Gaiden - O amor de Atena
2 Capítulo 2 - Presente de amor
Capítulo 2 – Presente de amor
Seiya subiu as escadas da casa cuidadosamente com a esposa nos braços. Ela tinha o maior sorriso já visto em seu rosto, repousava a cabeça sobre o ombro de Seiya e tinha as mãos acariciando a barriga. Ambos riam de felicidade devido ao último fato ocorrido e preferiam aproveitá-lo em seu quarto do que no sofá, até mesmo porque seria bem mais confortável para Saori na condição em que estava. O cavaleiro empurrou a porta com o pé e entrou, deitando-a com delicadeza na cama. Buscou mais travesseiros e os arrumou ali. Saori ergueu-se para apoiar as costas.
– Eu estou tão feliz, meu amor! – Seiya sentou-se ao seu lado na cama, abraçando-a e beijando seu rosto.
– Eu também estou – ela riu.
– Mal posso esperar pra segurar nossa menininha no colo.
– Seiya!! – Ela chamou, com um grande sorriso e os olhos úmidos pela emoção que sentia – Ela está fazendo de novo!
Seiya uniu uma das mãos à mão que Saori repousava sobre o ventre, sentindo explosões de alegria dentro de si com o movimento da criança ali. Há poucos minutos a bebê havia finalmente se mexido pela primeira vez, após longos cinco meses de expectativa. Os dois aproveitaram em silêncio por longos minutos, até que o movimento parou.
– Estou tão ansiosa... Também quero conhecer logo nossa garotinha. Quando descobrimos sobre ela... Quando nos disseram que será uma menina... Quando a senti se mexer hoje... Meu coração parece que vai explodir de felicidade! Depois de todas aquelas batalhas... Perdas, tristezas, sangue derramado, onde arriscamos nossas vidas e quase perdemos uns aos outros... Poder carregar outra vida dentro de mim... Senti-la se mexendo e crescendo aqui dentro – falou acariciando a barriga – A sensação é indescritível, Seiya.
– Eu sei... Parece até que estou sonhando... – ele tinha o sorriso mais bobo que Saori já vira em seu rosto – Depois de tudo aquilo... Tantas vezes eu encarei a morte, eu quase te perdi... É a melhor coisa que podia ter acontecido. Ela será tão linda e carinhosa quanto você.
– Ou teimosa e corajosa como você.
Ambos compartilharam uma breve risada.
– Precisamos contar aos outros.
– Sim. Ficarão loucos de alegria, especialmente Seika e Tatsumi – Seiya comentou.
– Espero que os meninos de Shiryu e Shunrei não se importem de ter uma menininha pra brincar e não um menino.
– Eles também vão adorar! Ela será tão adorável quanto você. Até seus parentes divinos malucos cairiam aos pés dela.
Saori emitiu uma grande risada, dando um tapinha no braço do marido.
– Os médicos disseram que ela é capaz de nos ouvir e que conhece a nossa voz – Saori lembrou.
– É mesmo... Será que você sente nossa felicidade, Aimi? – Perguntou estendendo a mão para acariciar a barriga da esposa novamente, em poucos segundos sentindo um chute da bebê na palma de sua mão.
– Ela pode sim... – a futura mãe falou sorridente.
– Quem é a garotinha da mamãe e do papai?! – Seiya perguntou brincalhão, sentindo novos movimentos, e ouvindo Saori rir.
– Essa é a melhor sensação do mundo! Um dos melhores afagos que já recebi.
Longos minutos se seguiram em silêncio, em que os dois apenas afagavam com todo o amor e cuidado do mundo a criança que estava ali. Sentindo todo o carinho que recebia e como se também desejasse mostrar sua felicidade, a bebê se movia suavemente dentro de sua mãe. Saori começou a entoar uma doce canção de ninar e após algum tempo, subitamente, o movimento diminuiu sob as carícias do casal, até parar.
– Ela se cansou... – Seiya falou.
– Bebês também dormem quando estão aqui dentro, Seiya. Dormem, bocejam, se espreguiçam, chupam dedo, sorriem, brincam... Às vezes é até difícil dormir logo de tanto que se mexem certas noites – Saori riu – Mas acredito que será uma criança doce. Mesmo agora quando ela se agitou, seus movimentos foram tão suaves... E ela reagiu todas as vezes que escutou a nossa voz ou sentiu nosso toque.
– Apesar de termos lido isso num dos seus livros, ainda fico impressionado. Ela nem nasceu ainda... Vai ser teimosa como eu.
Saori soltou mais uma gargalhada.
– Eu te amo, Seiya.
– Eu também te amo. Obrigado, Saori... Por me dar uma vida ainda melhor do que eu poderia desejar. Pelo nosso presente, nosso pequeno amor – falou acariciando o ventre da deusa, e se aproximando para olhar em seus olhos.
– Obrigada, Seiya. Depois de tantas batalhas, você me deu a vida simples e feliz que eu sempre desejei.
Seus lábios foram encobertos pelos do cavaleiro, que de olhos fechados, sentiu uma lágrima de felicidade escorrer de seus olhos.
******
– Como são tolos... – Astrapih comentou do distante ponto de observação em que estavam da casa.
Não podiam ver o casal com clareza por aquela janela devido à distância, mas os cosmos podiam sentir muito bem.
– Não é possível que esperem viver em paz e felizes pra sempre depois que essa criança nascer.
– Não acho que Atena seja tão tola. Ela parece feliz, mas deve estar alerta. Devemos ter muito cuidado, ela pode nos perceber em algum momento.
– Não entendo porque nosso pai quer esperar ainda dois anos depois do nascimento pra intervirmos.
– A criança precisará de Atena pra se alimentar. Se ela acabar morrendo logo pelas mãos de nosso pai, o bebê pode se prejudicar sem ela. E nosso pai quer o bebê vivo.
– Que ironia terrível! O sangue divino dos deuses misturado com o sangue mortal de Pegasu! Nunca houve afronta tão grande quanto esta!
– Acalme-se... Se acabar elevando seu cosmo, mesmo que seja apenas um pouco, podem nos notar.
Ele inspirou fundo, claramente irritado, mas precisava admitir que ela estava certa.
******
– Calma. Vai ficar tudo bem!
Também estava nervoso, porém não pior do que Saori. Ela estava deitada em seu colo, no banco de trás do carro, chorando de dor silenciosamente, com sua respiração ofegante. Tatsumi dirigia o carro o mais rápido que podia. Por ainda ser quatro da manhã, não havia congestionamento. Seika os olhava do banco da frente, vez ou outra. Sua expressão estava aflita devido à preocupação.
– Fique comigo o tempo todo, Seiya!! Por favor!
– Eu vou ficar! Eu juro que não sairei do lado de vocês duas nenhum segundo! Vai dar tudo certo. Logo teremos nossa bebezinha nos braços, querida. Aguente por mais um tempo.
A deusa assentiu com a cabeça e fechou os olhos com força quando uma dor muito pior a tomou durante um segundo ou dois. Não estava com medo, se preparara física e psicologicamente para aquilo, e ter Seiya ao seu lado era imensamente confortante, mas a dor era lancinante e estava difícil aguentá-la.
Com mais alguns instantes Tatsumi estacionou em frente ao hospital da fundação da família Kido, onde enfermeiras já os esperavam. Rapidamente, Saori foi levada para dentro e em alguns instantes, com Seiya ao seu lado, por longas horas ela se dedicou a um dos momentos mais importantes de sua vida.
******
– Acha mesmo que o corpo humano vai resistir a isso?
Os dois irmãos, agora com aparência adulta e trajando belas e imponentes armaduras douradas, estavam bem camuflados na escuridão no topo de um edifício. Haviam observado a chegada de Saori ao hospital em frente minutos atrás.
– Humanas e humanas passam por isso todos os dias nesse mundo. São muito mais resistentes do que você pensa. E sendo Atena não vai morrer tão facilmente.
– Tem certeza disso? Ela veio gritando, chorando e sangrando há vários minutos, desde que acordou Pegasu quando ainda estavam em casa. E mesmo agora posso sentir seu cosmo muito perturbado. Como uma criatura tão pequena e fraca pode causar tanto sofrimento a uma deusa se nem nasceu ainda? Como Atena pode ficar tão feliz com um ser que lhe causa tanta dor?
– Ela ainda não viu nada. As próximas horas serão muito piores. Apesar de não ter nascido ainda, já é certo que o cosmo poderoso que sentimos é do bebê. E sendo ou não uma deusa, nenhuma criança nasce sem causar sofrimento. Quanto a sua última pergunta, eu não sei responder. As humanas falam alguma coisa sobre algo chamado amor e sobre o filho compensar toda a dor, Tháyma disse algo parecido uma vez sobre Celeste, mas também não faz sentido algum pra mim.
******
– Seiya... – ela o chamou com a voz embargada, mas um enorme sorriso no rosto – Pare de chorar, querido. Venha ver nossa pequena mais de perto – dizia baixinho.
– Eu... Estou tão feliz, Saori – ele dizia rindo e chorando ao mesmo tempo, quando se aproximou para atender ao pedido da esposa, enxugando os olhos com as costas da mão.
Saori estava exausta, um tanto debilitada, e agora que tudo havia finalmente acabado, o sono começava a toma-la. A deusa tinha dificuldade em manter os olhos abertos e até mesmo em prestar muita atenção à filha. Seiya apareceu ao seu lado e beijou suavemente seus lábios, em seguida afastando-se para observar a bebê que murmurava nos braços da mãe. Ela chorava toda vez que alguma enfermeira tentava limpar seu rostinho ou tocar nela, acalmando-se apenas com os afagos de Saori. Seiya ergueu a mão, com um pouco de receio, mas acariciou de leve a cabeça da menina, que silenciou com o contato, parecendo gostar do carinho.
– Ainda nem dá pra ver direito com ela é desse jeito... – ele comentou.
– Não se preocupem – uma das enfermeiras lhe falou – Isso é normal nos primeiros minutos. Depois que ela tomar banho, a circulação do sangue vai melhorar e logo ela estará em sua cor normal e não se importará de abrir os olhinhos – ela disse sorridente.
– Ela tem o seu cabelo, Seiya.
Ele olhou novamente para a filha, constatando que ela tinha cabelos castanhos, exatamente iguais aos seus.
– Saori – Seiya chamou preocupado ao notar que ela quase dormia.
– Não se preocupe – a enfermeira voltou a falar – Esse processo é muito exaustivo, especialmente para o primeiro filho. Tudo correu normalmente. Ela ficará bem.
Aquilo não aliviou muito sua preocupação, mas ficou um pouco mais tranquilo.
– Preciso leva-la de vocês por um tempinho agora.
– Tudo bem – Saori murmurou – Seja boazinha, querida – disse para a bebê, beijando sua testa com cuidado.
A enfermeira recolheu a menina delicadamente, a envolvendo com um lençol. A bebê reclamou ao ser separada de sua mãe e voltou a chorar. Seiya observou quando a enfermeira a levou para um balcão, onde havia uma banheirinha preparada com água morna, onde ela logo começou a banhar a criança. Não encontrou muito para fazer depois, apenas observava com preocupação Saori adormecer. Em alguns minutos, outra enfermeira veio informa-lo que ela estava bem e poderia ser levada ao quarto com o bebê em breve.
– Aqui está ela, papai – a mulher sorridente havia voltado, com Aimi banhada, vestida e uma pulseirinha de identificação presa ao pulso delicado – Quer segurá-la? Vamos ajudar a mamãe a trocar de roupa antes de irmos.
– Claro que sim! – Ele disse baixinho, mas muito feliz.
Recebeu a criança nos braços com todo o cuidado, a ninando e conversando com ela enquanto as enfermeiras acordavam Saori e a ajudavam a trocar de roupa, mesmo que a menina não entendesse uma palavra. Ela tinha a pele branquinha como Saori e finalmente abriu os olhos, mas rapidamente os fechou de novo. Seiya teve a leve impressão de ver um azul bonito brilhando ali, mas não pode ter certeza, o que em nada abalou a enorme felicidade e orgulho que sentia. Depois de tantos anos, tantas lutas e sofrimento, ele tinha aquela que mais amava ao seu lado e ela acabara de lhe dar o presente mais bonito e precioso que já ganhara em toda a sua vida. Sentiu os olhos marejarem novamente e beijou a testa da menina com todo o seu carinho.
– Seiya.
Ele se virou ao ouvir Saori chama-lo, e levou Aimi até ela. Após a bebê ser alimentada durante alguns instantes, as duas acabaram adormecendo e Seiya as acompanhou até um quarto de repouso.
Fale com o autor