Game Of Friendship
1 Arriving In Town
Notas iniciais
Chovia na cidade de Saint Peter, uma chuva que perdurava por uma hora e meia e que parecia não ter fim. Saint Peter era uma cidade de Michigan, nos Estados Unidos. É conhecida como “A Cidade da Chuva”, já que no local só tinham três a quatro semanas de verão e o resto do ano era chuvoso. É pequena, uma típica cidade do interior, porém, era bem desenvolvida. Durante o trajeto de carro até a sua nova casa, William avistou um shopping, um parque ao sul da cidade, uma praça – que estava vazia por causa da chuva –, também viu vários restaurantes, lojas, e casas.
Will estava chegando à cidade, um garoto negro de 17 anos, com 1,79m de altura, pesava 75 kg, tinha um corpo atlético, olhos castanho claros, cabelo cortado, e estava cursando o 2º ano do ensino médio. O Pai do garoto tinha perdido o emprego e a única oportunidade que ele achara foi ali. Certo sentimento de raiva acompanhava Will, que não falou uma palavra sequer com seus pais durante toda a viagem, só ficou com o seu fone de ouvidos no volume máximo, enquanto acariciava os pelos do seu cão, o Stewart, que estava sentado ao seu lado.
A viagem tinha demorado 4 horas e assim que chegaram Will e seu cão saíram do carro e entraram na casa, indo em direção ao quarto, entrando e fechando a porta. Stewart era uma espécie de seguidor de Will, era um labrador dourado de cinco anos de vida. Sempre o seguia para onde quer que o garoto fosse. Assim que entraram no quarto, Will tirou os fones de ouvido e deitou-se na cama, relaxando, pensando em como seria sua vida dali para frente, até que ouviu alguém lhe chamando.
- Filho, seu pai e eu pedimos uma pizza. Vem comer! – Jane, a mãe de Will que gritava da cozinha.
O garoto fingiu que não ouviu e foi até a janela do seu quarto, que dava para o quintal que era repleto de árvores, era até bonito, pensou o garoto. A chuva tornava o local bonito e aconchegante. Will olhou para baixou e viu Stewart dormindo no chão do quarto, abaixo da escrivaninha, lá devia ser o único lugar quentinho. O jovem sorriu e abriu sua mala, arrumando todo o guarda-roupa. Após isso montou seu computador, e arrumou o quarto do jeito dele, demorou alguns minutos, porém, tudo ficou do jeito que ele queria.
E por último, sobrou o violão que o garoto tivera ganhado do avô, que guardava com sua vida. Aquele violão foi o último presente que ele tivera ganhado do avô antes dele falecer com câncer, uma perda enorme para Will, e desde então, ele tocava violão. Enquanto fitava o violão, ele sorriu, lembrando-se dos momentos com seu avô e pegou o instrumento, indo em direção à janela, sentou-se em uma cadeira que colocou próximo ao local e começou a dedilhar o violão. Notas sem vida, ele apenas dedilhava, buscando entender a si mesmo e tentar relaxar.
A chuva ainda era forte, e o garoto lembrou-se de uma música, que passou a tocar no violão. A música era uma de suas favoritas, When It Rains do Paramore. Assim que começou a tocar em uma versão acústica, também passou a cantar para si mesmo, baixinho, contudo, parou no momento em que percebeu que Stewart estava tentando dormir, então, guardou o violão e chamou o cão para a janta.
Chegou um pouco atrasado, os pais do garoto já tinha guardado a pizza na geladeira, mas ele pegou três pedaços, e colocou no micro-ondas por alguns minutos. Enquanto esperava brincava com o cão. Assim que o micro-onda começou a apitar, dizendo que a comida estava pronta, Will retirou as fatias de pizza do eletrodoméstico e deu uma fatia ao cão e comeu duas, com um copo de Coca-Cola. Após isso foi até a sala e deu “Boa Noite” rápido aos pais e subiu para o banheiro, escovou os dentes e foi para seu quarto. Deitou na cama e apagou.
Algumas horas depois William sentiu seu rosto molhado por alguma coisa e ao abrir os olhos viu Stewart lambendo o rosto do garoto.
- Stewart! – Falou sorrindo ainda sonolento e empurrou o cão para ele parar de lhe lamber, mas, foi em vão. Um labrador tem uma incrível força e ele continuava tentando voltar a lamber, enquanto seu rabo balançava rapidamente. Will sabia que o cão não iria parar e suspirou, segurando a cara do cão. – Ok, vou me levantar. – Falou olhando o relógio e viu que já eram 06:30 da manhã e ele teria aula as 07:00.
Meia hora era o tempo suficiente para um garoto se arrumar, então, William entrou no banheiro, tomou um banho rápido, escovou os dentes, e colocou sua mochila nas costas. Era a hora do café da manhã, a hora mais tediosa do dia, principalmente quando se era em Família e aquela coisa não existia entre eles. Cada qual acordava e tomava seu café da manhã só. Talvez, aquilo só estivesse acontecendo porque era o primeiro dia deles na cidade. Já eram 06:50, não haveria mais tempo de comer, então, Will desceu as escadas rapidamente e pegou um sanduíche que sua mãe tinha feito e mordeu um pedaço, tomou um gole do suco e laranja e se levantou indo em direção a Jane e dando um beijo na Mãe e um tapa nos ombros do pai de leve, uma forma de carinho entre eles, já que eles não eram tão próximos um do outro.
- Tenho que ir, estou atrasado. Tenham um bom dia. – Falou se despedindo do Pai e da Mãe, e abriu a porta, saindo, mas, percebeu que não chegaria a tempo e voltou. – Pai, me empresta seu carro hoje? – Falou olhando para Stewart que comia seu café da manhã felizmente e não podia terminar de comer até que Will estivesse fora da casa, ou então o cão iria querer ir para a escola com ele, e isso não era uma boa ideia. Da última vez que aquilo tinha ocorrido a única coisa que aconteceu foi uma suspensão de 15 dias. Stevie olhou para Stewart e entendeu tudo, porém, ainda ficou meio pensativo.
Stevie, o pai de William o olhou em dúvida, porém, bastou olhar para Jane, que o deu um olhar de confiança. Stevie jogou as chaves para Will sorrindo. – Vai lá filhão. Boa sorte no primeiro dia de aula. – Falou Stevie para Will, que saiu correndo para a garagem e entrou no carro. Colocou a chave no contato e ligou saindo em direção à escola, que não era tão longe, talvez uns 30 minutos andando. O som foi ligado e o garoto sintonizou na rádio que estava tocando I Won’t Give Up, do Jason Mraz e cantou junto. Todo o caminho foi calmo, até que o celular de Will tocou e quando o garoto remexia a bolsa em busca do celular, tirou a vista da pista e quando achou o celular que olhou para frente, estava a menos de dez metros de uma garota que atravessava a rua e ao olhar para o carro gritou.
Aquela foi a freada mais brusca da vida de Will. Rapidamente ele tirou o pé do acelerador, colocou o pé na embreagem, tirando o carro de marcha e depois pisou no freio com tudo. O carro parou a alguns centímetros da garota que olhou para o garoto com ódio e terro ao mesmo tempo. Will tratou de sair do automóvel e foi em direção à garota rapidamente, tremendo.
- Tá tudo bem com você? Desculpe-me, eu estava reviran... – Não deu tempo de terminar, a garota o interrompeu.
- VOCÊ É LOUCO? EU PODERIA TER MORRIDO SEU IDIOTA! NÃO TIROU CARTEIRA DE MOTORISTA? – Berrou a garota, cada vez se aproximando mais de Will, e ela parecia que iria bater nele, se fosse preciso.
Aquele era a situação que ninguém gostava. Certo que ele poderia ter acertado ela se não freasse a tempo, mas ele tinha freado. Nada tinha acontecido e não precisava daquilo. Ele tinha ficado irritado com as palavras que ela tinha usado, então suspirou, tentando achar paciência em algum lugar de seu subconsciente, contudo, foi em vão.
— Ok, pra mim já chega! Se você acha que tem o direito de vir me falar merda, tá enganada. Já te pedi desculpas e só é isso que posso fazer além de te dar uma carona. Ou melhor, eu IRIA TE DAR. – Ele deixou bem claro que não daria mais. – Agora, se me dá licença, vou pra escola. – Falou deixando a garota meio sem ter o que falar e foi em direção ao carro, andando em passos pesados e raivosos.
William era um bom garoto, mas, não sabia controlar sua raiva ao todo. Quando ele ficava furioso com alguma coisa, a única coisa que o fazia sorrir ou voltar ao normal era o seu cão, que ficava tentando levar o garoto para fora de casa para uma possível brincadeira. Na verdade Stewart era um cão bastante atrapalhado. Ele sempre vivia caindo da cama de Will enquanto eles brincavam, caia quando tentava se equilibrar na cadeira de balanço, e enfim, ele era um desastre, mas, conseguia arrancar vários risos de Will, era seu melhor amigo. Mas naquele momento Stewart não estava ali, e seria difícil controlar sua raiva. Ele tinha que recorrer para uma segunda opção: ouvir música. E era isso que ele iria fazer.
O garoto entrou no carro e colocou a chave na ignição, ligando o carro e quando olhou pra frente novamente, a garota ainda estava na frente do mesmo ainda, com os braços cruzados e encarando Will, que suspirou e desligou o carro novamente. A garota andou até o carro, abriu a porta, entrou e se sentou.
William a olhou, sem entender, mas, deixou claro uma coisa. – Estou indo para Saint Peter High, se não estiver indo para lá, melhor descer do carro. – Falou enquanto dava partida no carro, ligava a rádio e ia em direção à escola.
— Não se preocupe quanto a isso, também estudo lá. E me chamo Lexie. – Falou Lexie enquanto o via respirar fundo.
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