Gênesis Indefinido
1 A origem
Notas iniciais
Ellie despertou de um sonho, ou de um pesadelo, ainda não sabia definir ao certo. O melhor que já tivera em anos, e o pior que já tivera em dias. Estava assustada, suas mãos suavam e seu rosto estava quente. Era como se não vivesse mais no mundo real, e não soubesse respirar. Tinha dificuldade para inspirar e expirar o ar, e por alguns segundos permaneceu sentada na cama, olhando para um ponto qualquer do quarto. Quando por fim conseguiu se recuperar teve a mente ocupada por lembranças do sonho. Flashes de luz preenchiam seus olhos e ela os fechou. Se lembrou do grande carrossel colorido, das luzes que piscavam sem parar, e dos sons de pessoas rindo. Sentiu o sabor da pipoca doce, e lembrou do sorriso na face de todos. Se sentiam felizes, mas por algum motivo, Ellie se sentia aflita. Temia estar ali, e tinha medo de toda aquela alegria. Por um momento desejou sumir, e seu desejo foi atendido.
Surgiu então, diante da garota, um pequeno quarto. As paredes eram brancas e não havia janelas e nem portas. Havia um pedaço de papel sobre uma mesa. Ellie se lembra de ter caminhado, mas não sabe explicar a velocidade com que suas pernas se moviam. Tudo estava em câmera lenta, e Ellie se sentiu aflita novamente. Desejou chegar até a mesa o mais depressa, mas dessa vez o efeito do pedido não foi o esperado. A distância entre a mesa e a garota aumentou consideravelmente, uma caminhada de horas talvez a fizesse chegar a seu destino. Então Ellie desejou sumir mais uma vez. Mas não se esqueceu do pedaço de papel sobre a mesa, e quis, desesperadamente, saber o que ali havia.
Estava agora em um cenário completamente diferente. Um luau em uma praia qualquer. Se lembrou de odiar as pessoas que ali estavam, a música que tocava, a comida e a bebida que eram servidas e até mesmo das flores e adornos que decoravam o local. Um homem vindo em sua direção a fez esquecer o local, as pessoas e tudo o mais por uma fração de segundos. Ela o conhecia, porém, não sabia ao certo de onde, e algo nele a deixava sem ar, como acontecera quando despertou do sonho. Fechou os olhos, mas ao abri-los não estava mais na praia, queria voltar, queria desesperadamente voltar e ver o homem outra vez. Piscou várias vezes, mas nada mudava, tudo continuava escuro.
Não conseguia se mover, e por um momento se viu embaixo da terra, enterrada, e deitada em um confortável caixão. Sentiu medo, muito medo. E mais uma vez desejou desaparecer.
E despertou. Se sentia feliz por estar viva, por não estar em um caixão, não ter o movimento da pernas sob controle, ou sentir um medo absurdo de sorrisos. Mas sentiu falta do homem da praia. Desejava estar com ele, mas não podia retornar ao sonho. E sentiu que algo faltava. Sentiu que não bastava estar feliz por estar viva. Sentiu que algo havia mudado, mas não sabia exatamente o que.
E, ao abrir os olhos novamente, Ellie encontra o que procurava. Respostas.
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