Gabrielle

1 Depois das férias de inverno.


Hoje eu acordei, com meu despertador tocando no meu ouvido. Desde o início das férias de inverno eu não o escutava. Antes eu adorava a música que tocava ao me acordar, hoje eu traumatizei.

Com muita dificuldade eu consegui levantar, afinal, eram recém 6:00 da manha. Tomei um banho demorado, sequei e penteei os cabelos, me maquiei e desci as escadas para tomar café, que a proposito não estava na mesa. Sobre ela havia um bilhete:

Filha, eu e seu pai tivemos que sair para um atendimento de urgência, vá a escola de ônibus.

Mamãe

Meus pais são médicos, por isso algumas vezes eles saem correndo de casa e nem avisam. Isso antes me incomodava, mas agora nem ligo mais, ja costumei.

Abri a geladeira, que por sinal estava quase vazia. No fundo havia uma nega maluca que devia estar lá a uns três dias, mas quem se importa? Eu não. Comi tranquilamente, escovei meus dentes, pequei a mochila e fui ao ponto de ônibus. Em mais ou menos 15 minutos eu chegei na escola.

Passei o grande portão branco da entrada e quase que eu morro do coração. A Luana — minha melhor amiga — chegou gritando e pulou em cima de mim. As vezes (sempre) ela é meio (muito) exagerada.

- Saai... de cima... de mim! — falei, ja faltando a ar.

- Eu to com tanta saudade! — foi saindo de cima de mim.

- Aiii! — gemi — Tu poderia ser um pouco mais delicada, não é? — ela riu — mas e ai? Tem alguma novidade?

- Comprei um cavalo! — ela disse, toda animada. Eu estranhei, tipo, um CAVALO, mas comecei rir.

- Onde ta a graça? Eu não intendi.

- Eu só to imaginando tu te esborrachando no chão quando tentar montar. Hahahaha — ri alto — e onde tu vai deixar esse bicho? Tu mora numa casa que mal tem lugar pra por um tijolo no pátio. — tijolo? Eu me estranhei com essa.

- Na sua casa!

Eu imaginei que ela dissesse isso, mas mesmo assim me fiz de espantada. Ta certo que eu tenho um outro la em casa, mas só tenho lugar pra um.

- Mas não dá!

— Porque?

Eu expliqui os motivos e ficamos nessa discussãozinha até o sinal bater. Por fim eu deixei ela por o seu cavalo la em casa, que a propósito o nome dele é Clementino. Nome mais estranho para um cavalo, mas eu a conheço, então, nem tem o que reclamar.

O sinal tocou e entramos na sala. Sentei no mesmo lugar que era meu a duas semanas atráz, do lado da janela. A primeira aula de hoje era portugues, detesto português, ainda mais no primeiro ano, que se torna mais dificil. A professora Cláudia, cujo o apelido é bruxa — e literalmente ela é uma — entrou na sala. O que me chamou a atenção era suas roupas, parecia que ia a um velório, toda de preto.

- Bom dia classe. — apenas os nerds, qua a amavam, responderam. É sempre assim.

A brux... quer dizer, professora, começou a fazer a chamada, como sempre. Só que desta vez tinham mais duas pessoas novas: Diego e Deise Rossetti. Olhei de onde veio as vozes. A Dayse tinha cabelos loiros escuros e olhos azuis, e Diego, olhos e cabelos castanhos. Nada a ver um com o outro, mas talvez sejam aqueles tipos de gêmeos diferentes que eu esqueci como se fala. Deise acenou para mim, parecia bem simpatica, dei um pequeno aceno também, e Diego apenas olhos com um sorriso de canto. O resto da aula se passou tranquilamente, até que deu o sinal para o intervalo.

Notas finais
reviews?