Gênesis
64 Interlúdio IV - HITOBASHIRAS - Pilares de Sacrifício Humano (UM)
Notas iniciais
Milhares de anos atrás, tantos anos que eram impossíveis de contar, e muito antes dos Primeiros Homens nesse continente sequer agarrarem a fagulha nos interiores dos seus corpos e as moldarem na energia mística conhecida como chakra, havia um povo.
Mesmo entre as milhares de Tribos dos Primeiros Homens espalhadas pelo vasto e primitivo continente, eles eram particularmente conhecidos. Seus cabelos eram da cor do solo e suas peles eram douradas, como se abençoadas pelo sol. Seus corpos esguios e olhos semicerrados os permitiam navegar pela densa floresta do agora conhecido como o País do fogo, com uma facilidade que seus descendentes herdariam milhares de anos depois.
Mas acima de tudo, a Tribo do Fogo, como eles eram conhecidos, tinha um costume particularmente horrendo.
Sempre que o longo inverno começava, deixando nada mais do que uma floresta repleta de árvores e terras congeladas, para se despedir do calor do sol e da floresta verdejante, eles escolheriam alguns jovens e algumas jovens da Tribo, em uma noite escura, e os levariam até as profundezas da densa floresta, onde árvores enormes e sangrentas se erguiam em um círculo, enquanto uma lua de sangue brilhava no alto, como se fossem pilares de sangue sustentando um sol moribundo.
Para abençoar as futuras safras de cultivo, eles esventravam o grupo de jovens, antes de cavarem um buraco nos grossos troncos das árvores sangrentas. Eles tirariam os esqueletos apodrecidos dos invernos anteriores, e colocavam os moribundos jovens dentro das árvores.
Seus sangues escorrendo alimentariam as árvores, e os troncos sangrentos se fechariam lentamente, enquanto seus corpos esventrados se esvaíam em uma poça de sangue, para nunca mais serem vistos respirando.
Assim, seu sangue e vísceras se tornariam os nutrientes que sustentavam as grossas árvores que protegeriam e alimentariam a tribo durante o longo e gélido inverno, os protegendo da fome nauseante e do frio invernal e seu beijo frio, que sugava a vida de todas as coisas.
Milhares de anos depois, nessa mesma densa floresta, uma gigantesca Vila se ergueu, assim como um templo foi levantado na antiga clareira circulada pelas enormes árvores. Mesmo depois de milénios, o cheiro de sangue denso ainda impregnava as raízes das árvores.
Em uma noite de Lua de Sangue, quando um Inverno particularmente horrível e frio ameaçava cobrir as plantações de Konoha, o Nidaime Hokage, Senju Tobirama, reuniu um grupo de Jovens Shinobis, os seis mais talentosos e poderosos shinobis sob seu comando, e os obrigou a cortarem os seus pulsos diante das árvores, antes de as alimentarem com seu sangue.
Seus rostos estavam pálidos pela perda de sangue, mas seus olhos jovens tinham olhares firmes e determinados, enquanto eles faziam um juramento de sangue sob a lua vermelha.
Esse grupo de shinobis eram a espinha dorsal de Konoha, aqueles que derramavam sangue, tudo para alimentar a enorme árvore que era Konohagakure, por esse motivo, eles passaram a ser chamados pelo mesmo nome que seus antepassados davam aos sacrifícios há milénios atrás.
Hitobashiras.
Pilares de Sacrifício Humano. Pilares que se sacrificavam por Konoha. Eles eram os Troncos firmes que sustentavam as folhas da grande e sangrenta árvore que era Konoha.
Anos depois, quando as terras verdejantes e férteis de Konoha pareciam demasiado tentadoras para as outras Nações, e as quatro outras Grandes Vilas estenderam suas garras no País do Fogo, querendo devorar seus recursos, a Primeira Grande Guerra Ninja começou. Naquele momento, Senju Tobirama se lembrou das velhas histórias contadas em sua infância em meio a guerra interminável da Era dos Estados Combatentes.
Como se estivessem possuídos por demônios, O Esquadrão de Sete membros varreu os campos de batalhas, um por um, deixando para trás nada além de cinzas e montanhas de cadáveres. Eles nunca conheceram a derrota.
Senju Tobirama, Hiruzen Sarutobi, Uchiha Kagami, Shimura Danzou, Koharu Utatane, Mitokado Homura e Akimichi Torifu.
Seus nomes se espalharam pelas Cinco Grandes Nações, como pragas. E mesmo anos depois, após o falecimento do Nidaime em combate, seus alunos haviam crescido de pequenas sementes para firmes e imponentes árvores. Eles Sustentaram Konoha pelo resto da Primeira Grande Guerra Shinobi, inclusive chegando à vencer, e garantindo Vinte longos e estáveis anos de paz.
Com eles no auge, ninguém se atrevia a conspirar contra a Vila da Folha.
Mas mesmo a mais imponente árvore, eventualmente é corroída pela onda do tempo. Suas folhas murcharam, seus galhos caíram, seus grossos troncos se encolheram, como fantasmas do passado. Não restavam nem sombras das orgulhosas árvores de outrora.
Aquele foi o seu fim...ou não.
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O Sétimo Hitobashira— O Homem perseguindo o Sol — Mitokado Homura.
Se houvesse uma palavra que sempre acompanhou Homura, seria mediocridade. Toda sua infância foi definida à volta dessa palavra. Ele tinha um rosto comum. Uma altura comum. Seus pais eram civis comuns, não de poderosos clãs Shinobis. Suas notas na Academia eram comuns, nem altas nem baixas. Sua inteligência era comum, e sobretudo, suas habilidades shinobis eram comuns.
Ele não teria ficado surpreso se toda sua vida seguisse essa trajetória de mediocridade, se não fosse o dia que sua Turma se formou na Academia Shinobi. A primeira geração de Ninjas nascidos em Konoha a se formar. Ele teria ficado satisfeito com um time medíocre e companheiros medianos, mas tudo mudou quando ele se encontrou no telhado da Academia com seus companheiros de equipe e seu Sensei.
Hiruzen Sarutobi, Utatane Koharu e...Senju Tobirama.
Ele quase teve um ataque de pânico. Não havia nada de comum sobre eles. Um era o herdeiro do Clã Sarutobi e o aluno mais forte e talentoso da Academia, a outra era uma menina bonita que ele podia ou não, ter uma queda, além de ser a Kunoichi do Ano. E como tudo tinha tendência a piorar, seu Sensei era o Conselheiro e Irmão mais novo do Hokage, -apesar de todo mundo saber que era ele que praticamente fazia todo trabalho administrativo, a criação a Academia Ninja era, inclusive, ideia dele-, além de ser um dos Shinobis mais fortes do Mundo Ninja. Homura quase chorou imaginando o seu futuro.
Seus desejos se mostraram verdade pelos primeiros anos como equipe. Homura certamente melhorou sob a tutela de Tobirama, mas ele tinha certeza que era mais mérito dos métodos de ensino do gênio do Clã Senju, do que seu próprio talento, mas comparado com seus companheiros... ele empalidecia. A cada dia que passava, Hiruzen era cada vez mais rápido, mais forte, mais inteligente, tinha reservas de chakra cada vez maiores, além de ter um talento injusto para Ninjutsu. Ele, assim como Tobirama, também tinha afinidade com os cinco Elementos, então ele absorvia todo Ninjutsu ensinado por Tobirama como uma esponja.
Koharu por outro lado, era talentosa, inteligente, e muito linda (ele definitivamente não ficava olhando para ela durante os treinos), além de nascer com uma afinidade tão assustadora para Liberação Yin, que Tobirama-Sensei a colocou sob a tutela de sua própria esposa, a reconhecidamente especialista número um em genjutsu em Konoha.
Senju Tōka era assustadora o suficiente com Ilusões para ter tal título em um momento que a Vila da Folha estava repleta de Uchihas e membros do Clã Kurama. Mas Homura tinha que admitir que a assustadora mulher do seu Sensei fazia um excelente Ramen.
Resumindo, assim como ele imaginava, seus companheiros talentosos estavam tão à frente dele, que era injusto sequer comparar. Aquilo simplesmente aumentou as dúvidas no seu coração.
Aquele era realmente seu destino? Se fosse, quão cruel ele era. Perseguindo seus companheiros, ele se sentia como um tolo homem tentando perseguir o sol. Um homem esperançoso estendendo a mão para o céu, e tendo a ilusão que o alcançava, mas não importava o quando ele caminhasse, o sol sempre se afastaria.
Senju Tobirama, a aberração inteligente que era, logo percebeu que havia algo de errado com ele, e o parou depois de uma sessão de treino em equipe. Sentados na grama fria, enquanto o sol se punha, Homura finalmente quebrou. Lágrimas escorriam pelo seu rosto que lentamente perdia a gordura infantil, enquanto ele desabafava sobre o quanto se sentia inadequado em comparação com seus companheiros, ele terminou soluçando repetidamente ´´Por quê? Por que Razão Tobirama havia o escolhido?´´
Ele se lembrava da resposta, mesmo décadas depois.
“Você tem razão. Você não tem o talento ou a genialidade de Hiruzen para Ninjutsu, ou a afinidade de Koharu para genjutsu. Você é, de fato, medíocre. ” Antes que Homura retrucasse, Tobirama continuou. “E é precisamente por isso que eu escolhi você. Hiruzen é talentoso e inteligente, mas tem uma tendência tola em confiar demais nas pessoas, e um impulso ainda maior de agir pensando nos outros antes de si mesmo. Koharu, por outro lado, por mais talentosa que seja, não tem iniciativa. Ela não gosta de pensar, só de seguir ordens. Uma qualidade notável para uma subordinada, mas perigosa, se o líder for um tolo. E Hiruzen, infelizmente, às vezes age excessivamente tolo.”
Os olhos de Homura estavam cheios de surpresa, mas ainda assim havia uma pitada de incerteza neles. Quem poderia culpá-lo? Ele achava difícil de acreditar que seus companheiros tinham essas falhas. Tobirama pareceu ver através dele.
“Você é o único que não veio de um clã com linhagem proeminente, e não tem reservas de chakras ridículas, então você tende a pensar duas vezes antes de agir. Você se lembra da nossa primeira missão Rank C fora da Vila, quando tínhamos que resgatar civis sequestrados por bandidos? Hiruzen, ansioso em resgatar todo mundo, queria entrar logo no esconderijo, confiante em vencer meros bandidos, enquanto Koharu, a boa seguidora que é, queria entrar com ele. Você foi o único inteligente o suficiente para perceber que a distância entre o esconderijo e as aldeias sequestradas, eram longas demais para meros civis cobrirem em tão pouco tempo. Então, você sugeriu que enviassem clones para averiguar o esconderijo, e não é que os bandidos eram na verdade um bando de nukenins Nível Chunnin. Em seguida, você sugeriu fechar as saídas do esconderijo, antes de usarem gás paralítico para capturar os shinobis sem ferirem os civis. Eu obviamente salvaria vocês se algo anormal acontecesse, mas era um teste de campo sobre a vossa dinâmica em equipe. Nos relatórios do vosso professor da Academia, ele descreveu você como alguém ´´covarde e hesitante´´ Sempre preferindo uma abordagem mais analítica em batalhas de Taijutsu, do que atacar primeiro, e por isso você quase sempre perdia. Eu nunca tomo as palavras de outras pessoas, então eu observei você por um tempo. E o que eu vi, me convenceu a escolher você como terceiro membro. Você é observador e nunca subestima ninguém. Uma qualidade semelhante à minha.”
“Sensei...eu...”
Tobirama tentou esboçar um sorriso, mas seu rosto naturalmente severo apenas tornou sua expressão em algo conflituoso.
“O que eu quero dizer, é que você tem seus próprios pontos fortes.”
“Mas... do que isso adianta quando um inimigo está correndo em minha direção, com uma kunai, e eu não posso fazer nada porque sou muito fraco?”
A expressão de Tobirama se contorceu ligeiramente. Parecia que o papel de Sensei zeloso ainda era meio novo para ele. Ele pareceu pensar por um tempo.
“Mais do que você acha. Porém, você tem um ponto, obviamente. Mas alguém com tanta habilidade analítica...há uma forma de você ficar forte. Não no mesmo nível que seus companheiros monstruosos, mas você não ficará muito atrás.”
Seus olhos atrás dos seus óculos se iluminaram. Nada estimulava mais jovens Shinobis do que jutsus novos.
“Então...”
“Esteja aqui ao amanhecer.” Tobirama pensou por um momento “E traga tinta e pergaminho...”
“Tinta e pergaminho?” Ele ficou confuso.
“E...uma espada também.”
Seus olhos se abriram, o despertando das suas lembranças enevoadas, com o som de um galho de árvore estalando, o velho homem olhou para trás, onde um jovem Shinobi vestido com o verde uniforme de Konoha estava parado naquela noite escura. O seu cabelo loiro e olhos verdes sem pupilas em um rosto estupidamente bonito, o denunciavam como um membro do clã Yamanaka.
—Homura-sama, o inimigo está se aproximando.
Mesmo sentindo a tensão escondida no rosto do Shinobi que havia se agachado ao seu lado, sendo um veterano de Três Grandes Guerras, o rosto envelhecido de Homura estava calmo como água.
—Quantos?
O Shinobi Yamanaka pareceu fechar os olhos por um momento, enquanto fazia um selo de mão. Ele pareceu abrir os olhos alguns segundos depois, antes de falar palavras simples, mas cheias de tensão.
— Quinhentos Shinobis.
O rosto de Homura mal mostrou qualquer emoção pelos números anormais. Suna havia enviado diretamente Quinhentos Shinobis, enquanto ele tinha apenas Cem Shinobis ao seu lado. Claro, como eles precisavam sair sorrateiramente de Konoha, eles tiveram que priorizar a qualidade sobre a quantidade. Então, todos seus Shinobis eram de alto nível. Com os mais fracos sendo Elites dentro do nível Chunnin, e os mais fortes sendo alguns Jōnnin de Elite. A qualidade superior dos Shinobis de Konoha sugeria que não seria difícil cada um deles enfrentar dois inimigos do mesmo nível. Mas infelizmente, desta vez o número de oponentes os superavam de um para cinco.
—Entendo. Informe os outros. Me dê um sinal quando eles estiverem a cem metros de nós.
O Yamanaka assentiu, ele fechou os seus olhos, parecendo se concentrar em transmitir a informação mentalmente para seus aliados.
Homura ajeitou a velha armadura de batalha no seu corpo envelhecido. Faziam décadas desde a última vez que ele havia usado, mas o uniforme ainda cabia em seu corpo murcho como uma luva. Ele quase podia fechar os olhos, e imaginar seu eu mais jovem e cheio de vigor, rodeado por companheiros sorridentes e confiáveis ao seu redor.
Infelizmente, o tempo corroeu a memória de Três deles, enterrados profundamente no chão.
Uchiha Kagami, Akimichi Torifu...Seu próprio Sensei... todos eles haviam perdido a vida em batalha, e deles só restavam memórias confusas. E pelos números de inimigos se aproximando, era bem provável que ele próprio também se juntasse à eles em breve. Mas Homura não tinha arrependimentos. O fato de tantos inimigos estarem vindo em sua direção, significava que o lado de Koharu tinha menos pressão e ela estaria mais segura. Você pensaria que depois de tantas décadas juntos, ele deixaria de preocupar olhar para ela. Mas...desde quando humanos eram racionais?
Konoha sempre esteve desconfiada ao sediar esse Shiren Shōkan. Tanto é que eles se viram forçados a aceitar um acordo de aliança com Kirigakure. Mas tudo só piorou quando eles notaram uma certa proximidade entre o Tsuchikage, Raikage e Kazekage. A partir dali, os conselheiros de Konoha e Hiruzen, sendo Shinobis astutos e experientes, logo perceberam as implicações.
Em ordem de evitar o pior cenário, em conjunto com o Comandante Jounnin de Konoha e a Mizukage, eles montaram uma estratégia provável de defesa.
Eles já haviam notado o número alto de Shinobis estrangeiros na Vila, e por mais que tentassem vetar a entrada de muitos deles, não era possível fazer isso sem alertar os inimigos e os fazer agir mais cedo, então um equilíbrio foi alcançado. Eles tentaram evitar o máximo possível de elites dentro da Vila.
Ainda assim, os postos de fronteira notaram um certo fluxo de Shinobis não-identificados entrando no País do Fogo. E era muito provável que eles já estivessem fazendo isso há bastante tempo, e já houvesse um número considerável de inimigos desconhecidos escondidos nas extensas florestas do País do Fogo.
Com base nisso, Nara Shikaku foi capaz de perceber a provável estratégia dos Inimigos. Primeiro, os Shinobis dentro de Konoha criariam tumultos e procurariam abrir os portões, logo, os Shinobis espalhados pelo País do Fogo se uniriam e faria um cerco nas muralhas de Konoha, quando o portão fosse aberto, eles invadiriam a Vila. Enquanto Konoha estivesse desesperadamente tentando conter os inimigos, um número maior deles invadiria o País do Fogo e seguiria diretamente para Konoha. Os verdadeiros pesos-pesados e elites provavelmente estariam nesse grupo. Eles agiriam como lanças e perfurariam profundamente uma distraída e indefesa Konoha.
Era uma hipótese muito provável, e os experientes Conselheiros conseguiram ver as possibilidades desse plano. Com base nessa hipótese, eles criaram uma estratégia de defesa perfeita.
Primeiramente, ao longo do dia, eles estavam silenciosamente evacuando uma pequena parte dos civis, decididos à sacrificar possíveis danos às infraestruturas dentro de Konoha, além de estacionarem shinobis próximos das linhas de evacuação. Caso um ataque acontecesse, eles fariam o possível para evacuar os civis restantes e mitigar os danos, enquanto um grande número de Shinobis ficaria nas muralhas de Konoha para se defender do cerco.
Nesse exato momento, cada um dos conselheiros lideraria um grupo de Shinobis de Elite, e atravessariam os túneis subterrâneos sob Konoha, antes de irem para as fronteiras com os Países inimigos. Eles tentariam emboscar os reforços inimigos, enquanto tentavam ganhar tempo para Konoha eliminar os inimigos na aldeia e reorganizar suas defesas. Dessa forma, mesmo que os esquadrões nas fronteiras falhem, Konoha estaria preparada para se defender.
Obviamente, esse era o pior cenário. O mais ideal seria se certificar que os invasores fossem enterrados nas fronteiras. A fronteira entre o País do Vento e o País do Fogo era a maior, com ambos Países sendo ligados por meio do País da Chuva e o País dos Rios. Tendo em conta a animosidade de Hanzo com invasores, era muito provável que Suna invadisse por meio do País dos Rios.
Mas ainda assim, era uma fronteira enorme. Tendo em conta que eles pretendiam invadir sorrateiramente, dois possíveis locais, os mais longes possíveis com os postos de controle de fronteira, foram definidos. Homura conduziu seu grupo para um desses locais, enquanto Koharu liderava outro grupo. Danzou, por outro lado, estaria trabalhando com a Cachoeira para interceptar o Regimento de Iwagakure nas fronteiras com o País da Grama.
O jovem Yamanaka ao seu lado finalmente abriu os olhos.
Homura conseguia ver uma ligeira tremedeira nas suas mãos. Ele olhou atentamente para ele. Seu rosto ainda estava perdendo um pouco de gordura infantil. Ele parecia ter cerca de dezesseis anos. Para ser um exímio sensor e transmissor em tal idade, e ainda ter a força de um Chunnin de Elite, ele era certamente talentoso.
Homura ajeitou seus óculos.
—Qual é o seu nome, garoto?
Ele pareceu surpreso por um momento, antes de responder com hesitação.
—Yamanaka Aomine, Homura-sama.
Homura assentiu. Sua expressão era impassível.
—Bom, Aomine-kun, você está com medo?
Aomine olhou para O Conselheiro com surpresa, antes de perceber que todo esse tempo seu corpo estava tremendo de medo. Sua expressão juvenil se encheu de horror. Que tipo de Shinobi ficaria com medo por defender sua Vila?
—Isso não-
—Não precisa mentir –Homura o cortou, seus óculos refletiam o rosto cada vez mais apavorado de Aomine. Um pequeno sorriso surgiu no seu rosto severo. Era como olhar para um espelho seu do passado – Essa é sua primeira vez em uma situação como essa?
Ele queria negar, mas apenas suspirou.
—Eu...sim. Obviamente já me envolvi em combate em missões antes...mas essa é a primeira vez que vou enfrentar tantos inimigos. Só de imaginar as possibilidades...eu fico tremendo de medo.
Ao invés de uma repreensão, ele apenas viu Homura olhar com ele com ainda mais interesse.
—Então você está com medo do desconhecido? –Aomine assentiu – Bom. Isso significa que você não é estúpido. Talvez você sobreviva à isso.
Aomine arregalou os olhos. Era isso? Ele não seria repreendido por temer inimigos diante do Conselheiro da Vila? Homura pareceu ler seus pensamentos.
—A partir do momento em que você começa a deixar de temer a morte...tem algo fundamentalmente errado com você. –Ele mostrou suas mãos enrugadas. Elas tremiam ligeiramente – Mesmo depois de tantas décadas, ainda há um frio ligeiro se acumulando no meu estômago, diante do desconhecido. E eu sou um veterano de três grandes guerras. Quantos eles são? Como eles lutam? Quantos de nós conseguiremos viver?. Essas perguntas continuam surgindo na minha mente. Eu ainda sou um covarde. Não tem nada de errado com isso. Sentir medo. É isso que significa a morte, não é? Deixar de sentir. – Ele fez uma pausa, enquanto Aomine absorvia atentamente- O que você não pode é deixar o medo paralisar você. Pense na nossa Vila. Pense no nosso povo. Pense na garota linda que você ama e na sua pele manchada pela barbaridade que vai acontecer com ela se esses malditos colocarem as mãos nela. Pense no seu companheiro de Konoha atrás de você na formação, precisando que você o defenda matando os inimigos. Tudo isso deve manter você funcionando. Tudo isso deve manter você matando. O que eu quero dizer é...se você paralisar quando o inimigo estiver diante de você... eu próprio vou cortar sua cabeça.
Vendo o aço afiado nos olhos de Homura, Aomine não pode deixar tremer. Aqueles olhos eram os olhos de uma katana afiada que ceifou vidas por Três Grandes Guerras. Ele só pode cerrar os dentes, antes de assentir.
Foi no exato momento em que algo finalmente clicou em seus sentidos. Uma onda tremulante de calor no horizonte, mas para ele, era como um conjunto de faróis acesos.
—Eles estão aqui, Lorde Homura.
Homura não falou nada. Se concentrando nas suas habilidades sensoriais medíocres, Homura conseguiu sentir os inimigos se aproximando. Eles haviam ocultados seus chakras razoavelmente bem, de tal forma que, a menos que um sensor exímio os procurasse ativamente, eles passariam despercebidos para os Shinobis medianos que geralmente guardavam a fronteira.
Infelizmente para eles, Konoha tinha o maior estrategista militar na forma de Shikaku Nara. Era tranquilizante ver tal intelecto servindo a grande árvore que era Konoha. Ver alguém criando estratégias assustadoras com tão poucas informações, era como ver um fantasma do seu Sensei durante a Primeira Guerra. Um estrategista nato. Além de prever a possível invasão, Shikaku também havia planejado contingências para milhares de diferentes possibilidades. E como esperado, Suna não os desapontou.
A partir de agora, tudo dependia do comando de Homura sobre seus subordinados. Ele poderia não ser tão inteligente quanto Senju Tobirama ou o Comandante Jounnin de Konoha, mas sendo um velho monstro que sobreviveu à violenta Primeira Guerra Shinobi, e um Pilar Humano que sustentou Konoha por décadas, Homura era um comandante militar extremamente experiente e qualificado.
Comparado com a assustadora Primeira Guerra Shinobi, aquilo não era nada. O Primeiro Hokage, o Primeiro Raikage, o Primeiro Mizukage, o Primeiro Kazekage, o Primeiro Tsuchikage, assim como as segundas gerações dos Cinco Kages, todos eles morreram durante a Primeira Guerra Shinobi. Dez Shinobis de nível Kage desapareceram da face da terra. Isso era o quão terrível foi a Primeira Guerra a qual ele havia sobrevivido. Por essa razão, houve um acordo tácito de não-envolvimento dos Cinco Kages no campo de batalha, a menos que fosse um último recurso para proteger suas Vilas. As gerações dos Sandaimes Cinco Kages mal se atreveram a pisar no campo de batalha durante a Segunda Guerra Shinobi, que teve como campo de batalha o País da Chuva. Mesmo quando Hanzo, O Salamandra, dizimou pelotões de Konoha, Hiruzen confiou principalmente nos seus Três alunos, os Sannin Lendários, para pará-lo.
—Qual rota?
Depois de ouvir Aomine explicando, Homura saltou da árvore onde estava escondido, pousando no chão daquela imensa floresta. Ele realizou um selo de mão, criando quatro clones das Sombras ao seu lado, e reduzindo consideravelmente suas reservas de chakra envelhecidas. Seus clones desapareceram como um borrão pela floresta, com vinte shinobis de Konoha seguindo cada um deles.
Fuuinjutsu era a mais esotérica das Artes Ninjas, onde eram necessárias capacidades analíticas extraordinárias, bem como um talento anormal para cálculos mentais. O Shinobi médio acharia exaustivo sequer configurar os selos de uma etiqueta de papel explosivo. Essa era uma das poucas Artes Shinobis em que talento importava mais do que qualquer coisa. E Homura se sobressaía nesse aspecto.
Cada um dos alunos de Tobirama se sobressaía em sua área. Hiruzen havia herdado uma proficiência anormal em Ninjutsu, o tornando o equivalente à uma balística humana ambulante. Koharu havia herdado a habilidade de lançar ilusões infernais no campo de batalha, como um demônio sussurrando docemente nos seus ouvidos. Homura, por outro lado, havia bebido da longa experiência de Fuuinjutsu de um Shinobi com uma mente genial que havia descoberto como rasgar o tecido espaço-temporal e como quebrar os planos da vida e da morte. Homura era o equivalente ao controlador do ambiente de batalha com seu Fuuinjutsu.
Se o segundo time de Tobirama, composto por Danzou Shimura, Kagami Uchiha e Torifu Akimichi era um esquadrão puramente de Assalto, esmagando inimigos como uma marreta pesada, Homura, Hiruzen e Koharu eram como um bisturi preciso e controlado, rasgando e removendo inimigos com a delicadeza de um cirurgião. Juntos, durante a Primeira Guerra Ninja, sob o comando inteligente de Tobirama, os Sete funcionavam pelo campo de batalha como uma máquina bem oleada de assassinato, colhendo vidas como se fossem nada.
Fuuinjutsu era de fato uma das áreas mais poderosas de artes ninjas, mas pecava pelo tempo extremamente longo de construção da maioria dos selos. Em termos de habilidades defensivas, se fosse dado tempo de preparo suficiente para um mestre Fuuinjutsu, eles seriam quase invencíveis.
Mas havia um problema em sua efetividade em campo de batalha. A maioria dos Fuuinjutsus poderosos levavam um tempo ridículo para serem configurados e exigiam inúmeros materiais. Não eram muito confiáveis quando Kunais inimigas estavam chovendo sobre seus companheiros.
Por um tempo, Homura também havia lidado com essa fraqueza. Muitas vezes, ele configurava armadilhas em um campo de batalha, desperdiçando materiais, apenas para o inimigo mudar de direção no último minuto. Era mais efetivo configurar quando você tinha certeza da localização dos inimigos e suas possíveis rotas, mas a desvantagem era o curto espaço de tempo para configurar os selos.
Como nesse exato momento. O grupo de Suna estava finalmente confirmado de passar por esse local, mas haviam menos de um minuto para entrarem em contato com os inimigos. Seus olhos velhos estavam calmos enquanto ele executava uma série de selos com suas mãos enrugadas.
Suiton — Mizukuro (Água Negra)
Seu chakra se agitou no seu estômago, como se um redemoinho se formasse no seu interior. Ele inflou sua boca, antes de derramar uma torrente de água negra como o breu, no chão daquela floresta.
Alguns segundos depois, uma grande poça de água negra se acumulou no chão daquela floresta, cobrindo os seus tornozelos de negro, como se estivessem afogados em tinta.
Com um outro selo de mão, a água negra a seus pés começou a se separar em pequenos filetes, que se moviam pelo chão como serpentes com vidas. Depois de longos segundos, manchas negras estavam tatuadas no chão verdejante, formando inscrições e kanjis esculpidos com tanta beleza, que mal pareciam ter sido feitos às pressas.
Homura olhou para os selos que cobriam o local com uma profunda satisfação. Depois de muito tempo se perguntando como usar fuuinjutsu mais efetivamente em batalha, aquela foi a solução que ele havia chegado junto com seu Sensei. Devido a sua afinidade com Suiton e uma razoável afinidade Liberação Yin, Tobirama sugeriu que ele se baseasse no Kage Mane do Clã Nara, -que usava Doton em conjunto com Liberação Yin, para manipular sombras.
Depois de muito esforço, Homura conseguiu criar um único Jutsu que combinava Suiton com chakra Yin para criar uma água Negra que poderia servir como tinta, e poderia ser manipulada facilmente com seus pensamentos.
Isso aumentou sua versatilidade do seu fuuinjutsu de tal forma, que ele poderia conjurar selos complexos em segundos, assim como agora.
Ele tinha certeza que seus clones também haviam configurado selos semelhantes ao longo da floresta. Com um único pensamento, os selos negros se tornaram desbotados, como se fossem invisíveis. Eles haviam sido absorvidos ligeiramente pela grama e Árvores, e podiam ressurgir na sua superfície com um único pensamento seu.
Os shinobis de Konoha escondidos nos galhos das árvores olhavam para os movimentos e Homura com surpresa evidente. Eles haviam ouvido rumores, mas era realmente surpreendente o quanto as habilidades de Fuuinjutsu do Conselheiro eram requintadas. Alguns deles não puderam deixar acariciar os papéis que eles tinham fixados nos seus uniformes. Eram etiquetas de supressão de chakra feitas pessoalmente pelo Conselheiro Homura. A única desvantagem era que era impossível moldar chakra enquanto se usava a etiqueta, então eles tinham ordens para retirá-las somente antes de atacarem. Para o caso de existirem sensores no grupo inimigo, Homura havia distribuído pessoalmente aquelas etiquetas para cada Shinobi. Uma emboscada nunca seria bem-sucedida sem o elemento surpresa, afinal.
Com um shunshin, Homura surgiu novamente no galho de uma árvore, enquanto seu chakra era reduzido à quase nada. Sendo um veterano, ele não precisava de um selo para fazer algo tão mundano.
Em menos de cinco respirações, os primeiros shinobis se Suna silenciosamente cruzaram a floresta.
Eles eram o grupo avançado de um grupo de cem Shinobis. Como esperado, Shinobis nunca se moveriam em um pelotão de quinhentos shinobis, então não era surpreendente que eles haviam se dividido em grupos menores.
Seus clones haviam liderado pequenos esquadrões de Konoha, para diferentes pontos de emboscada, enquanto configuravam diferentes fuuinjutsus.
O grupo avançado de Suna, formado por cinco Shinobis, observou o ambiente com olhos críticos e analíticos. Um deles, parecendo ser um sensor, fechou os olhos e espalhou seu chakra pelo caminho. Ele logo balançou a cabeça.
—O caminho está livre.
Um Jounnin alto, vestindo o uniforme de Suna, assentiu, antes de piscar a sua assinatura de chakra em uma frequência que provavelmente era um sinal para o grupo maior nas suas costas.
—Vamos.
Com movimentos rápidos, os cinco Shinobis atravessaram a floresta como um borrão. Homura observou eles passando, escondido nos galhos de uma árvore. Não adiantava desperdiçar uma armadilha em cinco shinobis, mas ele fez um pequeno sinal de mão e dois Jounnins de Konoha silenciosamente seguiram atrás dos cinco Shinobis.
A grama farfalhou, enquanto cerca de cem shinobis vestindo o uniforme de Suna surgiram através da floresta. Seus movimentos eram frios e precisos, enquanto intenção assassina preenchiam seus olhos. Sendo um veterano, Homura logo reconheceu aqueles olhos.
Um esquadrão suicida.
Eram olhos de homens e mulheres mortos, sem qualquer objetivo a não ser cobrir tudo de chamas. Homura quase conseguia ver refletido nos seus olhos a imagem de uma Konoha em chamas. Aquilo fez seus olhos escurecerem enquanto os assistia rasgando a floresta como lobos raivosos.
Sua mão formou um selo. O grupo de Suna estava se movendo profundamente pela floresta, e quando eles viram inscrições negras cobrirem da grama até os troncos das árvores, era tarde demais.
Um som ensurdecedor encheu a floresta, enquanto as árvores clareavam como se fosse dia e o sol, estivesse nascendo.
Chamas brilhantes cobriram a floresta, assim como o cheiro de carne humana queimada.
Quando a fumaça abaixou ligeiramente, cadáveres carbonizados cobriam a floresta. Os mais rápidos Suna-nin reagiram se escondendo no alto das árvores, enquanto uma parte se escondeu dentro de marionetes resistentes convocadas. Mas pelos cadáveres carbonizados espalhados na floresta em chamas, pelo menos metade havia morrido, e a outra metade ficou ferida leve ou gravemente.
Os Jounnins comandantes da Areia gritavam ordens para os sobreviventes se reagruparem, mas era difícil ouvirem suas vozes enquanto uma fumaça ardente cobria seus olhos e gargantas com o gosto de cinzas, e gritos de dor ecoavam dos corpos moribundos e mutilados. Os Shinobis de Suna estavam em completa confusão.
Como Homura poderia ignorar isso?
Com um sinal seu, os shinobis de Konoha escondidos no alto queimaram seus selos de supressão de chakra, enquanto desembainhavam suas espadas, antes de mergulharem na fumaça.
A maioria dos Suna-nins demoraram para reagir, e quando perceberam, era tarde demais. A única coisa que se via eram o prateado das lâminas dos Shinobis de Konoha ficando vermelhas de sangue. Homura estava na liderança, seu corpo velho não se movia com a velocidade de outrora, mas ele movia sua katana com a graça e eficiência de um espadachim veterano. Cada simples movimento procurava matar ou incapacitar os inimigos.
Depois de exatos cinco segundos, quando os Shinobis de Suna enfim começaram a reagir e a se reagrupar, Homura fez um sinal, antes de decisivamente recuar através da fumaça para as árvores altas com seus homens.
Pelas explosões que ele ouviu nos arredores da floresta, seus outros clones e seus esquadrões também haviam sido bem-sucedidos nas emboscadas. Olhando para trás, enquanto liderava seu esquadrão pelas altas árvores, ele viu os Shinobis de Suna sobreviventes finalmente se organizarem sob o comando de uma Kunoichi raivosa com um leque gigantesco nas costas, antes de saltarem para o alto das árvores e começarem a perseguir seu grupo.
Os dezesseis Konoha-nin sobreviventes o seguiam em um piscar de olhos. Os olhos de Homura se demoraram nos três cadáveres de Konoha no chão. Eram os azarados que haviam se envolvido com as Elites no grupo de Suna. Aquilo o deixou de mau humor.
Mas o número esmagador de cadáveres de Suna acalmou seus pensamentos. Depois da execução dessa emboscada, restavam apenas cerca de Trinta Shinobis no lado de Suna, em comparação com os cem iniciais. Enquanto ele havia perdido apenas três homens. Somando com os dois que ele enviou para perseguir a unidade avançada, ele ainda tinha Quinze homens. Eram números muito mais realistas.
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Homura, ao ver os Shinobis de Suna os seguindo. Olhando para o rosto relativamente jovem da Kunoichi os liderando, ele não achou estranho. Ela provavelmente ainda era uma gennin durante a última guerra. Muito provavelmente era uma comandante improvisada depois do comandante real ter morrido nessa emboscada. Isso porque...Homura tinha certeza que qualquer veterano da Segunda Guerra nunca tentaria perseguir eles. Afinal, a decisão dela de enfrentar Shinobis de Konoha nas árvores, era um erro terrível. Isso era tão idiota quanto enfrentar Shinobis de Kiri na Água, Shinobis de Iwa nas montanhas, ou Shinobis de Suna no deserto.
Como se lessem sua mente, todo o esquadrão de Konoha desapareceu entre os galhos das árvores, como se fossem fantasmas.
A Jounnin comandando o esquadrão de Suna finalmente percebeu que algo estava errado, mas antes que ela abrisse a boca, ela ouviu um grito nas suas costas. A única coisa que ela conseguiu ver foi a cabeça de um de seus subordinados voando pelo ar, enquanto um vulto com uma lâmina ensanguentada mergulhava de volta para os galhos das árvores.
Ela logo ouviu o som de tinidos metálicos, enquanto seus subordinados chocavam suas lâminas contra os vultos emergindo pelas árvores. Os shinobis de Konoha se moviam nos galhos das árvores pelo menos três vezes mais rápidos do que no chão. Seus corpos se contorciam com movimentos aparentemente simples, mas erráticos e evasivos.
Eles se moviam como demônios, fatiando quaisquer corpos diante dos seus olhos. Depois da morte do primeiro shinobi, a maioria dos seus subordinados conseguiu se defender de golpes mortais dos Ninjas de Konoha, mas o número de ferimentos cobrindo seus corpos aumentava em cada instante.
Ela cerrou os dentes, antes de olhar para um dos Shinobis mais próximos dela.
—Kazuma!
O Chunnin ao seu lado apenas assentiu, parecendo ler seus pensamentos. Ele fechou os olhos por alguns instantes, antes de apontar o dedo na direção onde ele sentia o maior número de assinaturas de chakra.
—Naquela direção, Medaki-Sama.
Medaki mordeu o seu dedo, antes de desenhar uma linha de sangue no seu leque. Ela concentrou uma quantidade assustadora de chakra, antes de balançar seu leque em um movimento completo. O leque se abriu em um piscar de olho, enquanto ela o balançava em um grande arco.
Fuuton – Dai Kiri Kiri Mai. (Liberação do Vento – Grande Dança da Decapitação Rápida)
Um vendaval de lâminas de ventos gigantescas cobriu a floresta, arrancando grossas Raízes de árvores como se fossem feitas de papéis, e deixando uma profunda ravina onde antes haviam grossas árvores. Ela exalou o ar de forma profunda, enquanto ordenava que seus subordinados confusos finalmente se agrupassem no terreno agora nivelado.
Finalmente se sentindo segura, Medaki olhou para o emaranhado de grossas árvores caídas diante dos seus olhos.
—Relatório.
Kazuma cerrou as sobrancelhas de forma profunda, antes de pronunciar curtas, mas assustadoras palavras.
—Inteiros.
Medaki arregalou os olhos de horror, enquanto via um grupo de árvores caídas serem lançadas no ar, revelando os Shinobis de Konoha intatos. O velho homem em armadura, provavelmente o comandante deles, estava parado diante dos seus homens de forma protetora, e enquanto seus subordinados tinham feridas variadas, a armadura que cobria seu corpo envelhecido, mas afiado e reto, estava sem um único vinco.
Medaki tinha uma única pergunta em mente. Como eles haviam sobrevivido? Mas ela enterrou seus pensamentos. Agora que os números de ambos os lados estavam reduzidos, e as árvores sorrateiras ao redor haviam desaparecido, ela finalmente ordenou.
—Formação oito.
Os Vinte Shinobis experientes que restavam ao seu lado logo se recompuseram. Expondo suas armas em uma formação. As Kunoichis portando leques nas suas costas os desdobraram com movimentos simples e graciosos de quem já havia feito aquilo mil vezes. Vendo os Shinobis do Corpo de Marionetes invocando suas marionetes de aparência mortal e assustadora, foi impossível ela não cerrar os dentes ao se lembrar do líder deles, morto na infeliz explosão.
Sem um único sinal de hesitação, as marionetes abriram suas bocas, antes de exalarem uma fumaça roxa de seus mecanismos ocultos. Aquele movimento era a razão pela qual o Corpo de Marionetes era bastante conhecido por um outro nome: Corpo de Venenos. Como se tivessem praticado aquele movimento mil vezes, as Kunoichis balançaram seus leques, produzindo um forte vendaval que espalhou a fumaça venenosa com uma velocidade alucinante em direção ao Esquadrão de Konoha.
O mundo mudou. Um vendaval roxo cobriu o horizonte, enquanto corroía tudo em seu caminho, até finalmente engolir o esquadrão de Konoha.
Medaki suspirou de alívio, sentindo seus músculos tensos relaxarem. Mas isso só durou até ela ouvir um som de sucção vindo da névoa roxa. Ela assistiu, de olhos arregalados, enquanto a Névoa encolhia diante dos seus olhos, como se um buraco negro se abrisse no meio dela.
Quando a Névoa finalmente desapareceu, e tudo o que ela viu foi o Comandante de Konoha com um pergaminho com selos negros e detalhados flutuando no ar, enquanto sugava a névoa restante como um vórtice, ela finalmente entendeu como eles haviam sobrevivido.
Fuuinjutsu Espaço-Temporal.
Ela assistiu enquanto Homura guardava o pergaminho com o Kanji veneno, antes de puxar um outro pergaminho com o Kanji da palavra vendaval tatuada no meio. Medaki logo arregalou os olhos, uma sensação de horror cobrindo seu rosto.
Um brilho de compreensão cobriu os olhos de Homura, enquanto ele lançava o pergaminho aberto no ar. Era tarde demais. Homura fez um selo.
—Kai.
O pergaminho brilhou, antes que um vendaval de lâminas cortante muito familiar para Medaki se soltasse. Era o ataque que ela havia usado mais cedo, apesar de estar ligeiramente mais enfraquecido. Ela não teve tempo para se alegrar, antes de ver Homura lançando um outro pergaminho no ar, com o Kanji Fogo.
Chamas piscaram no ar, antes de um tornado de chamas engolir o Esquadrão de Suna. O ar estava tão quente, que Homura sentia seus pelos chamuscarem pelo calor.
Longos minutos depois, as chamas finalmente diminuíram, deixando um mar de corpos torrados como carvão no chão. Um único corpo jazia de joelhos, e logo Homura percebeu que havia um som de respiração vindo do corpo carbonizado.
Aquele corpo queimado, com um leque colocado de forma protetora...parecia ser a líder de Suna. Ela provavelmente havia se coberto em uma esfera de vácuo sem oxigênio, de modos que as chamas ao seu redor se extinguissem na falta de oxigênio para combustão. Mas apesar de sobreviver, ela claramente havia subestimado o vendaval de chamas. Seu corpo feminino estava irreconhecível, e nada além de pura força de vontade a mantinha de joelhos. A dor deveria ser horrível.
Os olhos de Homura brilharam de forma fria, enquanto ele caminhava em sua direção. Ele desembainhou sua Katana prateada naquela noite escura. A lâmina fria refletia seu rosto severo e frio, enquanto ele se movia como um fantasma etéreo.
A boca dela se abriu, procurando dizer algumas últimas palavras, mas tudo que sua garganta carbonizada poderia produzir eram ruídos guturais e incompreensíveis. Os olhos envelhecidos de Homura não flutuaram de nenhuma emoção enquanto ele erguia a sua espada com um movimento suave.
Konoha-ryu- Mangetsu. (Lua Cheia)
Um brilho prateado piscou na noite escura, enquanto Homura embainhava a sua katana na sua cintura. Um estalo metálico foi ouvido, ao mesmo tempo que uma cabeça caía no chão.
Ele se virou para os oito Shinobis de Konoha o encarando com aparência abatida. Homura olhou uma última vez para a floresta carbonizada, e os corpos queimados, antes de suspirar. A noite ainda não havia terminado.
—Vamos.
Depois de ouvir suas ordens, eles se movem novamente pela floresta, seguindo em direção aos outros locais de emboscadas.
Gritos encheram a floresta, enquanto eles ajudavam os outros times liderados por seus clones. Homura prestou atenção aos chakras mais poderosos dos inimigos. Havia um pequeno número de Jounnins de Elites. Na sua juventude, Homura certamente era o mais fraco entre os Hitobashiras, razão pela qual ele era o Sétimo Pilar, mas ainda assim, ele tinha a força genuína de um Kage-baixo.
Havia uma razão pela qual Senju Tobirama disfarçou a sua avaliação para o posto de Sandaime, por meio de um teste sobre quem seria a isca. Homura não era tolo ao ponto de não saber do favoritismo flagrante de Tobirama para Hiruzen, afinal, ele havia feito um teste que era bastante favorável à personalidade altruísta de Hiruzen. Mas ainda assim, Tobirama nunca voltava nas suas palavras. Quem se oferecesse como isca, seria genuinamente o Terceiro Hokage. Além de confiar neles como seus estudantes, a outra razão era que cada um dos seus alunos tinha a força necessária para herdar o cargo. Uns eram mais fortes que os outros, obviamente, mas todos eles eram genuinamente nível Kage, e a linha da frente de Konoha na Primeira Grande Guerra Shinobi.
A idade, infelizmente, enfraqueceu Homura para o nível de um Jounnin de Elite, mas a sua experiência de batalha superior o tornava mais perigoso que qualquer jovem Jounnin de Elite.
Então, ele continuou se movendo pela floresta, balançando sua lâmina com a familiaridade e facilidade de um espadachim que havia feito aqueles movimentos mais de mil vezes, deixando uma montanha de cadáveres para trás. Mesmo depois de anos, ele ainda conseguia se lembrar dos rostos horrorizados dos Shinobis que ele matou. Mas não dos nomes. Esses se esvaíram da sua memória como névoa.
Quando ele finalmente parou de balançar sua katana, nada além de braços pesados de dor e o silêncio da floresta repleta de cadáveres o cobriram.
Ele apoiou se corpo envelhecido e repleto de feridas em uma árvore, enquanto olhava solenemente para o horizonte, como se pudesse ver Koharu. Mas ele logo suspirou, ao ver os Shinobis encarando com exaustão. Por mais que seu coração inquieto quisesse se mover em sua direção, ele sabia que chegar em um campo de batalha com soldados exaustos e feridos mataria seus subordinados. Ele suspirou, antes de ignorar suas dores e se levantar. Um verdadeiro comandante lidera pelo exemplo.
—Metade de vocês, descansem e tomem pílulas de reposição de chakra, enquanto a outra metade, matem os feridos de Suna, mas deixem dois vivos para interrogatório. Cinco minutos depois, troquem. Partimos em dez minutos e..-ele suspirou- Contabilizem nossas baixas e feridos.
Ele se moveu, enquanto cortava a garganta de qualquer Shinobi moribundo de Suna na montanha de cadáveres. Alguns minutos depois, quando ele finalmente se recostou para descansar, enquanto tomava pílulas de chakra militar, ele recebeu o relatório. Sessenta mortos, Dez gravemente ferido e Trinta exaustos, mas prontos para ação. Não eram números ruins, tendo em conta que eles mataram pelo menos trezentos Shinobis de Suna. O restante recuou com ferimentos graves.
Por todos os parâmetros, eles haviam conseguido cumprir sua missão. Mas... olhando para o rosto sem vida de Yamanaka Aomine, com uma linha vermelha desenhado na sua garganta, como um sorriso de sangue, seu humor era extremamente ruim.
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