Gangue do... ?
1 Prólogo.
Notas iniciais
- Você podia começar a perguntar em vez de aparecer. – Digo, deixando a porta aberta e me afastando. Ela entrou, a familiar mochila roxa nas costas e o celular em mãos.
- Como se você se importasse. – Disse, rindo. Revirei os olhos sorrindo.
- Venha logo Karolina. – Respondi puxando-a para o meu quarto, ela deu um “Oi” para meu pai no sofá, e minha mãe na cozinha. Arrastei-a para o quarto e fechei a porta, me jogando na cama e me enrolando na coberta.
- Então, o quê trás a sua bela presença aqui dessa vez, moça?... – Perguntei agarrando a leitura do momento que estava no travesseiro ao meu lado. Quando Karol abriu a boca para falar, a porta se abriu.
- Precisava trancar a porta? – Minha mãe disse, apoiando a mão com o pano de prato na cintura enquanto a outra repousava na maçaneta.
- Okay, okay. Pode deixar aberta. – Eu disse, suspirando, e ela saiu com um “Bom mesmo, humpf”, deixando-nos sozinhas. Karol sorriu.
- Nada. Gosto de te perturbar. – Falou simplesmente. Eu sorri sarcasticamente,
- Claro, claro. O quê quer fazer? – Perguntei, já sentindo o tédio nos consumir. Ela abriu um sorriso largo. Eu sabia o quê aquilo significava.
- “Skype”. – Dissemos juntas, a voz dela empolgada, e a minha entediada. Levantamos, e quando chegamos na porta do quarto, olhamos para a cadeira do computador, nos encaramos, e nós duas disparamos a correr, tropeçando e empurrando, rindo, se enroscando, batendo, arranhando e tentando morder. Até que cravei minhas unhas com força no pulso dela, e ela reclamou, afrouxando o aperto, o que permitiu que eu escapasse, corresse e me sentasse na cadeira de rodinhas. Ela fez cara emburrada, foi até a mesa e pegou uma cadeira de madeira marfim, com assento almofadado de azul, colocou-a ao meu lado, e sentou-se com um suspiro, enquanto eu sorria. E então eu me lembrei. “Pais em casa. Mas que droga”. Karol pareceu lembrar ao mesmo tempo, porque fez um biquinho e apoiou o cotovelo na mesa do computador, com o rosto na mão. Liguei o computador com os pés, de qualquer forma, e acessei o Facebook, vendo que ninguém estava online, para mim não fazia diferença, mas Karol suspirou e abriu três bate-papos. Joy, Miguel, e o chat em grupo de conversas com outras pessoas. E então o telefone de casa tocou, e me levantei para atender, mas minha mãe chegou primeiro, falou por alguns instantes, e então desligou. Virou-se para mim e Karol:
- Viu, meninas, eu e o seu pai vamos ter que ir até a casa da Vó Tereza, porque a Tia Maria vai dar aula, e ela não pode ficar sozinha porque não está muito bem. Tentaram ligar pra muita gente, e ninguém foi, vocês vão vir, ou vão ficar? – Ela disse. Tentei segurar o sorriso, e uma cara de preocupação veio naturalmente.
- Vamos ficar mãe. – Disse. Ela assentiu, e em meia hora, eles estavam fora de casa. Imediatamente ligamos o Skype. Ninguém online. Voltamos ao Facebook, e havia um monte de mensagens do tipo: “Já arrumei as malas”, “Mal vejo a hora de chegar”, “Nunca viajei de avião”, etc... Mas ninguém estava mais online.
- O quê?! Estão indo pra onde? – Karol perguntou eufórica, e estava confirmado. Não tinha como ser outra coisa. Estavam vindo para Salto de Pirapora. No interior de São Paulo. Miguel de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Joy de Araras, em São Paulo. Jess de Guarulhos, São Paulo. Sabrina e Samara de Feira de Santana, Bahia. E, Johann, o namorado da Karol, de Araucária, Paraná. Estávamos literalmente ferradas. Onde esse povo ia ficar? Em casa? Minha mãe surtaria. Não tínhamos nada a fazer, a não ser esperar. A maioria chegaria de madrugada, ou no dia seguinte. Aparentemente, todos tinham transporte, e viriam para a minha casa, sabendo que era mais espaçosa e que minha mãe talvez surtasse menos que a de Karol. É. Fodeu.
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