Garasu No Namida
5 IV- Stranger
Notas iniciais
Qualquer influência de Batman O Jogo Mortal neste capítulo não é mera coincidência. Rç Balinha pra quem encontrar.
[ Kaya's POV ]
É certo que 'paixão' não deve ser erroneamente confundida com 'atração', e menos ainda com 'interesse'. Mas, em um mês de proximidade, meu interesse em ascender no mundo da música e minha atração pelo misterioso produtor da Midi:Nette tornaram-se o sentimento mais difícil de se engolir. Algo sem nome e com a forma ainda por moldar...
O amor confunde, a paixão engana e eu nunca fui capaz de saber a diferença entre esses dois. Mas fosse o que fosse aquilo que eu sentia, era forte e eu fazia questão de oferecer descaradamente a Mana.
Como Hizaki fez questão de me lembrar, nunca fui de acreditar em coincidências. Tudo tem um maldito dedo do destino, não importa se para o bem ou para o mal. Meu destino foi selado quando assinei o contrato com Mana. Não demorou muito para que a proximidade que o trabalho nos trouxe evoluísse para algo mais... Eu não sabia o que vinha dele, mas sabia que meu coração disparava quando o despertador tocava me acordando para mais um dia de ensaio. Quando pegava o táxi a caminho do prédio do qual aprendi a gostar tanto, quando subia cada degrau daquela escadaria que já não mais me assustava e quando adentrava aquela sala gelada para encontrar o sorriso torto do senhor Manabu Satou.
Era uma noite qualquer. Eu estava exausto de tanto treinar a música que havia composto há algum tempo com um amigo de escola, Hora, e sempre me faltou coragem de cantar. Demos a ela o nome de Funerary Dream. “Sonho Fúnebre” parece um pouco assustador, não? Pois era o que minha vida se tornaria a partir do momento em que tirei os fones de ouvido.
– Kaya, Kaya! Você é maravilhoso! – Disse Mana, invadindo a sala como um fã histérico. Eu ainda não tinha me acostumado àquelas reações, mas era por elas que eu conseguia acreditar que ele realmente gostava de me ouvir cantar.
– Obrig--! – Mal tive tempo de agradecer o elogio. Quando me dei conta, tinha a face encaixada entre as duas mãos do mais velho e meus lábios colados aos dele. Meus olhos ainda abertos fitavam incrédulos a face frente à minha, até cederem por completo em resposta ao lascivo enlaçar de minha cintura. Movi o rosto sutilmente para o lado e entreabri os lábios, deixando que aquela língua quente invadisse minha boca.
O gosto daquele beijo era simplesmente entorpecente. Não sei nem dizer quanto tempo durou pois, mesmo depois de terminado, eu ainda flutuava em alguma nuvem de algodão-doce ou coisa parecida. Seus dedos deixaram uma carícia breve em minha bochecha e pendi a cabeça na direção daquela palma tão macia. O encanto foi desfeito quando sua voz masculina murmurou um “até amanhã” e pude por fim abrir os olhos, vendo-o se aproximar da porta. Tentava encontrar palavras em algum lugar para poder respondê-lo adequadamente, mas não conseguia.
Até que, pouco antes de cruzar a saída do estúdio, Mana parou.
– Se eu disser que o amo, você acredita? – Perguntou ele ainda de costas.
– Cegamente – Respondi inequívoco.
E eu estava realmente cego, por isso deixei que meu coração falasse por mim.
Alguém devia ter me impedido de colocar aquela venda em meus olhos. Porque só eu sei o quanto doeu enxergar a ofuscante luz da realidade de uma só vez quando a maldita venda foi arrancada à força.
[ / Kaya's POV ]
–
Com o passar dos dias, a troca de afeto foi se tornando visível a todos dentro do prédio. Fazer parte de um “romance famoso” não era algo que estava nos planos de nenhum dos dois, entretanto, tudo fluía de uma forma tão aparentemente natural que acabaram se deixando levar. Mana passou a visitar Kaya com frequência, assim como Kaya passou a se sentir confiante o suficiente para dar demonstrações de carinho no mínimo “suspeitas” em público. Confundiram os interesses e a atração com a dita paixão que tanto incomodava.
O trabalho avançava em conjunto com o turbilhão de sentimentos entre o casal. A voz de Kaya tomando a forma de cada linha das músicas que compunha deixava Mana em uma espécie de êxtase que ele mesmo não conseguia descrever. E não apenas a voz, mas também os gemidos, como descobriria em um futuro não muito distante. Alguns dias depois, para ser mais preciso.
Em uma das visitas de Mana, ao término de uma dramática e desnecessária conversa sobre amor, um beijo caloroso em excesso deu o primeiro sinal de que aquela noite seria longa para ambos. Carícias dedicadas das mãos firmes do produtor distribuídas pelo corpo ainda coberto permitiam-no encontrar todos os pontos sensíveis de seu prodigioso cantor. Beijos cálidos contra a pele alva do pescoço do mais novo o levaram a descobrir sua extrema sensibilidade na região. Os mínimos toques na cintura quente do pequeno faziam-no se contorcer e deixar o corpo afundar aos poucos no estofado, cada vez mais entregue. Abaixo da saia do vestido, as coxas e a descoberta de como eram gostosas de serem marcadas pelas unhas curtas do mais velho.
O decote do vestido foi aberto sem cerimônias, laços foram desfeitos e logo o moreninho de lentes azuis encontrava-se seminu abaixo do corpo maior em igual situação, ofegando com os toques indiscretos em seu membro já ereto sob o tecido da boxer branca, retirada rapidamente por ser a única peça que ainda impedia o total contato entre os corpos. Provido de alguma experiência, Kaya tentava retribuir os toques da maneira que seu prazer iminente lhe permitia, com isso descobrindo a sensibilidade alheia nos mamilos e um pouco abaixo do umbigo. Na sequência, a preparação de praxe feita a pedido do menor (estando os dedos de Mana umedecidos em sua própria saliva) e a incômoda penetração de dois dígitos do maior no interior apertado de Kaya, que custou a relaxar. Abraçava o tronco do mais velho com tamanha força que parecia impossível que alguém tão delicado fosse capaz de se agarrar daquela forma ao corpo de alguém. Um beijo terno do produtor e um sorriso vindo do mesmo forneceram a Kaya a segurança de que precisava para que, empurrando a roupa íntima do maior para baixo, enlaçasse as pernas em torno da cintura deste e se deixasse ser invadido, a custo de uma lágrima de dor logo esquecida quando a sala tornou-se refém dos gemidos prazerosos e palavras de baixo calão por parte de ambos, levando ao ápice conjunto e ao fim do ato sexual propriamente dito.
Envolvido pelos braços do sênior, distribuindo beijos castos pelo tórax desnudo, ocorreu a Kaya encerrar de uma vez as dúvidas que o acercavam desde que Mana o havia beijado pela primeira vez.
– Hn, Mana...? – Kaya chamou baixinho, levantando o rosto infantilmente enrubescido.
– Sim?
– Nós estamos... Namorando?
– Achei que já estivéssemos tendo algo antes de você perguntar...
– É que como nenhum de nós fez o pedido... – O menor encolheu-se junto ao peito do maior, temendo pela resposta.
– Você quer?
– Quero! – Afobou-se o moreninho já de olhos marejados, abraçando apaixonadamente seu novo namorado.
[ Kaya’s POV ]
Impulsivo é o nome que se dá a toda e qualquer pessoa idiota o suficiente para agir como eu. Devia ter deixado as coisas continuarem seguindo seu ritmo, mas não, eu tinha que persuadi-lo a assumir uma relação passada a limpo. Esqueci de avisá-lo que eu lidava com um namorado da mesma maneira que lidava com minha sobremesa favorita: do primeiro ao último pedaço o doce me pertence e, se eu lhe oferecer por educação, é por educação que você deve recusar.
Dizem que no começo do namoro tudo é um mar de rosas. Eu posso confirmar a veracidade desta frase já que, no primeiro mês, o que eu vivia com Mana era uma bênção divina. Aos poucos conhecíamos mais um ao outro, dividíamos nossas tarefas e segredos eram algo totalmente fora de cogitação. Ou pelo menos eu achava que era até, em uma das visitas que me fez, Mana revelar que não viria me ver no dia seguinte, pois precisava resolver algo em outra cidade. Ficaria na casa de um amigo e eu, desconfiado, desandei a pedir detalhes sobre a criatura e, minutos depois, não obtive nenhuma informação relevante. Imaginando que não era nada digno de minha preocupação, despedi-me dele e desejei que fizesse uma boa viagem.
E duas noites depois, Mana voltou. Mas havia algo de diferente em seu modo de agir.
– Como foi, amor? – Perguntei animado logo que vi sua figura séria passando pela porta da sala. Nem um selinho carinhoso, nenhum abraço e muito menos uma resposta. Insisti. – Mana...?
– Ka-chan, lembra-se do amigo de quem lhe falei?
Senti meu rosto imediatamente se torcer em desagrado antecipado.
– Lembro.
– Ele... Kaya, nós precisamos conversar.
Engoli em seco. Minha mente fervilhava tentando prever o que Mana me diria, ora, era só o que faltava! Um sentimento estranho dentro de mim, um Mana estranho dentro da minha casa e um estranho surgindo do nada para bagunçar a minha vida com gosto.
Notas finais
E não, seminu não se separa por hífen, procurei no Aurélio.
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