G.A.M.E - Operação Deus
3 Capítulo 3 - O Primeiro Dia
Notas iniciais
Capítulo 3 – O Primeiro Dia
Drake acordou em sua cama, assustado e com seus cobertores no chão, ele não havia sonhado com nada, ou ao menos não se lembrava disso, ele não conseguiu notar nada de estranho, e isso o assustou. Seus olhos haviam voltado ao normal. Ele não via mais cubículos em nenhum objeto, nenhuma linha tênue colorida seguia a mosca que insistentemente voava em seu quarto. Seu coração bateu acelerado, ele olhou para as próprias mãos, um tipo de aviso surgiu em sua visão, praticamente flutuante. Nele lia-se:
Bom dia!
Gostaria de ativar o God Eye?
1 – Sim 2 – Não 3 – Lembre-me mais tarde
Quase que automaticamente, Drake “selecionou” a opção Sim, ele respirou aliviado quando viu que os cubículos surgiram sobre cada objeto, e uma tênue linha azul surgiu na frente da mosca, sinalizando onde a mosca iria passar, e uma linha verde tênue da mesma maneira atrás dela, indicando por onde ela já havia passado. Drake percebeu o suspiro de alívio que havia escapado dele alguns instantes atrás. “Alívio, por que?” ele perguntou à si mesmo, aqueles olhos eram ruins, não eram? Digo, eles não tornavam ele uma aberração?
– Drake, se arrume, você tem aula hoje. – Disse sua mãe por trás da porta, batendo nela com uma pitada de irritação. – O café está na mesa, melhor descer logo.
Drake foi até seu armário, ele vestiu-se com uma calça jeans preta e justa, uma blusa vermelha de uma banda de rock que não conhecia, porém havia ganhado de presente, e roupas não eram exatamente o que ele definia como prioridade. Ele vestiu uma jaqueta de couro sobre a camiseta vermelha e calçou um Vans preto de cano baixo em seus pés, sem meias. Ele desceu as escadas praticamente pulando, fitando as linhas coloridas que indicavam o que sua mãe já havia feito e o que ainda ia fazer. Ele viu que ela iria colocar a tigela em sua mesa, e logo após, da tigela, viu que pelo descaso da mãe, ela iria cair. Quando a mãe finalmente colocou a tigela alguns instantes depois, Drake segurou a tigela, impedindo-a de cair no chão.
– Ah, desculpe – Disse sua mãe, percebendo o desastre que teria ocorrido por seu descaso. Mas sua expressão mudou novamente em seguida. – Bem, coma logo!
Drake sentou e comeu em silêncio, ele apenas olhava para cada objeto, fitando seus cubículos, tentado a selecioná-los, “mas e se isso consumir energia, se eu acabar ficando cego?” prestando tanta atenção nos objetos da casa, nem percebeu quando sua colher ficou vazia, assim como a tigela, que havia comido quase sem perceber. Seus pensamentos foram interrompidos por uma voz fina atrás dele.
– Bom dia, Drake – Disse Alaska, sua irmã, atrás dele. – Já comeu?
Drake olhou para o próprio prato, em seguida se levantou e abraçou sua irmã.
– Sim, já comi, maninha – Disse ele, sorrindo, soltando sua irmã. – E já vou indo pra escola também.
Drake se despediu de sua mãe e irmã, seu pai já havia saído, ele sabia disso pelo fato do carro do pai, um Renout Fluence, não estar mais na garagem. Também na larga garagem, havia uma bicicleta branca e preta encostada, ao lado de outra menos roxa e rosa. Drake subiu na bicicleta branca e preta e pedalou até sua escola.
...
Jinn observou enquanto o garoto saía de bicicleta de sua casa, vestido em roupas comuns, até mesmo leves para o frio que fazia, ele saiu de trás do poste em que estava. Jinn era um garoto alto, talvez mais alto que o garoto que havia acabado de sair de bicicleta. Ele tinha cabelos loiros arrepiados e pele meio morena, seus olhos eram castanhos e fitavam o garoto que se afastava com dureza, ele vestia um sobretudo preto com vários zíperes metálicos, por baixo de seu sobretudo, haviam apenas mais roupas negras com zíperes e fivelas metálicas. Ele tinha um colar prateado de cruz em seu pescoço. Ele era forte para a sua idade, o porte físico de um atleta.
– Ele já foi, Jinn? – Perguntou Francesca de trás do poste, olhando para Jinn ansiosa.
– Já disse pra não me chamar de Jinn – Começou Jinn, olhando para ela com raiva. – É Daemon Darker Reapper!
– Sim, sim, eu sei.
Francesca saiu de trás do poste, ela usava um vestido longo preto com babados brancos e lacinhos vermelhos. Sua pele era clara e seus cabelos loiros haviam sido descoloridos até chegar ao branco. Ela usava lentes vermelhas nos olhos e era mais baixa e magra que Jinn. Em seus pés haviam sapatilhas negras com meias altas da mesma cor, quase combinando com os coturnos com zíperes de Jinn. Francesca colocou sua mão direita em um “V” na frente do olho, deixando a outra pra frente e declarou:
– Demone Winter Reapper! A dominadora da escuridão!
Jinn olhou para ela animado. Uma espada em suas costas era decorada com runas e símbolos, e parecia não pesar nada apesar de ter quase o tamanho de Jinn. Eles correram atrás do garoto na bicicleta, seguindo-o até a cidade.
...
Drake entrou em sua sala, o que quase o fez ter uma crise epilética, com tantas pessoas se movendo, conversando, gritando e andando pela sala, linhas coloridas ficavam confusas e emaranhadas, ele começou à se sentir confuso e enjoado, um aviso apareceu em sua visão, nele lia-se:
Bem-vindo à aula!
Gostaria de desativar a previsão do God Eye?
1 – Sim 2 – Não
Drake novamente selecionou que sim com sua mente, as linhas desapareceram, porém sua visão continuava extremamente detalhada e os cubículos que haviam sobre cada objeto. Ele se acalmou, em seguida se aproximou de sua mesa, só após chegar lá Anne e Arthur notaram sua presença.
– Bom dia, Drake – Disse Arthur, descontraído, apertando sua mão. – Dormiu bem?
– Oi Drake – Disse Anne, abraçando-o.
Arthur usava um casaco de capuz cinza sobre uma blusa onde apenas a gola branca era visível, usava um jeans justo azul-escuro e tinha All Stars nos pés. Seus cabelos cacheados loiros estavam desarrumados e lhe davam um ar relaxado. Sua pele meio bronzeada não combinava com o clima frio da cidade. Ele sorria de maneira contagiante para Drake, seus dentes eram tão brancos quanto sua blusa.
Anne por sua vez usava um suéter preto com estampa de alguns flocos de neve. Uma calça justa roxa e coturnos pretos em seus pés. Seus cabelos verdes estavam escondidos debaixo de uma touca cinza. Ela tinha uma pele mais clara que a de Drake, e seus cabelos passavam um pouco de seus ombros. Ela olhou para o cabelo de Drake, raspado nas laterais e em cima longo até o queixo, todo para a esquerda meio repicado e pontudo. Negro com umas mexas desbotadas vermelhas.
– Eu dormi bem – Começou Drake – E tem uma coisa que preciso contar pra vocês...
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