Garota Big Bang

4 Não me esqueça


Notas iniciais
Olá, desculpa a demora, eu tava meio ocupada com a semana final de provas, e cuidando de outras fics que pretendo publicar e bla bla bla, mas aqui está, espero que gostem e comentem se acharem algum erro, ou se gostarem da descrição de algo específico.

O resto da noite foi tranquila. Eu podia fazer piadas e rir e beber com meus amigos, porque por um tempo, eu não pensei em Alice. Mas então voltei pra casa. E ela estava sentada em cima da minha cama, com aquele sorriso enorme, mas parecia prestes a chorar.

– E então? Como foi? A... a Camila estava lá? – perguntou.

– Sim. Me diz o que aconteceu. Por que você está com cara de choro?

– Lucas, você está seguindo em frente. – ela sorriu, mas continuava triste.

– O que você quer dizer? Alice, o que foi?

E então ela sumiu.

– ALICE! Alice..

Eu estava falando sozinho. Alice fez isso comigo, e não era a primeira vez.

– Me diz o que aconteceu! Alice!

– Agora eu não posso. Tenho que procurar uma coisa.

– Alice! Por favor!

– Eu tenho que achar uma coisa. Pra minha avó, eu tenho que achar uma coisa, ela não pode.. Tenho que procurar – ela dizia, estávamos no closet de seu quarto, e ela revirava caixas de sapato, e sacolas.

Ela chorava, eu não conseguia me aproximar dela, ela me bateria se eu tentasse.

Semanas depois, eu soube que a avó dela tinha morrido. Semanas.

Ela cometia esse erro algumas vezes. Ás vezes esquecia-se de me dizer que estava doente, ou que ia sair com algum amigo. Essas eram as partes mais normais. Mas eu levei pelo menos 2 meses para saber de sua avó.

– Alice... você me deixa maluco.

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– Sr. Melo, está se sentindo bem?

Eu estava. Me sentindo ótimo na saúde, mas não no emocional.

– Na verdade não muito. Posso me retirar? – não esperei respostas, peguei minha mochila e saí da sala.

Era a primeira aula, mas eu não conseguia parar de pensar em Alice. Ela ainda ocupava a maior parte de minha vida, minhas notas tinham caído, mas alguns professores com pena me davam trabalhos pequenos que valiam muito.

Estava saindo quando encontrei Juliana correndo.

– Ei! Ju! Onde está indo? – chamei-a.

– Lucas.. Oi.. – ela parecia triste. – Nada, não.. não é nada.

– Vamos no Subway e lá você me diz o que houve. – a abracei e saímos.

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– Agora me diz o que aconteceu. – sentamo-nos numa mesa, ajeitamos as bandejas e ela me olhou triste.

– Briguei com o Matheus.

– Grande novidade. Sério? Vocês fazem isso do mesmo jeito que tomam banho e ficam no máximo duas horas separados. Juliana, o que foi?

– É a verdade – ela fez uma cara triste.

– Juliana, eu te conheço, eu sei do curso de teatro.

– Ok – ela disse derrotada -, pediram pra eu falar com você. Falar sobre a Alice.

– Nossa, de novo com isso?

– Lucas, vocês se amavam demais. Camila me disse que você chorou a alguns dias.

– Eu perdi minha namorada, ok? Eu perdi uma das pessoas que eu mais amava no mundo. Ela era o motivo de eu me animar em acordar cedo, ela me ensinou o que era amar alguém que te deixa louco.

– Lucas, eu entendo, mas eu quero saber o que realmente está acontecendo.

– Juliana, não faça de mim o seu trabalho de psicologia.

– Cala a boca, e me diz. Me conta.

Olhei para Juliana, as amigas de Alice me lembravam Alice. Por serem diferentes, mas ao mesmo tempo parecidas.

– Eu continuo vendo a Alice. – não acreditei quando disse isso em voz alta.

– Como assim? Você visita muito o túmulo dela?

– Eu ainda falo com a Alice. E não é por meio de nenhum tabuleiro ouija. – não acredito que fiz uma piada naquele momento.

– Quê? Não, não pode ser. Ela tá morta – Juliana riu.

– Por isso eu não queria falar. Sim, ela tá morta, e sim, eu acho que to enlouquecendo, porque ela continua a aparecer e mandar eu seguir em frente, e mandando eu chamar Camila para sair, e mandando eu sair e ser feliz, e pedindo para eu esquecê-la. Como vou esquecer ela se ela continua aparecendo pra mim? Isso é loucura, né?

Juliana me observava com um olhar de quem acreditava no que eu falava, mas procurando alguma explicação de eu conseguir ver Alice.

– Eu acredito. Mas.. é impossível, Lucas. Você não é médium é?

– Isso é uma piada?

– Não, é uma pergunta séria! Só você fala com ela.

– Juliana, cala a boca. Eu te conheço desde que temos 8 anos, acho que eu teria dito se eu visse espíritos.

– Sei lá, podia acontecer.

– Ju, por favor, não conta pra ninguém.

– Ok – ela disse sorrindo de canto.

– Nem pro Matheus. Nem pra Camila. Nem pra Stela.

– Ok, entendi.

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– Mãe? – perguntei ao entrar no estúdio fotográfico.

Uma mulher alta, meio gordinha olhou para mim. Ela tinha um sorriso doce, cabelos negros e olhos cor de mel. Usava uma regata preta e uma calça jeans. Depois desviou o olhar e continuou fotografando a modelo magrela.

A modelo estava em um balancê trançado com flores, ela usava um vestido longo rosa, e tinha um daqueles penteados esquisitos que eles sempre fazem em ensaios fotográficos. A modelo era mais alta que eu, loira e tinha um rosto bem delicado, que carregava uma maquiagem pesada. Nada que eu entendesse direito.

– Oi, querido. Vai jantar em casa hoje?

– Meu estoque de miojo acabou. – respondi abraçando ela por trás.

– Lucas, estou tentando fotografar a Amanda. Amanda, dê uma bronca no Lucas.

– Lucas, deixe sua mãe me fotografar. Eu levei 30 minutos pra subir nesse balancê. – era possível entender o porquê, o balancê era a pelo menos alguns metros do chão.

– Como sabe que ela é minha mãe? – perguntei para a modelo girafa.

– Sua mãe está fazendo meu portfólio. Temos passado bastante tempo juntos.

– Minha nova melhor amiga. – minha mãe disse, e tirou algumas fotos da tal Amanda. – Amanda, não faz bico, e mais postura. Iluminação, tá fazendo sombra ali do lado, arrumem, por favor.

Era assim, minha mãe tomava conta de todo o estúdio e era uma das melhores fotógrafas que eu já havia visto.

– Obrigada, Amanda. Pessoal, podem ajuda-la a descer? – e do nada, 3 homens altos e fortes com uma escada foram ajudar a modelo girafa-magrela e descer do balancê. – E então querido, está tudo bem? Tem saído? Se divertindo bastante?

– Sim, mãe – menti. Eu saía pra me divertir no máximo 3 vezes por mês. Uma era pra fazer a compra do mês. A outra pra ir no Milk & Mellow quando eu tava com vontade de comer de verdade. Eu saía com meus amigos uma vez por mês.

– Que bom, filho. Jorge, chama a Camila, por favor? – ela perguntou para um dos homens fortes. – Obrigada.

Camila.. eu só pensava em uma Camila, mas seria muita coincidência.

– Oi – olhei, e sim, era a Camila.

Ela estava com o cabelo preso bem alto, com um vestido azul com uma calda longa, e Jorge segurava a calda do vestido.

– Oi.. – eu disse e a cumprimentei com um beijo em cada bochecha. Estranho.

– Já se conhecem? – minha mãe disse olhando para nós.

– Sim, a Camila é da minha sala.. e.. O que você ta fazendo aqui?

Antes de Camila poder responder, minha mãe mandou-a andar logo para o cenário, que depois da sessão ela podia jantar lá em casa e explicar tudo.

Depois de tirar várias fotos, Camila foi se trocar e eu e mamãe a esperamos. Ela voltou com uma calça jeans, uma bota que a deixava mais alta do que ela já era, e uma camisa preta apertada.

– Vamos.

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Chegamos num prédio enorme de 20 andares, deixamos o carro no estacionamento e entramos no elevador. Meus pais moravam na cobertura, então depois de uns poucos minutos, chegamos ao vigésimo andar.

Entramos num apartamento com papel de parede preto e branco que tinha um carpete azul escuro, na sala dois sofás pretos enormes na frente de um TV tela plana, e um lustre preto.

– Amor, cheguei. – mamãe anunciou e meu pai apareceu usando um avental branco.

– Oi, eu estava terminando o jantar. E aí garotão, quem é essa menina linda?

– Camila, esse é meu pai. Pai, a Camila estuda comigo e aparentemente é modelo.

– Lucaaas! – disse uma voz feminina. – Não volta mais pra casa, né idiota?

Minha irmã tinha 14 anos e era bonita. Poucos centímetros mais baixa que eu, magrela, cabelo comprido castanho claro, e olhos azuis como os do meu pai.

– Oi pirralha. Camila, essa é minha irmã Erica.

– Prazer – ambas disseram e se cumprimentaram com um beijo na bochecha.

– Você é linda, Erica.

– Valeu, você também.

– Pessoal, o jantar tá pronto!

Comemos macarronada, Camila elogiou a culinária do meu pai, e depois de Erica ir dormir, e tomarmos algumas taças de vinho, mamãe sugeriu que eu levasse Camila no terraço e foi dormir.

– Aqui é onde eu penso... pensava.. Eu vinha pra cá com um colchão e um cobertor, e olhava para as estrelas. – disse. – Eu tinha sorte de morar na cobertura, poder vir aqui a hora que quiser. Meus pais compraram até um sofá pra colocar aqui, já que eu os desobedecia e continuava dormindo aqui.

Sentamos num sofá de couro preto, tinha uma caixa grande de plástico ao lado, e dentro uma manta vermelha. Peguei a manta e nos cobri.

– Depois.. – respirei fundo. – depois do acidente eu morei aqui por mais duas semanas. Todas as noites eu vinha e ficava pensando nela. E então meus pais compraram um apartamento pra mim, meu espaço, eu posso chorar onde quiser. – ri sem muito humor.

– Lucas.. – ela parecia prestes a dizer algo. – esquece.

– Pode perguntar.

– Como foi que.. que aconteceu? – ela perguntou e passei alguns segundos sem responder. Era estranho Alice ter desaparecido e voltado para me assombrar, e era mais estranho eu sentir falta dela falando na minha cabeça, não vê-la. – Esquece. Foi uma pergunta idiota, eu sou uma idiot..

– Não, não é. Eu só estava pensando. O motorista do outro carro estava bêbado, e o motorista do caminhão não teve culpa, apenas não parou a tempo... o carro girou várias vezes até ficarmos no meio da pista, de cabeça para baixo. – as cenas do acidente eram como um filme dentro da minha cabeça. – Um pedaço de vidro entrou na Alice.. ela já não tinha mais chances, estava perdendo muito sangue. Eu sabia que ela não ficaria bem, e eu quis morrer junto a ela. Mas eu apenas fiquei com cicatrizes nas costas. Mas ela não..

Olhei para Camila. O seu olhar parecia afetado, e ela parecia prestes a chorar. Era fácil entender o porquê. Se alguém próximo perde outro alguém, você não sente a dor da perda, mas sente pela pessoa que perdeu. E era isso que eu via no olhar de Camila. Ela não me conhecia a muito tempo, nem conhecia Alice, mas sentia pela minha perda.

– Ela não conseguiu. Ela sobreviveu por mais algumas horas, mas não conseguiu. Me entregaram um papel quando ela morreu. – tirei a carteira do meu bolso e peguei o papel dobrado cuidadosamente. – O papel dizia: “Eu te amei, amo, e amarei para sempre. Não me esqueça”.

Abri o papel com cuidado, e com uma letra desajeitada estava escrito o que Alice tinha deixado lá. Eu cuidava daquele minúsculo pedaço de papel como se fosse a minha vida. Entreguei para Camila e ela leu com os olhos lacrimejando.

– Desculpe por chorar, eu pareço uma idiota..

– Eu já disse que você não é idiota. Alice ficaria feliz de saber que foi eternizada e até quem não a conhecia sentiu por ela. Ela sabia brincar com isso, com popularidade, com sentimentos. Mas eu a conheci de verdade, e pelo menos pra mim, ela nunca foi nada de ruim.

Camila sorriu gentilmente para mim. Não era pena, era algo melhor. A abracei de lado e ela olhou por um bom tempo pra mim. Ficamos parados, não se ouvia nada além de nossas respirações. Mal senti quando nos beijamos. Foi rápido demais, foi calmo, apenas o toque rápido de nossos lábios e mais nada. Eu não podia me sentir culpado naquela hora. Eu estava tentando seguir em frente, como Alice tinha sugerido, e teria outra hora pra ficar culpado.

Nos deitamos no sofá e nos ajeitamos, a manta nos cobria só até certo ponto, então apertei Camila mais um pouco. Fiquei olhando as estrelas até adormecer.

Notas finais
Espero que tenham gostado, bom, vou tentar não demorar muito pro próximo, até.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.