Gênesis
20 Nami no Kuni - Calmaria
Notas iniciais
— Vá…me ataque…
Inari fitou o loiro por um longo período, antes de, afastar ligeiramente as pernas e colocar a espada de madeira diante do seu pequeno corpo, se colocando na posição que Naruto tinha o ensinado. E então, hesitantemente, correu em sua direcção brandindo a espada de madeira.
Tentou acertá-lo com a shinai em suas mãos. Mas Naruto desviou do golpe facilmente. Ele suspirou:
— Não… me ataque com mais determinação… como se quisesse realmente me ferir…
— Eu não quero… – Naruto olhou para o garoto meio surpreso – Digo… não quero machucá-lo, Naruto-Sensei.
Naruto olhou fixamente para o garoto, durante cerca de dez segundos, antes de explodir numa gargalhada.
— Ei, não ria… — Inari corou como uma beterraba.
– Me machucar… — Naruto murmurou, ainda com um sorriso no rosto – Inari, você tem ideia do quanto isso é… impossível? – Vendo o olhar duvidoso do garoto, ele decidiu se explicar – Você está empunhando uma shinai, uma espada de madeira… e mesmo se fosse uma espada de verdade, eu não acho que você seria capaz de me ferir… por isso não se contenha…
— Hai…
O garoto atacou de novo, e dessa vez, os seus ataques eram mais rápidos e ferozes, e vinham com muito mais determinação, mas mesmo assim, nada que realmente preocupasse Naruto.
Sem que nenhum deles percebesse, os minutos se arrastaram com uma efemeridade assustadora, até que se transformaram em horas.
Quando Naruto se apercebeu, o calor ameno do sol desaparecera e a cálida lua fria estava banhando sua pele.
— Inari, vamos voltar, está ficando tarde… Tsunami-san deve estar muito preocupada…
O garoto, completamente estendido no gramado, por um motivo desconhecido sorriu alegremente, exibindo uma fileira de dentes demasiados desenvolvidos para a idade. – Hai… Sensei…
Tsunami estava sentada na varanda da casa, mesmo com a fraca luz da lua, olhando atentamente para os limites da sua propriedade, esperando o momento em que o seu filho voltasse. E isso não demorou muito. Ela observou ao longe, duas silhuetas se aproximando, ao afiar os seus olhos, reconheceu que uma delas era de um adolescente e a outra era menor como de uma criança.
Ela se levantou abruptamente da cadeira em que estava sentada. Passando a fitar o horizonte com um olhar esperançoso.
Quando Tsunami viu Naruto caminhando calmamente com o seu filho, ela estava prestes a gritar com ele quando viu aquilo… o seu filho estava com as roupas completamente sujas de terra e o seu rosto estava ralado em algumas partes, mas não foi esse detalhe que prendeu a sua atenção, mas sim a espada de madeira que ele carregava em uma das suas mãos. E não era só isso, a aura dele tinha… mudado, a presença dele parecia ser maior que antes, Inari parecia desprender de todos os seus poros…segurança e determinação, ela sentia isso, Tsunami não pode deixar de pensar no quanto aquilo lhe lembrava o seu falecido marido, Kaiza. Ele, assim como aquele Inari diante de si, também tinha aquele estranho efeito nas pessoas, transmitia uma confiança tão inabalável, que fazia as pessoas simplesmente acreditarem neles.
Ela queria gritar que eles haviam demorado, ela queria gritar que eles a haviam deixado preocupada, mas ela não gritou. Em vez disso, apenas olhou intensamente para Naruto, passando pelos olhos o que não precisava dizer, na verdade nenhuma palavra no mundo poderia demonstrar aquele sentimento. Gratidão. Uma pura e imensa gratidão.
— Não tem de quê… — Naruto sorriu, murmurando tão baixo que ele duvidou, por um instante que ela tinha ouvido. Mas o sorriso que nasceu no rosto de Tsunami mostrava outra coisa. Sim… ela tinha ouvido.
x
Quando Naruto se apercebeu, já tinha amanhecido. E todos os membros do time sete, assim como Tazuna, Tsunami, Inari e o invisível Tobirama, estavam ao redor da mesa, tomando o café da manhã.
Foi durante a refeição, que Inari disse algo que captou a atenção de todos.
— Naruto-Sensei…
Todos pararam o que estavam fazendo, voltando os seus olhares para Inari em uma rapidez impressionante, ele apenas corou fortemente pela atenção.
— Naruto-Sensei? – Sasuke repetiu as palavras de Inari, com o cenho franzido – Que história é essa, garoto? – Ele olhou interrogativamente para Inari.
— B-Bem… — Ele desviou o seu olhar para a sua tijela, passando a fitar o caldo no seu interior como se fosse a coisa mais interessante do mundo – Eu não sei exactamente como… mas, eu meio que virei um aprendiz… do Naruto-Sensei…
Em um piscar de olhos, todos giraram as suas cabeças em direcção ao loiro, Naruto apenas sorriu meio constrangido.
— Eu pensei que você queria matá-lo… — Kakashi franziu as sobrancelhas para o loiro.
Naruto mordeu a manga do seu moletom, abafando um riso. — Eu meio que… mudei de ideias… — Depois de dez segundos de silêncio, Naruto tentou achar uma rota de fuga, iniciando um novo assunto – Enfim… Tazuna-san… quando você vai recomeçar a construir a ponte?
— Bem… — Ele franziu o cenho, parecendo pensativo – Se não houver problemas, pode ser hoje…
Kakashi assentiu. – Não vejo problemas… Naruto, Sasuke e Sakura, vocês vão fazer a escolta do senhor Tazuna… enquanto eu me recupero…
— Não… — A fala do loiro atraiu novamente a atenção de todos – Eu vou estar meio ocupado…
— Com o quê, exactamente? – Kakashi perguntou, enquanto afiava os seus olhos em direcção ao loiro.
— Inari…
Kakashi soltou um suspiro, aquilo só podia ser uma brincadeira.
— Naruto… você vai comprometer a segurança do senhor Tazuna, apenas para brincar de Sensei? – Ele acrescentou, antes que Naruto dissesse alguma coisa – Eu pensei que você fosse mais profissional…
— Não me entenda errado… eu não disse que deixaria o Tazuna-San sem protecção, afinal, eu prometi que o protegeria com a minha própria vida… eu só disse que estaria meio ocupado… mas eu posso mandar dois clones acompanhá-los, por precaução…
— Olhe Naruto, isso não faz o menor sentido… — Kakashi massageou lentamente a ponte do seu nariz – Porque você não manda um clone seu treinar Inari, enquanto você protege o Tazuna-San?
— Não é a mesma coisa, um clone é um clone, não é eu, e eu sou eu, não sou um clone. – Todos olharam para ele, parecendo realmente confusos. Ele acrescentou com um sorriso. – É meio ilustrativo, não?
Kakashi olhou para ele, meio confuso. – Isso foi… incrivelmente muito confuso… mesmo vindo de você…
— Oe…- Sasuke começou a falar, atraindo a atenção de todos, enquanto remexia o seu caldo com uma colher, como se eles não fossem nem um pouco dignos de sua atenção. Kakashi se sentiu meio envergonhado, os seus alunos pareciam estar adotando o seu estilo meio desinteressado e despreocupado. – Se a escória quer bancar o Sensei zeloso, então que seja, não é como se nós fôssemos morrer… só porque ele enlouqueceu…- Ele levou a colher à boca, apreciando o caldo explodir muitos sabores na sua boca – Mas só por meio das dúvidas, cabe ao Tazuna-San decidir…
Todos olharam para o velho homem, em expectativa. Ele se sentiu, por breves instantes, realmente grande e importante, como se fosse um sábio rei prestes a tomar uma drástica e importante decisão que mudaria o destino de toda uma nação.
— Eu não vejo nenhum problema – Ele sorriu para o loiro, meio cúmplice – Ele parece ser uma boa influência para Inari…Além do mais, eu tenho falado com alguns habitantes. A presença de shinobis fez com que alguns deles começassem a acreditar na construção da ponte… em menos de duas semanas nós vamos, muito provavelmente, terminá-la…
Kakashi soltou o ar que tinha prendido, sem perceber. — Fico aliviado por ouvir isso.
x
Ele tinha feito aquilo tantas e tantas vezes, que até tinha se tornado rotineiro. Naruto acordava, comia, fazia dois clones para acompanharem Tazuna e depois ia treinar com Inari na floresta. E assim foi por cinco dias.
Mas naquele dia algo diferente aconteceu. As ervas que ele tinha trazido há uma semana com Inari já tinham acabado, e a ferida de Kakashi ainda não tinha cicatrizado completamente. Por isso, Tsunami pediu, gentilmente, que Naruto fosse colhê-las, ela disse que aquilo era o seu castigo por deixá-la preocupada na outra noite, embora o sorriso no rosto dela dissesse o contrário.
Por isso, meio relutante, ele teve de ir colher, novamente. Em uma outra altura, Naruto podia ter mandado um clone fazer isso, mas, depois de fazer dois clones reforçados com chakra para escoltar Tazuna, ele estava com apenas metade do seu chakra e, apesar de mesmo assim ser ligeiramente maior que o de um Shinobi normal, todo cuidado era pouco.
Parecia relativamente simples. Ele só tinha que ir na floresta e colher ervas, de tantas vezes que ele tinha feito aquilo, tinha se tornado natural. De certa forma algo normal.
Mas Naruto sabia que a sua vida estava longe de ser normal. E o que aconteceu horas depois realmente comprovou isso. Mas chegaremos lá na sua devida altura.
No momento, era apenas um garoto aparentemente normal, colhendo ervas. Enquanto resmungava um monte de palavras inteligíveis.
Ele continuou entretido naquela tarefa, por cerca de trinta minutos, até se aperceber de uma coisa. No início ele ficou com uma expressão estática, como se simplesmente não acreditasse naquilo, mas era a mais pura e simples verdade. Naquele campo gramado, não havia uma única cúrcuma. De todas as ervas que existiam, tinha que acabar justamente aquela, a que era, indiscutivelmente, a mais importante de todas.
Durante mais de cinco minutos, ele mirou as plantas, indeciso sobre se devia ou não matá-las com um super-Jutsu Suiton que certamente deixaria Tobirama muito orgulhoso. Mas ele logo desistiu da ideia, porque além de desperdiçar o pouco chakra que lhe restava, ele não duvidou por um instante sequer, que Tsunami provavelmente o mataria, se soubesse que ele havia destruído as suas preciosas plantas.
Ele devia ir procurar. O seu olfacto era mais apurado que o normal e ele ainda se lembrava do horrível cheiro daquela planta, por isso não devia ser realmente difícil achá-la. Pelo menos era isso que ele achava.
Sem qualquer pressa, e confiando em um nariz no mínimo questionável, ele começou a caminhar pelos trilhos da floresta, indo cada vez mais no seu interior, até adentrar bem no seu coração, chegando em uma espécie de abertura. O gramado era meio úmido e verdejante e exalava vida, contrastando com as árvores velhas de orvalho que a cercavam, no centro, possuía um vasto número de plantas e ervas, sendo banhadas pelos cálidos e tímidos raios da manhã. Ele sorriu, ao avistar e cheirar a planta que faltava. Naruto sentiu uma sensação extasiante percorrer cada fagulha do seu ser. Satisfação.
Ainda envolvido pelo torpor de ter um super-olfacto, Naruto realmente não deu mais que dois passos, antes de vê-la… uma garota em um quimono rosa floreiro, deitada tranquilamente no gramado, os seus fios de cabelo eram negros, contrastando com a sua pele branca como a neve e os seus lábios rosados, na opinião do loiro, apesar dela ser recta como uma tábua, ela era realmente bonita, até mais que Sakura. Por um instante, ele ficou surpreso por não tê-la sentido, até se lembrar que, para poupar chakra – sim, ele sabia que aquilo era humilhante dada a sua condição de Uzumaki- ele havia deixado de bombear chakra pelos seus poros, ou seja, tinha desligado o seu modo "sensor".
Naruto se aproximou lentamente, os seus passos, ao tocarem na grama úmida, eram silenciosos como de um felino.
Mas assim que se aproximou do corpo estendido, ele fez uma expressão confusa, se perguntando o que diabos ele estava fazendo e se deveria realmente acordá-la, o rosto dela estava calmo, assim como a sua respiração. Mas logo depois balançou a cabeça, estava um dia realmente frio, ela podia pegar um resfriado… é era uma boa razão.
Antes que a sua coragem momentânea se esvaísse, ele levou a sua mão hesitante até o ombro dela, dando dois leves toques.
Como resposta, os seus olhos tremularam levemente, durante cerca de quatro segundos, até que eles finalmente se abriram.
— O que… — Ela ficou com um brilho confuso por uns segundos, sabe, aquele brilho que uma pessoa tem depois de passar a noite inteira dormindo ao relento, logo depois, se apercebendo da presença do loiro, olhou para Naruto meio confusa – O que você…está fazendo aqui?
— Bem… que eu saiba, essa floresta não é privada…
Ela pareceu ficar um pouco envergonhada. – Não… não é isso… é só que… eu achava que ninguém, além de mim, sabia da existência desse lugar…
— Respondendo a sua pergunta… eu estava colhendo ervas… — Como se para ilustrar, Naruto apontou para o cesto que carregava consigo, recheado de diferentes ervas e plantas. – E eu meio que achei esse lugar por engano…
— Entendo — uma sombra de compreensão passou pelo rosto da garota — Obrigado, de qualquer forma…
Naruto estranhou ela dizer ´´obrigado´´ ao invés de ´´obrigada´´, mas ele ignorou esse detalhe, vai saber os costumes do povo do Nami no Kuni. — Não tem problema, mas, se me permite a pergunta, o que você estava fazendo aqui?
— Oh… nada particularmente interessante, apenas precisava… — Fez uma pausa, um tanto dramática, Naruto continuou a olhá-la, na expectativa – pensar… E para isso, não há nada melhor do que ficar em contacto com a natureza…
— Suponho que sim…
Naruto pôs se a olhar distraidamente para a grande variedade de plantas e ervas que existiam ali, eram realmente bonitas. Naruto não pode deixar de pensar no quanto Tsunami ficaria extasiada quando ele lhe mostrasse o novo local.
Os seus devaneios foram interrompidos pela repentina fala da garota:
— Essas ervas…
— Ah… são ervas medicinais…
— Elas são para uma pessoa preciosa para você, não são?
— Pessoa… preciosa? – Naruto perguntou mais pra si mesmo, do que para a garota, era meio esquisito o pensamento de Kakashi ser importante pra ele.
— Hai, como é que eu posso dizer… — A garota pareceu pensar por um instante — são aquelas pessoas que você não consegue abandonar, independentemente do que aconteça… mesmo depois de você viver um verdadeiro inferno, mesmo depois da exaustão total da sua mente e do seu corpo, você… ainda tenta, desesperadamente, protegê-las.
Naruto levou o seu antebraço até o rosto, abafando um riso, apesar do jeito realmente despreocupado e às vezes irritante de Kakashi, ele podia pensar nele como alguém verdadeiramente importante para si. Por isso, sob o olhar atento da garota ele murmurou:
— Hai…
— É realmente maravilhoso não é? – Ela falou com um olhar meio melancólico — Ter pessoas que podemos chamar de preciosas para nós…
Naruto assentiu:
— Eu posso ver pelo seu olhar, você também tem pessoas preciosas, não tem?
— Oh… eu tinha uma… — Havia uma mistura de sentimentos indecifráveis na sua voz. Naruto só conseguiu reconhecer porque às vezes Tobirama também falava daquele jeito quando contava histórias sobre o seu clã. Era uma triste melancolia mesclada há um pouco de mistério. — Mas eu não consegui protegê-la…
— Sinto muito…
Seus olhos brilharam repentinamente de raiva. — Não entendo por que os humanos sempre se lamentam por coisas das quais, realmente, não lamentam.
— Não estou me lamentando. É uma forma de... solidariedade. De dizer que sinto muito pela sua infelicidade.
— Na me entenda errado…mas eu não sou infeliz — ela disse. — Só pessoas sem propósito são infelizes. Eu tenho um propósito.
— Você está falando de vingança?
— Hai…
— É uma pena… — Ela ficou em dúvida se havia um traço de decepção na voz do loiro.
— Pois bem… não tenha, Uzumaki-kun… – A garota falou sombriamente. Naruto estava prestes a responder, quando se apercebeu de um detalhe, que provavelmente teria passado despercebido para muitos, mas não para alguém atento como ele, ele não havia dito o seu nome.
Naruto ficou repentinamente sério. Passando a fitar a garota com um olhar afiado. Como uma navalha. – Como você… sabe o meu nome?
Por um instante, ela travou, como se se lembrasse que havia cometido um grave erro. Mas logo depois ela relaxa os seus músculos. Não havia volta. – Eu, realmente, não teria como esquecer o nome da pessoa que matou o meu mestre. Nunca.
Naruto ficou um longo período em silêncio. Absorvendo as palavras daquela estranha garota…. quer dizer, não era como se ele tivesse uma lista interminável e extremamente longa de pessoas que ele tinha matado, na verdade, ele podia contar com apenas uma mão, quantas pessoas ele tinha tirado a vida.
Mizuki, os irmãos demónios e… Zabuza.
Não pensem que ele era um monstro cruel e sem alma, todas às vezes que ele tinha tirado uma vida, sem exceções, era para proteger alguém importante para si. Não… esperem, teve aquela vez com os irmãos demónios…
E ao que tudo indicava, aquela garota diante si, que o olhava com os olhos praticamente faiscando de tanto ódio era aprendiz de Zabuza. E ele havia matado Zabuza. Naruto ficou realmente surpreso com a assustadora quantidade de ódio nos olhos de Haku, eles pareciam estar queimando, nem mesmo os habitantes de Konoha o olhavam tão… intensamente, e olhe que ele era o jinchuuriki da Kyuubi.
Agora que ele parava pra pensar, realmente não era uma coisa boa. Porque primeiro… ele estava com o seu chakra na metade… segundo… mesmo se estivesse em melhores condições ele tinha certeza de que ela era mais forte que ele. Ou seja, ele estava, basicamente, fudido.
— E então… você… — Ele falou pausadamente, como se tivesse algo preso na sua garganta — vai me matar?
Naruto olhou meio questionativo para ela, repentinamente atento à qualquer movimento por parte de Haku.
— Te… matar? – Haku pareceu realmente surpresa por um instante, mas logo depois uma sombra de compreensão passou pelo seu rosto – Oh… não se preocupe, eu não vou matar você, pelo menos não agora…
— Você é uma pessoa muito esquisita… – Ele estava realmente confuso e aliviado, mas maioritariamente aliviado. Quer dizer, a coisa mais óbvia de acontecer era ela querer matá-lo. Não que ele quisesse morrer claro.
Não era para ser uma piada, mas Haku acabou por sorrir, um singelo arquear dos lábios, o que durou cerca de dois segundos, até o seu rosto se tornar calmo, o que no seu rosto angelical estava mais pra assustadoramente calmo, nem uma única fagulha de emoção visível. – Sabe… a morte é um breve instante de dor e depois só escuridão, nada mais que isso, por isso, é impossível eu cumprir a minha vingança com algo tão simples quanto a morte…
— O que você quer dizer com isso? – Ele sentiu a onda de alívio abandonando repentinamente o seu corpo, ao que tudo indicava, ela era meio temporária.
— Oh… — Haku fingiu surpresa — não é óbvio, Uzumaki-kun?
Um arrepio atravessou a espinha do loiro, enquanto os olhos de Haku se fixaram nos seus, duros e gélidos, quase como o mar gelado no País da Neve ou uma imponente pedra de gelo. Ele realmente não tinha visto qualquer uma daquelas coisas, mas pelas histórias que Tobirama lhe contava, ele imaginava que seriam exactamente como os olhos de Haku.
— Você… tirou uma pessoa preciosa para mim… e, por isso… eu vou matar todos aqueles, sem exceções, que você chama de companheiros… mesmo que para isso, eu tenha que me tornar um verme desprezível.
Haku falou aquilo com uma voz incrivelmente calma, mas Naruto não duvidou, por um instante sequer, que ela estava falando sério. Ele tentou falar alguma coisa, qualquer coisa que fosse, mas ele não conseguiu, era como se o seu cérebro estivesse coberto por uma estranha névoa.
— Bem, isso foi… divertido… — Ela sorriu consigo mesma, mas depois pareceu se lembrar de algo importante — ah mais uma coisa… – Haku disse, antes de se levantar e desaparecer em um redemoinho de folhas, deixando para trás um Naruto petrificado – Eu sou um garoto…
Naruto ficou parado, por cerca de três segundos absorvendo as últimas palavras de Haku… ´´ eu sou um garoto´´ … e então o seu rosto ficou branco como papel… — mas o seu cheiro era… de uma garota…
A primeira coisa que Naruto fez, assim que chegou à casa de Tazuna, foi entregar as ervas para Tsunami, e sem uma única palavra, subiu as escadas, indo aonde ele sabia que encontraria Tobirama, o telhado. E, com um rápido olhar, apenas isso, Tobirama soube que o seu pupilo estava transtornado. O que Naruto fez a seguir realmente comprovou isso.
— Vamos treinar…
Tobirama olhou por um longo período para o seu pupilo, procurando saber se ele estava brincando ou se havia, na verdade, acidentalmente inalado a fragrância de uma planta alucinogénia – é que ele ultimamente passava demasiado tempo colhendo plantas — mas ele logo se convenceu, ao ver o brilho urgente nos olhos de Naruto.
— Eu não vou, sequer, tentar te fazer mudar de ideias… — Tobirama falou, tão calmo e manso, como se eles estivessem, na realidade, conversando a volta da lareira enquanto tomavam chá – Mas… ao menos posso saber o porquê?
Naruto suspirou, enquanto começava a contar um recital sobre o estranho encontro com Haku.
— Bem… esse é um bom motivo… começaremos amanhã às cinco e meia…
Naruto, por um instante, quase se arrependeu de ter pedido para Tobirama o treinar, novamente, ele odiava acordar cedo, era tão simples quanto isso…
Tal como Tobirama havia dito, no dia seguinte, exactamente às cinco e meia, eles se encontravam na floresta que havia nos limites do País das Ondas, eu sei que já havia dito que ele odiava acordar cedo, mas ele pura e simplesmente odiava, repudiava, abominava e quaisquer outras palavras que descrevessem igualmente a sua aversão… e para piorar, o sol ainda não havia nascido, logo… estava estupidamente frio…
— Está frio… — Naruto estava tremendo comicamente, enquanto esfregava as mãos no seu moletom, ele não estava fazendo efeito…
Tobirama ignorou completamente a fala do seu pupilo:
— Pois bem… comecemos… — Tobirama segurou um sorriso ao ver o olhar sonolento do seu pupilo, certas coisas nunca mudavam…
— Que jutsu… – Naruto levou à mão a boca e bocejou longamente, dois segundos depois uma repentina lufada de ar frio fez com que ele voltasse a esfregar às mãos no seu moletom — … vamos treinar?
— Jutsu? – Tobirama perguntou mas pra si mesmo do que para Naruto, logo depois ele meneou a cabeça negativamente, e disse algo que realmente surpreendeu Naruto. – Nós não vamos treinar nenhum jutsu…
— O que diabos você está falando, Sensei? – Naruto mirou Tobirama afiadamente, esquecendo por instantes do seu ódio por acordar cedo e do frio cortante que estava fazendo, ele sabia que Tobirama tinha um senso de humor um tanto quanto peculiar, mas aquela não era altura para ficar brincando, não quando um Shinobi com uma sanidade no mínimo questionável estava querendo a sua cabeça e a dos seus nakamas.
— Não é óbvio, Naruto? – Tobirama não deu tempo para que Naruto respondesse – O seu arsenal de Jutsus já é um tanto extenso, na verdade, você possui quase todos os meus jutsus… por isso é inútil aprender um monte de técnicas, o que você realmente precisa treinar é o seu físico e a sua velocidade…
Naruto olhou para Tobirama realmente confuso, não é como se ele fosse um garoto exatamente magrelo, na verdade, apesar dele não ser uma caixa de músculos, ele até podia se gabar de ter um bom físico para a sua idade. Quanto a sua velocidade, Tobirama só podia estar brincando, aquele era definitivamente o seu melhor atributo, e quando ele usava a Raijin no ken aumentava insanamente… não era bonito de se ver… Zabuza que o diga…
Vendo a confusão do seu pupilo, Tobirama decidiu se explicar. – Naruto, você sabe porquê eu era muito forte? Não era pelos meus Jutsus extremamente poderosos, muito pelo contrário, era pela minha insana velocidade, eu podia dizimar um pelotão inteiro muito antes deles sequer se aperceberem da minha presença, eu podia prever o jutsu que o meu inimigo usaria muito antes dele realizar os selos de mão, eu era forte, porque o meu corpo se movimentava em uma velocidade que poucos shinobis podiam alcançar… "de nada adianta você possuir o melhor Ninjutsu do mundo, se você não é rápido o suficiente para realizar os selos de mão"… isso era o que meu pai costumava me dizer, "da mesma forma que uma bainha só é útil pela espada que contém no seu interior, o corpo de um Shinobi só é forte pela sua capacidade de anteceder os movimentos do seu inimigo… "
Cinco segundos depois, Naruto ainda continuava absorvendo as palavras de Tobirama, com um olhar vidrado. Tobirama não sabia dizer se era pelo frio ou pelas suas palavras, mas os olhos azuis-brilhantes de seu pupilo se tornaram repentinamente escurecidos.
— Está bem… você me convenceu… — Naruto sorriu levemente, mas o que realmente captou a atenção de Tobirama foi o brilho nos olhos de Naruto, excitação, tanta excitação que até beirava a insanidade. Certas coisas, realmente nunca mudavam.
x
Uma semana tinha se passado, desde que Naruto havia se encontrado com Haku. E, nesse tempo, não aconteceu nada realmente interessante, os dias se arrastavam com uma penumbra cinza, de certa forma monótonos, enquanto ele treinava com Tobirama.
Naruto observou com um olhar entediado as nuvens mudando lentamente de forma, a medida que os segundos se transformavam em minutos. Estava estranhamente entediado. A única coisa que o impedia de se levantar, era o agradável som das águas do riacho, deslizando suavemente por entre as rochas.
Cerca de cinco segundos depois, a figura de Tobirama se materializou diante de si, ele estava em sua forma de criança, usando o corpo de um clone, em uma das mãos ele carregava uma rede improvisada, com peixes no seu interior, enquanto que com a outra, ele carregava um pequeno saco com frutas sobre o ombro.
— Eu trouxe o nosso café da manhã… — Sem qualquer cerimónia, Tobirama jogou o pequeno saco no chão. — Prepare-o…
Naruto bocejou, enquanto se levantava. –Até que enfim… eu estava quase digerindo o meu estômago… — Ele apanhou duas pequenas pedras, elas eram abundantes na margem daquele rio, e caminhou até o pequeno monte de lenha que tinha previamente preparado, logo depois, friccionou as pedrinhas repetidamente, até a fogueira acender. Ele estendeu a mão para Tobirama, que prontamente entregou a pequena rede com os peixes, com uma pedra mais afiada, começou a preparar os peixes.
Tobirama olhava tudo atentamente, observando o seu discípulo preparar os peixes com uma expressão pensativa, parecendo entretido na sua tarefa.
Dez minutos depois, o maravilhoso cheiro das chamas do fogo crepitando os peixes inundou a margem daquele riacho.
Alguns animais, atraídos pelo cheiro, ficaram observando tudo nos limites da floresta. Mas Naruto sabia que eles não se aproximariam. Não enquanto eles estivessem lá. Os animais, muito provavelmente, estavam apenas esperando que eles saíssem para poderem devorar os restos daquele manjar.
Enquanto observavam as chamas envolverem os peixes, depois de devidamente lavadas, eles começaram a comer distraidamente as frutas que Tobirama trouxera.
— Ne… Sensei? – Tobirama elevou o seu olhar para Naruto, Naruto pode ver que os olhos castanhos-avermelhados de Tobirama brilhavam ao reflectir a dança das chamas que crepitavam a fogueira, envolto por aquela luz, eles pareciam ser… dourados – Quão forte eu me tornarei, quando eu dissipar os meus clones?
— Bem… — Tobirama adquiriu um olhar pensativo – Eu não posso dizer com exactidão… talvez… algo superior à um Jounnin de alto nível…
— Um kage?
— Não… eu não diria tanto… — Tobirama sorriu – Ainda falta muito pra você chegar nesse nível…
— Como assim? – Naruto perguntou, meio confuso – A única coisa superior a um Jounnin de elite é, naturalmente, um Kage…
— Não… isso é em termos de cargo, mas se for em termos de poder, há um grande limiar entre um Jounnin de elite e um Kage… Veja Kakashi por exemplo, ele é provavelmente o Jounnin mais forte de konoha, mas ainda assim não é tão forte quanto um Kage seria… há uma grande diferença entre um Kage e um Jounnin… eu diria que você está a um meio-termo…
— Às vezes você diz coisas realmente confusas… Sensei…
A única coisa que Tobirama fez foi sorrir, logo depois o inaudível e quase imperceptível chiado que o peixe fazia quando estava pronto penetrou os ouvidos aguçados de Naruto. Sem qualquer cerimónia, Naruto retirou um dos espetos de peixe e entregou pra Tobirama, que recebeu de bom grado.
— Merda… — Tobirama murmurou, fechando os olhos ao sentir o sabor do peixe recheado com frutas explodindo na sua boca, aquilo estava estupidamente bom – Esse peixe está humilhantemente ótimo…
Naruto apenas sorriu, dando uma grande mordida logo a seguir. É, estava realmente bom.
— Nem acredito que você cozinha melhor do que eu… — Tobirama murmurou, visivelmente chateado.
— Eu sei… é meio surpreendente não? – Naruto acrescentou, com um sorriso no rosto – Afinal, foi você quem me ensinou…
Como se tivessem feito um acordo silencioso, eles caíram em silêncio, apreciando a refeição. Enquanto escutavam a música ambiente produzida pelo riacho.
Cinco minutos depois, sem qualquer palavra, eles se levantaram, e depois de Naruto apagar a fogueira com um jutsu básico de Suiton, eles começaram a caminhar para dentro da floresta. Naruto observou pelo canto dos olhos, os animais se aproximando da fogueira, enquanto fuçavam, tentando achar qualquer coisa pra comer. Eles realmente não encontrariam nada.
Quando adentraram a floresta, eles pularam para uma árvore, logo depois, tomaram impulso pra seguinte. Para olhos menos afiados, veriam apenas dois borrões atravessando a floresta, tão rápidos quanto uma kunai sendo arremessada.
Cerca de um minuto depois, eles chegaram nos limites da floresta, em um lugar tão profundo, que fora esquecido pelo tempo.
Onde quer que se olhasse, era observável diversos pontos amarelos, todos clones de Naruto, se você contasse, saberia que eles eram uns cem. Eles estavam realizando tarefas triviais, como arremessar shurikens, caminhar e até uns mais aventureiros corriam pelo local. De certa forma era normal, até você reparar no chão.
Toda aquela área da floresta, possuía um gigantesco conjunto de cinco selos circulares sobrepostos, eles eram de uma cor negra e estavam cravados no chão gramado, todos os círculos estavam no interior de um círculo maior, eles iam diminuindo de tamanho, até chegar ao último círculo, no centro, que era o menor de todos. Diferentes Kanjis adornavam os " círculos", mas o que melhor se destacava era o Kanji correspondente a gravidade.
Logo que Naruto pisou no primeiro e maior círculo, o seu corpo foi puxado repentinamente para baixo. Ele firmou as suas mãos no chão, e fez um tremendo esforço para se levantar, mas o máximo que conseguiu foi levantar uns cinco centímetros.
— I…incrível… — Naruto falou, realmente maravilhado, era surreal os seus clones conseguirem se mover dentro daquele selo. Era um selo gravitacional, que aumentava a gravidade naquela área conforme a vontade do usuário. Ao todo eram cinco círculos, ou seja, cinco diferentes níveis, quanto mais para o centro você fosse, maior era a gravidade. No primeiro a gravidade era cinco vezes maior, e ia subindo sucessivamente até o último, que era umas dez vezes maior. Por isso, era realmente louvável o clone de Naruto que estava chutando o ar no quinto círculo. — O clã Uzumaki realmente tinha uns jutsus interessantes.
— Eu sei disso melhor do que você… — Tobirama falou, ele continuava de pé, sem uma única gota de suor deslizando pelo seu rosto. Ele era realmente um monstro. – Enfim… pare de beijar o chão e fá-lo…
Naruto prontamente entendeu a mensagem de Tobirama, e com um comando mental, dissipou todos os seus cem clones. E a dor foi imediata.
Como se estivesse esquecendo a gravidade, ele levou as mãos até a cabeça, enquanto gritava de dor. Cem clones, treinando loucamente por sete dias, era o equivalente a setecentos dias, algo em torno de dois anos de treino.
Ele sentia como se alguém estivesse gritando dentro da sua mente, era realmente excruciante, sangue começou a escorrer dos seus olhos e dos seus ouvidos. Ninguém havia dito que seria fácil. Depois de mais dois minutos gritando, ele simplesmente não aguentou e finalmente deixou a gravidade o puxar para o chão. Quando Tobirama se apercebeu, Naruto estava inconsciente.
E Tobirama sentiu aquele corpo se esvair em fumaça, e ele voltou a sua forma espectral, com um suspiro, ele realizou novamente o jutsu, se apossando do corpo do garoto.
Ele sentiu a Kyuubi rugindo ferozmente nas profundezas da sua mente, por ter uma consciência extra naquele corpo, ele mandou o biju calar a porra da boca.
Desativou os selos no chão, e logo depois, começou a caminhar com o corpo de Naruto, em direcção a casa de Tazuna.
x
Kakashi estava quase totalmente curado, mas ainda assim passava quase o dia inteiro na cama, se movimentando de vez em quando com ajuda da sua muleta, muitos provavelmente já teriam enlouquecido de tanta monotonia, mas não Kakashi, aquela era realmente uma boa oportunidade para reler os seus volumes do Icha Icha.
E era exactamente isso que ele estava fazendo, sentado na varanda da casa naquela fria manhã. Bem, pelo menos estava tentando.
" Senti as suas mãos, ávidas, retirando ferozmente o meu sutiã, e eu suspirei, quando senti os seus lábios, quentes, mas ao mesmo tempo estranhamente frios, deslizando pela pele do meu pescoço, quase como se fosse uma besta esfomeada buscando…"
Ele fechou o livro logo depois, soltando um suspiro, não conseguia se concentrar naquele texto, não que ele fosse ruim, na verdade ele achava que aquele livro era simplesmente maravilhoso, a ideia de pessoas se comendo a cada parágrafo era pura e simplesmente divina. Ele não conseguia se concentrar porque os seus pensamentos pareciam ter vida própria, e quase sempre voavam para o seu aluno.
Diferente do que tinha acontecido durante toda aquela semana, naquele dia Sasuke e Sakura não foram escoltar o construtor de pontes. O senhor Tazuna tinha decidido tirar uma pequena folga. O que de certa forma era bom, a preocupação excessiva que sentia quando eles estavam fora havia desaparecido. Ele sabia que aquilo não era bom, se apegar tanto aos gennins, mas ele não conseguia evitar, aquele era o primeiro time que treinava. E, como ele muito bem sabia, a primeira vez sempre marcava as pessoas…
Quando os seus pensamentos se voltaram para o filho de seu Sensei, ele não pode impedir um suspiro cansado, ultimamente Naruto quase nunca estava em casa, apenas dava sinais de vida aparecendo ocasionalmente.
Kakashi suspirou novamente, colocando o livro sob as suas pernas, enquanto massageava as suas têmporas, os olhos castanhos-escuros aparentando cansaço.
Por mais que tentasse relaxar, ele não conseguia deixar de sentir que as coisas estavam calmas, demasiadamente calmas. Ele elevou o seu olhar para o céu, e Kakashi não pode deixar de associar a estranha névoa de calmaria que os cercava, com as nuvens cinzentas no céu, antecipando uma violenta tempestade.
Mas ele associou aquela sensação ao que aconteceu logo depois.
Cerca de dois minutos depois, o seu aluno Naruto apareceu, caminhando calmamente, com a postura de um rei, e como se não tivesse uma trilha de sangue nos olhos e nos ouvidos. Quando ele estava há exactamente um metro de distância, ele sorriu para Kakashi, e o Jounnin pode ver os seus dentes, anormalmente selvagens, manchados de vermelho…
Sem que se apercebesse, ele sentiu as palavras saindo da sua boca. – O que diabos…aconteceu com você?
Kakashi sentiu que, se a sua perna não estivesse naquele estado, ele teria corrido, preocupado, em direcção ao seu aluno.
Naruto ou Tobirama – Era meio confuso, então vamos chamá-lo de Tobiruto, assim fica mais fácil — aumentou ainda mais o seu sorriso, e continuou caminhando em direcção a casa, quando estava exatamente ao seu lado, ele murmurou:
— Estava treinando…
Kakashi quase se arrepiou pela forma que Naruto havia falado, era um tom incrivelmente calmo e profundo, quase como se viesse das profundezas do próprio mar, ele não se lembrava que Naruto pudesse falar daquele jeito… mas ele, novamente, decidiu arquivar aquela informação para raciocinar depois, quando estivesse confortavelmente deitado na sua cama… voltando repentinamente para a realidade, estava prestes a perguntar que tipo de treino ele esteve fazendo, para estar naquele estado deplorável, mas quando a sua boca estava prestes a transformar os seus pensamentos em palavras, Tobiruto já havia entrado para a casa de Tazuna…
Assim que Tobiruto – Eu sei, o nome era meio engraçado, mas fazer o quê… — entrou na casa do construtor de pontes, ele foi directamente para o quarto que o loiro partilhava com Kakashi e pegou uma toalha, logo depois, indo no banheiro.
E Tobiruto estava prestes a retirar a roupa, quando se lembrou que aquele não era o seu corpo, e seria meio esquisito, além de muito embaraçoso, ele banhar o corpo nú de seu discípulo… por isso, ele retirou todas as peças, menos a roupa interior azul-marinho, e ligou o chuveiro, sentindo a água fria limpar o sangue e a sujeira no corpo de Naruto… Ele permitiu que a água lavasse também os seus pensamentos, restando apenas a sensação da água gelada percorrendo cada centímetro da "sua" pele… Ele suspirou, se perguntando quando havia sido a última vez que ele, Tobirama, havia experienciado aquela mesma sensação, a sensação dos seus músculos, sempre tensos por anos sem nunca baixar a guarda, sendo relaxados pela água fria? A resposta veio logo a seguir, muitos mais anos do que ele se lembrava…
Quando ele voltou a piscar, o frio agradável fora substituído por um frio cortante, por isso, desligou o chuveiro.
Ele vestiu apenas a calça e saiu do banheiro, com os seus cabelos pingando na toalha enrolada no pescoço, deixando um trilho molhado por onde passava. Tão logo chegou no quarto, desfez o Jutsu, e observou o corpo de Naruto cair lentamente encima do colchão, inconsciente.
Fale com o autor