Garota Expiatória
2 Sombra
Notas iniciais
SOMBRA
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Saindo da Sala de Banho e voltando ao corredor ela voltou a procurar a sala que sua outra chave abriria. Ela já sabia que não era a segunda porta, pois já havia tentado abri-lá, então a pulou, indo para a última porta que era de correr. Ela colocou a chave na maçaneta e a girou, fazendo um som de destranque e abrindo a porta.
Era uma espécie de sala tradicional japonesa, com tokatsus, bonecas que pareciam gueixas, chaleiras por todo canto e até o chão era coberto com esteiras feitas de bambu. Ela adentrou na sala começando a explorar, e vendo se lá havia alguma coisa.
Quando ela estava vendo uma prateleira de livros, se assutou ao olhar para a parede, na qual várias marcas de mão a pintavam de vermelho. Esse vermelho respingava para fora das paredes e sujava todo o tapete de bambu. Sem nenhuma sombra de dúvida, aquilo era sangue.
Hitome se assutou, indo um pouco para trás. Mas com um passe de mágica todas aquelas marcas e aquele sangue sumiu, deixando a sala do mesmo jeito de quando Hitome chegou nela.
– O-O q-que foi isso? — Disse ela, tentando se recompor. — H-Hm... Acho que foi só minha imaginação.
Então ela começou a procurar por coisas novamente, até que chegou em um guarda roupa. Abrindo a porta dele, ela viu que tinha uma caixa no fundo dele, e nada mais que isso. Ela pegou a caixa com um pouco de dificuldade, era num tanto pesada. A abrindo ela viu que nela tinha três pequenos pedaços de azuleijo com folhas secas estampadas.
– Parece que se encaixa alguma coisa aqui... Hm...
Quando ela foi colocar a caixa de volta para poder pensar melhor, um rosto apareceu do outro lado do armário. A cabeça de um garoto com olhos negros e os dentes cheios de sangue, com um cabelo muito longo sorria para Hitome, que se assutou, largou a caixa e fechou o guarda roupa. Indo para trás até bater em uma mesa.
– Hey, porque você está aqui? — Disse o garoto, que saia do armário rastejando a sua cabeça. — Não tem porque você ter medo.
– M-Me desculpa...
– Não tem nenhum problema, eu entendi essa minha feiura. — Ele se arrastava cada vez mais para perto dela. — Está doendo...
– ... Roubaram seu corpo?
– Sim, alguém conseguiu trocar de corpo comigo na hora da morte. Meu nome é Gyoiko e eu sou o protetor dessa casa.
– Ah, então você trás felicidade pra essa casa.
– Eu trago felicidade pra essa casa, mas essa casa só me trouxe tristeza... Já que eu não consegui proteger você, Deus levou meu corpo...
– A culpa é minha?
– Não... A culpa não é de ninguém... — Disse Gyoiko, voltando para dentro de seu guarda roupa. — Eu queria ajudar, mas sem esse corpo é meio difícil... Tome cuidado, Hitome. Além desse teste tem mais coisas nessa casa querendo te atrapalhar. E eles não terão pena de você.
– Eles quem?
– Desculpa, mas eu já não aguento mais... — Ele sumiu dentro do guarda roupa.
– Ah... Ele sumiu... Tem alguma coisa ali?
Hitome então caminhou novamente para o guarda roupa onde Gyoiko havia desaparecido, pegando novamente aquela caixa.
– Será que abre...?
Novamente ela olhava para aquelas três peças com folhas secas bordadas, colocando a que havia achado no cesto do banheiro no quarto espaço, abrindo a caixa.
– Ah, abriu! — Disse Hitome animada.
Dentro da caixa havia uma prisilha de um ursinho marrom, apenas isso. Não havia mais nada dentro da caixa.
– Ah, isso aqui? É uma prisilha que eu ganhei do meui tio.
Ela pegou a prisilha e colocou no lado direito de seu cabelo.
– Ahn, tio? Ah, eu tenho um tio! E ele ficava nesse quarto, o nome do meu tio é...
Então ela olhou para um dos tokatsus que estavam no quarto, e tinha alguém deitado.
"Antes não tinha ninguém ali..." Pensou Hitome.
– T-Tio...?
Ela andou até o tokatsu onde havia alguém deitado, ela viu que a pessoa estava realmente dormindo.
– ... Lembrei! Ele sempre brincava comigo, ele era bonzinho e simpático... Eu gostava muito dele! E ele sempre dormia com um terno... O nome dele é Yoshihiro!
Então ela viu o tokatsu onde o tiu estava deitado se mexer, então ela recuou um pouco.
– Hmm...?
Logo depois disso, Yoshihiro levantou e caminhou na direção de Hitome, um tanto lentamente.
– Oh, bom dia Hitome! — Disse Yoshihiro, já mais alegre.. — Hitome? Ah, entendi... Você se esforçou muito, né? Então a partir de agora eu irei estar junto de você.
– Sério?
– Sim, deixa comigo!
– Okay!
Então, Hitome e seu tio Yoshihiro sairam do quarto, indo novamente ao corredor das portas trancadas. Mas eles não tentaram abrir nenhuma. Subiram as escadas em direção ao grande quarto, onde havia o diário.
– Tio, você lê para mim?
– Hmm... Okay. — Disse Yoshihiro. — "O final de agora é zero ou um, e as vezes acaba com um oito ou um nove... E o que me abre é o que liga do um para o um." Está meio difícil de ler, mas basicamente é isso.
– Eu não entendi, Tio... — Disse Hitome.
Hitome e Yoshihiro sairam do quarto, indo em direção do corredor do segundo andar. Na parede havia um calendário, então Hitome olhou para o tio e disse.
– Tem mêses que acabam dia trinta e dia trinta e um.
– Fevereiro acaba dia vinte e oito, ou dia vinte e nove. — Corrigiu o tio.
– Os mêses que acabam dia trinta são abril, junho, setembro e novembro. — Disse Hitome. — E os que acabam dia trinta e um são janeiro, março, maio, julho, agosto, outubro e dezembro. Só fevereiro acaba dia vinte e oito, mas a cada quatro anos ele fica com vinte e nove dias...
– Porque você está olhando isso?
– Não... Não tem nenhum motivo.
Então eles voltaram para o quarto, no mesmo diário que estavam antes. Queriam ver com mais clareza o que aqullo significava. Mas estava muito difícil.
– Tio... Eu acho que já sei a resposta!
– Sabe Hitome?
– Sim, quando fomos ver o calendário, o único mês que vai do dia trinta e um em um mês e no outro também é trinta e um, é Julho!
– Oh sim... Pode ser a resposta... Vamos tentar!
Yoshihiro pegou o diário e ficou rodando os caracteres até formar a palavra "Julho" neles, logo depois tentou tirar o cadeado e abrir o diário. E realmente due certo! A senha era mesmo o mês de Julho.
– Oh! Abriu, tio! — Disse Hitome, animada.
– Nossa... Arrancaram a corrente.
– Espera...
Hitome olhou novamente o diário, mas agora aberto e encontrou uma outra chave dentro dele, a pegando.
– Uma chave!
– Agora vamos ler...
– Tá!
"Dia 14 de Setembro.
Hoje eu brinquei com todo mundo! Eu estava meio ocupada com meus estudos mas já que deu tempo foi muito divertido. Amanhã e depois de amanhã eu quero brincar mais. Mas eu não posso ser tão mimada, então eu vou ter que aguentar. Espero que brinquemos de novo em breve.
Dia 15 de Setembro.
Acabou meu remédio, então eu estava ruim. Parece que eu o esqueci na estação. Mas já que eu já fui direto para o hospital não teve problema. Tinha dó dela, parecia que ela estava sofrendo, então eu vou tomar cuidado para que ela não esqueça o remédio de novo.
Dia 16 de Setembro.
Parece que o período de trabalho pesado do meu pai acabou, agora ele está mais calmo. Eu quero brincar com ele, mas ele está cansado, então vou deixar ele descançar. O meu tio está cansado também, mas ele brinca comigo todos os dias, e minha irmã também conversa comigo. Meu pai, meu tio e minha irmã, eu gosto de todo mundo. Eu gosto da minha mãe também que não brinca comigo."
– Você escreve no seu diário todo dia, hein? — Disse Yoshihiro.
– Heheh, valeu... Quem que tava tomando remédio? Porque será que eu não brinco com a minha mãe?
Então eles andaram para a porta que fica no mesmo quarto, ao lado da cama. Com a outra chave aquela porta não abria, mas com a nova...
– Parece que nessa porta só tem um cadeado... — Disse Yoshihiro, abrindo a porta.
Lá dentro parecia um closet, não era tão grande assim, mas mesmo assim era num tanto impressionante. Logo a frente dela havia duas estantes de livro, eles se aproximaram e, logo de cara, ela deu de cara com algo.
– Olha! Tem um album aqui... Mas ele também está fechado...
– Hmm... Aqui também tem alguma coisa... — Disse Yoshihiro. — Essa anotação que eu achei também pode ser uma dica. "O tempo passa e a lua dorme, eu fui em uma aventura além das montanhas. E entre as ondas silênciosas do mar, sobe um novo sol. O rio que liga a montanha e o mar, parece que eles brilham com os raios de sol, e as plantas cantam, balançando no vento, e elas atravessam o mar e vem para mim, vem para mim". Parece que é algum poema...
Então ela pegou o album, e tinha sete quadradinhos, mas apenas um estava preenchido com a imagem de uma montanha. No final de todos os quadradinhos havia uma garotinha parada com as mãos juntadas.
– Tem várias pecinhas aqui... — Disse Hitome.
– Então vamos encaixá-las?
Primeiramente ele colocou a lua, antes da montanha.
– No poema diz isso, certo?
– Certo!
Logo depois ele pegou a peça que representava as ondas do mar, colocando-a depois das montanhas e da lua.
– Certo, certo... E agora?
– Agora vem o sol, né?
– Isso mesmo, Hitome!
Então com pressa ele colocou a peça do sol depois das ondas do mar, e depois o sol.
– Hmm... Agora é rio.
– Sim, sim...
Ele coloca o rio depois do sol, encaixando perfeitamente a peça no quadradinho vazio.
– As plantas cantam...
– Mas tem uma nota músical, um gato e as plantas... Qual eu coloco primeiro.
– Que tal a gente explorar esse quarto e depois ver o que tem nesse album? — Sugeriu Hitome.
– Ótima ideia.
Então eles deixaram o album lá, e andaram para o lado nesse não tão grande closet, eles chegaram perto de um criado-mudo, mas parecia não ter nada lá. Mas com um passe de mágica apareceu um vulto, voando na frente deles ali. Esse vulto parecia um rosto gigante com vários olhos, mas em questão de segundos ele desaparecera.
– O-O que? T-Tio...
– Não se preocupe Hitome, vamos continuar.
E eles continuaram, estavam quase no fim do closet, onde havia uma pequena mesa e em cima dela um pequeno cofrinho.
– Vamos ver o que tem nele? — Disse Yoshihiro, já jogando o cofrinho no chão.
O cofrinho fazia um som estridente e se rachava em vários pedacinhos no chão, com várias notas e moedas de dinheiro.
– Ai tem mais ou menos 530 Ienes... — Disse Yoshihiho. — O que iriamos fazer com isso?
– Não sei...
Ela virou para o lado e viu um grande guarda roupas, nele havia uma espécie de voz dizendo.
– O g-gato fugiu de mim... O gato n-não está em nenhum lugar...
Hitome se assustou, mas logo entendeu
– Ah, tio... Então eu acho que no album não se usa gato.
– Porque acha isso?
– A voz do armário disse! — Ela estava sorridente para o tio.
– Ah, sim... Vamos tentar de novo.
Eles caminharam até a estante de livros novamente, pegando o album de fotos e consultando a frente, onde tinham os quadradinhos vazios e as peças.
– Vamos lá!
Então eles colocaram as peças novamente na capa, fazendo a sequência exata das peças para destrancar o album, que teve êxito
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