Gênesis

47 Chuunin Chiken - MORTE - Mortuos Surgere.


Notas iniciais
Hey, como estão?! Desculpa pela pequeníssima demora, já faz cinco dias que a minha bisavó faleceu, então, eu estava e ainda estou meio para baixo. Mas a vida segue, ela já era bem velhinha, tinha 106 anos, e já estava muito doente e debilitada, então... Acho que ela pelo menos está em paz agora... Não se preocupem, não pararei de escrever no momento, não por obrigação, mas porque a escrita é como uma terapia pra mim, é algo que me ajuda a lidar com meus sentimentos. Sempre foi assim. Então... Desculpa aí se os próximos capítulos estiverem muito deprimentes e reflexivos kkk Enfim, chega desse clima ruim. Eis o primeiro dessa última trilogia. Já terminei de roteirizar o próximo arco, tá foda hein kkk Mortuos surgere - latim - despertar dos mortos. Boraaaa.....

“ Então ouvi a quarta Criatura: "Venha" e apareceu um cavalo baio, o nome do cavaleiro era Morte e o Inferno o seguia de perto.ˮ

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Todos eles estavam sentados à volta daquela fogueira, simplesmente procurando aquecer os seus corpos naquela noite gélida pela neve, quando aquilo aconteceu. Eram exatamente meia-noite, e a lua prateada e redonda os encarava friamente do céu negrume, anunciando o início do décimo quarto, e último dia daquele exame.

A aquela altura, era de se esperar que todos eles já estivessem acostumados com o som ensurdecedor que sempre reverberava pela arena, mas, ainda assim, Risa sentiu os seus pelos se eriçando e uma corrente elétrica atravessar a sua espinha, quando aquelas palavras acenderam nos céus.

“ Então ouvi a quarta Criatura: "Venha" e apareceu um cavalo baio, o nome do cavaleiro era Morte e o Inferno o seguia de perto.ˮ

Ela desviou os seus olhos negros como carvão, para os rostos tensos de cada uma das almas que estavam à sua volta. As suas pupilas estavam dilatadas, tentando enxergar no escuro.

Kabuto parecia calmo, como sempre, mas havia uma estranha tensão na sua mandíbula.

E então havia Neji, Tenten e Rocklee.

Se havia algo que Risa já havia percebido, desde que ela e Kabuto haviam encontrado aquele time no banquete de dois dias atrás, era a frieza e calma do garoto do clã Hyuuga, digna de um dos maiores prodígios dos últimos anos.

Aquele time era apenas um ano mais novo do que eles, então, ainda que pouco, eles já haviam se esbarrado algumas vezes na Academia Shinobi. E, dentre todas essas vezes, Neji sempre estava com aquela expressão assustadoramente calma.

Tenten, não estava diferente. Tampouco Lee. Risa sabia que o rapaz podia ser...um pouco –lê-se, muito— intenso às vezes, mas eles eram os mais experientes entre os gennins da Folha. Tendo realizado mais missões do que qualquer outro time de Konoha.

Então...eles sabiam controlar as suas emoções. Pelo menos até verem aquela nova frase surgir:

‟O homem nasce para a tribulação, assim como faíscas ao céu negrume devem levitar

Aquele que carrega a coroa da Morte, ao eterno vazio, deve retornar

Para que os defuntos com fôlego possam, enfim, descansar

Todavia, cuidado: O Inverno interminável está vindo.

E ele traz o bafo gélido da Morte consigo.ˮ

Eles encararam aquela frase por minutos, mas...havia algo estranho. Uma sensação de mau agouro circulando pelo local, junto com a neve branca que acariciava as suas peles. Os deixando...arrepiados e tensos. E, aquilo só aumentou quando, depois de mais de cinco minutos, aquele costumeiro teletransporte massivo não ocorreu.

Algo estava errado. Risa sabia. E só piorou, quando um estranho tremor de terra se fez sentir em toda arena, e a neve, antes suave, começou a cair com mais intensidade, assim como uma espessa e gélida névoa os abraçou até os ossos.

Aquela terra estéril, outrora um deserto árido, havia se transformado em uma terra gélida e cruel. Em uma terra da morte.

Antes que ela sequer pedisse, ela viu Neji ativar o seu doujutsu. Grossas veias pulsaram ao redor dos seus olhos perolados, enquanto ele empalidecia como um cadáver.

—O que você está vendo Neji? –Ela perguntou- O que está acontecendo?!

—Eu vejo um trono, feito de gelo...e a morte está sentada nele.

XxX

Estava muito escuro, e frio. Mas sobretudo frio. Uma grossa e densa nevasca castigava as suas peles, os arrepiando até os ossos. Hinata respirou profundamente, vendo a sua respiração tomando forma de uma grossa fumaça branca, pelo frio intenso que fazia. Ela, fechando os olhos por um instante, espalhou chakra do elemento fogo em cada molécula do seu corpo, se mantendo aquecida. Quando ela abriu novamente os olhos, haviam veias pulsando ao redor.

—Fique perto de mim...

Shikamaru apenas acenou positivamente. Ele parecia estar se controlando para não esfregar as mãos ao longo do corpo. Ele sabia que seria um erro fatal, tendo em vista que, em ambas as mãos, ele segurava duas kunais, enquanto os seus olhos ônix se moviam de forma assustadora, tentando enxergar no meio de toda aquela nevasca.

Ela e Shikamaru estavam caminhando ao redor do bunker que servia como esconderijo para eles. A forma como eles haviam parado naquela situação, era no mínimo, tensa.

Depois de verem aquelas frases estampadas no céu, eles viram uma intensa nevasca começar a cair, então, haviam decidido entrar no abrigo. Eles se sentaram, por alguns minutos, procurando discutir os possíveis significados macabros daquelas charadas. Mas então, eles ouviram aquilo...Sons...estranhos, fora do bunker.

Então eles se separaram. Ela e Shikamaru estavam averiguando aquele lado, enquanto Ino e Sakura, iam para o lado oposto com Naruto. Ela tinha o byakugan, e Naruto era um sensor, então, mesmo se se perdessem naquela tempestade de neve, eles conseguiriam se encontrar.

Ela parou de caminhar quando percebeu que estavam há uns bons metros do esconderijo, mas ela ainda não havia visto nada que indicasse possíveis inimigos. Ela passeou os seus olhos pela área ao redor. A intensa neve que caía começava, lentamente, a se acumular no chão, formando um volume bastante acentuado.

Até aquele local, que há menos de dois dias era nada mais do que uma terra árida com cadáveres de animais, e de gennins de outras vilas, havia sido pintada de branco.

Os olhos dela se estreitaram quando ela percebeu uma coisa: Há menos de um dia, aquele lugar estava abarrotado de cadáveres, mas naquele momento, não havia nem um sequer. Então...onde eles estavam?

Ela saiu dos seus devaneios quando viu estranhos vultos passando diante dos seus olhos. Imediatamente, ela e Shikamaru juntaram às costas um ao outro, e afiaram os seus sentidos.

Ela ouvia claramente o som de passos pisando na neve, e os seus olhos captavam aquelas formas densas e negras correndo ao seu redor. A sua expressão ficou tensa. Eles eram...rápidos.

Hinata viu quando três vultos se moveram em sua direção, ela pegou uma kunai, e estava prestes a apunhalá-los, quando reconheceu os rostos de Naruto, Sakura e Ino surgindo no meio da nevasca branca. Ela estava prestes a sorrir de alívio quando viu a expressão tensa nas suas faces.

—O que foi que aconteceu?

Naruto nada disse, eles formaram um círculo perfeito, com as costas apoiadas uns nos outros. O som agudo de Naruto deslizando a sua katana pela bainha rompeu o silêncio daquela noite.

—Eu explico depois. Por agora...temos que lidar com essas coisas...

Hinata franziu o cenho. Coisas? Que coisas?

Os seus olhos se arregalaram quando alguma coisa veloz se moveu em direção à Ino, que tremia feito uma vara. Antes que ela se movesse, ela viu Naruto surgindo diante da garota, e balançar a sua katana, fatiando aquela coisa ao meio, que logo caiu pesadamente no chão coberto pela neve. Bem aos pés de Shikamaru.

O moreno se agachou, para visualizar melhor aquela coisa, e antes que Naruto gritasse para que ele se afastasse, Shikamaru emitiu um som abafado quando aquilo saltou sobre si. Ele arregalou os olhos ônix, quando reconheceu aquela coisa.

Era...era um cadáver. Mas especificamente o cadáver de um gennin da cachoeira. Com a pele apodrecida e deformada balançando ao som da brisa gélida, olhos azuis brilhando de forma insana e a boca arregaçada em um sorriso animalesco, enquanto tentava abocanhá-lo, com um hálito moribundo e nauseante.

Por mais que Shikamaru tentasse empurrá-lo, aquilo tinha uma força assustadora. Ele viu aquela boca fétida se aproximando do seu pescoço...meros centímetros, faltavam meros centímetros para a boca dele se enterrar na pele da sua garganta.

Ele suspirou de alívio quando viu Naruto acertando um chute naquela coisa, a empurrando há uns metros. Mas, mesmo com a metade inferior do corpo decepada, aquilo ainda se mexia.

Ele saltou novamente. Naruto, com uma calma assustadora, deu um singelo passo.

Itto Ryu — Mugen Katto. (corte infinito).

No que pareceu ser um longo segundo, Naruto balançou a sua katana ao vento, e a carne daquele cadáver foi fatiado em mais de mil pedaços. Ele caiu pesadamente no chão, como gotas sangrentas de chuvas.

Naruto esticou a sua mão para Shikamaru, ele aceitou, logo sendo içado para cima.

—Tá...tudo bem?

Shikamaru assentiu. Antes que ele gesticulasse, ele viu Hinata, Sakura e Ino se aproximando.

—Naruto, você pode, por favor, me explicar que coisa é...é essa...?

Naruto estava prestes a dizer algo, quando a sua mandíbula se cerrou, em uma expressão dura.

—Não agora. — Ele apontou os dedos para os milhares de cubos de carne espalhados no chão. Por uma razão estranha, estavam emitindo um vapor azulado- Temos que sair daqui...Ele está se regenerando. Vocês estão com os mantimentos?

Shikamaru assentiu, mostrando a mochila presa nas suas costas. Naruto também estava carregando outra.

—Ótimo. –Naruto sussurrou- Esqueçam esse bunker. Nós estamos partindo.

Hinata apenas suspirou. Ela sabia que não adiantaria insistir no momento.

—Para onde vamos...?

—Isso vai depender de você. Hinata, quão longe você consegue ver com o byakugan?

Ela soltou um longo suspiro.

—Vinte quilômetros...-Eles arregalaram os olhos- Por quê?

Naruto se recuperou do choque.

—Ótimo. Tente ver à...sul.

Ela apenas assentiu. As veias ao redor do seu olho se acentuaram, enquanto os seus olhos se dilatavam ao máximo. Ela se esforçou à enxergar dentro daquele emaranhado de neve branca...então, a pele dela ficou branca, como um fantasma.

Uma densa, e espessa névoa branca e congelante estava se formando à sul, e lentamente, começava a se espalhar pela arena. Aquela névoa estava, literalmente, congelando tudo aquilo em que tocava, mas o pior, era o que estava oculto dentro da névoa...

Ela viu dezenas, não, centenas de vultos marchando funebremente na névoa.

Rostos apodrecidos e em decomposição, contorcidos em sorrisos animalescos, e o chicotear da nevasca invernal. Hinata sentiu um arrepio na sua espinha e os seus pelos se eriçarem. Aquilo era...incrivelmente macabro...

Quando ela contou a sua visão para eles, todos empalideceram.

—Como eu previa. Quanto tempo para eles chegarem aqui?

—Uma, duas horas no máximo. –A voz dela estava extremamente mecânica- O que está acontecendo, Naruto?

Ele suspirou.

—Norte, nós vamos para Norte. Eu explico no caminho...-Naruto se virou para Sakura, a sua expressão se tornou preocupada- Vais conseguir? Digo...caminhar?

Ela deu um fraco sorriso.

—Eu perdi um braço. Não as pernas. –Vendo a expressão profunda de Naruto, ela suspirou, percebendo que havia sido meio...rude. Ultimamente tudo a deixava assim, irritada. — Eu...vou ficar bem, Naruto. Não se preocupe.

Ele suspirou.

—Essa não é a questão. Você perdeu muito sangue, isso sem falar no tanto de dias que fizemos sem comer direito. Então, se você se sentir cansada...me avise, eu carrego você.

Sakura assentiu. Foi à última coisa que eles disseram antes de começarem a caminhar. O que não era nada fácil, tendo em conta a nevasca intensa que dificultava a visão, e as toneladas de neve que pareciam quer engolir as suas pernas a cada passo que dessem.

A formação deles era simples. Basicamente, eles seguiam em um pentágono. Hinata estava à frente, procurando enxergar o caminho com o byakugan, enquanto Sakura e Ino seguiam ao seu lado, um pouco mais atrás. Naruto e Shikamaru estavam na retaguarda, em um silêncio constrangedor, que era cortado pelo som da brisa gélida daquela nevasca infernal.

Depois de duas longas horas, Naruto notou a tensão no rosto de Sakura. Os pés delas estavam cada vez mais lentos e pesados. Ela estava no limite, mas Naruto sabia que ela nunca pediria para pararem.

Naruto estreitou os seus olhos azuis, tentando ver através da nevasca e enxergar ao redor. Ele conseguiu ver um bunker há algumas dezenas de metro de onde eles estavam. Ele se aproximou de Hinata.

—Ei...-Ela desviou os seus olhos perolados para si. Naruto apontou para o bunker- Você pode ver se aquele bunker está vazio? Já estamos caminhando há duas horas, acho que é hora de pararmos um pouco. A Sakura está no limite, e além do mais, acho que temos que conversar.

Hinata assentiu, logo desviando o seu olhar para aquela construção coberta de neve. Estava vazia.

Depois de alguns minutos, eles adentraram aquele lugar quente e entediante, e automaticamente todos eles suspiraram de alívio. Aquela nevasca era gélida e intensa, e o uniforme deles não era exatamente apropriado para aquele clima.

Eles passaram as mãos pelos uniformes, procurando se desfazer da neve acumulada nos corpos.

Eles se sentaram, de pernas cruzadas, em uma espécie de círculo no chão duro e áspero.

Vendo o quanto os seus companheiros tremiam pelo frio, Hinata apenas suspirou.

—Eu tive uma ideia... Naruto, Shikamaru, me entreguem as mantas que estão nas mochilas...

Eles franziram o cenho, mas entregaram as duas únicas mantas para Hinata mesmo assim. Sakura franziu o cenho quando viu ela prestes à cortá-las ao meio com uma kunai.

—O que está fazendo? Nós vamos precisar delas...

Hinata estava prestes a responder, quando Naruto finalmente entendeu a sua intenção.

—Não. Não vamos não. Esse exame terminará hoje, e nós temos cerca de...-ele pareceu pensar por um pouco- vinte e uma horas para completar essa tribulação. Ou morreremos todos. É escusado dormir, até.

Depois de cortá-las ao meio, com uma precisão quase cirúrgica, ela distribuiu os quatro finos e longos tecidos azul-escuro que haviam restado.

—É meio...improvisado. Mas podemos usar como uma espécie de cachecol. Vai ajudar contra o frio...

Eles eram cinco, mas Shikamaru, obviamente, não precisava. Ele tinha um cachecol avermelhado à volta do pescoço. Aquilo era...do Choji.

—Então...-Hinata sussurrou, enquanto terminava de enrolar aquele tecido à volta do pescoço- Estamos ouvindo, Naruto...

Naruto assentiu, enquanto sentia os olhares convergirem para si. Ele olhou de volta para cada um deles. Ele sorriu, meio triste. Todos eles tinham expressões cansadas e profundas, assim como profunda olheiras. Eles estavam...exaustos. Como se aquele exame fosse um longo pesadelo, do qual eles não conseguiam acordar....

Naruto soltou um longo suspiro, antes de começar a falar.

—Depois de passar pelas três primeiras tribulações... Izanagi, enfim, se viu diante da última. A Morte. Eu não me lembro bem dos detalhes, já faz mais de oito anos que eu ouvi isso. Mas...pelo que sei, ele foi desafiado pelo próprio regente da vida. O Shinigami. A tarefa foi bastante simples. O Shinigami tinha escondido o seu maior tesouro algures no Yomi. A coroa da morte. Um artefato divino que dava ao Shinigami o poder sobre a vida e a Morte. E Izanagi, só tinha que achar ela...

—Espere, espere. –Sakura o interrompeu, sorrindo de forma meio nervosa- Você tem que concordar comigo: Isso não faz o menor sentido. Claro que a história é até interessante, mas...isso é pura bobagem. Você realmente acredita nessas coisas?

Olhando para os rostos de cada um deles, Naruto percebeu que eles concordavam bastante com Sakura. Ele suspirou.

—Bom, é como você mesma disse. É só uma história, no final das contas. E, se eu acredito ou não, isso não importa. Mas, tem algo que todos devemos concordar: Eles se basearam nesse conto para elaborar esse exame. Se quisermos sobreviver, temos que desvendar as charadas.

Hinata assentiu.

—E, então...o que aconteceu depois?

—Para achar essa...coroa da morte, ele teve que atravessar o rio do esquecimento. Um rio de águas negras nos quais as almas perdidas vagavam sem rumo. Ele ficou por lá por mil dias, e teve que lutar contra incontáveis criaturas que vagavam por aquele lugar esquecido pelo tempo...monstros terríveis...e...almas vagantes.

Sakura suspirou longamente, parecendo cansada daquela loucura.

—Eu desisto. E, de que forma essa...essa história se encaixa com essa tribulação?

—Aquela charada que vimos hoje no céu.... No início eu não entendia totalmente. Mas...o tremor de terra que sentimos à Norte, essa nevasca intensa que começou a cair, os cadáveres marchando em nossa direção, e aquela névoa congelante... tudo finalmente fez sentido...- Ele massageou os seus fios loiros- Ok...eu não me lembro das exatas palavras que vimos no céu, mas...

Antes que ele dissesse algo mais, Naruto viu Shikamaru concentrando chakra na ponta do dedo, e riscar aquele chão duro e áspero com a sua caligrafia. Ao final, eles olharam espantados para a frase perfeitamente estampada no chão.

Shikamaru apenas gesticulou:

‟Eu tenho uma memória eidética. Eu lembro de tudo. Tudo.ˮ

Depois de arregalarem os olhos, eles voltaram à prestar atenção naquela frase:

‟O homem nasce para a tribulação, assim como faíscas ao céu negrume devem levitar

Aquele que carrega a coroa da Morte, ao eterno vazio, deve retornar

Para que os defuntos com fôlego possam, enfim, descansar

Todavia, cuidado: O Inverno interminável está vindo.

E ele traz o bafo gélido da Morte consigo.ˮ

Naruto foi o primeiro a falar:

—Primeiro, eu tenho uma pergunta para vocês. Na verdade, já venho pensando nisso há bastante tempo...Como eles vão decidir os vencedores desse exame?

Sakura estreitou os olhos.

—Como assim?

—Supondo que nós consigamos sobreviver à essa tribulação, e a esse exame, como eles vão eleger a Vila vitoriosa? É óbvio que não somos os únicos na Arena, existem pessoas de outras vilas espalhados pela arena nesse momento. Então, como eles vão dizer que uma vila foi superior à outra?

Hinata pareceu pensar por um instante.

—Pelo número de sobreviventes. A Vila com mais sobreviventes, vence.

Aquele era um pensamento bastante óbvio e lógico, por isso não foi uma surpresa ver todo mundo concordando com ela.

Naruto sorriu de canto, mas logo balançou à cabeça.

—Eu também havia considerado isso, mas eu não acho que seja isso. Veja bem, não há limites ou restrições quanto ao número de concorrentes por vila. Se fosse esse o caso, era só uma vila enviar mil gennins, que eles teriam muito mais chances de vencer...então, não pode ser isso. Pelo menos não no formato desse exame, baseado em tribulações...escutem, no exame anterior à esse, o tema foi ‟a sobrevivência dos mais fortesˮ, e eles deram o título para o gennin que mais assassinou. –Ele suspirou, se lembrando o que o Sandaime havia dito sobre o seu pai- Algo bastante lógico...

—Então...-Sakura sussurrou- Tendo em vista o nosso tema baseado em sobreviver à quatro tribulações, temos um critério diferente para decidir o vencedor desse exame...

—Precisamente. Pensem comigo, tudo bem que...inúmeras pessoas morreram, mas seguindo o formato de todas as tribulações até agora, é impossível decidir um vencedor. Então...

Hinata franziu o cenho.

— Então...eles mudaram o formato nessa última tribulação...para que haja um vencedor... Peste: Lutem por antídotos. Guerra: Coletem Marcas das peles uns dos outros. Fome: Lutem por comida. Certamente que, seria impossível atribuir um vencedor tendo em conta esse formato...

Naruto assentiu. Ele viu Shikamaru suspirar.

‟Entendo. Eu também já estava pensando sobre isso, na verdade. –Ele suspirou novamente- Diferente de um torneio de combate de eliminação, não tem um vencedor óbvio nessa arena...todo mundo está sobrevivendo. Todo mundo passou pelas três primeiras tribulações...então, como?ˮ

Naruto sorriu, meio triste.

—Você está certo. Por isso é que, ao invés da tradicional matança entre gennins, eles adicionaram um bônus dessa vez, para decidirem um vencedor: Aquele que carrega a coroa da Morte. Essa é a chave para essa tribulação. É a chave para vencer esse exame.

Sakura franziu o cenho, juntando as sobrancelhas róseas.

—Então...só temos que, ao eterno vazio fazê-lo retornar, que a vitória será nossa? Eu consigo, fácil.

Hinata olhou para ela como se fosse louca.

— Você esqueceu de um detalhe: aquela névoa vai cobrir a arena em menos de um dia, e todos morreremos, se não for pelo frio congelante, será por aquelas...criaturas. Aqueles cadáveres ambulantes...-Ela suspirou- E, onde você acha que a gente vai encontrar ele? Essa arena é enorme, sem falar que estamos sendo seguidos por uma horda de...de...-Ela logo suspirou, desistindo- sinceramente, nem sei o que aquelas coisas são.

—Bom...-Naruto sussurrou- isso não é bem verdade.

E então Shikamaru estreitou os olhos.

‟O Norte. Nós temos que ir para o Norte. -Ele movia as mãos de forma rápida- É onde encontraremos ele.ˮ

Naruto assentiu.

—Sim, você está certo. Mas...como você percebeu?

‟É muito simples, na verdade. A névoa está vindo do sul. E, qualquer que seja a tribulação, eles sempre nos dão uma espécie de vantagem, então não tem como irmos para lá. Sem falar que...aquele tremor que sentimos mais cedo, está vindo do Norte. Acho que...tem alguma coisa lá, na verdade. Eu não sou um sensor, mas até eu sinto essa presença esmagadora sendo emanada de lá. Norte. Ele está no Norte.ˮ

Eles apenas se entreolharam. Os seus olhos continuavam cansados, sim, mas havia um estranho brilho nos seus olhos, quase como uma chama de loucura. Eles iam vencer aquilo.

XxX

As suas respirações estavam pesadas. Seus pés pareciam pesar toneladas, enquanto se afundavam na neve gélida e espessa. Era bastante difícil ver o caminho diante dos seus olhos, mas os grunhidos assustadores, e os bafos gélidos que eles sentiam nas suas nucas, os impeliam a não parar.

Hinata parou de correr quando ouviu o som pesado de um corpo caindo no chão de neve. Ela virou o rosto, era Sakura. Hinata se agachou ao seu lado.

—Está tudo bem?!

A rosada assentiu, enquanto aproveitava a mão estendida de Hinata para se levantar. Ela sorriu para Hinata, que retribuiu, esticando os lábios arroxeados pelo frio intenso. E esse sorriso logo morreu, quando Hinata viu um daqueles cadáveres surgindo no meio da nevasca.

Ela arregalou os olhos, sabendo que não conseguiria reagir à tempo.

No entanto, ela logo viu uma kunai passando próximo ao seu pescoço, com uma tarja explosiva anexada. Aquele pedaço pontiagudo de metal se afundou naquela pele apodrecida e pálida, logo o explodindo completamente.

Olhando para o rosto de Shikamaru, Hinata sabia que não era preciso ele dizer nada. Eles tinham que correr. Da mesma forma que estavam fazendo haviam horas.

Alguns minutos depois de eles saíram daquele bunker, e começarem a se mover para Norte, eles foram surpreendidos por alguns daqueles vagantes. Eles, descobriram, tarde demais, que além daquele grupo extremamente numeroso que estava marchando lentamente em meio à névoa, também haviam alguns pequenos grupos avançados, escondidos em meio à nevasca.

Inicialmente, eles juntaram às costas uns nos outros, em um círculo e decidiram enfrentá-los. As criaturas eram rápidas sim, e imprevisíveis, mas nada que eles não conseguissem lidar. Céus, eles eram Shinobis, assassinos treinados. O real problema era apenas um: Aquelas coisas não morriam. Não importava quantas kunais fossem arremessadas, não importava quantos jutsus de fogo escapassem dos seus lábios, ou o quanto fossem retalhados por uma katana afiada. Eles sempre se regeneravam.

E, passado alguns longos minutos, eles perceberam que estavam ficando cada vez mais cansados e sem chakra. Então, tiveram que tomar uma decisão bastante difícil. Alguém tinha que ficar para trás e atrasá-los, enquanto os restantes fugiam.

Depois de uma longa discussão, foi Naruto quem decidiu ficar para trás. Mas não foi fácil convencê-los, obviamente, mas os argumentos do Uzumaki eram convincentes. Sakura estava exausta e anémica. Ino continuava no mundo da lua. A neve intensa estava tapando a luz da lua, então Shikamaru não conseguia usar as suas sombras. E depois havia Hinata, a única capaz de guiá-los em meio a nevasca. Era óbvio, odiosamente óbvio...

Enquanto assistia a criatura atingida por Shikamaru começando a se regenerar, Hinata terminou de ajudar Sakura a se levantar, e caminhou com ela para junto de Shikamaru e Ino.

—Vamos continuar...

Foi tudo o que ela sussurrou, com uma Sakura ofegante apoiada em um dos ombros. Mesmo com toda aquela neve branca, ela conseguiu enxergar enquanto Shikamaru e Ino assentiam.

Eles voltaram à caminhar. Depois de alguns passos, Hinata parou, e desviou o seu olhar para trás, quase como se imaginasse Naruto ali, no meio da nevasca. Protegendo às suas costas, como sempre.

Mas ele não estava lá.

A sua mandíbula se cerrou, e os seus olhos perolados escureceram, enquanto um suspiro profundo escapava dos seus lábios.

‟Por favor...Esteja bem, Naruto.ˮ

XxX

Naruto deslizou a sua lâmina lentamente pela bainha. Ele viu o fio negro da Muramasa fatiando os finos flocos branco daquela nevasca, que se atreviam a tentar acariciá-la...

Ele suspirou profundamente, tentando se concentrar. As suas pupilas estavam dilatadas, tentando enxergar naquela madrugada escura e sem lua, e os seus ouvidos aguçados estavam atentos ao som daquela brisa gélida e invernal.

E então ele ouviu aquele som de passos na neve.

Ele captou o exato instante em que um vagante se lançou em sua direção. Naruto, com movimentos leves e rápidos, simplesmente desviou daquela boca arregaçada, que tentava se cravar no seu pescoço.

Tão logo aquela criatura, pelo impulso, acabou se enterrando na neve, uma segunda irrompeu em meio a nevasca branca à sua esquerda, tentando derrubá-lo.

Girando o próprio calcanhar, Naruto acertou um violento chute na cabeça daquela criatura, a sua cabeça acabou voando no ar frio, se desconectando do restante do corpo. Mas Naruto sabia que era uma questão de tempo até ele se regenerar.

Quando a primeira criatura voltou a se erguer daquele monte de neve, Naruto apenas tencionou os seus dedos ao redor do cabo da muramasa. E, no segundo seguinte, ele estava completamente fatiado.

Naruto apenas suspirou profundamente, enquanto colocava a muramasa de novo na sua bainha.

Ele passeou os seus olhos pelo local. Cinco, não, seis cadáveres estavam estirados no chão. Uns fatiados pela muramasa, outros fatiados por jutsus fuuton, outros eletrocutados...mas o que todos eles tinham em comum, é que todos eles estavam completamente despedaçados.

Naruto, no entanto, não era um tolo. Ele sabia que eram apenas uma questão de minutos para eles se regenerarem. Então, ele tinha que aproveitar aquele tempo para fugir.

Ele deu as costas, mas não deu mais do que dois passos, antes de ouvir aquele grunhido bestial que fez todos os seus pelos se arrepiarem.

Lentamente, ele virou o rosto, vendo a neve se levantando quando aquelas patas gigantes e pesadas tocavam no chão. Ele arregalou os olhos, enquanto via aquela criatura surgir por entre a neve intensa.

—Você...é um garotinho bem crescido, hein...

Era um lobo enorme. Tinha, no mínimo, uns dez metros de altura, e possuía garras enormes e afiadas capazes de estilhaçar carne humana como papel. E aqueles dentes afiados, arregaçados em um sorriso animalesco prometiam um mundo de dor a quem fosse tolo o bastante para enfrentá-lo. Os seus olhos enormes e azuis, indicavam que, provavelmente, também era um daqueles vagantes...

Quando Naruto viu os longos e densos músculos sob a pelagem branca se tencionarem, ele soube que aquilo ia atacar.

Naruto desviou daquela rápida patada que tentava esmagá-lo, dando uma sequência de saltos para trás.

Ele executou selos rápidos.

Fuuton- Dai Kazekiri no jutsu. (Grandes lâminas de Vento)

Um forte e gigantesco vendaval de lâminas de vento se afundaram na carne daquele lobo. Ele grunhiu de dor e os seus olhos pareceram ficar ainda mais carregados de fúria. Naruto estreitou os olhos quando viu aquele vapor azulado escapando dos ferimentos daquele lobo.

Tal como ele imaginava, ele também se regenerava. Então, só havia uma forma de retardá-lo.

Ele fez um clone, e o mandou correr o mais longe que podia.

Enquanto isso, Naruto se concentrou em simplesmente começar a desviar dos ataques potentes e velozes daquele lobo das neves, enquanto outros jutsus escapavam dos seus dedos, mas como de hábito, ele sempre se regenerava. Não importava quão afiados fossem os jutsus que ele executasse.

Um sorriso, involuntariamente, rasgou os lábios do loiro. Desde que ele acordou, ele se sentia...pleno. Ele ainda não havia perguntado para a raposa, é claro, mas aquela sensação que ele sentia permeando cada fibra dos seus músculos, e a leveza com a qual ele se movia, só podia significar uma coisa. Ele estava em plena forma, finalmente.

Naruto interrompeu aqueles pensamentos quando ele sentiu o chakra do seu clone há centenas de metros. Era o suficiente.

Enquanto desviava daqueles ataques potentes e velozes, como trovões, ele começou a executar alguns selos de mão.

Ninpou suiton – Kirisame.

Ele sentiu o exato instante em que as nuvens, ocultas por toda aquela nevasca, começaram se condensar, pintando o céu com um tom cinza doentio. Ele executou outros selos de mão.

Subitamente, as escuras nuvens começaram a crepitar, como se carregadas de eletricidade, e os sons altos e poderosos de trovões rasgando os céus encheu aquele lugar.

Desviando de mais um ataque, Naruto concentrou chakra nas solas dos pés, e fixou as suas sandálias nos pelos brancos daquele lobo gigantesco. O lobo se sacudia violentamente de um lado para o outro, tentando desequilibrar o loiro.

Naruto sorriu quando conseguiu chegar no dorso daquele lobo enorme. Ele executou o último selo de mão.

Um grito ensurdecedor, semelhante à milhares de pássaros gritando em agonia, reverberou por toda arena, enquanto um gigantesco animal, com um corpo longo e esguio, feito inteiramente de eletricidade serpenteava pelas nuvens.

Naruto ergueu a Muramasa, a apontando para o alto, e concentrou chakra raiton nela. Um fino e longo fio elétrico saía da espada, a conectando com aquela estranha serpente.

Ninpou Raiton – Doku Myoken.

E, em um piscar de olhos, aquela enorme serpente se lançou para baixo, a boca enorme e elétrica completamente aberta, como se quisesse engolir aquele enorme lobo.

Quando aquele raio intenso atingiu aquela área, houve um enorme clarão, enquanto toneladas de neve evaporavam no ar, levantando uma densa névoa gélida.

Quando tudo finalmente abaixou, Naruto, que havia usado o seu clone para se teletransportar há centenas de metro daquele local, apenas arregalou os olhos, parecendo completamente abismado pela imensa e gigantesca cratera que havia no meio de toda aquela neve.

Aquele jutsu era...perigoso. Se ele concentrasse mais chakra, poderia, facilmente, obliterar uma vila inteira com aquele jutsu. Mas algo estava estranho, quando havia usado aquele jutsu contra Haku, não havia sido tão...destrutivo. Tinha algo estranho com o seu chakra, estava mais...denso e selvagem.

Aquele enorme lobo branco, assim como os outros cadáveres, havia sido completamente desintegrado à um nível quase molecular. Ele duvidava fortemente que eles conseguissem se regenerar, e mesmo que fosse possível, levariam horas, se não dias.

Naruto suspirou, antes de ajeitar o fino cachecol azul-escuro no seu pescoço. Ele sentia um aroma estranhamente doce e floral sendo emanado daquele fino tecido, um aroma que fazia um sorriso involuntário rasgar o seu rosto. Aquele cheiro era...lavanda. Ele arregalou os olhos quando se lembrou que, provavelmente eram os cheiros dos dedos delicados dela, que haviam se impregnado naquele fino tecido, enquanto ela o cortava.

Ele estalou a língua, antes de começar a caminhar em meio a neve. Por que garotas tinham que cheirar tão bem?!

XxX

Ela inspirou o ar frio profundamente, sentindo as suas narinas doerem pelo ar gélido. Temari suspirou, estendendo a sua mão para o alto e apreciando a sensação de frio na pele da sua mão, quando os brancos e frágeis flocos de neve a beijavam gentilmente.

Tendo nascido e crescido em Sunagakure, ela odiava o frio. Preferia aquele calor escaldante banhando a sua pele. Mas, ela não podia negar que a sensação da neve castigando a sua pele não era nada mais, do que prazerosa.

Aquele frio intenso, a deixava anestesiada sobre tudo. Inclusive, sobre os seus pensamentos...ela suspirou novamente, de repente consciente dos profundos círculos escuros sobre os seus olhos.

Ela não dormia havia mais de oito dias. Não conseguia. Mas, nos curtos momentos em que o cansaço a tomava, e ela sentia a sua visão escurecer, ela via aqueles braços negros se envolverem ao redor do seu corpo, e a puxarem para o fundo daquele escuro abismo.

O abismo que ela havia criado para si mesma. E ela sabia o que encontraria no fundo.

Uma garotinha loira e pálida, encolhida na escuridão e com olhos verdes e chorosos a encarando fixamente.

‟Por que, por que você deixou ele me tocar?! Estava doendo. Estava doendo muito.ˮ

A garotinha continuaria repetindo aquilo, uma, e outra, e outra vez, até Temari não aguentar mais e começar a chorar também, como uma garotinha de cinco anos assustada com os monstros de baixo da cama...

‟Me desculpe! Eu não...eu não queria...ˮ

‟Mentirosa! Você estava gostando de me ver implorando para ele parar! Você estava gostando de ver ele me rasgando por dentro!ˮ

‟Não! Eu não...eu não queria...ˮ

Então a garotinha loira se levantaria, e gritaria bem diante do seu rosto assustado.

‟Mentirosa! Mil vezes Mentirosa!ˮ

Ela despertou para a realidade quando sentiu o seu rosto gelado e molhado pelas lágrimas. Ela passou o dorso das suas mãos nos olhos tentando parar aquele fluxo de lágrimas.

Ela estava no limite.

—Ei, tudo bem?

Ela voltou à realidade quando sentiu aquela mão suave pousando delicadamente no seu ombro.

Temari arregalou os olhos ao reconhecer aquela voz doce e suave. Não, ela não podia a ver chorando. Temari olhou para o rosto redondo e angelical de Maki. Os seus lábios finos e bem desenhados estavam arqueados em um sorriso tímido. Ela estava sorrindo para si, aquele sorriso gentil que sempre fazia o seu coração se aquecer, e mesmo com o seu coração em um completo caco, foi impossível Temari não retribuir o sorriso, embora o seu fosse meio...forçado.

—Eu...-Ela pigarreou, quando percebeu que a sua voz estava estranhamente rouca- Estou bem. Obrigada.

—Tem certeza...?

Temari estava prestes a assentir, e dizer que estava tudo bem, mas...havia algo na expressão de Maki, assim como nos seus olhos doces de um tom amêndoa, que a fizeram travar.

Temari desviou o seu olhar para frente, vendo Kankuro, Denki, Gaara e Matsuri há alguns metros, caminhando despreocupadamente em meio a neve intensa. Ela soltou um suspiro.

—Não. Na verdade, não estou bem...-Ela deixou os seus ombros caírem, e sentiu os seus olhos lacrimejarem novamente, ela relaxou quando sentiu a mão delicada dela se entrelaçar à sua, dando o calor e a coragem necessária para que ela continuasse- Eu...fiz algo terrível. Algo que nenhuma Kunoichi deveria fazer...na verdade, não fui eu. Foi o Kankuro, mas eu...eu não fiz absolutamente nada, só fiquei assistindo, enquanto ele, ele...céus...é difícil dizer... e, agora, sempre que eu fecho os meus olhos...eu a vejo...olhando fixamente para mim...me culpando...oiço a sua voz zunindo nos meus ouvidos, gritando para ele parar... mas, ele não parava. Não parava de machucá-la. E cada vez mais, eu me sinto mergulhando em um poço negro...indo mais fundo...e fundo...

Antes que ela percebesse, estava chorando novamente, com os olhos verdes brilhando opacos, como se ela estivesse revivendo aquilo novamente.

Maki apertou ainda mais a sua mão, enviando uma corrente de choque necessária para que ela saísse do transe. Temari olhou para ela, com os olhos verdes e marejados.

—Entendo. Bom, eu não sei exatamente o que aconteceu, não precisas me dizer, na verdade. Mas...eu sei que, você é forte. Uma das pessoas mais fortes que eu conheço. E eu amo esse seu lado. Então...se você está se sentindo assim, é porque isso realmente está afetando você. Eu não vou mentir, e dizer que isso vai passar, mas...vai doer menos. Bem menos. Só...deixe as engrenagens do tempo correrem. Essa culpa que está engolindo você, vai passar. E, se mesmo assim isso não funcionar, eu estou aqui. Assim como sempre estarei.

Apesar do frio intenso que fazia, Temari sentia a sua mão estranhamente quente. Ela sorriu, agradecida.

—Bom, chega de falar de coisas...tristes...-Ela soltou um suspiro, que tomou forma de uma espessa fumaça branca, de repente os seus olhos brilharam- É verdade...eu te falei da proposta que recebi?

—Não. Que proposta?

—Sabe aquela nova divisão de investigação que foi criada na Vila? Aquela para investigações relacionadas à fuuinjutsus?! –Temari assentiu, mostrando que estava prestando atenção- Bom...o Baki-Sensei falou de mim para eles...então, tcharam! Eles me aceitaram! Eu tenho uma entrevista com eles quando esse exame acabar...

—Sério?! –O seu sorriso foi natural- Isso é ótimo.

—É sim... é que...você sabe, eu amo fuuinjutsu, e não sou muito boa em campo...

—Sei disso. Você é realmente boa com selos. Então, eu fico realmente feliz por você poder fazer aquilo que você gosta...

Ela sentiu o seu rosto esquentar pelos elogios.

—Obrigada...

Temari apenas riu, e estava prestes a dizer algo mais, quando ouviu Kankuro as chamando.

—Vamos...

Ela assentiu. Elas apertaram o passo até estarem ao lado de Kankuro, Gaara, Temari e Denki. Temari enfiou as mãos nos bolsos do seu colete, procurando se aquecer.

—O que foi?!

Apesar da expressão incrivelmente vazia no rosto de Temari, Kankuro não disse nada, apenas sorriu daquela forma doentia que só ele sabia fazer.

—Chegamos, querida imouto...

Ela finalmente rodou os seus olhos pelo local. Apesar das toneladas de neve que cubriam aquele local, ela reconheceu que eles estavam no cume da montanha onde, há dois dias atrás, havia ocorrido o banquete.

Um suspiro de alívio cruzou os lábios de Temari, eles estavam no lugar certo. Ela saiu dos seus devaneios quando ouviu a voz entediada de Gaara se sobrepujar ao som da gélida brisa invernal.

—Eles estão vindo. Se preparem...

Os seus olhos verdes, eram duros e frios, enquanto ele enxergava aqueles vultos que, lentamente irrompiam pela nevasca.

Eles eram...

Kankuro apenas estalou a língua, enquanto reconhecia aqueles uniformes diante dos seus olhos.

—Gaara, não entendo por que precisamos desses palhaços... Nós mesmos podemos...

—São ordens do papai. – Os seus olhos estavam assustadoramente frios. — Cale a boca...

Eles caíram em silêncio quando aquelas figuras pararam diante de si. Um garoto magro e franzino, com uma pele negra e trajando o uniforme branco como a neve, da vila da Nuvem, se aproximou de Gaara.

Era Kira Kei.

—Ohayo...Sabaku-san...-Ele sorriu de uma forma estranha, enquanto estendia a sua mão para Gaara. Quando ele viu que Gaara não iria retribuir o seu cumprimento, ele forjou um sorriso ainda maior- Nossa...você é mais frio que a Samui-san...adorei...

Gaara continuou com a sua expressão impassível.

—Ora, ora...-A garota com uniforme da pedra, Kurotsuchi, mantinha as suas mãos atrás da cabeça, em uma expressão entediada – Só tem familiares de Kages aqui. Os filhos do Kazekage. O filho do Raikage, a neta do Tsuchikage e... -ela olhou para a estranha garota ruiva com o uniforme da Névoa- a irmãzinha da Mizukage... estou chocada até...

Terumi Akane apenas continuava com a sua expressão preguiçosa.

—Que seja...-Ela sussurrou- Nós vamos acertar os detalhes ou não? Eu detesto o frio...

Haku, ao seu lado, apenas coçou a sua nuca, parecendo constrangido.

—Eu adoro o frio...-Mas ele logo suspirou, mudando a sua expressão boba para uma tensa e afiada- Enfim...como vamos matar os gennins da folha?

Kira Kei apenas gargalhou, apreciando o som da sua risada preenchendo aquela madrugada silenciosa. Ele passeou os seus olhos incrivelmente cinzas em cada um daqueles monstros no cume daquela montanha. Todos eles tinham olhos opacos pelo frio intenso, mas...se você prestasse atenção, era possível ver chamas douradas queimando nos seus orbes.

Aquilo era...excitação. Tanta excitação que beirava a insanidade.

‟Ah, essa tribulação será...inesquecível...ˮ

Notas finais
É isso aí. Só mais dois capítulos e esse exame termina. Aguentem aí! Como sempre, espero o vosso incrivel feedback! Se cuidem! E um forte abraço! Até o próximo, meus caros e minhas caras!