Notas iniciais
Heeei! Obrigada pelos reviews! Espero que estejam gostando! E ahn, uma coisa que eu esqueci de adicionar! Às vezes eu sou meio desbocada, então... No decorrer da fic não se assustem com a quantidade de palavrões que irão surgir!
Enfim, boa leitura!

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Nada como uma boa caminhada logo pela manhã cinzenta e fria de Karakura. Kuchiki Rukia segurava um copo de café-com-leite desnatado em uma mão, assoprando a cada cinco minutos o líquido ali dentro, enquanto lia ‘Babás Iniciantes’. Carregava mais uma sacola no antebraço cheia desses livros de auto-ajuda, motivo pelo qual havia acordado cedo. Estava realmente dedicada ao seu novo trabalho.

Mentira.

Acordou cedo para levar Ichigo até a escola, mesmo que de contragosto do próprio. Era seu trabalho afinal, assegurar-se de que ele estava lá dentro. O primeiro encontro com ele no dia anterior não foi um dos melhores. Ichigo era arrogante demais para o seu gosto.

Primeiro conselho: Descubra mais sobre a criança que vai cuidar. Tente procurar o máximo de informações, por exemplo, o que gosta de comer, os horários que vai dormir, o que gosta de fazer no tempo livre. Adapte-se à vida dele.

Tá, talvez esses livros de auto-ajuda não fossem de tanta ajuda. Se existissem livros para babás de adolescente ficaria eternamente grata.
Descubra mais sobre a criança que vai cuidar:
um adolescente de 17 anos arrogante e infantil.
O que gosta de comer:
provavelmente qualquer coisa (qualquer coisa).
Os horários que vai dormir:
2h da manhã.
O que gosta de fazer no tempo livre:
Er... Imaginava o que gostava de fazer.
Adapte-se à vida dele:
ou seja, jogue todos os seus princípios no lixo.

Riu consigo mesma, e colocou o livro de volta a sacola, concentrando-se agora no café com leite. E só de pensar que ficou mais de quatro horas rodando aquele shopping atrás de uma livraria, suas pernas já começavam a latejar de dor. Já era meio dia, precisava voltar pra buscar Ichigo antes de ir para a casa dos Kurosaki.

Maravilha.

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-Por que está rindo? – quis saber o príncipe da KHS, penetrando-a com seus olhos cor de caramelo.

-Huh, não é nada. – Rukia mordeu o lábio, tentando se recompor. Evitou encará-lo; não gostava de ver muita pele exposta, e principalmente desse menino que lhe era familiar.

-Quem é você? – Ichigo se abaixou para pegar a camiseta jogada no chão, e a olhou dos pés a cabeça. Um vestidinho simples, cabelos curtos e um par de olhos bonitos. É, tinha que admitir, os olhos eram lindos. Mas nada tão diferente assim.

-Ichigo, meu filho! – Isshin apareceu no quarto empolgado como de costume, antes mesmo que Rukia pudesse responder-lhe algo.

No momento em que ouviu o nome, a morena sentiu os primeiros indícios de arrependimento. Huh, então era essa o adolescente, ou melhor, o inconseqüente de quem iria tomar conta?

Porra.

-Fico feliz que você já conhece nossa hóspede, Rukia-chan. – Kurosaki Isshin colocou as mãos nos ombros definidos de Ichigo, e por algum motivo, achou-o um pouco tenso.

-Nova hóspede? – como é?

Ficou fora só por algumas horas e quando volta já tem uma hóspede? Oi, alguém poderia lhe explicar o que está acontecendo? E por que essa nanica tinha que ficar no quarto ao lado do seu?

-Isso mesmo, Rukia-chan vai passar algumas temporadas aqui conosco. – afirmou, cautelosamente. – Arranjei um emprego pra ela.

-Hm, legal. – murmurou o ruivo sem muito interesse. Contanto que ela não lhe dirige-se a palavra, não havia problema.

Se virou para ir embora, porém Isshin o segurou onde estava.

-O que foi agora?

-Não quer saber o trabalho dela? – apontou para Rukia, que olhava os pés como se fossem a coisa mais interessante do mundo.

-Preciso? – pelo modo como soltou um suspiro, estava ficando irritado já. O que não era tão bom assim.

-Sim. – assegurou. – Rukia-chan vai trabalhar como babá.

Como se Yuzu e Karin não soubessem se cuidar.

-Vai ser a sua babá. – murmurou o patriarca dos Kurosaki e Ichigo não soube o som que saiu da garganta.

Como é que é?

Soltou um sorriso debochado, balançando a cabeça. Seu pai às vezes ultrapassava dos limites para fazer brincadeira. Tinha quase certeza de que ele era um velho esclerosado.

-Ichigo. – seu pai o chamou mais uma vez quando o mesmo já estava no corredor para ir ao seu quarto. – O trabalho dela começa a partir de amanhã.

Enrijeceu os ombros e parou de andar. É, talvez seu pai não estivesse brincado e talvez seu pai fosse mesmo um velho esclerosado. Com os dentes trincados, o nariz e o peito inflado, os olhos caramelos cintilando de raiva, virou-se para eles. É, não estavam brincando.

Foi até seu quarto e fechou a porta com força. Tanta força que quebrou a fechadura da droga da porta.

III

Com os olhos fechando a cada cinco minutos, Ichigo não resistiu e pousou a cabeça sobre o antebraço em cima da mesa. Estava na aula de literatura, e faltava muito para terminar. Sra. Nanao chegava a ser irritante quando começava a ler Lord Byron. Até que se identificava um pouco com o poeta britânico; ambos eram preguiçosos, e tinham qualquer garota aos seus pés.

Lord Byron não era tão bonito quanto ele.

Tá.

Aliás, por que estava nessa droga de aula?

Maldita babá. Odiava que alguém controlasse sua vida, quanto mais uma anã de jardim como aquela, que era só cinco anos mais velha que ele. E daí que ela era bonitinha? Tinha um gênio dos diabos, além de ser autoritária.

-Kurosaki, essa é a quinta vez que chamo a sua atenção. – o mesmo levantou o rosto levemente vermelho devido a pressão com que apoiava, e abriu um sorriso maroto para a professora; suspiros eram ouvidos por metade da sala de aula.

-Espero que sorria assim para a professora da sala de detenção. – abriu a porta, e fez menção para que o jovem se retirasse.

-Sem problemas. – se levantou sem pestanejar, pegou seu material jogado pela mesa e enfiou na mochila, que agora estava por cima dos ombros.

Nanao Ise, a professora mais certinha. Pelo que constava, ninguém sabia de nenhum podre seu, muito menos reclamações de alunos. Ouviu dizer que o professor de química, Shunsui Kyouraku, tinha uma paixão antiga por ela; desde os tempos de colegial.

Shunsui não era casado?

Ta aí a explicação dela parecer [ou simplesmente] ser mal comida.

lll

Enquanto o Sr. Urahara explicava sobre a revolução industrial, Matsumoto Rangiku estudava suas unhas meticulosamente para ver se o esmalte vermelho cintilante ainda estava em condições apresentáveis na primeira carteira da segunda fileira.

Matsumoto, a repetente da sala de aula. Três vezes. Diziam por aí que ela dormia com o diretor da escola; grande mentira. Dormia mesmo era com o coordenador. Até descobrir que o rapaz era casado.

-O trabalho deverá ser entregue semana que vem, e vai pesar na nota final do trimestre. – de onde a loira peituda estava, tinha uma boa visão dos músculos por debaixo da blusa que o professor a sua frente possuía. Sr. Urahara não era de todo um ruim; se tirasse esse chapéu brega da cabeça, talvez melhorasse sua aparência de drogado.

De rabo-de-olho, viu Shuuhei tatear as folhas rabiscadas de seu caderno com a mente divagando. Sabia o motivo por estar tão disperso assim.

Kawaguchi Reira, prima de segundo grau.

Rangiku deu graças a Deus que, na festa, Shuuhei estava chapado demais para tentar tomar satisfações com o príncipe dos cabelos alaranjados. Apesar de achar divertido tê-lo visto fazer sexo na piscina de Shuuhei com a prima dele, ela sabia que no fundo, as palavras de seu amigo chapado tinham algum valor.

Eu amo ela, Rangiku... Eu amo.’

Conheceu Reira há muito tempo atrás, quando ainda estavam no primeiro ano do colegial; havia ido fazer algum trabalho de escola da casa de Hisagi e por coincidência, a viu sair do quarto dele só com um lençol enrolado no corpo, tentando escapar despercebida. Sabia também que Reira não era do tipo que se apaixonava; só queria se divertir, aproveitar a vida. Apesar de ainda ter seus dezesseis anos.

Não podia culpar o príncipe por ser um garoto normal e ter pulado em cima de uma menina que tirou a roupa em frente a ele. Reira nunca quis nada com Hisagi, e de certa forma, isso deixava Rangiku abismada.

Um pouco decepcionada.

Se ao menos Hisagi tentasse fazer algum esforço para esquecê-la.

-Copiem o que está na lousa e me entreguem as questões feitas na próxima aula, e... Rangiku? – Sr. Urahara chamou-a com um tom de voz brincalhão.

-Sim?

-Seria bom se começasse a entregar seus trabalhos, ou... Vai ser mais um ano aqui comigo. – sorriu.

É, talvez mais um ano com ele não fosse tão ruim assim.

lV

Wow.

É, foi isso o que Ichigo pensou quando ao invés de encontrar a Sra. Kachi, uma professora substituta que estava no fim da carreira, com as raízes dos cabelos esbranquiçadas, as gorduras caindo para fora da calça e a blusa larga para disfarçar os quilos a mais; e viu o seu oposto.

Ou a Sra. Kachi havia finalmente conseguido juntar um bom dinheiro para fazer uma lipoaspiração, ou era uma nova professora que estava bem diante dele.

Ichigo preferiu ficar com a segunda opção, já que, mesmo que a Sra. Kachi fizesse algumas (leiam-se várias) cirurgias, ainda ia ser a Sra. Kachi de sempre.

Tradução: mesmo que fizesse mil cirurgias, não ia adiantar porcaria nenhuma.

-Qual o seu nome? – indagou com a voz doce a jovem professora sentada na mesa em frente à grande lousa. Os cabelos eram negros e bem curtos, a franja caia nos olhos grandes e verdes que tinha, deixando-a mais... Provocativa?

-Hm, Kurosaki Ichigo. – sorriu, após uma longa pausa e sentou-se bem em frente a ela. Afinal, era um aluno aplicado.

Haha, era uma piada?

-Meu nome é Katsumi Sayuri, e eu sou a nova professora. – Ichigo olhou a sua volta e percebeu que não era só ele que estava todo derretido por ela. E por ser sortudo demais, de onde estava, tinha uma bela visão de seus seios. Eram razoavelmente grandes, não tanto quanto os de Orihime, mas eram perfeitos para o corpo que dela. Suas pernas também eram longas e torneadas. Ah...!

-Hm, o que aconteceu com a professora Kachi? – perguntou algum individuo lá atrás que Kurosaki não fez a menor questão de se virar para poder ver quem era o infeliz.

-Ela se mudou para Osaka no fim de semana. Problemas de saúde... Coitada. – meneou a cabeça, com a tristeza estampada em seu rostinho delicado.

É, e quem disse que as aulas de detenção eram tão chatas assim?

V

Por que Inoue utilizou o azul ao invés do rosa na capa do trabalho de física estava além de sua compreensão. O azul era bem fraquinho, tinha de estreitar bem os olhos para poder tentar ler o que estava escrito. Era feio, lembrava a cor de sua calcinha na quarta série. Ou melhor, do segundo ano do colegial.

Suspirou chateada com o fracasso da cor no papel e mesmo assim entregou o trabalho ao Sr. Aizen.

-Muito bem classe, agora que todos vocês já entregaram os trabalhos, podem sair mais cedo.

Aizen Sousuke sempre foi o professor queridinho de todas as salas da KHS. Não tinha como odiá-lo; ele era gentil, bonzinho e educado demais. Não parecia nem um professor.

Tradução: não parecia ser tão mal comido como todos os outros.

Já do lado de fora da KHS, Inoue fora até o estacionamento e sentou-se em frente ao carro de Ichigo, esperando que ele pudesse lhe dar uma carona até sua casa, já que moravam perto um do outro. Não demorou muito tempo até o estacionamento lotar, e Shuuhei juntar-se a ela.

-Esperando pelo Ichigo? – perguntou o moreno, fitando o chão.

-É, eu estava pensando se ele podia dar uma carona até minha casa... Talvez ele não se importe. – Inoue sorriu, entrelaçando suas mãos.

Hisagi e todo mundo ali sabiam muito bem que Inoue nunca conseguiu suportar bem o fim do namoro. Naquele dia, Hisagi estava por perto quando ouviu Inoue chorar baixinho escondida debaixo da mesa dos professores, para que Ichigo não a visse. Nunca lhe contou isso, achou melhor deixar que pensasse estar sozinha; se soubesse que ele, Hisagi, esteve ali o tempo todo, iria se sentir mais humilhada do que já estava se sentindo pelo fora que levara.

-E você? – resolveu a ruiva perguntar.

Um tanto quanto idiota, já que Kurosaki Ichigo e Hisagi Shuuhei são melhores amigos desde que estavam na barriga de suas respectivas mães.

-Hm, sei lá. Por hábito, eu acho – soltou um suspiro.

Desde que Ichigo tirou sua carta da auto-escola dois anos atrás, sempre veio lhe pedir carona. Odiava caminhar, e pelo visto, sua mãe não liberava o motorista para ir buscá-lo e muito menos levá-lo para escola. O shopping era mais importante do que qualquer coisa para a Sra. Hisagi.

-Shuu-chan, — agradeça o apelido ridículo (mas que ele secretamente gostava) à Matsumoto Rangiku. – você sabe se, hm... Kurosaki-kun está...?

Inoue aumentou a força com que segurava suas duas mãos sobre as pernas cobertas por uma saia rosa cheia de babados que ganhou do irmão.

Por que as pessoas gostavam de sofrer era algo que realmente intrigava Shuuhei. E o pior era que ele mesmo fazia parte desses citados.

-Orihime... – disse num tom desaprovador. – você o conhece tanto quanto eu. Sabe que ele não namora. Só... Está se divertindo.

Se divertindo não era uma palavra que se encaixava corretamente no contexto. Apenas conveniente.

Quando viraram os rostos para o lado, viram uma figura diminuta caminhando até, pelo que aparentava, eles. Estava cheia de sacolas nas duas mãos, andando um pouco devagar devido ao peso dos livros, concluiu Shuuhei, observador como sempre.

Surpreenderam-se ainda mais quando esta parou bem em frente ao Audi TT prateado, abrindo a porta e jogando dentro dele todas as suas sacolas.

Rukia já estava cansada de carregar tanta sacola por mais ou menos uma hora. Se sua memória não fosse tão ruim, e não tivesse se perdido à caminho da escola, pouparia a dor que estava sentindo nas panturrilhas neste momento. E o tempo hoje, infelizmente, estava quente demais para o seu gosto. Limpando o suor que lhe escorria pelas têmporas, virou-se para procurar o motivo por que estava aqui. Em vez disso, deparou-se com dois pares de olhos surpresos fixados nela.

-Quem é você?

Vl

Colocando a mochila por cima do ombro esquerdo, Kurosaki saiu às pressas da sala de detenção assim que tocou o último sinal.

Sinceramente, odiava as salas de aula do primeiro andar. Além de todas elas serem um breu, eram pouco arejadas e tinham cheiro de mofo. Eca, odiava coisa com cheiro de mofo, lhe remetia à sua tia-avó quando usava um suéter de lã xadrez de cem anos atrás.

Ichigo decidiu então seguir atrás de seu objetivo, pelo qual saiu correndo. Precisava encontrar a Sra. Katsumi, pela qual ainda soltava suspiros.

Mas nesse momento, o único problema para ele, era o corredor, estreito demais para tantas pessoas, que chegava a ser impossível andar. E isso o irritava. Por mais que fosse alto, havia muitas pessoas tampando metade de sua visão, de modo que ficava nas pontas dos pés para ver a formosa professora substituta sentar-se em um dos bancos de madeira do lado de fora da escola.

Bagunçou levemente os cabelos alaranjados, e ajeitou a camisa branca do uniforme um pouco amassada, e relaxou também sua expressão de ‘sou-um-cara-durão’. Em que sentindo a palavra ‘durão’ se aplicava nem ele sabia.

-ICHIGO! – o próprio quase soltou um berro quando ouviu ser chamado por alguém.

Virou-se para procurar e viu uma mão grande agitar compulsivamente do outro lado do corredor, indicando para que parasse.

Tsc, a professora podia ficar para outro dia.

-O que quer, Shinji? – indagou sem muito ânimo o morango ao ver uma cabeleira loira agitar-se no ar.

-Isso lá é jeito de se falar com os amigos? – fingiu-se ofendido, mas Ichigo ignorou-o.

Hirako Shinji era mais um daqueles que gostavam de provocar e testar a paciência dele, mas como sempre, preferia ignorá-lo ao em vez de socar-lhe o rosto ou jogar uma tinta preta naqueles cabelos loiros descoloridos que lhe dava aflição.

Shinji era também do cômite de jornalismo da KHS, cujo ocupava o posto de editor-chefe; na maioria das vezes publicavam ladainhas desinteressantes e irrelevantes para aqueles alunos fofoqueiros que Ichigo mal aguentava.

Isso porque Ichigo na maioria das vezes encabeçava alguma coluna idiota.

-Que seja Shinji, o que quer? – Ichigo olhou novamente de relance para trás e a Sra. Katsumi já não estava mais lá, para sua infelicidade.

-Ara, por que está tão mal humorado hoje Ichi-kun? – Shinji apertou as bochechas do ruivo, com o intuito de irritá-lo. Pois bem, Ichigo agora estava irritado.

-Tsc, não toca nas minhas bochechas. – acariciou gentilmente as bochechas com movimentos circulares enquanto atravessavam o corredor em direção à saída. – E então, vai falar ou não por que tá aqui?

-Ah, ah. – Shinji abriu um largo sorriso, irritando o morango. – Ouvi as meninas do 2º B comentando sobre sua namorada estar te esperando no estacionamento.

QUÊ?

-Aquela desse tamanho. – o loiro indicou abaixando a mão até esta bater na cintura de Ichigo. – Etto, não sabia que agora você preferia as mais novas. – riu.

Desse tamanho...? Desse tamanho é uma-

-Rukia? Onde ela está? – Tarde demais pra fugir?

Vll

-Quem é você? – Orihime então decidiu que de repente, isso lhe intrigava.

Rukia, tomada pela surpresa, não conseguiu formular uma frase que não soasse tão cômica.

Oi, eu sou Kuchiki Rukia. A nova babá do Kurosaki, prazer.

-Qual seu nome? – Shuuhei agora decidiu que também queria saber. De alguma forma, aqueles olhos grandes azuis e cristalizados lhe eram agradáveis.

-Kuchiki... Kuchiki Rukia. – Rukia limitou-se a ficar com um sorriso quase invisível nos lábios rosados. E não, ela não estava tão curiosa assim para saber o nome dessas pessoas. Também por que não era do seu estilo falar muito. Só o essencial.

-Prazer Kuchiki-san! – para a surpresa dela, a ruiva lhe ofereceu a mão com um grande sorriso, indo de uma orelha a outra. – Meu nome é Inoue Orihime. – apontou pra si mesma após se cumprimentarem.

-E o meu é Hisagi Shuuhei. – adicionou o rapaz ao lado da menina feliz, com um tom acolhedor que agradou a babá. Pela pequena observação, Hisagi não era do tipo que falava muito. Vestia-se como qualquer jovem rico e descolado, e o rostinho bonito não podiam não ser notados.

-Então, Kuchiki-san, ainda não nos disse o que-

-Ô lenhadora de Bonsai, o que está fazendo aqui? – todos viraram os rostos para onde a voz rouca e irritada vinha.

Se não fosse pelo ‘lenhadora de bonsai’ pouco tempo atrás, Rukia podia ter admitido que Ichigo andando até ela todo irritado o deixava bonitinho. Entretanto, como sempre foi do perfil de um Kuchiki irritar-se facilmente com tudo, o bonitinho havia virado horroroso.

-Kurosaki! Não fale desse jeito com a Ru-chan! – Hisagi protestou, mostrando-se estar ao lado de Rukia.

Ru-chan?

-Kurosaki-kun, o Shuu-chan tem razão. – Orihime acrescentou sorrindo, e acenou de leve para Shinji, que estava bem atrás do ruivo. Este acenou de volta, sorrindo também.

-É, Kurosaki-kun, não devia falar assim com a sua babá. – ops...?

Filha de uma pu-

-Como é que é? – Shinji, o loiro atrás de Ichigo, foi o primeiro a questionar.

-Babá? – completou Shuuhei, mordendo o lábio para não rir na frente do tão ‘amigo de infância’.

-Kurosaki-kun...? – agora é que Inoue não sabia mesmo o que dizer.

-Argh! – grunhiu o ruivo, mexendo freneticamente nos cabelos. Tinha esse costume quando ficava nervoso. Parecia até um tique nervoso.

Todos então pararam por um segundo e esperaram por uma resposta coerente. Ou seja, um ‘não, ela só está brincando’.

-Anda, Kurosaki-kun. Vai deixar seus amigos esperando assim? – Rukia andou até ele, dando-lhe uma cotovelada de leve nas costelas.

Ichigo estava segurando seu ímpeto de esmagar aquela anã ao seu lado com todas as forças que tinha. Precisava ter dito na frente de todo mundo? Que agora tinha uma babá! Uma babá!

-Ok, eu explico. – tirou a mão de Shinji que estava em seu ombro e foi até o Audi TT prateado, abrindo a porta do carro. Era só o tempo de ele explicar, ligar o carro, e ir embora antes das risadas começarem. Fez um sinal discreto para que sua babá se juntasse a ele no carro, e dessa vez, ela pareceu não contrariá-lo.

Abrindo a janela do carro, praticamente cuspiu as palavras, de tão rápidas que elas saíram.

-Sim, ela é a babá que meu pai contratou pra mim, satisfeitos?

Ainda bem que o carro já não estava mais ali quando a sessão de risadas debochadas foram aumentando cada vez mais.

É, Ichigo... A vida não é tão perfeita assim.

VIII

-Fica longe do meu quarto. – avisou o ruivo quando bateu a porta consideravelmente forte.

Rukia suspirou, indo em direção ao seu quarto. Fez uma pequena trilha com as coisas que ia deixando jogadas no chão até sua cama. Ao deitar-se no colchão macio e cheiroso, permitiu-se soltar um gemido bem baixinho.

Ah, suas pernas latejavam. Não ia conseguir andar pelo resto da semana, e não, isso não é nada bom.

Rolando pela cama, pegou o primeiro livro de auto-ajuda da sacola. ‘Babás, o universo das fraudas’.

É, pelo título, não seria de tanta auto-ajuda.

Sem muita vontade, Rukia abriu o livro em qualquer página. Hmm, nada de interessante... Nada de-

Em um relacionamento entre uma babá e a criança é sempre importante que os dois não tenham a mesma mentalidade. Por exemplo, não adianta de nada continuar a cuidar de uma criança se não gosta do que faz. A criança também não vai gostar dela, e os dois acabam, sem perceberem, criando uma barreira entre eles. Além de competirem entre si para ver quem é que consegue irritar mais um ao outro.

Por isso, é importante saber que, a babá não deve se comportar igual a uma criança. Tem que sempre saber relevar, ser repreensiva (mas não demais) e saber os limites de suas ações.

Como toda babá [...]’

Tá, isso talvez fosse algo interessante.

Só um pouco, bem pouco.

Mas algo a fez refletir sobre suas ações anteriores. Estava agindo igualmente ou mais infantil do que Ichigo. Não deveria ter exposto a 'relação-babá-e-nenê' para os amigos do filho de Isshin. Muito menos querer se sobressair naquela disputa um tanto quanto desnecessária.

Rukia, o seu tempo foi.

Deixou para se redimir com o garoto segundos depois, após pensar claramente no que queria dizer. Foi no quarto do ruivo, procurá-lo. Bateu na porta pelo menos três vezes, mas o infeliz não queria ouvir.

Engolindo todo o constrangimento e orgulho que tinha, resolveu falar daquele jeito mesmo.

-Ichigo... Será que nós não podíamos dar uma trégua por enquanto...? Digo, eu sei que está sendo... — quando se deu conta de que a porta havia se aberto sozinha, quis praticamente engolir todas aquelas palavras.

A cama estava perfeitamente organizada, o uniforme da escola jogado no chão... E a janela escancarada.

Única coisa que sentiu no momento, além da raiva, foi o vento beijar-lhe as bochechas.

IX

Não conhecia Karakura muito bem, mas conseguia se virar o suficiente para procurar um adolescente problemático com cabelos bem chamativos. Nesse caso, o próprio já colaborava com o suficiente. Era como um 'sinal', daqueles que se usa quando está perdido.

Um hospital, um mercado e uma lojinha de livros velhos. É, Kurosaki Ichigo, filho do dono e médico do maior hospital da cidade e o príncipe da KHS, definitivamente não iria estar em nenhum desses lugares. Lá não tinha libertinagem, drogas e bebidas.

Sem esperanças preferiu ir comprar um chocolate; o melhor anti-depressivo que conseguiu pensar no momento. Já era o primeiro dia do trabalho e nem o conseguia fazer direito. Era completamente decepcionante.

Seu pai estaria desapontado com seu fracasso. Sua mãe, Hisana e Byakuya... Se é que já não estavam desapontados com Rukia desde o momento em que ocorreram fatos, que não vinham ao caso no momento, meses atrás na faculdade.

Saiu do mercado com uma caixa do seu favorito: chocolate branco com pedaços de cookies.

O dia praticamente já estava por seu fim, o sol estava se pondo aos poucos. Não era como se quando voltasse para casa Ichigo apareceria de repente em seu quarto, estudando ou fazendo qualquer coisa. Quer dizer, quase qualquer coisa.

-Ichigo, seu imbecil. — murmurou.

-Por que Kurosaki-kun é imbecil? — perguntou uma voz horrívelmente fina e talvez até conhecida.

Olhou para o lado, surpresa ao ver quem era. Aquela menina dos peitos enormes, uma das amigas de Ichigo. Como era seu nome mesmo...?

-Hmm, er-

-Se lembra de mim, Kuchiki-san? — apontou para o rosto. — Orihime, Inoue Orihime, amiga do Kurosaki-kun.

-Oh sim, claro. — forçou a sorrir. — Pode me chamar de Rukia, eu até prefiro.

-Como quiser Rukia-chan, desde que me chame de Orihime também. — sorriu como sempre.

Nesses menos de três segundos de conversa, Rukia pode perceber como a garota gostava de sorrir. Talvez ela... Talvez soubesse o paradeiro do infeliz-

-Orihime-chan... — indagou, com uma voz meiga incorporada apenas nos momentos necessários. — Por um acaso, você sabe onde o Kurosaki-kun está?

-Oh, — colocou o dedo indicador no queixo, com uma cara tão engraçadinha que Rukia sentiu vontade de rir. — acredito que não. Achei que tinha ido pra casa com você.

-É, mas... Você conhece Ichigo mais do que eu. — mordeu o lábio. — Deve saber que ele não está lidando muito bem com esse novo estilo de vida.

-Hmm... Kurosaki-kun sempre foi muito livre. — por algum motivo que intrigou Rukia,

Orihime já não sorria como antes. — Alguns pássaros preferem se refugiar em outros habitats, se é que me entende.

Não é só ele, Orihime-chan. Eu também... E por algum motivo, não sei por quanto tempo posso fazer parte disso.

-Sabe Kuchiki-san... — começou lentamente, e dessa vez, Rukia estava interessada em ouvir. — Kurosaki-kun e eu namorávamos dois anos atrás... Acredito que tenha sido a melhor época da minha vida... — Orihime apertou as mãos. — Tenho certeza de que... Nós éramos perfeitos. Perfeitos até demais... Nunca consegui entender Kurosaki-kun completamente... Ele nunca me deixou 'entrar' em sua vida totalmente.

Riu.

-Kurosaki-kun terminou comigo no meio daquele ano... Ainda não entendo o que aconteceu. O que o fez mudar, mas... Já não consigo mais acreditar que um dia Kurosaki-kun realmente gostou de mim... Como eu gosto dele.

-Orihime-chan... — Rukia pôs sua mão gentilmente sobre o ombro da ruiva e tentou lhe confortar. — Não pense em coisas desnecessárias. Não lhe faz bem... Perseguir o passado... Nunca é bom. Pra você, e pra ele... Não o conheço muito bem, mas Ichigo, por mais que seja daquele jeito... Deve pensar que você é uma pessoa muito importante pra ele... Talvez Ichigo não saiba como se desculpar pelo o que ocorreu... Mas posso tentar ajudar, ok? — ofereceu-se.

Quatro anos na faculdade foi o tempo suficiente para Rukia se dar conta de que o termo e o sentimento 'amor' banalizaram-se. Ninguém mais tinha aquele respeito do qual ela parecia ser a única achar importante. E naquele momento, quando os olhos castanhos de Orihime brilharam, sentiu-se um pouco feliz.

Ela não era a única ali a nadar contra a maré, mesmo que as correntezas insistissem em trazê-las de volta ao razo do mar; onde a água era mais salgada. E amarga.

X

Chappy's Wonderland

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Livros de auto-ajuda que não ajudam

Oi, pessoal!

Primeiras impressões sobre o bebê:

-Arrogante;

-Autoritário;

-Mimado;

-Irritante;

-Barulhento;

-Desdenhoso;

-Presunçoso;

-Petulante;

-E um monte de coisas do gênero.

Em um dos livros que eu comprei hoje de manhã depois de levar Ià escola, dizia claramente:

'Pegue um papel e uma caneta, e escreva todas suas impressões sobre o bebê. Após fazê-lo, preste muito atenção em cada característica escrita por você: por que é com base nas mesmas, que a babá vai tentar compreender, e talvez mudar o comportamento da criança. O que não é difícil.'

Ah tá que não é difícil. Só por que a autora já teve anos e anos de experiência não quer dizer que uma iniciante vai conseguir mudar alguém, de uma hora pra outra.

Além desse livro, acabei comprando mais alguns, já que sou uma consumista não muito inteligente. Na dúvida, achei melhor pegar todos da seção 'auto-ajuda' que tinham a palavra babá.

Mas o único problema é que, todos tinham um ponto de vista geral. E eles não tinham o meu ponto de vista.

Estou pensando realmente em escrever um livro para babás iniciantes de adolescentes problemáticos e infantis...

Que fracasso seria... Ninguém tem uma babá em seus 17 anos de idade. Nenhum pai decente colocaria uma mulher 24 horas atrás do filho adolescente pra ver se ele fez xixi na cama e se está comendo direito...

Quer dizer, menos o sr. KI, claro.

'Nunca demonstre estar irritada quando perto de uma criança, pois elas vão fazer de tudo para irritá-la mais ainda':

Gostei dessa frase... Acho que ela se parece um pouco comigo, sabe como é.

Hoje mais tarde fui buscar I na escola, e sem querer conheci dois amigos deles:

IO:

-Fofa;

-Meiga;

-Simpática;

-Bonita;

-Um pouquinho boba;

-Ex-namorada de I;

-Ainda apaixonada por I;

HS:

-Típico adolescente bonitinho que adora pegar várias meninas e ficar bêbado numa noite;

-Melhor amigo de I;

-Menos problemático que I;

-Totalmente diferente de I, ou seja, uma pessoa muito legal;

Os dois foram atenciosos e simpáticos comigo, diferente de I. Argh, sério, acho que esse menino deve ter algum problema, parece que anda com um franzido permanente na testa... O que é irritante.

E não se surpreendam que mais tarde ele fugiu pela janela do quarto.

Okay, primeiro fracasso no primeiro dia de trabalho.

Acho que vou ter que me acostumar a sair todos os dias para procurá-lo... Desgraçado.

Bom, uma coisa que eu não gosto de sentir mesmo é pena... Mas quando IO me contou que ainda, depois de tudo o que I fez com ela no verão passado, ainda gosta dele, meio que senti... Compaixão? Acho que sim...

I é um idiota, isso sim.

E eu sou mais idiota ainda por ser babá dele.

Agora eu preciso ir dormir, e vocês também, :)

Boa noite, e por favor, quem ainda tiver uma babá, não dêem trabalho à elas... Por que elas não merecem.

Ouvindo: About a Girl_Academy is...

Adicionado: 02/02/09 20:37 PM Posted by:R.

Algum dia, nee-chan, você já pensou em amar mais uma vez? E esse medo que vem junto, é normal?

Continua...

Notas finais
Então, o que acharam? (:
semana que vem tem mais!