Gênesis

56 Cinzas Remanescentes - ATO V, VI e VII - O Egoísta, O Vingador e O Hipócrita (Parte Dois)


Notas iniciais
Haha, tão rápido quanto flash kkk Muito obrigado Leão, pelo comentário no capítulo passado. Me aqueceu o coração!

ATO VI (O Vingador)

Os dois Ninja da Folha prestaram atenção na velocidade com a qual aqueles shinobis se moviam, e nos seus volumes de chakra. Todos eles estavam no nível Chunnin, alguns tocando o limiar de um Chunnin de Elite. Não era muito surpreendente, uma vez que, exceto os guardas dos Kages e dos nobres, o Sandaime não deixou muitos jounnins estrangeiros entrarem em Konoha durante o exame, e os poucos que entraram, eram alvos primários para os Jōnnins de Konoha.

Claro, tanto Shikamaru quanto Shino estavam no nível Chunnin também, então ainda era uma situação perigosa enfrentando cinco Shinobis do mesmo nível.

Mas os dois não entraram em pânico.

Com um salto, ambos criaram uma pequena distância entre eles, pousando em dois diferentes telhados, em lados opostos daquela rua em ruínas, obrigando os Kumo-nin a se dividirem em dois grupos.

Quando Shino ouviu o som de dois passos diferentes pousando naquela casa, ele calmamente estendeu ambas as mãos, enquanto uma nuvem de insetos saía de seu quimono e se acumulavam como um enxame ao seu redor.

Era um casal de Shinobis, e pelas feições extremamente semelhantes, provavelmente eram irmãos. Ambos os Chunnins eram altos e suas peles de cor bronze eram esculpidas de músculos, mas os seus rostos com feições suaves e femininas formavam um contraste gritante.

O Shinobi de Kumo piscou os seus cílios, enquanto olhava intensamente para Shino.

—Ai-nee, Ai-nee, temos uma presa interessante.

A Kunoichi de cabelos ruivos apenas sorriu de forma feroz.

—Eu sei, Niku-nii. Só espero que ele não morra muito rápido.

Como se lessem a mente um do outro, eles se moveram em um piscar de olhos.

Shino, com uma expressão indiferente, estendeu a mão, e com um zumbido, o enxame se dividiu em duas nuvens e voaram em direção aos dois shinobis se aproximando.

Muchi Dama. (Esfera de Insetos).

Eles exibiram sorrisos de escárnio, como se zombassem de Shino, antes de exibirem suas velocidades acima da média para desviar da nuvem de inseto, enquanto formavam selos de mão com uma sincronia assustadora.

Raiton – Gyan. (Liberação do Trovão – Falsa Escuridão).

Os dois libertaram dois feixes de eletricidade nas nuvens de insetos, pintando aquele telhado completamente de negro com cadáveres de insetos.

Niku, em um shunshin, apareceu diante de Shino, que só pode cruzar os braços diante do rosto para se defender do punho veloz como um trovão, mas era uma finta, e Ai surgiu agachada diante do Aburame. Shino grunhiu quando um punho pesado se enterrou no seu estômago.

Suas sandálias rasparam o telhado enquanto ele era arrastado pela força do golpe. As pernas de Shino se dobraram pela dor, mas antes que pudesse respirar, ele rolou seu corpo pelo telhado.

Rachaduras se espalharam ao seu lado, onde o pé de Niku havia se enterrado com uma força anormal.

Shino mal conseguiu ficar de pé, enquanto se virava para se defender de um punho que ia em direção ao seu pescoço. Ai se movia como uma besta enraivecida, enquanto seus punhos pesados caíam sobre o corpo de Shino, tão incessantes quanto gotas de chuva. Sendo um Aburame, Taijutsu era seu pior atributo, então ele era indefeso diante dos golpes.

Ele cuspiu sangue, quando sua mandíbula foi atingida por um chute. Seu corpo fez um arco no ar, antes de cair pesadamente no chão.

—Que lixo.

Uma pitada de desprezo brilhou nos olhos da Kunoichi.

—Realmente.

Niku se aproximou calmamente, enquanto compartilhava o mesmo olhar de desdém, que logo foi substituído por um olhar de crueldade.

—Vamos fazer aquilo, irmã.

Ai no início ficou surpresa, antes de entender, e assentir, com um sorriso cruel no rosto.

—Tudo bem, irmão.

Em um Shunshin, Niku apareceu alguns passos atrás de Shino que lentamente se erguia, com passos trémulos. Eles trocaram olhares, antes de se transformarem em dois borrões ao mesmo tempo.

Shino revelou um olhar de pânico, enquanto tentava erguer uma nuvem com os poucos insetos que ainda tinha.

Muchi Kekkai. (Barreira de Insetos).

Os dois Kumo-nin tinham olhares ferozes, enquanto erguiam ambos os braços.

—Morra, lixo! Double Lariat!

Seus braços se cruzaram no frágil pescoço de Shino. Com um estalo, uma cabeça, com uma expressão horrorizada, atravessou o ar, espalhando um jato de sangue pelo ar.

Com um baque, a cabeça rolou pelo telhado, antes de parar. Seu corpo sem vida, logo o seguiu, caindo enquanto o sangue quente e carmesim manchava aquela cena.

***

Os olhos de Shikamaru não mostravam nenhuma flutuação de emoção enquanto aqueles três se moviam em sua direção.

Logo que as sandálias dos Kumo-nin tocaram aquele telhado, enfiando a mão na bolsa, uma kunai deslizou entre os dedos de Shikamaru.

Com movimentos leves como penas, eles se separaram, enquanto a kunai com tarja explosiva explodia no meio deles.

Se agachando, Shikamaru formou um selo de mão, enquanto sombras longas se contorciam como serpentes em três direções diferentes.

Se contorcendo com movimentos ágeis como felinos, eles habilmente desviaram das sombras, enquanto tentavam se afastar do moreno, até que as sombras finalmente pararam de se esticar e tremeluziam, como se tivessem no limite.

Shikamaru suava ligeiramente, enquanto os Kumo-nin sorriam de forma arrogante.

Eles haviam assistido ao exame, então, as habilidades dos sobreviventes do Shiren Shōkan foram bem catalogadas. Eles sabiam que ele era um Nara. Taijutsu contra ele não seria muito sábio. Os três formaram selos.

O Shinobi do meio levantou o braço para o alto, ao mesmo tempo que uma luz ofuscante enchia os olhos de Shikamaru. O Nara praguejou, enquanto seus olhos se fechavam involuntariamente.

Ele logo formou um selo de liberação, enquanto quebrava aquele simples genjutsu Rank C, bem a tempo de ver os outros dois Kumo-nin cuspindo uma onda de água e outro um feixe puro de eletricidade.

Shikamaru mal conseguiu dar às costas, antes de concentrar chakra nos seus pés e saltar para uma outra casa. No ar, seus músculos das costas se contraíram pelos pequenos respingos de água eletrificada que tocaram sua pele.

A casa anterior teve o telhado completamente inundado por água eletrificada, ao ponto de transbordar para as ruas.

Shikamaru mal pousou, ele teve que continuar rolando, devido a enxurrada de shurikens se pregando nas lajes onde seu corpo estava antes. Ele cerrou os dentes de dor, pelas duas shurikens que se fincaram no seu ombro.

Enquanto rolava, ele sentiu a intenção assassina daqueles Shinobis enquanto eles o seguiam para esse telhado. Ele formou um selo de mão, ativando a tarja explosiva que ele havia colocado no local de pouso.

Os Kumo-nin zombaram internamente, como se tivessem visto através dos seus planos.

Um buraco se abriu no telhado, enquanto eles evitavam a explosão. Mas ela deu tempo o suficiente para Shikamaru se recuperar e finalmente se agachar e formar um selo de mão.

Isso os tornou cautelosos em se aproximarem, e quando estavam prestes a utilizar outra combinação de Ninjutsu de longa distância, eles sentiram seus corpos paralisarem, como se tivessem presos por correntes pesando toneladas.

Kage mane no jutsu...sucesso.

Os Kumo-nin ficaram horrorizados, enquanto olhavam para as sombras serpenteantes que haviam emergido do buraco que ele havia feito no telhado com uma tarja explosiva.

—C-como?

Um deles conseguiu gaguejar.

Shikamaru, naturalmente, não os respondeu, mas ao invés disso, olhou para o outro lado da rua, onde Shino mal tinha velocidade e força para reagir aos ataques pesados dos seus dois inimigos.

Ele teve que conter um suspiro. A partir do momento que aqueles cinco Shinobis se moveram para atacá-los, Shikamaru já havia pensado em inúmeras coisas.

Quando ele e Shino se separaram, apesar de os Kumo-nin os perseguindo aparentarem ser aleatórios, ele e Shino não eram estúpidos. Eles sabiam que todas as suas habilidades já haviam sido reveladas aos inimigos durante o exame, e Kei não era tolo, apesar do seu sorriso inofensivo.

Os inimigos haviam se dividido de acordo com as habilidades dele e de Shino. Se aproximar de um Nara era idiotice, independentemente da fraqueza de Shikamaru em Taijutsu, ele conseguiria capturar as sombras de qualquer um. Por isso, os três que o enfrentavam eram especialistas em longa distância.

Enquanto que os dois melhores em Taijutsu estavam pressionando fortemente Shino, ao ponto de não poder usar os Kikaichuu.

Então, ele havia elaborado uma série de planos, que felizmente funcionaram. Ele havia feito um buraco naquele telhado, enquanto estendia as sombras pelas suas costas, até a beirada daquela casa, onde havia uma janela.

A sombra entrou no interior da residência, deu volta na parte interna do telhado da casa, e saiu do pequeno buraco que sua tarja explosiva fez, e quando eles passaram ao lado do buraco, capturou os três.

Parecia simples, mas cada passo havia sido executado na perfeição. No telhado da casa anterior, ele já havia feito um buraco, e os Kumo-nin naturalmente estavam vigilantes a essa possibilidade, mas Shikamaru propositadamente não usou aquele, fingindo ser incapaz de usar as sombras de tal maneira engenhosa.

Por mais vigilantes que Shinobis fossem, ainda assim era estressante prestar atenção em tudo à todo instante, então era natural relaxar sobre certos momentos, especialmente quando Shikamaru estava fugindo de forma tão miserável dos seus ninjutsus e shurikens.

Era muito difícil controlar a arrogância de estar perto de vencer, então diante do segundo buraco, eles baixaram a guarda por um mísero segundo. Mas para génios como Shikamaru, míseros segundos era só o que bastava.

Isso os levou a situação atual.

Mudando o selo de mão, sombras escuras em forma de mãos serpentearam pelos corpos paralisados dos inimigos. Eles, com expressões de horror, tentaram se libertar, mas as sombras os deixavam imóveis como se tivessem montanhas sobre os ombros.

Shikamaru estava suando, enquanto tentava os estrangular, mas a mão mal subia. Ele suspirou.

´´Ainda não consigo´´.

Ele sabia que aquele era o seu limite. E mesmo a paralisia só duraria mais alguns minutos, no máximo, antes do chakra dele acabar. Mas seus olhos não demonstravam pânico, como se estivesse esperando por algo.

Shikamaru olhou para o outro lado da rua, e os três Shinobis presos inevitavelmente também o fizeram. Foi difícil não ficarem extasiados ao verem seus companheiros espancando aquele outro Shinobi da Folha.

Um deles não pôde deixar de sorrir.

—Olhe para o seu companheiro. Parece que ele está nas últimas.

É mesmo?

A voz robótica de Shikamaru era estranhamente assustadora. O Kumo-nin controlou seu estremecimento.

—É claro. Ele não consegue se defender, enquanto você não consegue nos finalizar. Essa farsa está prestes a chegar ao fim.

Shikamaru não demonstrou nenhuma emoção. Seus olhos negros e desprovidos de emoção encaravam os três shinobis como buracos negros. Era impossível não acharem o Nara perturbador.

Enquanto assistia Shino sendo superado fisicamente, seus olhos não mostravam nenhuma flutuação. Nem mesmo quando Shino foi derrubado repetidamente no chão. Só no momento em que a cabeça dele voou pelo ar, seus olhos negros finalmente brilharam de forma estranha, enquanto ignorava a gargalhada zombeteira dos três Shinobis.

Seus olhos eram frios, enquanto o Nara se levantava da sua posição agachada. Os Chunnins olharam para ele com desdém.

—Agora que seu companheiro foi morto, o que você quer fazer? Essa luta já acabou!

Shikamaru os ignorou, silencioso como um fantasma. Ele alcançou a bolsa nas suas costas, e retirou uma Kunai.

Tão leve quanto uma pena, Shikamaru saltou para trás, pousando em outra casa. Seus movimentos eram lentos e metódicos, mas causavam uma sensação de horror sem igual nos corações dos inimigos, enquanto seus próprios corpos imitavam cada ação como se fossem marionetes. Os seus corpos também recuaram, enquanto os Kumo Shinobis pousavam no telhado que havia sido originalmente inundado.

Shikamaru olhou para o horizonte, vendo Kei se levantando do parapeito onde estava sentado com uma expressão grave no rosto. Ao contrário desses Chunnins, ele provavelmente havia notado a verdade naquele momento.

Não importa. Ele nunca chegaria à tempo.

Isso mesmo.... Essa farsa está...prestes a chegar ao fim.

Com um balançar do seu pulso, a Kunai deslizou suavemente pelo ar, aumentando o horror daquela situação. Com um som abafado, a Kunai se enterrou na laje diante dos três.

E então...houve silêncio. A ausência total de som. Nem uma única vibração enchia o ar.

A princípio, nada aconteceu, mas então... houve um som baixo de chiado, que foi ficando cada vez mais alto, e havia um cheiro enchendo o ar. Cheiro de fumaça e pólvora.

Eles finalmente entenderam. Seus rostos mostraram puro medo.

—Não fa-

O que quer que ele fosse dizer, foi enterrado sob o som anormal de uma explosão. Um enorme clarão encheu aquela noite estrelada, enquanto a casa era carbonizada pelas chamas intensas.

A onda de choque enviou o corpo de Shikamaru rolando pelas ruas. Centenas de metros depois, o corpo de Shikamaru finalmente parou de rolar pelo chão. Seus ossos estavam doloridos como se tivessem passado num moedor, e seus músculos doíam como se tivessem sido banhados em ácido.

Foi difícil segurar um curto sorriso.

Funcionou...

Ele havia chegado àquela rua alguns minutos antes de Kei. Ele já havia calculado que, em caso de perseguição, a melhor rota para o esquadrão inimigo era por aquela rua. Obviamente não estava de braços cruzados.

Então, ele havia preparado diversas armadilhas naquele curto espaço de tempo. Ele havia revestido a parte interna do telhado daquela casa com dezenas de papéis explosivos obtidos na bolsa Shinobi de Natsuki.

Felizmente, aquelas casas foram as primeiras a serem evacuadas, uma vez que estavam mais próximas dos abrigos, e mais longes da explosão inicial dos conflitos.

Ela gostava de...coisas barulhentas, aparentemente.

Foi difícil não se perguntar como ela e os outros Konoha Chunnins estavam, mas ele logo balançou a cabeça, não podia se distrair. Ignorando os seus músculos chorando de dor, ele se levantou com passos cambaleantes.

Afinal... ainda faltava mais uma etapa para a conclusão do plano.

***

Kei, parou a meio caminho, enquanto cruzava os braços diante do rosto para se proteger da enorme onda de choque. Quando a onda finalmente passou, sua expressão era grave enquanto seus olhos cinzas refletiam os cadáveres carbonizados no meio da pilha de carvão rodeado de escombros.

Ele ignorou o cheiro de carne humana queimada que permeava o ar.

—Que inesperado...

Ele desviou os olhos para onde ele sentia a assinatura de chakra de Shikamaru. Seus olhos se estreitaram no menino cambaleante no meio da rua. Seus músculos estavam tensionados, prestes a se mover em direção ao Nara, quando ele sentiu aquilo... sua expressão ficou surpresa.

—Essa assinatura de chakra...quem diria.

Seus olhos se viraram para o outro edifício, algumas casas ao lado, ao sentir uma repentina assinatura de chakra. Ele ficou ainda mais surpreso. Aquilo era... ele repentinamente ficou sério.

—Isso...não é bom.

No outro lado da rua, ao mesmo tempo que Shino foi decapitado, Niku e Ai permanecem altos e imponentes diante do cadáver sem cabeça no chão. Seus olhos brilhavam de forma cruel enquanto olhavam para o telhado manchado de sangue.

Niku não conseguiu esconder a decepção na sua voz.

—No final...ele não era nada demais...

Com um falso suspiro, Ai balançou a cabeça de forma completamente teatral, enquanto seu pé cutucava o corpo sem cabeça no chão.

—Vamos. Talvez o outro seja mais interessa-

Sua voz foi engolida por um som estridente no horizonte, enquanto uma espessa cortina de fumaça enchia aquela rua. Eles olham para a fileira de casas em chamas e o espesso cheiro de carne humana queimada na fumaça de forma atordoada.

—O que...foi isso?

Diante da voz assustada de Ai, Niku apenas fechou os olhos, enquanto formava um selo de mão. Sua expressão logo escureceu.

—As assinaturas de chakra deles...simplesmente...desapareceram.

Nenhum deles falou nada por alguns segundos, ainda atordoados. Os seus companheiros haviam morrido? Como aquilo aconteceu?

Quando Ai estava prestes a perguntar isso, ela viu a expressão no rosto de Niku mudar.

Quase ao mesmo tempo, o corpo largo de seu irmão a abraça de forma protetora, enquanto o cadáver diante dos seus pés explode em uma nuvem espessa de insetos. Uma cortina negra de insetos cobria completamente os corpos abraçados de ambos irmãos, como uma segunda pele.

Raiton – Denki Hifu no Jutsu (Técnica da Pele Elétrica)

Um som estridente encheu o telhado enquanto uma camada de raios cobria os corpos de ambo.

No minuto seguinte, centenas de corpos de insetos carbonizados caem no chão, até revelar a figura de ambos. Suas respirações estavam pesadas e ofegantes, como se tivesse lutado por horas, e seus volumes de chakra haviam diminuído bastante, O som de passos lentos ecoava naquela escura noite.

A cabeça decapitada lentamente se esvaiu em uma nuvem de insetos, que voaram até se unir em uma figura parada no meio do telhado, tão silencioso quanto um fantasma.

Os olhos de Shino eram indiferentes enquanto os encarava. Seus olhos finalmente flutuaram com uma emoção indecifrável ao ver os filetes de sangue e os buracos escavados que beijavam as suas peles negras, onde haviam se enterrado alguns insetos.

—Nós vamos matá-lo.

Eles tinham olhares de raiva. Shino olha para eles calmamente. Ao ver ele tão calmo, aquilo fez o coração de ambos ferver. Eles tentaram se levantar, mas sentiram seus corpos rangerem de dor, enquanto suas pernas enfraquecidas os levavam novamente ao chão.

Suas reservas de chakra haviam sido severamente absorvidas pelos Kikaichuus de Shino.

—É mesmo...? Acho isso ilógico...afinal...-ele ajeitou lentamente os seus óculos, antes de formar um selo de mão — vocês já estão mortos.

Hijutsu – Muchi Dai Konran. (Jutsu secreto – Pandemónio de Insetos).

Eles fazem uma expressão horrorizada, ao sentirem uma sensação de ardência dentro de seus corpos, mas era tarde demais.

Ambos os corpos explodem em uma massa sangrenta. Sangue e vísceras mancham as telhas, enquanto insetos enormes e grotescos rastejam sob a carne de seus corpos mutilados. Eles estavam mortos.

Seus olhos permaneceram impassíveis enquanto ele via a horda de insetos gigantescos despedaçando o que restava de ambos os corpos, enquanto se banqueteavam com a carne irreconhecível de ambos.

Se havia uma coisa que definia Shino, além de suas terríveis habilidades sociais, era...sua cautela. Ele era extremamente cauteloso.

Desde o momento que ele sentiu os seis shinobis de Kumo se aproximando, ele já havia se substituído por um clone de insetos, enquanto ele se escondia.

Quanto à como ninguém notou que aquele era um clone? Isso era simples. O clone aguentou inúmeros golpes e até mesmo sangrou, sem falar que sua assinatura de chakra era tão semelhante que mesmo um sensor excepcional não saberia dizer a diferença.

E tudo aquilo foi graças à... genjutsu. Tanto ele quanto seu clone estavam cobertos por uma camada de insetos que estavam constantemente mantendo uma barreira de ilusão ao seu redor.

Sendo um aluno da melhor usuária de genjutsu em Konoha, era impossível não aprender sobre essa arte. Logo desde a primeira sessão de treinamento, Kurenai já havia mencionado o potencial que ele tinha em artes ilusórias, apesar de não ter um controle impecável de chakra, tudo devido aos seus Kikaichuus.

Era um genjutsu relativamente simples, na verdade, era apenas Rank C.

Meisai no jutsu. (Técnica da camuflagem)

Se fosse só ele, ele nunca conseguiria realizar esse genjutsu de forma tão avançada e realista capaz de enganar até um sensor como Kei. Mas, se os milhares de insetos no seu corpo estivessem trabalhando com ele...era um assunto diferente. Eles também tinham rede de chakra, só não sabiam manipular individualmente, mas era simples emitir um comando para eles circularem seus chakras de uma maneira específica. Milhares de insetos o ajudando a manter a ilusão. Era uma ilusão com impressionantes mil camadas.

Até um sensor seria enganado, uma vez que os insetos se alimentavam do chakra de Shino, logo, possuíam uma assinatura de chakra igual.

Todo esse tempo, ninguém notou seu corpo original parado ali, sob uma ilusão de mil camadas. Desde que ele estivesse parado, ele estava confiante em se esconder de quase qualquer pessoa.

Ele voltou a realidade com o som de sandálias batendo no telhado. Kira Kei tinha um olhar bastante enigmático enquanto olhava para a horda insetos enredados em uma poça carmesim de carne e sangue.

Ele havia chegado tarde demais...novamente. Seus olhos cinzas brilharam de forma curiosa enquanto ele olhava para o indiferente Shino.

—Como você fez isso...?

Shino apenas continuou o encarando em silêncio. Kei apenas deu de ombros e se aproximou lentamente dos insetos. Quanto mais ele se aproximava, mais loucos os insetos pareciam ficar, gritando de forma estridente enquanto se contorciam.

Quando ele parou ao pé da poça de sangue, não se importando com o liquido vermelho manchando suas sandálias, os insetos finalmente pareceram enlouquecer e se jogaram sobre ele.

—Bastante curioso...de fato.

Muito lentamente, ele estendeu sua mão franzina e delicada, enquanto uma fina camada de raios se acumulava no seu dedo indicador. Com um leve balançar, um feixe de eletricidade caiu sobre os emaranhados de corpos de insetos. Eles mal tiveram tempo de gritar antes de se transformarem em carcaças carbonizadas.

Ele se aproximou de um que ainda estava se contorcendo ligeiramente, e sua sandália logo se afundou na sua cabeça. Sangue se espalhou pela roupa de Kei.

Shino não esboçou qualquer reação diante daquela cena.

Aquele tipo de Kikaichuu era bastante especial, e muitos poucos Aburame conseguiam criá-los nos seus corpos. Eles se mantinham dóceis se recebessem uma dosagem muito específica de chakra, que o Aburame hospedeiro tinha que definir desde o nascimento deles. Uma vez que eles entrassem no corpo de outra pessoa, como um inimigo por exemplo, era quase impossível essas pessoas saberem a dosagem de chakra específica para mantê-los dóceis e então...eles ficariam irritados dentro dos seus corpos e começariam a crescer, a crescer, a crescer, até que finalmente...explodiriam. Rastejando para fora da carne mutilada que outrora for uma pessoa.

Uma forma verdadeiramente dolorosa e cruel de morrer.

—Quem diria, hein... –Kei ignorou o cheiro enjoativo de sangue e carne carbonizada que permeava o ar. Havia um sorriso caloroso em seu rosto marcado, como um amigo gentil, formando um contraste com os filetes de sangue que manchavam seu rosto — Eu os subestimei... não pude fazer nada enquanto meus preciosos companheiros eram mortos um por um... essa sensação de impotência...

A voz apática de Shino o interrompeu.

—Não brinca. Com sua velocidade...se você quisesse, poderia ter salvado eles...

Kei sorriu verdadeiramente dessa vez.

—Que olhos afiados...mas porque eu me esforçaria?

—O que você quer dizer? Eles não eram seus subordinados?

Kei ficou alguns segundos em silêncio. Como se achasse aquela pergunta bastante surpreendente. Ele parecia realmente estar refletindo.

—Um leão se esforçaria para salvar os filhotes de uma coelha se os visse feridos? Um tubarão ajudaria um tolo filhote de um cervo que caiu no mar? O que você acha?

—Irrelevante. Pessoas são pessoas. Animais são seres governados por instintos. Nós somos seres que superaram os instintos.

O sorriso de Kei aumentou.

—Realmente? Somos verdadeiramente? Isso é curioso... então por que suas mãos estão tremendo...como se você quisesse desesperadamente me matar? –Ele pareceu pensar por um pouco — Aquela menina...a que eu matei...ela era sua companheira de time, não?

A mandíbula de Shino se cerrou. Kei continuou.

—Você sente coceira? Suas mãos estão tremendo? Seu sangue ferve? Tudo isso, meu caro, são instintos. A natureza animal do ser humano tomando conta dessas falsas restrições que chamamos de ´´lógica´´. Uma dicotomia interessante. Esse é um aspecto no qual eu admiro verdadeiramente os animais. Eles, pelo menos, respeitam e entendem a lei da natureza. Força é poder, e a fraqueza é um pecado terrível.

Shino cerrou os punhos, antes de estender as mãos e enviar um enxame de insetos em sua direção.

—Você... fala demais.

Os olhos de Kei brilharam de forma fria, enquanto aquele ataque se aproximava.

—Aos olhos da natureza, todos vocês são verdadeiros pecadores. Um mero inseto tentando derrubar uma pantera...risível e patético.

Em um borrão, ele cobriu a distância que os separava, e logo seu punho se enterrou no peito de Shino. Mas ele logo achou estranho, a sensação de ´´vazio´´ que ele sentia na sua mão... Ele logo viu o corpo de Shino, assim como seus insetos se esvaindo em nada.

Seus olhos cinzas eram afiados.

—Meros truques. Ridículo. Assim como esperado de um mero fracote manchado pelo pecado da fraqueza. -Suas mãos se moviam como um borrão- Todos vocês...me dão nojo. Desapareça.

Raiton — Dendou Bakuhatsu no Jutsu (Liberação do Trovão — Técnica de Detonação Elétrica)

Uma cadeia de relâmpagos iluminou aquela noite escura, enquanto feixes de eletricidade começaram a pulsar a seu redor como se ele fosse o centro de uma tempestade, antes de se espalhar por todo o telhado como se fossem centenas de serpentes de raios.

Um grito abafado de dor se sobrepôs ao som de raios crepitantes, enquanto o corpo de Shino caía no chão.

Não importava o quão bom ele fosse em se camuflar, no fim das contas, ele estava apenas invisível, não intangível. Um Jutsu indiscriminado de área de efeito ainda o atingiria.

O Aburame tentou se levantar, enquanto ouvia o som de passos de Kei se aproximando do seu corpo caído, mas seus músculos ainda estavam sofrendo espasmos pelos filetes de raio que os percorriam.

O corpo de Kei parou ao lado de sua cabeça.

—Olhe para você...um inseto rastejante no chão, enquanto a orgulhosa pantera jaz diante do seu corpo. No fim das contas...essa é a ordem natural das coisas.

—É...mesmo? –Shino ignorou a forma como seu corpo convulsionava, e esboçou um curto sorriso- Eu não teria...tanta certeza.

A expressão de Kei mudou, antes de ele saltar rapidamente para trás, enquanto uma sombra serpenteante perseguia seu corpo.

´´Esse jutsu...o menino do clã Nara?´´

A sombra que o perseguia tremeluziu, antes de se dividir em três linhas finas que serpenteavam pelo telhado com mais velocidade.

Com passos leves e ágeis, o corpo de Kei continuou desviando, inconsciente de uma fina linha que emergia sorrateiramente do discreto bueiro no meio do beco entre a divisão de ambas as casas.

Quando o corpo de Kei finalmente parou de se desviar, ele estava na beirada do telhado, e o trio de sombras parecia ter chegado ao seu limite.

Ele sorriu de canto, enquanto uma sombra extra lentamente subia pela parede atrás de si. Shikamaru, escondido nas sombras, sorriu.

´´Te peguei...´´

Como uma serpente dando o bote, em um piscar de olhos, a sombra nas costas de Kei se esticou tão rápida e leve quanto uma pena, mas quando estava prestes a se ligar à sombra dele, como se tivesse olhos na nuca, Kei saltou de lado, desviando da sombra sorrateira.

—Boa tentativa...menino das sombras.

Shikamaru apenas suspirou de forma desistente, enquanto emergia da sombra de uma das casas. Com um simples salto, ele pousou ao lado de Shino, que finalmente conseguiu se manter novamente em pé.

—E eu achando que finalmente consegui te pegar...que pena.

Shikamaru olhou para as quatro sombras que estavam dançando ao redor de Kei, mas simplesmente não conseguiam avançar os dois metros que faltavam para capturá-lo, uma vez que estavam no seu limite.

Kei apenas sorriu.

—É claro. Eu teria que ser muito estúpido para cair em um jutsu que já vi sendo utilizado mais de uma vez. Eu já percebi que o limite das suas sombras é de quinze metros...depois disso, é impossível você conseguir capturar alguém. Você até tentou usar o seu conhecimento da geografia de Konoha, e me surpreender por meio do bueiro, mas...infelizmente...

Shikamaru apenas coçou a cabeça de forma despreocupada.

Como esperado... Você é muito mais inteligente do que seus companheiros. De fato, o limite dessas sombras é de quinze metros... e de fato, fazer uma das sombras o surpreender através dos bueiros também não funcionou...mas, você não está esquecendo de algo?

A expressão de Kei finalmente mudou quando ele sentiu seu corpo ficar repentinamente rígido.

O que... O que havia acontecido...?

Ele olhou para seus pés, ao mesmo tempo que ouvia a voz robótica de Shikamaru.

Kage mane no jutsu... Sucesso.

Uma das quatro sombras havia se alongado o suficiente para se conectar a sua, o prendendo firmemente.

—Como...?

A voz de Shino atravessou a noite.

—Com a sua inteligência...você não consegue perceber?

Kei olhou para o telhado, e finalmente percebeu algo. Os insetos que haviam sido mortos por Ai e Niku no início...onde eles estavam? Finalmente, ele olhou para o céu, e logo arregalou os olhos ao vê-los flutuando silenciosamente no alto, e ele logo entendeu.

De alguma forma, aqueles insetos haviam sobrevivido, mesmo depois de terem sido eletrocutados...Não, era correto dizer que não haviam sido mortos em primeiro lugar. Uma ilusão? Provavelmente. Enquanto ele estava distraído desviando das sombras do Nara, o menino do clã Aburame havia feito eles silenciosamente flutuarem no céu, sendo banhados pela luz cálida da lua.

Apesar da Sombra do Nara terem atingido o limite, a nuvem de insetos no céu formou uma sombra, que se conectou com a do Nara, a estendendo ao ponto de conseguirem se ligar ao corpo de Kei.

Uma sensação de arrepio atravessou o corpo de Kei.

Aqueles dois...que génios terríveis. Desde o início, eles tomaram cada decisão pensando nas duas próximas. Era como se aquela rua fosse um tabuleiro de Shougi, e cada um deles fosse uma peça, dançando nas cordas de um jogador excepcional.

Esse nível de inteligência e planejamento... Sua expressão logo ficou feia. Konoha realmente era um berço de monstros terríveis.

Shikamaru finalmente fez uma expressão aliviada. Com os companheiros de Kei mortos, e ele preso, era só uma questão de esperar seus companheiros chegarem ao abrigo, antes de voltarem com reforços, e então...essa longa noite finalmente terminaria.

Mas estranhamente, ele não conseguia se livrar da sensação de que havia algo errado, apesar de ele não saber o quê. Seria só...paranoia?

Cheque-mate...

Havia algo bastante perturbador na expressão enigmática de Kei. Só por precaução, Shikamaru deu um sinal para Shino. O Aburame fez um gesto com a mão, enviando o que restava de seus insetos para o Shinobi paralisado. Mas quando se aproximaram de Kei, uma redoma de raios ao seu redor os transformou em cinzas.

Shikamaru suspirou de aborrecimento, enquanto Kei sorri estranhamente.

—Nee...menino das sombras...você não achou estranho...como um sensor como eu poderia ser facilmente detectado se aproximando pelo inimigo? Como eu não senti você nos esperando nessa rua e montando armadilhas?

Os olhos de Shikamaru e de Shino se estreitaram.

—A verdade é que...achei irrelevante. Vocês estavam quatro passos à frente de mim, é verdade, mas...eu estava seis.

Um olhar de horror preenche Shikamaru, quando ele finalmente percebe o significado daquelas palavras.

A voz de Kei continuou.

—Em termos de estratégia...vocês dois são os melhores que já enfrentei, nada mal... porém... diante de uma força absolutamente superior... estratégias são inúteis...desse jeito...

Seu corpo se enche de raios negros crepitantes, o abraçando como se fossem uma armadura, em um piscar de olhos, feixes de raios negros acabam destruindo completamente as sombras que o prendiam.

—Bem melhor....

Shino, vendo como Shikamaru estava paralisado de horror, estreitou os olhos.

—O que estava dizendo? O que você fez?

Kei ignora a sua voz estridente. Ele estalou lentamente os ossos do corpo, finalmente livre. Ele finalmente deu um olhar para o Nara, que o encarava com uma expressão assustada.

—Quando uma pantera está caçando, ela não descansa até a sua boca se encher com o sangue quente da sua presa. As ovelhas nunca estarão em paz, enquanto os predadores famintos ainda estiverem vivos... seus companheiros são cordeiros...e uma feroz pantera os está perseguindo...nesse exato momento...

Shikamaru, paralisado, sente seus joelhos fraquejarem e fica com um olhar completamente vazio. Depois de tudo que ele fez ainda não conseguiu salvar ninguém...

***

As ruas de Konoha passavam como um borrão, enquanto o esquadrão de Hiroshi se movia em direção do abrigo. Ele desviou seus olhos para a menina que corria ao seu lado, com uma expressão bastante preocupada.

Pela velocidade com a qual ela estava se movendo, era bastante óbvio que ela estava reforçando seus membros com chakra.

—Vá com calma, Natsuki. Você vai se exaurir desse jeito.

Ela apenas balançou a cabeça, enquanto mordia o lábio inferior.

—Não posso. Quanto mais rápido chegarmos, mais rápido podemos salvar o Shikamaru-kun.

Ela desviou um olhar de má vontade para os nobres enquanto dizia isso. Vendo a forma como eles estavam encolhidos de medo, Natsuki logo suspirou, antes de aumentar a sua velocidade.

A expressão séria de Hiroshi mostrou sinais de quebrar, enquanto um pequeno sorriso de canto surgia no seu rosto. Ele aumentou sua velocidade, ao mesmo tempo que dava um sinal para os outros três Chunnins fazerem o mesmo.

Em algumas respirações, eles finalmente viram a imponente montanha Hokage, abaixo da qual estava a entrada secreta para o abrigo. Em um minuto chegariam.

Foi impossível não ver os rostos tensos de todos se iluminarem de alívio, enquanto inconscientemente desaceleravam ligeiramente. Eles finalmente haviam chegado.

Sendo um Shinobi veterano, Hiroshi estava prestes a avisá-los para continuarem com o ritmo, uma vez que o momento em que um Shinobi baixava a guarda, era o mais propício para um ataque, quando uma sensação de arrepio surgiu no seu corpo.

Aquela sensação...ele já havia sentido antes, quando era um mero gennin durante a segunda Guerra Mundial, e seu esquadrão foi eliminado por um dos Sete Espadachins da Névoa. A sensação de ser uma mera presa diante de um feroz predador...era horrível.

Por puro instinto, ele deu um salto para trás, enquanto um brilho prateado passava diante dos seus olhos.

Muito lentamente ele ouve o som de passos, enquanto uma figura se mostrava diante dos seus olhos.

Vendo a adaga manchada de sangue nas suas mãos, Uma sensação de horror puro atravessa Hiroshi, enquanto ele passa os dedos calejados no seu pescoço, e eles logo voltam molhados de sangue.

Se ele tivesse reagido um pouco mais lento, ele teria sido decapitado.

—Oh...você desviou, nada mal...

A garota, com olhos em fenda completamente dourados, parecia estranhamente inofensiva, mas cada pequeno movimento do seu corpo magro e ágil, deixava seus pelos eriçados.

Hiroshi olhou para seus companheiros, os vendo completamente enraizados no chão, enquanto olhavam para a menina diante deles com olhos cheios de horror.

A intenção assassina era tão pesada e espessa, como se correntes invisíveis envolvessem seus corpos. O fedor de sangue e de cadáveres que ela emanava era tão intenso que ele quase se engasgou.

Se ele, um veterano, estava tão paralisado, o que dizer dos seus companheiros?

Ele cerrou os dentes fortemente, até morder os lábios. O gosto metálico de sangue e a dor pungente finalmente o permitiram se mover.

—Todos. Eu vou distraí-la. Aproveitem fugir.

Sem esperar uma resposta, suas mãos passaram rapidamente por uma série de selos.

Katon- Goukakyuu no jutsu. (Liberação do Fogo – Técnica da Grande Bola de Fogo).

Com um simples passo para o lado, ela desviou da esfera em chamas. Hiroshi desembainhou a lâmina presa nas suas costas, enquanto saltava em sua direção.

Konoha-Ryū – Mikazuki no Mai (Estilo Folha – Dança da Lua Crescente)

Em uma explosão de fumaça, dois clones das sombras surgiram ao lado de Hiroshi. Em um borrão, um deles balançou sua lâmina pela esquerda, outro pela direita, enquanto o original caía de cima.

Em um piscar de olhos, três lâminas atravessaram seu corpo. Hiroshi ficou horrorizado ao não ver nenhuma gota de sangue. Pior ainda, ele sentia como se tivesse atravessado ´´nada´´.

Aquilo era...uma pós-imagem.

A imagem olhou para os três clones que a atingiram calmamente. Como um açougueiro olhando para carnes na tábua de cortar.

Uma voz soou nas costas de Hiroshi.

—É tarde demais...

Jinton – Mueshō. (Liberação da Velocidade – Voo Sem Sombras).

Ela se moveu como um borrão, antes que alguém sequer piscasse, uma cabeça com uma expressão horrorizada atravessou o ar, antes de parar aos pés de Natsuki.

Seus olhos se encheram de horror, enquanto sua boca não conseguia emitir um som sequer. Lentamente, Natsuki olhou para a cabeça diante dos seus pés...e tudo que ela viu era um rosto recheado de cabelos grisalhos a encarando de forma horrorizada.

Suas pernas se dobraram como se fossem feitas de gelatina, enquanto um grito inumano irrompia da sua garganta.

O som de passos calmos ecoou novamente na silenciosa rua.

Nii El se movia lentamente, mas cada simples passo enchia seus corpos com horror profundo. Seus corpos eram pesados como uma montanha. Ela caminhava lentamente, como uma pantera passeando calmamente pelo prado, enquanto um bando de cervos dóceis e inocentes pastava alegremente.

Cada vez que ela passava próximo de alguém, essa pessoa caía pesadamente no chão, como uma marionete com as cordas quebradas. Um fino filete de sangue nos seus pescoços.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis... corpos caíam incessantemente como gotas de chuva.

Ela finalmente parou diante de Natsuki, que tremia como uma criança assustada com os monstros horríveis debaixo da cama.

Só naquele momento, Natsuki finalmente registrou que ela estava rodeada pelos cadáveres de seus companheiros. Um cheiro espesso de sangue enchia o ar, como um perfume barato.

Ela olhou para Nii El com olhos completamente vazios.

—Você se arrepende?

El parou por instantes, inclinando a cabeça como uma gata curiosa, enquanto seus olhos felinos brilhavam de interesse.

—...Não entendo?

—Das pessoas que você matou...?

El balançou a cabeça.

—Não sei. Eu acho que não sei o que é remorso. Não...acho que não sei...o que é sentir algo.

—Entendo...-Natsuki a olhou com olhos sem brilho, antes de faiscarem de raiva – como uma figura tão bela, pode trazer tantos demônios no olhar? Espero que sua alma seja despedaçada no abismo.

Seus cílios piscaram, enquanto seus olhos dourados encaravam Natsuki de maneira enigmática.

Ela se agachou lentamente, com um brilho prateado nas mãos. Uma adaga se enterrou, lentamente sob o queixo de Natsuki, até se enterrar no seu cérebro. Ela espasmou, enquanto sangue quente jorrava sob o seu pescoço, até seus olhos verdes perderem lentamente o brilho.

Ela acariciou gentilmente os fios de cabelo castanho-claro de Natsuki, que estavam manchados de sangue.

—Eu sou Nii El, herdeira do Demônio do Rai No Kuni. Não me resta alma alguma para ser despedaçada no abismo.

Uma montanha de cadáveres refletidos nas chamas dos olhos dourados e vazios, foi a última imagem que Natsuki viu em vida.

Notas finais
Obrigado por chegar até aqui. Comentários? Beijos e até o próximo!