GOD: O Jogo dos Sonhos - Diário de Letícia
2 Dia 1 - Manhã
Dia 1 / Manhã
Eu tenho muita coisa para escrever! Não acredito que o jogo realmente funcionou, e agora estou extremamente arrependida de ter entrado nele... Todos estão acordados, e estão falando sobre alguma coisa na sala. Não são nem 7:00 horas da manhã, mas todos acordamos por conta do jogo... Eu me tranquei sozinha aqui no quarto para que ninguém me visse chorando, só iam arranjar mais motivos para me chamar de criança.
Eu preciso escrever o meu “sonho”, então vou contar exatamente o que aconteceu. Eu deitei na cama e dormi. Senti que tinha dormido por um milênio, quando abri os olhos e estava me sentindo mais acordada do que nunca. Mas eu me assustei quando vi a grama em baixo de mim. Me sentei no chão, confusa, e observei ao meu redor, vendo que todos do jogo estavam lá. Era um campo verde, com uma grama estranhamente confortável, e várias flores de papel fincadas na terra. Olhei para cima ainda meio assustada e observei que o céu estava com um tom de cor muito incomum, praticamente roxo, mas claro como o dia. Haviam algumas nuvens no céu, todas com formas definidas, como um cachorro, uma casa ou um dragão. Eu levantei, admitindo para mim mesma que ainda estava sonhando, então fui tentar ir até Marcus, mas alguma coisa impediu que eu saísse do lugar, quando eu reparei que todos nós estávamos formando um círculo, na mesma formação de ontem à noite...
Tentei gritar, mas parecia que eles não me ouviam. Eu fiquei com medo, mas disse a mim mesma que era apenas um pesadelo que parecia muito real. Então uma sombra se formou no centro do círculo, e uma voz alta que parecia sair de todos os cantos, e que não consegui definir se era grave ou aguda, nem nada parecido, disse para nos levantarmos. Eu levantei, e então percebi que poderia não ser um sonho. A sombra começou a tomar forma, mas diferente das nuvens que foram facilmente reconhecidas, ela não possuía nenhuma forma reconhecível, e nem se podia dizer que era uma sombra deformada... Era algo totalmente fora da minha capacidade de explicar... Então a forma disse que era o “deus dos sonhos e dos desejos”, e disse que nós o invocamos. Ele disse para prestarmos muita atenção, pois iria dizer as regras do jogo... Bem, vou escrever o que entendi das regras então:
1) Todos os participantes irão se encontrar no mundo dos sonhos entre 3:00 e 6:00 horas da manhã. Durante este horário, os jogadores estarão em um estado de “coma”, do qual não se pode acordar até se realizar o objetivo do dia.
2) Durante o período de três horas, os jogadores estarão em algum lugar no “mundo dos sonhos”, e deverão cumprir um desafio que será dado. Caso esse desafio seja cumprido, o jogador acordará instantaneamente. Caso o desafio não seja cumprido até as 6:00 horas da manhã, o jogador ficará preso no local do jogo, e entrará em um estado de coma terminal.
3) Apenas um jogador poderá chegar ao prêmio final de ter seu maior desejo realizado. Este desejo não será aquele que o jogador escolher, e sim o que ele inconscientemente mais valoriza. Todos os jogadores que não vencerem, entrarão em coma terminal.
4) O jogo será dividido em dois períodos. No primeiro período, que irá durar sete dias, os jogadores estarão juntos, procurando uma forma de se cumprir o objetivo. Todos os jogadores podem se ajudar, embora cada um deva cumprir seu desafio individualmente. No segundo período, os jogadores devem competir entre si para completar os objetivos, pois o último jogador a cumpri-los não acordará, mesmo que ainda possua tempo.
Após falar todas as regras, a sombra apontou para o céu, enquanto as nuvens formavam um tipo de cronômetro, que marcava três horas. A sombra disse que nosso objetivo de hoje era encontrar uma chave dourada, escondida nas flores de papel. Então ela desapareceu, e o cronômetro no céu começou a fazer contagem regressiva.
Eu saí correndo para abraçar Marcus, e ele me pediu desculpas por me trazer para este jogo. Ele me abraçou muito forte, e me fez perceber que não voltaríamos juntos para casa. Eu estava paralisada, quase chorando, quando ele me disse para corrermos, pois ainda podíamos acordar. Lucas gritou para Marcus agir rápido, enquanto segurava a mão de Manuela. Ana estava parecendo estranhamente feliz, o que me deu um pouco de medo. Ela foi a primeira a começar a procurar uma chave, puxando uma das flores de papel do gramado. Logo que ela puxou, a flor começou a queimar, e Ana a jogou no chão, com um grito. Então começamos a procurar pelas chaves nas flores.
A cada flor que tirávamos do gramado, mais fogo aparecia no chão. Em menos de 10 minutos, o campo estava em chamas, mas ainda tínhamos muito o que procurar... Até que Marcus me chamou, mostrando uma flor que se tornou dourada na mão dele, com o formato de uma chave. Ele disse “pegue para você”, mas antes que pudesse me entregar, ele simplesmente sumiu... Pedro gritou para mim, dizendo que ele havia acordado, pois concluiu o objetivo.
Logo após isso, comecei a entrar em desespero. Olhei para o relógio e já havia passado uma hora do tempo que eu tinha. Em desespero, nem me preocupei em falar com os outros, pois só queria acordar.
Quando parei para observar novamente algo que não fossem as flores, reparei que apenas Pedro, Amanda e eu ainda estávamos lá, e restava apenas uma hora para sairmos. Eu falei para eles se apressarem, quando reparei que grande parte do campo estava em um gigantesco incêndio. Eu podia sentir o calor, mas não chegava a incomodar, era como se o fogo não pudesse me queimar. Era quase impossível se achar uma flor no meio de tanta fumaça e cinzas... Então Amanda gritou, me chamando. Corri até ela, e ela apontou para uma flor, e disse que eu deveria tentar sair dali logo. Eu agradeci a ela, enquanto Pedro a encarava com um leve sorriso. Puxei a flor, e a vi se tornando dourada na minha mão, enquanto eu dava um grande suspiro e via Amanda dizendo tchau. Logo comecei a me incomodar com o calor do fogo, e senti como se minha pele estivesse fritando, então dei um grito muito alto, abrindo os olhos dentro do quarto, ao lado de Marcus.
Eu comecei a chorar dizendo que tive um pesadelo muito real, e Marcus me interrompeu, dizendo que não foi um pesadelo. Ele disse que tudo foi real, e que Ana, Lucas e Manuela também viram as mesmas coisas acontecendo. Marcus foi pegar um copo de água para mim, e eu pedi para ele ficar comigo. Alguns minutos depois, Pedro acordou, e saiu correndo para o quarto de Amanda. Ele parecia muito desesperado, mas em pouco tempo, Amanda também se levantou, e todos foram para a sala. Eu acho que sou a única que não está lá, mas todos sabem que eu já acordei. Acho que vou me juntar a eles, afinal, todos nós estamos preocupados... Antes de dormir, eu escrevo o que quer que aconteça hoje.
Até mais tarde.
Fale com o autor