Garota Mimada.
1 A Surpresa
O despertador tocou. Acordei feito uma louca e levantei. Saí do meu quarto passando por cima de tudo, corri as escadas e gritei: — QUEM DEIXOU O DESPERTADOR NO MEU QUARTO? – A raiva estava estampada no meu rosto. Fiquei com mais raiva ainda quando me dei conta de que estava sozinha. – Ai... que... ódio! – Puxei meus cabelos com uma mão e com a outra joguei uma cadeira próxima para longe. Subi as escadas e voltei para o meu quarto. Olhei no relógio e eram... – O QUÊ? – Me espantei, eram onze horas da manhã. – Eu ainda mato alguém, eu ainda mato! Acordaram-me à essa hora da madrugada, aix. – Deitei na minha cama e comecei a me perguntar aonde teriam ido meu pai e minha irmã. Nem sequer me avisaram. Como eu já estava revoltada, peguei meu celular e liguei pra minha melhor amiga, Bruna. – Amor, convide seus amigos e amigas pra virem aqui, vou dar uma pequena festinha agora. – Sorri maliciosamente e esperei a Bruna responder.
– Ótimo, Poppy. Que horas? – Ela perguntou e eu respirei fundo.
– AGORA! – E desliguei o telefone. Saí do meu quarto e fui para o banheiro. Coloquei minha peruca loira, escovei os dentes, passei creme bronzeador e coloquei um biquíni. Desci novamente as escadas e fiquei no pátio, perto da cachoeira, esperando o pessoal chegar. Quinze minutos depois...
– Ah, não me incomoda, ow. – Falou Bruna, dando um tapinha em um garoto que eu não conhecia. Olhei para frente e lá estavam todos.
– BRU! – Berrei, indo abraçar minha amiga.
– Own, Poppy, que saudades, meu amor. – E Bruna retribuiu meu abraço, selando minha boca rapidamente; os outros desviaram os olhares. Desgrudei dela e então fiquei na frente de todos.
– Bom, gente, eu convidei vocês aqui, mas... não tenho nada na cabeça do que a gente pode fazer. E aí? – Enquanto esperava manifestações, peguei meus óculos que estavam no bolso e coloquei, pra dar uma impressão mais elegante. – Não teria uma festa? – Uma garota perguntou, me olhando.
– É, soubemos que teria uma festa, e? – Outra se pôs a falar.
– Ah, não vou perder meu tempo, desculpem. – E o único garoto deu as costas pra sair dali.
– EI, espera, gente! Já sei! – Me virei, indo em direção à cachoeira. Olhei para eles e Bruna abriu a boca para falar. – Você... você não está pensando em fazer isso, está? – Ela franziu a testa e eu assenti.
– Vou primeiro, depois vocês. – Falei, ignorando os olhares confusos. Já em cima da cachoeira, olhei para baixo e vi que era BEM alto; mas o mar não era tão fundo assim. Estava decidida. Fechei os olhos, estiquei os braços e deixei o vento me derrubar. Escutei um ronco de carro, mas já tinha caído. A sensação fora muito boa, meu pai nunca deixaria fazer isso. Enfim, nadei, nadei e então olhei para cima. Todos acenavam loucamente para mim, gritando vivas e tirando a roupa para se jogar. Eu sorri, nadando para chegar à superfície e subir as grandes escadas que me levariam de volta ao pátio da mansão. De repente... – POPPY MURPHY! – Não tinha como não reconhecer a voz. O tumulto parou e meu pai apareceu lá em cima, apontando para mim. – JÁ PRA CÁ! JÁ! — Eu estava fer-ra-da. Nadei o mais rápido possível e assim subi as escadas até chegar lá em cima. Meu pai só de olho em mim. Não tinha mais ninguém. – Cadê eles? – Perguntei, tremendo de frio. – Mandei todos embora. – Ele se aproximou de mim e pegou no meu braço.
– Eu preciso dizer quantas vezes que é proibido pular a cachoeira? QUANTAS? – Percebi que ele estava mesmo irado. – Não quero que isso se repita, e nem vai se repetir. Você vai para Abbey Mount. – Minha boca abriu, de surpresa.
– Como assim? O quê? Nã... não! – Tentei argumentar.
– Nada de não, segunda-feira você está indo para lá. Eu sabia que um dia teria de ir, sua matrícula já está reservada.
Mordi os lábios e saí bufando. Entrei na sala e passei pela cozinha.
– Oi, Poppy. – Era minha irmã.
– Você sabe o que papai vai fazer? ME MANDAR PRA PORCARIA DO COLÉGIO INTERNO! – Gritei, com a intenção de o meu pai ouvir.
– Ah, mas... Mas deve ser legal. – Minha irmã sempre tentava me confortar. Eu não gostava de ser grossa com ela, mesmo ela sendo mais nova do que eu. Sorri a ela e observei-a cortando o pão.
– Deixe-me cortar as bordas. – Peguei a faca e cortei as bordas do pão, sabia que ela não gostava. Sem dizer mais nada, subi para o meu quarto.
– O que está fazendo aqui, Vayola? – Perguntei à empregada.
– Arrumando suas malas, querida. – Como ela sabia?
– O quê? Como você sabe? Meu pai acabou de... De falar isso pra mim... Hã... – Fiquei confusa. Peguei uma toalha no guarda-roupa e comecei a me secar.
– Quando chegamos, ele viu que tinha bagunça aqui na casa e já me avisou para arrumar suas coisas... Desculpe, tenho de cumprir ordens. – E ela não falou mais nada, pegou minhas coisas e desceu. Aproveitei para navegar um pouquinho na internet. Peguei meu laptop e pesquisei no Google sobre o colégio Abbey Mount. – Hum... Abbey... – Procurava. – Abbey Mount, bem aqui. – Cliquei sobre o link e esperei a página abrir. – Abbey Mount, antigo colégio interno, é uma escola particular para meninas – bem rigorosa. De segunda à sexta, você deve deixar seus pertences e... – Não quis mais ler. Pude perceber que a escola seria uma merda! Deitei na cama e então dormi, dormi e dormi. Não levantei pra comer nem beber. Passei fome e sede o dia todo. À noite, ainda na cama, tive uma idéia brilhante: fugir de casa. Esperei dar meia-noite de domingo para me preparar, assim todos estariam dormindo. Não pude arrumar minhas malas, peguei as roupas que sobraram no guarda-roupa e as soquei dentro da minha mochila. Abri a janela lentamente e olhei para baixo; tinha uma escada, oh, que alívio! Olhei para os lados, onde se encontravam as outras janelas e percebi que em todas tinha escada. Sorri sem jeito, pois nunca havia percebido isso. Devagar, subi na janela e virei de costas, descendo sem fazer barulho. Ao chegar ao chão, pisei com leveza e então fui pressionada no ombro por uma mão. Meu mundo desandou.
– Bem na hora. – Era meu pai. – Bem na hora mesmo, mocinha. Ia te acordar agora, estamos saindo em cinco minutos. Abbey Mount fica longe daqui, em Londres. – Bufei, entediada pelo meu plano não ter sido executado do jeito que eu esperava.
– E... e eu não vou me produzir? – Perguntei, aflita.
– Não há tempo. Se arrume no carro, se quiser. O uniforme te darão na hora. Vamos. – Meu pai acenou para o motorista e então eu entrei na limusine, tentando me contentar com o que estava acontecendo.
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