Notas iniciais
Plot: Peter Quill está atrás do presente ideal para o aniversário de Gamora e decide ir até a Terra, em busca de algo que a agrade. Quando retorna, tem em mãos algo que os terráqueos chamam de “celular”. Oi gente S2 Essa é a one-shot de estreia da coletânea e espero que vocês gostem! Ela se passa após os eventos de Guardiões da Galáxia, Vol. 2 e antes de Guerra Infinita. A tropa Nova e os habitantes de Xandar (planeta do primeiro filme dos Guardiões) ainda não foram destruídos por Thanos, então eles estão comemorando o aniversário da Gamora lá. P.s.: A frase do primeiro parágrafo vem de uma citação de Rubem Alves. Aproveitem a leitura, sweethearts!

Capítulo Único Perfect

Comemorar mais um ano de vida é celebrar um tempo que deixou de ser, um fósforo que foi riscado e que nunca mais acenderá — daí a profunda sabedoria de se apagar velas na data.

A primeira vez que havia comemorado um aniversário ao lado do “pai”, Thanos lhe dissera que aniversariar é amadurecer; Gamora, no entanto, acreditava que amadurecer era passar uma noite inteira chorando e acordar sorrindo. No fundo, a jovem de pele esverdeada nunca tinha sido uma fã de festas; especialmente as de aniversário, que não passavam de votos para um futuro que talvez nunca chegasse; apenas um passo mais próximo do abismo chamado morte.

Peter Quill, no entanto, enxergava uma profunda importância no aniversário dela que a garota não era capaz de compreender.

Por mais que não tivesse revelado a data para os demais guardiões, Quill insistira por mais de três meses até que ela lhe contasse a data — e o fizesse prometer que não contaria para os demais. Não gostava de festas e deixava o fato bem claro para ele, na esperança de que o teimoso rapaz não aprontasse nenhuma de suas surpresas quando a data chegasse. Mas, para a surpresa de Gamora, Peter sequer tinha lhe dado os parabéns.

Não que ela visse importância no gesto, mas o tão exibido Senhor das Estrelas nunca perdia uma oportunidade de tentar roubar a atenção da verdinha. Por mais que o alojamento oferecido pela Tropa Nova fosse confortável e aconchegante — espaço grande o suficiente para que os seis guardiões descansassem tranquilos após os eventos de Ego —, ela chegou a acreditar que a visita a Xandar naquela semana era apenas uma desculpa: fosse para algum tipo de festa surpresa ou para qualquer outra forma que ele encontrasse de surpreende-la. Mas quando ele partiu na manhã anterior, com destino à Terra e sem hora para voltar, a filha adotiva de Thanos teve certeza de que Peter Quill simplesmente não se lembrava de seu aniversário.

Gamora não podia estar mais enganada.

— Eu sei, eu sei, vocês estavam morrendo de saudade. — A voz de Peter ecoou quando colocou seus pés na entrada da sala, sabendo que já era de madrugada. Apenas Mantis abriu a porta de seu quarto e o fitou, exibindo um sorriso de animação.

— Peter! — Mantis exclamou. — Como foi a viagem?

— Ótima, anteninhas! Obrigado por perguntar. — Anteninhas era o carinhoso apelido que Quill dera para a alienígena. Aumentando o tom de voz, ele falou: — Como mais ninguém apareceu, acho que vou entregar todos os presentes que trouxe da Terra para você, Mantis!

Um a um, os amigos de Peter foram saindo de seus dormitórios com semblantes sonolentos. Gamora foi a última, esfregando os olhos como quem tinha acabado de acordar, fazendo o homem abrir um meio sorriso contente. Quill sabia perfeitamente que, desde a meia-noite, o calendário indicava a data de aniversário da esverdeada que lhe roubava o fôlego.

— Acordaram, então! Olá! — Peter foi irônico.

— Qual é, cara. — Rocket reclamou com a cara emburrada. — Só fala o que tem aí ‘pra mim e me deixa voltar a dormir.

— Eu sou Groot. — O jovem Groot respondeu em concordância com o guaxinim.

— Tudo bem, tudo bem! — O capitão da equipe tirou a mochila que trazia nas costas, colocando-a no chão e abrindo com certo entusiasmo. Retirou uma sacola plástica vermelha e entregou nas mãos da jovem Mantis, sorrindo. — Isso é seu.

A antiga enfermeira de Ego vibrava enquanto procurava desvendar o conteúdo da sacola, encontrando um par de algo brilhante e muito belo.

— O que é? — Mantis admirava os dois objetos reluzentes em suas mãos.

— O nome disso é “brinco”. — Peter falou. Os brincos de argola eram prateados, tendo uma pedra azulada como parte fundamental de sua beleza. — É para usar nas antenas. — Ele lançou uma piscadela para a garota, que empolgadamente colocava as argolas ao redor das antenas e as balançava com alegria. — Não é bem assim que se usa, mas...

— Eu adorei! — A alienígena deu dois pulinhos de alegria, fazendo uma pose para encarar Drax. — O que achou dos meus... Como se chamam? Ah é, brrrrrrrincos!

— Você continua feia. — O lutador falou sem entusiasmo, tirando o sorriso do rosto dela e sendo repreendido por Gamora. — O que foi? É verdade! Mas os artefatos são muito bonitos.

— Agora... Drax! — Peter foi até a porta do alojamento e saiu, voltando segundos depois com uma média caixa de papelão. — Isso aqui se chama “salgadinho”, amigo. É para comer.

O destruidor pegou a caixa nas mãos e abriu com um teor de curiosidade, encontrando alguns pacotes de cores vívidas e belas nos quais se encontravam o nome Cheetos. O alienígena pegou um dos salgadinhos e rasgou uma parte da embalagem, colocando um dos assados na boca e degustando devagar. Sua aprovação ao gosto foi imediata.

— Isso é bom! — Drax colocou mais na boca, falando enquanto mastigava. — Obrigado pela lembrança, Quill.

— Não tem de quê, amigão! — Ele respondeu empolgadamente. — Groot, vem cá.

A árvore se aproximou, estendendo as mãos para o aparelho que Peter estava lhe dando.

— O nome desse aí é Mini Game Portátil, mas eu gosto de chamar de joguinho. — O Senhor das Estrelas ligou o pequeno videogame e começou a gesticular, em uma tentativa de ensinar o companheiro a mexer no aparelho. — ‘Tá vendo? Você usa esses botões aqui para destruir as naves inimigas e pow! Se acabar com todos, você passa de fase.

Os arregalados olhos de Groot estavam fixos no presente, pelo qual ele ficara fascinado.

— Eu sou Groot! — Agradeceu, se retirando dali enquanto tentava jogar o mini game.

O homem começou a buscar o próximo presente dentro da mochila, enquanto Drax e Mantis também rumavam a seus dormitórios.

— Rocky, sua vez. — Retirando três pequenas caixas da bolsa, Quill as estendeu para o pequeno guaxinim. — Isso aí é um estalinho, mas pode chamar de biribinha se quiser.

Racoon abriu o pacote com certa confusão no olhar, sem saber a utilidade das pequenas bolinhas de papel que estavam dentro do recipiente de papelão.

— E o que diabos eu faço com isso? — O rabugento questionou.

— Olhe e aprenda. — Peter esticou a mão e pegou um dos estalinhos, o jogando no chão com força. A pequena explosão assustou Gamora e Rocket, fazendo o animal ficar surpreso. — Pode pregar peças, assustar ou simplesmente fazer barulho quando quiser.

— Ou eu posso fazer uma arma que dispara essas coisas! — Rocky jogou outra biribinha no chão, rindo com o barulho que o objeto fazia ao estourar. — Maneiro! — Finalizou o guaxinim, se retirando do local com o presente.

— De nada! — Gritou Quill, ouvindo um resmungo do amigo em troca.

O Senhor das Estrelas logo se deu conta de que finalmente estava à sós com a filha de Thanos, não evitando lhe lançar um olhar. Gamora devolveu o olhar com desdém, apoiada no batente da porta de seu dormitório com os braços cruzados.

— Você roubou todas essas coisas? — Gamora finalmente quebrou o silêncio.

— Está questionando a minha dignidade, Gamora? — Ele brincou, se aproximando da esverdeada com a mochila em mãos e um sorriso sugestivo nos lábios. — Furto é bem diferente de roubo.

O comentário fez a guerreira revirar os olhos.

— Ora, não pense que me esqueci de trazer algo ‘pra você! — Quill pegou um objeto da mochila e a colocou nas costas novamente, caminhando até a mulher com o presente dela em mãos. O aparelho parecia o walkman que o loiro não largava, porém era bem mais sofisticado e tinha uma grande tela de vidro. — Chamam isso de celular. Fiquei o caminho todo tentando mexer nessa coisa e descobri algumas coisas interessantes.

— Que seriam...? — Ela questionou sem muito interesse.

— Me siga.

Peter abriu a porta do próprio quarto e fez sinal com a cabeça para que ela o acompanhasse, caminhando até a sacada do pequeno local. A madrugada estrelada em Xandar era inigualável, os tons de azul escuro que preenchiam o céu contrastados com o brilho das estrelas que o enchiam a abóbada celeste de beleza. Mesmo que não fosse de comentar, aquela era uma das visões que a mulher mais gostava.

Colocando o aparelho na grade, o homem deu alguns toques na tela antes de encarar a companheira.

— Isso faz música.

Apertando o play, uma melodia suave se iniciou.

I found a love for me, Darling just dive right in and follow my lead... — Peter começou a cantar e dançar devagar, sem desviar seus profundos olhos castanhos da guerreira à sua frente. À medida que Quill dançava, a mulher não pôde deixar de rir.

— Você decorou a música? — Gamora tentava esconder um sorriso.

— Sim. Escutei ela muuuuuitas vezes, o cara canta muito! — Peter se aproximava dela de forma sutil. — ‘Cause we were just kids when we fell in love, not knowing what it was...

Chegando perto o suficiente, o loiro pegou as duas mãos de Gamora e perguntou:

— Dança comigo?

Gamora não gostava das ideias terráqueas dele — sendo dançar uma delas — e nem ao menos entendia o que ele queria dizer com tal presente, mas não podia negar estar tão perto de Peter Quill. Uma das mãos dele subiu até o meio de suas costas, enquanto a outra repousou em sua cintura, fazendo o corpo dela se enrijecer; por sua vez, a verdinha entrelaçou as mãos no pescoço do loiro e deixou-se ser guiada pelos lentos passos de dança dele.

Quando encontrava o olhar de Gamora, o Senhor das Estrelas não tinha dúvidas sobre o que lhe chamava atenção na mulher de pele esmeralda: o jeito que ela arrumava o cabelo e a pele macia; os lábios verdes que sempre tentavam reprimir sorrisos ou qualquer outra emoção que a guerreira não quisesse compreender; a postura de uma mulher que nunca deixava sua armadura cair e, principalmente, seus olhos. Os orbes castanhos da filha adotiva de Thanos lhe traziam paz; os traços dos olhos dela eram bem desenhados e carregavam muitos segredos, todos vividos por uma guerreira que levava em seu rosto marcas do passado. Sentindo o corpo dela relaxar, Peter a girou e abraçou-a por trás, repousando seu queixo no ombro dela e tendo seus lábios perigosamente próximos das orelhas da mulher.

I found a love to carry more than just my secrets... To carry love, to carry children of our own... We are still kids but we’re so in love... — Quill cantou baixinho no ouvido dela, sentindo um pequeno arrepio vindo da esverdeada.

Se afastando da guerreira, ele tirou a mochila que ainda levava nas costas e pegou algo que Gamora não conseguiu ver. Se dirigindo até ela, o rapaz revelou uma longa tiara de flores e a colocou sobre os cabelos da mulher à sua frente. Diferente do que ele havia imaginado, a garota de cabelos rosados tirou a tiara e encarou-a por alguns instantes de forma curiosa; em seguida, levou o objeto até os loiros cabelos de Peter Quill e abriu um sorriso, repousando suas mãos nas dele.

Dando a brecha que o explorador esperou durante toda a noite, ele se aproximou e a beijou.

Peter esperava receber um empurrão e uma face de descontentamento dela, porém sentiu uma das mãos de Gamora segurar sua jaqueta com força e o puxar para mais perto. A melodia ainda tocava, porém, o guardião não conseguia pensar em mais nada além da sensação tão instigante que era beijar os lábios da mulher em seus braços.

Desde o primeiro momento em que escutou aquela canção, enquanto voltava para Xandar, Peter sabia que ela tinha sido composta para a mulher que lhe roubava o ar. Podia sentir Gamora em cada uma das frases da música, e o perfume cítrico que ela usava o fazia delirar ainda mais em pensamentos sobre ela. Todas as características dela o levavam à loucura ao mesmo tempo que criavam borboletas em seu estômago, dando vida a tudo aquilo que os poetas, artistas e cantores chamavam de amor.

Separando-se dos doces lábios dela, Quill falou com um sorriso:

— Feliz aniversário, verdinha. — A voz dele saiu como um sussurro.

Gamora não pôde conter a surpresa ao ouvi-lo. Estava crente que o Senhor das Estrelas havia se esquecido da data, mas ali estava Peter Quill — o homem que não cansava de surpreende-la de diferentes maneiras, sempre inventando uma nova. Era inevitável não se apaixonar a cada dia por esses gestos e pelo loiro.

— Você lembrou...

— Como poderia me esquecer? — Ele deu uma risada. — Eu te disse que resolveríamos aquelas coisas implícitas entre nós quando esse dia chegasse.

E ele realmente disse, lembrou-se ela.

— Não há coisas implícitas. — Respondeu.

O puxando para mais um beijo, Gamora começou a pensar em todos os outros aniversários que havia comemorado nos últimos anos. Na maior parte deles, ela estava no meio de uma missão ou sozinha em seu quarto, sempre olhando para o teto e se perguntando a importância daquela infeliz data. Sabia que, quando era criança, estava ao redor dos verdadeiros pais — mas já não se lembrava dos velhos tempos infantis, nada desde que fora adotada por Thanos.

Seu conceito sobre aniversários continuava o mesmo, porém Peter Quill conseguia transformar uma amarga data em uma noite memorável. Depois daquela dança e daqueles beijos, sabia que não havia mais nada implícito entre ela e o Senhor das Estrelas; não conseguiria esconder um sorriso nem se quisesse. Peter havia se lembrado da data, afinal.

E não há nada mais belo do que ser lembrado por alguém que ama.

Notas finais
E foi isso! Espero vocês nos comentários, e já podem deixar suas sugestões s2 Beijos e até breve!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.