Gênesis

57 Cinzas Remanescentes - ATO VII - O Hipócrita (final)


Notas iniciais
Aproveitem!

ATO VII — O HIPÓCRITA. (Final)

El deitou calmamente o corpo de Natsuki no chão, com uma delicadeza maternal, como uma mãe carinhosa deitando sua filha para dormir. Seus fios de cabelo castanho, pintados de carmesim pela poça de sangue que estava sob ela, sua pele pálida e lábios de cereja vermelhos, formavam um quadro lindo digno de uma obra de arte.

Ni El ficou parada calmamente no meio da rua, observando aquela inebriante pintura. E ela não pode deixar de achar aquilo absurdamente lindo. Havia uma beleza única na morte. No seu silêncio reconfortante e na expressão de alívio e paz daqueles que partiram.

Era como se aquele mundo cruel fosse uma doença, e a morte era um remédio que todos eles há muito buscavam, mesmo que inconscientemente.

Se matar era uma arte, ela se orgulhava de ser uma talentosa artista.

Ela ignorou o cheiro intenso de sangue e de morte que a circulava, e ainda que relutantemente, afastou os seus olhos dourados da sua obra, e olhou para o telhado vazio de uma casa, engolido pelas sombras.

´´No final...eles não apareceram...que pena...´´

Como se fosse um fantasma, seu corpo desapareceu daquela rua.

Alguns segundos depois da figura de El se esvair, o ambiente tremeluziu ligeiramente, como se fosse um corte no tecido da realidade, revelando quatro figuras envoltas em uma névoa ilusória.

A figura enevoada no meio abriu a boca.

—Essa menina...ela nos sentiu? Que instintos aguçados...

As vozes eram indistintas e distorcidas, ora soando como se fossem de um velho e ao mesmo tempo de uma criança, ora soando como se fosse de um homem e uma mulher ao mesmo tempo. Uma outra voz soou.

—Devo fazer um movimento?

A figura no meio pareceu pensar por um momento.

—Esqueça. Ajudar Konoha não faz parte do acordo. Lembre-se, nós existimos para apenas um propósito: proteger os descendentes dos Celestiais.

Uma terceira voz gutural soou, apontando para a rua manchada de cadáveres.

—E esses corpos?

—E quanto a eles? Meros selvagens de sangue baixo que sujam o nome dos Nobres Celestias. Deixem os corvos se banquetearem com seus sangues imundos.

Como se fosse um truque de mágica, seus corpos voltaram a desaparecer nas sombras, como se nunca tivessem existido.

***

Os olhos de El se estreitaram enquanto ela corria como um borrão. Aquela sensação horripilante de ser observada...não havia dúvidas. A Unidade das Sombras... Eles estavam realmente aqui... assim como Kei suspeitava. Parece que matar aqueles baixos nobres não foi suficiente para atraí-los para fora...uma pena de fato...

Seus olhos dourados se estreitaram repentinamente em uma outra figura magra correndo em sua direção. A lua cheia havia sido momentaneamente coberta por nuvens espessas, engolindo as ruas com sombras escuras, então era difícil distinguir as suas feições. Se nada acontecesse, elas se cruzariam pelos telhados em alguns segundos.

A figura corria calmamente e seus músculos estavam completamente relaxados, parecendo completamente inofensiva, se não fosse a katana presa à sua cintura.

Em algumas breves respirações, elas se cruzaram lentamente no telhado, e El analisou a figura dela enquanto ela passava bem ao seu lado. O cheiro de ferro incandescente e fuligem com sangue assaltou seu nariz sensível.

Quando ambos os corpos passaram completamente um pelo outro, em um movimento instantâneo, El girou o corpo com uma suavidade anormal, enquanto uma adaga aparecia entre os seus dedos, como um borrão, sua adaga se moveu em direção ao pescoço dela, apenas para encontrar a katana embainhada no seu caminho.

Um som agudo ecoou na noite escura.

Apesar das aparências magras, ambos os corpos continham uma força terrível. Seus pés se arrastaram dezenas de metros, arrancando inúmeras telhas.

Bem naquele momento, as nuvens pareceram finalmente se mover, e a luz da lua cálida iluminou seus corpos. Elas se encararam. E El logo a reconheceu.

Tetsuro Satsumi era...peculiar, para dizer o mínimo. Ela tinha cabelos longos e negros presos em um rabo de cavalo, e uma pele pálida e doente, como um fantasma que há anos não via o sol. Mas a característica mais marcante dela, eram aqueles olhos incrivelmente vermelhos, como sangue.

El estreitou seus olhos em fenda para a garota da Vila da Fechadura a encarando atentamente. A menina que, junto com uma outra Kunoichi chamada Fuu, de Takigakure, foi a única de uma Vila menor à sobreviver ao horror do Shiren Shōkan.

Para poder reagir à um golpe seu à tal velocidade...não haviam muitas pessoas capazes disso. Satsumi definitivamente não era fraca, ou não teria sobrevivido sozinha ao banho de sangue. Ni El ficou séria, aumentando seu aperto na adaga em seus dedos, enquanto os olhos de Satsumi a encaravam com uma profunda... relutância?

Em um movimento que surpreendeu El, Satsumi guardou a sua Katana embainhada na faixa que segurava seu quimono negro, enquanto colocava as mãos em concha.

—Senpai, existe uma maneira de evitarmos conflitos?

Os olhos de El brilham friamente, enquanto ela inclinava a cabeça de maneira curiosa.

—Perdão?

Satsumi suspirou pesadamente, como se fosse confessar algo bastante pessoal.

— Na verdade, eu realmente fui ordenada a ajudar Konoha a lutar contra as forças inimigas, assim como todos os Shinobis da Vila da Fechadura. Mas...a verdade é só uma. Eu realmente não me importo com essa Vila. Então, eu estava, sorrateiramente é claro, querendo me esconder no abrigo com os civis. É só que...eu meio que sou ruim com direções. E foi por puro acaso que nos cruzamos. Eu realmente não tenho nada contra você.

Como se temesse não estar sendo sincera o suficiente, Satsumi se curvou ligeiramente. E foi nesse exato momento, que um monte de objetos de dentro do seu kimono caíram no chão, provocando um tinido metálico.

El estreitou os olhos para as telhas, onde havia uma série de bandanas refletindo a luz da Lua. Iwa, Suna, e Kumo... As bandanas eram gravadas com o símbolo dessas três Grandes Vilas, e haviam pelo menos dez.

Seus olhos dourados se mudaram para o rosto pálido de Satsumi. Haviam números de série gravados em cada uma dessas bandanas, e uma vez que ninguém jogaria fora suas próprias bandanas, geralmente era usado como prova de missão de extermínio, quando era inconveniente se livrar dos corpos.

—Você não é tão pacífica quanto parece...

Satsumi finalmente se livrou da sua expressão pálida, e sorriu de forma constrangida enquanto apanhava os hitaiates com um único movimento, quando ela terminou, ela coçava a cabeça nervosamente. Aquilo fez os olhos de El se estreitarem ainda mais. A capacidade dessa menina de mudar de expressões faciais era surpreendente. Ela não era tola o suficiente para acreditar nesse ato, mas a forma como o rosto de Satsumi fluía naturalmente entre diferentes personagens era verdadeiramente assustador.

—Ah, você me descobriu. Eu realmente não queria fazer isso. Mas o Líder da Fechadura realmente sabe como me motivar. –Seus olhos carmesins brilharam de entusiasmo- Dois milhões de Ryous por cada Shinobi que eu matar. Não é incrível? Isso são vinte milhões. Imagina quantos dangos eu posso comprar com isso? –Mas ela logo fez beicinho, enquanto acenava com descaso- Eu sei que ele provavelmente só quer parecer bem para Konoha, é claro. Você sabe, políticas, e já que eu sou a Kunoichi mais forte da Fechadura aqui...

El a interrompeu.

—E então? –Ela continuava com sua expressão sem graça de sempre- Eu também sou um alvo para você?

Satsumi sorriu de forma desamparada.

—Você deve estar brincando, Senpai. Lutar contra um monstro como você por dois milhões de Ryous? Não vale a pena, então eu propositadamente tenho ido atrás de peixes pequenos. Acredite em mim, eu realmente estava só de passagem, Senpai.

El entendeu as palavras nas entrelinhas. Isso significava que, se dinheiro suficiente fosse oferecido, essa menina estava confiante em lutar contra ela. Aquilo a fez sentir algo bastante estranho pela primeira vez.

O que era aquela sensação de ardor no seu interior? Seus olhos ficaram frios, enquanto seu aperto sobre a adaga ficava mais forte.

Satsumi pareceu notar isso, uma vez que ela olhou para ela com os dentes cerrados.

—Essa arma... Não me diga que você quer se vingar dos shinobis de Kumo, Senpai?

Ni El ficou alguns segundos em silêncio, antes de articular.

—Irrelevante. Eu falhei.

Satsumi olhou para ela confusamente. El olhou para suas próprias mãos, elas tremiam ligeiramente.

—Agora a pouco...eu falhei em matar você. Isso...me deixou desconfortável.

Algo bastante escuro apareceu nos seus olhos dourados em fenda, antes de Ni El desaparecer em um borrão.

Satsumi cerrou os dentes, enquanto colocava sua katana diante do seu pescoço. Ela sentiu seus braços formigarem com o contato da adaga de El.

—Porque você está fazendo isso? Eu realmente não tenho nada contra você. Não temos rancores pessoais. Somos apenas transeuntes na vida um do outro. Não há nenhum benefício em lutarmos uma contra a outra, Senpai.

El não falou nada, e simplesmente sacou outra adaga com a sua mão livre. Suas mãos se moviam como um borrão enquanto ela atacava Satsumi incessantemente.

A espadachim só conseguiu cerrar os dentes, enquanto sentia seus braços doendo de tanto forçar os seus músculos para acompanhar a velocidade de El. Alguns segundos depois, seus olhos vermelhos brilharam de determinação, como se ela tivesse decidido algo.

Concentrando chakra nas suas pernas, ela desviou de um golpe de El, antes de se virar e cobrir uma longa distância.

Os olhos de El brilharam friamente, enquanto ela arremessava uma adaga para as costas de Satsumi. Os ouvidos da Espadachim captaram o som do ar sendo cortando e desviou para o lado. A adaga se enterrou até ao punho na parede de uma casa, como faca quente atravessando manteiga.

Satsumi suou frio, antes de desviar de uma outra adaga enquanto fugia. Ela cerrou os dentes. Quantas adagas ela tinha naquele seu vestido de gala?

A resposta foi a chuva contínua que caía sobre ela, com algumas chegando a roçar a sua pele, deixando finas feridas que ardiam como o inferno. Ela chegou a se sentir ligeiramente tonta. Um veneno paralítico? Com as mãos trêmulas, ela abriu sua bolsa Shinobi e tirou um frasco lacrado. Com uma careta, ela bebeu meio frasco, antes de guardar novamente.

A sua intenção era fugir para o abrigo. Quanto a El? Bem, os Shinobis de Konoha estacionados lá que lidassem com ela. Se eles tinham força o suficiente para isso ou não, não era da sua conta. Mas ela logo percebeu que seu terrível sentido de direção a levava em uma direção bastante vaga. Com seu azar, era provável que ela fosse parar sem querer na Floresta onde os cinco Kages estavam lutando. Ela então teria uma morte horrível sem um cadáver intacto.

Com um suspiro, ela parou de correr e decidiu se virar, apenas para ver El parando a alguns metros dela. Ela nem teve tempo para pensar, antes de um cheiro intenso assaltar seu nariz.

Pela primeira vez, ela olhou atentamente para a rua onde estavam, e o que viu fez seus olhos se arregalarem. Na rua abaixo, havia uma poça de sangue com cadáveres flutuando nela.

O fedor intenso de sangue fez seu estômago se embrulhar.

—O que é esse fedor...?

Seus olhos finalmente caem nos corpos no meio daquela rua. Vendo os cortes finos nas suas peles, feitos com uma precisão digna de um cirurgião, ela ficou atordoada. Sua expressão logo trava ao ver um rosto boiando no sangue.

—Essa menina...

Ela se lembrou de ter se separado do grupo da sua Vila logo no primeiro dia que chegaram em Konoha. Ela estava querendo provar as iguarias da Vila, e antes que percebesse, ela estava perdida em uma Vila nova. Ela vagou por horas, antes de seu estômago roncar de fome, mas ela havia esquecido que todo o dinheiro estava com o Líder da Fechadura, aquele maníaco por controle. Quando ela estava prestes a desmaiar, foi aí que uma gentil e bonita Senpai com uniforme Chunnin a encontrou desmaiada no meio canto de um beco, enquanto a maioria dos civis apenas a ignorava como se fosse uma mendiga.

Ela não tinha um tostão e tinha uma bandana estrangeira, mas ainda assim, com um sorriso no rosto, ela a agraciou com os dangos mais deliciosos que ela já havia provado.

Havia uma coisa que havia ficado particularmente em sua memória naquele dia, além do sabor agridoce dos dangos explodindo em sua língua. Era a forma como os olhos verdes dela sempre brilhavam quando ela sorria sentada naquela casa de chá, enquanto uma brisa gentil acariciava seus cabelos castanho-claro, como fios de seda ao vento.

Ela nunca tinha visto uma garota tão bela e serena antes.

E agora aqueles olhos verdes a encaravam entre um corpo sem vida, seus lábios cerejas estavam cerrados em uma expressão vazia, e seus fios de cabelo estavam tão vermelhos quanto um mar de sangue.

Quando se virou, a expressão de Satsumi permanecia a mesma descontraída de sempre, mas as suas pupilas estavam estranhamente dilatadas.

—Você fez isso?

El inclinou a cabeça ligeiramente. Havia um quê de graciosidade quando seu rosto anguloso e bonito fazia aquele simples movimento.

—E se for?

Satsumi suspirou, antes de fechar os olhos.

—Sabe...eu não sou uma pessoa gentil. Sou uma pessoa cruel e horrível que intimida os fracos e teme absolutamente os fortes. Mas...isso não significa que eu não reconheça que existem pessoas melhores do que eu. Pessoas que não hesitam em estender as mãos para um estranho, ou se sacrificar sem pensar duas vezes, para salvar seus amigos. Eu normalmente não sou o tipo de Kunoichi que faz coisas sem benefícios aparentes, mas... por esse tipo de gentileza... hoje eu vou retribuir...

Sua expressão brincalhona se transformou em aço frio, enquanto seus dedos finalmente caem sobre a bainha da sua katana.

´´Ela...finalmente vai atacar.´´

El não disse nada, enquanto sua mão livre passava por uma sequência de selos.

Raiton – Rai Pansa. (Liberação do Trovão – Pantera de Raio)

Um grosso feixe de raios tomou a forma de uma longa e esguia pantera, que com um rugido simplesmente ensurdecedor, galopou pelo ar como um peixe deslizando na água. Em um piscar de olhos, estava diante de Satsumi.

A espadachim, com um movimento fluido e rápido, desembainha a sua katana. Ela era completamente branca, como se fosse feita marfim afiado, e era coberta de inscrições negras estranhas, como se fossem tatuagens.

Com um suave movimento de pulso, Satsumi a balança como um chicote.

Meiton – Ichi no katachi — Kyūketsukō. (Liberação da Escuridão – Primeira Forma – Boca Inaladora.)

Uma névoa negra e espessa foi expelida pelos selos na katana, e formaram um redemoinho negro que engoliu completamente a pantera de Trovão.

A rua ficou completamente silenciosa.

Essa Kekkei Genkai...El estreitou os olhos.

Com uma fluidez digna de uma dançarina, Satsumi muda novamente a postura, apontando a Katana para El.

Meiton — Ni no Katachi – Yami Jajimento. (Liberação da Escuridão – Segunda Forma — Julgamento Das Trevas).

Da Névoa negra que circulava sua katana, uma pantera feita de raios completamente negros ruge, antes de sair galopando em sua direção.

***

O corpo de Kei, parado no meio daquele telhado com um sorriso no rosto, emitia uma onda de pressão tão pesada quanto uma montanha.

—Agora...o que será que devo fazer com vocês dois?

Shino olhou para o atordoado Shikamaru ao seu lado, e seus olhos sob seus óculos escuros logo brilharam de forma resoluta, como se tivesse tomado uma decisão.

Kei pareceu perceber cada movimento de Shino, como se visse através deles. Em um piscar de olhos, ambos se moveram.

O punho de Kei falhou ligeiramente a cabeça de Shino, quando este se abaixou, antes de pegar o atordoado Shikamaru e se mover com um Shunshin.

—Ah, eu falhei...

Kei olhou para o seu punho, e para as rachaduras espalhadas pelas telhas, onde os dois gennins da folha estavam anteriormente. Ele sentiu que seu sentido de orientação foi ligeiramente perturbado, provavelmente um genjutsu. Ele ouviu um som de chiado agudo. O local onde ele pisou estava cheio de tarjas explosivas. Uma explosão estridente logo o engolfou.

Ao ouvir a explosão, Shino sequer perdeu tempo olhando para trás e simplesmente continuou correndo enquanto carregava um atordoado Shikamaru.

E a figura ilesa de Kei emergindo da fumaça provou que aquela decisão foi a mais correta.

—Sempre dependendo de estratégias...

Seu corpo estava coberto por uma armadura de raios azuis. O chakra era tão pesado e intenso, que rachaduras estavam se espalhando pela casa sob seus pés. Seus olhos cinzas se estreitaram na figura de dois gennins correndo no horizonte.

Ele concentrou ainda mais chakra nos seus pés, e saltou. Seu corpo foi arremessado como uma flecha na corda, enquanto a casa ruía completamente em um monte de escombros.

Em um piscar de olhos, ele atravessou a distância entre eles. Ele estendeu os dedos da mão, relâmpagos faiscando ao redor, quando ele surgiu a poucos metros das costas da dupla.

Raigyaku Suihei – Lâmina Transgressora do Relâmpago.

Ele varreu a sua mão horizontalmente, como se fosse uma Katana, separando ambos os corpos ao meio. Mas ele logo franziu o cenho ao ver ambos os corpos de esvaindo em centenas de insetos carbonizados. Eram clones. Sua expressão ficou feia.

Shino e Shikamaru, ambos estavam agachados nas ruínas de uma casa destruída, cobertos por uma camada de ilusão protetora. O Aburame havia usado dois clones de insetos, com henge e um genjutsu de assinatura de chakra para distrair Kei, enquanto eles se escondiam. Ele sabia que não era racional conseguir fugir de alguém tão rápido e que ainda por cima, era um sensor.

—Me desculpe. Eu...fui um fardo.

A voz do Nara o tirou do estupor. Shino olhou para Shikamaru, que apesar de tentar sorrir, tinha olhos fundos. Ele não conseguia enganar ninguém, ele provavelmente estava sendo atormentando com novos fantasmas.

Mas quem não tinha? Shino, particularmente, era atormentado por dois fantasmas que tinham os rostos dos dois companheiros de time que ele não conseguiu salvar.

Então, ele apenas retrucou.

—Do que você está falando?

Shikamaru, é claro, entendeu o que Shino estava tentando fazer. Isso não o tornou menos grato. Ele apenas balançou a cabeça e continuou agachado nos escombros, reprimindo sua assinatura de chakra ao mínimo com ajuda dos Kikaichuus do Aburame.

Eles sabiam que, no momento que fizessem um mínimo movimento, o genjutsu estacionário se quebraria, e eles exporiam as suas localizações.

O som de passos os fez ficarem tensos.

Kei estava no meio das ruínas, com uma expressão irritada no rosto que era acentuada pela armadura de raios o envolvendo.

—Eu sei que vocês estão por aqui.

Seus olhos cinzas se moveram com uma lentidão assustadora pelas ruínas, até pousarem nos escombros onde eles estavam escondidos, sua visão durou um segundo, antes de ele continuar movendo seus olhos. Quando ele pareceu não ver nada, ele pareceu ficar ainda mais irritado, antes de começar a fazer uma série de selos.

—Tudo bem. Não me culpem se acabarem morrendo.

A noite se iluminou, enquanto os raios à sua volta pareceram ficar ainda mais violentos quando ele terminou os selos.

Raiton – Tenrai (Raio Celestial)

Com ele como o centro, uma onda de raios serpenteantes se espalhou por aquela rua, transformando todas as casas ao redor em uma pilha de escombros.

Vendo um feixe particularmente grosso de eletricidade se movendo em sua direção, eles se desviam e quebram a camuflagem, ao mesmo tempo que o que restava dos escombros foi reduzido à uma massa carbonizada.

O sorriso que Kei fez ao vê-los fez com que um arrepio atravessasse seus corpos. Ele se moveu tão rápido quanto um raio, e por puro instinto Shikamaru fez um selo de mão, prendendo a sua sombra.

O punho elétrico estava a um fio de cabelo do rosto de Shikamaru. Se ele reagisse um milésimo depois, sua cabeça seria uma massa de sangue. O Nara recua uma série de passos para trás, Kei imita seus movimentos, criando alguma distância entre os dois.

Shikamaru suspira. A sensação daquele punho à um fio de matá-lo o deixou entorpecido. Ele cerrou os dentes, antes de se virar para Shino ao seu lado.

—Fuja. Eu vou segurá-lo.

A expressão de Shino finalmente mudou, parecendo estar em um dilema profundo. Ele estava relutante.

A expressão de Shikamaru piorou.

—Você está me ouvindo? Fuja. Se você ficar aqui, nós dois vamos morrer. Pelo menos desse jeito você pode sobreviver.

Shino franziu ainda mais as sobrancelhas.

—Eu-

Ele foi interrompido pelo som de risos. Era Kei, rindo profundamente, como se tivesse ouvido a piada mais engraçada do mundo. Ele parou alguns segundos depois.

—Me desculpe. Isso foi muito engraçado. Você realmente acha que um de vocês vai sobreviver? Essa caçada foi divertida, mas realmente está na hora de terminar. Uma hora ou outra a pantera se cansa de perseguir o cervo, e deseja simplesmente afundar suas presas na sua carne tenra. –Ele tentou se mover, mas a tensão das sombras não o permitiam- Você se lembra que eu já havia quebrado esse seu jutsu antes? Se eu não me engano, o Kage mane no jutsu é um hijutsu do clã Nara, que consiste em usar Liberação da Terra em junção com Liberação Yin, para formar e manipular sombras. –Shikamaru arregalou os olhos- Agora...advinha de que é formado o Raiton Negro que eu uso? Isso mesmo. Liberação do Trovão em junção com a Liberação Yin. –Sua mão ficou crepitando com raios negros- Então, se eu usar o Raiton Negro... o chakra Yin, vai interagir com o chakra Yin do seu Kage mane e, simplesmente...quebrá-lo. Desse jeito.

Os raios em sua mão se movem até as sombras do Nara, as quebrando.

Por puro instinto, Shino empurra Shikamaru para fora do caminho, enquanto o braço de Kei perfura seu peito. Ele tinha uma expressão satisfeita no rosto.

—Dessa vez...não é um clone.

Shino cospe uma grossa quantidade de sangue, manchando o rosto de Kei com o líquido escarlate. Ele não conseguia falar nada. Se ele não tivesse desviado ligeiramente, seu coração teria sido atravessado. Mas mesmo assim, um ferimento daquele nível...era só uma questão de tempo até se afogar em sangue.

Kei tira a mão de Shino, deixando um buraco horrendo no peito de Shino. O Aburame salta para trás, antes de se agachar pela dor do simples movimento, Shikamaru o apoia, com uma expressão atônita no seu rosto, e não pode deixar de se lembrar das palavras de Shino.

´´Eu não deixarei nenhum companheiro meu morrer...´´

Naquele momento, ele se lembrou da expressão no rosto de Chouji. Shino...Chouji...Natsuki... O que eles estavam pensando enquanto diziam esse tipo de coisas? O que eles pensavam enquanto olhavam para o horizonte com olhos tão firmes e decisivos? Inicialmente, ele não entendia nenhum deles, mas... olhando para o garoto ferido nos seus braços, ferido enquanto o salvava...Shikamaru finalmente entendeu.

Não era nada realmente complicado. Não havia realmente uma palavra. Apenas um sentimento estranho percorrendo seu interior, como uma chama. Uma chama que o deixava saber que, sem hesitar, ele daria sua vida por Shino.

Não. Ele daria sua vida por qualquer uma das pessoas que o faziam sentir aquela chama.

Seus olhos eram resolutos enquanto ele assistia a redoma de raios azuis que envolvia Kei.

—Já que vocês são tão amigos...nada melhor do que enterrar vocês juntos.

Kei dá um passo para frente, antes de saltar no ar. Muito lentamente, ele levantou a sua perna acima da sua cabeça, quando seu corpo começou a descer, sua perna baixava como uma katana.

Guillotine drop!

Os olhos de Shikamaru não flutuavam de emoções enquanto aquela perna se aproximava dos seus olhos. Seu coração estava tão calmo quanto o mar.

Ele viu Shino esboçar um curto sorriso de canto com seus lábios ensanguentados, antes de murmurar algo que o fez arregalar os olhos.

—Ele chegou.

Quando a perna envolta de Raios estava prestes a partir os seus corpos ao meio, uma figura surge diante de seus corpos. Seu corpo alto e esguio estava abraçado por um terno negro e seus cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, balançavam com a brisa gélida, enquanto, muito lentamente ele cruzava os braços diante da perna descendente.

No momento em que a perna e os braços magros entraram em contato, houve um silêncio momentâneo. E então...uma onda de pressão se espalhou, empurrando ferozmente Shikamaru e Shino para trás.

O corpo da figura afundou ligeiramente no chão, enquanto rachaduras enormes se espalhavam no chão, residências em um raio de dezenas de metros ao redor foram demolidas em escombros. Mas ele continuava firme como uma muralha, e seus braços estavam cobertos por uma fina camada de chakra de vento.

Kei faz uma expressão enigmática pelo impasse, antes de saltar para trás. A figura se vira lentamente. Olhos azuis como o céu noturno olham para eles, entre um rosto inexpressivo e bonito.

—Vocês estão bem?

Shikamaru apenas assentiu, ainda bastante surpreso pela aparição repentina. Ele pareceu ver uma expressão de alívio no rosto de Naruto, mas pareceu ser só uma ilusão. Havia algo bastante trágico na forma como seu rosto não traía nenhuma emoção.

O som de tosses violentas o lembrou que Shino ainda estava apoiado em seu ombro, com uma ferida grave no peito. A expressão de Shikamaru se tornou grave.

—Eu...

Naruto apenas acenou lentamente, enquanto uma cópia sua aparecia em uma nuvem de fumaça.

—Eu sei. Leve o Shino daqui, por favor. O Hospital ainda está funcionando e eu já marquei a área ao redor com um selo. Meu clone levará vocês para lá. E...-ele hesitou, como se não soubesse o que dizer- estou feliz que vocês estejam bem.

Shikamaru olhou para o loiro com uma expressão complicada. Ele havia sido salvo por Naruto de novo. A facilidade com a qual Naruto havia lidado com um ataque que teria certamente matado ele e Shino fez seus dentes se cerrarem fortemente. Apesar de estar à beira da inconsciência, ele sabia que Shino tinha pensamentos semelhantes.

No final das contas, Kei estava certo sobre uma coisa. Ainda lhes faltava poder.

Olhando para o loiro diante de si, havia algo bastante triste sobre a forma como ele não conseguia expressar corretamente suas emoções diante de seus amigos de infância. Era quase como se não tivesse certeza de como interagir com eles. Se lembrando da forma como ele tratou Naruto no exame, o culpando pelo que aconteceu com Ino, Shikamaru lutou para não morder os lábios.

Se lembrando da expressão quebrada do loiro naquela noite, a chama cálida no seu interior o fez ter certeza de algo. Ele lançou um último olhar para o Uzumaki.

—Na próxima vez...eu que irei salvar você.

Os olhos azuis de Naruto brilharam com uma emoção indistinguível enquanto ele via seu clone colocando a mão sobre eles, antes de desaparecerem em um flash diante dos seus olhos.

A expressão de Naruto era gelo puro, quando ele voltou sua atenção para o menino envolto em uma armadura de raios a alguns passos de si.

Kei esboçou um sorriso que não alcançava os olhos ao ver os seus companheiros escapando.

—Você é forte, Uzumaki Naruto. Mas...tens uma fraqueza. Uma terrível fraqueza. Você se importa. Com os teus companheiros. Com a tua Vila. E isso, meu caro, será a causa da tua queda.

—Cale a boca. –Seu rosto era tão frio quanto mármore esculpido — Eu avisei você, no banquete. Eu sempre cumpro minhas palavras.

O sorriso de Kei se esvaiu, até sua expressão se tornar fria.

—Quantos dos meus companheiros de Kumo vocês mataram? O Daiki...o Atsui...O Toudo...O Erui... Até perdi a conta. Para vocês, eles poderiam não ser nada mais do que números, mas para mim, eles eram meus companheiros...Então... Não se atreva a me olhar dessa forma. Eu ainda não esqueci. Você atravessou uma espada no Atsui, você literalmente o fatiou ao meio. O velório dele será com um caixão fechado, por conta disso. Os seus familiares não poderão olhar para a face dele, uma última vez, porque você dividiu a cabeça dele em duas. E sobre o Daiki, o seu amigo Uchiha o incinerou com aquelas chamas negras. Sem cadáver, dele só restam cinzas, como se ele sequer tivesse existido. E o Toudo e o Erui...dilacerados por aqueles traidores de Kiri. Eu deveria matar todos vocês...

Os olhos de Naruto eram como dois poços. Frios e profundos.

—Belas palavras. Mas não passam disso. E elas, meu caro, não fazem sentido em um mundo quebrado e distorcido como o nosso. Eu matei, e mataria novamente cada uma daquelas pessoas. Não tente poetizar o simples facto de que você matou a Hinata. E eu vou esventrar você por isso.

Os seus olhos cinzas acenderam ainda mais, como se fosse possível.

—Isso é sério? Esse olhar? Você consegue me olhar nos olhos e dizer que quer se vingar por eu ter matado a garota Hyuuga? O quão hipócrita você consegue ser? Quantas pessoas você matou nesse exame? Ah, me lembrei. Trinta e duas. Trinta e duas almas coletadas. E, se eu bem me lembro, muitas dessas pessoas eram garotas, inclusive. Tão ou mais novas que a garota Hyuuga que você tanto amava. E agora eu pergunto...você acha que, elas não eram irmãs, filhas, amigas e amores de outras pessoas? Você acha que, nesse exato momento, algures em um quarto escuro, não há ninguém chorando por elas, e jurando vingança? Essa sua amiga, inclusive...ela também matou pessoas na arena. Na verdade, eu sei que algumas pessoas ficaram felizes quando eu transformei ela em um cadáver frio...e você acha que eu sou o mal? –Suas palavras eram tão frias quanto sua expressão.

A expressão de Naruto continuava vazia, como um fantasma. Ele, calmamente, retirou o casaco negro do terno e o jogou fora, afrouxou a gravata à volta do seu pescoço e a joga no chão, em seguida, desabotoou as mangas da sua camisa branca e dobrou elas até aos cotovelos, expondo seus braços bronzeados e músculos delineados de um exímio espadachim.

Ele desapareceu em um borrão, surgindo diante de Kei, seu pé se enterrou no peito dele com uma força descomunal, suas costas se dobraram enquanto o corpo dele foi enviado como se tivesse sido atropelado por uma carruagem, atravessando inúmeras casas como se fossem feitas de papel.

Naruto passa os seus dedos longos à frente do rosto, empurrando mexas de seu cabelo loiro para trás.

—Desculpe. Eu sou bastante hipócrita.

O monte de escombros que havia enterrado Kei explodem em um clarão elétrico, revelando sua figura envolta em raios. Ele estalava lentamente os músculos do seu corpo, sem um único arranhão na sua pele negra sob os raios ferozes.

Os olhos de Naruto se estreitaram. Apesar da sua aparência magra, seus músculos esguios não continham pouca força. Qualquer Jōnnin estaria inconsciente depois de um chute seu. Ele se lembrou da sensação que teve quando seu pé entrou em contato com o corpo de Kei. Seu corpo franzino era tão duro quanto concreto.

Com os olhos cinzas brilhando de raiva, Kei fez um selo de mão. Os raios à sua volta pareceram ficar mais ferozes, enquanto tomavam a forma de um longo e serpenteante dragão de raios. Seus olhos amarelos brilharam de fúria, antes de rugir de forma estridente.

Raiton – Rairyuu no jutsu. (Liberação do Trovão – Jutsu do Dragão de Trovão).

Tão rápido quando um raio, o enorme dragão serpenteou como um borrão pelo ar.

Naruto já havia terminado os seus selos de mão antes do dragão de raios cobrir a distância.

Fūton – Fūryu no jutsu. (Liberação do Vento – Jutsu do Dragão de Vento).

Um dragão com um corpo serpenteante feito de ventos ferozes, se entrelaçou com o dragão de raios. Seus corpos se enrolaram pelos céus, enquanto destruíam completamente todas casas em seus caminhos.

Naruto estava passando por outra sequência de selos, enquanto Kei cobria a distância na velocidade de um raio.

Liberação da Água – Jato de água cortante.

Ele cuspiu um jato de água pressurizada, com seus reflexos assustadores, Kei inclinou ligeiramente o seu corpo, enquanto o jato de água com pressão assustadora cortava uma fila de casas ao meio, como faca quente passando em manteiga.

A expressão de Kei sob o manto de Raios ficou feia. A principal informação sobre o loiro no Bingo Book eram suas habilidades de Kenjutsu, mas seu Ninjutsu também não ficava muito atrás. Ele tinha um arsenal bastante aterrorizante.

Ele tomou uma decisão. Não podia permitir que ele fizesse selos de mão. Os raios à sua volta ficaram ainda mais ferozes, distorcendo completamente suas feições, mas sua velocidade foi aumentada para um grau assustador.

Seus dois corpos se movem como um borrão, até se encontrarem no meio, com ambos os punhos batendo um no outro. Um som estridente ecoa pela rua. Ambos os corpos estavam se movendo à uma velocidade assustadora, na qual pensamentos se tornaram irrelevantes. Não havia tempo sequer para pensar, um mero segundo de hesitação, era equivalente à perder a vida.

Seus golpes espalhavam onda de choques, enquanto seus movimentos eram tão refinados quanto o de exímios dançarinos, sem golpes desnecessários. Cada simples membro era como uma arma suprema de assassinato, e cada simples golpe visava um órgão vital. Olhos, garganta, coração, virilha. Ambos estavam buscando colher a vida um do outro com a precisão de um cirurgião.

Em um breve lampejo, o punho de Kei se enterrou na bochecha de Naruto, enquanto o pé do loiro se enterrou em seu peito, o enviando rolando pelos destroços em ruínas.

Naruto apenas cuspiu uma grossa mancha de sangue no chão, antes de, com um Shunshin, aparecer sobre a forma ajoelhada de Kei, lutando para se levantar.

O selo negro em seu antebraço brilhou.

Uma katana completamente negra surgiu entre seus dedos. Em um flash, ele balançou o seu pulso, movendo sua katana para o pescoço frágil de Kei. Naruto pensou ter visto um lampejo de sorriso no rosto do filho do Raikage, enquanto a sua lâmina cortava o ar como uma guilhotina.

—Você devia ter me matado na arena.

Um tinido metálico ecoa. Sua katana parou à centímetros do pescoço dele, mas não se movia um único centímetro, parado por uma longa e pesada lança negra.

Em um lampejo, os raios azuis que cobriam Kei correm o corpo da lança. Girando seu pulso suavemente, Kei afasta o corpo de Naruto, que desliza dezenas de metros para trás pela força do golpe aparentemente comum.

Naruto tinha uma expressão solene, enquanto Kei se agachava ligeiramente, com a lança firmemente apontava para ele.

Kumo-Ryū – Ichi no Katachi — Dragão adormecido.

Ele teve o vislumbre de um dragão silencioso e de olhos e boca fechada piscando diante dos seus olhos.

Foi por puro instinto que Naruto se moveu de lado, evitando um golpe de lança que teria feito um buraco enorme na sua cabeça, mas o grosso raio na ponta da lança continuou avançando, desintegrando um quarteirão inteiro. As ruas ficaram com uma vala longa e larga, com o terreno brilhando em vermelho incandescente pelo calor.

Um arrepio atravessou a espinha de Naruto, enquanto seus olhos brilhavam de forma fria ao ver a lança elétrica crescendo diante dos seus olhos. Ele concentrou uma camada de chakra de vento na Muramasa.

A katana e lança continuaram se chocando como uma tempestade, provocando um estridente tinido metálico. A expressão do loiro era cada vez mais feia. Naruto sabia que estava em desvantagem, Kei com sua lança e coberto de raios, estava pelo menos duas vezes mais rápido do que sem ela, o que não fazia sentido pois aquela lança era tão longa e pesada. O loiro sentia suas mãos ficarem cada vez mais dormentes a cada golpe aparado com sua katana.

Naruto era muito mais lento que Kei, mas sua agilidade e capacidade de prever ataques era melhor, ele espremeu sua experiência e sentido de perigo superior para desviar da enxurrada de ataques, que viam como gotas de chuvas. Incessantes e afiados. Mas ainda assim, filetes de sangue começaram a cobrir sua pele, com cheiro de queimadura elétrica.

Depois de um golpe visando o seu peito, Naruto colocou a sua katana horizontalmente, tentando defender. Ele sentiu uma força terrível atravessando seus braços, como se tivesse sido atropelado por uma carruagem desgovernada. Seu corpo foi empurrado para trás, enquanto finas feridas se abriam em seus braços.

Kei faz uma nova postura com a lança, dessa vez a segurando um pouco mais alto.

A imagem do dragão elétrico na ponta da lança dessa vez era um pouco menor, mas a pressão que emanava era muito mais forte.

Uma sensação de horror enche Naruto, quando o dragão elétrico abre ligeiramente os olhos, como se estivesse acordando.

Kumo-Ryū — Ni no Katachi – Dragão sonolento.

Um clarão elétrico ensurdecedor ilumina a noite, enquanto que, como se tivesse se teletransportado, a ponta da lança aparece instantaneamente à frente dos seus olhos.

***

O Monte Hokage estava silencioso naquela noite, enquanto chamas ferozes se espalhavam pela vila, produzindo sombras profundas nos quatro rostos esculpidos em pedra. Era quase como as expressões em seus rostos refletissem o quão sombria era a condição da Vila.

No topo do monte escuro, muito lentamente, um vórtice apareceu do nada, como se alguém rasgasse o tecido da realidade. Quando o fenómeno terminou, um homem vestindo um longo manto negro estava parado silenciosamente.

Sua expressão era impossível de determinar, uma vez que uma máscara cobria seu rosto. A única coisa visível era um olho escarlate profundo, encarando a Vila em chamas como um fantasma.

Muito lentamente, uma outra figura emergiu do solo, como uma planta crescendo.

—O que você está pensando?

A voz da figura do solo era rouca e destorcida, como se duas pessoas estivessem falando ao mesmo tempo.

O fantasma em pé não disse nada por um longo tempo.

—Quem sabe...talvez eu só me sinta satisfeito em ver Konoha queimar...

—É mesmo?

Houve um longo período de silêncio, antes da voz fria do mascarado ecoar novamente.

—O menino com a Kyuubi...você viu o exame. O que você achou dele?

O Homem planta pareceu pensar.

—Talentoso. Tem um poder inacreditável para a sua idade.

O Mascarado assentiu, como se tivesse pensado o mesmo.

—Inicialmente, ele deveria ser o último a ser capturado para o nosso plano, mas...ele cresceu rápido demais. Nessa idade, já tem esse nível de força. O quanto você acha que ele pode melhorar daqui há três anos, quando o nosso plano começar?

—Você quer dizer...

—Isso mesmo... –Ele parecia estar vendo algo ao longe com seu olho escarlate, como se só ele enxergasse aquilo — Independentemente do que acontecer essa noite...essa será a última vez que ele verá Konoha...

A luz da lua se moveu, removendo as sombras pesadas do seu rosto, seu olho vermelho brilhava de forma fria.

Notas finais
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