Gakkou Carnival!

2 Capítulo 1.2 - Miriam Ertz


Notas iniciais
Capítulo introdutório da personagem Miriam Ertz! Obs: ela é brasileira o/ Divirtam-se! :)

— Miriam Ertz —

Alguma pensão na periferia de Tóquio —

Se este momento da minha vida fosse adaptado para uma novela, com toda certeza daria uma ótima cena de comédia. Daquelas tão malfeitas que fariam até mesmo as pessoas mais socialmente corretas gargalharem da minha desgraça e torcerem para que eu me ferre ainda mais, e de uma maneira bem mais estranha.

Não é como se minha vida fosse dar uma ótima novela. Para falar a verdade, uma protagonista com personalidade masculina, azarada, e sem nenhum histórico romântico, arrastaria a audiência de qualquer emissora para o abismo. Se fosse uma série, seria cancelada logo após a leitura do roteiro...

Fugindo um pouco da minha fértil imaginação e pulando num pouco de realidade, posso me perguntar com toda a certeza: como cheguei nessa situação?

O que era para ser apenas mais uma noite calma na terra dos olhos puxados, se tornou a guerra mais violenta e cruel que eu já havia presenciado em toda a minha vida. No entanto, o motivo da batalha, que normalmente envolveria o derramamento do sangue de alguém importante, na verdade foi provocado pelas roupas íntimas que caíam incessantemente do céu. Uma inimaginável chuva erótica capaz de transformar os simples trabalhadores que retornavam para as suas respectivas casas após um dia duro de trabalho em carniceiros bárbaros capazes de espancarem uns aos outros apenas para verem quem consegue pegar mais calcinhas.

Homens nojentos... Olha só aquele japa correndo com um fio dental vermelho. Espere um pouco aí! Aquela rendinha de seda semitransparente que falta desaparecer quando é vestida...

— Ei, volte aqui, maldito! Devolve essa merda agora mesmo! — A propósito, as roupas que estão caindo do céu são minhas.

Quando percebeu que a roupa estava limpa, ele a jogou no chão com uma feição azeda de desgosto. Se meu japonês fosse ao menos razoável, provavelmente teria entendido os milhares de xingamentos que recebi agora.

'Não há lugar melhor no mundo do que a nossa casa'.

Esta frase familiar ecoou na minha cabeça assim que os meus olhos foram bloqueados por um sutiã azul com bolinhas brancas, transportando-me para uma lembrança dolorosa que ocorreu há algum tempo, mais precisamente para um certo treinamento em meio à selva, num mero calor de 40°C.

Era noite de dezembro de um certo ano. Floresta Amazônica. Meu grupamento, composto por oito alunos do curso de SELVA, montou uma base de patrulha perto de um pequeno riacho.

Teoricamente, teríamos em torno de duas horas de sono, o que obviamente não se concretizou, afinal, estávamos num curso de treinamento para guerra, ou seja, que se dane o sono.

Havíamos acabado de esticar um saco de dormir sob uma pequena barraca feita com nossos ponchos, quando a última pessoa que eu gostaria de ver apareceu.

“Aluna 13436, por que você e seus companheiros estão deitando agora? ALVORADA!” Dizia o tenente, comandante do grupo. Se tivesse parado por aí, seria uma maravilha

“Flexão, 1, 2! Duas mil flexões, de punho cerrado, com apenas um braço!”

Porém, minha mente já estava no limite e eu nunca fui uma pessoa muito paciente. Já tinha aguentado todos os desaforos possíveis por meia década, e aquilo havia sido a gota d’água.

“Cansei dessa palhaçada! Flexão 1, 2, você, desgraçado!” Os outros alunos, no primeiro momento ficaram em choque, mas de repente, uma rebelião se iniciou.

Dei início ao primeiro no curso de SELVA, o que por algum motivo, garantiu o meu sucesso, fazendo com que eu me tornasse a número 1 na colocação do curso. Logo após isso, me tornei a encarregada de um pequeno grupamento de vigia em um batalhão de fronteira no Acre, a terra proibida, onde ocorria uma terrível guerra contra dinossauros.

Devido às más decisões e ao meu temperamento explosivo, não demorou muito antes de decidirem me destituir do cargo e me expulsar do país.

De início, me recusei de todas as maneiras possíveis, mas ao perceber que não conseguiria continuar na vida militar, muito menos no Brasil, precisei encontrar um novo lar. Andei pela América Latina inteira até a fronteira do México com os Estados Unidos, e quando finalmente pensei que poderia recomeçar a minha vida, fui capturada e expulsa novamente enquanto tentava escalar um muro gigante.

Após toda essa jornada — e muito nado — consegui refúgio no outro lado do Pacífico, nesse maldito país do peixe cru.

Enfim, de volta ao presente. Retirei o sutiã do meu rosto e berrei para o homem barrigudo de terno que atirava minhas roupas pela janela do segundo andar:

— Qual é?! Você só pode estar de brincadeira! Estou devendo apenas quatorze meses de aluguel!

— E você acha isso normal? — o dono da pensão berrava, claramente irritado com a minha tática de João-sem-braço. — Volte pro lugar de onde você veio! — Fechou a janela.

— Será que a minha noite ainda pode piorar?

Ao olhar novamente para os meus arredores, notei que a batalha pelas minhas vestimentas havia acabado. E para a minha decepção, nada havia restado, nem uma única roupa íntima sequer. Aquelas que não haviam sido saqueadas, foram lambidas, cheiradas e mastigadas, tornando-as inutilizáveis.

Todas as pessoas que passavam pela rua me encaravam. Algumas de forma agressiva, outras de forma indiferente. Mas nenhuma delas tinha a intenção de me ajudar.

— Isso não pode ser sério... — murmurei, sentando na calçada. — O que há de errado com o pessoal daqui? Será que ninguém consegue ter a decência de ajudar uma dama a apanhar suas calcinhas?

— Aquilo era uma calcinha? Era tão pequena que parecia ser linha de pipa. — Um cara do outro lado da rua berrou.

— Sua sem vergonha! — Uma velhinha disse, dando uma bengalada na minha cabeça. De onde diabos essas velhinhas de bengalas aparecem?

Tudo bem, vamos ser otimista! Se eu analisar direito a situação, tenho certeza de que encontrarei uma saída dessa confusão.

1 — Sem casa;

2 — Sem roupas além das que estou vestindo;

3 — Sem dinheiro.

É exatamente como no mês passado. Isso só pode ser uma maldição.

— Será que é pedir demais para que alguém aí em cima me mostre um caminho para trilhar? E tipo, rápido, porque já cansei de quebrar a cara toda hora! — Exclamei, erguendo meu o olhar.

De repente, uma brisa relativamente forte soprou um panfleto na minha cara.

“Sem casa? Sem roupas além das que está vestindo? Sem dinheiro? Exatamente como o mês passado e isso só pode ser uma maldição? Seus problemas acabaram! Venha para a Ninjin Gakuen, a escola mais bem-conceituada do Japão!” — O panfleto descrevia todas as principais qualidades da escola. Dormitórios, refeitórios, as mais diversas atividades extracurriculares. Era basicamente o paraíso dentro de uma cidade. — Para mais informações, dirija-se à Ninjin e converse pessoalmente com o diretor sobre a possibilidade de uma bolsa.

Por que será que eu sinto o cheiro de armadilha? Até parece que eu iria para um lugar tão suspeito como esse. Eu nunca, nunquinha, consideraria isso.

Jamais.

***

— Ninjin Gakuen — Recepção —

— Olá! Seja bem-vinda à Ninjin Gakuen, a escola dos seus sonhos. O que você deseja? — Uma mulher de estatura mediana disse sentada na escrivaninha da recepção. Sim, ela estava sentada, literalmente, na escrivaninha.

Todos os móveis da sala, apesar de bem conservados, pareciam datar da década de 50. Em uma das paredes, havia um quadro de um coelho sentado em uma poltrona com várias outras “pessoas” ao redor. Veja bem, existe um motivo plausível para as aspas ali, e eu vou explicar:

Imagine um coelho sentado em uma poltrona fumando um charuto na cabeceira de uma longa mesa. Agora, adicione a essa imagem um tanto quanto estranha...

— Querida, eu não tenho o dia todo. Você poderia me dizer o que deseja? — A recepcionista perguntou, dessa vez, forçando o sorriso.

— Eu gostaria de conversar com o diretor.

— Ah, você deve ser a senhorita Ertz. O meu mestre está esperando-a na sala dele.

— Como assim me esperando? Vocês estão me stalkeando, por acaso?! — Bati com ambas as mãos na mesa, rachando o tampo bem no meio. A mulher continuou sorrindo tranquilamente como se nada tivesse acontecido.

— O diretor vai tirar todas as suas dúvidas. Agora por gentileza, vá até a sala ao lado, ele não gosta de esperar.

Olhei para os lados, procurando a bendita sala, mas não obtive sucesso.

— De que sala você está falando? Não há sequer uma porta por aqui.

A recepcionista apontou com uma caneta para um buraco na parede. Parecia uma espécie de toca.

— Por favor, siga por aquele túnel. — Deu uma risadinha ao notar o meu espanto. — Digamos que o meu mestre tem alguns gostos... peculiares.

Se já não bastasse ter que me sujeitar a entrar de quatro em uma toca, preciso ficar ouvindo essas coisas ridículas.

Enquanto xingava mentalmente, me agachei e atravessei o túnel engatinhando. Ao final dele, cheguei a uma das salas mais extravagantes que pisei na vida. Uma mesa de madeira, rica em detalhes entalhados, estava posicionada em frente a uma poltrona vermelha enorme, que se mantinha virada.

— Bem-vinda, Srta. Ertz. — Uma voz estranha vinha da poltrona, que se virava lentamente. — Seu quarto será o número 118, e você o dividirá com mais uma garota. Alguma pergunta?

— Sim, eu tenho diversas perguntas... Senhor! Primeiro, como diabos sabe o meu nome? E como sabia que eu estava vin...do...

Quando a poltrona se virou completamente, o meu queixo caiu, literalmente. As pontas dos meus dedos congelaram e o meu coração parou de bater por um momento. Quem, ou o quê, estava falando comigo, era nada mais, nada menos, que um coelho. UM. FODENDO. COELHO!

Nesse momento, nem mesmo os meus três anos de treinamento militar puderam salvar a minha mente do trauma. O rosto dele... bem... imagine que uma granada tenha explodido bem na sua cara. Tenho certeza de que ainda estaria melhor do que a dele.

— Mas que porra é você?!

Ignorando completamente o meu estado de choque, ‘aquilo’ tirou uma cenoura da gaveta da mesa e a levou até a boca.

Ah, mas isso é normal, durr. Todo coelho come cenoura.

Veja bem. Comer é só um “pouquinho” diferente de fumar uma cenoura. Agora responda-me: que tipo de ser vivo FUMA uma cenoura?!

— Eu sei tudo sobre você, Miriam-chan. Sei que veio do Brasil, sei que foi militar, e sei que a única calcinha que você tem no momento é rosa. — Colocou a língua para fora e piscou para mim, fazendo-se de santinho. — Confesso que essa última informação só descobri graças à câmera ‘atravessa roupa’ que fica na entrada da toca, tehehe~. — Deu um trago na cenoura. – De qualquer forma, Miriam-chan, sou um coelho muito ocupado, então se não se importa, tenho que preparar meus documentos para o início do ano letivo.

— Ei, ei! Espera um pouco. Eu nem concordei em me matricular nesse lugar. — Bati na mesa. O coelho deu um pulinho na poltrona. — E nem vou. Estou indo embora daqui.

— HÁ! Você é engraçada, Miriam-chan. Foi você quem seguiu o panfleto, e saiba que ao entrar na toca, você automaticamente se matricula na Ninjin.

— É mesmo? Foda-se. Se eu não assinei nada, você não pode me manter aqui. — me virei em direção à saída.

— Ahem... você quer dizer, esta assinatura? — O diretor segurava uma folha, aparentemente um contrato. No fim do documento, a minha assinatura. — Acho que alguém esqueceu que tinha que assinar uma folhinha na entrada~~

— Aquilo era apenas uma folha de visita!

— Não importa. Sua assinatura estava lá. Só precisei cortar e colar aqui~~

— ISSO NEM AO MENOS É LEGAL!

O coelho apagou seu “cenouruto” e levantou-se. Foi dando pulinhos em minha direção.

— Miriam-chan, curve-se um pouco. — fiz o que ele pediu. — Regra nº 1 da Ninjin: eu decido o que é legal ou não. — disse, com um tom de voz totalmente diferente da anterior.

— Regra nº 1 da Miriam: Eu não obedeço regras.

Devolvi o olhar no fundo dos olhos dele.

— HAHAHAHA!! Muito boa, muito boa! — o diretor gargalhava descontroladamente, anotando aquilo numa folhinha de papel. — Agora tome a chave, lembre-se, quarto 118. Xô, xô!

— Isso não está certo! Você não pode me manter aqui.

— Na verdade, você ficará aqui por motivos bem simples. Que, aliás, jogarei na sua cara agora. — sorriu, confiante. — Uma cama quentinha ou um amontoado de papelão em baixo de uma ponte? Comida feita na hora ou restos podres que encontrará no fundo de alguma lixeira? E se for camarada com o coelhinho fofinho aqui, terá privilégios, hehehe...

Bem, agora posso morrer. Já vi um coelho tarado.

E o pior é que o desgraçado tinha razão. Não tenho nenhum local para ficar. A melhor opção seria permanecer na escola, pelo menos por essa noite. Grunhi baixinho.

— Fui derrotada hoje, Coelho. Mas um bom soldado sabe que uma guerra não é feita apenas de uma batalha. — me agachei novamente, a fim de passar pela entrada da maldita toca. — Eu voltarei.

Comecei a engatinhar para o buraco na parede.

Assim que passei pela entrada escutei o ‘click’ de uma câmera fotográfica.

— Você por acaso tirou uma foto da minha bunda?!

— Claro que não, Miriam-chan! Eu sou um coelho direito! — Esbravejou, escondendo a câmera atrás de uma pilha de livros.

— É melhor achar outra toca para se esconder, seu merda! Vai precisar... — Disse a ele enquanto finalizava minha saída.

***

— Ninjin Gakuen – Dormitório Feminino —

Bege... alguém ainda pinta o teto de bege? Espera, onde diabos estou? Pulei da cama.

Não havia sinal de vida no recinto, ou se preferir, no quarto.

— Esse deve ser o aposento que o coelho me deu. Mas como vim parar aqui?

Enquanto eu me perdia nas perguntas, a porta do quarto abriu. Uma garota de cabelos loiros surgiu, segurando uma bandeja com diversos alimentos. Vestia uma fina regata branca com uma estampa que dizia: “Keep calm and Pastel de Flango”. Na parte de baixo, usava apenas um mini shorts rosa, o qual revelava suas pernas brancas e atraentes. Os cabelos loiros da garota caíam até a cintura, como uma cachoeira dourada. Quando me viu, prontamente me cumprimentou.

— Olha quem acordou! Trouxe um lanchinho pra você!

— Ei! Como eu vim parar aqui? Quem é você? E passa logo essa bandeja pra cá, caramba! — peguei a bandeja e devorei tudo feito um adolescente devorando uma revista pornográfica.

— Você deve ser a minha nova companheira de quarto, Miriam, não é? Prazer em conhecê-la. Me chamo Natasha Gold.

— Ué, nenhum “-chan”? Pelo jeito você não é daqui.

— Sou da Inglaterra. Por isso ainda não me acostumei com essas coisas. — revirou os olhos. — De qualquer forma, os enfermeiros da escola trouxeram você aqui. Segundo eles, você desmaiou de fome enquanto saía da sala do diretor.

— Ceeeerto... Por quanto tempo eu apaguei?

— Bem, falta pouco tempo para o começo da cerimônia de abertura, então creio que umas quatro horas?

— Já é manhã?! Não pode ser!

Natasha arregalou os olhos, surpresa.

— O que foi?

— Nada não. — deitei na cama novamente. Acho que agora só me resta esperar as aulas começarem... falando nisso. — Ei, Natasha. Quando começam as aulas?

— Tecnicamente elas começam amanhã. — abriu o guarda-roupas. — Mas hoje acontece a recepção aos novatos e as apresentações dos clubes da escola. Então todos devem comparecer.

— Só pra saber... Espera! Hoje?! Aquele coelho de uma figa! — Sentei na cama. — Não tenho nenhum material, e... O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?!

A garota que a princípio parecia acuada com a minha presença, simplesmente se libertou das amarras da vergonha. Ela se despia magistralmente. Primeiro a regata branca, que deu espaço a um sutiã rosado com alguma espécie de renda na parte superior, na cor vermelha, o qual sustentava enormes seios.

— Estou colocando meu uniforme... A propósito, o seu também está aqui. — Respondeu, inocentemente. Em seguida, retirou o shorts, abrindo alas para uma calcinha rosa, que fazia par com o sutiã. Naquela situação, já era possível ver a bunda avantajada da loira, me deixando ainda mais louca. — Miriam, por que seu nariz está sangrando?

Eu não fui treinada para isso. Se ela retirar mais uma peça de roupa...

Suas mãos foram em direção a parte de trás do sutiã. Ela pretendia abri-lo e revelar o prêmio máximo. Seus delicados dedos tentavam alcançar o gancho, enquanto mordia o lábio inferior numa expressão de esforço. Soltou um gemido bem baixinho antes de me encarar.

— Droga, eu não consigo abrir. — Foi até mim e virou de costas. — Pode abrir pra mim?

— C-Claro...

Minhas mãos, trêmulas e mal preparadas, foram em direção ao gancho que prendia o sutiã. Com um simples movimento, o liberei, e então, o sutiã foi ao chão.

— Obrigada, Miriam! — Por favor, não vire! — Até que ter uma colega de quarto têm suas vantagens! Hehe...

O mundo passou a rodar em câmera lenta quando percebi que a garota de cabelos loiros iria se virar. A cada milésimo, um mísero milímetro não visto de seus seios ia sendo exposto.

— Então, Miriam. Você veio de on...de? Miriam?! Acorda! — A voz dela ecoava na minha cabeça enquanto eu perdia a consciência mais uma vez.

Se todos os dias nesse lugar forem dessa forma...

Peitões...

Ficar aqui pode não ter sido uma ideia tão ruim, afinal.

Notas finais
Mais uma introdução concluída! O que esperar desse pessoal no começo do ano letivo, ein?