Gênesis
37 Chunnin Chiken- PESTILÊNCIA-. Somewhere Over The Rainbow.
Notas iniciais
Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Os pássaros azuis voam além do arco-íris
E por que, porque eu não posso?
*************************************************************************
A sua respiração estava pesada. Seu peito subia e descia rapidamente, enquanto ela tentava levar oxigênio para os seus pulmões. Ela sentiu a sua visão tremer. Risa tinha um pequeno ferimento na testa, o sangue que jorrava do ferimento já havia coagulado, e as suas pálpebras estavam grudadas, deixando difícil enxergar com o seu olho esquerdo. Estava difícil fixar o seu olhar na garota que estava há alguns metros de si. Ela não parecia melhor que ela.
Havia um número considerável de crateras no chão gramado daquela clareira. Árvores ao redor estavam destruídas. Umas cortadas ao meio, e outras crepitavam lentamente, sendo envolvidas por chamas intensas.
Ela ouviu a voz de Kurotsuchi, enquanto ela se levantava dos escombros.
—Você é melhor do que eu pensava...-A garota da Pedra murmurou, ainda com o mesmo maldito sorriso debochado que Risa havia aprendido a odiar- Estou surpresa...não sabia que em Konoha havia pessoas como você...
—Obrigada...acho...
O olhar divertido no rosto de Kurotsuchi mudou. Os seus olhos escureceram repentinamente, enquanto ela finalmente desembainhava a ninja-to que estava presa na sua cintura. Ela produziu um som agudo enquanto deslizava pela bainha, como uma nota musical. E então ela se moveu.
A única coisa que Risa pôde fazer, foi colocar a sua Kunai à frente do rosto, evitando que aquela lâmina se afundasse no seu pescoço. Ela sentiu os músculos do seu braço se tencionarem ao absorver o choque. Aquela garota era mais forte do que parecia.
Kurotsuchi começou a executar selos de mão com a sua mão livre.
Risa sentiu todos os seus pelos se arrepiarem. Ela sabia o que era aquilo. Ela se afastou com um salto, no mesmo instante em que estacas de pedra brotavam no chão. Ela sentiu o suor escorrendo pelo seu rosto. Teria sido empalada, se tivesse reagido um milésimo depois.
Mal os seus pés tocaram o chão, ela teve que balançar a kunai à frente do seu corpo, desviando três shurikens. Ela percebeu que as shurikens haviam sido uma distração, quando viu um amontoado de terra se levantando e assumindo a forma esguia e serpenteante de um dragão de terra. Ele se lançou em sua direção.
Doton- Doryundan no jutsu.
Suiton- Suindan no Jutsu.
Inflando o peito, ela disparou um jato de água de alta pressão, que simplesmente fatiou o dragão de terra ao meio. Mas ela não parou por aí.
Aproveitando a água espalhada pela grama até os pés de Kurotsuchi, ela terminou de executar os selos de outro justu.
—Raiton- Jibashi.
Kurotuschi simplesmente se jogou para o lado direito, evitando ser eletrocutada pelos raios que eram desprendidos pelo corpo de Risa. Ela sentiu o seu corpo rolando pela grama.
Logo que se levantou, Kurotsuchi teve que colocar a sua lâmina à frente do rosto, para travar uma investida de Risa.
A àquela proximidade, elas ficaram se encarando nos olhos, olhos negros contra olhos negros, com os dois instrumentos metálicos cruzados.
—Você não deveria olhar assim para mim...Risa-chan- Kurotsuchi sorriu novamente, o mesmo sorriso que Risa estava começando a detestar- estou surpresa. Até parece que você está tentando me matar...
—É mesmo...? –Risa ainda mantinha aquela expressão de irritada no rosto- Você ainda não viu nada...
Elas se afastaram, ambas saltando para trás. Executaram selos em simultâneo:
—Raiton- Gian.
Doton- Doryuheki.
O enorme jato de eletricidade embateu contra uma enorme muralha de Terra. Kurotsuchi riu, enquanto desfazia a muralha de terra e encarava uma irritada Risa.
—Todo mundo sabe que Raiton é inútil contra Doton...
Risa apenas riu.
—Então é só eu usar outro elemento...
Kurotsuchi estreitou os olhos.
Comprovando as suas suspeitas, ela viu ela executando selos em alta velocidade. Aqueles selos eram...suiton. Ela estava ferrada.
Risa disparou um enorme jato de água pela boca, que saiu destruindo tudo no caminho pela enorme pressão. Kurotsuchi sabia que seria cortada ao meio pela pressão. Assim que o enorme jato de água a atingiu, ela trocou de lugar com um pedaço de tronco, que foi separado ao meio pela pressão. Ela apareceu em uma árvore que havia há poucos metros. Mas a forma como os olhos negros de Risa a seguiram, a fizeram perceber que ela já sabia do seu plano.
Um segundo jato de água foi disparado. Kurotsuchi reagiu rápido, inflando o peito e expelindo uma enorme bola de fogo.
Katon- Goukakyuu no Jutsu.
Quando os dois jutsus se chocaram, a clareira foi engolida por uma densa nuvem de fumaça. Mas mesmo assim elas se moveram, chocando kunai contra lâmina.
Elas trocaram golpes atrás de golpes em uma velocidade assustadora. Risa cortou e foi cortada. Chutou e foi chutada. A sua kunai passava à milímetros da pele branca de Kurotsuchi, arrancando filetes de sangue.
Fagulhas incandescentes acendiam por entre toda aquela névoa branca cada vez que elas se chocavam. Quando a névoa finalmente se dissipou, elas se encaram mutuamente, arfando pesadamente pelo esforço nos músculos para se moverem àquela velocidade.
Elas começavam sentir os efeitos de tantos jutsus. Risa já estava ficando chateada. A velocidade e os reflexos de ambas eram praticamente iguais. E os seus elementos meio que se anulavam mutuamente. Era inútil utilizar o kinjutsu do clã Kato. O Reika no Jutsu. Ela sabia que era perigoso utilizar aquele jutsu em um combate um contra um. O seu corpo ficaria desprotegido se ela se transformasse em espírito, e antes que sequer, chegasse a possuir Kurotsuchi, ela poderia atacar o seu corpo desprotegido.
Ela, de repente sentiu saudades de Akai. O garoto do clã Yamanaka sempre conseguia proteger o seu corpo nas simulações de combate. Mas aquilo era um combate real. Em que alguém realmente queria matá-la. Ela começava a entender isso.
Então...só havia uma maneira dela vencer aquilo. Usando a sua Kekkei genkai...mas pelo seu nível de chakra...ela só poderia usar um jutsu. Se ela errasse...
Ela balançou a cabeça. Não erraria.
Pelo olhar que ela via no rosto de Kurotsuchi, ela também parecia disposta a encerrar aquele combate. Risa olhou para o céu. O sol havia se movido. Eram por volta das dez ou onze horas...o tempo urgia.
Ela criou um plano rápido. Ela só tinha chakra restante para dois jutsus. Então tinha que ser inteligente. Depois de terminar de executar selos, ela expeliu, novamente, uma rajada de água pela boca e Kurotsuchi, previsivelmente usou um jutsu de fogo.
Quando ambos se chocaram, uma nova cortina de fumaça se ergueu na clareira. Risa sorriu.
Kurotsuchi tinha os olhos estreitados. Não conseguindo enxergar muita coisa com toda aquela fumaça. Ela sabia que Risa estava planejando algo, então ela tinha que estar atenta. Subitamente, ela ouviu sons de passos à sua direita, reagindo em instantes, ela moveu a sua lâmina, apenas para a ver se afundando profundamente em um corpo humano.
Ela sentiu um sorriso a caminho da sua garganta, mas este morreu quando ela viu o corpo simplesmente se transformando em um pedaço de madeira. Kawarimi.
Ela ouviu a voz de Risa atrás de si, perigosamente próxima. Ela se virou, a vendo com as mãos entrelaçadas, e completamente coberta por uma esfera branca e eléctrica. Mas já era tarde demais.
Ranton – Reiza Sakasu.
Cerca de oito feixes de lazer de pura energia elétrica foram disparados das suas mãos.
Kurotsuchi sentiu o seu corpo ser arremessado violentamente por metros, até embater numa árvore. Ela tentou levantar, mas o seu corpo simplesmente não se movia mais. Estava completamente paralisado, os seus músculos haviam se transformado em pura gelatina de tão moles que estavam.
Ela ergueu o olhar, com dificuldades, encontrando Risa agachada à sua frente, com uma Kunai no seu pescoço. Um filete de sangue escorreu, quando Kurotsuchi riu.
—Ranton? Por essa eu não esperava...-Risa começou a achar que aquela garota tinha um parafuso à menos, não importava o que acontecia, sempre estava sorrindo daquela forma idiota- Achei que só em Kumo haviam pessoas com essa kekkei genkai...
—Eu herdei da minha mãe... Ela é de lá.
Kurotsuchi estreitou os olhos, como se tentasse enxergar algo. Ela sorriu depois, como de costume.
—Entendo...realmente...eu já desconfiava...você é demasiado bonita para ser de Konoha...
Risa franziu o cenho.
—É impressão minha ou você está tentando me cantar?
—Bom...eu sou uma apreciadora de coisas belas. Sem me prender à rótulos fúteis como géneros...-O seu sorriso se alargou- Então...está funcionando?
Risa estalou a língua.
—Definitivamente não...-ela falou- Mas eu estou surpresa...você deveria estar mais ferida...-Então os seus olhos se arregalaram quando ela finalmente percebeu que a pele dela estava caindo aos pedaços, como se fossem feita de vidro- O que é isso?
Kurotsuchi sorriu, mostrando a língua para ela. Ela tinha seis anos?!
—Você não é a única com Kekkei genkai...isso é Youton. Eu revesti o meu corpo com uma fina camada de cal. É muito útil para ataques surpresas...mas mesmo assim, eu estou acabada...o que vai fazer comigo?
Risa apenas a olhou profundamente nos olhos.
—O que você acha que eu vou fazer com você?!
—Bom...só seja...rápida...
Risa assentiu. Kurotsuchi sentiu o exato momento em que a Kunai abandonou o seu pescoço, provavelmente para ganhar ímpeto, antes de apunhalá-la, mas para sua surpresa, Risa simplesmente enfiou as mãos nos seus bolsos, até achar os dois estojos de cura. Kurotsuchi olhou para ela confusa, mas quando olhou nos olhos dela, enfim entendeu.
Ela havia tido aquela estranha impressão durante a luta, mas ela não levou a sério. Não, na verdade ela simplesmente não queria acreditar no que via. Quer dizer...ninjas não possuíam olhos tão gentis. Ela nunca havia matado.
—Risa-chan...o que está fazendo? –A neta do Sandaime Tsuchikage simplesmente parecia confusa- Você não deveria fazer isso...
—O que te parece? Eu só queria isso...desculpe pelos seus companheiros...eles não terão a cura...
—Não é isso! Pouco me importo com eles– Kurotsuchi quase gritou- Você é uma Kunoichi. Você me derrotou. Agora me mate, cacete!
—Não quero.
Risa simplesmente guardou os estojos na sua bolsa shinobi. O seu olhar dizia tudo. Não importava o quanto Kurotsuchi gritasse, ela não a mataria. E aquilo a deixou profundamente confusa. Ela simplesmente a viu virar as costas e a começar a caminhar para longe de si...sem sequer olhar para trás.
Ela estava no chão, completamente derrotada e imóvel. Sem conseguir mover um músculo sequer. Mas então Kurotsuchi riu. Riu, quando finalmente entendeu...ela era uma garota estranha.
Porém, seu sorriso morreu, quando ela sentiu aquela presença ao seu lado. Imediatamente, ela estalou a língua.
—Kurotsuchi-sama...você perdeu.
—Eu sei...-foi tudo o que ela disse, tentando fazer a sua voz soar forte, quando na verdade só sentia medo daquele ser, ela estava tão imóvel, tão indefesa, e estava na presença de um predador- O que você quer?
—Corrigir as coisas, minha senhora... a neta do Tsuchikage-sama não pode perder de forma tão patética...não na frente do mundo inteiro...-a voz dele era incrivelmente nauseante- então...você entende o que eu tenho que fazer com aquela garota, não?
Ela sentiu o seu corpo tremer. Aquilo não. Mas ela não podia mostrar fraqueza...ou ele realmente iria...
—Só...não a mate.
Ele olhou para ela curioso, como se não compreendesse o significado daquelas palavras. Talvez realmente não compreendesse. A única coisa que ele sabia fazer era tirar vidas, ele era exímio nisso. Tendo inclusive sido treinado para aquilo, desde o seu nascimento até hoje, treze anos depois.
—Não entendo tais palavras...
—Recupere o estojo, nada mais. Você ouviu, Satsu?! Não a mate...
O garoto, apenas se curvou, antes de afundar na terra, como se fosse feito de lama.
Risa estava embrenhada na floresta, quando aquilo aconteceu. Ela estava fraca, cansada, sem chakra e sozinha. Uma presa fácil, na visão de muitos. Não seria realmente difícil um predador a atacar...e foi o que aconteceu...
Aconteceu tão repentinamente. Numa hora ela estava correndo como nunca, sempre tentando enxergar o sol, apesar dos ramos extremamente entrelaçados das árvores. Ela percebeu que se aproximava do meio dia.
Mas o pior aconteceu. Ela foi abocanhada por um predador faminto. E enquanto estava deitada no chão, chorando, perdendo lentamente a consciência e completamente ensanguentada. Ela só murmurava uma palavra: Gomen...gomen...
*********
Shikamaru ergueu uma Kunai quando ouviu alguém na entrada da caverna. Mas ele relaxou quando viu quem era.
—Hinata...
Ela retirou o capuz que tinha sobre os curtos fios negros.
—Como eles estão, Shikamaru?
O moreno olhou para as duas garotas deitadas e inconscientes sobre os leitos improvisados. Os fios de cabelos róseos e loiros estavam grudados nas testas delas pelo suor.
—Bom...da mesma forma que nos últimos dias...você conseguiu?
Hinata assentiu. Retirando dois estojos da sua bolsa shinobi. Shikamaru suspirou de alívio. Ele queria perguntar como é que ela havia obtido aquilo, mas as palavras morreram a caminho de sua garganta, quando ele viu os filetes de sangue sobre o colete dela...ela provavelmente havia matado alguém.
Hinata abriu um dos estojos, retirando a seringa com o líquido azulado, depois de retirar o ar na seringa, ela pegou o braço de Ino e estava prestes a administrar quando ouviu Shikamaru falando.
—Espera! E se eles mentiram? Pode ser que isso acabe a matando...
Hinata apenas o olhou de cenho franzido.
—Eles são malucos, mas não a esse ponto. Continuando...-ela se preparou novamente, mas dessa vez Shikamaru pegou no seu pulso, Hinata olhou para ele irritada- O que foi...?
—Só tenha...cuidado...
Hinata finalmente reparou nos olhos dele. Aqueles não eram olhos de alguém preocupado com sua companheira de equipe, definitivamente. O que andava acontecendo entre aqueles dois?! Bom, definitivamente não era da sua conta. Ela apenas tranquilizou o rapaz:
—Não se preocupe...eu sei o que faço...
A medida que ela introduzia aquele líquido azulado nas veias dela, Shikamaru ficava cada vez mais tenso, como se fosse ele no lugar dela. Era fofo até...mas perigoso...se algo acontecesse com ela...ele quebraria, provavelmente.
Ao final, a tensão no rosto de Ino se suavizou. Shikamaru pareceu finalmente respirar.
Enquanto abria o outro estojo, e administrava a outra seringa na adormecida rosada, Hinata moveu o seu olhar, vendo Shikamaru ao lado de Ino, enquanto segurava fortemente as suas mãos. Ela ouviu aquilo saindo da sua boca sem se aperceber:
—Então...há quanto tempo? –Shikamaru pareceu ficar confuso, ela apontou para Ino- Vocês dois...há quanto tempo?
O moreno ficou com as bochechas ligeiramente rosadas.
—É tão óbvio assim?- Hinata sorriu, enquanto assentia- Um mês praticamente...quer dizer, a partir do instante em que anunciaram esse torneio...eu sabia que eu poderia ser morto nesse exame então...não queria partir sem dizer para ela os meus sentimentos...-ele sorriu- só não esperava que ela correspondesse...
—Entendo...-foi tudo o que a Hyuuga murmurou- Só tenham cuidado...
Ele olhou para ela confuso.
—O que você quer dizer?
—Bom...para não quebrarem...tenham cuidado para não quebrarem.
Shikamaru apenas sorriu, de forma incrivelmente triste.
—Nosso amigo foi decapitado. Nós já estamos quebrados...
Hinata apenas assentiu. Bom, eles não sabiam o quanto estavam errados...
*********
Quando ela abriu os olhos, a sua cabeça doía como o inferno e ela sentia a grama fria sob o seu corpo. A única coisa que os seus olhos registravam eram os ramos entrelaçados daquela floresta. Ela tentou se levantar, mas ela gemeu de dor. O seu abdómen doía, como se tivesse levado uma facada. Mas então ouviu aquilo:
—Não se mexa, ou o ferimento vai abrir novamente...
Ela finalmente notou o garoto sobre si, com as mãos no seu abdómen, emitindo uma luz esverdeada que fazia a sua dor diminuir. O que havia acontecido? Ela tentou se lembrar, mas a sua cabeça doía sempre que tentava.
—O que aconteceu?
Ela estranhou a sua voz sair tão arrastada, como se a mil anos ela não falasse. Ela viu Kabuto olhando inquisidoramente para si.
—Me diga você, Risa...eu achei você inconsciente e completamente ensanguentada...felizmente te encontrei à tempo...caso contrário...
Ela forçou a sua memória, provocando uma intensa dor de cabeça. Mas ela ignorou aquilo, tentando se lembrar. E quando o seu cérebro finalmente assimilou o que havia acontecido, ela arregalou os olhos, e se levantou subitamente. Imediatamente ela sentiu uma pontada no abdómen.
—Céus, Risa! –Kabuto ajeitou os seus óculos nervosamente- Eu estou tentando salvar a sua vida!
—Não há tempo! –Ela pressionou a sua mão no abdómen, tentando conter o pequeno sangramento- E-ele...ele veio do nada...e me atacou...aquele garoto da pedra...-então ela arregalou ainda mais os olhos, vasculhando nos seus bolsos, ela os encontrou completamente vazio- As curas...ele levou as curas...nós temos que achar outras...
Ela fez menção de se levantar, Kabuto suspirou, antes de pará-la. Momentaneamente os seus olhos escureceram.
—Não há mais curas, Risa...você mesmo viu aquela garota explodindo a caixa...
—M-mas há outras sete caixas! Se nós...
Kabuto balançou a cabeça negativamente.
—Olhe para o céu...faltam menos de vinte minutos para o meio dia. E nós bem sabemos o que vai acontecer com eles quando forem meio-dia. As caixas mais próximas caíram a quilômetros daqui...levariam horas até irmos e voltarmos. Isso se ainda não estiverem vazias também...
Os olhos negros de Risa foram engolidos pelo desespero.
—E-eu...eu estraguei tudo...
Kabuto balançou a cabeça, negativamente.
—Nem tudo está perdido...-Ela olhou para ele sem entender. Kabuto suspirou, antes de enfiar as mãos no bolso do seu colete, Risa arregalou os olhos ao ver dois estojos na mão dele- Aqueles garotos da Pedra...no final das contas eles tinham isso aqui...
Risa finalmente respirou de alívio.
—Então eles-
—Você parece ter me entendido errado.
—Como...assim?
—Eu tenho duas doses na minha mão. – E então o cérebro de Risa finalmente começou a entender- Uma é do Akai-kun. Isso é indiscutível...mas a outra...bom...
Risa começou a ouvir um estranho zunido nos seus ouvidos.
—Mas...
—Sem mas! –Ele ajeitou os seus óculos novamente, os olhos faiscando- Você está insinuando que eu deixe o nosso companheiro morrer?!
—Claro que não! –Ela sentia o seu cérebro sendo engolido por uma névoa- Mas...mas...eles são dois...eles são dois...
—Entendo...-ele a empurrou, gentilmente, para a grama novamente, concentrando chakra nas mãos, os seus olhos pareceram estranhamente gentis- então...isso quer dizer...que você tem uma escolha a fazer...
Risa sentiu o seu mundo escurecendo repentinamente, e o gosto salgado das lágrimas nos seus lábios. De repente, as palavras que Kabuto havia dito para ela mais cedo, fizeram todo o sentido do mundo.
‟Você e esse seu complexo de salvadora...um dia você vai se arrepender por ser tão boazinha...ˮ
***
A sua cabeça zumbia. Ela sentia lágrimas deslizando silenciosamente pelo seu rosto, à medida que se aproximava da caverna. Ela tinha uma escolha. Uma escolha a fazer. E, o pior, é que o seu coração egoísta já havia se decidido.
Naruto estava inconsciente, ela não sabia se aquilo era um coisa boa ou má. Talvez fosse. Risa tentou abrir o estojo, mas a sua mão tremia fortemente e a sua visão estava turva por causa das lágrimas.
—Droga!
Ela desistiu por um instante, apenas se concentrando em respirar fundo. Tentando sentir o ar entrando no seu corpo. Mas aquilo era bem difícil, quando a única coisa que ela queria naquele momento, era não sentir nada. Ela queria ficar entorpecida.
Finalmente, ela conseguiu abrir o estojo, olhando de forma vazia naquela simples seringa, com um líquido azulado no interior. Ela se perguntou, como é que um simples líquido era capaz de ditar se as pessoas deviam viver ou não?!
Ela não queria pensar. Ela queria estar fora do seu corpo naquele momento, e ser uma simples espectadora. Pelo menos, foi o que ela sentiu enquanto afundava a agulha na pele de Naruto, e empurrava lentamente, o líquido no corpo de Naruto. Uma espectadora.
Ela sentia como se não fosse ela naquele corpo. Quer dizer...a Risa que ela conhecia não deixava meninas de doze anos morrerem.
Mas...quando ela virou, e viu os olhos vermelhos e esperançosos no rosto moribundo de Karin, ela se sentiu ainda pior.
Karin era especial. Ela conseguia saber o que as pessoas estavam sentindo só de olhar para elas. E quando ela olhou para Risa, ela sentiu o quanto o coração dela estava dilacerado. Em todos aqueles anos, ela nunca havia sentido tanta dor e culpa em uma única pessoa, então ela logo soube. Logo soube que ela morreria...
—Entendo...eu...-a sua voz saía como um grasnado baixo- eu...vou morrer...
Risa levantou a sua cabeça ruiva, e a colocou apoiada sobre as próprias coxas.
—Desculpe. -As lágrimas gélidas de Risa estavam caindo no rosto dela. — Gomen...Karin-chan...
Karin apenas sorriu, um simples arquear dos lábios pálidos e rachados, mas era o melhor sorriso que Risa já tinha visto na sua vida. Ela parecia estranhamente em paz, à medida que o templo fluía, as engrenagens do destino giravam, enquanto se aproximavam do meio dia...dois minutos.
—Está tudo bem...-A voz dela, doce como mel, invadia os ouvidos de Risa- fico feliz por ter conhecido vocês...
—E...e eu... eu –ela forjou um sorriso fraco, embora ainda chorasse- e eu...por conhecer você...
Ficaram alguns segundos em silêncio.
—Você pode segurar a minha mão? É que está...tão frio...
—Uhum...Seguro sim...
Mais silêncio.
—Nee Risa-san...você já beijou um garoto?
Ela deu um fraco sorriso.
—Já sim, Karin-chan...
O rosto de Karin parecia mais pálido.
—E como foi...?
—Estranho. Mas...bom. Um singelo e inocente toque dos lábios. Do tipo que te faz perceber que você ainda está viva...
Karin fechou os olhos, por um instante, e tentou imaginar a pressão dos lábios de Naruto sobre os seus, enquanto o cheiro de canela e limão, cheiro do loiro, adentrava as suas narinas...ela sorriu. Era uma boa imagem.
—Deve ter sido incrível...
—Foi incrível sim...
Mais silêncio. Risa sentiu os seus olhos arderem ainda mais.
—Ne... Risa-san...eu menti...- A sua voz não passava de um sussurro. -estou com medo de morrer sim...não é justo...eu só tenho doze anos...ainda não beijei o garoto que eu gosto...
Aquilo cortou o seu coração ainda mais. Mas ela tentou disfarçar. Era doloroso, odiosamente doloroso.
—E se eu cantar para você...?
—Pode ser...
Karin assentiu. Risa afundou os seus dedos nos fios ruivos e macios de Karin, fazendo um carinho enquanto cantava uma canção de ninar que a sua mãe costumava cantar para ela, na infância, enquanto grossas lágrimas deslizavam pelo seu rosto.
Em algum lugar além do arco-íris, bem lá no alto
Há uma terra em que eu ouvi falar
Uma vez em um conto de ninar
Em um lugar além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você sonhou
Realmente se tornam realidade
Algum dia, eu vou desejar à uma estrela
Acordar onde as nuvens estão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem como balas de limão
Bem acima dos topos das chaminés
É aonde você me encontrará
Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Os pássaros azuis voam além do arco-íris
E por que, porque eu não posso?
Quando Risa terminou de cantar, as lágrimas gélidas deslizavam com mais forças pelo seu rosto, mas... ela se sentia, estranhamente...em paz.
—Melhorou? –Ela tentou sorrir para a ruiva, mas não houve resposta- Karin? – Não houve resposta, e os olhos vermelhos dela pareciam sem brilho- Entendo...você morreu...
Fale com o autor