Gênesis

72 Perdas - Juramentos (Três).


Notas iniciais
O que era para ser um capítulo de contexto, se transformou em uma mini-arco de Tsunade. Não estou odiando na verdade, é uma excelente oportunidade de responder muitas das dúvidas sobre a obra. Aproveitem!

As folhas caem

Os ventos sopram

As árvores congelam, e agora a minha vigília começa

Até que a sombra da morte desapareça,

até que a água acabe,

para a sombra com os dentes à mostra,

Sou o observador na escuridão

Sou o fogo que arde contra o frio,

Sou a luz que traz consigo a alvorada que acorda os que dormem.

Sou o escudo que defende a vida

— Senju Asura, o Décimo Terceiro Rei da Floresta.

—Eu preciso...morrer?

Shizune franziu o cenho ao ouvir aquelas palavras, antes de pensar profundamente. Tsunade assentiu.

—Mas concretamente, a Shizune do momento precisa morrer, e só então, renascer. Como uma larva se transformando em uma bela borboleta.

A atenção de Shizune foi atraída pela pilha de documentos que Tsunade jogou na mesa, antes da loira pescar um cigarro de dentro do jaleco, e o acender. Ela ignorou o cheiro de nicotina em seu rosto enquanto lia o título no topo dos documentos.

Saisei Tensei – Renascimento Mitótico”

Ela arqueou a sobrancelha para Tsunade. A Sannin exalou uma densa fumaça, antes de falar.

—Esse é o resultado da minha pesquisa nos últimos dez anos. O método de tratamento para sua doença curiosamente está relacionado com o meu trabalho. Leia atentamente, e pense bem antes de me dar uma resposta.

A jounnin franziu o cenho, antes de assentir. Ela pegou o documento no topo, antes de começar a ler.

Shizune logo percebeu que Tsunade havia feito uma pesquisa bastante extensa sobre as linhagens sanguíneas. Ela parecia quase obcecada enquanto levantava as perguntas no documento.

Linhagens sanguíneas...O que exatamente elas são? Como elas surgiram, e se transmitiram de geração em geração? E, o mais importante, há possibilidade de reproduzir ou induzir linhagens sanguíneas?

Tudo nesse mundo tem uma origem, inclusive todos os fenómenos da natureza. Nós agora sabemos disso, mas nem sempre foi assim. Para os nossos antepassados, fenómenos naturais como a chuva eram reverenciados como a fúria dos deuses, mas para nós, é nada mais do que o resultado de um processo natural de condensação de água.

Para a nossa geração, sabemos tanto das linhagens sanguíneas, quanto nossos antecessores sobre as chuvas. Elas são as fúrias dos nossos deuses, e qualquer explicação sobre as suas origens são inconclusivas e cobertas de misticismo.

Como é possível que, dentro de certas linhagens, nem todos os membros do clã a consigam despertar? Eles não partilham todos o mesmo sangue? O Mokuton do clã Senju das Florestas é um exemplo claro disso. Uma linhagem extremamente poderosa, mas seu aparecimento é tão aleatório que, a última pessoa a despertar antes do meu avô, Senju Hashirama, foi um antepassado de quase trezentos anos atrás. Meu próprio avô é um exemplo claro disso. Nenhum de seus descendentes herdou sua linhagem. Meu pai, meu irmão mais novo e eu...nenhum de nós conseguiu essa linhagem. Eu ainda me lembro do constante olhar de decepção no rosto do meu pai, por mais que ele quisesse esconder. Ele se certificou de casar com uma Senju Pura como a minha mãe, tentando purificar nosso sangue da linhagem Uzumaki que ele herdou da avó Mito, mas mesmo assim não adiantou. Eu e meu irmão Nawaki o decepcionamos.

As memórias da infância alimentaram minha obsessão. Será que realmente as linhagens são nada mais do que presentes dos deuses, e eu sou uma herege, tentando entendê-las? Foi assim que Tobirama-oji-san se sentiu ao desenvolver o Edo Tensei? Um blasfemo contra a vontade dos céus?

Permaneci no escuro, até o dia que decidi viajar através do País da Água, e tive que tratar alguns pacientes do Clã Hoshigaki e Hozuki. Ambos os clãs são famosos por suas características e linhagens especiais. Os Hoshigaki têm notáveis semelhanças aos Grandes Tubarões que circundam a ilha onde seu clã habita. Eles têm grande afinidade com Suiton, grandes reservas de chakra, e certos órgãos em seus corpos se assemelham à de tubarões. Quanto aos Hozuki, seus corpos possuíam a habilidade de liquidificação, conseguindo se transformar em líquidos e evitar ataques físicos. Eu notei que ambas linhagens envolviam óbvias mudanças físicas, que eles controlavam usando a Liberação Yang. Eu conseguia sentir que estava próxima da verdade quando saí daquelas ilhas.

Não foi até que eu tratei o câncer de um nobre, um mês depois, que eu finalmente percebi. Ele era um humano normal, incapaz de usar chakra. Foi relativamente fácil curá-lo. E talvez, alguns documentos tenham desaparecido da sua mansão. Mas a coisa mais valiosa, foi a percepção que eu obtive enquanto o tratava.

As células de todos os humanos estavam sujeitas à mutações. Quaisquer fatores externos como dieta, produtos químicos, radiação, ou algo tão mundano quanto erros durante a divisão celular, poderiam causar mutações em humanos normais.

Mas...e quanto aos Shinobis? Eles eram imunes a tais fenómenos devido aos seus corpos recheados de chakras poderosos?

Não. Shinobis não eram imunes. A floresta Shikkotsu estava cheia de exemplos claro disso. Humanos que se transformaram em árvores depois de não conseguir controlar a energia natural da Floresta. As estátuas de sapos do Monte Myoboku, e as serpentes que serviam de alimento na Caverna Ryuchi...eram evidências claras.

Shinobis poderiam ganhar mutações devido à influência do chakra da natureza. Se alguém absorver despreparadamente a energia natural, o chakra estranho afeta suas células, causando mutações no DNA, e consequentemente, à aparência física. Porém, ao longo da história, sempre existiram sortudos que assimilaram energia natural, sofreram mutações parciais, e sobreviveram, ganhando habilidades sobrehumanas que seriam passadas de geração em geração. O ancestral do clã Hoshigaki provavelmente foi um sortudo que absorveu energia natural dos tubarões, e por um milagre, sobreviveu, passando suas mutações para seus descendentes.

O clã Senju tem um contrato que remonta milhares de anos com a Floresta Shikkotsu. Então, é razoável concluir que o ancestral Senju sofreu mutação ao absorver a energia natural da Floresta Shikkotsu, e desenvolveu a habilidade de utilizar Mokuton?

Então, caso fosse esse o caso, é correto assumir que todos os Senjus, possuem a mutação latente no DNA, e ela simplesmente está desativada por algum motivo específico. Se for o caso, é possível ativar ela? Poderia o domínio do Modo Sábio da Floresta Shikkotsu ser o gatilho?

As páginas seguintes passaram como um borrão diante dos olhos de Shizune, enquanto Tsunade teorizava diferentes possibilidades sobre a linhagem do Clã Senju, e possíveis métodos de ativação, e quanto mais Shizune lia, mais chocada ela ficava. Ela levantou seus olhos do documento, e estreitou os olhos na mulher com um cigarro distraidamente repousando nos lábios.

Que monstro.

Ela sempre ouviu que ela era a Kunoichi mais talentosa da história de Konoha, e a melhor médica do mundo. Além de ser a heroína de guerra responsável pela vitória de Konoha na Segunda Guerra Shinobi. Seu papel foi indispensável na derrota da Vila da Areia, enquanto ela decifrava os venenos de Suna e criava antídotos complexos em minutos, diminuindo bastante a taxa de mortalidade de Konoha. Como Comandante da linha da frente de Suna, Senju Tsunade foi exímia. Mas...ainda assim, Shizune sentia que ela subestimou o quão inteligente aquela mulher era.

Se aquele relatório de pesquisa fosse liberado para qualquer uma das nações, não era exagero dizer que uma guerra poderia ser desencadeada. Quem não gostaria de saber uma maneira de obter linhagens sanguíneas de forma segura para seus soldados? Ela, no espaço de dez anos, achou a resposta para um dos maiores mistérios que assombrava os Shinobis por milénios.

Quanto mais Shizune lia, ela logo começou a perceber qual provavelmente era o tratamento que Tsunade queria implementar. Quando ela finalmente chegou ao fim do documento, suas suspeitas se confirmaram ao verem que o método criado por Tsunade era algo que criaria uma guerra literal: Fusão e transplante de linhagens.

Ela entendeu verdadeiramente o significado de que a velha Shizune teria que ‟morrer”. Ela não tinha certeza se ela seria ela mesma depois daquilo. E aquilo à assustou.

Shizune largou o documento sobre a mesa, e se recostou na cadeira, antes de fechar os olhos. Ela mal conseguia ouvir seus próprios pensamentos, enquanto ela mergulhava em uma espiral de reflexão. Ela ficou em silêncio pelo que pareceram longas horas, antes de ouvir a voz de Tsunade.

—Então...qual é a sua resposta?

Shizune, ainda recostada de olhos fechados, não respondeu por um longo tempo. Ao invés disso fez uma pergunta.

—Tsunade-sama...eu sei que você confia em mim, mas...me mostrando uma pesquisa desse nível, você não tem medo que eu vaze as informações?

A loira deu de ombros, antes de exalar uma grossa fumaça dos seus lábios.

—Eu confio em você. Além do mais, essa pesquisa não contém nada além do básico. As informações mais importantes para a execução estão na minha cabeça. Além disso, meu método não pode ser amplamente espalhado e utilizado. Caso contrário, seria possível criar um exército literal de shinobis de alto nível. Além de ser incrivelmente complexo, também exige que o hospedeiro do jutsu, você, no caso, seja altamente compatível com a linhagem, tenha um domínio da Liberação Yang, e um controle de chakra quase impecável. O moderador do jutsu, como eu, também precisa de um conhecimento avançado de Fuuinjutsu e Ninjutsu médico. Algo que somente eu tenho proficiência sendo a melhor médica do mundo, e tendo sido criada por Uzumaki Mito, uma das maiores especialistas de Fuuinjutsu e minha avó. Pode se dizer que eu sou a única pessoa que pode realizar o transplante, e você é uma das raras pessoas com chance de sobreviver.

Shizune segurou um suspiro. Seus olhos ainda estavam fechados, e sua boca estava cerrada, enquanto ela se lembrava das últimas palavras da sua mãe. Viva.

E ela logo se decidiu.

—_______________

Inúmeros pensamentos passaram pela cabeça de Shizune, enquanto ela deitava seu corpo magro e nu, no chão frio e coberto de selos negros e intricados. Um gigantesco conjunto de inscrições negras cobriam um amplo espaço no meio do laboratório. O selo tinha quatro pontas, e em cada uma delas, um círculo gigante repousava. O corpo ossudo de Shizune estremeceu de frio quando ela se deitou no centro do selo, onde todas as pontas convergiam em um quinto círculo central.

Quase duas semanas haviam se passado desde que ela tomou sua decisão. O rosto moribundo da sua mãe, e a promessa de uma menina assustada era tudo que a fizeram tomar aquela decisão. Ela passou os últimos dias fazendo os preparativos com Tsunade.

Enquanto a Sannin montava os materiais para aquele selo, Tsunade entregou para ela um tubo, contendo uma amostra de DNA. Ela deveria, periodicamente, injetar quantidades mínimas dessa amostra, para tentar moldar seu DNA em um molde que se encaixasse com o transplante prestes a ser feito. Para isso, ela tinha que basicamente analisar o material genético introduzido no seu corpo, e usar seu chakra yang como ´´sensor´´ para o analisar e mapear, em seguida, usar a Liberação Yang para lentamente moldar suas próprias células. Ela finalmente entendeu por que Tsunade não criou um exército literal. O controle de chakra exigido em cada etapa provavelmente só perdia para o selo Byakugou. Poucas pessoas no mundo tinham aquele nível de controle de chakra. O Saisei Tensei (Renascimento Mitótico) não era um jutsu isento de falhas.

Shizune se lembrou das palavras da sua mestra. Tsunade basicamente queria fundir uma linhagem que melhorasse seu corpo ao ponto dela puder lidar com a enorme quantidade de energia Yang, cessando assim a metástase das células cancerígenas.

Ela assistiu enquanto Tsunade fazia três clones das sombras, e os posicionava nos outros três círculos. A original parou fora de um dos círculos negros, antes de abrir um fraco de vidro e derramar um líquido transparente no selo. O líquido se movia ligeiramente, como se estivesse vivo.

Isso fez Shizune se lembrar do ser cujas células estavam prestes a ser fundidas com as suas. Aquilo era-

—Concentre-se, Shizune.

Antes que ela terminasse seus pensamentos, as quatro Tsunades realizaram selos em uníssono, e imediatamente o selo começou a brilhar, enquanto o DNA era absorvido. Imediatamente, a cor negra foi sendo substituída por uma cor vermelha.

E então, veio a dor.

Shizune gritou, sentindo seu corpo sendo rasgado e costurado por milhares de agulhas ao mesmo tempo. Ela podia ouvir vagamente Tsunade gritando para ela se concentrar e moldar seu chakra Yang no padrão de molde treinado. Ela cerrou os dentes, e exerceu o máximo de vontade possível. Aquilo era quase impossível em meio à dor cegante.

Horas depois, quando tudo finalmente terminou, e a dor desapareceu, ela viu tudo escurecer, antes de ficar inconsciente.

—____________

Quando Shizune abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi o teto iluminado do laboratório, antes dela finalmente perceber algo. Seu corpo estava...estranho. Ela podia sentir vagamente algo cutucando seus sentidos, como se fossem instintos, mas ela simplesmente não sabia o que era. Mas talvez o mais importante fosse a sensação de leveza que ela sentia em cada célula do seu corpo.

—Você acordou.

Ela finalmente percebeu a figura de Tsunade, curvada sobre o microscópio no canto do laboratório. Ela mal dispensou um olhar em sua direção, enquanto parecia focada em seu trabalho.

—Quanto tempo estive fora?

Tsunade pareceu pensar por um bom tempo.

—Um mês. Esse foi o tempo necessário para a fusão das suas células. Se aproxime.

Shizune, coberta uma bata fina, quase caiu quando colocou seus pés no chão. Seu corpo e equilíbrio pareciam...errados para ela. Como se ela estivesse usando o corpo de um estranho. Com passos hesitantes, ela se sentou ao lado de Tsunade, que finalmente olhou para ela.

—Você acordou bem à tempo. Dê uma olhada.

Shizune se curvou sobre o microscópio, e logo sua visão foi coberta por um mundo diferente. Ela podia ver um grupo de células em um campo cinza. Ela as observou pelo que pareceram longos minutos, antes de se afastar com uma expressão chocada.

—Essas células são...minhas?

Tsunade assentiu.

—Isso mesmo. Eu as colhi hoje. Fascinante, não?

Shizune ficou em silêncio, enquanto refletia sobre. Ela se lembrou das células que Tsunade havia fundido com as suas, e ela logo entendeu. Desde o nascimento até à morte, as células dos seres humanos estavam em constante processo de mitose. Se dividindo de forma constante. Infelizmente, os seres humanos eventualmente alcançavam um limite, alcançavam a senescência, seus órgãos eventualmente falhavam, e morriam. Mais nem todos os seres tinham essa limitação. E o ser que ela agora partilhava o mesmo código genético, era um dos poucos seres vivos sem essa limitação. Naquele momento, ela podia sentir...aquela sensação cutucando seus sentidos desde que ela acordou era...

Sob o olhar atento de Tsunade, Shizune pegou o bisturi por cima da mesa, e o passou sobre a palma da sua mão, e logo sangue começou a escorrer pelo ferimento na sua mão. Com um único pensamento, ela seguiu seus instintos e guiou seus sentidos até a ferida em sua mão. Ela sentiu suas células se dividirem em uma velocidade anormal, enquanto o ferimento se fechava diante dos seus olhos. Em alguns segundos, sua pele branca permanecia imaculada, como se nunca tivesse conhecido a sensação de violência. Mesmo desconfiando de antemão, Shizune ainda ficou realmente chocada.

O vinco inexistente entre as sobrancelhas de Tsunade finalmente se afrouxou. O transplante...realmente havia sido um sucesso.

Depois de finalmente formar o Byakugou na sua testa, anos atrás, Tsunade ganhou acesso à uma gigantesca reserva adicional de chakra, que ela poderia acessar à qualquer momento. Sua avó Mito usava o chakra no seu Byakugou para aumentar o poder dos seus ninjutsus de vento e selamentos, mas...Tsunade teve uma ideia diferente. Ela se lembrou das lendárias habilidades de regeneração do seu avô, e teve à ideia de desenvolver um jutsu que usasse à grande quantidade de chakra do Byakugou, para aumentar à divisão celular do corpo, e0P regenerar de quaisquer ferimentos, sem a necessidade de selos de mãos. Aquilo seria bastante útil em combate. Enquanto ela tivesse chakra no selo Byakugou, ela e qualquer pessoa que ela quisesse proteger, seriam basicamente imortais.

Para Tsunade, não foi difícil desenvolver o Souzo Saisei (Regeneração mitótica). Suas capacidades regenerativas seriam capazes de fazer ela sobreviver até mesmo se fosse cortada ao meio. Mas...todo jutsu, por mais poderoso que fosse, sempre teria uma falha. E ela logo percebeu uma falha fatal.

As células dos seres humanos podiam apenas se dividir um número limitado de vezes ao longo da vida, e ao acelerar essa divisão, ela estaria encurtando seu tempo de vida. Se abusasse da habilidade, mesmo sendo uma Senju e Uzumaki, seria difícil ela passar dos sessenta anos, e mesmo se não morresse, ela pareceria ser muito mais velha do que realmente era. Ela poderia disfarçar sua aparência com uma ilusão, mas...a deterioração do seu corpo e sentidos de combate continuariam sendo verdadeiras.

Ela ficou sem respostas por anos, antes de finalmente mergulhar na sua pesquisa sobre linhagens sanguíneas. Ela então percebeu um detalhe...e se ela fundisse suas células com a de um ser com células capazes de se dividir infinitamente? Infelizmente, ela falhou.

As células Senjus eram tão fortes em energia Yang, que devoravam automaticamente às frágeis células que ela tentava fundir. Seu corpo realmente não era adequado para fusões de linhagem. Os genes Senju sempre acabavam sendo dominantes. Não foi até anos depois que ela achou uma solução para o Souzo Saisei que fosse adequada para ela, mas a pesquisa descartada na verdade foi útil para Shizune. Seu corpo e células frágeis eram bastante adequados para aquele procedimento.

Tsunade avaliou a menina de dezessete anos se cutucando diante dos seus olhos. A conhecendo nos últimos quatro meses, a loira notou as mudanças melhor do que ninguém. Seu físico passou por uma mudança assustadora. Externamente, ela parecia à mesma jovem alta e desengonçada, como esperado de uma jovem se tornando uma mulher. A única mudança notável eram os centímetros que ela havia crescido, e os músculos magros e esguios que ela havia desenvolvido.

Internamente, porém, suas mudanças foram assustadoras. Suas novas células estavam cheias de uma vitalidade inesgotável, e a fusão ainda não estava totalmente terminada. Quando suas células terminassem de se mesclar, seu corpo passaria por uma melhoria qualitativa. Mais vitalidade, significava que suas células poderiam fornecer muito mais energia para seu corpo, aumentando sua energia yang, suas reservas de chakra, e, consequentemente, sua força. Quanto maior às reservas de chakra, e melhor o controle eficiente sobre elas, mais poderoso um shinobi seria. Sem falar que a habilidade inata de controlar minuciosamente suas células, melhorou seu controle de chakra de forma anormal. Suas reservas de chakra aumentariam pelo menos dez vezes, e seu controle de chakra seria tão fino quanto à agulha de um costureiro.

Resumindo, seu potencial...havia melhorado bastante.

Tsunade estreitou os olhos. O talento dela em Ninjutsu médico era alto o suficiente para Tsunade estar confiante em produzir a segunda melhor médica do mundo. Quanto às habilidades de combate...Ela era uma sólida Kunoichi nível Jounnin, e basicamente era aquilo. Se Tsunade forçasse o potencial dela o máximo possível, ela só poderia alcançar o nível de Jounnin de Elite. Quer fossem suas reservas de chakra ou controle de chakra, não eram bons o suficiente para que Tsunade a ensinasse em combate, mas...tudo aquilo havia mudado.

Um fogo inexistente se acendeu nos olhos cor de mel de Tsunade. Ela queria ver...que tipo de Kunoichi ela poderia se tornar nas suas mãos.

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Viajar pelo Continente nunca foi uma tarefa fácil e, para uma jovem espirituosa e com sonhos desconhecidos, como Shizune, colocou o tipo de felicidade que deveria ser encontrada na normalidade muito além do alcance. Tsunade soube disso assim que encontrou Shizune, aos Vinte anos recém completados, conversando com o filho de um dono de pousada nas fronteiras do País do Arroz, com os olhos timidamente voltados para baixo, mãos macias como seda fina entrelaçadas.

O homem era apenas alguns anos mais velho, tinha cabelos escuros e olhos tão azuis quanto o céu do meio-dia. Ele não sabia que ela era uma Kunoichi, e pelo que Tsunade sabia, ela nunca contou a ele. Shizune parecia contente em apenas beijá-lo tranquilamente à noite, enquanto sua mestra rondava a vila em busca de locais para beber e apostar.

Aquela visão despertou memórias desagradáveis para Tsunade. Um homem alto e forte, e com um sorriso tão gentil quanto o sol, e uma Tsunade jovem e sonhadora, sendo atraída como um vagalume. Por um bom tempo, os dois se entrelaçaram pelo céu azul. Infelizmente, a sensação de calor do sol eventualmente se foi, e a frieza de um céu escuro foi tudo o que restou, assim como a visão de tudo coberto por sangue. Tsunade se afastou daquela cena como se estivesse sendo queimada.

E quando Shizune voltou para o quarto deles com os lábios vermelhos e roupas amassadas horas depois, Tsunade disse por puro despeito.

—Estamos partindo para o País das Ondas.

Shizune pareceu momentaneamente confusa, mas ela assentiu.

—Espere aí, preciso ir ao mercado reabastecer nosso estoque de mantimentos. É uma viagem longa.

Ela observou com impaciência enquanto a garota guardava obedientemente os futons, amarrava as malas e os pendurava no ombro sem hesitar. Uma irritação borbulhava dentro dela atraída pelo saquê que ainda estava em seu sangue.

—Então? — Ela resmungou. — Você vai apenas dizer sim? E desistir daquele garoto? Desistir da sua felicidade?

—Ah, você sabia disso? — A risada nervosa de Shizune ecoou pelo quarto. — Está tudo bem, Tsunade-sama. Não gosto dele em particular. Eu só senti vontade de tentar, só uma vez. Apenas uma vez.

Os olhos de Tsunade se estreitaram.

—Por que você estaria preocupada com algo bobo assim, afinal? Você é uma Kunoichi. Você já perdeu a chance de ter esse tipo de vida chata.

Shizune balançou a cabeça e o sorriso ainda brincava em seus lábios.

—Não, não é assim. Eu já tenho a vida mais interessante que poderia esperar e, viajando com a senhora, aprendi mais sobre o mundo nesses últimos quatro anos do que teria aprendido se tivesse ficado em Konoha. Foi simplesmente um experimento, e não deu certo de qualquer maneira.

Shizune abriu a porta.

—Você vem ao mercado comigo, Tsunade-sama? Você pode escolher as que quiser, já que está sempre reclamando que as barras de ração que eu compro são nojentas demais para comer.

Tsunade assentiu e a seguiu porta afora, mas ela não entendeu completamente.

Não foi até um ano depois, quando ela viu Shizune, parada nas costas rochosas do País das Ondas à noite, os braços entrelaçados em torno de outros braços esguios, e as mãos trêmulas deslizando sob o tecido à beira-mar para percorrer seios firmes, cabelos escuros emaranhados com cabelos claros. Beijando com fervor desesperado, como se a garota fosse ser arrebatada pelas marés furiosas se ela soltasse por um segundo, Tsunade finalmente entendeu.

E desta vez, ela viu a leve umidade nos olhos de Shizune quando sugeriu partir para a Terra do chá.

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Tudo girava à sua vista, uma rede de escuridão e luar no canto do restaurante, personificando a lenta compreensão que se agitou na boca do estômago. Tsunade sentia como se sua cabeça estivesse coberta de névoa. Era um dia péssimo para estar bêbada.

Shizune se remexeu em sua cadeira no lado oposto da mesa. Os braços cruzados contra o peito franzino. As lanternas bruxuleantes da rua foram acesas e filtradas pela janela, projetando raios de luz em seus cabelos escuros. Apenas conversas ocasionais em outras mesas perturbavam o silêncio. Quase um dia parecia ter se passado quando a menina abriu a boca.

—Tsunade-sama, você acha que poderíamos ir para o oeste do País do Fogo um dia? Ouvi dizer que existe uma terra onde a chuva nunca para, onde fica Amegakure.

A loira massageou a cabeça, antes de engolir metade de outra garrafa de saquê.

—Você quer ir para um lugar horrível como esse?- Tsunade murmurou enquanto se recostava na sua cadeira. — Qual é o motivo?

Shizune pareceu momentaneamente ofendida.

—Não parece nada horrível! Parece um lugar bonito, na verdade.

O cansaço penetrou em sua mente. Tsunade se sentia como um animal amarrado conduzindo seu dono, muito mais velho e mais sábio do que qualquer ser humano, mas puxado contra sua vontade pelas emoções humanas. Era em momentos como aquele que ela se lembrava quão velha era, e quão jovem Shizune era.

—Vinte anos atrás, eu morava nessas terras — ela disse suavemente, olhando para o saquê como se pudesse ver as memórias refletidas nele. — Meus companheiros de equipe e eu fomos enviados em reconhecimento para lá, para relatar sobre Hanzo, a Salamandra. Acredite em mim, é um lugar horrível. É o tipo de lugar onde a chuva lava o sabor da comida e o cheiro forte do saquê, e você está preso em algum tipo de banho sem fim porque o céu pensa que você nunca está limpo o suficiente.

Risadas formigantes encheram seus ouvidos.

—Uau, Tsunade-sama, você nunca foi uma bêbada filosófica antes. Acho que gostei.

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Em algum lugar entre os vinte dois e os vinte três anos, Shizune chegou à surpreendente conclusão de que teria o peito pequeno para sempre e, por razões que Tsunade nunca conseguiu compreender, ela ficou triste com isso. Então, quando Shizune finalmente conseguiu formar o selo byakugou na sua testa, e para comemorar, elas descansaram tranquilamente em uma fonte termal na Terra do chá, a menina afundou e apoiou o queixo tristemente na superfície brilhante da água, com vergonha de mostrar o peito no ar.

—Shizune — Tsunade finalmente suspirou. — Deixe isso para trás.- A garota lançou um olhar secreto para o peito através da água distorcida. -Ah, vamos lá, essas coisas só atrapalham-, Tsunade explicou pacientemente. -Acredite em mim, você está melhor sem eles. Eles me chamavam de a kunoichi mais bonita dos Cinco Países, mesmo quando eu tinha peito achatado.

—Mas você tem tantas outras coisas pelas quais eles gostam de você, Tsunade-sama,- Shizune murmurou enquanto segurava as mãos sobre os seios enquanto pegava o sabonete espumoso. -Eu não.

E era verdade, ela era uma jovem normal, sem defeitos particulares, mas nada de excepcional que os homens a chamassem de bela. Seu cabelo escuro caía diretamente sobre os ombros e seus olhos eram de um castanho típico. Mas era estranho que ela ficasse preocupada com isso, porque ela era uma kunoichi, e as kunoichi não tinham motivos para se apegar à beleza. Somente os melhores shinobis poderiam esperar ter amantes em seu trabalho.

—Você é bonita e tem habilidade no que faz.- Tsunade disse finalmente. — Você é uma garota legal e não há razão para ser outra coisa. Se você quiser ficar com um homem, ele não deverá ter problemas com você.

Shizune ainda não sabia que ela sabia, e Tsunade não tinha certeza se ela deveria saber, então por enquanto, ela decidiu fingir que nunca tinha visto aquela visão na escuridão da costa de Nami, que ela não tinha vislumbrado involuntariamente seu segredo.

Shizune parecia um tanto apaziguada, mas ainda assim a olhou de forma curiosa.

—Tsunade-sama... qual é exatamente o seu tamanho? Só por curiosidade.

Ela encolheu os ombros. -Eu não tenho tempo para fazer coisas bobas como medir. Embora Jiraiya tenha um jeito de dizer só de olhar, o pervertido.

Apesar de tentar soar irritada, um pequeno sorriso surgiu nos seus lábios ao mencionar seu companheiro de time, antes de ser substituído por um olhar melancólico. Shizune pareceu notar suas mudanças de humor. Ela se lembrou das notícias que elas haviam recebido alguns anos atrás do Sandaime. Sobre como o Sannin das cobras havia fugido da vila, depois de ser descoberto que ele fazia experimentos com aldeões e shinobis de Konoha. O Sannin dos Sapos o perseguiu, apenas para ser encontrado na Fronteira gravemente ferido. Shizune nunca viu Tsunade beber tanto como naquele dia. Melancolia e tristeza manchando sua expressão.

—Você...sente falta deles, não é, Tsunade-sama?

A loira suspirou. Memórias de três crianças fazendo o teste do sino piscaram na sua mente. Naquele tempo, as coisas eram mais simples e felizes. Crescer era complicado demais.

—Tudo era mais simples naquele tempo. Não importa o quão perigosa fossem as missões, era confortável lutar sabendo que minhas costas sempre estariam cobertas por aqueles dois, e o sentimento era recíproco. Eu me pergunto o que deu errado no caminho? Tantos sonhos e promessas na infância...antes de sermos quebrados por esse mundo. Os outrora Sannin lendários, reduzidos à uma bêbada, um degenerado pervertido, e um psicopata homicida. Quão irônico, de fato...

Por incrível que pareça, seu vínculo com Orochimaru sempre havia sido mais forte que com Jiraya. Ela se importava com os dois, mas Jiraya, com seu espírito livre e entusiasmo, sempre parecia estar em um mundo diferente que os dois, sempre viajando pelo mundo. Às vezes ele ficava fora por meses, ou anos. A maior parte do tempo, era sempre Orochimaru ao seu lado. Ele tinha estado sempre lá, com seu jeito silencioso. Tanto na morte dos seus pais, na morte de Nawaki, na morte da sua avó, quanto na morte de Dan. Ele sempre esteve lá, silenciosamente. E quanto à eles? Jiraya foi o primeiro à fugir, perseguindo delírios sobre crianças da profecia. E, por mais que a doesse admitir, ela foi à segunda abandoná-lo, com medo dos fantasmas e cadáveres de seus familiares em cada canto de Konoha, e Orochimaru acabou ficando sozinho na Vila. Quão traído ele deve ter se sentido, sabendo que os companheiros que haviam prometido sempre estar ao seu lado haviam o abandonado. A gota final deve ter sido quando seu próprio mestre, o homem que o criou como um pai, escolheu um menino inexperiente de dezanove anos como Hokage, ao invés dele. Foi impossível Orochimaru não notar o olhar de desconfiança de Hiruzen. Quão traído ele deve ter se sentido? As únicas pessoas que ele se importava o esfaqueando sucessivamente nas costas...

Tsunade apenas fechou os olhos, antes de se recostar na beirada da fonte. Mesmo se afastando deles, porque ela era uma mlher azarada que estragava tudo o que tocava, ela acabou o quebrando sem querer.

Ela era uma pessoa horrível.

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As estradas do País da Grama eram escuras, e era o tipo de escuridão que permeava os pulmões, rastejava para dentro dos corpos e ali descansava para extrair calor até apenas o gosto residual do saquê pudesse espalhar o que restava em seus dedos. Tsunade e Shizune caminhavam silenciosamente, olhando ao redor como se pudessem ver através da escuridão proporcionada pelas árvores altas. O sol poente mal penetrava naquele local.

Quando elas estavam passando sob as altas copas de árvores, um som cortante atravessou o ar enquanto uma chuva de shurikens as atravessava.

—Nós acertamos?

Os shinobis escondidos no escuro se entreolharam, antes de verem ambos os corpos explodirem em nuvens de fumaça. Clones das sombras. Eles mal se viraram, antes de ouvirem uma voz feminina nas suas costas.

—Tarde demais.

Eles só viram um borrão, e um par de olhos frios e escuros, antes de seus olhos se cobrirem de escuridão.

Limpando o sangue nas suas mãos, Shizune se aproximou de Tsunade, que estava calmamente encostada em uma árvore.

—Você se livrou de todos eles?

Shizune assentiu, fingindo não ver a tensão da sua mestra ao ver suas mãos ensanguentadas. Um dos lados negativos de ser uma Kunoichi Rank S com fama de uma bêbada em decadência, é que as pessoas tendiam a subestimá-la severamente. De vez em quando, caçadores de recompensas que claramente não sabiam seus limites tentariam recolher o enorme prémio pela sua cabeça. Afinal, bêbada ou não, ela era uma Sannin com uma recompensa de centenas de milhões de Ryous. Iwa, Suna e Kumo tinham recompensas bastante generosas para quem trouxesse sua cabeça em uma bandeja, e uma recompensa ainda maior para quem a trouxesse viva. Afinal, o valor da última mulher com sangue do poderoso clã Senju era alto demais. A ideia de usá-la como gado de reprodução de Senjus poderosos e leais era tentadora o bastante para que eles arriscassem uma guerra.

Shizune estava há alguns metros de Tsunade, quando o chão ao lado de Tsunade se abriu, e um homem com uma katana surgiu diante dela, ela arregalou os olhos enquanto assistia a lâmina se mover para o pescoço dela, apenas para ser parado pelo dedo de Tsunade. Uma leve camada de chakra cobria seu dedo, aumentando sua robustez ao ponto de a lâmina sequer arranhar sua pele.

—O...quê?

O homem ficou momentaneamente chocado, antes de ver a outra mão de Tsunade se aproximando do seu rosto. Apesar de se mover com uma lentidão aparente, ele não conseguia se mover. Ela deu um leve peteleco na sua testa, antes de sua cabeça explodir em uma névoa de sangue.

Seu corpo sem cabeça caiu no chão, e o sangue escorrendo do seu pescoço logo manchou o chão.

—Tsunade-sama, você está bem?

Shizune se aproximou, apenas para ver a Sannin tremendo ligeiramente, enquanto seus olhos pareciam vidrados na cena sangrenta. Ela já desconfiava daquilo, mas ver com seus próprios olhos apenas confirmava suas suspeitas.

Sua mestra tinha medo de sangue. Shizune segurou as mãos dela entre as suas, cobrindo a visão do cadáver sangrento. O tremor no corpo dela diminuiu significativamente.

—Shizune...o que você-

—Espere um pouco.

Shizune a interrompeu, antes de abrir um cantil de água e despejar a água fria nas mãos ensanguentadas entre as suas. Quando as mãos dela finalmente ficaram livres do líquido escarlate, ela ouviu Tsunade suspirando de alívio aparente.

—Quando isso começou?

O silêncio da sua mestra foi a resposta que ela precisava. Ela logo se lembrou dos registros da morte do seu tio. Foi mau, muito mau. Nem a água da chuva conseguia lavar o sangue do seu corpo mutilado. Presenciando uma cena daquelas...vendo o homem que ela amava morrendo de forma tão horrível nos seus braços...

Shizune fechou os olhos. Vendo uma mulher extremamente forte como sua mestra tremendo como uma criança era uma visão que enviou arrepios pela sua espinha. Depois de tantos anos juntas, ela a considerava uma das pessoas mais importantes da sua vida. Não...talvez a mais importante, tendo em conta sua complicada relação com seus familiares. Ela tomou uma decisão naquele momento.

—Então eu serei sua lâmina.

Tsunade a olhou de forma chocada.

—O...quê?

Os olhos negros de Shizune continuaram firmes.

—Eu me banharei em sangue, para que você não precise fazer isso novamente, mestra. Então...não faça esse tipo de expressão assustada.

Tsunade suspirou, antes de balançar a cabeça.

— Você é minha aluna. Não minha ferramenta, Shizune.

—Eu sei que você não me enxerga dessa forma, Tsunade-sama. Mas esse é o propósito que eu achei para mim. Meu caminho ninja. Sem você, eu nem estaria viva. Então...eu nunca sairei do seu lado, não importa o que aconteça.

—Você...você...tem noção do que está dizendo? –A menina assentiu, com olhos resolutos. Tsunade rangeu os dentes — Você tem noção do significado das suas ações? Juramentos são sagrados nesse mundo. Você terá que renunciar seu sobrenome. Seu direito de herdar o clã Kato, e permanecer para sempre ao meu lado.

Ao invés de ver uma expressão de hesitação, ela viu Shizune sorrindo.

—Antes de conhecer a senhora, eu não tinha qualquer propósito. Nunca planejei herdar aquele clã miserável, de qualquer maneira. Meu propósito é servir ao seu lado, aconteça o que acontecer. Hoje e para sempre.

Enquanto observava a garota que segurava firmemente suas próprias mãos, Tsunade se decidiu. E talvez quando ela congelasse mais uma vez ao ver sangue, essa garota preencheria as lacunas que ele deixou.

—Você sabia Shizune... que sangue eu tenho correndo nas minhas veias? É o sangue dos antigos Reis da Floresta. Antes dos Invasores conhecidos como Nobres Celestiais chegarem nesse continente...antes deles fazerem meu ancestral dobrar os joelhos, e renunciar seu verdadeiro sobrenome, sua coroa e terras, nós costumávamos ser os governantes das exuberantes florestas do País do Fogo. Você entende...o que jurar vassalagem à mim representa? Todos aqueles com sangue Senju morreram, assim como aqueles que os serviam.

Shizune quase ficou assustada pela frieza repentina nos olhos cor de mel. Com o sol poente nas costas, seus olhos de mel brilhavam em um tom vermelho, quase como o sangue derramado por cada membro do seu clã.

Ela cerrou os lábios, antes de dobrar os joelhos e abaixar a cabeça.

—Eu entendo.

Ela podia sentir o fogo nos olhos de Tsunade nas suas costas. Segundos pareceram minutos, antes dela ouvir a voz dela.

—Que seja, então. -A mão de Tsunade brilhou, enquanto uma katana feita inteiramente de luz se manifestava em sua mão.- Recite minhas palavras.

As folhas caem

Os ventos sopram

As árvores congelam, e agora a minha vigília começa

Até que a sombra da morte desapareça,

até que a água acabe,

para a sombra com os dentes à mostra,

Sou o observador na escuridão

Sou o fogo que arde contra o frio,

Sou a luz que traz consigo a alvorada que acorda os que dormem

Sou o escudo que defende a vida

Shizune sentia uma sensação de calor nos seus ombros, onde a lâmina de luz repousava, enquanto pronunciava cada uma daquelas palavras. Quando ela terminou de recitar, ela ouviu a voz de Tsunade como um sussurro.

Eu prometo calor e proteção sob minha lareira, por esta noite e por todas as noites por vir.

—Levante-se. –Quando ela levantou o rosto, os olhos de Tsunade brilhavam em um tom dourado — Acho que está na hora de você saber o que aconteceu com o clã que você jurou servir.

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Era uma noite de verão nas fronteiras de Kiri, um dos raros momentos em que ela cedeu a armar barracas porque a aldeia mais próxima era muito longe e ela foi tomada por um tipo de cansaço que apertava cada osso e arrastava ela no chão. Mas ela ainda dormiu um sono agitado contra o chão, com apenas um cobertor grosso entre ela e o solo rochoso, e passou a maior parte da noite se perguntando como Shizune conseguia dormir tão profundamente na tenda ao lado da dela.

A garota – uma mulher de vinte e quatro anos agora, mas Tsunade não podia deixar de pensar nela como uma garota – nunca mais foi à mesma depois do juramento e conversa que elas tiveram um ano atrás. Seus olhos negros haviam sido preenchidos com um propósito e vontade de aço inabalável. Ela estava determinada ao ponto de forçar sua mestra à sessões noturnas para superar o trauma de sangue. Apesar de seu juramento, ela sabia que nem sempre poderia estar ao seu lado. Todas as noites, ela a colocava em uma ilusão sangrenta. Tsunade se lembrava da sensação horrível que permeava seu corpo. Mas estava funcionando. Foram preciso meses, para que a paralisia total fosse substituída por um tremor incómodo, antes da quantidade de sangue na ilusão ser aumentada.

Hoje era uma daquelas noites em que ela ainda se sentia horrível, mesmo depois da ilusão ter terminado. Aconteceu em algum momento entre a meia-noite e a manhã, naquela hora atemporal entre o momento em que seus olhos se fecharam semiconscientes e acordam com plena consciência, e era difícil dizer se era um sonho. Parecia um sonho; tinha todos os aspectos etéreos de um. Um som inaudível ressoava levemente no seu ouvido, até ela se lembrar que aquele era o som da barreira de fuuinjutsu que ela havia colocado ao redor do acampamento.

Alguém havia entrado, ela saiu da sua tenda, e logo o rosto pálido de Shizune apareceu na entrada da sua tenda, com uma expressão determinada em seu rosto. Tsunade apenas fez um gesto para ela a seguir, enquanto se aproximavam do lado da barreira que havia sido quebrado. Elas caminharam entre as árvores cobertas de névoa espessa por alguns segundos, antes de verem uma luz brilhante no horizonte. Elas ficaram sérias, antes de se aproximarem com passos silenciosos.

Elas logo perceberam que a luz vinha da fogueira acesa, com um homem envolto em uma capa negra sentado na beira. Quando nada mais do que metros os separavam, o homem, mesmo sem sequer se virar, falou.

—Sentem-se.

Tsunade sentiu seu corpo congelar. Aquela voz...não podia ser. A mão de Shizune em seu ombro a despertou de seus pensamentos, antes dela segui-la e se sentar no tronco deitado no lado oposto da fogueira. O rosto do homem estava coberto de sombras do seu capuz, mas mesmo assim, Tsunade conseguia enxergar através de seus maneirismos como se fosse dia. Ele era-

Sem esperar que ela terminasse seus pensamentos, o homem jogou seu capuz para trás, e um rosto esculpido coberto de cabelos brancos surgiu diante dos seus olhos.

—Olá, Tsuna-chan. Eu-

Ele mal terminou de falar, antes de um punho piscar diante dos seus olhos. Seu peito cedeu, enquanto seu corpo era enviado como uma formiga atropelada por um touro desgovernado. Seu corpo retorcido se quebrou depois de atravessar dezenas de árvore, se transformando em uma massa retorcida e desconhecida. Quando o corpo à beira da morte finalmente desacelerou, a Sannin concentrou chakra nos músculos das pernas, antes de cobrir a distância entre ela e o corpo em queda livre. Ela cerrou sua mão com tanta força que seus dedos ficaram brancos, e então-

O chão tremeu, enquanto uma cratera gigantesca se espalhava como se um meteoro tivesse caído. Os olhos cor de mel brilhavam de fúria, enquanto ela olhava para a massa irreconhecível de carne aos seus pés.

—Usando o rosto do meu falecido avô...Você realmente não tem noção do perigo...Tenha mais cuidado em uma próxima vida.

Notas finais
Mais perguntas respondidas, espero. Eu estava relendo o mangá, quando cheguei no final do arco do resgate do Sasuke. Neji estava à beira da morte, depois de ser ferido por Kidomaru, e Shizune o salvou de uma forma interessante. Usando um cabelo de Neji como medium, ela escaneou as ´´células dele´´ no cabelo, e as usou para induzir mitose nas células do seu ferimento. Forçando as células dele a se reproduzirem/divisão celular, até fecharem seu ferimento. Isso me deixou pensando o quanto Kishimoto nerfou os ninjas médicos geniais, como Shizune, Sakura e Tsunade. Depois eu me lembrei de como a Liberação Yang é usada tão raramente na obra, e isso me deixou pensando em ´´habilidades interessantes´´. Como isso poderia ser usado na obra? O resultado foi...basicamente essa habilidade, biocinese. Uma outra nota...quem será o homem misterioso? Hahahaha, já é bem óbvio.