Galhos Secos
3 Se ninguém te vê, ninguém te machuca
Notas iniciais
Quando alcancei o topo comecei a rir, nunca havia me sentido tão livre, tão pura e forte. Meus cachos amarronzados que antes viviam amarrados e cobertos por toucas agora pendiam livres por minhas costas. Sentia meu corpo de criança que sempre fora frágil e vulnerável mais forte.
Lá de cima enxerguei a ponta das outras árvores e mesmo que a que eu havia escalado não fosse muito alta consegui ter uma ideia do tamanho de meu novo lar. Do leste ao sul a mais ou menos um dia de caminhada via muitas montanhas rochosas, ao oeste não conseguia enxergar nada além de árvores, mas se estava certa, era por lá que estava a cidade e ao norte eu tinha e tenho certeza que está o lugar de onde fugi.
Então minha única regra virou: nunca vá ao norte.
Meu olhar se fixou lá por um tempo e flashbacks de minha vida antiga e de meus sofrimentos voltaram a minha mente com tal força que não conseguia desviar o rosto e quando consegui lágrimas escorriam por minhas bochechas.
Desci da árvore ainda mexida pelas lembranças.
Sentei-me em uma pedra e comecei a revirar os pedregulhos ás margens do lago com meus pés. Eu ainda tremia, mas depois que voltei a mim criei minha ultima regra: não lembraria nada que houvesse acontecido na casa onde morei até minha fuga.
Naquele dia passei a ser apenas Diana, sem sobrenome e nem passado.
Apenas uma criança que vivia na floresta e que pretendia manter o anonimato e a invisibilidade para o resto da vida.
Pois se ninguém te vê, ninguém te machuca.
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