Game of Shadows
1 Uma noite fora de série.
Notas iniciais
Obrigada.
Acordei com o ronco de um motor, minha cabeça latejava, estava deitada no banco de trás de um carro, meus olhos não paravam abertos, por mais que eu esforçasse para isso. Desistindo, permaneci ali deitada, esperando que a dor sumisse... Depois de algum tempo deitada a dor se foi, não completamente, pois de vez em quando ela voltava e dava uma pontada de amor em minha cabeça avisando que voltaria mais tarde. Sem escolha, sentei no banco, e observei a janela distraída, era noite e por mais que tentasse distinguir, não conseguia saber em que rua estávamos. Estávamos? Nós? Virei bruscamente para frente, quem estava dirigindo? Minha cabeça doía mais quando tentava pensar.
-Está acordada? – Perguntava uma voz séria.
Tentei distinguir quem era, mas sem nenhum sucesso, com algum esforço consegui visualizar um homem pelo retrovisor. Bem vestido, cabelos louros, olhos escuros e expressão mais séria que sua voz. Minha cabeça voltou a doer, e desta vez parece que não iria embora... Tentei levar minhas mãos até a cabeça e descobrir a origem da dor, mas quando me dei conta estava algemada.
Curiosa, observei minhas mãos, e de repente uma nuvem de pensamentos vieram à tona. Claro Emy! Sua burra! Esqueceu-se de que é uma ladra procurada? A pessoa á frente é um policial? Ou alguém a quem devo? Não sei! Não sei de nada! Nem como vim parar aqui! Aqui? Onde exatamente é aqui? Minha cabeça doía tanto que me encolhi no banco soltando um gemido. A voz antes séria agora soltou uma risada totalmente irônica.
-Parece que te acertei muito forte, não? Desculpe mas você acordou com tanta raiva que não consegui controla-la.
-Como... Assim, acordei com raiva? – Perguntei, mas a resposta não veio de imediato.
-Longa história... Talvez algum dia te conte... — Disse ele pensativo.
- Como assim algum dia? Quem é você? – Perguntei novamente aguardando por uma resposta.
- Agente Damon T. Selfreid da IFCI.
- IFCI? Pra ser franca, tenho muitas agências policiais atrás de mim, mas esta é nova.
- Sim, claro que é. Ela é mais para pessoas como você se é que me entende, segundo meus dados você passou a perna em quase sete agências policiais.
- Interessante, mas por que a IFCI não mandou reforços junto de você? Todas as agências mandam um monte de carros e às vezes até helicópteros... – O silencio se prolongou por longos minutos até que enfim Damon disse algo.
- Digamos que eu e a IFCI não andamos muito bem um com o outro... O ultimo caso que eu “peguei” acabou não dando muito certo... Estavam quase me despedindo... Até que então me deram mais uma chance, e parece que queriam que eu falhasse...
- Eu sou essa chance?
- Basicamente sim e segundo o que falam na IFCI você foi bem fácil de capturar... Acho que já falei demais não?
Bufei em resposta, reencostando no banco. Realmente isso nunca aconteceu comigo, sempre consegui despistar agentes, e esse era o primeiro que conseguiu me pegar. Meus olhos se voltaram para a janela, era tarde da noite, não havia ninguém na rua e tudo estaria em completo silencio se não fosse o motor do carro. Os postes iluminavam o asfalto, e mesmo sem me virar, eu sentia os olhos de Damon me fitando pelo retrovisor sempre que tinha chance. E assim se seguiu por um longo tempo até que por fim a angustia e raiva tomaram conta do meu corpo.
- Dá pra parar de me olhar toda hora? O que você acha que eu vou fazer algemada?
- Não faço ideia, há rumores de que você já conseguiu nocautear cinco guardas algemada, então isso meio que me deixa desconfiado.
- Esta com medo?
- Eu não diria medo...
- Sei... Mas enfim, será que poderia me dizer como conseguiu me captu- Nesse instante Damon virou o carro bruscamente para a direita me jogando com força na porta ao meu lado. –Ai... Se não quisesse me dizer era só falar.
- Chega de gracinhas, de quem é o carro que esta nos seguindo?
- O quê?
- Não finja que não entendeu, ele vêm nos perseguindo já faz alguns minutos. É algum amiguinho seu?
- Se algum de meus “amiguinhos” realmente se importasse comigo você não teria me feito essa pergunta.
- Vou considerar isso como um não, então... Se não é um amigo seu, e não é um amigo meu... Quem está no carro?
- Você acha que eu sei?
- Tudo bem, ele já percebeu que o vimos.
- Não me diga... Depois da virada brusca que você deu o que você acha que ele pensou?
- Vamos seguir até o centro da cidade, lá é mais povoado e vai ter muitas testemunhas se ele tentar fazer algo conosco.
- Não sei o que é pior, ser capturada por um agente medíocre, ou ser perseguida por um desconhecido.
- Fale o que quiser, já já vai estar na IFCI.
Apesar de ter muitas verdades pra falar na cara de Damon, resolvi me calar por que gostaria de saber quando o carro estivesse perto de nós. Damon seguiu com calma até o centro da cidade, o carro desconhecido continuava atrás de nós, mas ainda não havia tentado nada contra a gente, o que deixou algumas dúvidas no ar, como: será então que ele é um amigo? Ou Será que está planejando algo? Por longos minutos a tensão foi tomando conta do carro onde me encontrava, até que então Damon pisou no acelerador, como se você fosse matar um inseto no qual você detesta, estava claro o que Damon pensava sobre o outro carro, que demonstrava algo muito ao contrario.
Damon disse que havia um atalho para o centro da cidade, e assim seguimos por uma estrada escura, de um lado casas e ruas, do outro, um barranco sem nenhuma proteção que despencava tenebrosamente para a escuridão. Logicamente isso não ajudou aliviar a tensão, para melhorar o carro havia sumido. Não sabia se havíamos o despistado, ou se ele optou seguir por um caminho diferente para nos alcançar... Honestamente, éramos dois medrosos dentro de um carro em uma rua muito escura, talvez á espreita de um desconhecido perigoso. Por intermináveis minutos permanecemos na rua escura, até chegarmos a um ponto em que estávamos paranoicos, Damon acelerava cada vez mais, e qualquer som diferente do motor e de nossa respiração era motivo para ficar atento. Finalmente conseguimos enxergar as luzes do centro, era a primeira vez que estava feliz de ter alguém ao meu lado, mesmo que fosse um policial. As luzes escandalosas do centro me aliviaram de pouco em pouco, e logo descartei a ideia de que ainda estávamos sendo perseguidos... Talvez foi a coisa mais idiota que fiz... Sentir-me segura quando estou de cara com o perigo.
Quando finalmente meu coração desacelerou e estávamos metros de distancia do centro, o carro desconhecido decidiu surgir. Primeiro foi um som rouco de motor, que se aproximou a uma velocidade realmente incrível, depois, luzes iluminaram a janela a minha esquerda, ficando mais forte com o som do motor, e até que enfim uma batida. Senti minhas costas e cabeça atingirem a porta direita do carro, e quando pensei que havia acabado senti-me flutuando dentro do carro, girando violentamente cada vez mais rápido, até sentir outra pancada, após essa o carro aparentemente parou e começou a se inundar de água, senti-me tonta, queria apenas ficar deitada e imóvel, mas uma voz gritava por alguma saída, estava totalmente escuro, e o carro se enchia cada vez mais de água. Obviamente o carro havia nos empurrado barranco abaixo, comecei a tatear ao meu redor desesperadamente em busca de alguma porta, mas obviamente estariam todas trancadas, pelo menos na traseira do carro. Joguei-me para o banco da frente, e comecei a tatear em busca da porta de Damon, que permanecia inconsciente, consegui finalmente sentir o volante, mas quando me dei conta estava sendo forçada a prender a respiração se quisesse viver. Levei meus dedos ao outro lado do volante em busca da porta, no começo eu realmente tinha esperanças de que iria encontrar a tranca e ir embora dali, mas quando meu ar começou a se esgotar meu corpo foi dominado por desespero, comecei a pensar se morrer afogada seria rápido e indolor, mas enquanto pensava na minha morte a porta finalmente abriu, um turbilhão de bolhas me atingiu no rosto, e senti a sensação de liberdade, mas ainda tinha de chegar a superfície se quisesse sobreviver.
O Carro pareceu atingir o fundo, eu estava disposta a subir para a superfície, mas um sentimento de culpa substituiu o meu de desespero, Damon ainda estava no carro, e quando percebi estava carregando ele comigo até a superfície, não queria pensar sobre isso, ou sobre o porquê de estar salvando um policial, não importava... Comecei a nadar com algum esforço até a superfície, parecia que estava em um buraco negro, não tinha mais ar, mas me esforçava para prender a respiração mesmo assim. Quando pensei que realmente iria morrer, senti o vento frio e seco atingir meu rosto, nunca pensei que fosse tão bom respirar. Tossi algumas vezes colocando o que havia de água para fora, estava sorridente, rindo como nunca, mas me lembrei que ainda tinha Damon para ajudar, ele estava inconsciente e precisava chegar até á margem. Já não estava tão escuro como antes, conseguia ver as luzes do centro, segurei Damon pelos braços, e quando comecei a carrega-lo até a margem uma luz apareceu, como um holofote em uma peça, e começou a rodopiar sob a água, a luz atingiu o rosto de Damon, sangue e água se misturavam em seu rosto o sangue descia de sua sobrancelha se espalhando pela sua bochecha, fiquei com medo, mas algo me dizia para mergulhar e foi o que fiz. Se não fosse a policia lá em cima do barranco, o que provavelmente não era, era o nosso suposto assassino. Observei a luz rodopiar por alguns vários segundos sob a superfície talvez em busca de sobreviventes, não me preocupei com Damon, por parte, pois se de fato não estivesse morto, ainda estava inconsciente.
Quando a luz se apagou esperei mais alguns segundos por precaução, e por fim subi novamente a superfície, segurei Damon e o carreguei até a margem do que parecia ser uma represa, estava com medo de que alguma forma aquela pessoa ou pessoas voltassem e me encontrassem. Era interessante como eu sentia frio e dor, antes, quando o carro estava sendo invadido por água eu não senti o frio da água, nem a dor. Coloquei Damon virado para cima, me agachei para sentir algum batimento em seu peito, estranhamente me senti aliviada ao ouvir seus batimentos, estavam fracos, mas eu ainda podia salva-lo. Abaixe-me perto de sua boca sem pensar duas vezes, estava com a intenção de fazer respiração boca á boca nele, mas quando encostei meus lábios nos do dele seus olhos castanhos se abriram. Minha boca se paralisou juntamente ao meu corpo, seus olhos sonolentos se abriram lentamente e depois seguiram até os meus, quando sua consciência finalmente parecia ter voltado ele se levantou rapidamente me empurrando e tossindo a água que havia engolido. Estava boquiaberta, não fiz nada e mesmo assim ele se recuperou. Após tossir vários segundos ele me olhou com olhos enigmáticos.
- Obrigado... – Dizia ele tentando lembrar meu nome.
- Emily, achei que soubesse meu nome antes de me capturar.
- E sabia... Só que acabei de acordar... E o que aconteceu?
- Longa historia, talvez um dia te conte...
- Você é muito engraçadinha... E... O que é isso? Sangue?! – Dizia ele surpreso.
-É eu acho que você bateu a cabeça no acidente, não se preocupe, vá a um hospital e eles saberão o que fazer, bye bye.
Levantei-me com esforço, onde estava com a cabeça em salvar um policial? – Aonde pensa que vai? – Perguntou ele.
- Para casa, estou muito cansada disso tudo, talvez depois de descansar eu investigue o que aconteceu.
- O que?! Acha que vou simplesmente deixa-la ir embora assim? Esqueceu de que eu sou agente e você uma ladra procurada?
- Por um momento eu devo ter esquecido... Senão você não estaria aqui.
- Agradeço mais uma vez, mas eu ainda pretendo leva-la para a IFCI.
- Sério? Você é um homem muito entediante, não quer saber o que aquele carro veio fazer atrás de nós?
- É mais fácil falar para a IFCI que tive um contratempo.
- Tudo bem, mas eu não vou com você.
- Ora, aceite sua situação, você está presa.
- Ó, olha que surpresa! Parece que minhas algemas de arrebentaram na queda, Adeus Damon T. Selfreid. – Continuei caminhando em busca de algum local para subir o barranco, quando Damon se levantou com alguma força retirada de algum lugar e me algemou com ele.
- Não vai a lugar algum, Emily.
- Qual é? Eu salvei sua vida! O mínimo que poderia fazer era salvar minha pele!
- Chega de papo furado, vou ligar para a IFCI trazer algum transporte.
Observei com um sorriso no rosto, enquanto Damon pegava seu celular todo estraçalhado do bolso do paletó e observava com raiva minha expressão. – Vou encontrar algum orelhão e ligar para a IFCI. – Dizia ele com raiva.
- O que vai fazer? Me arrastar? – E infelizmente ele me arrastou, com uma força vinda de algum local desconhecido, por que eu não estava aguentando fazer sequer um movimento.
Chegamos a uma escada que levava direto para cima do barranco, não aguentei subir dois degraus, e Damon que estava fadado em me arrastar para onde fosse, decidiu me levar no colo até a rua onde nos encontrávamos antes do “acidente”.
- Pronto, agora só achar um orelhão por perto. – Disse ele orgulhoso.
Infelizmente tive que seguir esse maluco por mais algum tempo até que para meu azar encontramos um orelhão, enquanto ele discava os números minha vida passou pelos meus olhos, podia quase me ver trancada atrás de grades, ou até mesmo sendo executada... Esse foi o pior momento da minha vida, o melhor vinha logo em seguida. Após ligar para a IFCI, Damon começou a falar educadamente, parecia ser seu chefe mas Damon não dizia muita coisa, parecia que revezava as palavras do tipo “ sim senhor, não senhor” até que por fim ele somente colocou o telefone de volta ao gancho e me olhou com uma expressão de raiva e tristeza ao mesmo tempo.
- Você conseguiu! Eles me despediram.
Soltei uma risada. – Sério? E agora o que quer fazer Ex-agente?
- Acho que vou solta-la, alguém da IFCI vai ser mandado para pegar você.
- Vai fazer isso mesmo? Não quer mesmo saber quem era aquela pessoa atrás de nós? – Disse com tom brincalhão, ouve silêncio enquanto Damon permanecia de cabeça baixa, seu cabelo loiro caía desalinhadamente para baixo, por um momento eu pensei que ele iria me surrar mas então ele se levantou, soltou um longo suspiro, passou suas mãos levando seus cabelos para trás e com olhos determinados disse:
- Vamos nessa.
Notas finais
Desculpem se o Damon ficou meio "lerdo" kkkk vou melhorar a personalidade dele. ( ̄ー ̄ )
Fale com o autor