Gênesis
74 Takeminakata.
Notas iniciais
Tsunade apenas balançou a cabeça, depois de procurar os sinais vitais do último corpo estirado no telhado. Tirando a menina, nenhum deles tinha os mínimos sinais vitais. Ela caminhou para Shizune, bem à tempo de ver ela arregalar seus olhos lacrimejantes, enquanto pressionava sua orelha no peito da menina inconsciente.
E então, as lágrimas começaram a correr com mais velocidade pelo seu rosto. Tsunade travou no meio do caminho, sem saber o que dizer naquele exato momento. Ela mordeu os lábios enquanto pensava no que dizer.
—Shizune, eu...sinto mui-
—Está batendo!
—Hmm... O quê?
Ela olhou para o rosto arregalado de Shizune com confusão.
—O coração dela...está batendo de novo.
Tsunade finalmente percebeu que o peito da menina subia e descia de forma lenta e quase imperceptível, mas era um claro sinal de que seu coração voltou a bater, ainda que fracamente. Ela soltou um suspiro de alívio que não sabia que estava mantendo, antes de esboçar um sorriso fraco.
—Fico feliz por isso. Ela é importante para você, não?
Shizune apenas assentiu fracamente, antes de dizer algo que fez Tsunade arregalar os olhos.
—Ela é família.
Shizune passou o minuto seguinte finalmente fechando o ferimento no peito, enquanto usava Youton para infundir uma massa de suas próprias células no peito da menina, para acelerar a regeneração. Uma camada de massa pálida de formou no seu peito, onde antes havia um buraco. Tsunade franziu o cenho, percebendo o que Shizune estava fazendo, e apesar de desaprovar, ela ficou em silêncio. Algum tempo depois, ela parecia estável o suficiente. Infelizmente, ela ainda estava pálida e havia perdido muito sangue. Ainda precisaria de um tratamento mais especializado, antes que pudesse acordar.
Shizune a pegou em seus braços, parecendo preparada para levar ela até o hospital. Enquanto elas se moviam, Shizune travou, enquanto olhava para os corpos estirados no telhado.
—Vamos deixar eles assim? Eles morreram protegendo um companheiro de Konoha...
Tsunade pareceu pensar por um momento, enquanto tentava evitar a visão desconfortável de sangue.
—O que você quer fazer?
—Não suporto deixar eles no frio...se isso faz sentido.
—Eu entendo...espere um pouco.
Tsunade retirou um pergaminho negro da sua bolsa ninja. Era algo criado especificamente para selar cadáveres em missões. Sua expressão sob a máscara era indecifrável, enquanto ela selava cada corpo no pergaminho. Quando ela parou no último corpo, ela ouviu Shizune se engasgando.
—Até você...
Os olhos da sua aluna estavam fixos em um Jounnin. Seu pescoço virado mostrava que ele havia morrido com o pescoço quebrado.
—Você o conhecia?
Shizune assentiu, com uma expressão sombria no rosto. Ebisu.
—Nós éramos companheiros na Academia...apesar de nunca sermos amigos. Mas...ele era conhecido como um covarde que sempre fugia conflitos...quem diria que ele morreria por um companheiro de Konoha...
A postura de Tsunade parecia quase solene, enquanto ela se agachava e pegava o par de óculos escuros rachados ao lado do seu corpo, e o colocava no seu rosto.
—As pessoas mudam.
Os lábios de Shizune estavam cerrados em uma linha dura, enquanto ela cobria seu rosto com sua máscara branca e fria.
—De fato.
Elas desapareceram como borrões. Elas ignoraram o vento cortante em seus corpos, enquanto se moviam em direção ao hospital. Algumas respirações depois, elas chegaram no telhado, e imediatamente, um dos inúmeros esquadrões da ANBU em prontidão no hospital as cercou.
—Quem são vocês?
Ao invés de responder, Tsunade apenas gesticulou uma sequência de sinais secretos com suas mãos, e os membros do esquadrão logo relaxaram suas guardas.
Shizune avançou, e deixou a menina inconsciente nas mãos de um dos ANBUS.
—Por favor, cuide dela.
O mascarado apenas assentiu, antes de ver a dupla desparecerem como fantasmas. Ele logo percebeu um pergaminho negro deixado na beira do telhado. Sua expressão ficou solene.
Shizune se virou para a mulher que corria ao seu lado.
—O que faremos agora, Tsunade-sama?
Sua única resposta foi ver Tsunade parar de correr no meio de um telhado.
—Bem, nós prometemos proteger Konoha, e é o que faremos agora. Infelizmente, não podemos usar a Katsuyu para curar os feridos, isso revelaria nossas identidades. Eles perceberiam que a Tsunade apostando nesse exato momento no País do arroz, é um clone. Nesse caso...
Shizune pareceu entender, enquanto ficava de guarda ao lado de Tsunade. Sua mestra se agachou no telhado, antes de fazer um selo de mão, e colocar a palma da sua mão no telhado. Logo, uma camada de chakra cobriu sua mão.
Sob a sua máscara, seu rosto ficou tenso. O chakra em sua mão lentamente se espalhou, cobrindo todo o edifício em que elas estavam, mas não parou. Continuou se espalhando por toda vila. E logo a consciência de Tsunade começou a ser preenchida por informações de toda matéria que seu chakra entrava em contato. Ela ignorou a sensação avassaladora de chakras estrangeiros que preencheu o limite de sua consciência, e se focou em seus sentidos. Imediatamente, ela se tornou consciente de tudo que acontecia em Konoha. Ela logo se tornou consciente da morte e destruição. Quando sua consciência chegou nos arredores da Floresta da morte, um chakra vicioso e cruel em seus sentidos quase a fez se engasgar.
—Tsunade-sama, você está bem?
Tsunade demorou alguns segundos para se recuperar, antes de empurrar ligeiramente a mão que Shizune estendeu para ela, e se levantar por si mesma.
Shizune não conseguia ver a expressão da sua mestra, mas ela conseguia sentir a raiva em cada um dos seus movimentos.
—O velho Sarutobi...ele...
Shizune logo sentiu a quantidade assustadora de chakra preenchendo os músculos das pernas da sua mestra. Ela saltou com tanta força que a casa aos seus pés desabou completamente. Shizune cerrou os lábios, antes de a seguir com uma expressão preocupada.
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Maito Gai inspirou profundamente, enquanto cruzava os braços diante do rosto. Lentamente, seu cabelo escuro começou a balançar, enquanto uma aura esverdeada o rodeava.
—Keimon...Kai...
A onda de ar que emanava de seu corpo foi o suficiente para fazer seus companheiros jounnins se afastarem de Gai, com seus rostos franzidos em expressões solenes. Era impossível shinobis de Konoha não terem conhecimento sobre aquele Jutsu Proibido. Uma aura verde emanava dos poros de Gai, enquanto sua pele parecia ter sido mergulhada em fogo. Mas a pressão avassaladora que emanava de seu corpo era real demais.
—Seis portões de uma só vez...Gai-san, você...
Antes que o Jounnin veterano sequer terminasse de falar, eles viram um traço brilhante voar pelo ar, antes de Gai desaparecer diante dos seus olhos. Hiruko tinha uma expressão séria, seu sorriso de deboche longe de ser visto, enquanto levantava seus braços.
Ele sentiu seus braços rangerem quando o punho de Gai entrou em contato com eles. Seu corpo pequeno foi arremessado para trás, Hiruko mal pareceu pensar enquanto usava Jinton para surgir nas costas do Jounnin da folha, apenas para acertar nada além do ar.
Os olhos completamente brancos de Gai pareciam antecipar seus movimentos antes que ele sequer pudesse se mover. Mesmo com sua Liberação de velocidade, o máximo que ele poderia fazer era acompanhar a velocidade do Jounnin, enquanto seus braços rachavam toda vez que ele defendia um ataque. A força física dele era milhas superior à sua.
Hiruko viu o cotovelo coberto por uma aura verde surgir em sua direção como um borrão, ele tentou levantar os braços para defender, apenas para perceber que eles foram transformados em carne moída. Uma dor avassaladora atravessou seu peito, enquanto o cotovelo se afundava no seu tórax, quebrando suas costelas e perfurando seus pulmões. Ele cuspiu sangue, enquanto seu corpo deixava um longo rastro no corpo gramado.
Tudo que seu corpo quebrado e ferido podia ver era um céu estrelado, antes da besta verde eclipsar a visão das estrelas. Seus punhos pareciam estar em chamas, enquanto ele socava seu corpo caído.
Asakujaku.
Foi como se o céu noturno pegasse fogo, e uma chuva de chamas caísse na terra. O chão tremeu, enquanto tudo ao redor de Hiruko era incinerado pelas bolas de fogo.
Gai só parou de socar quando sentiu seus músculos se rompendo. Ele cerrou os dentes de dor, antes de pousar pesadamente no chão. A aura verde a seu redor logo desapareceu. Sua respiração estava ofegante, enquanto os músculos de seu corpo pareciam ter sido dilacerados. Os oito portões poderiam ser uma habilidade poderosa, mas os efeitos colaterais tornavam a maioria das pessoas cautelosas sobre seu uso. A única coisa que Gai queria fazer naquele momento era se deitar e dormir, enquanto exaustão preenchia cada canto do seu corpo.
—Isso foi incrível...-Ikki ajeitou seus óculos de forma exagerada, enquanto sua boca mal se fechava – Ele está morto?
Gai ignorou os olhares chocados de seus companheiros, enquanto olhava para a nuvem de chamas no meio do campo. Sua expressão era solene, enquanto ele se lembrava da sensação de socar o corpo do Nukenin. Era como...
Ele mal terminou seu pensamento, enquanto um homem completamente carbonizado emergia da fumaça negra. Rachaduras incandescentes queimavam seu corpo, como se ele estivesse coberto por uma armadura em chamas.
Gai franziu o cenho.
—Como eu suspeitava. No momento que o atingi com o Asakujaku, ele se cobriu com uma armadura de aço.
Sob o olhar atento dos jounnins de Konoha, a armadura em chamas lentamente começou a cair no chão, como lava derretida, mostrando a pele pálida e intocada de Hiruko sob ela.
Ikki franziu o cenho, com uma expressão desamparada em seu rosto.
—Liberação de aço...ele também pode usar essa Kekkei genkai. Ele revestiu seu corpo com uma armadura de aço. Como ele pode ser tão monstruoso...? Ele sequer tem uma fraqueza?
Haru tinha uma expressão sombria. O velho Jounnin parecia pensativo.
—Tem algo profundamente errado. Liberação da Tempestade, Liberação da Velocidade, Liberação da Escuridão, e Liberação do Aço. Ao todo, já são quatro linhagens sanguíneas. Hiruko mal era um chunnin quando desapareceu da Vila. Como é possível ele ter tantas habilidades? Temo que poucos Shinobis sejam capazes de derrotar ele nesse momento.
Hiruko parecia irritado, enquanto sua armadura continuava caindo.
—Eu quase morri, seu desgraçado...se eu não tivesse usado essa habilidade...
A armadura finalmente desapareceu, apenas para revelar que a parte superior da sua roupa havia sido desintegrada completamente, e havia um selo negro no meio do seu peito pálido e magro. O selo lentamente brilhou, enquanto padrões negros se espalhavam pela sua pele.
Gai franziu o cenho, se ele tivesse usado o Sétimo portão, ao invés do Sexto...Hirudora teria sido suficiente para matar ele completamente. Infelizmente, além dos efeitos colaterais do Sétimo portão o tornarem incapaz de sequer andar, o poder destrutivo era demasiado amplo para ser utilizado dentro da aldeia. Era realmente problemático ter sua própria vila como campo de batalha.
Vendo os padrões se espalhando, Gai se lembrou do selo no pescoço de Anko. Aquele selo era... sua expressão ficou grave.
As feridas em seu corpo emitiam um denso vapor, se curando enquanto Hiruko era finalmente coberto de padrões negros.
—Dessa vez, não vou me segurar.
Quando ele desapareceu dessa vez, nem mesmo Gai conseguiu ver ele.
Merda. Gai tentou se mover, apenas para sentir seus músculos travarem do dor. Sua visão foi coberta de sangue, enquanto ele assistia os corpos ensanguentados de Haru e Ikki desabarem no chão. Hiruko começou a caminhar lentamente. Havia algo perturbador na sua voz, um tom quase metálico, enquanto ele falava por detrás da armadura negra.
—Ah, isso mesmo...eu me lembro de você dos livros bingo. A famosa besta verde de Konoha...Um dos melhores jounnins de Elite da Vila. Olhe para você agora, mal conseguindo manter seus olhos abertos. Somente fracassados dependeriam de tal técnica proibida, apesar de ter tantos efeitos colaterais...você conseguiu me ferir, isso é um fato, mas agora mal consegue ficar em pé...Achei que a morte do seu aluno no exame serviria de lição para você. Talento e linhagens poderosas são tudo nesse mundo ninja. Eu costumava ser como você. Um falhado. Sem talento. Tentando me esforçar para alcançar meus talentosos companheiros. Mas...isso nunca aconteceu. Logo me vi à beira da morte, em uma missão para exterminar um simples grupo de bandidos. Você pode imaginar o quão patético eu era? Mas então...Ele apareceu para mim, e estendeu sua nobre mão para um ser inferior como eu. Eu abandonei a minha humanidade, e me curvei a Ele. Seu nobre sangue me permitiu abandonar as limitações da carne, e me tornar algo mais. Mais rápido, mais forte, mais poderoso. Você é como uma pequena vela. Você pode até tentar imitar o calor do sol, mas tudo o que você pode fazer é iluminar fracamente um quarto escuro. E de repente, uma simples brisa passa e...então, só há escuridão. Os céus realmente são injustos...eu diria. –ele estendeu a sua mão coberta do sangue de seus companheiros em sua direção – O que você acha...de se tornar algo mais?
Havia algo sobrenatural na forma como os olhos de Hiruko brilharam em um tom doentiamente vermelho. Era tão tentador quanto um demônio. A expressão de Gai parecia ter sido esculpida em mármore.
—Me recuso. O suor da besta verde de Konoha queima apenas com o verde das folhas da nova geração de Konoha.
Algo sombrio cobriu a expressão de Hiruko. Ele sorriu, e havia algo profundamente distorcido nas bordas.
—É mesmo? Nesse caso...você pode, por favor, morrer?
Sua mão se moveu como um borrão, e logo a grama foi coberta de sangue, enquanto ele segurava um coração latejante na sua mão.
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—Orochimaru, você...
Hiruzen mal conseguiu terminar sua frase, antes do seu corpo desabar pesadamente no chão da floresta da morte. A serpente cujas presas haviam se afundado no pescoço do Sandaime, lentamente retraiu suas presas afiadas da sua pele enrugada, enquanto gotas de veneno pingavam no chão.
Orochimaru se aproximou do corpo estirado no chão, ainda se agarrando a velhos rancores para manter a consciência.
—Que decepcionante, Sensei — Havia um sarcasmo evidente na sua voz fria – Eu vim aqui esperando um combate formidável entre aluno e mestre. Uma história digna de dramas, mas...infelizmente, acho que me empolguei demais. Você ficou velho e fraco. Quão patético...o outrora Deus Shinobi, reduzido à uma pilha de carne envelhecida. As limitações da carne humana realmente são terríveis. Humanos são seres tão...lamentáveis e frágeis.
A única coisa que seus olhos envelhecidos viram antes de se fecharem, foram um par de olhos vermelhos no rosto pálido de seu aluno, e então, só escuridão, enquanto ele mergulhava no nada.
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A máscara fria em se rosto escondia totalmente sua expressão, e seus olhos vermelhos pareciam totalmente inexpressivos. Porém, debaixo da máscara, as linhas no rosto de Tobirama estavam franzidas em uma expressão de seriedade enquanto ele olhava para o homem de máscara laranja, coberto pelas sombras escuras daquela floresta.
Ele era...forte. Suas reservas de chakra e a forma como cada mínimo movimento do seu corpo enviava sinais através dos sentidos de Tobirama, era uma prova daquilo. Mesmo na Era dos Estados Combatentes, uma era tão violenta que era repleta de monstros em cada canto, esse homem seria um deles. Mas o que mais deixou Tobirama sério, era a assinatura de chakra dele. Aquela sensação de fumaça, chamas e cinzas vulcânicas cobrindo uma floresta...não haviam dúvidas. Era a assinatura de chakra de um Uchiha.
Mas quem?
Ele se lembrou da conversa que teve quando Hiruzen o trouxe do limbo, e ele percebeu o desaparecimento do clã Uchiha da Vila. Segundo o seu aluno, apenas dois Uchihas haviam sobrevivido. O menino que era companheiro de time de Naruto, e o executor do massacre, que era um agente duplo de Konoha.
Poderia ser ele traindo Konoha?
Tobirama logo descartou aquela hipótese. Ele achava difícil a possibilidade de traição de um shinobi leal ao ponto de exterminar sua própria família, sem falar que irmãos sanguíneos tendiam a partilhar traços na assinatura de chakra, e aquele homem não tinha qualquer semelhança com Sasuke...então, quem ele era?
Tobirama ajeitou o corpo de Naruto inconsciente no seu ombro esquerdo, antes de falar.
—Você...quem você é?
Ele ouviu o que parecia uma risada condescendente do mascarado.
—Ninguém.
Tobirama franziu o cenho. Ele saiu de seus pensamentos no exato momento que sentiu o mascarado concentrando chakra no seu olho direito, antes do seu corpo desaparecer como um vórtice. No momento seguinte, Tobirama sentiu a assinatura de chakra dele nas suas costas, enquanto a mão dele se esticava para sua coluna.
—Você é meu.
Um vórtice se abriu em seu olho. Tobirama sentiu uma força de sucção assustadora tentando absorver seu corpo, uma Katana deslizou na sua mão direita. Tobirama se virou. Naquele exato instante, o instinto do mascarado apitou. Ele cancelou seu vórtice de sucção, bem à tempo de ver uma lâmina prateada passar onde sua cabeça estava. A katana atravessou sua cabeça como se fosse feita de névoa.
Naquele exato momento os olhos de ambos se encontraram, através das máscaras cobrindo seus rostos. Olhos vermelhos contra olhos vermelhos. Nada além de fios de cabelos os separavam.
Quando os olhos frios de Tobirama viram aquele olho escarlate no meio da máscara laranja, ele conseguiu sentir a obsessão doentia no meio dele. Era o olhar de um homem enlouquecido. O Nidaime sentiu a quantidade sutil de chakra sendo concentrada naquele olho vermelho, e imediatamente baixou seus olhos para o pescoço do mascarado, ao invés do rosto, bem à tempo de evitar o genjutsu prestes a ser lançado.
Madara franziu o cenho. Para conseguir evitar tão facilmente o genjutsu ocular do clã Uchiha, quão habilidoso aquele ANBU era contra o Sharingan? Poderia ser um velho monstro da Era dos Estados Combatentes? Mas como era possível? Todos daquela época já estavam mortos.
Enquanto pensava sobre aquilo, sua mão se estendeu em direção ao peito do ANBU, apenas para seus dedos tocarem nada além do ar, enquanto ele piscava como se não existisse. Os dois se afastaram e passaram a se encarar.
Se antes Madara tinha suspeitas, agora ele tinha certeza absoluta. Já era a terceira vez que ele evitava o kamui. Ninguém conseguia se mover tão rápido com Shunshin, então, só havia uma opção...Hiraishin.
Mas...seu Mangekyo percorreu a floresta escura como se fosse de dia. Não havia uma única kunai marcada ou selo espalhado na floresta. Como aquele homem estava se teleportando? Nem mesmo o Yondaime conseguia usar o Hiraishin sem selos.
Antes que ele percebesse, ele perguntou.
—Como eu suspeitava...Você tem domínio do Hiraishin...o Jutsu do Yondaime...quem é você?
Era impossível ver o rosto de Tobirama sob a máscara branca.
—O jutsu do Yondaime, você diz...? Bem, eu sou ninguém.
Madara estalou a língua.
—Usando minhas próprias palavras contra mim...quão afiado.
Apesar dele aparentar estar descontraído, a tensão nos músculos sob sua capa deixava claro que Madara estava mais atento do que nunca.
Apesar de não ter um doujtsu, Tobirama conseguia sentir a pequena agitação no chakra do mascarado, enquanto ele tentava entender sua habilidade de teletransporte. Infelizmente, isso seria uma tarefa bastante difícil.
Desde a infância, Tobirama sempre foi talentoso, mas comparado aos seus irmãos, ele empalidecia. Ele não nasceu com uma linhagem sanguínea poderosa como Hashirama, ou era talentoso ao ponto de ir na linha da frente aos cinco anos como Itama e Kawarama. Se era esse o caso, então, por que razão, entre todos os quatro filhos de Senju Butsuma, ele era o único ainda naquele mundo?
A verdade é que Tobirama tinha um desejo...não, uma obsessão doentia, por se aperfeiçoar. Desde a primeira vez que ele pegou uma katana e quase foi morto por um menino Uchiha qualquer, esse se tornou seu objetivo de vida. Sempre melhorando. Sempre se aperfeiçoando. Sempre evoluindo. Ele sempre procurava superar seus obstáculos.
Na Era dos Estados Combatentes seu principal obstáculo era o Clã Uchiha, então ele se aperfeiçoou para lidar especificamente com eles. Apesar da sua afinidade com os cinco elementos, ele se tornou um mestre em Suiton apenas para contrariar o Katon deles. Desenvolveu habilidades sensoriais absurdas apenas para notar cada mínima alteração de chakra no sharingan, e prever suas habilidades. Clones das Sombras impossíveis de diferenciar com sharingan, e imunes a ilusões. E a cereja no topo do bolo, desenvolveu o Hiraishin para anular a premonição do Sharingan. Ele logo foi encharcado em um mar de corpos. Inúmeros génios caíram sob sua lâmina. Suas lutas contra Izuna sempre haviam sido equilibradas desde a infância, até o dia que ele despertou o Mangekyo. Depois disso, foi preciso meses de adaptação e desenvolvimento de novos jutsus para finalmente lidar com as habilidades problemáticas dos seus novos olhos. Porém, um simples Hiraishingiri encerrou uma rivalidade que durava longos anos.
Tobirama se sentiu eufórico naquele dia.
Infelizmente, desde a fundação de Konoha, ele estava tão sobrecarregado em gerenciar a Vila para seu irmão, enquanto tentava criar os sistemas organizacionais de Konoha, que mal tinha tempo para alimentar sua obsessão, mas ainda assim conseguiu criar algo como o Edo Tensei.
Quase cinquenta anos. Depois da sua morte física, esse foi o tempo que Tobirama passou flutuando no limbo. Nada além da dor da sua alma dilacerada o acompanhava no abismo, e os únicos momentos que a dor dilacerante diminuía, era quando ele estava pensando. E assim ele o fez. Tobirama pensou.
Inicialmente, ele ficava afundando nos inúmeros erros que cometeu em vida, e como gostaria que certas coisas fossem diferentes. Depois, nas perdas constantes, e então, depois de anos nisso, sua mente se moveu para jutsus. Mas concretamente, criação de jutsus.
Criar jutsus nada mais era do que pensar em certos efeitos, e descobrir o caminho que o chakra deve percorrer nos tenketsus para produzir esses efeitos, e os selos manuais necessários.
O que um homem obcecado como ele alcançaria como um espirito incapaz de dormir, com chakra infinito, pensando em fórmulas de jutsus por anos?
Primeiro, ele pensou em como melhorar cada um dos seus jutsus além do que eram quando em vida. Depois, ele finalmente se concentrou em dominar os elementos que ele nunca teve tempo em meio aos conflitos constantes. Ele chegou a perder a conta de quantos jutsus criou e melhorou. Ele parou depois de passar mil.
O Hiraishin não era diferente. Era um jutsu tão difícil de melhorar, que Tobirama só conseguiu o fazer enquanto treinava Naruto. Tobirama desenvolveu o Hiraishin estudando a Invocação reversa. Assinando um contrato com um animal, o shinobi se tornava capaz de invocar o animal em qualquer lugar através de um selo, e o animal se tornava capaz de fazer o mesmo.
Tobirama substituiu o selo de contrato por um fuuinjutsu diferente. O usuário do Hiraishin basicamente fazia um contrato com o próprio selo, e concentrando chakra nesse selo, o selo invocaria reversamente o shinobi.
Era impossível melhorar a velocidade do Hiraishin, uma vez que o jutsu era instantâneo. Não tem como ser mais rápido que isso. Quando ele ouviu falar do Hiraishin nível dois do Yondaime ele chegou a ficar interessado, apenas para descobrir que era apenas o nome de um movimento, que consistia em se teletransportar para uma kunai jogada no inimigo, assim como o Hiraishingiri que ele havia desenvolvido para matar Izuna. A velocidade era praticamente a mesma. Ele ficou desapontado.
Então...como ele poderia melhorar o Hiraishin? Apenas sua aplicabilidade. Havia três formas de usar Hiraishin, por meio de um selo, por meio de contato físico, e por fim, contato por chakra. Se Tobirama quisesse melhorar, a melhor maneira era se livrar da necessidade de selos e marcações.
O segredo estava no Hiraishin por meio de contato por chakra. Ele poderia se teleportar para qualquer matéria marcada por seu chakra.
Tobirama usou o mesmo princípio da sua técnica sensorial. Ele geralmente espalhava seu chakra tocando no solo, e o usava para rastrear qualquer um em contato com ele. Usando Liberação Yin, ele mudou a propriedade desse chakra para se assimilar à tentáculos pegajosos, da mesma forma que era usado por mestres em genjutsu para invadir o sistema de chakra de alguém, e o perturbar para cair em uma ilusão.
Dessa forma, a primeira coisa que Tobirama fez ao chegar nessa floresta escura, foi espalhar seu chakra em literalmente cada grama no chão e cada folha nas árvores, bem como o próprio mascarado.
Ele poderia se teleportar o quanto quisesse com apenas um pensamento.
Era tão superior que não poderia nem ser mais chamado de Hiraishin. Tobirama nomeou a habilidade de...
Takeminakata.
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