Galhos Secos
7 Rotina Quebrada
Notas iniciais
Peço que tenham paciência >.
Bem, é nesse capítulo que as coisas começam a acontecer...
Deixei pendurado em um dos galhos da grande árvore as armas que carregava para a caça, mas continuei com minha adaga e uma espécie de estaca de uma madeira afiada. Só por precaução.
Caminhei para o noroeste.
Colhi algumas maçãs no caminho, comi umas e guardei o resto para mais tarde. Andei por bastante tempo, e de vez em quando subia em alguma árvore para olhar a posição do sol e tentar avistar minha distancia até a faixa marrom.
O céu já tomava uma cor alaranjada quando a quantidade de árvores começou a diminuir e assim, maiores os espaços entre cada uma ficava tornando-me mais visível e insegura.
A partir de um ponto comecei a me deslocar com rapidez, escondendo-me atrás de algumas árvores, que já estavam há mais ou menos dez passos de distância uma da outra.
Uma hora, quando estava correndo a procura de outra árvore para me esconder, a cor da terra mudou debaixo dos meus pés, indo do marrom escuro e lamacento, coberto de folhas secas e grama para um marrom mais claro e pelado, mas não parei, apenas olhei para frente em busca de outra árvore e quando alcancei uma me icei para cima até que me senti rodeada por folhas, camuflada. Olhei para trás e percebi que acabara de atravessar uma grossa faixa, que era a terra clara.
Desci da árvore com cautela e voltei para a margem da faixa. Olhei para os lados. Á minha esquerda o marrom claro ia até encontrar-se com uma curva e á minha direita também, mas a curva deste parecia estar ainda mais distante.
Abaixei-me e peguei um punhado da terra marrom clara e cheirei-a. Não tinha nenhum cheiro estranho, apenas o de terra seca. Fixei meu olhar na borda da faixa, onde o marrom escuro passava para claro e notei que a parte mais clara era levemente mais funda que a escura, parecia que alguém havia arrastado várias vezes algum saco ou pedra por ela ou que por ali já havia passado um batalhão, com botas de couro grosso, deixando a terra mais gasta e matando toda a vegetação. Ainda estava ajoelhada quando comecei a escutar um barulho estranho e rítmico.
Mesmo que parecesse distante dava para notar que se aproximava com rapidez, então larguei o punhado de terra e corri para cima da árvore mais próxima e fiquei observando, calada a faixa marrom esperando que o que quer que estivesse produzindo tal barulho só poderia estar passando por lá.
Não demorou muito para que uma coisa grande de madeira escura e velha, sobre dois círculos também grandes e do mesmo tipo de madeira, amarrado á um cavalo velho e maltratado surgisse na curva da ponta esquerda da faixa marrom clara. Quanto mais se aproximava, mais detalhes esquisitos (, mas estranhamente familiares) ficavam mais claros. Em cima da coisa de madeira reconheci algo que me gelou o sangue como se tivesse acabado de ser mergulhada em água gelada durante o inverno. Eu vi um homem.
Ele vestia uma roupa velha, gasta e sem cor e segurava com as duas mãos uma tira marrom que ia até o pescoço do cavalo. O homem parecia cansado e velho, como se estivesse apenas esperando para que seu coração parasse de bater. Não consegui sentir medo por mais que não me atrevesse a ir falar com ele.
A sensação de ver outro humano em tantos anos era de certa forma reconfortante, mas me senti envergonhada por ao menos simpatizar com uma raça que me... Fizera tanto mal.
Não sou um deles. Não sou capaz de fazer as coisas que fazem.
Fechei meus olhos por um breve momento, o suficiente para empurrar para fora de minha cabeça qualquer lembrança ou sentimento que me ligasse a aquela espécie e consequentemente, meu passado.
Foquei meu olhar no conteúdo da parte de madeira velha, atrás do homem. Vi baús que eram bem grandes em sua maioria, mas também havia alguns pequenos.
Todos feitos de madeira, uns pareciam obras de arte, pois possuíam relevos diferentes e formavam desenhos confusos.
De repente senti uma onda de curiosidade me inundar. O que será que aqueles baús poderiam esconder?
Já pensava em uma maneira que pudesse saciar minha curiosidade sem me colocar em risco quando com um estrondo a coisa passou por um buraco na terra clara deixando um dos círculos se desatarraxar e ir parar no outro lado da faixa enquanto a parte maior e superior de madeira pareceu perder o equilíbrio e tombou para o lado onde de onde o circulo saiu. O homem conseguiu se segurar na beira de madeira de onde estava sentado evitando sua queda, mas assim que a coisa tombou, deixou seu corpo escorregar e falando coisas estranhas em uma voz nervosa foi buscar o círculo de madeira que havia parado há uns vinte passos á direita da árvore onde eu estava e dez até a coisa de madeira.
Olhei para os baús e movida pela curiosidade pulei da árvore e comecei a correr até eles sem nem calcular os riscos que corria. Pela primeira vez em muito tempo fiz algo imprudente. Sentia uma onda eletrizante percorrer meu corpo me dando mais energia.
Quando alcancei a coisa de madeira meus olhos estavam esbugalhados e sentia-me muito viva e ativa, sabia que estava me pondo em risco, mas o desejo de conhecer o conteúdo dos baús era maior. Espiei o que o homem fazia e o vi arrastando o círculo até o lugar de onde saíra. Ele se ajoelhou e tentou colocar um pedaço grande de madeira no lado que havia tombado tentando levantar aquela parte, mas por mais que fizesse força só conseguia a distancia de alguns centímetros entre o chão e a coisa.
Concluí que tinha tempo e me pus a tentar abrir os tampos de cada baú. O primeiro era grande, mas comparado á maioria não era tão grande assim. Estava trancado com uma coisa dura e cinza-amarronzada com um orifício de um formato estranho no meio.
Peguei minha adaga e tentei corta-lo, mas não adiantou, era muito resistente. Tentei enfiar sua ponta no orifício, empurrei a adaga com força, depois virei-a várias vezes, mas o objeto parecia precisar de algo mais para ser aberto.
Olhei para os outros baús e para a minha desgraça percebi que todos também possuíam objetos parecidos, variando um pouco no formato e ás vezes no tamanho.
Espiei novamente o homem. Tinha conseguido enfiar a estaca de madeira depois de muito esforço a coisa estava mais estável. Agora ele tentava recolocar o círculo de madeira de onde havia saído, mas por mais que parecesse uma tarefa difícil não achei seguro assumir que ainda tinha muito tempo sobrando.
Já havia me arriscado demais, não sairia de mãos vazias.
Olhei a minha volta, não havia mais nada além de baús, andei até os últimos e os tateei. De repente senti a coisa se mover e em um piscar de olhos tomei um baú menor que os demais e pulei tentando não fazer barulho para não chamar atenção do homem. Corri.
Corri como se um urso estivesse me perseguindo. Ou como se meus pés estivessem pegando fogo e só parei quando alcancei a árvore grande.
Já estava anoite e a única coisa que impedia o breu total era o brilho da lua e das estrelas. Ofegante, subi na árvore e coloquei o baú que havia furtado ao lado de minhas armas de caça e sentei num outro galho encostei-me ao tronco da árvore e dormi, mas por um tempo ainda fiquei imaginando o que possivelmente a caixa poderia trazer.
Não sabia se havia cometido um grande erro, mas naquele dia percebi o quão desesperada estava para me agarrar a qualquer coisa que me ligasse a meu antigo mundo. Percebi que por mais que tentasse me mudar nunca conseguiria esquecer ou me desligar por inteiro do meu passado.
Notas finais
Esperem pelo próximo, ok?
Comentem, critiquem, me inspirem a escrever kkk Bjs para todos vcs!
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