Garota Irresistível
7 Capítulo 7 - Beating Heart:
Notas iniciais
Capítulo 7 – Beating Heart:
Meu corpo estava dolorido. A poltrona do quarto era imensamente desconfortável. Eu estava destruída de forma emocional, psicológica e física.
Mas eu não ligava, apenas esperava ver seus olhos escuros mais uma vez. Tobias gemeu na maca do hospital e eu me levantei rapidamente.
̶ Por favor, por favor meu amor, acorde... – Sussurrei pegando em sua mão.
Suas pálpebras se mexeram e ele acordou. Eu estava tão ansiosa por esse momento que não hesitei em beijá-lo. Ele correspondeu, colocando a mão em meu cabelo e me puxando para si. De repente ele se afastou e olhou em meus olhos.
̶ Tris... – Sua voz soava amarga, magoada e sofrida. Exatamente como ele deveria estar.
̶ Eu, me desculpe. É que...nossa! Você acordou e fiquei muito feliz e...desculpe. – Não era tão fácil sorrir. Me afastei de sua maca, caminhei até a janela e cruzei os braços, talvez para disfarçar minha dor.
̶ Como assim? Eu acordei? – Perguntou ele se sentando com dificuldade na maca.
̶ Você não deve se esforçar. – Empurrei ele levemente para se deitar de novo.
̶ Tris, como assim eu acordei?
̶ Você ficou... – Engoli o nó na minha garganta. Não podia chorar na frente dele – Você ficou um mês em coma, Tobias.
̶ Eu...não me lembro.
̶ Você, a gente brigou e você sofreu um acidente e... – Ele deve estar me torturando. É claro que ele está me torturando. Eu não posso chorar em sua frente então, apenas dou de ombros e paro de falar.
̶ Eu me lembro disso. Nós brigamos porque você mentiu pra mim. Apenas fingiu, você deveria ganhar um prêmio de atuação, sabe? – Pergunta ele em tom sarcástico.
̶ Tobias, eu sinto muito. – Disse olhando em seus olhos.
̶ Bom, eu lamento mas não consigo acreditar. – Ele fala olhando para a janela.
̶ Olha, eu sei que fui estúpida e horrível em uma proporção sem tamanho e...
̶ Não, você não sabe. – Ele me interrompe.
Minha tristeza se torna raiva. Explodo com ele.
̶ Talvez eu deveria estar com você no momento do acidente, assim eu morreria e você, a pessoa mais perfeita do planeta, não teria que suportar minha miserável existência!
Bato a porta do quarto do hospital. Coloco as mãos no rosto. Beatrice, você não pode chorar no corredor de um maldito hospital.
Dedos finos e compridos tocam o meu ombro. Estava preparada para gritar com quer que fosse.
̶ Por favor me deixa em...Peter? O que?
̶ Você se lembra do meu nome, vizinha. – Ele sorri gentilmente e no mesmo instante me sinto culpada de tê-lo ignorado naquela noite.
̶ Eu...me desculpe Peter, minha vida está tão conturbada e... – Isso! Isso Beatrice, ótimo jeito de conversar com uma pessoa comece a falar da sua vida problemática, certamente ele vai se sensibilizar.
Balanço a cabeça e sorrio.
̶ Como você está? O que faz aqui? – Pergunto confusa.
̶ Eu trabalho aqui. Sou residente. Ainda pretendo ser um cirurgião-geral incrível, sabia? – Ele pisca pra mim e me tira um sorriso sincero.
̶ Você é muito corajoso, eu não teria sangue-frio para ver as pessoas sofrendo e...quer dizer, não nesse sentido. Eu acho que não conseguiria ajudá-las como você faz. É um trabalho incrível.
̶ Obrigado, senhorita Prior. – Seus olhos verdes são alegres e ele sorri pra mim mais uma vez. Retribuo o sorriso mas assim que olho pra porta atrás de mim, entristeço.
̶ Você está com algum problema?
̶ Eu não...não, está tudo bem.
̶ Desculpe, não deveria me intrometer. Eu tenho mais alguns pacientes agora. Hum, você quer tomar um café, talvez ir a um restaurante japonês mais tarde?
Você não deve. – Diz minha consciência.
Tobias está me ignorando, eu não posso deixar de viver minha vida por sua causa. Será apenas um café com um amigo. – Retruca minha parte racional.
̶ Claro, café. Eu te espero no refeitório do hospital.
Peter sorri.
̶ Eu tenho que atender este paciente, nos falamos mais tarde. – Ele toca em meu ombro e abre a porta do quarto de Tobias.
O que?
...
̶ Eu juro pra você, ela me disse isso. – Respondeu Peter sobre uma menina que tinha perguntado a ele qual era sua doença mental quando o mesmo se declarou pra ela.
̶ Garotas de 9 anos são perigosas. – Digo rindo.
Tomamos o resto do café e ele insiste em me levar para o meu apartamento.
̶ Obrigada. Por tudo o que você está fazendo para o Tobias. – Falo abrindo a porta do apartamento.
̶ De nada. Saiba que vai ter que aceitar o convite de muitos cafés como esse pra poder pagar a dívida. – Ele brinca e eu sorrio.
̶ Boa noite, Peter.
̶ Boa noite, Tris.
...
Acordo super animada graças a saída de ontem com o Peter. Ele é uma ótima companhia e será um bom amigo.
Faço minha higiene matinal, troco de roupa e vou ao hospital.
Sou barrada por Evelyn na porta do quarto.
̶ Olá dona Evelyn.
̶ Oi, não pode voltar mais tarde querida? O Tobias está em fisioterapia. – Seu sorriso me preocupava. Ela sempre fora tão gentil. Por que estava agindo daquele modo?
̶ Por favor, deixe-me passar.
̶ Beatrice...
Quando entro, meu coração acelera. Estou despreparada para a cena que vejo. Olho com raiva e pergunto acusadoramente.
̶ O que você está fazendo aqui?
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