Garota Irresistível
13 Capítulo 13 - Planos do destino:
Notas iniciais
Capítulo 13 – Planos do destino:
Tobias me encarava com a testa franzida, exigindo uma explicação. Respirei fundo.
– Eu só...
– Vou deixar vocês dois conversarem. – Interrompeu Peter pegando uma prancheta e saindo do quarto.
O moreno se aproximou da maca e ficou de braços cruzados, me observando.
– Eu te deixo sozinha por alguns minutos e os urubus já vem em bando.
– Tobias...
– Olha, eu não me importo que você tenha admiradores mas deixar ser beijada é outra história. Você podia simplesmente empurrá-lo, sabe? A não ser que você queira ser beijada por ele. – O olhar duro de Tobias estava me matando mas essa insinuação foi demais.
– Eu tomo os remédios e você que alucina? Vá pra casa, tome um banho quente. Quando eu puder sair daqui, chamo um táxi. Não se preocupe. – Disse olhando para a janela. Tobias segurou meu rosto e encostou sua testa na minha.
– Desculpe, mas eu fico louco quando aquele cara faz isso. Quer dizer, como não ficaria? Com você, especial e linda desse jeito, e ele te beijando sempre que uma oportunidade aparece? – Tobias deu um sorriso de canto. Revirei os olhos mas passei a mão em seu cabelo curto.
– Mas eu estou grávida dele? Eu quero me casar com ele? Faço coisas indecentes...
– Não precisa continuar. – Seu sorriso de compreensão aliviou o peso do meu peito. O puxei para um beijo bem intenso.
– Por que tenho a impressão de que hospitais deixam o nosso relacionamento melhor? – Brinquei com ele enquanto segurava seu pescoço.
– Vai ver é porque eu sou tão irresistível que nem em hospitais você segura a vontade de... – Soquei seu peito antes que continuasse mas ri com Tobias.
– Tenho que te contar uma coisa.
– Oh céus! O filho não é meu? – Nós rimos mas eu fiquei séria me lembrando do que aconteceu.
– Não, infelizmente você ainda será pai. É sobre o ataque. – Senti o corpo de Tobias ficar rígido.
Ele se sentou na maca junto comigo.
– Ataque? – Sua voz tomou um tom de preocupação.
– O que eu sofri hoje de tarde, quando briguei com a minha mãe.
– Sua mãe achou que estaria aqui porque passou mal, pode me explicar o que realmente aconteceu?
– Eu briguei com mamãe no mercado e saí para espairecer. Aí fui encurralada por uma garota. Ela me disse coisas sobre você. E depois me atacou. Com uma faca nas costelas.
– E quem era a garota?
– Bem, ela estava com uma máscara preta mas eu reconheceria sua voz irritante e seu perfume barato em qualquer lugar. Nita. Foi Nita quem me atacou.
– Tem certeza? Quer dizer, uma coisa é uma brincadeira de mal gosto para te assustar outra bem diferente é...
– Tentativa de homicídio. Eu sei.
– O que pretende fazer? – Tobias me olhou preocupado.
– Eu quero sua ajuda. Pra pôr Nita na cadeia. – Falei decidida.
– Hum e como, teoricamente, eu poderia ajudar?
– Eu temi que perguntasse isso. Odeio-me por ter essa ideia mas deve ser funcional. O plano é o seguinte...
...
Tobias:
Depois de explicar, revisar e fazer todas as modificações possíveis no plano, Tris finalmente me liberou para fazer o que era preciso. Liguei para Nita assim que saí do estacionamento e orei a todos os seres divinos existentes para que eu parecesse convincente. Sua voz irritantemente fina atendeu ao chamado no quarto toque.
̶ Tobias, eu achei que nunca mais iria me ligar. Estava perdendo as esperanças.
̶ Eu...podemos conversar? Só você e eu? Sabe, sem a Beatrice por perto.
̶ Vejo que não usou o apelido da sua namorada. Algo errado? – Era explícita sua felicidade.
̶ Ela e eu...nós terminamos. Eu percebi que...que ela não era a mulher certa para mim. Além disso, sempre gostei mais de morenas... – Me odiei por dizer isto. Eu sempre amei Tris. E a chance que o destino tinha me dado, de reencontrá-la e tê-la para sempre...bem, digamos que eu preferia me atirar no Oceano Índico à deixá-la.
̶ Que magnífico. Meu Tobias tomou juízo. – Nita parecia murmurar para ninguém em particular.
̶ Onde podemos nos encontrar? – Cortei seus devaneios. Quanto mais rápido fosse melhor seria para mim.
̶ Hoje...hm não sei se é uma boa ideia. Você não foi legal comigo da última vez que nos encontramos, acho que mês que vem...
̶ Não, por favor Nita. Estou morrendo de saudades de você. – Fiz uma careta de vômito olhando para o trânsito a minha frente.
̶ Okay. – Nita deu-me o endereço de um shopping abandonado. Nos encontraríamos no estacionamento, já que o local estava fechado.
Desliguei o telefone e suspirei. Chegou a hora. Suspirei fundo e mandei uma mensagem antes de continuar dirigindo.
Vou me encontrar com Nita. O endereço vai em anexo. Se você não estiver lá, bem, lembre-se que o plano foi de Tris e ela conta com você também. O que significa que se decepcioná-la eu quebro sua cara, sendo da polícia ou não.
Tobias
Recebi a resposta instantes depois.
Ok. Estou indo com duas viaturas com reforços para o caso de uma emergência. Ela não vai ficar impune.
P.S.: Pelo amor de Deus! Esta violência gratuita é necessária?
Dei um sorriso. Ele era amigo de Tris. Ela não tinha identificado-o para mim mas ao que parecia confiava nele. Se ela confiava isso deveria ser o suficiente. Quando perguntei seu nome Tris apenas sorriu e disse em uma voz calma.
̶ No momento certo você saberá.
Por causa da sedação, Tris olhou-me de canto e adormeceu. Sua cabeça deslizando para o lado do macio travesseiro. Beijei sua testa e saí.
Encontrei Natalie do lado de fora do quarto, escorada em uma parede.
Ela sabia vagamente o que eu iria fazer. Lançou-me um sorriso com amor maternal e falou com toda a sabedoria.
̶ Tris tem motivos para confiar em você, Tobias. Você fará a coisa certa.
Eu não tinha tanta certeza. Tinha medo de não conseguir capturar Nita.
Saí dos meus devaneios e estacionei o carro em uma vaga perto de onde me instruíram. Bati a porta e fiquei escorado esperando Nita.
Ela veio com calças escuras, camisa preta e uma jaqueta de couro da mesma cor. Seu cabelo negro estava amarrado e sua boca delineada com um batom vermelho. Mesmo assim eu não conseguia achar Nita bonita. Imaginei Tris com aqueles trajes, o batom com tom escarlate destacando sua boca da pele clara. O pensamento me fez estremecer de desejo. Voltaria para minha pequena logo. Não importava qual mulher aparecesse na minha frente. Nenhuma seria mais bela do que Tris.
Nita aproximou-se de mim e colocou um dedo em meu peito. Sorri, forçadamente.
̶ Hey.
̶ Sabia que você viria. Sabia que viria para mim. – Ela deslizou para mais perto mas eu segurei seus ombros.
̶ Calma aí tigresa, antes queria dizer umas coisas.
Ela me olhou desconfiada mas eu segurei sua cintura.
̶ Eu...eu soube pela mãe da Tris que ela sofreu um acidente. Deram uma facada nela e bem, o filho que ela estava esperando morreu. – Decidi mentir para tentar fazer Nita confessar.
Ela estava alerta.
̶ Continue.
̶ Eu não me importo com ela. Não de verdade. Sempre achei que ela era especial mas é pouco para mim. Eu quero alguém que me entenda. Alguém que goste do meu jeito intolerante e violento. Alguém como você. Você gosta de mim, não é Nita?
Ela sorriu e se apertou mais contra mim. Seu perfume doce era inegavelmente enjoativo.
̶ Eu te amo seu bobo. Faria qualquer coisa para ter você.
̶ Qualquer coisa? Bem, porque a pessoa que deu a facada em Tris, foi era claramente inteligente, mas impulsiva. Ela ou ele deve ter subestimado a força do corpo pequeno de Tris e calculou que seria fácil acertá-la no coração. – Achei que tinha ido longe demais. Nita olhava para mim com a respiração inalterada.
̶ Você não se preocupou com a facada que ela levou?
Engoli em seco.
̶ Claro que não, eu mesmo teria feito. Mas você sabe, não ataco mulheres.
̶ Bem, foi inteligente porque eu fiz. Eu sabia que poderia acertá-la mas aquela vadia deu um golpe no último minuto. Fiz bem. Ela não vai mais nos atrapalhar. Você é como eu. Por isso pertence a mim. Você é inteligente, bonito e perverso.
Neste momento, soltei Nita. Sua expressão endureceu.
Limpei as mãos na calça.
̶ Disse algo errado?
̶ De forma alguma Nita, você disse tudo o que a polícia precisava ouvir.
Dois policias saíram de trás de grossos pilares do estacionamento e prenderam Nita.
̶ Tobias, você me traiu! – Ela exclamou, se debatendo enquanto o policial segurava seus braços para trás e tentava colocá-la dentro da viatura.
Outro policial estava dizendo a Nita aquelas formalidades como ‘’tudo que você disser poderá ser usado contra você’’ e coisas do tipo. O policial finalmente conseguiu colocar Nita no carro e saiu para me parabenizar. Eu fiquei em busca de fôlego.
Seus olhos conhecidos dançaram felizes para mim e ele sorriu como uma criança que acabara de ganhar um brinquedo novo.
̶ Caleb? Eu não...
̶ Imaginava que eu era um policial e blá blá blá. Pois é. Fui transferido de Nova York. Boa notícia: Nita pagará por seus crimes. Má notícia: tendo apenas sua confissão não acho que ficará muito tempo presa. Você deve saber como são essas coisas.
Assenti e agradeci antes de voltar para o hospital.
Tris dormia serenamente em sua maca.
Beijei sua testa e sussurrei.
─ Acabou meu amor. Podemos cuidar da nossa família em paz agora.
Deitei ao seu lado e adormeci.
3 meses depois:
Estava fazendo minha corrida matinal quando meu celular tocou. Entrei em casa e subi as escadas.
─ Amor? Tris, cheguei. Não precisa me ligar. Estou em casa.
Escutei um gemido e corri para o banheiro do nosso quarto. Tris estava segurando a própria barriga e em volta dela, estava uma imensa poça de sangue.
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