto da sala, onde posso ver claramente que era aquela figura. Eu estava certo. Luana estava nessa com Natasha, só poderia ser. Eu quebro meu código, dando um soco no rosto dela e ela me retribuiu com outro na boca, que agora está sangrando.
– Eu sabia que era você – eu digo com raiva em minha voz.
Sem que eu perceba como, ela está com uma faca em sua mão e isso me atormenta. Ela levanta a faca no alto e antes que pudesse cravá-la no meu peito e ela congela repentinamente e cai ao meu lado. É nessa hora que percebo a katana ornamental em sua costas. Bia está encarando a cena ofegante e eu vou em sua direção e a abraço.
– Você me salvou – eu olho nos olhos dela, sem vida. – Outra vez.
– Eu matei alguém – ela está se sentindo culpada.
– Olha – eu passo a mão em seu cabelo. – Ela ia me matar primeiro. Você fez o certo. O coração dela teve que parar para o meu continuar batendo. Além do mais, ela está envolvida nisso com aquela maníaca.
– Eu fico sem jeito com tantos elogios. – Natasha nos interrompe.
– Que tipo de psicopata sou eu? Minhas vítimas mataram mais do que eu hoje – ela ri. Pelo visto vocês descobriram que a katana é de verdade...eu já sabia – ela cochicha.
– Por que continuar com tudo isso? – Bia está quase chorando. – POR QUÊ?
– Porque eu nunca deixei um trabalho pela metade – ela tira uma revólver da sua cintura. – Não é tão lúdico quanto tinha planejado mas vai servir – ela aponta para Beatriz.
É nesse momento que consigo ouvir de forma nítida as batidas do meu coração e, sem pensar duas vezes, a desvio da trajetória da bala, mas não tenho tempo de fazer o mesmo. Sinto a bala atravessando meu peito e atinjo o tapete branco, que começa a se tornar vermelho. Bia cogita se aproximar de mim, mas Natasha não deixa, ela aponta a arma para Beatriz.
– Deixe eu me despedir – seus olhos estão cheios de lágrimas. – Eu imploro!
Natasha permite e logo Bia está ajoelhada perto da minha cabeça.
– Eu te amo – declaro para ela sem forças para qualquer outra palavra.
– Eu também – ela fala soluçante. – Você sempre será meu melhor amigo!
– Eu desejei que você não dissesse isso – meu tom de voz está normal agora. – Você estava certa, Natasha, nem heroísmo a faria me amar. – Beatriz está confusa e continua assim quando minha faca perfura sua barriga, a mesma faca que Luana tentou usar em mim.
Eu tiro o corpo dela de cima do meu e lhe deu um último beijo, foi a última coisa que ela vivenciou.
– Sinto muito por não ter sido do jeito que você imaginou – Natasha vem até mim e passa a mão em meu ombro.
– Pelo menos um de nós saiu ganhando – eu sorrio para ela.
– Teria sido uma cena e tanto. Tínhamos tantos detalhes.
– Luana desempenhou bem seu papel, sabia que depois dela ter sido capturada por mim, eu seria o primeiro que ela gostaria de esganar – eu encaro as duas ali no chão do quarto. – Além disso, os efeitos especiais foram muito bons, eu até cheguei a acreditar que fui baleado.
– Agradeça ao meu primo, ele é especialista em efeitos especiais. Ah, eu fiz como você me pediu – ela me diz. – Obriguei a Luana ligar para a casa dizendo que viria fazer o trabalho aqui. Você falou com a mãe dela?
– Sim, quando estávamos vindo.
– Ótimo – ela diz. – Ligue para a polícia!
Quando a polícia chegou estava tudo combinado e todas as evidências manipuladas. Beatriz nunca gostou de Luana, principalmente depois que contei a ela que eu gostava dessa menina. Bia era secretamente apaixonada por mim, só Natasha sabia disso, mas eu não sentia o mesmo. Ela nunca mais foi a mesma depois que seu pai morreu, ela amava muito ele. Ela me contava o quanto sonhava com Luana sendo esfaqueada e esquartejada. Eu pensei que convidar a Luana para fazer o trabalho seria uma boa ideia, pensei que a faria melhorar. Eu estava errado.
– Ela esperou estarmos distraídos e nos preendeu – Natasha conta à policial. – Essas marcas não saírão do meu pulso tão cedo – ela os estende.
– Felizmente conseguimos nos soltar e então fomos correndo socorrer Luana, mas era tarde demais. – eu digo fingindo um comoção. – Você não sabe o quanto foi difícil para mim esfaquear minha melhor amiga. – Natasha me abraça.
– Olha, eu não quero me precipitar,mas você só estava tentando impedí-la – a Policial Tiara Ceters diz a nós. — Vocês dois têm sorte de terem sobrevividos.
– Nós TRÊS – Natasha desperta a curiosidade da policial. – A gatinha Suki também está sã e salva. — ela chama a gata e logo ela está em seus pés. – Não é, fofinha? – Ela fala com a felina
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