Galanteia
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Desde que sua mãe lhes contou sobre o episódio do portal da Pirâmide de Cristal e Mestre Higgs, Dandara passou a ler e pesquisar exaustivamente sobre fenômenos ufológicos.
Seu assunto preferido eram os cropcircles, desenhos gigantescos visualizados do alto em plantações. As mensagens codificadas informavam sobre a origem da vida e alertavam contra o poder destrutivo das guerras numa perspectiva cósmica.
Eram registros antigos que não aconteciam mais com a freqüência de outrora.
Dandara reproduzia os desenhos em discos de cerâmica que cozia no forno de assar pão de sua mãe. Lionel a acompanhava nessas atividades dizendo-lhe com sua intuição de criança cristal, que os desenhos contavam a história do mundo: quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Em contra partida, Dandara o acompanhava em suas explorações pela mata que se ligava ao bosquezinho do fundo do quintal.
O pequeno Lionel em suas brincadeiras na mata imaginava ser Phillipus Teophrastus, o famoso alguimista da história. Gostava de colecionar espécimes de folhas e flores secas, pedrinhas e desenhos de insetos, que ele poderia ficar horas a observá-los.
Caminhavam em silêncio sempre seguidos pelas duas gatinhas pretas...
O bosque se ligava à mata por um portal de glicínias que na primavera conferiam um toque mágico às suas aventuras. Lionel sempre cumprimentava a planta trepadeira quando passava por ela e garantia a Dandara que ela lhe respondia com simpatia.
A uns trezentos metros do portal, havia uma pequena clareira natural com grandes rochas onde eles costumavam lanchar e no verão acampar. Uma vez, com a mãe, chegaram a bivacar. Dormiram ao lado de uma fogueira, tendo como teto o céu estrelado. Uma experiência inesquecível!
Naquele ano, o verão tinha sido chuvoso. O que não os impedia de saírem no tempo com suas galochas e capas de chuva. Mas numa manhã, especialmente ensolarada, os dois irmãos cruzaram o portal denso de folhas da glicínia, para algo novo e fascinante...
Precisavam andar com cautela. A trilha estava tomada pelo capim e corriam o risco de pisarem inadvertidamente em algum réptil rastejante.
Ao chegarem à clareira, notaram ao mesmo tempo, a presença de teias de aranha num padrão diferente do qual conheciam. Estavam em toda a parte. Pareciam viscosas, mas ao serem tocadas, se desfaziam em pó cintilante. O efeito era mágico, o que conferiu as crianças uma meia hora de divertida brincadeira. O que logo virou uma competição para ver quem fazia mais “montinhos de purpurina”.
Cansados de correr, subir e descer os amontoados de pedras pararam para descansar e comer uma fruta que tinham trazido para lanche. Antes disso, porém, o garoto encheu seus vidrinhos de colecionador com aquele pozinho brilhante.
— O que você acha que é Dadá? – perguntou o irmão fascinado pela descoberta.
— Não sei Lino. Não tem cheiro, não tem sabor, não emite som. E é só aqui na clareira que o encontramos – falou a irmã com sua usual prudência.
— Vamos levar para a mãti ver – e dizendo isso, tomaram o rumo de casa.
A mãe preparava conservas na cozinha quando as crianças chegaram eufóricas, afastando as frutas e legumes de sobre a mesa. Mas ao despejarem o conteúdo do primeiro vidrinho, o pó cintilante caiu formando um desenho na superfície da madeira.
— Um mini cropcircle! – falaram ao mesmo tempo.
— Está em código Morse! – surpreendeu-se Dandara.
— Filha, consegue decifrá-lo? – a mãe olhava a figura estarrecida.
— SOMOS AMIGOS E QUEREMOS AJUDAR.
A cozinha se fez particularmente silenciosa por alguns instantes. A frase lida por Dandara ficou suspensa no ar. Perplexidade instantânea.
Lionel foi o primeiro a mover-se. Pegou o segundo vidrinho despejando igualmente ao lado do primeiro: O mesmo efeito, numa imagem diferente!
— FOGO E DESTRUIÇÃO A SUA PORTA BATERÃO.
— Junta o pozinho do primeiro desenho, Dandara. Vamos fazer uma pergunta – disse Lia Mey mais confiante do que amedrontada.
— Como podem ajudar?
— JUNTEM TODO O PÓ MITZUR QUE ENCONTRAREM NA CLAREIRA.
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