GOD: O Jogo dos Sonhos - Diário de Letícia
4 Dia 2 - Manhã
Dia 2 / manhã
Eu definitivamente estou arrependida de ter entrado nesse jogo... Acredito que esta tenha sido a pior noite de toda a minha vida. Eu estou novamente trancada sozinha no quarto, mas ninguém acordou ainda para me ver chorando. O jogo de hoje foi apenas o segundo, e já conseguiu ser o pior pesadelo da minha vida.
O sonho começou, e eu estava sozinha em uma sala de uma casa antiga, toda feita de madeira. A sala era estranha, pois era totalmente fechada, sem janelas nem portas, e sem nenhuma mobília além de oito espelhos (dois em cada parede) e uma vela que estava acesa em um prato, no chão. Eu peguei a vela, e reparei que ela possuía três linhas pretas, que logo reparei que estavam marcando o tempo que eu tinha. A primeira linha derreteu logo assim que eu olhei para ela. Eu estranhei o fato de estar sozinha, e não conseguia entender o que eu deveria fazer. Então me aproximei de um dos espelhos, e observei que ele refletia uma sala totalmente diferente da qual eu estava. Olhei para trás, assustada, e a sala continuava a mesma, mas o espelho a refletia de uma forma diferente. Olhei todos os espelhos, e cada um mostrava uma sala diferente, com mobílias diferentes e estilos diferentes. Eu não sabia o que fazer, enquanto ficava correndo de um lado da sala para o outro, até que tropecei e caí em cima de um dos espelhos. Ele se partiu como se fosse feito de areia, e não chegou a me machucar. Observei e eu estava na sala que o espelho havia refletido. Olhei para trás e havia apenas uma parede lá, então segui para uma porta que tinha na sala, que me levou para um corredor com mais algumas portas. Eu abri a primeira porta que vi, e lá estava Lucas, tocando em um espelho. Fui pedir ajuda a ele, mas ele simplesmente sumiu, enquanto o espelho que tocou se rachava e caía no chão aos poucos. Eu fechei a porta e abri a seguinte, que possuía outro espelho. Olhei para ele e vi a sala na qual eu comecei o sonho, porém, com três dos espelhos quebrados. Eu me afastei, não queria voltar para aquele lugar. Abri a porta seguinte, e o espelho desta já havia se partido. Então fui para a última porta do corredor, e lá estava um espelho que refletia uma sala onde Ana estava. Eu tentei chamar Ana, mas ela não me ouviu, então toquei no espelho e entrei no local onde ela estava. Era um quarto infantil, que possuía uma cama e alguns brinquedos velhos. Ana gritou ao me ver lá, mas se acalmou, e disse que era melhor andar rápido, apontando para uma parede que possuía dois espelhos. Foi neste momento que percebi qual era o desafio. Se todos os espelhos de uma das salas se quebrassem, não haveria como entrar nem sair dela. Ana também havia decifrado o desafio, e disse que ia avisar aos outros que ela encontrasse. Então ela tocou em um espelho que refletia um corredor, e eu toquei no outro, que refletia a sala na qual comecei o jogo.
Na sala havia apenas mais três espelhos. Eu fui andando até o outro lado, quando Manuela entrou por um deles. Eu avisei para ela que teríamos que sair de lá antes que alguém chegasse, e ela disse que Ana disse isso antes de terem de se separar. Então eu corri para um dos espelhos, e Manuela para o outro. Nem olhei para onde estava indo, apenas empurrei o espelho, querendo entender onde eu estava, e parei em uma sala gigante. Lucas entrou na sala no mesmo momento que eu, por um espelho que estava do meu lado, e me disse que aquele seria o fim de jogo para um de nós dois. Eu me assustei, e perguntei o porquê, e ele apontou para a parede do outro lado, que possuía apenas um espelho inteiro. Eu entrei em choque nesse momento, mas me controlei, para não chorar na frente do Lucas... Eu sabia que nada de bom poderia acontecer lá. Lucas segurou minha mão, e eu disse que teríamos que decidir rápido quem iria passar, mas ele disse que já havia tomado a decisão, então me empurrou no chão, e correu para o outro lado da sala, dizendo algo que nunca vou esquecer: “bons sonhos, Letícia”. Ele socou o espelho, e sumiu. Eu comecei a gritar e chorar, entrando em desespero, enquanto via minha vela derretendo mais rápido do que o normal, chegando na última marca e apagando. Eu dei um grande suspiro antes de dar outro grito no escuro perfeito da sala, e abri os olhos percebendo que eu estava viva, e acordada.
Continuei chorando, olhei no relógio e vi que tinha passado apenas quinze minutos no sonho. Eu estava sozinha no quarto, então fui para a sala, e vi que todos ainda estavam no jogo. Descobri nesse momento que o objetivo do jogo era se trancar em uma das salas, e não escapar delas. Mas o que mais me perturbou foi a forma como Lucas reagiu... Digo, todos querem lutar por suas vidas, mas ele sorriu ao me ver jogada no chão, presa na sala para o que ele achou que seria a eternidade.
Na sala estão Marcus, Pedro, Manuela e Lucas. Eu senti um ódio que nunca havia sentido antes quando vi Lucas jogado no chão da sala, e dei um chute na cara dele. Só espero que ele tenha sentido isso no sonho dele. Eu me sinto mal por estar escrevendo isso, mas espero que ele não acorde.
Até mais tarde...
Fale com o autor