Gangster

4 Capítulo 4 - Coisas ruins me aconteceram


Notas iniciais
Hello! Quero agradecer aos comentários e aos lindoooos leitores que favoritaram. o/ Desculpem a demorar para postar :O

Brian lembrava-se de um Will diferente. Antes dele se aliar a Frank, era um perfeito idiota, no bom sentido. Tinha lá seus defeitos, mas o compreendia como ninguém. Will esteve ao lado de Brian em momentos depressivos de sua vida, no meio da fase em que, de um bom garoto, ele se transformou num criminoso. Os dois passavam noites e mais noites acompanhados de uma galera que fumava nas ruas do Brooklyn, sem pensar na hora que voltariam para casa.

Passaram a assaltar, matar inocentes, violentar garotas e cometer outras atrocidades. Mas Will o deixou, o deixou para ser capacho de Frank. E Brian passou a ver a vida com outros olhos, criando assim seu reinado. Talvez o afastamento dos dois tenha sido bom para ambas as partes, mas a verdade era que Brian causava nas pessoas um tipo de enjoo com seu jeito, com sua carência alimentada pelo ego, com sua ânsia por atenção abafada pela frieza. Brian não sabia demonstrar absolutamente nada, mas algumas pessoas percebiam que o que ele precisava era de alguém que o ouvisse.

Seu grupo estava separado. Brian caminhava sorrateiramente pela casa de Charlotte, tentando ouvir qualquer passinho que fosse. Hunter e os outros procuravam do lado de fora, e todos os convidados da festa tinham ido embora. Will tinha de estar em algum lugar, já que não conseguiria sair sem ser barrado por alguém de sua turma.

Com sua pistola em mãos, Brian ouviu um barulho quase inaudível vindo do andar de cima. Subiu as escadas correndo e deu de cara com Jenny. Bufou.

— O que você está fazendo aqui? Está maluca?

— Estava te procurando. — respondeu ofegante.

— Ah, é? E tem um cara perigoso em algum lugar da casa. — ele olhou ao redor. — Acho que você está a fim de morrer garota.

— Eu não sabia o que fazer...

— Mas eu sei. Saia daqui e diga a sua amiga que vou dar um jeito de tirar um verme da casa dela. — virou Jenny pelos ombros, empurrando-a de leve.

Ela desceu um degrau ao mesmo tempo em que um único disparo estalou no silencio da casa.

Jennifer despencou escada abaixo.

Brian procurou Will com os olhos. E nada.

Correu para ajudar a garota e, já lá embaixo, apoiou sua cabeça com a mão.

— Ei, fala comigo. Você está bem?

Ela não conseguia. Apenas arfava e piscava os olhos devagar. O tiro atingira seu braço, e Brian respirou aliviado, intrigado por estar preocupado com uma garota que mal conhecia.

— Fique calma. Vou tirar você daqui.

A colocou em seus braços e saiu da casa. Charlotte e um grupo de cinco adolescentes esperavam no jardim.

— Ah meu deus! — exclamou a ruiva, pondo as mãos na boca. — O que houve com ela?

— Chamem uma ambulância. Ela levou um tiro.

Um garoto loiro digitou alguns números no celular e chamou o socorro. Brian a colocou no chão e correu de volta para a casa.

(...)

Uma sombra passou correndo assim que Brian entrou. Era Will. Então, sem hesitar, correu na direção da sombra até conseguir alcança-lo. Poderia atirar nele ali mesmo e tudo acabaria, mas precisava esclarecer alguns fatos. Puxou Will pela camisa e o jogou no primeiro lugar que viu. uma escadaria que talvez terminasse em um porão.

Enquanto o corpo “escorregava” até em baixo, Brian desceu também, vendo Will se recompor rapidamente, levantando-se e puxando uma arma que tinha na cintura, agora apontando para ele. O garoto fez o mesmo. Se ele atirasse, atiraria também. Se morresse, morreria com o prazer de ter matado Will.

— Porque está ajudando todo mundo Brian? Você é o vilão, e não o mocinho. — disse Will, o encarando profundamente.

— Não estou ajudando ninguém. Apenas quero acabar com você.

— Uma bela desculpa... — ele riu pelo nariz. — Não quer admitir que está todo preocupado com aquela gatinha.

— Bem, falando nisso... Antes de te ver agonizar até a morte, quero perguntar uma coisa. — Brian falava sério. — E exijo a resposta.

— Não tem o direito de exigir nada.

— O que o Frank quer com ela? — perguntou, ignorando-o.

— Ele gosta de morenas.

Antes que Will pudesse pensar, Brian atirou em um de seus joelhos. O garoto gritou de dor e tentou atirar também, mas Brian chutou sua arma para longe. Will caiu e espremeu os olhos.

— Agora está melhor. — Brian sorriu triunfante. — Já pode responder a minha pergunta.

— Ele achava que você estava tendo algo com ela.

Bingo.

— Sério, agora estou me sentindo o Justin Bieber. Vocês observam minha vida como paparrazis não é? — Brian gargalhou da própria piada. — Basta eu me aproximar de alguém e vocês já imaginam coisas. E no fundo, todos me amam.

Assim que parou de falar, a sucessão de berros curtinhos da sirene irritante da polícia ecoou em seu ouvidos. Will o encarou.

— É melhor ir embora, foragido.

Antes de levantar-se, Brian se aproximou do ouvido dele e disse:

— Na próxima vez que ficar na mira da minha arma de novo, não vou pensar duas vezes antes de estourar a sua cabeça.

Ele não podia matá-lo ou talvez não tivesse coragem. Seu passado não permitia. Saiu pela porta dos fundos e ligou para Hunter.

— Preciso de um carro. Agora.

Seu amigo não demorou nem meio minuto para chegar. Brian entrou no carro aflito, pensando se a garota morena estaria bem.

— Hunter. — chamou.

O garoto que dirigia o carro o fitou.

— Vamos até o hospital.

(...)

Jenny acordou assustada.

O que não era comum. Seu coração disparava no peito. O pânico mostrava as garras, dificultando a respiração. Tudo isso antes mesmo que abrisse os olhos.

Quando enfim os abriu e olhou ao redor, seu coração diminuiu o ritmo e o pânico foi embora. Charlotte estava em uma cadeira, concentrada em seu Iphone, os dedos dançando no teclado.

Ela ficou quieta por alguns minutos, apenas encarando a amiga. A simples presença de um rosto familiar a fez se sentir melhor.

— Charlie? — a voz rouca e baixa de Jenny foi o suficiente para Charlotte erguer os olhos. Ela largou o celular e correu para seu lado.

— Meu deus, Jenny! — exclamou. — Meu deus...

— O que foi? Estou morrendo?

— Não, por quê?

— Você veio correndo. Geralmente é bem mais lenta.

Ela riu e beijou sua testa. Olhando melhor, Jennifer viu que estava em um hospital bastante comum. Os lençóis estampavam uma logomarca: NEW YORK-PRESBYTERIAN.

— Desde quando você está aí? — perguntou para Charlotte.

— Não faz muito tempo. Você passou por um monte de exames e depois veio para o quarto. Do que se lembra?

Jenny refletiu. Os olhos de Will. Os de Brian. O tiro. A queda da escada.

— Conseguiu sua casa de volta? Digo, aquele cara saiu de lá?

— Espero que sim. Tenho que dar um jeito em tudo antes que meus pais voltem de viagem.

— Charlie... — Jenny franziu o cenho.

— Oi?

— Você sabe do Brian? Aquele que foi atrás do seu quase namorado?

A ruiva já ia balançar a cabeça negativamente quando alguém deu três batidinhas na porta e em seguida a abriu.

Os olhos que a fitaram responderam sua resposta.

— Oi Jenny.

— Brian?

— Queria saber se estava bem. — ele entrou e fechou a porta atrás de si.

Jenny sorriu.

— Bom, vou deixar vocês conversarem. — disse a ruiva. — E aproveitar para passar na lanchonete, disseram que o muffin daqui é ótimo.

Quando Charlotte já estava fechando a porta, Brian ficou ao lado de cama, encarando os pés.

— Deu tudo certo? — a morena perguntou.

— Will foi preso. Espero que apodreça lá dentro.

— Pensei que você tinha... o matado. — Jenny balançou os ombros. — É que eu vi a arma na sua mão.

O jovem ficou estático. Por mais que fosse corajoso e determinado, não conseguia simplesmente contar a ela que era um criminoso tão perigoso quanto Will. Que já havia matado e roubado. Não queria assustá-la.

— Não... Não o matei. — sentou-se na ponta da cama e tentou mudar de assunto: — Fiquei preocupado com você. Está sentindo alguma dor?

— Um pouco.

— Espero que se recupere logo. — para a surpresa da morena, ele tocou em sua mão. — E quando estiver melhor, podemos, sei lá, sair para algum lugar.

— Sabe o que é Brian... Andei pensando em uma coisa. — falar o que vinha pensando era como enfiar uma adaga no coração de alguém que realmente não merecia. — Desde que te conheci naquele bar, coisas ruins me aconteceram. Eu quase morri nas mãos daqueles caras... Eu levei um tiro! Meus pais estão preocupados, meus amigos também. Acho que não devo mais me aproximar de você.

Brian simplesmente deu de ombros. Nunca demonstrava nada a ninguém, e não seria a ela que demonstraria.

— Desculpa... — ela completou.

— Não, de boa. Tudo certo. Não sou boa companhia pra ninguém.

Ela iria falar alguma coisa, mas a porta se abriu, interrompendo a conversa. Uma enfermeira entrou e disse:

— Ora, ora, você acordou.

Antes que a porta batesse, alguém a empurrou novamente.

Seu pai.

Algo parecido com um alívio invadiu seu corpo assim que aquele homem entrou. Ele parecia arfar, decerto porque havia corrido para ver a filha. A mãe entrou em seguida. Sua mãe tinha o hábito de correr ao seu encontro como se ela fosse uma prisioneira de guerra recém-libertada. E foi o que fez, tirando a enfermeira do caminho. Jenny costumava revirar os olhos sem que ela agia assim, mas no intimo gostava. Dessa vez não revirou os olhos.

— Estou bem, mãe, pode acreditar.

O pai ficou quieto como de costume. Seus olhos estavam úmidos e vermelhos.

— Oh minha menininha... está tão pálida. — sua mãe disse. — Não lhe deram comida aqui? Está tão magrinha!

— Deixe a Jenny em paz. — interveio o pai. — Ela está ótima.

— Mas não parece. Está pálida. Com uma carinha triste...

Enquanto Jenny conversava com os pais, Brian se afastou, saindo sorrateiramente dali. O pai da garota encarou a porta que o garoto saira e virou-se para a filha.

— Querida...

A garota o olhou.

— Quem é esse garoto?

— O conheci por acaso. Ah, e ele me ajudou quando levei o tiro.

— Não me parece uma boa pessoa. — disse seu pai e a mãe assentiu. — E não queremos nossa menina com pessoas ruins.

— Tudo bem pai, eu sei.

Ele se aproximou da filha. Afastou os cabelos de sua testa e beijou o local. Jenny fechou os olhos e sentiu seu cheiro de Old Spice. Seus pais estavam ali, o que a deixava feliz. Eram as pessoas que ela sabia que estariam ao seu lado sempre que precisasse.

Assim que Brian saiu do quarto, Hunter e Clarisse vieram ao seu encontro.

— E aí, ela está bem? — a garota perguntou, cruzando os braços.

Ele assentiu.

— O que rolou lá dentro parceiro? — Hunter pôs a mão no ombro do amigo. — Parece mal pra caramba.

— Olha, não “rolou” nada. — disse grosseiro, fazendo aspas com as mãos. — Vamo embora daqui, a gente tem um banco pra roubar.

Notas finais
?? :OO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.