Gênesis

27 Chunnin Chiken - Máscaras.


Notas iniciais
################################## Eae?! Err… Gomen pela demora! Mas é que, como vocês sabem, esse é um novo ano. E como tal nova rotina. Eu estou no segundo ano do ensino Médio, e o colégio onde eu estudo, por ironia, decidiu estender os horários, por isso, eu agora tou saindo às seis da tarde (antes saía às quatro), mas como a minha casa é MUITO distante –mesmo com transporte- eu só tou chegando às sete (às vezes oito, dependendo do tráfego) … tudo isso, somado com os trabalhos escolares, sessões de estudo e amigos chatos me incomodando pra sair, acabam fudendo com o meu tempo de escrita… (agora é só nos fins de semanas e feriados kkk)… mas eu sei que muitos devem estar se perguntando: ué, você não demora SEMPRE?! Pois é… só que aquilo era por preguiça mesmo, eu tinha tanto tempo que até era entediante… mas esse ano eu vou TENTAR ser mais produtivo (é que eu quero, pelo menos, chegar na metade do enredo da fic kkk) e produzir textos melhores em tempos mais rápidos (eu sei que vai ser difícil, mas eu tenho fé!)… Porra! Essa merda tá ficando enorme… parece até TEXTÃO de desabafo… e eu não gosto de desabafos…. Mas enfim… aguentem mais um pouco… quero agradecer pelos comentários do capítulo passado, eles me deram confiança para continuar com essa ideia do Shiren Shōkan kkk… e também pela recomendação! Valeu felipemedina13! Tu é foda kkk…. Quase me fez chorar de emoção kkk (é sério!) E antes que me crucifiquem, eu digo que não, eu não demorei um mês para escrever esse capítulo. Na verdade, essa é apenas uma pequena –kkk- parte de um capítulo ainda maior… talvez com 20 mil palavras… ou mais kkk. Eu decidi separar porque, apesar de alguns dizerem que gostam de capítulos enormes, outros disseram que eles são meio cansativos, e eu, procurando agradar à todos, achei um meio termo kkk e antes que eu me esqueça, o poema no início do capítulo é de me autoria e tals, e eu acho que ficou… sei lá… legal?! Eu não queria fritar o meu cérebro logo no início do capítulo, mas também não queria escrever uma completa bosta por isso… dá pro gasto! Ufa, até que enfim terminei! ##########################

Quando a lua prateada sobe

bem alta no céu, brilhante e negrume

As máscaras, nós vestimos

E o espectáculo, começamos

Nele, não há passado

Ou presente, Ou futuro

Ou tampouco eu e você

Há apenas as nossas máscaras

E os anjos e demónios sob elas

Sorrindo, em uma dança selvagem e inebriante,

E entorpecedora, e carnal, e bestial

Como se clamassem

Em um júbilo selvagem e secreto

Enquanto a fumaça, branca e gélida, se esvai

E as cortinas descem sobre o palco

Terminando o espectáculo

Das máscaras, nos despimos

Mas não dos anjos e demónios sob elas

A esses, nós não mais nos livramos

Pois, eles tornam-se parte de nós

Como se fossem contornos

Dos nossos milhares facetas

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Naruto sentiu os seus olhos se estreitarem naquela intrigante mulher diante da porta. Ele percebeu, com certa surpresa, que para uma nobre, ela era… normal. Estranhamente normal.

Ele esperava uma mulher esnobe e arrogante, em um vestido rosa-brilhante e repleta de jóias completamente inúteis e irritantes. Mas ao invés disso, ela era uma mulher trajando um terno social, branco e feminino.

Alguns fios do seu cabelo loiro-prateado, quase branco, caíam de um coque frouxo, como uma nuvem, ao redor do seu rosto – que para surpresa de Naruto, estava estranhamente livre de maquiagem – tinha apenas passado um delineador negro ao redor dos olhos, evidenciando ainda mais o brilho dos seus orbes verde-oliva. Naruto conteu um suspiro de espanto. Apesar do seu nojo por nobres, ele não podia negar o quanto ela era interessante. Havia algo no seu nariz fino e empinado, assim como na frieza e indiferença nos seus olhos, que fazia Naruto se lembrar de um corvo. Atento e astuto.

Pelo número reduzido de rugas no seu rosto, ela parecia ter cerca de quarenta anos, mas pelo simples fato de que Hiruzen provavelmente já a conhecia, Naruto sabia que ela era muito mais velha que isso. Só não sabia dizer quanto… não dava pra dizer somente olhando pra ela… Talvez um cosmético?!

Sasuke, ao se lado, não esboçou muita reacção, apenas crispou as sobrancelhas de um jeito muito engraçado, mas Naruto sabia que aquilo era a epítome de surpresa para o Uchiha.

Sakura, por outro lado, olhava pra ela com os olhos vidrados e sonhadores, como se ela fosse uma espécie de deusa. Sinceramente, Naruto não entendia como é que ela podia olhar aquela mulher como uma espécie de exemplo a seguir. Ela devia odiar aquela mulher. Ela era uma nobre. Veio para os assistir morrer! Mas Naruto acabou por dar de ombros. Meninas eram incrivelmente estranhas. Além de que, estranhamente, nem ele conseguia… odiá-la. Havia algo por detrás daquele rosto inexpressivo, assim como nos seus olhos, que o diziam que ela, de alguma forma, era diferente. Talvez um… cosmético?!

Se recuperando do torpor, um sorriso rasgou, muito lentamente, o rosto enrugado do Sandaime, exibindo os seus dentes fortes e brancos, como marfim:

—Madame Kaneko… – O Hokage murmurou, beijando a mão estendida daquela estranha mulher, em um gesto polido e cortês. — Como a Senhora está?

A mão pálida e esguia da Senhorita Kaneko arquejou ligeiramente, quando os fios ásperos da barba grisalha do Sandaime roçaram na sua pele.

—Estou bem. – Foi tudo o que ela disse. E, segundo Naruto notou, ela não estava feliz ou particularmente irritada por terem batido à porta da sua suíte, muito pelo contrário, a expressão de indiferença no seu rosto era firme e dura, como se tivesse sido esculpida em mármore. – A que se deve essa visita, Hiruzen-san? Não que eu esteja irritada… é só que… faz pouco tempo desde que cheguei, ainda nem pude me trocar…

—Ah, eu lamento… — O rosto enrugado de Hiruzen corou ligeiramente – então acho melhor virmos em outra altura…

A expressão indiferente no rosto de Kaneko tremeu ligeiramente, e por fim, ela acabou por suspirar:

—Não… já que estão aqui, eu acho que não seria educado da minha parte dispensar-vos… — Ela recuou um passo e abriu completamente a porta – entrem, por favor…

—Obrigado. – O Sandaime murmurou, com um pequeno sorriso — É muito amável da sua parte… crianças, me sigam…

Como haviam feito nos últimos trinta minutos, eles apenas assentiram e entraram atrás do Sandaime. E se há uma coisa que Naruto reparou, foi que os nobres gostavam de cores brilhantes. Sério, qual era o problema deles?!

As paredes daquela suíte eram de um verde intenso, do tipo que se você olhasse por muito tempo, os seus olhos arderiam. O piso, brilhante e de mármore, seguia um padrão xadrez de preto e branco, e havia uma enorme fileira de lustres de cristal pendurados no teto.

Kaneko seguiu andando sobre os seus saltos incrivelmente altos. Deviam ter cerca de dez centímetros, e a medida que ela andava sobre o mármore duro, faziam um som alto e estalado, como se perfurassem o piso. Para uma mulher, ela era alta. Incrivelmente alta, quase 1, 80 m. E com aqueles saltos gigantescos ficava ainda mais.

Naruto interrompeu aqueles pensamentos, no exato momento em que eles entraram no que parecia ser a sala. Era tão impressionante -e brilhante- quanto o resto.

—Sentem-se, por favor. – Ela indicou os confortáveis e caros sofás no meio da sala.

—Obrigado. – O Sandaime falou, sentando, ainda com um sorriso no rosto.

Kaneko apenas assentiu, com a mesma expressão indiferente.

-Eu poderia oferecer-lhes alguma coisa para beber… mas, como eu já disse… cheguei faz pouco tempo… e ainda nem pude pedir para abastecerem a cozinha… peço, encarecidamente, que me desculpem…

O Sandaime aumentou o seu sorriso.

—Não tem problema. Além do mais, apesar de eu apreciar o seu maravilhoso chá de camomila, não foi por isso que viemos. Na verdade nós…

Kaneko o cortou.

—Sim. Eu sei exactamente porque tu… quer dizer, vocês vieram. – Ela soltou um inaudível suspiro.

O Sandaime apertou os olhos.

— Então quer dizer que…

—Sim. – Ela sussurrou – eu já terminei…

—Excelente! -Como se fosse possível, um sorriso ainda maior rasgou os lábios ressecados do Sandaime – Você poderia ir buscá-lo?! Por favor?!

Perante o entusiasmo quase infantil de Hiruzen, Kaneko apenas assentiu, inexpressiva como sempre.

—Sim. Eu… já volto….

Ela falou, antes de desaparecer atrás de uma porta no outro lado da sala.

Naruto sentiu o couro extremamente confortável e macio acalentar o seu traseiro, e ele segurou um suspiro de espanto. Era tão bom quanto sentar em uma nuvem (não que ele já tivesse sentado). Ele se perguntou quanto custaria um daqueles móveis… provavelmente muito mais do que ele estaria disposto a pagar…

—Nee… velhote, quem é ela?

—Ah, a senhorita Kaneko? Ela é a vossa estilista…

—Nós temos uma estilista?! – Sakura se pronunciou, pela primeira vez. E a única reação que Sasuke esboçou foi franzir ligeiramente as sobrancelhas.

O Sandaime olhou pra Sakura, como se ela tivesse enlouquecido, mas depois tratou de sorrir.

—É claro que têm. Será ela quem ditará a aparência dos participantes de Konoha. É que… vocês sabem, cada vila deve se vestir com as suas cores tradicionais, de modo a poderem distinguir os gennins. Assim como os Chunnins e Jounnins fazem. É uma simulação de guerra no final das contas…

Naruto apenas murmurou:

—É uma regra muito… estranha…

O Sandaime apenas sorriu com isso, antes de ficar forçadamente sério.

—Então… eu acho que não deveria vos dizer que é proibido levar armas…

Naruto estreitou os olhos:

—O… quê?

—Sim. – O Sandaime assentiu — Kunais, shurikens, espadas, facas, machados, enfim, qualquer coisa que sirva de arma, é estritamente proibido levar pra arena.

—Como nós vamos… — Naruto queria dizer matar, mas decidiu falar outra coisa — lutar?

O Sandaime, por um instante sorriu tristemente, como se lesse os seus pensamentos. Mas durou apenas um segundo, antes de ele voltar à costumeira expressão gentil e boba.

—Fiquem calmos. Sempre há a coleta.

Como sempre, Sakura ergueu a sua mão.

—Sandaime-Sama, o que é isso?

—Considerem como sendo uma fase de qualificação. E é onde vocês devem coletar as armas e outros itens que usarão quando o exame começar de verdade.

Naruto imediatamente se lembrou da Raijin no ken… ele provavelmente não poderia levá-la… Antes que percebesse, ele ouviu aquelas palavras saírem da sua boca:

—Quem foi o idiota que criou essas regras estúpidas?!

—Senju Tobirama…

A carranca no rosto de Naruto murchou lentamente, como uma flor.

—Ah, certo…

Ele notou os olhos castanhos do Sandaime se apertarem e ficarem estranhamente intensos, como se estivesse procurando alguma coisa na sua expressão – qualquer coisa – que denunciasse o que se passava na sua cabeça. Naruto, internamente, deu um sorriso triste. Tinha esquecido do quão mentiroso e falso ele era…

Antes que eles dissessem qualquer outra coisa, madame Kaneko voltou à sala, no seu caro e lustroso terno branco… Ela estendeu as suas mãos para Hiruzen. Havia um estranho e grosso caderno preto entre os seus dedos longos e esguios.

O Hokage, com uma expressão curiosa, começou a folhear o caderno. E um misto de expressões começou a passar pelo seu rosto. Nostalgia. Tristeza. Choque. Raiva. Surpresa, e por fim, uma profunda admiração.

Kaneko se sentou num outro móvel e cruzou as longas e esguias pernas, enquanto colocava um mísero fio do seu loiro-prateado cabelo atrás da orelha. Gesto que fez com que Sakura soltasse um pequeno suspiro de admiração e uma sobrancelha arqueada por parte de Sasuke. Depois de um longo e estranho minuto de silêncio, Kaneko murmurou:

—Então… O que achou? – Ela perguntou, estoicamente.

O Sandaime ficou mais alguns segundos encarando fixamente uma das folhas do caderno, em silêncio total, antes de suspirar.

—Honestamente? – Ela assentiu – Genial. Simplesmente genial. Esse uniforme… é ainda melhor do que o de vinte e cinco anos atrás.

Ela relaxou suavemente as suas feições, e soltou um pequeno suspiro de alívio, antes de arquear ligeiramente os lábios, em um pequeno e quase invisível sorriso. Durou apenas um segundo, antes de voltar a costumeira indiferença.

—Folgo em saber isso. – Ela disse estoicamente – Então… eu acho que, nesse caso, está na hora, não?

Kaneko e o Sandaime trocaram olhares intensos e sugestivos, como se estivessem conversando em uma língua estranha e desconhecida para os gennins. Aquilo provocou certa indignação nos gennins, mas eles não comentaram.

Depois de alguns segundos, o Sandaime assentiu, repentinamente sério.

—Está bem. – Ele suspirou – Você pode chamá-lo…

Kaneko apenas assentiu, indiferente, antes de se levantar e desaparecer novamente.

Foi cerca de uns minutos depois, que Naruto finalmente teve coragem pra quebrar o silêncio gélido que havia se instalado. Retirando o capuz branco que tinha sobre a cabeça, Naruto perguntou:

—Velhote… — ele apontou para o caderno preto entre as mãos enrugadas do Sandaime — eu posso ver?

Hiruzen olhou longa e atentamente para Naruto, antes de soltar um pequeno suspiro, e entregar o caderno.

—Obrigado…

Foi tudo que Naruto murmurou, antes de começar a folhear o caderno distraidamente. Apesar de ele não entender muito de desenho, ou de moda sequer, ele teve que concordar, a contragosto. Aqueles desenhos eram realmente…. belos. A senhorita Kaneko era verdadeiramente talentosa. Os contornos dos desenhos eram finos e suaves, mas mesmo assim, deixavam uma forte impressão no papel… e as formas e as cores eram impressionantes, isso sem falar dos desenhos em si. Mas ele logo balançou a cabeça. Tinha que se concentrar.

Com um olhar subitamente crítico, continuou folheando o caderno, até achar a página dos uniformes utilizados no Shiren Shōkan anterior. Eram um tanto simples, mas ainda assim, incrivelmente belos. Eles realçavam as costumeiras cores de Konoha. O Azul muito escuro, o verde também muito escuro e um pouco de vermelho (e como era óbvio, também muito escuro). Mas aquilo realmente não lhe interessava. Ele continuou passando os seus dedos ágeis por entre as folhas, até achá-lo… o uniforme que eles iriam usar naquele ano… Naruto sabia que o mais importante não era realmente a beleza, mas sim a versatilidade que o uniforme os concederia na hora da batalha –quesito que aquele desenho havia cumprido, com louvor- , mas mesmo assim, ele não deixava de ser magnífico…

—É lindo…

Ele ouviu uma voz sussurrando atrás de si. Olhando de soslaio, ele percebeu que era Sakura. Ela e Sasuke estavam atrás de si, olhando fixamente para o caderno. Com um suspiro estranhamente profundo, Naruto acabou por assentir:

—Sim… — Ele murmurou, antes de fechá-lo e estender de volta para o Hokage – ela é boa… muito boa…

O Hokage apenas sorriu com isso, enquanto recebia o caderno nas suas mãos velhas e enrugadas.

—Eu sei perfeitamente disso. Eu a conheço há vinte e cinco anos…

—É mesmo velhote… quantos anos ela tem?

Hiruzen deu um sorriso constrangido.

—Naruto-Kun, não seja rude, você sabe que não se deve perguntar a idade de uma mulher… a não ser, é claro, — Os olhos castanhos do Sandaime brilharam repentinamente de malícia – que você esteja interessado nela…

Naruto corou levemente.

—N-Não brinque… Ela tem idade para ser minha mãe…

—Na verdade, — O Hokage sorriu — ela tem idade para ser sua avó. Eu realmente nunca perguntei, mas eu acho que ela tem entre cinquenta a sessenta anos.

Naruto arregalou os olhos.

—Ela parece ter menos que quarenta…

—Eu sei. Mas eu quero que você entenda uma coisa. – Ele colocou a sua mão sobre o ombro de Naruto, ainda sorrindo — O que está acontecendo com você é perfeitamente normal…

—Err… o quê?

—Você sabe… Ter uma paixonite por uma mulher mais velha… Quando eu tinha a sua idade eu também tive… ela se chamava Reika… era a minha professora na Academia Shinobi…

—Eu não tenho uma paixão por ela. – Naruto trincou os dentes — Eu só perguntei quantos anos ela… ah, você estava brincando comigo…

O Hokage apenas aumentou o seu sorriso. Naruto ia suspirar, quando se lembrou de algo.

—É mesmo. Falando nela… o que é que a Kaneko-San foi fazer?

O Sorriso nos lábios do Sandaime se desmanchou, até a sua boca formar uma fria e neutra linha. Naruto, até aquele dia, ainda não conseguia deixar de se espantar com a capacidade que os Shinobis tinham de mudar de expressões e personalidades. Eram incrivelmente falsos. Numa hora eram velhinhos carinhosos e com sorrisos amáveis, e noutrora, pessoas capazes de te matar apenas com um olhar. E se baseando nessa ideia, Naruto podia afirmar que ele era um excelente Shinobi.

—Ela… foi chamar alguém…

—Quem?

O Sandaime olhou seriamente para os gennins, quase como se estivesse se perguntando se deveria contar ou não, os códigos secretos para entrar e sair da vila sem ser detectado… mas depois balançou a cabeça e soltou um pequeno suspiro:

—Prestem atenção. Em poucos minutos, outro estilista entrará nessa sala. Ele tirará as vossas medidas para os uniformes… — e acrescentou rapidamente, ao ver a boca aberta de Naruto — Vocês não vão gostar do que ele fará com vocês. Mas não importa o quê, não resistam.

—Mas… — Sakura ia reclamar.

—Sem mas. Apenas, não resistam. É só isso que vos peço.

Eles apenas assentiram, neutramente. Foi depois de apenas um minuto, que Naruto sentiu dois cheiros distintos chegarem ao seu nariz aguçado. Uma mistura de tinta e papel velho, e… morangos?! Ele franziu o cenho. O cheiro de tinta e papel velho era de Kaneko, provavelmente devido às horas que ela passava desenhando. Mas já o outro de morango… ele não fazia a mínima ideia, provavelmente era do outro estilista.

Com um estranho suspiro, Naruto relaxou os seus ombros. Se preparando para o que iria acontecer. Ele cerrou a sua mandíbula, formando uma fria e inexpressiva linha nos seus lábios, e escureceu os seus olhos ao ponto de se tornarem negros como a noite. Aquela era a sua melhor expressão de calma e indiferença. Sim…Ele deveria aparentar calma e indiferença, calma e indiferença, calma e indiferença… calma e indi…

Oh! Hirzen-kun!

Naruto sentiu as suas sobrancelhas tremerem comicamente, e um arrepio atravessar o seu corpo. Aquilo… aquilo não podia ser sério! Simplesmente não podia! Ele franziu o cenho e apertou os olhos no homem minúsculo e rechonchudo que havia acabado de entrar na sala, acompanhado da senhorita Kaneko. Ele teve que se esforçar para não rir… sério, o homenzinho trajava um ridículo terno rosa… de veludo! Seria cómico se não fosse trági… ok, era realmente cómico!

O Sandaime forçou um sorriso gentil, embora um brilho sombriamente perigoso tenha faiscado nos seus olhos castanhos.

— Ora, ora. Seiji-San… — ele, ainda com um sorriso forçado, deu um aceno polido, um tanto rígido- eu…

Ele não conseguiu terminar. Seiji o interrompeu, com a sua voz escandalosa e esganiçada:

Hirzen-Kun! Espero que tu tenhas um bom motivo para chamar-me!

O sorriso no rosto do Sandaime tremeu fracamente.

—Seiji-san. – Os seus olhos brilharam ainda mais sombriamente — Julgo que eu já tenha o alertado sobre o modo como você deve me tratar.

Apesar da calma assustadora na voz do Hokage, Naruto sentia o quanto os músculos do Hokage estavam tensos e a pequena quantidade de Killer Intent (Intensão Assassina) que estava sendo exalada dos poros do Hokage… não era muita… apenas o suficiente para fazer um gennin se borrar de medo ao ponto de enfiar uma Kunai na própria garganta… mas é claro, Seiji era ridiculamente fraco, tão fraco e inofensivo quanto um civil ou uma criança recém-nascida, ele não conseguia sentir chakra, caso contrário ele estaria nesse momento enfiando os dedos nos próprios olhos, mordendo a própria língua, batendo a própria cabeça contra o piso de mármore e… enfim, mais um milhão de outros efeitos igualmente desagradáveis. Porém, o mesmo não podia ser dito de Sakura… ela tremia como uma vara e a sua mão suada estava a meio caminho do seu coldre de Kunais. Apenas mais alguns centímetros…

O Hokage pareceu se aperceber disso e decidiu se recolher de volta o seu chakra… não seria nada bom levar uma Kunoichi à loucura… ou seria?!

O tal de Seiji apenas deu de ombros como se não tivesse ouvido nada do que o Sandaime dissera, e acariciou a ponta da barbicha ridícula no seu rosto redondo e sempre corado.

—Oh, Hirzen-kun!— Naruto notou o quanto a voz daquele homem subia de tom, esganiçada, como se ele sempre estivesse entusiasmado, além de que ele falava de uma forma diferente, se embolando com algumas palavras. – É do meu conhecimento que tu não me chamaste, simplesmente para discutir questões concernentes ao meu modo de agir!

O Sandaime apenas suspirou, e relaxou os seus músculos, lutando à todo o custo para controlar e reprimir os movimentos das suas mãos, ou caso contrário, elas começariam a executar os selos de um jutsu nada agradável para os presentes naquela sala… E antes que ele dissesse — ou fizesse- alguma coisa, Kaneko decidiu tomar a dianteira:

—Seiji-San, comporte-se. – Ela murmurou, com a costumeira indiferença, embora a sua voz possuísse um pequeno traço de irritação — Tu sabes o porquê do Daimyou-Sama ter-nos enviado…

Seiji apenas estalou a língua e lançou um olhar de particular desagrado para Kaneko. Ele. Simplesmente. Odiava. Aquela. Puta! Sempre se achando melhor do que os outros estilistas, só porque o Daimyou a fodia de vez em quando. Sim… ele sabia daquilo! Só não dizia em voz alta porque ele gostava de pensar que aquela informação lhe serviria de algo no futuro…

—Tu estás certa, Kaneko-San— Ele não conseguiu evitar sorrir, repuxando largamente os seus lábios pintados de…. verde-brilhante?! – Então, onde estão os gennins?

Naruto quase desmanchou a sua expressão indiferente… Sério… qual era o problema dele?! Porque ele falava tão alto?! Porque a sua voz forçadamente fina sempre subia de tom no final, como se estivesse fazendo uma pergunta?! Porque ele era tão… formal?! E, o mais importante, porque é que ele estava o encarando com os olhos minúsculos e arregalados?!

Hi-hirzen-Kun… — Ele gaguejou comicamente, a boca aberta em um perfeito "O", enquanto apontava o indicador minúsculo e gorducho para os rostos repentinamente suados de Naruto e Sasuke – Q-Quem são esses gatinhos?!

Hiruzen apenas suspirou, repentinamente cansado:

—São os gennins…

—Por Izanami!— Seiji gritou ainda encarando os rostos de Naruto e Sasuke – Esses rostos… as feições esbeltas… os olhos… eles são… simples e simetricamente perfect!

Sakura trincou os dentes, indignada.

—Eu também estou aqui! – Ela protestou.

Seiji apenas lhe dispensou um olhar de profundo desagrado e nojo, como se ela fosse começar a menstruar pela boca a qualquer momento, e apontou acusatoriamente para o rosto dela.

—Eu odeio garotas! — Logo depois, com um sorriso completamente forçado, voltou-se para Naruto e Sasuke, que, ao verem o brilho estranho nos olhos escuros de Seiji, repentinamente sentiram um arrepio atravessar as suas espinhas.

—Seiji-san… isso foi muito rude… — Kaneko murmurou, com os olhos verdes faiscando levemente de irritação, embora o seu rosto parecesse indiferente como sempre.

—Mas é a verdade, não é? – Seiji murmurou, passando os dedos gorduchos nos cabelos escuros e arrepiados, sem desviar o olhar de Naruto e Sasuke – eu odeio garotas… e você sabe muito bem disso…

Kaneko apenas suspirou, antes de estender a mão para Sakura.

—Não se preocupe, garota… venha comigo que eu vou tirar as suas medidas, tudo bem? – Naruto sabia que Kaneko havia se esforçado ao máximo para soar reconfortante, mas era óbvio que ela não era boa em animar garotas… ou qualquer outro tipo de pessoa.

Sakura apenas assentiu lentamente, antes de, hesitantemente, agarrou a mão de Kaneko. Cuidadosa como se estivesse tocando uma besta feroz. E então eles observaram elas desaparecerem atrás de uma outra porta.

Seiji pigarreou forçadamente.

-Então gatinhos… -Os seus lábios se repuxaram lentamente, em um sorrisinho — como vocês se chamam?!

Naruto crispou as sobrancelhas de um jeito completamente confuso e Sasuke apenas estalou a língua.

Ao ver as expressões dos gennins, Hiruzen apenas deu um sorriso fraco.

—Naruto… Sasuke… vocês se lembram do que nós combinamos…?

Eles suspiraram, antes de assentirem.

—Uzumaki Naruto…

—Uchiha Sasuke…

Seiji meneou a gorducha e rechonchuda cabeça positivamente, feliz como se tivesse ganhado doces.

—Certo. Eu sou Seiji Yen. O vosso estilista. Agora… podem tirar as roupas… gatinhos…

Naruto franziu o cenho. Completamente confuso.

—O… quê?

—As roupas. Tirem-nas.

—Porquê?

—Isso não é óbvio?! – Seiji soltou mais um risinho — Como vocês acham que eu vou tirar as vossas medidas?!

Um lampejo de compreensão passou pelas feições de Naruto. Ele relaxou os músculos e, com um profundo suspiro, estava prestes a tirar a camiseta com capuz que ele estava usando, quando se apercebeu de algo…

Era impressão sua ou aquele tal de Seiji estava demasiado animado?! Será que ele… não, não podia ser… ou podia?! Ele disse que odiava garotas… e as suas roupas eram um tanto… excêntricas… Naruto arregalou os olhos, reconhecendo todos os claros sinais… é definitivamente ele era…

Antes que ele concluísse o pensamento, Naruto olhou repentinamente para Hiruzen. Muito assustado. Nem fudendo ele ia ficar nu na presença daquele cara! Ele lhe provocava arrepios. Nem mesmo Zabuza, ou Tobirama (às vezes), ou a Kyuubi, ou fantasmas (sim, ele ainda acreditava que existiam) o assustavam tanto…

—Olhe Velhote… eu…

Como se lendo os seus pensamentos, Hiruzen o interrompeu.

—Naruto… você ainda se lembra das palavras do Daimyou-Sama?

Naruto assentiu, repentinamente confuso e…nauseado. A simples menção daquele nome ainda trazia o nauseante cheiro de rosas e sangue de volta para o seu nariz. "Não me decepcione, garoto, eu estou apostando em você…"

—Então… -O Hokage continuou- a essa altura, o que você acha que aconteceria se você simplesmente desistisse?

Naruto congelou. E repentinamente não teve nem coragem de proferir os pensamentos incrivelmente obscuros e nauseantes que estavam se formando na sua mente….

Ele sendo destituído do posto de Shinobi e voltando para a Academia com uma dispensa incrivelmente vergonhosa, ou ele sendo jogado em uma fria e escura cela…para sempre, ou talvez o pior, ver o Daimyou punindo todas as pessoas com quem ele se importava… Hiruzen, Iruka, Hinata, Ayame, Teuchi, Kakashi, Sasuke e… Sakura…. Naruto se assustou particularmente com aquele último pensamento… quando é que ele, o "garoto-raposa" havia passado de solitário e indiferente Jinchuuriki, para um Shinobi normal e com pessoas a proteger?! E então ele se lembrou e finalmente entendeu as palavras de Tobirama… O Amor leva ao caos, não à felicidade…

—Está bem… — Foi tudo que ele murmurou, com uma expressão repentinamente dura e indiferente no rosto, como se tivesse sido esculpido em mármore.

Seiji sorriu, um tanto lascivo.

—Perfect! Gatinho…

E assim, Naruto e Sasuke apenas se entreolharam, antes de suspirarem, e começarem a se desprover das suas roupas, até ficarem apenas com as roupas interiores. Eles ainda tinham uma dignidade a manter no final das contas…

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Ele, muito sinceramente, não gostava daquilo. Ele achava aquilo completamente desnecessário e... Humilhante. Ele só estava tirando as suas medidas. Não era realmente necessário ele tirar as roupas. Mas ele sentia que aquilo era um simples lembrete para ele, uma forma de lembrá-lo de quem realmente mandava e, só por meio das dúvidas, quem é que deviera se prostrar de joelhos. Eu estou apostando em você. Ele quase ouvia a voz fina e doentia do Daimyou sussurrando. Maldita hora em que ele foi abrir a boca!

Pelo lado positivo: ele não estava inteiramente nu. Ainda tinha a sua roupa interior… Apesar de que…

Com a pele quase completamente nua ele se sentia estranhamente… exposto e vulnerável. Como se derrubassem as paredes que ele havia colocado sobre si. Mas ele decidiu obedecer a promessa que havia feito para o Sandaime, e nem uma única ofensa cruzou os seus lábios. Ele não falou absolutamente nada, ou tampouco reclamou. Naruto apenas construiu uma assustadora expressão de indiferença no rosto, e o deixou fazer o seu trabalho, sempre com a imagem deles passando na sua mente. Ele ainda continuava se perguntando como e quando é que ele passou a ter tantas pessoas preciosas para si… não era de todo mal… mas ainda assim…

Enquanto ele tentava, à todo custo, relaxar os seus músculos – ou caso contrário, quebraria o pescoço de uma certa pessoa- Seiji usou uma fita métrica e tirou as medidas dos seus braços, do seu tronco, das suas pernas e até dos seus pés. Depois de um longo tempo, Seiji se afastou e depois de acariciar a sua barbicha ridícula, pegou o seu caderninho e a sua caneta rosa-brilhante, e anotou as suas medidas.

—Hum… 1, 61 m de altura… — Ele soltou uma risadinha incrivelmente esfuziante e irritante, enquanto escrevia no caderninho fervorosamente — És bem esticadinho pra tua idade, né?

Naruto apenas tencionou a mandíbula, mas aquela foi a máxima reacção que ele esboçou. Ele desviou o seu olhar daquela figurinha irritante e analisou o quarto em que eles haviam entrado. Era… bonitinho. Não era bonito, apenas… bonitinho. Piso de mármore, uma cama de casal, uma janela aberta -por onde entrava a luz do sol- e, por fim, paredes completamente brancas, duras e inexpressivas. Assim como eu, ele pensou.

Depois de mais alguns minutos de tortura, em que Seiji apenas ficou olhando fixa e doentiamente para o seu corpo, o estilista por fim suspirou, um tanto teatral:

—Você foi muito bem gatinho. – Ele soltou mais uma risadinha irritante, e Naruto teve que lutar, bravamente, contra o tentador e crescente desejo de quebrar o seu pescoço minúsculo e gorducho. Seria incrivelmente fácil… apenas um movimento suave… com um pouquinho de pressão na nuca e um giro… ridiculamente fácil… tão fácil que nem seria justo… — pois bem… você pode chamar o seu amiguinho

Naruto piscou os seus cílios longos e dourados, como se estivesse despertando de um sono particularmente profundo, e apenas assentiu, antes de murmurar um estóico:

—Hai…

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—Então, como foi?

Ao ver o olhar particularmente temeroso no rosto de Sasuke, Naruto apenas suspirou, enquanto terminava de colocar a sua camisa.

—Desafiador e irritante.

Sasuke apenas abriu a boca, prestes a dizer alguma coisa, mas depois ele simplesmente suspirou e assentiu, completamente forçado.

—Um conselho?

—Não fale nada. E… tente não matá-lo…

O Uchiha suspirou, antes de assumir a sua costumeira expressão de indiferença.

—Vou tentar…

Naruto deu um aceno pra Sasuke, em um gesto amigável, antes de caminhar e se jogar pesadamente no sofá. Ele fechou os olhos e tentou relaxar as suas feições…Ele sempre levava um bom tempo para se desfazer de uma máscara e vestir outra… Não demorou nem um segundo, e ele sentiu o familiar cheiro do Sandaime se aproximar de si. Tabaco, loção para barbear e mais alguma coisa estranhamente doce e melosa, que sempre arrancava um sorriso seu, mas ele não conseguia nomear o que era… seria aquilo o cheiro do amor incondicional?!

Ele ouviu o Sandaime pigarrear.

—Naruto-Kun… — Naruto entreabriu lentamente os olhos- Eu… quero conversar com você…

Naruto suspirou de uma forma longa, antes de assentir lentamente.

—Está bem…

—Mas não aqui. – Naruto franziu o cenho — Na minha sala…

—Do que se…- uma sombra de compreensão passou pelo seu rosto — ah, sim, é sobre os meus pais...

-Em parte sim… mas tem uma outra coisa…

—Que coisa?

—Como eu já disse: vamos conversar na minha sala.

—Está bem… -ele murmurou, se levantando- Mas… A Sakura e o Sasuke… eles…

—Eles vão ficar bem. Afinal, são Shinobis, não?

Naruto abriu a boca, mas nenhum som saiu. É… o Sandaime estava certo…

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O caminho de volta para a sala do Hokage foi incrivelmente silencioso. Em parte por Naruto não fazer a mínima ideia do que dizer, e em parte pelos seus pensamentos estarem à milhas dali. Afinal… o que é que o Sandaime quereria falar com ele?! Ele esperava que não fosse nada grave… mas ele sabia que, naturalmente, a sua vida tinha uma tendência estranha de dar para o torto… Ele interrompeu aqueles pensamentos, no exacto instante em que entraram na sala do Hokage.

A curiosidade de Naruto aumentou ainda mais, quando ele viu o Sandaime fechar a porta e colocar um complexo selo na sala. Os olhos de Naruto, percorreram, muito maravilhados, os Kanjis escarlates cravados nas paredes. Na porta. E no assoalho polido. Eram selos de contenção de sons. Assim, ninguém que estivesse fora da sala, conseguiria ouvir o que quer que fosse que o Sandaime tivesse para lhe dizer.

O Hokage caminhou até a sua secretária e sentou na sua muito confortável poltrona. Ele fez um gesto para que Naruto sentasse no sofá no canto da sala, mas Naruto apenas balançou a cabeça e continuou em pé, bem no meio da sala.

Com um estranho suspiro, o Sandaime abriu um compartimento secreto da sua mesa, e puxou um saquinho de ervas e dois cachimbos.

—Você quer? – O Sandaime estendeu um dos cachimbos para Naruto, e ele apenas franziu o cenho.

—Eu tenho doze anos…

Uma sombra de compreensão passou pelo rosto enrugado do Sandaime. Ele abriu o saquinho de ervas e despejou uma pequena quantidade no fornilho do cachimbo. Concentrando chakra Katon nos pulmões, ele acendeu o cachimbo com um pequeno sopro.

—Ah, é claro. Como eu pude me esquecer? – Ele soltou uma risada sem graça, antes de dar uma profunda e pensativa tragada – Mas é que, às vezes, eu consigo notar a dor e melancolia nos seus olhos… e a frieza nas suas feições… algo deveras incomum na sua idade… você parece muito mais velho… e cansado…

Naruto abriu a boca, mas nenhum som saiu. O que é que ele deveria dizer?!

—Mas enfim…como os tempos mudam… -O Sandaime continuou, pensativo como se estivesse falando consigo mesmo- na minha época, eu tinha mais ou menos a sua idade quando o Nidaime-Sensei me levou pra fumar o meu primeiro cachimbo… e também, foi com essa idade que eu beijei pela primeira vez uma garota… até hoje não consigo esquecer o gosto de dangos que a boca da Aori-Chan tinha… ah, como eu amava aquela garota…

—Você… casou com ela?

Os olhos do Sandaime, assim como as suas feições, pareceram genuinamente confusos por um instante, mas depois uma sombra de compreensão passou pelo seu rosto.

—Ah, não, não. Ela morreu algumas semanas depois, no Shiren Shōkan…

—Eu… me desculpe.

—Tudo bem. Foi há setenta e cinco anos atrás.

—Mas ela foi o seu primeiro amor…

—Isso é verdade. – O Sandaime murmurou, surpreso como se aquela fosse a primeira vez que ele escutasse aquilo — Mas eu me contento por, pelo menos, tê-la beijado antes de… bem você entendeu. – Ele deu um sorriso fraco — E você Naruto-Kun?

—Eu o quê?

—Você… ama alguém?

Naruto ficou realmente surpreso pela pergunta do Sandaime.

—Não… — Ele murmurou cauteloso, antes de sorrir fracamente — Felizmente, meu único e verdadeiro amor continua sendo eu mesmo…

—Então… — O Sandaime sorriu abertamente. — Você não tem que lidar com coisas como a rejeição…

—Na verdade – Naruto sorriu – Às vezes eu mesmo me rejeito. Só para manter as coisas desafiadoras e interessantes…

O Hokage sorriu novamente, dessa vez um tanto triste.

—É uma pena… é um sentimento realmente arrebatador. — Naruto franziu o cenho, se lembrando das palavras de Tobirama: O Amor leva ao caos, não à felicidade…- Dizem que é melhor estar triste, com amor, do que alegre sem ele…

Naruto desviou o olhar repentinamente desconfortável. Durou apenas um segundo, mas os olhos afiados do Sandaime conseguiram notar a rigidez do movimento, antes de Naruto voltar à costumeira expressão afiada e presunçosa.

—Velhote… você não me chamou para termos uma conversa emo, pois não? – E acrescentou, com um sorriso, quando viu o Sandaime prestes a dizer alguma coisa — Por que se esse fosse realmente o caso, já basta o fato de eu estar no mesmo time que Sasuke. – Ele riu — Ele é incrivelmente emo e meloso...

—Ah, não, não. É claro que não.

—Fico feliz por isso.

O Sandaime apenas assentiu, antes de sorrir, um tanto nostálgico.

—Peço que me desculpe. Eu o chamei aqui para discutirmos algo sério, e eu meio que acabei divagando. E você, muito provavelmente, não deve querer ouvir as divagações de um velho como eu, não?

—Você não é tão velho assim…

—Eu tenho oitenta e oito anos.

—Credo.

O Hokage sorriu, novamente. Antes de a sua expressão boba cair para uma séria e profunda. Naruto apenas conteu um suspiro… lá estava o Sandaime fazendo aquilo novamente… desmanchando uma máscara e assumindo outra…. Naruto, que sempre se escondia por detrás de centenas de facetas, realmente odiava aquilo… às vezes era difícil se lembrar de como devia agir… ou o que devia dizer… Shinobis… são incrivelmente falsos e astutos. Então…quando foi que… quando foi que eu me tornei um Shinobi?

Ele sorriu, tristemente, com esses pensamentos.

O Sandaime olhou para ele com uma intensidade assustadora, antes de suspirar e pegar o seu cachimbo – há muito abandonado sobre a mesa — e dar uma profunda tragada. Imediatamente os seus olhos se fecharam e a sua postura relaxou… aquilo era incrivelmente bom. Tão bom quanto a sensação dos seus músculos relaxando em um banho, quando em contacto com a água quente, ou tão bom quanto um orgasmo particularmente prazeroso… falando em orgasmo… já fazia um bom tempo que ele não… bem, deu pra entender…

Se recuperando do torpor, ele abriu um compartimento sob a sua mesa e puxou um grosso caderno. A capa era preta e de couro, e podia se ler, em letras vermelhas, enormes e brilhantes: BINGO BOOK.

—Você sabe o que é isso? – O Sandaime perguntou, enquanto deixava o caderno cair, pesadamente, sobre a mesa.

—Sim…- Naruto assentiu, parecendo confuso – É o Bingo Book. O livro que contém as informações sobre os mais poderosos e perigosos Shinobis do continente. Nukenins ou não.

—Precisamente…

—Porque o senhor está me mostrando isso?

O Sandaime suspirou.

—Abra a página número cento e oitenta…

Naruto crispou as sobrancelhas, mas aquela foi a máxima reacção que esboçou. Ele pegou o livro e começou a folheá-lo, distraidamente. Centenas de rostos passando pelos seus olhos velozes. Shinobis, com habilidades e recompensas incrivelmente absurdas e ridículas. De vez em quando, ele gravava um determinado rosto ou nome, até que… ele o viu…

Um dos maiores Nukenins da história de Konoha. Ficando apenas atrás de Uchiha Madara e Orochimaru. Era Uchiha Itachi. O irmão mais velho de Sasuke. O garoto que, com apenas treze anos, retalhou todo o seu clã.

A foto no topo da página mostrava um garoto com não mais que treze anos, usando um uniforme da ANBU. Logo abaixo da foto havia uma lista das suas habilidades, que eram um tanto absurdas, isso sem falar da recompensa pela sua cabeça…. Eram tantos zeros… O suficiente para deixar a vida Shinobi e gozar de uma reforma ostentosa e boémia… Naruto sabia que deveria estar no seu melhor para poder enfrentá-lo em um combate… e ainda assim, ele duvidava seriamente que conseguiria sobreviver em uma luta contra aquele monstro…

Mas então, ele arregalou completamente os olhos quando abriu uma das últimas páginas. A cento e oitenta. Aquilo… Aquilo não podia ser real! Simplesmente não podia! Havia uma foto sua no canto superior direito, e em seguida, um monte de descrições sobre si. Ele teve que forçar os seus olhos completamente arregalados, para conseguir compreender o significado daquelas palavras:

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Bingo Book. Edição #76389.

Nome: Uzumaki Naruto.

Idade: 12 anos.

Vila: Konohagakure.

###Habilidades:

Taijutsu: S; Kenjutsu: S; Ninjutsu: A; Genjutsu: B; Fuuinjutsu: D;

Rank: S

#Outras Informações:

Ele graduou-se como o melhor aluno da sua série. Com uma pontuação superior a do Yondaime Hokage e de Uchiha Itachi. A sua perícia em Kenjutsu é, talvez, a sua melhor capacidade. O seu nível em Kenjutsu foi classificado como insano. Inclusive, foi o suficiente para assassinar Momochi Zabuza, um dos sete espadachins da névoa. A sua velocidade é assombrosa e o seu Ninjutsu é deveras prodigioso. Além de que, ele possui uma das maiores reservas de Chakra do continente e um acelerado factor de cura.

“É necessário extrema cautela. Nada menos do que um esquadrão ANBU conseguiria derrotá-lo em uma luta.”

Recompensa: 45. 000. 000. De Ryous. (+ 10.000.000 se o capturar vivo).

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Naruto sentiu os seus olhos se esbugalharem.

—E-Eu não… — Ele não fazia a mínima ideia do que dizer. Deveria se desculpar?! Chorar?! Ou dar pulos de festejo?! Por fim, suspirou – me desculpe…

O Sandaime suspirou, antes de dar um sorriso gentil.

—Yare, Yare… essas coisas acontecem…. Você é um Shinobi, não? E se é tão forte quanto… -ele pareceu pensar por um instante- o livro diz…Uma hora ou outra o seu nome sairia…

—Mas eu não fiz nada de errado…

—Na verdade… — fez sim…

—O quê?

—Você matou Momochi Zabuza… – O Sandaime forçou a sua voz a soar um pouco repreensiva, mas Naruto conseguiu notar o grande orgulho mesclado — Um Nukenin rank A…

—Mas eu estava apenas protegendo os meus companheiros…

—Eu sei… mas isso não deixa de ser um feito digno de nota… um gennin matar um espadachim lendário?! Isso é algo que, se me permite dizer, foi insanamente genial… mas Iwa não gosta de garotos geniais e perigosos, especialmente quando esse garoto é um gennin de Konoha…

—Iwa?

O Sandaime deu uma forte trincada no seu cachimbo, exibindo os caninos brancos e afiados, como puro marfim … mesmo depois de tantos anos, aquele ainda era um hábito prazeroso e difícil de largar…

—Ah sim. Foram eles quem…. Bem, você entendeu…

—Mas eu nem sequer…- E então ele sentiu o seu cérebro se lembrando…

O Boku-Chan era um Jounnin em Iwa… mas mesmo assim, você conseguiu derrotá-lo com uma facilidade assustadora…” É… ele sabia quem estava por detrás daquilo… Satori.

O Hokage sorriu.

—Pela sua cara eu aposto que você acabou de lembrar quem foi que atraiçoou você… -Naruto assentiu, e o Sandaime apenas deu mais uma profunda tragada no seu cachimbo – agora a sua vida ficou incrivelmente complicada… você terá que ter o triplo de cuidado nas missões…

—Eu sei….

—Isso sem falar do Shiren Shōkan…

—O quê?

—Oh, você não percebeu? Agora praticamente todos os seus adversários acabam de saber o nível de suas habilidades… você não conseguirá passar despercebido…

—Merda…

—Mas enfim… foi, em parte, por essa razão que eu chamei você aqui…

—Qual é a outra?!

—Fique calmo… nós já vamos chegar lá… conforme eu ia dizendo… as suas chances de vencer acabaram de descer uns trinta por cento… é como se você estivesse com um alvo enorme pintado nas costas… mas é claro, agora é que vem a parte divertida: eu tenho a solução para os seus problemas…

Naruto apertou os olhos.

—O… quê?

O Sandaime se levantou, com um sorriso enorme no rosto, e caminhou até a parede, onde havia os retratos enfileirados de todos os Hokages de Konoha… Inclusive, Namikaze Minato, o seu pai…

Sorrindo, o Hokage afastou o retrato de Minato da parede. Naruto arfou. Havia um conjunto de selos circulares cravados na superfície amarelada da parede, eram de uma cor negra e com o modesto conhecimento que ele tinha sobre Fuuinjutsu, Naruto percebeu que eram selos de armazenamento, provavelmente do clã Uzumaki.

—Isso é… o que eu penso que é?

—Hai… — O Sandaime assentiu – é um selo de armazenamento. E nele está a herança do seu pai… e da sua mãe também… eles me fizeram prometer que eu deveria te entregar quando você se formasse na Academia… mas eu meio que me esqueci… devo estar ficando realmente velho…merda… -ele soltou um risinho sem graça- mas enfim, como você bem sabe, esse é um selo leitor de sangue… ou seja…

—Necessita do meu sangue para abrir…

—Precisamente… você sabe um pouco sobre Fuuinjutsu… quem diria, hein?! – Ele sorriu, antes de se afastar um pouco da parede – enfim… vá… pode abrir…

Naruto assentiu, um pouco temeroso… ele caminhou, lentamente, até a parede. Quando o seu rosto estava há praticamente centímetros da parede, deu uma pequena mordida no seu polegar e passou o sangue no selo. O resultado foi imediato. O selo brilhou em vermelho-vivo e a superfície amarelada da parede ondulou ligeiramente.

—Você tem que enfiar a sua mão…

Naruto crispou as sobrancelhas em descrença, mas no fim acabou por soltar um pequeno suspiro… ele, hesitantemente, “enfiou” a sua mão na parede… a superfície ondulou, como se estivesse enfiando a sua mão em uma banheira de água… a sensação que ele tinha era… estranha…. E boa. Ele sentia a sua mão gelada e estranhamente flutuante, como se estivesse dentro de um lago congelado… ele continuou enfiando a sua mão, até metade do seu braço estar “dentro” da parede… e foi então que ele sentiu os seus dedos se fecharem em torno de algo liso e cilíndrico… como um rolo de pergaminho. Ele “puxou” o seu braço, e então pode finalmente ver o pequeno pergaminho na sua mão… era…

—Minúsculo… -Naruto murmurou, encarando o pequeno e escarlate pergaminho na sua mão- é minúsculo…

O Sandaime sorriu, um pouco sem graça.

—Dizem que tamanho não é documento… -Naruto olhou para o Hokage como se não tivesse entendido o que ele dissera- Mas isso não importa realmente…. Dentro desse… pergaminho estão selados diversos outros pergaminhos, contendo os bens matérias dos seus progenitores. E assim como o selo na parede, necessita do seu sangue para abrir… bom na verdade, tem mais uma pessoa que pode abri-lo, mas isso não vem ao acaso no momento…

—Olhe… eu entendo que essa “herança” seja realmente incrível… mas eu não percebo “como” é que isso vai me ajudar…

—Na verdade é muito simples… O seu pai e a sua mãe deixaram pergaminhos contendo os seus jutsus… e as instruções de como realizá-los…

-Ah… certo… -Naruto deu de ombros- mas eu não sei se…

—Se o quê?

—Nada…

Naruto viu o Hokage suspirar.

—Naruto, você sabe que pode me contar o que quiser…

Naruto assentiu, quando viu o olhar penetrante e afiado do Hokage. Por detrás de toda aquela intensidade, ele podia ver o carinho e o amor incondicional que ele sentia por si… aquilo… aquilo era bom, não?! Naruto, com um simples selo de mão, fez o pergaminho desaparecer, antes de murmurar:

—O meu pai… como ele era?

Hiruzen caminhou novamente até a sua poltrona, e deixou o seu corpo cair, pesadamente, sobre o assento confortável e de couro… Ele deu uma tragada no cachimbo no canto da sua boca e ficou um bom tempo em silêncio, enquanto encarava o nada em específico… por fim, suspirou…

-O Minato? –Naruto assentiu- genial. Simplesmente… genial. Em toda minha vida como Shinobi, nunca conheci ninguém tão talentoso e prodigioso como ele. Não… espera… talvez uma pessoa… mas isso não interessa… Minato era, em todos os sentidos possíveis, incomum. Desde criança, era inteligente. Criativo. Determinado. E veloz. Muito veloz. Um verdadeiro génio em batalha. Apenas a sua presença conseguia mudar o rumo de uma batalha. E nenhum inimigo conseguia resisti-lo. Foi uma pena ele ter morrido tão jovem… poderia se tornar ainda mais forte…

Naruto suspirou.

—Não é isso… eu não quero saber as suas habilidades. O que eu quero saber é: como é que ele era como pessoa?!

—Ah… me desculpe. Bem… ele era… ele era… determinado e… um pouco intenso… ou será deseixado?! Bem… olhe eu não faço, realmente, a mínima ideia de como ele era, a não ser em batalha… nunca conversamos muito… o único que pode realmente te responder isso seria Jyraia…

—Quem é esse?

—O Sennin dos Sapos… mas como ele não está aqui… eu acho que seria melhor se você especificasse o que realmente quer saber…

Naruto suspirou, antes de assentir.

—Segundo o Kakashi-Sensei, meu pai venceu o terceiro Shiren Shōkan… e para isso ele… ele matou a maior parte dos gennins…

Uma sombra pesada passou pelas feições do Sandaime.

—Ah eu me lembro desse Shiren Shōkan… eu, particularmente, não gostei desse… foi muito violento. Não tanto quanto o primeiro mas… foi quase tão horrível… todas aquelas crianças em uma ilha abandonada… foi um show dos horrores… em questão de horas a água do mar ficou escarlate… e até hoje continua assim…

—O que aconteceu?

—O que sempre acontece no Shiren Shōkan… mortes. Na altura o seu pai deveria ter a sua idade… e foi realmente uma surpresa quando ele se provou capaz de assassinar gennins com o dobro do seu tamanho e experiência. Ninguém estava prestando muita atenção a ele… era apenas um garotinho loiro e magricela… Mas ele era inteligente e criativo... E soube usar bem essa vantagem nas batalhas, assim como a sua velocidade insana. E em questão de dias... ele assassinou mais de trinta gennins… e só então os outros participantes se aperceberam que era ele quem deveria ser morto… Foi esse evento que lhe rendeu o apelido de relâmpago dourado… você devia ter visto… ele era como um relâmpago dançando ao redor dos adversários, e o som crepitante de cada Trovão, vinha acompanhado com o grito ensurdecedor da própria morte…

—Ele… matou Shinobis de Konoha?

—Matou. — A rapidez com que o Sandaime respondeu o assustou. — Mas… foi por não ter escolhas... Ele foi traído por seus companheiros. Se eu bem me lembro, eles tentaram cortar a sua garganta enquanto ele dormia… quando, supostamente, eles deveriam estar vigiando o acampamento… ele os matou. Sem sequer hesitar… mas ao menos, ele teve a decência de enterrar os corpos, entalhar palavras bonitas em suas lápides de pedra e ainda cobri-los de flores… aquilo realmente surpreendeu o público e os Daimyous… Um perfeito paradoxo. Uma amostra de que… apesar de ter os degolados… ele ainda os amava profundamente… ele até chorou! foi realmente bonito… mas não tanto quanto os próximos dias… ele estava tão raivoso que, praticamente, fatiou outros vinte Shinobis… em apenas dois dias…

Naruto estava atónito e horrorizado. Mas sobretudo horrorizado. Ele sabia que o seu pai havia matado outros gennins… mas os próprios companheiros de equipe?! Ele não conseguia se imaginar matando Sasuke e Sakura… simplesmente não conseguia! Mas o seu pai havia feito aquilo… havia matado os seus companheiros… quão difícil aquilo deve ter sido?! Matar os melhores amigos… e então ele entendeu o quão cruel o Shiren Shōkan era…

—Isso… isso é horrível…

—Eu sei… eu sei…

Naruto sentia o seu estômago se embrulhando… mas ainda assim… tinha uma coisa que ele queria saber…

—Velhote… o senhor disse que o primeiro Shiren Shōkan foi o pior… porquê?

Como se fosse possível, os olhos do Sandaime escureceram ainda mais e a sua expressão se tornou mais profunda e marcada…

—Porque… dentre as centenas de gennins que participaram… apenas um sobreviveu…

Notas finais
#################### Como eu disse, essa é uma parte de um capítulo ainda maior, e por isso já tenho outra parte pronta. Quando eu vou postar? Isso depende do tempo que eu vou levar para passar aquele textao a pente fino… retirar a sujeira e deixar apenas as partes que prestam kkk… mas não sei quando terei tempo pra isso… (tenho que estudar para 3 provas. Eu sei que é foda…) mas não deve demorar nem uma semana… é isso ai… comentem povinho… a meu ver, a melhor parte de escrever um capítulo, é ler as vossas opiniões… ################################