Gênesis
7 Invasão e volta a Academia.
Notas iniciais
Era uma bela noite, o céu era adornado por brilhantes estrelas e uma magnífica lua cheia, como consequência a sua luz iluminava a Vila oculta da folha majestosamente no alto.
Porém, onde há luz naturalmente há trevas.
Assim como existiam pessoas que se agraciavam com a luz, existiam outras que aproveitavam as suas sombras para apagar a sua presença, como era o caso da figura encapuzada que se dirigia furtivamente para o prédio do fogo, se movimentando com graciosidade, os seus passos em perfeita harmonia com as sombras como se fossem um só, quando chegou ao prédio do fogo observou pela enorme janela e avistou o Sandaime hokage concentrado em relatórios, o encapuzado sorriu, era a oportunidade perfeita.
Deu a volta ao prédio e entrou por outra janela, assim que os seus pés tocaram o chão não produziram nenhum som, movimentou-se agachado pelos corredores até ouvir vozes se aproximando, totalmente em alerta, fez a única coisa que podia, concentrou chackra nos pés e nas mãos e colou-se em um canto parede e usou o kakuremino no jutsu {Técnica da capa mágica da invisibilidade} distorcendo a superfície da parede.
Os chunnins passaram pelo local sem o detectarem, sorriu internamente, ao se assegurar que não vinha mais ninguém, desceu da parede e dirigiu-se até a última porta do corredor, mas a mesma estava protegida por um fuuinjutsu, analisou a sua fórmula e sorriu, ia ser canja.
Realizou uns selos de mão em uma velocidade surpreendente e a porta abriu-se revelando ser uma espécie de sala de arquivos, ali existiam inúmeros pergaminhos e documentos secretos da vila, com eles em mãos poderiam facilmente destruir a vila, mas esse não era o seu objectivo, procurou com os olhos o motivo de estar naquela sala.
— Onde está aquilo? – Questionou em um tom baixo para não alertar de sua presença, demonstrando a sua impaciência.
— Tenho a certeza que está aqui. — Declarou uma outra figura surgindo do chão da sala.
— Tsc, a questão é onde? – A sua irritação era visível quando virou-se em direcção ao outro invasor.
— Hmn. – Murmurou a outra figura olhando ao redor com o cenho franzido.
— O que foi? – Murmurou em um tom curioso .
—Na minha época essa sala era maior. – Proferiu em um tom desconfiado. – Eu tenho certeza disso. – Estreitou os olhos.
— Como assim, o que queres dizer com isso? – Questionou confuso.
— Eu acho que existe uma outra sala secreta. – Proferiu em um tom convicto.
— Estás a dizer que tem a possibilidade de existir uma sala secreta na… sala secreta? – Perguntou em evidente tom de descrença.
— Hai, é muito provável que sim. – Declarou assentindo.
— Como vamos achá-la? – Perguntou preocupado, olhando ao redor a procura de indícios.
— É provável que os únicos que sabem a sua localização sejam o hokage e os conselheiros, logo… — Declarou em um tom sério.
— É só seguir o rastro de seus chackras que existem nessa sala. – Completou.
—Sensei, você é um génio. – Declarou alegre, retirando o capuz revelando os olhos azuis e os cabelos loiros. — Eu faço o meu melhor. – Proferiu orgulhosamente.
O loiro sorriu com isso, e activou a sua habilidade sensorial se concentrando na assinatura do chackra de Hiruzen, não pode evitar um sorriso prepotente ao descobrir um fino rastro de chackra que passaria despercebido por outros shinobis, que ia em direcção a uma das estantes de livros. – Achei Sensei. – Declarou em um tom calmo.
— Muito bem, como esperado de você… Naruto. – Proferiu em um tom orgulhoso.
— O rastro vem por essa direcção. – Naruto indicou. — E termina aqui.
Parou defronte a uma parede de tijolo, passou a sua mão por toda a superfície, até a sua mão tocar numa espécie de selo, definitivamente do clã Uzumaki, era um selo leitor de chackra configurado para ler o chackra do Hokage e dos conselheiros, mas por ser do clã Uzumaki o seu chackra funcionava como uma espécie de senha universal, inseriu o seu chackra e a parede moveu-se revelando uma passagem secreta.
— Uau. Isso parece um daqueles livros de ninjas super-secretos. – Proferiu com os olhos brilhando.
— Naruto, foco. — Repreendeu.
— Ok. – Balançou a cabeça de um lado para outro. –" Foco". – Pensou, enquanto adentrava a passagem, ao entrar no local reparou que estava em uma sala vazia. – O que isso quer dizer? – Perguntou com uma expressão confusa.
Tobirama suspirou. – Idiota, a sala está protegida por um genjutsu. – Proferiu. – E um dos bons.
Naruto arregalou os olhos, como não tinha reparado. – Genjutsu no Kai {Libertação da técnica ilusória}. – Formou o selo Tigre. O ambiente ao redor começou a se distorcer, até ser visível uma sala repleta de pergaminhos, mas um em especial chamou a sua atenção, era um pergaminho de cor vermelha que estava em um pedestal. – Aquele é… — Murmurou com uma expressão surpresa.
— Sim, é o pergaminho que estávamos procurando. – Proferiu em um tom sério.
— Finalmente. – Suspirou de alívio. Retirou cuidadosamente o pergaminho do pedestal e o abriu, procurou por um jutsu em especifico, e quando o achou retirou um pergaminho em branco da sua bolça ninja e copiou o jutsu. – Devo copiar mais algum Sensei? – Questionou.
— Procura os jutsus de Fuuton {Elemento Vento}. – Proferiu com uma expressão de tédio.
Naruto assentiu e transcreveu o mais rapidamente possível, todos os jutsus de Fuuton que encontrou no pergaminho. – Terminei Sensei. – Declarou enquanto colocava o pergaminho novamente no pedestal.
— Ok, me encontre no teu apartamento. – Proferiu atravessando a parede.
Uma veia de irritação surgiu na testa do loiro. -" Trapaceiro". – Pensou irritado. Para não ficar pra trás, saiu da sala secreta e fechou a passagem para não deixar evidências de sua passagem pelo local, reativou o fuuinjutsu de segurança e se movimentando pelas sombras desapareceu na escuridão da noite.
*********
Assim que chegou no seu prédio, entrou pela janela de seu apartamento e foi em direção a sala, onde encontrou Tobirama com uma expressão de puro tédio.
— Aqui não tem nada de interessante pra fazer. – Proferiu em um tom desanimado. – A vida pós-morte é uma seca.
Naruto revirou os olhos diante daquela cena. – Será amanhã, não é? – Questionou esperando uma confirmação.
— Hai, amanhã será o dia em que voltas para a Academia. – Proferiu com uma feição calma.
— Espero seriamente que corra tudo bem. – Murmurou enquanto se dirigia para o seu quarto.
— O que você está fazendo? – Questionou.
— Vou dormir, essa nossa invasão ao prédio do fogo realmente me deixou cansado. – Proferiu bocejando. – Boa noite.
— Boa noite. – Retribuiu.
**********
Um novo dia começava, o sol aparecia timidamente no horizonte com os seus raios trespassando o véu branco iluminando suavemente toda vila da folha, os pássaros já começavam a cantar e circular com toda a sua exuberância e energia de vôo dando uma vista extraordinária para quem se atrevesse a acordar e contemplá-la.
Em um certo apartamento se encontrava um rapaz loiro dormindo tranquilamente, mas é acordado ao ouvir o som de seu despertador tocando, com o susto levantou de supetão, mas um de seus pés fica preso nos cobertores, como resultado caiu de cara no chão, ouviu alguém gargalhando pior que uma hiena ao levantar o rosto visualizou, o seu não tão querido Sensei em um ataque de risos.
— Você é realmente idiota. – Proferiu entre risos. – Com você por perto é impossível a vida ser monótona.
Naruto contou mentalmente até dez para não voar no pescoço de seu Sensei, até porque isso seria desperdício de tempo e energia por ele ser metafísico, em uma tentativa de se acalmar direcionou o seu olhar para o despertador que marcava seis horas e dois minutos, o que só piorou o seu humor.
— Sensei, porque mexeu no meu despertador? – Perguntou tentando controlar a raiva.
— Eu não mexi no teu despertador, deve ter sido um fantasma. – Proferiu gargalhando.
— Porquê eu? – Murmurou se lamentando. – O meu Sensei não podia ser alguém mais normal?
— Se eu fosse você me preparava para ir à Academia. – Proferiu cessando o ataque de risos.
Naruto o olhou em dúvida. – Não era um clone meu que devia ir? – Questionou confuso.
— Hoje faremos uma pausa, precisas descansar o teu corpo. – Declarou sério. – Além disso, eu quero observar a nova geração.
— Espera, você vai comigo? – Perguntou com uma feição assustada.
— Sim. – Tobirama proferiu alegre.
— "Isso não vai correr bem". – Pensou.
— Vou deixar você se preparar, me encontre na sala. – Saiu pela porta.
Naruto suspirou e pegou uma toalha, foi em direcção ao banheiro, escovou os dentes e tomou um banho, quando saiu do banheiro optou por vestir uma bermuda preta e um moletom azul-marinho.
Ao sair do seu quarto foi em direção à cozinha e seguindo as orientações de seu Sensei sobre não comer Ramén a toda hora, comeu torradas com ovos e leite, e foi em direção a sala onde avistou Tobirama na porta, provavelmente o esperando.
**********
Naruto caminhava calmamente pelas ruas de Konoha, as suas mãos estavam no bolço de seu moletom, com o rosto contendo uma expressão carrancuda demonstrando toda a sua irritação com a situação.
— Por que você não ficou no apartamento? – Proferiu irritado.
— Até quando você vai continuar com esse drama? – Murmurou revirando os olhos.
Naruto suspirou. – E se alguém te ver? – Perguntou receoso.
Tobirama o olhou em descrença. – A essa altura eu pensava que já tivesses notado.- Seriamente.
— Notado o quê? – Era visível a sua confusão.
— Que você é o único que consegue me ver. – Deu um sorriso.
Naruto arregalou os olhos. – A-agora que falaste nisso… — Murmurou surpreso.
— Naruto! Espere! – Ouviu o seu nome ser chamado.
Naruto ao olhar em direcção a voz avistou Iruka correndo em sua direcção e acenando pra ele.
— Falamos depois. – Murmurou em um tom baixo. – Iruka-sensei! – Exclamou retribuindo o aceno.
— Finalmente você está de volta a Academia. – Declarou com um sorriso parando ao seu lado.
— Hai. – Sorriu.
Andaram junto o resto do caminho para a Academia, com Iruka perguntando sobre a sua saúde e como ele estava, Naruto ficou feliz ao ver a preocupação de Iruka, isso queria dizer que finalmente Iruka havia mudado em relação a sí.
Quando chegaram na Academia Iruka proferiu um até logo e foi em direcção à sala dos professores.
Tobirama revirou os olhos.
— Ele não calava a boca. – Era visível a sua irritação.
— Não fale mal do Iruka-sensei! – Esbravejou enquanto parava na porta da sala.
— Está bem, tem calma. – Riu. – Isso Me lembra de quando institui a criação da Academia. – Proferiu com nostalgia.
— Espera, foi você quem criou o sistema da Academia? – Perguntou surpreso.
— É claro que foi o grande Tobirama. – Proferiu todo cheio de sí.
Naruto bufou e direccionou a sua atenção a porta da sua sala, suspirou e a abriu, observando que a mesma estava vazia.
— Ainda não chegou ninguém. – Proferiu surpreso. – Devo ter chegado muito cedo.
— Essa é a tua classe, interessante. – Sorriu.
Naruto se dirigiu até a última carteira e tentou tirar um curto cochilo, apenas tentou.
— Então, quem está no topo do ranking da Academia? – Perguntou como sempre sendo inconveniente.
— Sensei, eu estou tentando fazer algo chamado dormir, devias experimentar qualquer dia desses. – Bufou irritado.
— Apenas responda a minha pergunta! – Exclamou impaciente.
Naruto suspirou em desistência. – Uchiha Sasuke.
Tobirama olhou para ele indignado. – O quê?! Uchiha?! – Exclamou com os olhos arregalados.
— Também não é pra tanto. – Murmurou limpando o ouvido direito com o indicador.
— Não é pra tanto? – Ironizou. – Como podes deixar um filhote de Uchiha no topo? – O olhou com irritação. — Eu sabia que estava sendo demasiado brando. Vamos dobrar, não, vamos triplicar o regime de treinamento.
Naruto arregalou os olhos. – Você não pode fazer isso! – Exclamou indignado.
Naruto ouviu uns cochichos, e olhando atentamente para a entrada da sala e reparou que a mesma estava repleta de alunos e todos os olhares estavam voltados pra sí. – "Quando é que eles entraram?". – Pensou surpreso. – "Ótimo passei o pior vexame de minha vida".
— Naruto além de palhaço, agora resolveste bancar o louco. – Sakura riu em escárnio, todos acompanharam-na nas risadas.
Naruto sentiu como se inúmeras flechas trespassassem o seu coração, a sua tão adorada rosada estava o humilhando na frente de toda a turma, de novo.
— E-eu estava só… — Proferiu se atrapalhando com as palavras.
— Sentem-se todos. – Ordenou Iruka que tinha acabado de entrar na Sala.
Naruto suspirou de alívio, salvo pelo professor.
*********
— Certo… quero que demonstrem as suas habilidades em ninjutsu. – Iruka proferiu para os seus alunos, eles se encontravam fora da sala de aula, em uma costumeira aula prática.
Como resposta Iruka ouviu uma grande exclamação de desânimo por parte de seus alunos.
— Não se preocupem, vocês não serão avaliados. – Deu uma risada nervosa. – Isso é só para eu saber como vai o vosso nível de assimilação. – Olhou ao redor. – Então… faremos uma técnica básica, o Bushin no jutsu {Técnica de Clonagem}. – Analisou a sua lista de alunos. – Hmn… o primeiro será Uchiha Sasuke.
Assim que o nome foi proferido, todas as meninas começaram a gritar que nem doidas, com corações nos olhos. – Sasuke-kun! Sasuke-kun!
Todos abriram uma espécie de roda e Sasuke foi para o centro.
— Hum… o Bushin no jutsu é brincadeira de criança. – Proferiu com a sua típica pose de fodão.
Tobirama torceu o rosto.
— Oh, um filhote de Uchiha. – Era palpável o seu desgosto.
— Hmn, você não passa de um idiota que só porque pertence a um clã famoso acha que é o maioral. – Naruto bufou.
— Cale-se, idiota. – Sasuke proferiu, irritado.
— Idiota não interrompa a concentração do Sasuke-kun! – Sakura exclamou com uma veia na testa.
Ino juntou-se.
— Isso mesmo! Saia do caminho!
Todas as outras meninas juntaram-se ao protesto contra o rapaz.
— Você também, Sakura-chan?! – Naruto murmurou, sentindo-se para baixo.
Iruka pigarreou.
— Certo Sasuke, tente. – Olhou para seu aluno. Sasuke tirou as mãos dos bolsos e se colocou em posição. – Bunshin no jutsu {Técnica de clonagem}. – Uma fumaça o cobriu, e quando a mesma dissipou-se era observável uma cópia do rapaz.
— Uau! – Exclamaram a maior parte dos alunos.
— Incrível. – Os olhos de Ino brilharam.
— Foi perfeito, não sei nem dizer qual é o verdadeiro. – Sakura soltou um suspiro apaixonado.
Naruto apenas estalou a língua, antes de apontar para uma das árvores.
— Os dois são clones, o real está em cima daquela árvore...
Antes que alguém pudesse retrucar, observaram com espanto Sasuke descer da árvore apontada por Naruto.
— Como é que você descobriu? – Era visível o seu interesse.
— Vai saber. – Deu de ombros, com um sorriso prepotente.
Sasuke sentiu uma veia aparecer em sua testa, mas pra não perder a sua pose de fodão, decidiu manter a calma. – Deve ter sido um golpe de sorte. – Virou o rosto.
Iruka vendo que todos os alunos ainda estavam de olhos esbugalhados pelo ocorrido, decidiu contornar a situação. – B-bem acho melhor continuarmos. – Limpou a garganta. – O próximo será… Haruno Sakura.
Sakura foi para o centro da roda e realizou a técnica, fazendo aparecer um clone.
Passou ao lado do Sasuke esperando um elogio, mas foi completamente ignorada pelo mesmo.
Iruka continuou a chamar os alunos até chegar a vez do loiro, assim que ele entrou no meio da roda, respirou fundo.
— Finalmente, estava mesmo querendo rir. – Sakura olhou-o com escárnio.
Todos os alunos riram com o comentário.
— S-sakura-chan. – Naruto murmurou deprimido.
— Mas que garota fútil. – Tobirama revirou os olhos. – Ore o grande Tobirama, como seu Sensei pergunto, POR QUE RAIOS TINHAS QUE GOSTAR LOGO DELA?! – Exclamou indignado.
— B-bem é que… — Murmurou tentando encontrar palavras.
— Que? …. – Esperou uma resposta.
— Não sei. – Proferiu confuso.
Tobirama caiu pra trás com o comentário. – COMO ASSIM NÃO SABES?! – Exclamou irritado.
Iruka olhou de um jeito estranho para ele.
— Hmn… Naruto tu estás bem? – A sua preocupação era visível.
— Sim, por quê? – Olhou-o curioso.
— Bem é que… você começou a falar sozinho, talvez a pancada que sofreste tenha deixado uma lesão. – Declarou preocupado.
Naruto olhou ao redor e se amaldiçoou mentalmente, todos os alunos o olhavam como se fosse louco, e não os censurava, naquela situação provavelmente pensaria o mesmo, de agora em diante tinha que ter mais cuidado.
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