Gabriele e Tomas
5 Capítulo 5
Era por volta das 22:00 quando eles se encontraram na frente da casa dela. Gabriele resolveu que baixaria a guarda, apenas naquele momento. Queria saber no que a conversa iria dar.
— Oi Tomas.
— Oi.
— O que você queria falar?
— Queria te dizer que sou inocente.
— Não compreendo.
— Vou propor um acordo. Primeiro você me deixa dizer tudo o que tenho a dizer, sem me interromper em momento nenhum, ok? Depois disso você pode me bater, xingar e se não quiser nunca mais falar comigo eu irei entender.
— Não sei do que se trata, como posso aceitar um acordo?
— Simples Gabi, confie em mim.
— Você quer confiança? Sério isso? Como poderei saber se você não irá mentir?
— Você não saberá. Tudo o que tenho a oferecer para você são minhas palavras, e você costumava confiar nelas.
— É, e olha como estou não é?
— Por favor!- ele parecia suplicar. Ela olhou bem em seus olhos, tentando não ficar muito mexida mas certas expressões dele a deixavam entregue. Suspirando, ela respondeu:
— Vou confiar em suas palavras, e desconfiar ao mesmo tempo. Você pode falar, mas que não demore pois amanhã tenho um dia cheio e a noite ainda tem o reencontro.
— Tudo bem. -respirando fundo, ele começou- No dia em que você decidiu que iria embora para Londres, no dia que te humilharam na festa, eu te procurei por todos os lados. Quando estava indo ao seu encontro a Sandra me puxou e disse que precisava falar comigo. Não pensei que ela estava tramando aquilo, então ela começou a me elogiar, dizer que queria que eu fosse o acompanhante dela. Mas eu disse que estava procurando por você e que tinha namorada, que amava você, e ela insistia e me segurava. Então eu disse que não tinha interesse nela, que ela era asquerosa como pessoa, do tipo que não mede esforços para pisar em alguém. Que você era a melhor pessoa com que eu poderia estar. Dito isso eu sai andando mas ela me interrompeu, me puxou e me beijou. Talvez você não tenha visto isso, mas fui eu que empurrei ela e quando olhei pro lado você estava lá, perplexa, me encarando e chorando. Eu não sabia o por que... Achei que era pelo beijo, mas quando você virou vi sua roupa suja, e todos apontando eu entendi. Quando você correu eu te segui, eu quis explicar mas você foi embora sem me dar nenhuma chance. Pela manhã fui na sua casa, quando cheguei lá você já estava decidida e não queria ver ninguém Gabi, você não quis me ouvir.
— Nossa! Uau! Então a culpa é minha?
— Não disse isso, você não ouviu nada do que eu falei?
— Ouvi, ouvi toda bobagem que você disse. Olha Tomas, eu fiquei te esperando. O meu coração estava aberto para você...
— O meu também estava, sempre esteve e ainda está...
— Não, não, não se atreva a dizer isso para mim Tomas!
A voz dela engasgava e ela estava perdendo o controle que lutou tanto para conseguir.
— Aquele beijo parecia bem recíproco para mim ...
— Eu sei o que realmente parece Gabi. Eu sei sim, sei que....
— Não, você não sabe!
— Eu amo você!
— Não se atreva!
Gabriele deixou suas lágrimas rolarem enfim, seu coração partido estava em pedaços. E agora nada mais importava. Ela havia perdido o controle da situação.
— Não me atrever? A dizer o que sinto por você? Eu amo você e gostaria de gritar isso ao mundo!
E Tomas realmente queria fazer isso. Ele queria ter novamente aquela garota pra ele, queria seu sorriso de volta, as brincadeiras, os abraços. Queria a sua Gabriele.
— Não Tomas. Você não sabe de nada.... nem imagina o que seja o amor! Seu coração não permite esse tipo de sentimento, nem imagina como me senti. Nem imagina como me sinto.....Jamais saberá o que eu passei ou...
— Imagine então a seguinte situação: você não poder se explicar para a garota que você ama, e não ter crédito quando você enfim consegue.
— Você acha que merece? Eu quero bater em você, quero machucar você como você me machucou, quero...
— Então bate...
— O que?
— Vamos Gabriele, bate!
— Enlouqueceu de uma vez por todas?
— Não, quero que me bata amor.
— NÃO SE ATREVA A ME CHAMAR ASSIM!
— Por que? Você vai me bater amor?
— Não Tomas!
— EU AMO VOCÊ GABRIELE!- ele havia gritado. Não de raiva, mas sim de desespero, de dor. Queria que ela enxergasse isso. Queria que ela notasse de uma vez por todas.
Então ela desistiu de se conter e bateu nele. Bateu no ombro, bateu no peito e enquanto batia chorava. Ela não aguentava aquilo, era demais pra ela. Estava exausta do dia e agora ele vinha dizer que a amava, como ele pode fazer isso com ela?
— Eu amo você Tommy. E não aguento mais, estou tão ferida... Tão cheia de rancor que não consigo sorrir. Tudo em mim é fingimento, mas não consigo acreditar no que você disse....eu queria, eu queria mesmo....
Entre soluços Gabriele explicava a Tomas que estava magoada demais para estar com ele.
— Me dê uma chance. Eu ouvi você lá na minha casa, não foi? Deixei que você se explicasse.
— Você me deve todas as chances do mundo. Você deveria passar a vida se redimindo.
— Ei, Gabi.... minha Gabi. Eu amo você.
Ela se permitiu sorrir entre as lágrimas e ele acariciou seu rosto. A sensação de poder tocá-la novamente era gratificante. Passou a mão por sua bochecha, segurou delicadamente em seu queixo e a beijou. Céus, como era bom sentir seus lábios doces e macios novamente nos seus. Gabriele enlaçou seu pescoço e ele aproveitou para passar a mão envolta de sua cintura. Finalmente haviam desabafado, haviam confessado o que a tanto tempo estava entalado. E o momento que se seguira fora maravilhoso.
Quando amanheceu Gabriele era a pessoa mais alegre que se podia encontrar. Tomou banho e pediu para a mãe ir com ela a clínica por que já estava tudo pronto, a inauguração seria a tarde. Pedro estaria lá com a noiva dele e ela queria que os pais estivessem lá também, mas ela lembrou de que não havia contado a Tomas sobre a inauguração, e então resolveu dar uma passada na casa dele.
Chegando lá ela se depara com Sandra a porta, mas não deixa que isso a abale. Continua andando até que Tomas abre a porta, Sandra o abraça e ele a empurra:
—Acho que vou precisar de uma medida judicial contra você para que respeite meu espaço não é sua louca? — disse Tomas
— Não me trate assim Tommyzinho. -disse Sandra
— O que esta havendo aqui? — Disse Gabriele
— Nada meu bem, estamos apenas conversando. Vim confirmar o encontro esta noite e dizer que você, Gabriele, vai discursar. — disse Sandra
— Eu? por que eu? Pretende me humilhar novamente? -disse Gabriele
—Aquilo foi uma brincadeirinha boba, não leve a mau querida. -Disse Sandra com deboche
— Chega, vem amor, você queria falar comigo? Me ver? — disse Tomas sorrindo
E os dois entraram na casa ignorando a presença da garota.
Ela o convidou e ele foi à inauguração da clinica. Naquele mesmo dia, foram juntos para a festa de reencontro. Eles enfim estavam felizes como nunca, e o passado havia ficado no passado.
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