Quando a Lu, o Márcio — namorado dela -, e o Gustavo viram eu e a Dai, logo se dirigiram a nossa mesa com um sorriso no rosto de cada um deles.

Conversando mais com o Márcio, descobri que ele é muito legal, e louco também, bem igualzinho a Lú. Ele parece ser uma daquelas pessoas muito fáceis de fazer amizade, depois de um tempo, já estavamos conversando e rindo como se nos conhecemos a muito tempo.

– Desejam alguma coisa. — o garçom interrompeu a minha conversa sobre comidas preferidas com o Márcio.

– Uma pepsi por favor. — pedi.

– Eu quero uma também, obrigado. — agradeceu o Márcio.

Não ouvi o pedido dos outros, mas deve ter sido isso, ou quase isso.

Eu já estava começando a achar o Gustavo muito legal mesmo. Tá certo que ele estava no outro lado da mesa, mas quando eu olhava, ele percebia e olhava para mim novamente, com aqueles olhos pretos penetrantes. Outras vezes estava quieto, tomando seu refrigerante e olhando para algum canto do salão, bem distraido. Pude perceber ele com calma agora. Ele tinha uma aparencia tranquila, apesar do que me falaram sobre ele ser meio agitado. O cabelo loiro escuro caía sobre a testa e se enrolava para fora na nuca. Os olhos são bem pretos com cílios compridos e sombrancelhas expressivas em cima. E apesar de ser demasiadamente magro e alto, era bonito de um jeito estranho.

– O que houve? — o Márcio perguntou ao perceber eu olhando para o lado, mas sem saber realmente o que eu estava olhando. Nós estavamos de frente um para o outro, com as cadeiras viradas.

– Nada, nada não. — dei um gole no refrigerante.

– Bom então... Bá, que hora que a Gi entra? — reclamou — Estou com fome.

– Triste para ti, mas só vamos poder jantar depois que ela cumprimentar a todos, e pelo jeito, vai demorar. — eu não estava muito preocupada com isso, não fico com fome em festas. — Eu quero é a festa mesmo pra ir humilhar ali, ó. — apontei para a frente de onde estava o DJ.

– Pffff... — ele quase cuspiu o refrigerante — deve ser lindo tu dançando. Só sei que vai ter que puxar esse vestido vergonhoso para baixo o tempo todo. — claro, claro... vergonhoso.

– Ela tá linda, ô animal. — a Luana se meteu e logo voltou a cabeça para onde estava antes. Ela passou o tempo todo conversando com a Dai.

– Desculpa, amorzinho. — se fez, como quem tá com medo.

– Viu, escuta ela, ô animal. — imitei o tom de voz dela. Rimos.

Do nada começou a tocar uma musica meio lenta, não reconheçi quem era. As luzes se apagaram e somente as luzes especiais apontavam para a entrada. Todos nós largamos os copos, as bolsas, celulares e outros objetos diversos em cima da mesa, e só as pessoas da minha mesa sairam correndo, e eu também. Queriamos chegar o mais na frente possivel. O grande inconveniente foi que eu tropeçei e quase cai, por sorte tinha uma pessoa na minha frente, na qual eu me pendurei no seu ombro esquerdo.

- Ma-mas o que é isso? — ele falou. Não vi quem era por que eu estava com a cabeça abaixada arrumando o vestido que quase subiu até a barriga. Que vergonha.

- Gustavo!? — levantei a cabeça e vi quem era. Pareci uma retardada perguntando assim.

- Sim... — ele me olhou como se eu fosse louca, com os olhos meio fechados. — sou eu sim. O que aconteceu?

- Ah, me desculpa. — fiquei tão retardada que esqueci de pedir — É que meu salto prendeu no 'coiso' — vulgo pano — da mesa. — ele vai até o chão, é um parto para sentar.

- Ããã, ta bom então. — sorriu e se virou para continuar a andar até onde poderia ver a pista.

Dei um jeito de me enfiar no meio das pessoas até chegar aos meus amigos. A Gi já estava entrando e passando pelo arco de rosas da frente da porta. Ela estava linda, seu vestido branco combinava bem com a decoração azul claro. Ele era cravejado de pequenas lantejoulas que conforme eu olhava, mudavam de cor. Tinha uma trança embutida no cabelo, desde cima da orelha esquerda até o ombro direito, com umas pedrinhas. Uma maquiagem meio azulada, com branca e o sapato eu não vi, o vestido de um ombro só era bem longo.

Logo depois da sua entrada triunfal, apagando velas e pegando flores, apareceu o pai dela para a valsa. Ela deu as flores para alguém que não vi quem foi e começou a dançar.

Depois de um tempinho eu sinto alguém alto atraz de mim. Olhei e vi um garoto da minha escola, mas não sabia o nome dele. Fui um pouco para frente pra desencostar da figura, que ja tava ficando alegrinho — se é que me entende. Um pouco do lado só vi a Lu, o Marcio e a Dai rindo, e o Gstavo com a cara amarrada em um canto. Olhei para traz novamente e o garoto se aproximou — novamente. Não que ele não fosse bonito nem nada, ele era lindo, demais, mas é só pra não darem risadinha, que senão eu também dou risada.