Gênesis

66 Interlúdio VI – HITOBASHIRA III – Pilares de Sacrifício Humano (Três)


Notas iniciais
Olá! Sem intro hoje. Aproveitem!

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IV. O Segundo Hitobashira — O homem falho – Hiruzen Sarutobi.

—Em breve, eu morrerei.

O rosto de Hiruzen estava cheio de choque enquanto ele olhava para seu professor. A expressão de Tobirama, com os olhos fixos nos dois rostos esculpidos na montanha dos Hokages, era um completo mistério. Ele só conseguia olhar para as costas largas do seu Sensei naquela noite de lua cheia. Faziam menos de um ano desde que ele assumiu o manto de Nidaime Hokage, logo depois da morte do Shodaime, mas nesse curto tempo, as mesmas costas que outrora eram retas, agora se curvavam ligeiramente pelo peso de liderar Konoha em tempos tão sombrios. Mas não tão sombrios quanto as palavras que saíram de sua boca.

Tobirama...morreria?

—Como...?

—Você me ouviu.

Ao ver a frieza em cada palavra do seu professor, o rosto de Hiruzen se contorceu com raiva.

—Você não pode simplesmente me dizer algo assim e esperar que eu fique calmo sobre isso! É da sua vida que estamos falando, mestre!

Tobirama suspirou, antes de finalmente virar o seu rosto. A expressão em seu rosto parecia tão fria quanto os mares congelados do Norte. Aquilo apenas aumentou a sensação de errado que Hiruzen sentia. Ninguém deveria parecer tão calmo falando de sua própria vida. Mas aquele era Senju Tobirama. Ele era um homem tão preso à lógica e racionalidade, que enxergaria sua própria morte com tanta leviandade. Como se fosse um fato qualquer. O céu era azul e ele iria morrer.

—Eu acho que fui bastante claro.

A raiva ardente de Hiruzen finalmente se transformou em uma fúria fria, mas contida. Seus dedos cerrados estavam coçando para pegar seu bastão e esmagar crânios por dias sem fim. Ele era um Sarutobi em tudo. Impetuoso e quente como a forte afinidade de Fogo que corria por suas veias. Um fogo intenso que uma longa vida certamente temperaria em uma chama morna e mais branda, Tobirama esperava. Afinal, ele era o mais adequado para ser seu substituto. Ele e Kagami. Mas o Uchiha infelizmente não tinha o carisma, ou as habilidades de combate de Hiruzen.

—Como e quem?

Sombras escuras engoliram o rosto de Tobirama. Ele balançou a cabeça.

—Não sei como. Mas eu consigo sentir...o bafo gélido da morte se aproximando de mim cada vez mais.

Hiruzen não comentou nada. Só ele sabia o quanto desenvolver o Edo Tensei...mudou seu mestre. Algo nele parecia...desligado depois de desenvolver aquela monstruosidade. Uma aura pesada de morte pairava nos seus ombros, como se a própria morte olhasse atentamente para cada um dos seus passos. Tobirama se tornou tão sensível à essa aura pesada, que ele conseguia sentir o nó da morte se apertando cada vez ao seu redor, enquanto o relógio da morte tocava.

Tic, tac.

—Sensei, nós podemos...

—Não. É inevitável. –Uma mão pousa em seu ombro- Nesse momento, deixarei a Vila com você.

—Eu...não estou pronto, eu...

—Você está. Eu preparei você para isso.

Ele só pode cerrar os lábios até sangue escorrer. Uma sensação de inutilidade e impotência rastejando por seus ossos. Um pergaminho caiu pesadamente na sua mão.

—Quando a hora chegar, abra esse pergaminho. Tenho instruções cruciais que você deve seguir. Eu deixei outro pergaminho para Mito. Ela saberá o que fazer.

Hiruzen olhou impotente para o pergaminho nas suas mãos. Ele era feito de um material leve, mas Hiruzen sentia como se estivesse segurando o peso do próprio mundo nas mãos. Os nós dos seus dedos ficaram branco de tanta tensão.

—Sensei...você não pode... Seja o que for...você deve viver.

Tobirama não falou nada por longos e agonizantes minutos. Seu rosto frio parecia esculpido em puro mármore. Seu mestre sempre foi severo. Mas ultimamente...desde aquele incidente um ano atrás... o tanto de corpos que ele enterrou...Sua esposa, seu irmão... algo nele simplesmente estava-

—Saru...eu cresci com a morte. Rodeado por cadáveres desde o dia que peguei pela primeira vez em uma espada aos seis anos de idade, na Era dos Estados Combatentes. Vi homens mais fortes que eu, se engasgando com sangue, enquanto seus olhos perdiam o brilho. Quando eu sacrifiquei milhares, tentando romper o véu da morte e criei o Edo Tensei, eu vi a morte. Olhei diretamente nos seus olhos de forma zombeteira. Eu juro para você...ela olhou de volta para mim...e sabe o que ela disse? Todos os Homens devem morrer.

Aquelas palavras perfuraram a mente do Sarutobi, como ferro quente mergulhado em um vulcão.

Uma semana depois, cadáveres carbonizados dos Shinobis nos postos fronteiriços do País do Fogo foram trazidos para Konoha.

Tobirama olhava friamente para os corpos sendo enterrados, enquanto esposas chorosas gritavam sobre os caixões frios e indiferentes.

A Primeira Guerra Mundial Shinobi havia oficialmente começado.

Hiruzen se lembrava das histórias sobre as guerras da Era dos Estados Combatentes. Clãs marchando contra Clãs, mas aquilo...tudo aquilo empalidecia em comparação com as violentas Guerras Shinobis. Vilas Ocultas contra Vilas Ocultas. Milhares de shinobis marchando contra milhares de shinobis. O fedor de montanhas de cadáveres cobria as planícies das Nações Elementais.

Depois de algum tempo, com as mãos manchadas de tanto sangue que ele mal podia se lembrar dos rostos que ele matou, Hiruzen esqueceu os motivos pelo qual a guerra havia sequer começado. Seu corpo se movia inconscientemente, como uma máquina cuja função era puramente matar. Ele só queria...parar.

Mas ele não era o único. Tobirama estava entorpecido de guerra, suas inúmeras cicatrizes conquistadas na infância e os túmulos dos seus irmãos eram um constante lembrete para ele da crueldade e inutilidade das guerras, e sobretudo, ele estava simplesmente cansado.

Então, Tobirama fez o que qualquer homem cansado faria, ele largou a sua espada manchada de sangue, e decidiu negociar.

Um mês depois, Tobirama escolheu Hiruzen e Kagami como escolta, e partiu para assinar um tratado de aliança com Kumo. Tobirama estava cansado da matança sem sentido. Se Konoha e Kumo se aliassem, as duas Vilas mais fortes, a guerra estaria praticamente terminada.

Eles haviam escolhido o Território neutro entre o País do Fogo e do Raio, o País das Fontes Termais, como local de encontro.

Mas Tobirama subestimava à tendência do ser humano para o caos. Nem mesmo seu mestre esperava que, em pleno tratado, no exato momento que ele se curvou para assinar o documento de aliança, as duas escoltas ao lado do Raikage repentinamente o atacassem a ele e o Raikage. Hiruzen e Kagami estavam tão chocados, que quando eles reagiram, já era tarde demais. Mas Senju Tobirama não era o Nidaime à toa. Graças à sua velocidade de reação e longos anos de experiência, ele conseguiu evitar ser ferido mortalmente, mas ainda assim, ser atacado tão repentinamente, ele ainda saiu com ferimentos graves.

Quando Hiruzen e Kagami se moveram, os Irmãos de Ouro e Prata já haviam fugido da cena.

Tobirama ignorou a preocupação dos seus estudantes, e o sangue que manchava seu corpo, e avaliou a cena caótica. Vendo o peito aberto do Raikage, suas costelas expostas enquanto ele se engasgava de sangue, Tobirama sabia que era uma causa perdida esse tratado. Brevemente Kumo teria outro líder, e provavelmente não seria tão cooperativo quanto o Nidaime Raikage. Uma pena. Era um fim horrível para um líder sábio. Tobirama apoiou seu corpo ferido nos seus alunos, e se teletransportou de volta para Konoha.

Tobirama mal havia se recuperado dos ferimentos, com o arcaico e subdesenvolvido Ninjutsu médico da época, quando dois dias depois, notícias de novas escaramuças na fronteira são ouvidas. O novo líder de Kumo parecia ser o oposto do pacífico líder anterior. Um armamentista. Claramente um Shinobi jovem não marcado pela violência da Era dos Estados Combatentes ansioso demais para a violência da guerra.

Ignorando as feridas latejantes no seu corpo, ele reúne seu Esquadrão e se movem até à fronteira, e eles logo ficaram chocados com a massa de inimigos. Mesmo com as habilidades do seu esquadrão, os números dos inimigos eram anormalmente grandes. Pareciam infinitos.

Ondas após ondas de shinobis invadiram às fronteiras. Seus olhos assassinos não mostrando a menor hesitação. Os braços de Hiruzen estavam cansados de tanto balançar seu bastão Enma, e suas reservas de chakra mal tinham tempo para se regenerar, mesmo depois de se entupir com pílulas de chakra por dois dias seguidos. Suas pálpebras estavam tão pesadas, que ele poderia desmaiar se parasse de se mover.

Mas ele não podia fazer isso. Konoha estava envolvida em uma batalha cruel em quatro frentes. Suas tropas foram distribuídas por diferentes campos de batalha. Só porque eles estavam aqui, na fronteira Norte não significa que os outros Shinobis de Konoha pararam de lutar. Afinal, eles estavam em conflitos com todas as quatro outras Nações também. Eles enviaram a maioria dos Shinobis estacionados nessa fronteira para os restantes campos de batalha, enquanto eles seguravam o forte.

Mas o que mais o preocupava era o seu mestre. Apesar de Tobirama ainda estar fatiando corpos com uma graça assustadora e mortal, enquanto cadáveres ensanguentados se acumulavam à seus pés, Hiruzen ainda conseguia notar a rigidez de seus movimentos. Seus ferimentos sofridos no Tratado mal haviam se recuperado, mesmo com a alta vitalidade Senju. Se fosse outra pessoa, estariam mortos lutando com aqueles ferimentos graves por dois dias seguidos.

Em um dos raros momentos de pausa, Hiruzen e seus companheiros de time se sentaram à volta da fogueira, enchendo seus estômagos e procurando recuperar um pouco de energia da luta sem fim. Todos eles tinham expressões taciturnas e abatidas, com profundas olheiras nos seus rostos. A atmosfera sombria foi finalmente quebrada por Kagami apontando para a figura taciturna de Tobirama, observando como uma estátua no alto das ameias das muralhas daquele posto fronteiriço.

—Nidaime-sama é realmente incrível...Lutando por dias seguidos, mas não parece minimamente cansado... a Vitalidade do Clã Senju é realmente anormal.

A maioria à volta da fogueira assentiu distraidamente, concordando com as palavras de Kagami.

O comentário inofensivo apenas piorou a carranca no rosto de Hiruzen. Ele engoliu o resto da sua comida com uma velocidade assustadora.

Hiruzen cerrou o cenho, antes de pegar novamente no seu bastão e ir ajudar Tobirama, deixando seus companheiros confusos para trás. Ele quase conseguia imaginar seus olhos estreitados nas suas costas.

O seu mestre não falou nada quando ele parou ao seu lado naquela noite fria. Não dispensando mais do que um breve olhar. Hiruzen olhou para o sangue espesso que cobria as paredes da muralha, e o mar de corpos abaixo.

—Sensei...o seu pressentimento...era sobre isso que você estava falando?

—Estou bem. Tirando seus números, esses shinobis não são nada demais. –Ele ofereceu um raro sorriso no seu rosto tenso, antes de bagunçar o cabelo de Hiruzen como costumava fazer quando ele era mais novo. Exceto que...Hiruzen estava nos seus vinte e cinco anos no momento- Vocês vão sobreviver.

A garganta de Hiruzen ficou seca ao ver ele se excluindo. Hiruzen, com seu olfato apurado, conseguia sentir o fedor de sangue acumulado por baixo da armadura dele. Mas a expressão de Tobirama continuava imperturbável, apesar de seu rosto pálido e seus movimentos claramente rígidos.

Conhecendo a teimosia do seu mestre, Hiruzen apenas cerrou os dentes, e continuou nas muralhas. Algumas horas depois, quando a lua estava no alto, os ataques recomeçaram.

Foi só no dia seguinte, quando o sol estava prestes a se pôr, que os ataques finalmente cessaram. Eles olharam para o mar de cadáveres sob as muralhas com alívio, enquanto finalmente permitiam seus músculos rasgados de tensão descansarem um pouco. Mas em um momento que Konoha ainda enfrentava cerco em outras fronteiras, o tempo era crucial.

Tobirama ordenou que eles descansassem por algumas horas, antes de se moverem novamente, quando a lua se ergueu no alto. Suas velocidades eram o suficiente para preservar a resistência e permitir que suas reservas de chakra se restabelecessem um pouco, mas aquilo era difícil quando seus corpos pareciam ter sido dilacerados por dentro. Normalmente eles se teleportariam, mas as reservas de chakra do Nidaime, ainda se recuperando da overdose de pílulas de chakra, não conseguiriam mover seis outras pessoas ao mesmo tempo.

Hiruzen, no final da formação, franziu o cenho ao ver Tobirama quase falhar em pisar em um galho de árvore. Ele se recuperou quase instantaneamente, mas os olhos do Sarutobi viram claramente a dificuldade do Nidaime em realizar aqueles movimentos. A sua preocupação não pode deixar de aumentar.

Eles estavam à meio do caminho, embrenhados entre as escuras árvores, quando Tobirama fez um sinal para eles pararem em uma clareira.

Uma sensação de errado simplesmente rastejou pelos ossos de Hiruzen. Porque Tobirama havia parado eles?

Ele se lembrou do dia que seu mestre o chamou no seu escritório, e da sensação de pavor que encheu seu corpo ao ouvir ele prevendo a própria morte como se fosse nada. Poderia ser...

Mas Hiruzen se recusou a acreditar. Mesmo quando seu mestre mencionou que eles estavam sendo seguidos por um esquadrão de Elites, ele se recusou a acreditar, mesmo quando Kagami sugeriu que alguém ficasse como isca, e ele percebeu os olhos vermelhos de Tobirama brilharem de certeza por um momento, ele ainda se recusou a acreditar.

Ele se lembrou de uma cena igual à essa, mais de vinte anos atrás, ele como um menino desajeitado, sendo carregado pela sua mãe ofegante e seu clã fugindo das profundezas do País do Fogo para a recém fundada Konoha, enquanto eles eram assediados por clãs inimigos que simplesmente não queriam vê-los se juntando à poderosa Vila Senju e Uchiha.

Um homem alto e severo, com um rosto semelhante ao seu, mas mais envelhecido e marcado por cicatrizes, Sarutobi Sasuke, seu pai, ficando para trás enquanto ganhava tempo para seu clã viver. Dando a vida para que Hiruzen pudesse viver, enquanto o menino choroso não podia fazer nada, além de olhar. Hiruzen considerava aquele o início de uma vida marcada por falhas. Então, dessa vez, ele pegou cada fagulha de determinação em seu corpo e se voluntariou como isca... tudo isso para ser negado por Tobirama com um rosto severo que não permitia discussão.

Ele ouvia a voz de Tobirama, mas mal podia registrar as palavras saindo de sua boca.

´´A partir de hoje...´´

Não. Pare com isso.

´´Eu nomeio você...´´

Não.

´´O Sandaime Hokage...´´

Não.

´´Deixo as novas gerações com você...´´´

De novo não.

Ele ficou simplesmente...entorpecido, parado no meio da clareira, enquanto Tobirama se afundava entre as escuras árvores, como um homem mergulhando no abraço escuro da morte. Ele olhou para suas mãos calejadas, que repentinamente se suavizaram até ele estar olhando para o seu eu inútil de quatro anos novamente.

Seu corpo paralisado não mostrou nenhuma reação sendo carregado por Kagami enquanto escapavam. Ele estava entorpecido. Ele continuou entorpecido, mesmo semanas depois, enquanto percorria campos de batalha após campos de batalha, atravessando montanhas de corpos com uma fúria fria. Se, em seu estado entorpecido, ele cometeu massacres que o permitiram levar Konoha a vencer a guerra, ele só registrou na sua mente poucos anos depois, na cerimônia de enterro em massa no final da guerra.

E assim, diante do túmulo do seu mestre, sua fúria fria finalmente se transformou em lágrimas silenciosas.

Seus olhos enevoados se desviaram da lápide, para o pergaminho nas suas mãos. O mesmo que havia sido deixado por Tobirama. Depois de tanto tempo, ele finalmente estava pronto. Pronto para saber o quanto ele havia falhado com seu mestre.

Seus dedos calejados estavam trêmulos enquanto ele desenrolava o pergaminho. Uma caligrafia elegante e simétrica o cumprimentou. Cada traço alinhado carregando a personalidade perfeccionista de Tobirama.

Quando seus olhos cobertos de névoa finalmente viram as instruções específicas deixadas por Tobirama, ele prendeu a respiração, enquanto sua expressão quebrava para uma de puro choque.

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Hiruzen estava ligeiramente ofegante, enquanto seus olhos cheios de experiência avaliavam o ambiente. Uma lua vermelha iluminava as chamas que cobriam Konoha, bem como as árvores daquela destruída floresta. Além de algumas árvores pegando fogo, haviam muitos quadrados vazios onde antes existiam árvores.

Tudo isso era obra da Liberação de Partículas do homem flutuante no meio da floresta. O Sandaime ignorou o olhar irritado no rosto ofegante de Ohnoki, e tentou sentir as condições do seu corpo envelhecido. Ele quase lamentou. Diferente do seu eu jovem, seu corpo velho já estava mostrando exaustão depois de alguns minutos de combate.

Felizmente, seu velho oponente parecia ter o mesmo problema.

Nesse momento, um grito de cortar o ar cobriu a floresta. Ambos concentraram chakra nos seus olhos, tentando ver a batalha há centenas de metros, apenas para ver a redoma de areia dourada à volta do Kazekage derretendo, enquanto metade do seu corpo era queimado por lava.

A expressão de Ohnoki ficou feia.

—Droga, essas crianças não são confiáveis. Maldito garoto de Suna! Perdendo tão rapidamente para essa pirralha da Névoa.

Hiruzen não comentou sobre a explosão repentina de Ohnoki, e avaliou friamente o campo de batalha dos dois Kages mais novo. Não é que Rasa fosse fraco. Nenhum Kage era. A Mizukage com sua Liberação da lava era simplesmente uma péssima oponente para o Kazekage. Sua areia de ouro era basicamente inútil. Ela aquecia ao ponto de virar ouro líquido toda vez que ele tentava defender um ataque de lava.

Pela enorme poça dourada aos seus pés, aparentemente a Mizukage havia derretido toda areia de ouro ao ponto de o Kazekage ficar sem meios de defesa ou mesmo ataque. O resultado é que metade do seu corpo havia sido queimado pelo ataque seguinte.

Nesse exato momento, a Mizukage passou por uma série de selos de mão e cuspiu uma nova onda de lava em direção ao ferido Kazekage. Quando ele estava prestes a ser derretido completamente, uma parede de vento se ergueu, atrasando a lava apenas por tempo suficiente para o Jounnin protetor do Kazekage, Baki, pegar seu corpo ferido e desaparecer em um Shunshin de Vento com uma velocidade assustadora.

A Mizukage tentou persegui-los, mas ela pareceu pensar melhor um momento depois. Hiruzen suspirou de agradecimento internamente. Aparentemente ela não era idiota. Com ela aqui, somando com Jiraya, o lado deles agora teria três Kages, contra o Raikage e o Tsuchikage.

Pela carranca enorme de Ohnoki, ele provavelmente também chegou à mesma conclusão quando à Mizukage surgiu ao lado de Hiruzen.

Seu rosto esculpido e bonito mal parecia estar suado enquanto seus lábios vermelhos se curvavam sedutoramente para o Hokage.

—Precisa de ajuda, Hokage-dono?

Se Hiruzen fosse um jovem impetuoso, ele poderia ter sido afetado, mas ele não passava de um velho em seus nos crepusculares nesse momento. Ele balançou a cabeça.

—Não. Se não for muito incómodo, gostaria que a Mizukage-dono ajudasse o Sannin dos Sapos.

—O Raikage, hein? Ele certamente é...problemático. — Uma pitada de seriedade preencheu os olhos de Mei. Ela acenou- Tudo bem. Eu vou ajudar ele.

Depois daquelas palavras, ela desapareceu com um Shunshin.

Hiruzen soltou o suspiro de alívio que estava guardando sem saber. Todo esse tempo, ele não havia deixado de prestar atenção em Ohnoki, que com sua experiência, certamente estava considerando a retirada.

O Sandaime não permitiria aquilo.

Girando sua cintura com um movimento ágil, ele lança o seu bastão rodopiando como uma shuriken, Ohnoki inclina seu corpo para o lado, desviando do bastão, apenas para vê-lo se estendendo repentinamente. O cajado de Adamantina separa o corpo do Tsuchikage ao meio, apenas para se desfazer em um monte de pedra. Era um Clone de pedra.

Hiruzen olha para trás, ouvindo um som ruidoso enquanto vê um monte de terra se erguendo na forma de um gigante de pedra.

Doton — Iwa no guremo. (Liberação de Terra – Golem de Pedra).

A mão do gigante se aproximava em sua direção com uma velocidade e força assustadora. O ar estalava enquanto o braço se aproximava. Hiruzen enviou um comando para Enma, guiando o bastão rodando pelo ar em sua direção, mas demoraria demais para chegar.

Ele fez um selo de mão. Quatro Clones das Sombras surgiram ao seu lado. Eles executaram selos de mão em uníssono, enquanto um turbilhão de chakra se acumulava nos seus estômagos.

Um clone cuspiu um grande jato de água que empurrou o golem ligeiramente para trás.

Outro clone fez com que o solo sob o golem se transformasse em pura lama, dificultando seus movimentos.

Uma esfera de fogo e outra de vento se uniram em uma escaldante bola de fogo, antes de explodirem na superfície do golem de pedra, o aquecendo ao ponto de rachaduras se espalharem na superfície de pedra, e no final, um feixe de pura eletricidade acabou piorando as rachaduras, como se fosse uma escultura de vidro prestes a quebrar.

Nesse exato momento, o seu bastão finalmente havia voltado ao seu braço.

Expandir.

Em um flash, o bastão negro se estendeu como uma serpente gigante se alongando, despedaçando o gigantesco golem em um monte de pedra, enquanto quase um quilômetro da floresta era perfurada e destruída por Enma. Um caminho reto de árvores destruídas surgiu na floresta.

Ohnoki surgiu com a respiração ofegante. Ele havia desviado, mas a pressão do bastão passando ao seu lado havia arrancado uma parte da manga do seu uniforme, e sangue escorria do ferimento do seu braço.

—Você continua problemático.

Apesar da sua voz irritada, havia um quê de respeito nas palavras de Ohnoki. Hiruzen estreitou os olhos.

—O mesmo para você, velho inimigo.

Ele se lembrou da Primeira Guerra Ninja. Antes de qualquer um deles ser Kage de suas Vilas, quando ambos eram discípulos dos segundos Hokage e Tsuchikage. Eles já haviam se enfrentado inúmeras vezes no passado, com Hiruzen tendo a vantagem a maior parte das vezes.

Isso não era mais a realidade. O estilo de luta de Hiruzen, além de Ninjutsu, sempre dependeu de sua velocidade e assustadora maestria de Bukijutsu, balançando seu bastão de adamantina com uma velocidade e força de outro mundo. A idade cobrou um preço maior na sua força, velocidade e estamina.

Ohnoki, no entanto, sempre foi um puro especialista em ninjutsus à distância e com uma ridícula capacidade de evasão com sua habilidade de voo. Ao invés de enfraquecer, ele estava ligeiramente mais forte que na juventude.

Hiruzen podia sentir, além de sua própria respiração ofegante, sua estamina e reservas de chakra estavam em menos da metade depois do combo que ele havia feito com os clones das sombras.

Ele estava planejando seu próximo movimento, quando um farol vermelho clareou no horizonte. Ele estreitou os olhos. Aquele sinal flutuando no céu era...de repente, ele pensou em algo. Hiruzen se lembrou dos seus companheiros de time nas fronteiras...eles tiveram sucesso?

Um Shinobi com uniforme da Vila da Pedra surge flutuando ao lado de Ohnoki. Akatsuchi. Ele sussurra algo no ouvido de Ohnoki, que faz a expressão do velho Kage se afundar. Ele vira seu rosto franzido para Hiruzen.

—Bem jogado, Sarutobi. Parece que sua Vila vive hoje. Na próxima vez, você não terá tanta sorte. Afinal... a fraqueza da atual Konoha já foi exposta para o mundo.

Depois dessas palavras, eles desapareceram pelo ar, deixando um Hiruzen com uma expressão sombria no meio da floresta. Ele não negou as palavras do Tsuchikage. Se não fosse a ajuda da Mizukage...

Seus pensamentos forma interrompidos pelo homem ofegante com uniforme Jounnin que surgiu ao seu lado. Além de algumas gotas de suor, Maito Gai parecia ileso do seu combate com Akatsuchi. Hiruzen adivinhou que o especialista em Taijutsu achou a habilidade de voo do Jounnin da Pedra bastante problemática.

—Hokage-sama, suas ordens?

Hiruzen apenas estreitou os olhos, antes de ordenar que ele o acompanhasse. Eles atravessaram a floresta em uma velocidade assustadora, apenas para chegar ao outro lado da floresta e encontrar um Kakashi exausto encostado em uma árvore, enquanto tinha um vislumbre de Jiraya e Mei perseguindo o veloz Raikage e sua escolta em retirada.

Kakashi se levantou ao ver o Sandaime Hokage.

—Kakashi, relatório.

O jounnin assentiu, narrando rapidamente a situação.

—Hai, Hokage-sama. Eu me envolvi em uma batalha com a escolta do Raikage, Darui, enquanto Jiraya-sama estava enfrentando o Raikage. Jiraya-sama estava na defensiva, tendo dificuldades em conter a velocidade do Raikage, quando a Mizukage chegou. Juntos, os dois finalmente estavam conseguindo pressionar o Raikage, quando aquele farol vermelho acendeu no céu. Suspeito que foi um sinal de retirada dos inimigos, e os movimentos do Raikage apenas confirmam isso.

Quando Kakashi terminou, Hiruzen assentiu.

—Muito bem. Vocês dois virão comigo para eliminar quaisquer inimigos remanescentes em Konoha.

Gai assentiu, mas Kakashi tinha uma expressão complicada no rosto.

—Hokage-sama, se me permite...-Uma expressão severa surgiu no rosto de Hiruzen ao ser questionado, mas ele logo se suavizou ao ouvir o resto- eu gostaria de verificar o meu time. Nenhum deles estava no momento que escapamos do salão. Não tenho ideia de como eles estão.

Se fosse qualquer outro time, Hiruzen teria recusado. Nenhuma equipe gennin valia mais do que um Jounnin de Elite na linha da frente, mas...esse time era especial. O jinchuuriki de Konoha e o último Uchiha eram alvos valiosos em momentos de invasão, e havia uma grande probabilidade de serem alvejados pelos inimigos. Hiruzen acenou, fingindo não ver a expressão de alívio no rosto de Kakashi.

O tempo era precioso. Depois de ver Kakashi desaparecendo em outra direção, provavelmente seguindo o cheiro de seus alunos, Hiruzen fez um gesto para Gai segui-lo enquanto eles corriam para o centro da Vila. Quando eles finalmente haviam chegado na periferia da Vila, um ANBU ajoelhado interrompeu sua corrida.

—Hokage-sama, mensagem do Shikaku-sama.

Hiruzen recebeu o pergaminho, antes de lê-lo em alta velocidade. Sua expressão ficou pensativa. Como ele suspeitava, a emboscada dos conselheiros de Konoha havia sido bem-sucedida. Os reforços haviam sido impedidos de atravessar as fronteiras do País do Fogo. Os Kages haviam recuado para fora da Vila devido à essa notícia, e todos cidadãos finalmente haviam sido evacuados. Eles agora só tinham que lidar com os remanescentes dentro da Vila, antes de finalmente concentrarem seus esforços nos milhares de Shinobis fazendo cerco nas muralhas de Konoha. Só assim a noite ruim chegaria ao fim.

Tudo finalmente estava correndo bem. Mas... porque Hiruzen tinha aquela sensação de frio no estômago, como se algo ruim cobrisse o ar? Ele se lembrou de ter essa mesma situação anos atrás, quando seu mestre mergulhou para a morte, e Hiruzen sempre respeitava seus instintos. Estava...fácil demais. Eles nem sabiam a razão pela qual a Vila da Nuvem, Areia e Pedra haviam se unido.

O que ele estava esquecendo? Ele se lembrou daquele pergaminho deixado por seu mestre e as palavras escritas nele...o ataque em Konoha...poderia ser...

Hiruzen se voltou para o ANBU ajoelhado. Sua expressão severa parecia esculpida em mármore.

—Avise o Shikaku.

—Quais são as ordens?

—Está na hora do contra-ataque.

Notas finais
Algumas (?) perguntas foram respondidas nesse capítulo. Foi curto, mas um dos mais difíceis de escrever. Hiruzen é...um personagem complexo. Deu um trabalho enorme escrever esse capítulo, então...eu meio que gostaria de ouvir as vossas opiniões. Um abraço!