Garasu No Namida
9 VIII- The moonlight illuminates a sad...
Notas iniciais
Pfvr título grande. Bom, é uma mistureba e não sei bem com quais músicas montei. Quando eu lembrar os respectivos trechos coloco aqui.
A música utilizada foi a tradução de Raison dêtre, Dir em Grey.
Perdoem se deixei qualquer erro passar, não revisei e nem pretendo fazê-lo. Foi o capítulo mais difícil de ser escrito e 99,9% dele foi transcrito de uma conversa real.
Eu te amei muito, o eu daquela época vai sempre permanecer assim...
– Embora...? – Tendo o terror nos olhos e a incredulidade na boca entreaberta, a expressão do vocalista deixava transbordar toda sua confusão.
– É isso mesmo que você ouviu – O produtor se levantou cruzando os braços e ficando de costas para o moreno acuado no sofá. – Estou aqui para tentar explicar com essas palavras tão difíceis algumas coisas que eu sinto que não estão bem terminadas.
– Mana, eu...
– Por favor, deixe-me terminar. Preciso que entenda que tudo aconteceu de modo verdadeiro e que, como eu disse, não me arrependo do que aconteceu – Uma pausa breve, e o maior tornou a se virar em direção ao vocal. – Mas eu não queria que tivesse terminado de forma diferente. Agora eu consigo ver que foi melhor para ambas as partes o final que nossa “história de amor” tomou – Frisou ele, fazendo as conhecidas aspas com os dedos. – Comecei a misturar tudo e meu coração estava sendo enganado, Kaya... Ele estava acostumado a ter o amor proibido de Camui e de repente sentiu que era mais fácil ficar com você. Ele sentiu que com você tudo seria mais simples e que ele teria o carinho que necessitava, mas não.
Mas eu me cansei de ver você, tenho outra pessoa em meus braços.
Inflexível a ponto de ser assustador. Era esse o Mana que, naquele momento, mostrava-se diante de Kaya. A frieza em seu olhar parecia congelar todo o ambiente ao redor, limitando os movimentos e atrasando as reações do moreno quase a ponto de desaparecer em meio às almofadas.
Os olhos do vocalista estavam a ponto de saltar das órbitas. Em sua mente, surgiam três palavras em letras garrafais, brilhando como um outdoor:
“EU FUI USADO”.
Em breve não te amarei mais, meu ódio aumenta
– Nós somos opostos demais para poder dar certo, querido. Somos diferentes em eternos aspectos que, se você pensar bem, deixaram ainda mais complicada a nossa relação. Algumas vezes eu me vi mentindo para mim mesmo para lhe satisfazer e isso não era certo nem comigo, nem com você – Finalmente voltou-se para o mais novo, encarando-o sem emoção alguma. – E muito menos com Camui.
Vou começar a te atingir e te destruir, você gosta do meu egoísmo?
A cada palavra, Kaya se sentia tropeçando em trilhos e sendo atingido por um metrô em movimento. Os olhos já não seguravam mais as lágrimas frias que demarcavam seu rosto pálido, caindo do queixo para os dedos que apertavam o tecido da calça com uma força desconhecida.
– Eu fui sem pensar logo me declarando para você sendo que eu tinha feito isso com ele tempos atrás. Comecei a acreditar que era você de quem eu precisava, mas nunca foi. Ou melhor, era e não era. Eu me sentia vivo com você porque você me elogiava e fazia eu me sentir amado... Você não tinha vergonha e nem medo de dizer sobre seus sentimentos, mas ele tinha e sempre teve. Esse é um dos fatores que fez com que eu me entregasse para ele há um ano e pouco. Foi o que fez com que nossa amizade se tornasse mais intensa, mas eu botei tudo a perder quando me envolvi com você.
Eu procurei algo mais que palavras
Procurei apenas seu corpo
– Ele começou a namorar o Hyde para me esquecer. Iludiu a ele e a si mesmo. Quando isso aconteceu, eu percebi que o ciúme que eu sentia por ele era maior do que o que eu sentia por você com quem quer que fosse...
Os lábios se entreabriram cogitando dizer algo que completasse o raciocínio de seu cruel produtor. Arrependeu-se de pensar em um final de frase já que a conclusão que recebera conseguiu ser pior que qualquer um de seus pensamentos mais egoístas.
Um Pierrot sozinho deitado diante do espelho
Chega vagarosamente perto de mim
Quem pode fazer você sofrer, eu ou ele?
Sozinho, eu sussurro
– Que me doía mais pensar em perdê-lo do que perder o meu namorado.
Eu te magoei quando você percebeu que
Comigo nós não podíamos entender um ao outro
O menor fazia um enorme esforço para assimilar cada uma daquelas frases, tão claras mas ainda assim tão incompreensíveis. Por que Mana estava lhe dizendo tudo aquilo daquela forma? Como conseguia ser tão indiferente ao ferir os sentimentos de alguém? Os lábios tão fortemente comprimidos um contra o outro finalmente se abriram, deixando a dor vazar através de um último pedido desesperado.
– Mana, não me deixa... Eu... Eu queria ter acertado mais com você, não vai embora...
Atordoado e sem ter mais qualquer coisa útil a ser dita, abraçou Mana que, sem hesitar, imediatamente o repeliu.
– Quero dar esse assunto como terminado porque não quero me pegar pensando nas nossas noites novamente. Não quero me pegar pensando em assuntos ou coisas que tivemos anteriormente, sabe? – Caminhou até a porta, abrindo-a e se mantendo a encarar o corredor vazio e escuro à frente. – Eu amo o Camui, Kaya. Amo somente a ele e nunca deixei de amar. Só a intensidade que mudou algumas vezes, mas nunca deixou de existir. – Um último olhar direcionado à face lívida do menor. Um odioso olhar de pena. – Fique bem, eterno koi.
“Eterno koi? Como posso ser eterno se, no fim das contas, nunca fui nada pra você?”
Um Pierrot sozinho deitado diante do espelho
Chega vagarosamente perto de mim
“Mana-Sama...”
A porta bateu. Aos poucos, o som das plataformas do produtor desaparecia de seu campo de audição. Trêmulo, sem qualquer força nas pernas para manter-se em pé, Kaya caiu de joelhos do piso olhando para o gigante envernizado à sua frente. Ao invés de uma porta, enxergava uma barreira que o separava de Mana para todo o sempre.
Quem pode fazer você sofrer, eu ou ele?
Sozinho, eu sussurro
Lá fora, uma terrível chuva começou a cair enchendo o cômodo com seu triste som. Porém, até mesmo o barulho da tempestade era incapaz de cobrir o pranto ouvido por todo aquele andar.
Sem namorado, sem produtor. Solidão... Era apenas aquilo que lhe restaria dali para frente.
-
[ Hizaki’s POV ]
Bati na porta, perguntando por ele. Um “não vou sair” muito fraco ecoou de dentro do apartamento. Já tinha perdido as contas de quantas vezes recebia aquela resposta ao visitar meu amigo.
– Kaya, por favor, abre... Conversa comigo, deixa eu te ajudar!
– Vá embora.
Perdi a paciência. Meu melhor amigo estava se matando aos poucos desde que Mana o chutara, enfurnado há dias dentro daquele maldito apartamento. Não atendia minhas ligações, não respondia as mensagens de texto... Recusava-se a sair. Se eu bem o conhecia, o lugar estava uma zona e ele devia estar sem comer direito.
– Abre essa merda de porta. Abre agora, ou eu vou arrombar. Você sabe que eu posso fazer isso Kaya, sabe muito bem que posso chutar essa porta até ela cair!
Finalmente você sofre tanto que seu espírito vai sair de seu corpo
Talvez a ameaça tenha surtido efeito, pois, poucos segundos após esse meu ataque de agente da Interpol, ouvi passos arrastados vindo em direção a porta. Eu não precisava vê-lo para saber que havia emagrecido e que seu rosto estaria vermelho e inchado de tanto chorar. Afinal, Kaya era assim desde pequeno... Se algo o magoava, ele chorava por semanas a fio. Ser deixado pelo noivo devia ter arrancado um pedaço de sua alma.
A chave foi girada na fechadura e finalmente a porta se abriu. Adiantei-me um passo, adentrando a residência. Tinha que jogar algumas verdades na cara dele e fazê-lo parar de ser tão estúpido. Uma vida toda esperando por ele lá fora e ele trancado em casa chorando as mágoas por alguém que tinha o dispensado e devia estar curtindo a vida com outro sem nem ligar para o poço onde ele havia se atirado.
– Kaya, eu--
Não consegui completar a frase. Fui pego de surpresa por dedos agarrando minha camisa e lábios cheios e quentes tocando os meus. Lábios cheios de incerteza e revolta.
Meus olhos permaneceram abertos tentando assimilar o que estava acontecendo. Meu melhor amigo estava me beijando.
Em frente aos meus olhos você está berrando de rir, olhando para uma navalha vermelha.
“Idiota. Seu grande idiota!”
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