Garota Irresistível
10 Capítulo 10 – You are my life:
Notas iniciais
Capítulo 10 – You are my life:
Minha voz não saía. Minha garganta secou e lágrimas invadiram meus olhos.
_Posso ser liberada agora? – Perguntei com dificuldade para o médico. Ele sorriu gentilmente.
_Claro, apenas cuide de sua pressão. A partir de agora, tenha um acompanhamento médico minucioso. Todo cuidado é pouco, quando se trata de gravidez.
Balancei a cabeça para afirmar que entendia. O médico nos deixou a sós. Uma enfermeira veio pra tirar o acesso que levava o soro à minha veia e eu me sentei com a ajuda de Tobias. Mantive silêncio o caminho todo.
Entrei enquanto Tobias me acompanhava. Não me atrevi a olhar para ele. O que eu faria a seguir, doeria mais em mim do que qualquer dor física. Arrasaria meu coração. Mas eu sabia que era o certo.
_Eu tomei uma decisão, vou arrumar minhas coisas e voltar para a casa da minha mãe. Eu sei que você não vai querer estragar sua vida, sua juventude e sua liberdade tendo um filho então... – Fui interrompida por Tobias, que me virou contra o seu corpo e me olhava intensamente.
_Quando você tomou essa decisão? – Sua voz se mantinha tranquila, mas podia enxergar a ira em seus olhos.
_Eu...eu não sou idiota, Tobias! Eu sei muito bem que você é jovem, bonito e tem uma vida inteira pela frente. Você pode ter um futuro e eu não vou tirar isso de você. Não vou tirar sua escolha. – Parei de encará-lo. As lágrimas escorriam dos meus olhos. Ele não parava de olhar pra mim, Tobias ergueu meu queixo para que eu pudesse ver seus olhos. Seu tom era autoritário.
_Se você não fosse realmente idiota, não me diria tais palavras. Se você não fosse idiota, perceberia que essa foi a melhor notícia da minha vida. Perceberia que nada no mundo poderia me tornar mais feliz do que ficar para sempre com a mulher que eu amo. Tris, sei que você pode estar assustada com a gravidez, por ser tão jovem e não ter experiência nenhuma nisso. Olhe, eu nunca fui pai. Estou tão aterrorizado quanto você. Mas vamos conseguir juntos, porque é isso que pessoas que se amam fazem. Elas enfrentam os problemas, as dificuldades e as surpresas do destino juntas. Elas sofrem juntas, riem juntas, fazem tudo juntas. É isso que eu quero pra minha vida. Quero compartilhar meus momentos com você. É mais do que isso. Eu quero ter uma vida com você. Eu te amo Beatrice Prior.
Eu sabia que Tobias me amava mas fiquei espantada com sua declaração. Eu ri e o abracei fortemente. Ele me apertou contra o seu corpo, e suspirou colocando seu queixo em meu ombro.
_Sua boba. Você achou mesmo que ia se livrar de mim tão facilmente? – Perguntou ele com agora com um tom suave.
Me separei o suficiente para encará-lo. Passei as mãos em seu rosto e ele me olhava com desejo, amor, carinho. Nunca me senti tão feliz, tão segura e tão amada.
_Eu te amo.
Ele sorriu e me beijou de forma calma. Havia tempo para nós, o puxei para mim enquanto ele agarrava minha cintura.
Esbarramos em uma parede e rimos.
_Você me leva a loucura garota.
_O sentimento é recíproco. Perco o pouco de sanidade que tenho com você.
Ele apertou minha coxa e eu mordi o lábio inferior para conter um gemido.
_Olá, ah desculpe! Não queria atrapalhar. – Disse uma voz feminina irritante. Me virei, ainda colada a Tobias e suspirei. Ela não se cansa de ser inconveniente?
_Hum, oi Nita. Não, não atrapalhou nada. – Disse meu namorado com a mão na minha cintura.
_Espere, o que você está fazendo aqui? – Indaguei desconfiada já que ela veio da porta dos fundos e não da porta principal da casa.
_Ah, Tobias me deixou ficar na edícula porque minhas reservas financeiras estão acabando. Meu chefe ainda não depositou o recebimento deste mês.
_Hum, Tobias deixou? Que interessante. – Disse olhando para ele, que deu um sorriso inocente. Babaca.
_Ah cupcake, sua mãe ligou. Tia Evelyn vai ficar fora até semana que vem, parece que estão adorando os projetos dela. – Aquela menina se dirigiu ao pai do meu filho, chamando-o de cupcake? Ela não quer os próprios dentes intactos? Que pessoa em sã consciência não quer continuar com os dentes? Eu conseguia me imaginar atirando nela ou algo relativo a isso. Olhei para Tobias pedindo uma explicação. Ele me devolveu o olhar sugerindo que explicava depois.
_Que bom. Espero que ela volte rápido. Mal posso esperar para dar a notícia pra ela.
Ótimo que você tenha tocado no assunto, meu amor. – Pensei.
Nita nos encarou, confusa.
_Oh, estamos esperando um bebezinho! Tobias e eu vamos ser pais, não é ótimo, Nita? – Disse me pendurando no pescoço de Tobias, lancei um sorriso inocente e fiz a melhor cara de fofa que conseguia. Nita pareceu engolir algo indigesto. Ela fez uma careta mas rapidamente deu um sorriso.
_Sim, é maravilhoso! – Disse ela fingindo estar empolgada. Jesus! Como ela conseguia ser tão falsa?
_Meninas, vou tomar banho. – Anunciou Tobias me soltando, dando um beijo na minha testa e saindo.
_Nita, vou ligar pra minha mãe. Fique a vontade. – Digo, sorrindo falsamente. Não espero para ver sua reação. Vou até a biblioteca da casa e pego meu celular.
_Atende mãe. – Rezo com ansiedade para que ela veja seu telefone. Mãe, eu preciso de você! Já deveria ter voltado de viagem. Atenda. Desliguei no momento que a secretária eletrônica pedia para deixar recado. Voltei para a cozinha e fiquei intrigada. Uma travessa inox com tampa estava sobre a mesa, junto a ela um bilhete.
Querida Tris, estou tão contente por vocês. Soube que nessa fase dá muita vontade de comer algo diferente. Espero que goste do prato. Bom apetite.
– N
Nita havia se dado o trabalho de preparar uma comida pra mim? Precisava rever meu conceito sobre ela. Talvez não fosse uma pessoa tão má assim.
Abri a tampa com cuidado. Derrubei-a e ouvi o ruído surdo do metal caindo no chão. Apavorada com a visão à minha frente soltei um grito.
...
Tobias:
Saí do banheiro secando meu cabelo na toalha. Estava vestindo apenas uma calça já que era um hábito meu colocar a camisa ao sair do banho.
Encontrei Nita no meu quarto e a encarei, confuso.
_Oi. – Disse, buscando uma peça de roupa confortável no meu armário.
_Tobias. – Ela me segurou. Me dirigi ao outro lado do quarto e ela me seguiu.
_Fale Nita.
_Eu preciso revelar que te amo. Sou apaixonada por você, desde pequena. Você é tão forte, tão belo. Eu cresci também. Por que não ficamos juntos? – Afastei suas mãos do meu peito.
_Olha Nita, eu tenho a Tris. Não vivo sem ela. Ela é minha família. Ela é parte de mim agora, entende? Sinto muito, mas não vou te dar falsas esperanças. Para mim é impossível nutrir outro sentimento por você que não seja de amizade. Desculpe. – Tento sair mas ela agarra meu peito.
_O que ela tem? Eu tenho mais corpo do que ela! Me sinta, Tobias. – Diz ela, colocando as minhas mãos em sua cintura.
_Pare Nita! Está ficando vergonhosa sua situação. Não se humilhe desse jeito. Eu amo a Tris. – Digo pegando uma camisa branca de manga curta e vestindo.
Nita olha para mim com raiva. No andar de baixo escuto uma série de gritos. É a voz de Tris. Ela está com problemas. Olho para Nita com raiva.
_O que você fez? O que você fez pra ela? – Pergunto com raiva, chacoalhando seus ombros enquanto ela ri sadicamente.
Tropeço nos degraus da escada mas não ligo. Chego na cozinha e vejo Tris num canto da parede, agachada com as mãos no rosto e a cabeça entre as pernas. Ela está tremendo. Não entendo o que houve até avistar uma bandeja com algo em cima da mesa. Fico espantado quando vejo um roedor morto no prato. Nita. Meu sangue ferve. Pego o prato e a tampa, com cuidado para não tocar no rato, coloco o conteúdo em um saco plástico. Deixo na caçamba de lixo em frente a residência. Volto correndo para a cozinha. Lavo as mãos rapidamente e levanto Tris.
A abraço, fazendo carinho em sua cabeça. Ela não para de tremer.
_Ela...ela deixou um... – Minha pequena está tão apavorada que não consegue falar. Imediatamente entendo o motivo de Nita realizar tal feito. Ela queria que Tris se assustasse. Ouvi de várias fontes confiáveis que grávidas não podem se assustar logo no começo da gestação, pois correm o risco de perder o bebê. Tento controlar minha raiva. Tris precisa de mim, agora. Depois acerto minhas contas com Nita.
_Shh! Está tudo bem. Eu estou aqui. Nada vai acontecer com você. Preciso que controle seus batimentos cardíacos e sua respiração. É para garantir a segurança do bebê. Nós vamos pro hospital para ver se está tudo em ordem, okay? Olhe pra mim, princesa.
Sinto a respiração de Tris se acalmar, e beijo sua testa enquanto ela enfia o rosto no meu ombro.
Sinto suas pernas bambearem. Coloco uma das mãos na base de sua coluna e a outra embaixo de suas pernas. Tris apoiou a cabeça em meu peito. Peguei as chaves do carro e levei ela pro hospital.
Um médico jovem nos atendeu. Ele realizou todos os exames em Tris. Disse que ela poderia ficar ali para observação mas como estava tudo certo com o bebê, eu poderia levá-la para casa. Preferi assim, Tris odiava aquele lugar.
Levei ela adormecida para o nosso quarto e deitei seu corpo pequeno na cama de casal. Desci as escadas silenciosamente e fui para o anexo atrás da casa. Nita havia ido embora e levado suas coisas enquanto fui para o hospital com Tris. Preferia assim, não sei o que faria com ela se a encontrasse. A ira que tive para proteger minha Tris, me surpreendeu. Subi as escadas novamente.
Encontrei ela dormindo, de forma serena.
Me deitei ao seu lado e abracei. Beijei sua cabeça e sussurrei de forma suave.
_Meu anjo. Minha vida. Te amo, bons sonhos pequena.
Podia jurar que Tris sorrira levemente. Fechei meus olhos e adormeci abraçado ao meu motivo de viver.
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