Gênesis

55 Cinzas Remanescentes - ATO V, VI, VII – O Egoísta, O Vingador e O Hipócrita. (PARTE UM)


Notas iniciais
Feliz ano novo! haha Um pouco atrasado, mas nada melhor do que esse presente adorável que preparei para vocês haha Primeira parte de Um LONGO, verdadeiramente LONGO capítulo, o meu documento do word ultrapassou 20 mil palavras, e para não deixar vocês esperando tanto tempo, decide postar a primeira parte,q eu na verdade já estava pronto a bastante tempo, só...eu queria postar de uma vez, mas pensei melhor. Quero agradecer ao Leão e ao Doko por comentarem no capítulo passado. Realmente me deixou feliz que vocês estejam gostando haha

Cinzas Remanescentes — ATO V, VI, VII – O Egoísta, O Vingador e O Hipócrita. (PARTE UM)

ATO V: O Egoísta

Sombras escuras e pesadas manchavam um rosto jovem e taciturno, enquanto ele se movia como um borrão pelas ruas em ruínas de Konoha.

Shikamaru, mesmo com a grossa cortina de fumaça que enchia o horizonte, ainda conseguia ouvir o som agudo de kunais roçando em kunais, os gritos de dor e então... O silêncio da morte.

Suas costas suavam e seus músculos estavam pesados como chumbos pelo pesado miasma de intenção assassina que permeava aquela rua ensanguentada.

A expressão em seu rosto se contorceu ligeiramente, enquanto ele se lembrava dos eventos que levaram àquela situação.

Quando aquela série de explosões ecoou por Konoha, e os Kages liberaram suas intenções assassinas, o salão de banquete entrou em caos, e antes que alguém percebesse, os Kages já haviam explodido metade do salão.

Imediatamente, seu pai, Shikaku Nara, como Comandante Jounnin de Konoha, tomou conta da situação e emitiu uma série de ordens de evacuação, antes de ele mesmo desaparecer em direção às muralhas da Vila, para estabilizar a situação do cerco.

Shikamaru, assim como todos outros sobreviventes do Shiren Shōkan, foi promovido à Chunnin no local e designado para um esquadrão de evacuação de um grupo de nobres. Depois de escaparem, eles começaram a se mover em direção ao abrigo sob a montanha Hokage, enquanto eram constantemente assediados por esquadrões inimigos.

Os jounnins de Konoha ficaram para atrasar os jounnins inimigos, enquanto Shikamaru e um grupo de chunnins continuava a escolta.

Obviamente, eles estavam escoltando apenas nobres de baixo escalão, então supostamente eles não deveriam estar tão focados neles. O problema era que os nobres de alto nível haviam escapado por outra passagem secreta, com guardas de elite os escoltando. Esses nobres ao ar livre, eram apenas iscas, para segurança das famílias mais importantes.

Claro, iscas ou não, as famílias deles ainda têm uma certa influência na capital. Às vezes, bastava uma ou duas palavras deles agradarem um nobre de alto escalão, e as consequências políticas e económicas podiam ser inimagináveis para Konoha. Shikamaru sabia disso, assim como os shinobis de Kumo.

—O que você está pensando, Shikamaru-kun?

Ele saiu dos seus devaneios por aquela voz feminina. Ele olhou para a Kunoichi que corria ao seu lado. Olhos verdes claros o encaravam entre um rosto bonito e emoldurado por cabelos castanhos-claros. Natsuki, usando o costumeiro uniforme Chunnin de Konoha, era a única kunoichi no grupo de seis Shinobis escoltando aqueles nobres. Shikamaru a ignorou por alguns segundos, enquanto corria velozmente pelos telhados.

—Nada...demais.

Ele concentrou chakra no Fuuinjutsu que havia sido colocado na sua garganta. Aparentemente, a ideia de Kankurou de arrancar sua língua não havia sido tão original afinal. O hospital de Konoha estava acostumado a lidar com casos de mutilação de língua desde a Primeira Guerra Ninja. Aquele selo havia sido desenvolvido para aquele propósito. Ele permitia converter os sons indistintos das suas cordas vocais em falas simples, desde que se concentrasse chakra nele. Mas tinha uma limitação é claro, era um pouco exaustivo de chakra, então só podia falar frases curtas e pausadas, e a voz era monótona e arrastada, como o vento soprando em uma caverna.

Natsuki apenas sorriu de forma intrigante, antes de encostar em Shikamaru e envolver um de seus braços no ombro do Nara, ele ignorou o aroma floral nos seus longos fios de cabelo castanho. Ela para os três nobres sendo carregados nas costas dos outros três Chunnins, enquanto Shikamaru, Natsuki e Hiroshi –o líder do time-, permaneciam livres e vigilantes, em caso de ataque. Foi incrivelmente difícil convencê-los a serem carregados, eles fizeram um longo discurso sobre dignidade nobre, mas nada como uma chuva de kunais inimigas para os convencer. Eles ficaram quietos desde então, apenas resmungando ocasionalmente.

—Não me diga que você também quer ser carregado? Não tem jeito. Se você quiser, é só falar com sua Onee-san aqui. –Ela fez uma expressão envergonhada- Só...seja gentil. É a minha primeira vez. Nunca nenhum garoto montou nas minhas costas.

Ele apenas continuou impassível, antes de empurrá-la levemente. Shikamaru já estava acostumado com suas piadas sem graça em momentos sérios. Era uma maneira dela de disfarçar seu nervosismo.

—Você é... apenas um... ano mais velha... que eu.

O sorriso dela aumentou ainda mais.

—Precisamente! –Seus olhos verdes brilharam- Que tipo de menino não gosta de mulheres mais velhas e experientes?

Antes que Shikamaru respondesse, uma voz severa veio da frente. Hiroshi, que corria na frente, enquanto os três nobres estavam protegidos no centro, era o líder daquele esquadrão. Seus fios de cabelo grisalhos e sua expressão severa, mostravam que ele era um Chunnin extremamente experiente, tendo sobrevivido a duas Guerras Shinobis.

—Quietos, vocês dois.

Natsuki fez uma continência exagerada, enquanto assentia nervosamente.

—Gomen, Taichou! Não volta a acontecer.

A expressão dele era severa, mas era possível ver uma pequena suavização na sua expressão. Ele assentiu.

—Bom. Mantenham a vossa guarda alta.

Os dois assentiram, antes de continuarem a correr em silêncio. Hiroshi voltou a prestar atenção no caminho. Mas a quietude na verdade deixava seus instintos afiados estranhamente tensos. E Hiroshi confiava nos seus instintos mais do que tudo, ou não teria sobrevivido por duas Guerras, tendo apenas a força de um Chunnin de Elite. Ele decidiu aumentar a velocidade. Seus subordinados logo o imitaram.

Ele olhava para as ruas escuras e silenciosas de Konoha com os olhos dilatados e os pelos eriçados.

Alguns segundos depois, uma voz esganiçada interrompeu o silêncio.

—Droga! Quão longe é esse maldito abrigo?!

Seu coração pulou uma batida, mas a expressão de Hiroshi logo se tornou subserviente, enquanto ele olhava para um dos nobres sendo carregado. O Chunnin que o segurava nas costas fez uma expressão envergonhada.

—Desculpe, Ebisu-Sama. –A voz de Hiroshi era serena- Estamos quase chegando. A essa velocidade estaremos lá em cinco minutos.

—Tanto tempo? Por que Vós sóis tão lentos? – O rosto velho de Ebisu se enrugou- E se formos atacados por aqueles selvagens nesse momento? Tu sabes quem eu sou? Estás disposto a assumir a responsabilidade pela minha morte?!

Nesse momento, os outros dois nobres também decidiram abrir as bocas.

—Isso mesmo! Nós pagámos os vossos malditos salários. É melhor Vocês nos protegerem com as vossas vidas humildes.

—Meu irmão é assistente do subordinado do Secretário do Ministro das Finanças da Corte do Daymiou. Se algo acontecer comigo. Nem pensem em receber a mesma quantidade de fundos!

A expressão de Hiroshi falhou ligeiramente. O único motivo pelo qual eles estavam se movendo a àquela velocidade era porque os nobres haviam reclamado do vento quando eles estavam correndo na velocidade máxima, caso contrário já teriam chegado ao abrigo. Mas ele era um Chunnin Veterano que já havia feito muitas missões na capital, e já havia lidado com nobres, então continuou calmo, como se estivesse lidando com um grupo de crianças:

—Por favor, tenha certeza, Ebisu-sama, Hito-sama e Kagami-sama. Faremos os possíveis para protegê-los.

Eles resmungaram um monte de palavras, antes de finalmente se acalmarem.

A expressão de Shikamaru ficou feia, enquanto ele observava os nobres, mas ele não se atreveu a falar. Natsuki, por outro lado, cerrou os dentes, e ela parecia estar prestes a saltar nos nobres. Shikamaru, que corria ao seu lado, estendeu a mão e colocou no ombro dela, ele balançou a cabeça, antes de sussurrar:

—Não...vale a pena.

O punho dela se apertou, mas Natsuki logo suspirou.

—Eu sei...eu só...-Um olhar preocupado apareceu em seu rosto- estou pensando no Raido-Sensei... Só de saber que ele ficou para proteger esses lixos...-Sua expressão se contorceu- Isso me dá nojo...

Um lampejo de compreensão brilhou no rosto de Shikamaru. Logo na saída do Salão, eles haviam sido interceptados por um grupo de Chunnins de Iwa, e Raidou, o único Jounnin, havia ficado para os enfrentar enquanto os mandava avançar. Ele era um Jounnin, mas haviam cinco Chunnins e um Jounnin naquele grupo, então, até ele tinha que prestar muita atenção.

Eles correram mais um pouco, antes de ouvirem a voz de Hiroshi:

—Merda.

Ele amaldiçoou, com uma expressão feia no rosto. Vendo todos o encarando, Hirsohi logo se explicou. Ele era um sensor, e havia sentido um esquadrão os seguindo. A expressão de todos mudou. O abrigo estava a menos de cinco minutos, mas pela velocidade, eles os alcançariam em dois minutos.

—Qual é a força deles?

Natsuki perguntou seriamente. A expressão severa de Hiroshi se contorceu ainda mais:

—Seis Shinobis. Há cinco Chunnins, mas... o líder deles...que chakra poderoso. –Ele hesitou por um pouco- Provavelmente, um Jounnin de Elite...talvez mais...

Todos engasgaram. Jounnin de Elite...ou mais. Esse era um shinobi, no mínimo, Rank A na melhor das hipóteses, ou Rank S se eles fossem realmente azarados. Aquele nível de força não era brincadeira. Mesmo em Konoha, não havia muitas pessoas com esse nível de força, e todos eles estavam na linha da frente, defendendo as muralhas de Konoha da horda de shinobis que haviam feito o cerco.

Não era difícil matar todos eles com esse nível de força.

Hiroshi olhou para os nobres, que agora estavam pálidos, e não pode deixar de duvidar. O que havia naqueles três para atraírem esse tipo de força? Mas ele logo balançou a cabeça. Os detalhes eram irrelevantes. Ele era um Shinobi. E tinha uma missão. Ele apenas tinha que cumpri-la. Ele pensou um pouco enquanto corriam, milhares de pensamentos na sua cabeça. Antes que ele dissesse, ele ouviu aquela voz robótica.

Alguém... tem que...ficar.

Natsuki cerrou os dentes. Dessa vez, além de suspirar, Hiroshi fez uma careta, Shikamaru não estava necessariamente errado. Ele havia pensado o mesmo.

—Isso mesmo. O abrigo não está tão distante. Se alguém ficar para atrás, e conseguir atrasá-los por algum tempo, podemos conseguir.

O que não foi dito, era que a pessoa que ficasse, provavelmente...

Mas eles eram Shinobis, e haviam recebido uma missão. Então, tinham que fazer o máximo possível para cumpri-la.

Shikamaru ficou em pensamentos profundos, enquanto olhava para os seus companheiros. Além dos três chunnins carregando os nobres, haviam apenas duas pessoas correndo com ele. Hiroshi e Natsuki. Apenas eles três podiam lutar. Ele franziu o cenho.

A pessoa que ficasse, em ordem de aumentar as suas probabilidades de sobrevivência, deveria possuir habilidades de controle de movimentos o suficiente para atrasá-los, independentemente do número, até que os outros cheguem ao abrigo... E mais importante...deve ser rápido o suficiente para acompanhar... a velocidade de movimentos dos inimigos...e inteligente o suficiente para adaptar às mudanças no campo, para sequer cogitar fazer isso... e a melhor pessoa para isso, era...

Vendo a forma como Hiroshi o olhava de soslaio, Shikamaru já sabia os seus pensamentos, a única razão pela qual ele hesitava, apesar de ser seu superior, era simples... a identidade de Shikamaru não era simples. Ele era filho do Comandante Jounnin de Konoha, aluno de Asuma Sarutobi, um Jounnin de Elite que também era filho do Sandaime Hokage, e era o herdeiro do clã Nara. Se ele ordenasse que ele ficasse para trás, era o mesmo que mandá-lo para a morte. Hiroshi teria inúmeras pessoas poderosas querendo sua cabeça em uma bandeja.

Os olhos de Hiroshi se moveram para Natsuki, e os olhos de Shikamaru imediatamente o seguiram.

Por mais brincalhona que fosse, Natsuki não era estúpida, ela sabia que era uma Kunoichi civil e com talento mediano que, no máximo, seria uma Tokubetsu Jounnin se tivesse sorte. Ela era uma ninguém, da qual ninguém sentiria falta, então, logicamente, seria a melhor isca.

Sabendo disso, ela deveria estar com raiva, mas estranhamente...a expressão dela era resoluta e determinada. Nem um único traço de hesitação ou fúria era visível em seu rosto bonito.

Ela sabia que, se ficasse como isca, provavelmente iria morrer. Então, ninguém a culparia se xingasse todo mundo, e berrasse como uma criança. Mas apesar de tudo, seus olhos verdes eram olhos resolutos, como se estivessem prontos para se sacrificar ao menor comando.

Sua boca delicada se abriu, mas antes que ela se pronunciasse, uma voz se ouviu:

—Eu...serei a... isca.

Natsuki, assim como os outros, olhou para Shikamaru em choque. Sua expressão estava indecifrável.

Meu jutsu da possessão da sombra é o melhor para imobilizar oponentes. Independentemente da força e número deles. –Hiroshi desviou os olhos, como se estivesse envergonhado por ser exposto pelo seu favoritismo- Mesmo que sejam mais fortes que eu, não é impossível conseguir atrasá-los por alguns minutos. Até lá, vocês devem conseguir chegar até o abrigo, e voltar com reforços. Esse é o melhor plano.

Natsuki cerrou o punho, e estava prestes a dizer algo, mas foi cortada pela voz severa de Hiroshi.

—Tem certeza? – Ele queria dar ele mais uma chance.

Shikamaru olhou de soslaio para os nobres, que de tanto medo, estavam apenas suando e murmurando palavras incompreensíveis. Ele olhou para o severo Hiroshi.

—Sim. É minha escolha.

Hiroshi suspirou. Ninguém sabia se era por pena, ou por alívio por não ser executado no futuro, uma vez que o Nara se voluntariou.

—Nesse caso, tudo bem. –Vendo Natsuki olhando para ele indignada, ele a retribuiu com um olhar severo- É a decisão dele. O mínimo que você deve fazer é respeitar.

O Nara, com uma expressão indecifrável, acenou para eles, antes de se virar e correr pelo caminho de volta:

Conto com vocês.

Natsuki olhou para as costas dele desaparecendo com olhos complicados, antes de gritar:

—Shikamaru! –Ele olhou levemente para trás, ela sorriu de forma provocante, antes de jogar sua bolsa ninja para o moreno – É um empréstimo. Me devolva isso em breve.

A bolsa ninja dela havia sido estampada com um monte de autocolantes de gatinhos fofinhos rosas. Ele segurou um sorriso, bem a cara dela.

Ele assentiu, enquanto guardava a bolsa dentro de seu quimono. Com um último olhar, Shikamaru se virou, e disparou pelos telhados.

***

Algumas respirações depois, Shikamaru pousou em uma rua em ruínas e isolada, que ele sabia que estava no meio do caminho para o abrigo. Se os inimigos quisessem os interceptar, ao mesmo tempo que evitavam o centro da aldeia, onde a maioria dos Konoha Shinobis estavam, eles teriam que passar por aqui.

—Essas casas...vão servir.

Enquanto movia pelas casas manchadas por cinzas, ele abriu a bolsa dada por Natsuki, e caiu em profundos pensamentos enquanto contabilizava as ferramentas ninjas na bolsa. Ele fechou os olhos, enquanto formulava algumas possíveis estratégias.

Um minuto depois, ele saltou para o telhado de uma casa.

Enquanto uma brisa noturna beijava seu rosto taciturno, Shikamaru se lembrou da expressão no rosto de Natsuki, quando estava à beira de ser sacrificada. Aqueles olhos... No lugar de seu rosto bonito, ele quase conseguia imaginar um rosto rechonchudo e infantil, com aquela mesma expressão resoluta. Pessoas que queriam tanto proteger os outros, que ignoravam seu próprio medo da morte.

´´Chouji...´´

Seu peito apertou.

Mais uma vez, ele amaldiçoou sua fraqueza e preguiça. Se, desde a Academia, ele se esforçasse, se ele sempre fosse treinar com seu pai, se ele parasse de procrastinar e observar nuvens com Chouji, e ao invés disso, fossem treinar... talvez seu melhor amigo ainda estaria aqui, e talvez... Ino não teria sido desonrada diante dos seus olhos, enquanto ele não podia fazer nada. Ele era fraco demais. Hesitante demais. Ao invés de Chouji, teria sido melhor se ele-

Ele voltou à realidade quando o som de sandálias batendo no telhado soaram ao seu lado.

A kunai em sua mão se moveu como uma sombra em direção à garganta da pessoa ao seu lado. Dedos firmes envolveram seu pulso, travando sua mão.

Seus olhos negros se arregalaram em choque ao ver o rosto inexpressivo de Shino parado ao seu lado.

—Não a necessidade de violência. Porquê? Porque eu sou um aliado.

Shikamaru relaxou visivelmente, mas ainda manteve a kunai a centímetros da garganta dele. Shino pareceu entender a pergunta na expressão do Nara.

—Eu estava voltando do abrigo. Isso porque, eu havia acabado de escoltar um grupo de civis. Uma vez cumprida a minha missão, eu estava voltando para o centro da Vila para ajudar na evacuação, quando seus companheiros me encontraram e me pediram para vir ajudá-lo.

O hábito familiar de Shino de se explicar demais e com palavras estranhas fez com que Shikamaru finalmente abaixasse sua mão. Mas a sensação de mau agouro se aproximando no horizonte o fez franzir o cenho de preocupação. Sua voz robótica soou:

Você não tem que fazer isso. Isso é perigo-

—Você parece ter entendido algo errado. –Shino o cortou- Eu não estou fazendo isso porque um grupo de estranhos me pediu para fazer. Afinal, eu valorizo a minha vida e a dos meus insetos mais do que quase tudo.

Então porque...

Ele ajeitou os óculos escuros.

—Você não me ouviu? –Shino estendeu um dedo para Shikamaru, o Nara não entendeu no início, até ver um pequeno inseto lentamente voar de dentro do seu kimono até poisar no dedo estendido de Shino, onde encontrou outro tipo de inseto e começaram a roçar as antenas um do outro. Shikamaru estreitou os olhos – Eu disse que valorizo minha vida e a dos meus insetos mais do que quase tudo. Isso mesmo. Quase tudo. Esse tipo de Kikaichu é bastante interessante. A fémea está em constante período de acasalamento. Ela liberta constantemente um tipo específico de ferômonio. O macho, com seu apurado sentido de olfato, consegue cheirá-la a milhares de quilômetros de distância. Eu implantei uma fêmea em cada um de vocês, quando todos estávamos sentados juntos no banquete. Isso porque, vocês são meus companheiros. E eu não vou deixar nenhum de vocês morrer.

Shikamaru arregalou os olhos, e não pode deixar de olhar para as próprias mãos. Se perguntassem a ele, ele seria capaz de dizer o mesmo? Sinceramente, não. Tirando alguns poucos, ele realmente não se importava com muitas pessoas. Se não fosse pela expressão no rosto de Natsuki o lembrando Chouji, ele nunca faria algo idiota como ficar para trás.

Uma das razões pela qual ele fez isso foi porque, egoisticamente, ele queria entender o que Chouji tinha em mente quando ele deu sua vida para salvar as deles.

O que ele estava pesando? O que ele estava sentindo? Ele tinha algum arrependimento?

Shikamaru se fez essas perguntas sem parar nos últimos dias, mas a única resposta foi o vazio crescente no seu coração.

Mas a maior razão era...culpa. Isso mesmo, culpa. Afinal, ele não havia conseguido fazer nada.

Toda sua vida, ele procurou personificar completamente as sombras pelas quais seu clã era conhecido.

Desforme. Silencioso. Comum.

Só mais uma sombra no meio de tantas outras, banhado pelo sol brilhante daqueles à sua volta.

Então ele procurou ser mediano. Ser mais um. Apenas um ninguém no meio da multidão. Mas onde isso o levou? A um completo nada.

Ele não conseguia entender que, por mais que uma sombra se encolha, ela ainda será queimada pela luz escaldante do sol ao seu redor. Assim como Chouji e Ino foram marcados pelas chamas ao seu redor. E ele não conseguiu fazer nada.

Seus dedos apertaram firmemente ao redor da sua kunai.

Ele se lembrou que durante a Academia, ele e Chouji vez ou outra saíam com Naruto, ou às vezes Kiba, e o Inuzuka sempre vinha acompanhado do silencioso Aburrame. Ele raramente trocava palavras com Shino, mas nas poucas vezes que o fez, ele sempre apreciou o silêncio reconfortante que se seguia depois de eles trocarem algumas palavras. Ele sempre se sentia aquecido por aquilo.

Ele se lembra de ter perguntando ao seu pai sobre os Aburrame, e ele se lembrava até hoje da resposta:

´´Eles podem ser um dos clãs mais reservados e antissociais de Konoha. Raramente fazem amigos fora do clã. Mas...se um Aburrame te considera um amigo, saiba que é para a vida inteira. Eles o protegerão tão ferozmente quanto seus preciosos insetos´´.

Ele finalmente entendeu aquilo, mas logo franziu ligeiramente o cenho.

Apesar das palavras quase gentis de Shino, havia algo bastante perturbador e visceral na sua aura. Algo escuro e perigoso nas suas feições, que refletiam as chamas violentas espelhadas nos seus óculos escuros.

E foi então... que Shikamaru se lembrou da frase de Shino.

´´Não quero ver outro companheiro morrer´´.

Kiba...Hinata... ambos estavam mortos. Corpos frios nas profundezas dos seus clãs. Pequenos nomes entalhados na pedra memorial, e Shino estava aqui, sozinho. Ele não tinha ninguém. E as pessoas os perseguindo eram... Shikamaru arregalou os olhos.

Você...

—Eles chegaram.

Shikamaru, mesmo com a grossa cortina de fumaça que enchia o horizonte, ainda conseguia ouvir o som agudo de kunais roçando em kunais, os gritos de dor e então... O silêncio da morte.

Mas apesar do pesado miasma de intenção assassina que permeava aquela rua ensanguentada, não era aquilo que o preocupava. Na verdade, suas costas suavam e seus músculos estavam pesados como chumbos pelas silhuetas que apareciam lentamente entre as cinzas e fumaça carmesim.

Tão predadores quanto lobos famintos.

Não, nem mesmo lobos tinham olhos tão intensos quanto aqueles Kumo shinobis.

Seus dedos acariciavam lentamente a argola da kunai em sua mão, enquanto ele olhava friamente para a nuvem de cinzas.

Seis vultos emergem lentamente em meio às cinzas e chamas cercando àquela noite estrelada.

O menino franzino os liderando esboçou um sorriso estranhamente gentil ao vê-los os esperando. Kira Kei, com seu físico franzino e baixo, parecia estranhamente inofensivo, cercado por cinco outros shinobis de Kumo com físicos muito mais altos e imponentes que o dele.

Mas nem Shino e Shikamaru baixaram a guarda. A aparência gentil e inofensiva de Kei simplesmente gritava errado aos seus olhos, quando se prestava atenção aos seus olhos cinzas.

Kei coçou a cabeça, ainda sorrindo, como um vizinho gentil.

—São...só vocês dois? Isso é...decepcionante.

A distância entre ambos grupos não era tanta, então a voz de Kei se sobrepunha ao som de matança no horizonte distante.

Shino ajeitou seus óculos.

—É o suficiente para pará-los.

Kei olhou para eles atentamente, parecendo genuinamente surpreso. Era como se ele realmente não esperava que eles tivessem tanta confiança. Ele ficou alguns segundos os olhando estranhamente confuso.

—Mas...vocês dois são tão fracos...

Além de uma careta de Shikamaru, eles não disseram nada.

Quanto mais tempo passasse, melhor para Shikamaru e Shino, porque isso significava que mais rápido eles chegariam ao abrigo, e mais rápido os reforços viriam. Então, eles permaneceram estranhamente silenciosos.

Kei pareceu finalmente sair do torpor e logo sorriu.

—É mesmo? Agora fiquei...interessado...

Como se fosse um sinal, os shinobis de Kumo ao seu lado avançaram tão rápidos como um trovão.

Notas finais
Como eu disse, essa é a primeira parte de um capítulo que já está com mais de 20 mil palavras. Postarei a parte dois essa semana (cof, cof, acreditem em mim, dattebayo!) Amei os vossos comentários no capítulo passado, seus adoráveis. Responderei brevemente, prometo! Estou realmente excitado escrevendo esse novo arco, o roteiro que fiz está foda demais. Os próximos capítulos irão deixar vocês bugados haha Beijinhos!