Gâteau Aux Fraises
6 La seule chose qui m'agace...
Notas iniciais
Bom, estou no último ano do médio e ainda faço curso técnico no período da tarde, e a noite, quando sobra algum tempo, só posso pensar na preparação para o vestibular! É uma pressão absurda, espero que vocês possam compreender!
Não sei quando voltarei a postar outro capítulo, e para falar a verdade, há mais dois prontos, mas gosto de manter uma distância segura entre eles.
Enfim, é isso! Espero que gostem do capítulo!
I
O lençol branco de linho caía perfeitamente sobre o colchão da cama kingsize do apartamento 189, situado bem no centro de Karakura. Já estava amanhecendo, e os primeiros raios solares invadiam pela janela do canto esquerdo do quarto, e se espalhavam ao longo do grande cômodo. Uma sala, um banheiro, e um barzinho.
Na cama, havia uma menina, de uns dezessete anos, com o corpinho todo esparramado pelo branco dos lençóis. Os cabelos eram longos, lisos, e cintilantes. Tinham um aroma indescritível, quase como... Como álcool misturado ao doce. Laranja. Laranja era a cor daqueles fios grossos, um tanto quanto embaraçados.
O corpo esguio, de muitas curvas chamativas, estavam escondidos aos olhos pelas poucas peças de roupa que ainda restavam. Uma mini-saia preta, e um sutiã de renda.
Ah... Seria uma bela visão aquela. Se não fosse por um simples detalhe.
Detalhe este que o dono do apartamento tentava ignorar. E fechava os olhos para não sentir-se ainda mais frustrado com toda aquela situação. As mãos tremiam. Tremiam pela ânsia em tocar cada parte daquele corpo tão cheio de curvas. Curvas que transbordavam malícia... Uma malícia inocente.
Se é que isto existia de fato.
De qualquer forma, Grimmjow não tentaria mais nada. Depois da noite de ontem, seu amigo lá embaixo já havia passado por trauma suficiente. Ser completamente ignorado não fazia parte do plano.
Mesmo agora, observando a suave expressão no rosto angelical de Inoue Orihime, não conseguia decifrar o que havia com aquela menina. Até uns dois dias atrás sentia um certo repulso por ele, mas ontem... Ontem parecia uma outra pessoa.
Ontem parecia que estava gritando para que Grimmjow a agarrasse.
-Tsc... Isso ainda vai me trazer problemas. — suspirou consigo mesmo, agitando o copo com uísque enquanto a observava como um predador que estava prestes a atacar – Mas eu gosto deles. — abriu um sorriso.
Se tinha uma coisa que há tempos ele deixara de lado, era tentar compreender as mulheres.
Nem mesmo elas conseguem se entender direito.
II
Abrir os olhos naquela manhã ensolarada de Karakura não era uma opção para o príncipe da KHS, esparramado pela cama. O corpo estava coberto por um lençol da mesma cor que a fronha do travesseiro, azul, não dando a visão do jovem apenas com a roupa de baixo.
A expressão do rosto era serena, apesar da face ser decorada por um franzido permanente no cenho.
Estava tão cansado ontem à noite que deveria ter dormido enquanto Rukia falava algum sermão. Aquela anã... Só sabia brigar e brigar na maioria das vezes, o que chegava a ser incomodo. Sim, ele teria atacado uma almofada naquele rosto sem muitos atrativos, porém...
Senhoras e senhores, o cavalheirismo ainda existe. E Kurosaki Ichigo era impecável neste departamento.
Como em vários outros.
O que não vinha ao caso naquele momento tão tranqüilo e que Ichigo estava adorando. Sem babá, sem seu pai, sem ninguém lhe incomodando... Ah, seria tão bom se fosse assim todos os dias.
Infelizmente, desfrutar daquele momento não era uma opção para Kuchiki Rukia, a babá demônio.
-Oe, Ichigo... Já está na hora de acordar. — sacudiu-o de leve, um pouco receosa.
Pelas atitudes daquela babá, dava para perceber que esta não tinha muito experiência no departamento de relacionamentos. Rukia era tímida para esse tipo de coisa, e chegava a ser inocente demais.
Todas essas semanas que passaram juntos, na maioria das vezes estava sem camisa. E sua babá não conseguia olhá-lo nos olhos, nem conseguia falar direito... Como se estivesse constrangida.
-Se demorar mais dez segundos, eu juro que vou jogar água em você... Sabe que estou falando sério, não é? — riu, vitoriosa. Pegou uma camisa do armário enorme de Ichigo e retirou de lá o uniforme que ele pouco usava quando ia para escola.
Ichigo achava-o feio demais; era de um cinza tão estranho, que parecia até estar desbotado. Fora a calça, que não caía nada bem em suas pernas longas. Muito menos o casaco, igualmente terrível, com uma gola tão alta que sentia-se sufocado.
-Tsc, já acordei mulher... — murmurou ele, esfregando seus olhos. Viu Rukia do outro lado, usando um vestido azul escuro tomara-que-caia com uma bainha de renda delicada, e não conseguiu não achar aquela cena um tanto quanto... Cativante.
Dizer que ele não reparava em Rukia era uma pura mentira. Por mais que tentasse ignorar, seu cérebro conseguia registrar tudo sobre a mesma. Principalmente as roupas, em sua maioria, vestidinhos veraneios para crianças. Aquele o qual ela estava a usar era a primeira vez que Ichigo o via, e achou-o delicado. Delicado demais para aquela demônia.
-Ontem você me deixou falando sozinha. — começou Rukia, tranquila. Tranqüila até demais.
Ichigo ignorou, e encostou-se na cabeceira da cama, ainda observando sua babá. Ontem... Ele simplesmente não se lembrava de ontem. Quer dizer, depois de uma tarde como aquela, o resto do dia era realmente relevante? Pelo visto, não.
-E era importante. — jogou-lhe a toalha amarela na cara, e colocou-se sentada na cama também. — Quero saber onde esteve ontem. — demandou séria, encarando-o.
Por um momento Ichigo pensou em mentir. Depois pensou bem, e constatou que era difícil demais ignorar aquela pequena que o encarava firmemente com seus exorbitantes olhos azuis. Eram agradáveis para se admirar, e eram horripilantes demais para ser encarados por eles.
-Não é da sua conta. — cruzou os braços, enrugando ainda mais o cenho. Tinha que parar com essa mania, ou mais tarde iria ter rugas.
-Aí é que você se engana... É da minha conta sim saber onde você esteve, ou acha que meu trabalho é só te acordar, e te levar pra escola? — ela também cruzou os braços, com a paciência esgotando-se a cada segundo. — Vou perguntar de novo, e quero que me responda. Onde esteve ontem a noite?
-Já disse... Não vou responder. — retrucou já irritado, fazendo menção para se retirar da cama quentinha em que se encontrava. — Não vai fazer diferença saber onde estive, ou qualquer coisa assim. — tirou todo o lençol que cobria seu corpo e sorriu satisfeito quando viu Rukia recuar, embaraçada demais.
-Pelo amor de Deus, não consegue dormir com alguma roupa? — soltou um grunhido, levantando-se irritada também e seguiu Ichigo até o banheiro.
-Eu estou de roupa. — cueca era roupa, não?
-Sabe do que eu estou falando, não se faça de bobo. — acelerou o passo, e colocou-se entre a porta do banheiro e um Ichigo semi-nu, com toda sua glória matinal.
-Tá, tá... Agora sai da frente tampinha, que eu preciso tomar banho e-
-Tampinha não, quantas vezes preciso dizer? — fortaleceu a expressão e segurou-se para não socar o rosto simétrico de Ichigo que demonstrava vitória. Maldito.
-Vai me deixar tomar banho ou não? Se quiser, pode se juntar também. — sorriu arrogante, e isso lhe custou um soco no braço. — Sua maluca! Isso doeu... Ai, ai, ai... — massageava o local atingido, choramingando.
-Se isso pelo menos vai fazer você me ouvir, então vou te socar quantas vezes for preciso.
Ainda massageando o braço, recuou dois passos. Murmurou um 'vaca' bem baixinho, que Rukia não deveria ter escutado, e ela continuou. Dessa vez, estranhamente, o encarava.
-Eu sei muito bem que esteve com Tatsuki ontem... — começou, e o jovem não conseguiu evitar mostrar-se entediado com aquilo tudo. Se ela sabia onde ele esteve, por que perguntar? — Shuuhei me contou.
Agora tá explicado? Talvez não.
A única coisa que estava realmente explícita ali era que seu melhor amigo estava passando tempo demais com sua babá.
Mais um motivo para mostrar-se entediado.
-E o que tem de errado nisso? — quis Ichigo saber, agora sentado em sua cama.
-O errado não está especificamente ai... E sim quando você me desobedeceu. Disse para me esperar na frente da escola que eu iria te buscar, como todos os outros dias... Se queria tanto assim ir à casa dela, podia ter me perguntando antes de fugir como um condenado. — aproximou-se um pouco mais, e segurou o ímpeto de arrumar aqueles chumaços de cabelos ruivos amassados – E antes que você dê uma desculpa esfarrapada como "mas se eu pedisse, você não iria deixar", já vou logo dizendo... Você nem ao menos tentou, ou fez questão de me perguntar... E se eu tivesse deixado? Huh? Provavelmente você ainda teria mais uns cinco minutos de sono, em vez de ficar me ouvindo dando sermão chato quase todo o dia.
-Ainda bem que você sabe que eles são chatos. — suspirou ele, sonolento, e colocou todo o peso do corpo pra trás.
-São chatos por que você é igualmente chato! — pelo tom de voz dela, parecia que a paciência matinal já estava distinguindo-se. Não que normalmente ela tivesse muito também.
-Are, are... Já terminou? — cruzou os braços, e apoiou a cabeleira ruiva em cima deles, ainda observando Rukia dos pés a cabeça.
Ichigo não sabia muito bem o quê, mas algo estava errado ali. Nada estava fora do comum; vestidinho veraneio, sapatilhas, cabelos soltos e brilhantes, pele alva à mostra...
Oh.
Era aí que morava o grande problema. Não em relação a questão da pele branquela de Rukia estar um tanto quanto mais aos olhos do que o normal. O problema estava ali, no braço.
-E por conseqüência, outra pessoa- Hei, está me escutando? — questionou ela, brava com a atitude de desdém que Ichigo mostrava-se para com ela.
-Na verdade não. — admitiu sem nenhuma vergonha, e a vontade de socá-lo crescia cada vez mais no íntimo da pequena. — Hm, esse negócio aí no seu braço... O que aconteceu?
-Ah, isso aqui? É que eu bati na porta e... — parou subitamente de falar ao se dar conta de que havia se esquecido completamente da marca de Grimmjow tinha deixado em seu braço na manhã do dia anterior.
Aos poucos, levantou seu olhos receosos para o adolescente ali deitado, e pensou que ele não estava muito interessado em ouvir a explicação, que havia perguntado apenas para distraí-la... Infelizmente, o modo como aqueles olhos cor de mármore a observavam era totalmente diferente do esperado. A ironia ou o sarcasmo mostrava-se substituído pela, ousava ela pensar, preocupação?
-E...? — tentou fazê-la continuar, ainda observando o hematoma do braço branquelo e fino de Rukia. Aquilo... Aquilo definitivamente não parecia uma conseqüência de batida, ou qualquer coisa do tipo. Era grande e roxo demais... Alguma coisa estava errada ali.
-E... E que você tem que tomar banho, depois fazer o desjejum e ir pra escola, ou vai ficar atrasado. — tentou abrir um sorriso, e sentiu-se mais idiota naquele momento.
Soava tudo tão falso que nem ela mesmo iria acreditar. Muito menos Ichigo, que a olhava perplexo. Com toda a razão.
-Vou te esperar lá embaixo. — emendou ela rapidamente, em direção à porta.
Ichigo a chamou mais umas duas vezes, e teve certeza de que estava sendo ignorado. Surda não era, já que a voz dele podia soar livremente pelo cômodo enorme até os ouvidos da babá magricela.
Definitivamente algo estava muito errado ali. O nervosismo nas atitudes de Rukia, que normalmente era uma pessoa centrada, denunciava que realmente existia algum problema. Algum problema que fazia questão de mantê-lo afastado.
Como se ele fosse piorar a situação.
Como se ele não fosse um bom ouvinte.
Como se ele não fosse se preocupar com o que quer que fosse.
Com esse pensamento, dirigiu-se ao banheiro irritado. Nem mesmo o banho conseguiu esfriar os pensamentos obscuros e irritadiços que se passavam pela mente do adolescente.
E de tanto pensar, chegou à apenas uma conclusão.
Havia um problema. E ele iria descobrir qual era.
Talvez até ajudá-la a resolver...
Ou piorá-lo.
III
Logo pela manhã, todos tem seus hábitos usuais. Com Hisagi Shuuhei não era muito diferente. Primeiro o banho, depois o desjejum e por último... Por último levava o café da manhã no quarto de sua mãe, que mais parecia um breu.
Era grande e escuro. Não ousava entrar lá; da última vez que o fez, dois meses atrás, quase levara um tapa no rosto daquela que dizia ser sua mãe. Apenas dava pequenas batidas na porta, e murmurava um bom dia, depositando a bandeja com comida no piso de carvalho.
Saía rapidamente para que não precisasse encarar a decadência da qual vivia fugindo há tempos.
Sua mãe.
Dois anos. Dois anos era tempo suficiente para acabar com a vida de qualquer pessoa. Dois anos poderiam se passar como dois meses ou duas semanas.
Mas para ele dois anos parecia uma eternidade.
Sentia-se velho, e as vezes agia como tal.
Às vezes agia como um pai para aquela que deveria ser sua mãe.
Quantas vezes, desde que seu pai havia saído de casa para morar com a secretária um pouco mais velha que Shuuhei, ele mesmo não tropeçou em garrafas de uísque espalhadas pelo restante da casa? Tinha tornado-se comum. Tão comum que era absurdo.
Um absurdo aceitável. Um absurdo que Shuuhei fazia questão de tampar os olhos com todo a consideração e o amor que sentia por sua mãe.
Todo filho teria uma atitude assim, não é?
O que ele não sabia era que o afeto não iria protegê-lo para sempre da realidade. O afeto que até agora era duvidoso por parte da mãe do adolescente poderia quebrar-se em vários pedaços; poderia fazê-lo cair de cara no chão. Iria estraçalhá-lo.
Iria ser pior. Enxergaria a verdade nua e crua como era;
Nem mesmo seu pai estaria lá, ao seu lado, quando a realidade batesse à sua porta. Quando a realidade fosse procurá-lo para dizer: "Ainda quer continuar em teimar com essa loucura?"
Quando este momento chegasse, Hisagi sinceramente esperava estar preparado. Preparado para responder, e principalmente, preparado para encarar a coragem que neste momento se encontrava ausente.
A coragem que estava foragida desde o momento em que aquele que um dia já havia sido seu herói o trocara por uma simples beleza artificial.
A coragem já não existia; se existia, estava adormecida em algum lugar por aí. Algum lugar que o mesmo tinha medo de procurar;
Procurar não era uma opção. Procurar seria o maior erro.
Procurar pela coragem perdida seria o mesmo que aceitar o que mais temia;
Aceitar que era um tremendo covarde. Um covarde que sentia o medo da solidão à qual se encontrava. Uma solidão que o abismo fazia questão de lhe proporcionar todos os dias.
Um abismo que sua própria mãe o estava puxando para fazer parte;
Deveria ele aceitar o convite? Aceitar o convite na ilusão de que não estaria mais sozinho?
Se é que ele já não havia aceitado-o há muito tempo.
IV
-Uryuu... Isso não é certo.
O que exatamente não era certo?
-Como assim? — resolveu que queria saber.
A jovem professora encontrava-se encostada na porta do grande armário de madeira da sala de detenção da KHS, com um certo desânimo presente nos olhos verdes. Os braços estavam cruzados em frente aos seios; estes cobertos por uma simples blusa de seda, tão delicada quanto a pele branca.
A franja presa sob uma presilha da mesma cor do cabelo, preto, acentuava ainda mais o belo rosto que Katsumi Sayuri possuía.
-Sabe do que estou falando – pelo modo como respondia, um tanto quanto cheio de hesitação, fez com que Ishida permanecesse onde estava, parado bem à sua frente.
Fez que não com a cabeça, mostrando-se confuso. E não perdeu o olhar sem muitas emoções da namorada.
-Eu e você... — murmurou ela – Não dá mais... — levantou seus límpidos olhos verdes e tentou mantê-los frios ao ver a reação do adolescente.
Surpreso não parecia nem um pouco. Outra coisa; machucado... Desapontado, ou magoado seria melhor? A última opção... Pelo menos era o que os olhos azuis de Ishida transmitia. Pura mágoa.
-Fiz algo de errado? — não era exatamente isto o que o jovem queria perguntar, mas foi a primeira que saiu.
Diante de tal pergunta, Sayuri se perguntou se estava realmente fazendo o certo. Até agora pouco estava tão decidida, tão centrada que achou ser fácil fazê-lo... Mas agora, olhando nesses oceanos azuis que eram os olhos de Ishida a hesitação voltava para atormentá-la. A hesitação, sempre ela...
-Não é você, de verdade... Sou eu mesma. — mordeu o lábio. Nos filmes que vira no dia anterior parecia tão mais fácil fazê-lo. E muito menos doloroso quanto agora – Não quero um relacionamento sério, por enquanto... Sabe como é, quase não tenho tempo, e sempre que marcamos alguma coisa, tenho que desmarcar e você fica decepcionado. — tentou argumentar.
-Se for isso, não tem problema, já disse... Eu realmente não ligo, estou acostumado. — quando criança esperava longas horas para que seu pai pudesse sair do trabalho cedo como prometido; e elas nunca se cumpriam. Aquele motivo que Sayuri lhe oferecia não parecia ser um empecilho para uma criança que crescera com a frustração.
Ishida logo pensou ter dito algo de errado. O modo como Sayuri agiu diante de tais palavras foi totalmente diferente do que estava esperando. Ela soltou um sorrisinho, amargo, e continuou encarando-o. Como se aqueles olhos verdes pudessem ir além do contato físico. Como se aqueles olhos estivessem penetrando em sua mente.
-Esse é o problema... Você nunca se importa. — suspirou, e logo desfez os braços cruzados.
-E isso é um problema por quê? — agora é que realmente não entendia.
-Uryuu-kun... — com alguns passos pequenos, aproximou-se dele. Mesmo com o salto das sandálias, ainda ficava abaixo do queixo de Ishida, o que era desanimador – Existem coisas... Existem coisas que impedem esse tipo de relacionamento... Não encaixamos no padrão... — novamente as argumentações estavam soando falsas.
-Eu não ligo para os padrões da sociedade-
-Está vendo? Você não se importa com nada, com o que os outros vão pensar... Simplesmente acha que é normal...
-Você é que se preocupa demais com o que as outras pessoas vão pensar... E daí se você é alguns anos mais velha? Se eu não ligo, então por que deveria levar em consideração a opinião de terceiros? Sayuri, olha pra mim... — tomou o rosto em formato de coração que era o da professora – O que está acontecendo, hm? Até ontem você não estava com essas besteiras na cabeça, por que isso agora?
-Porque... Eu cansei. — murmurou. — Cansei de tudo isso aqui... Não quero sentir como se estivesse fazendo algo errado, ou quando nós saímos precisar agir como uma fugitiva... Não quero isso... — com a voz embargada e os olhos marejados, continuou sem hesitar – Eu quero alguém que me dê segurança, e principalmente, alguém de quem eu não preciso esconder... E você, Uryuu... É muito novo, entende? Merece alguém melhor, alguém da sua-
-Nem ouse terminar de falar... — pediu silenciosamente calmo – Eu não quero ouvir o resto. — desvencilhou-a e logo recuou alguns passos.
-Me desculpe, Ishida... Um dia você vai entender que isso é o melhor para nós dois. — forçou um sorriso nos lábios secos e sem vida a professora.
Por outro lado, Ishida tentava inutilmente afastar-se daquela fragrância que a princípio fora o que o atraiu até ela. Depois os olhos claros, a pele, o desejo pelo corpo, e por fim, e não menos importante, a finalidade que ambas as almas possuíam... Não a amava, de forma alguma, mas... Sayuri era importante sim... Tinha um efeito sobre ele tão devastador quanto Orihime;
E como Orihime, ela que não o queria mais. Não que a ruivinha um dia já teve os olhos voltados para ele, porém, a rejeição de ambas doíam da mesma forma. Uma dor um tanto quanto chata, que ficava ali, apertando o coração a cada segundo. Era como um lembrete; um lembrete de que mais uma vez a rejeição batia à sua porta.
Quantas vezes teria de recebê-la para que a dor deixasse de existir, e pudesse ficar somente com o gosto amargo na boca?
Aliás, não podia ficar sem nenhuma das duas?
VII
De bocas fechadas foram o caminho inteiro até a KHS. Ambos não sentiam como se deveriam abri-las para, conseqüentemente, brigarem novamente.
Tanto Ichigo como Rukia encontravam-se fartos daquelas brigas idiotas e sem motivo algum. Eram tão desnecessárias que nem deveriam existir; porém, estavam lá, fazendo-se presentes todos os dias. Se não tivessem uma pequena discussão que fosse não seria como um dia normal.
Rukia até havia se habituado aos berros irritantes que Ichigo lhe dirigia na maioria das vezes. Sem contar o ego maior que o mundo que o ruivo possuía, extremamente irritante.
Com Ichigo também não era muito diferente. O autoritarismo ao qual se encontrava ultimamente estava deixando-o cada vez mais sufocado. Não podia fazer isso, muito menos aquilo, tudo pelo ceticismo daquela demônia.
Afinal, ela era o quê? Uma babá ou uma freira?
Terceira opção, por favor?
-Talvez eu me atrase um pouco hoje, mas é para me esperar, entendeu? — informou a ele quando o carro encontrava-se dentro do estacionamento da KHS, próximo ao campus imenso.
E tinha outro jeito?
-Tsc, não me dê ordens como se fosse uma criança. — resmungou de volta, com a urgência de criar uma nova briga.
-Não precisaria se não agisse como tal. — retrucou ela, saindo do carro – Eu sei que o que você mais quer nesse momento é brigar, mas agora não... Tenho coisas importantes para resolver.
-Coisas importantes? Aposto que tem algo a ver com esse hematoma no braço. — apontou para o roxo em volta do braço magricelo de Rukia, e não perdeu a oportunidade de continuar – Não acha mesmo que sou tão idiota de acreditar em uma desculpa tão esfarrapada quanto aquela, não é?
-Quer saber? Se quiser acreditar, problema é seu... Eu estou contando a verdade sim, se não consegue perceber isso então acredito que seja melhor não querer se intrometer nos meus problemas.
Ambos já estavam com as vozes alteradas, e chamavam a atenção da maioria dos alunos que passavam ali por perto.
-É, talvez seja melhor eu ficar longe dos seus problemas, por que quando precisar de ajuda, não venha contar comigo. — soltou ele, já com a mochila por cima dos ombros largos e com a raiva estampa do rosto. As rugas no cenho eram mais visíveis, e os olhos cor de mármore queimavam – Só faça um favor pra mim... Se quer tanto que eu não me intrometa nos seus problemas, então faça o mesmo com os meus... Fique longe deles. — disparou nervoso, e deu dois passos para trás, dirigindo-se ao portão enorme da KHS.
-Ichigo! Ichigo! — tentou chamá-lo, mas o vento ficou encarregado de levar as palavras para longe – Droga! Como consegue ser tão infantil? Argh! — disse para si mesma, antes de seguir em direção oposta ao adolescente.
Já o adolescente, continuava a andar em passos largos, firmes, e duros. Pisava como se o solo fosse a cara daquela demônia; sem dó alguma.
Sinceramente, nem mesmo sabia por que estava tão irritado assim.
Porque sua babá deixou explícito, ela não confia em você, muito menos quer que faça parte de sua vida;
Teve vontade de rir com o pensamento de seu próprio demônio interior.
Não... Ele não se importava o mínimo com Rukia. Não se importava se estava tudo bem, se tinha um passado interessante; namorados, amigos, família.
Simplesmente não se importava se ela se fazia de forte o tempo todo e precisasse de algum ombro para se apoiar; não se importava se ela sorria verdadeiramente todos os dias, ou se aqueles exorbitantes olhos azuis queriam derramar lágrimas;
Não se importava se Rukia gostaria de compartilhar seus problemas, contar o que estava se passando, se estava sofrendo ou qualquer coisa do tipo; não se importava com aquele hematoma, se tinha alguém perseguindo-a, entristecendo-a; não se importava com o que a deixava amuada, muito menos feliz;
Definitivamente não se importava com o medo que estava estampado naqueles olhos hoje de manhã... Não se importava.
Não mesmo?
-Tsc, é claro que não. — disse um pouco mais alto, a fim de tentar convencer a si mesmo de que estava falando a verdade.
Suspirou, e continuou andando. Observou que não haviam muitos alunos no portão da escola, sinal de que chegara um pouco mais cedo do que de costume. Hisagi ou Ishida não pareciam estar no meio de nenhuma daquela pequena multidão de adolescentes idiotas, o que o fez desviar o percurso.
Precisava acalmar os nervos, e precisava neste momento. Ou iria explodir.
Continuou andando, e entrou em uma viela estreita, que dava para rua de trás da escola. Lá era onde costumava ir para acalmar os pensamentos; era pouco movimentado. Os carros mal passavam por ali, muito menos pessoas. Era praticamente deserta, e por isso a adorava; ninguém podia incomodá-lo ali.
Ao atravessar a viela estreita, deixou-se encostar à parede mais próxima. Vasculhou o bolso da calça apreensivo, procurando por algo; lembrava-se de ter furtado alguns cigarros de Tatsuki no dia anterior, só não... Ah, estavam ali, bem escondidos no fundo do bolso da calça.
Mais do que rápido colocou um na boca, e o acendeu, dando uma longa e satisfatória tragada.
Nunca em sua vida imaginou que teria de furtar cigarros, quanto mais fumá-los escondidos no próprio esconderijo. Sentia como se Rukia fosse aparecer a qualquer minuto, mesmo que tivesse a leve impressão de que ambos seguiram por caminhos diferentes no estacionamento.
Não se surpreenderia se aquela demônia o tivesse seguido.
Como se precisasse... Hisagi fazia o trabalho por ela. Tsc, até mesmo seu melhor amigo estava hipnotizado pelos olhos cristalizados... Um verdadeiro idiota. Não conseguia enxergar que a pequena jamais dar-lhe-ia uma chance; conhecia Rukia muito bem... Cética demais. E namorar com uma pessoa mais nova do que ela parecia ser ir contra os princípios;
As vezes Ichigo achava que o simples ato de namorar ia contra os princípios de sua babá.
Continuou fumando, desfrutando o máximo daquela paz a qual se encontrava. Se todos os dias fossem como aquele-
-Ichigo, o que está fazendo aqui? — disse uma voz grossa, que a princípio o adolescente pensara ser de sua babá... Mas não, aquela voz...
-Tats? — desviou os olhos que fitavam o nada e os colocou na garota de cabelos curtinhos – Ah, nada... Só estou pensando.
-Hm... — tinha as mãos entrelaçadas escondidas atrás das costas; o rubor cobria as maças do rosto, deixando-a agradável. Tão agradável que Ichigo não resistiu em passar o braço direito por cima dos ombros finos de Tatsuki para puxá-la pra si, após jogar o cigarro longe.
-Bom dia. — murmurou mais calmo o ruivo, apertando-a ainda mais contra seu corpo.
-Bom dia pra você também. — disse ela enterrando o rosto no pescoço longo e perfumado de Ichigo – Onde conseguiu o cigarro? — indagou desconfiada.
Ele amoleceu um pouco a expressão, e logo disse tê-los furtado no dia anterior. Tatsuki deu um pequeno riso, e um soco de leve no braço dele.
Ficaram mais alguns minutos assim, abraços, até que Ichigo inclinou o rosto um pouco para frente e capturou os lábios rosados de Tatsuki, arrancando-lhes beijos avassaladores, um atrás do outro.
Com as mãos enterradas no mar de cabelos alaranjados, comprimiu um pequeno gemido que insistia em sair, mas que Ichigo fazia questão de impedir com sua língua quente e úmida. Língua esta que se aventurava pela boca inteira, com tanta sofreguidão que a própria menina sentia-se insuficiente para todo o desejo que Ichigo emanava.
-Ichi... — tentou quebrar o beijo, e ele o tornou ainda mais insistente.
Como ou quando Tatsuki não fazia a menor idéia de como agora encontrava-se entre a parede e um Ichigo apreensivo, com as mãos calorosas acariciando os seios arredondados dela.
Tatsuki queria... Queria muito parar com aquilo tudo e dizer que estavam atrasados, que precisavam assistir a aula e que poderiam fazer depois; porém, os beijos calorosos que recebia no maxilar, e que se seguiam ao longo do pescoço fino até a jugular, tornava-se impossível.
Para quê deixar para depois o que poderiam fazer agora?
VIII
A primeira aula era sempre uma droga, todo mundo sabia disso. Principalmente quando a matéria era matemática; forçar os poucos neurônios que aqueles adolescentes burros possuíam chegava a ser um pouco torturoso.
Rangiku Matsumoto sabia muito bem disso, a repetente da sala.
E provavelmente, no ritmo em que o seu cérebro ia, ficaria mais uns bons anos sentada neste mesmo lugar.
Realmente, não era culpa dela se não conseguia entender a matéria... Ou não prestava atenção; em sua insignificante opinião, os professores deveriam ser mais atraentes, usar roupas que mostrassem mais os músculos que ela sabia que existiam por debaixo daquelas roupas largas e de cores feias. Dessa forma, seria um estimulo para que prendesse sua atenção lá na frente...
E hoje, não seria tão diferente assim... Estava preocupada, mesmo que aparentasse estar com sono. Só porque não estava tagarelando costumeiramente sobre qualquer acontecimento cotidiano da KHS. Além de não ter muitas novidades, com exceção das cenas calorosas que presenciou entre Arisawa e Kurosaki e que, sem querer, a própria acabou por estragar a alegria daqueles dois, não tinha nada muito de interessante para se contar.
Quer dizer, sempre se tem alguma coisa interessante para se comentar, mas... A única coisa que aqueles alunos prepotentes queriam saber era sobre o 'triângulo amoroso' que se formou há pouco tempo... O que até ontem era só especulação, hoje parecia ser concreto. Por mais que ela tenha presenciado aquela cena um tanto quanto... Babada demais, ainda sim era difícil de acreditar que Tatsuki poderia agir daquela forma tão... Egoísta.
Para piorar mais ainda aquela situação nada sustentável, Inoue não estava presente hoje, o que era incomum. Nem que o mundo estivesse debaixo de uma chuva de meteoritos a garota deixaria de vir a escola... Lembrava-se que a ruiva só faltara uma vez... Quando o irmão mais velho fugiu com a namorada para o exterior... Ouviu dizer pela própria que só veio aquele dia, e nos seguintes, pois Tatsuki não a deixava ficar sozinha em casa de jeito nenhum...
Rangiku realmente acreditava que aquela amizade era tão bonita, tão fiel e verdadeira... Uma amizade que se consolidou em cima de mentiras, e que agora, por conta de alguns detalhes ocultos gerou essa confusão toda. Detalhes ocultos que fariam a maior diferença;
Se Inoue desde o princípio soubesse da amizade estranha que Arisawa e Kurosaki tinham, jamais teria aceitado namorar o príncipe dos olhos de mármore; sofreria calada pelo amor não correspondido.
Por outro lado, Arisawa não iria precisar agarrar Kurosaki escondia dos olhos da ruivinha, o que é bem pior...
E muito mais complicado. Complicado porque nenhum daqueles dois pareciam se importar com o que os outros diziam, sobre os novos rumores, e principalmente, sobre Inoue Orihime. Onde estava, se estava bem, se estava chateada, magoada, se precisava chorar... Se precisava de algumas desculpas e explicações.
Não demorou mais do que dois minutos para disparar o estrondoso sinal da troca de aulas, para o alívio de todos ali, já que seriam dispensados mais cedo, graças aos professores que faltaram... Agora sim, Rangiku poderia procurar pela amiga.
Saiu da sala rapidamente, com os materiais guardados de qualquer jeito dentro da bolsa Pucci prateada com a alça de correntes que ganhara dos padrinhos semana passada.
-Ran-chan! Onde você está indo? — perguntou um loiro que corria até ela, esbarrando em várias pessoas até conseguir colocar-se ao seu lado – Parece estar com pressa. — constatou ele, com um sorriso de orelha a orelha. Como conseguia ser tão animado assim, Matsumoto não fazia a menor idéia, mas adorava a sensação que trazia junto consigo.
-Vou procurar pela Orihime... Alguma sugestão por onde devo começar?
-Hm... Difícil. Já perguntou ao Shuuhei? Acho que ele deve saber- Oh, olha ele ali! — disse alegre, e saiu em disparado atrás do moreno.
Acompanhou a cabeleira loira de Shinji e então conseguiu identificar onde Shuuhei estava; parado bem em frente ao armário, guardando alguns livros. Porém, tinha algo de diferente... Os ombros estavam levemente curvados para frente, e os olhos cor de carvão mostravam-se opacos. Até mesmo os cabelos espetados não estavam do mesmo jeito...
-Oe, Rangiku, acabei de falar pro Shinji que não faço a mínima idéia de onde Orihime esteja... — disse Hisagi, quando a loira se aproximara deles – Aliás, ontem eu e a Ru-chan, a babá do Ichigo, procuramos por ela, e a encontramos no centro... Ru-chan chegou até conversar com ela, mas quando cheguei Orihime já tinha ido... Parece que entrou em uma limousine meio suspeita, pelo menos foi o que ela me disse...
-Tsc, pobrezinha, deve estar abalada com tudo isso que está acontecendo... — Shinji comentou, e os três começaram a se mover em direção à saída.
-Por um acaso Ichigo já sabe de tudo que está acontecendo? — Rangiku resolveu perguntar.
-Não sei, mas isso é uma coisa que ele deveria perceber sozinho... Tatsuki também. — pelo jeito que respondera, Shuuhei parecia irritado com aquilo tudo – Só acho que... Sei lá, eles tinham que ter um pouco mais de consideração e respeito pela Hime-chan; todo mundo aqui sabe que ela ama ele, e mesmo assim... Mesmo assim, Ichigo age como se não se importasse.
-Mas ele não se importa. — o loiro adicionou – É esse o problema... Com Tatsuki achei que seria diferente, já que é a melhor amiga da Hime-chan... E age da mesma forma que o cabeção do Ichigo.
-Bom, de qualquer forma, vou procurar pela Hime-chan... Alguém se habilita a vir comigo? — os dois jovens se entreolharam por um tempo, antes de assentirem – Quem achar Orihime primeiro fica sem pagar as caixas de sake!
Então era melhor aqueles dois se apressarem, pois se dependesse da abstinência que a loira ali se encontrava, Orihime estaria em frente a eles em um piscar de olhos. E quem sofreria as conseqüências seria não seriam eles, mas sim, suas carteiras.
IX
Hoje não era o seu dia, sabia muito bem disso. Logo quando abriu os olhos e viu sua babá com aquele vestido veraneio tomara-que-caia azul escuro e com bainha de renda, que por algum motivo, não saía de sua cabeça.
Nem mesmo a discussão que tiveram logo após registrar aquela peça que caía tão perfeitamente naquele corpo magrelo e de poucas curvas, conseguia esquecer.
Muito menos a raiva que sentia por ficar de fora dos assuntos de sua babá, que, não sabia muito bem o por quê de irritá-lo tanto assim.
Quando achou que finalmente iria pôr um fim naquilo que chamava de dia terrível, a loira peituda mais bêbada e fofoqueira da escola estava lá, para estragar sua... Diversão. Por fim, o dia terrível ficou insuportável.
Principalmente porque Tatsuki parecia ignorá-lo na sala de aula. Por algum motivo, não sabia muito bem o que era, mas parecia estar um pouco tristonha em sua carteira; totalmente diferente de pouco tempo atrás.
Ichigo pensou em chamá-la, mas no estado em que se encontrava agora não queria acabar descontando sua frustração naquela que não tinha culpa de nada. De qualquer forma, esta estava em um outro plano, totalmente distante dele e do resto da sala.
Para sua sorte, quando o sinal para a troca de aulas tocara, todos os alunos já encontravam-se fora da sala de aula em busca de alguma coisa para comer.
Ichigo aproveitou para sentar-se na cadeira ao lado da... Amiga?
-Huh... Você parece meio distante. — comentou ele, coçando a nuca. Realmente, podia ser o príncipe da KHS, mas continuava sendo um garoto que não sabia como puxar assunto.
-Ah, você. — constatou ela, depois de alguns segundos, surpreendendo-se por Ichigo estar bem ali ao seu lado – Quer alguma coisa?
-Nada... Só disse que parece meio distante, aconteceu alguma coisa? — por um momento, o ruivo sentiu-se ofendido pela pergunta lhe feita, depois percebeu que era pura distração.
-Só estou com minha cabeça meio cheia... — fez uma careta, e Ichigo deduziu que definitivamente tinha algo de errado com ela. Os olhos estavam opacos, e a cor das bochechas já não existia mais. Estava abatida, e o lábio inferior tremia levemente quando falava... Como se o choro estivesse por vir a qualquer momento.
-Tats, pode conversar comigo sobre o que você quiser... Eu me preocupo e me importo com você, hm? — disse ele, quando se agachou em frente à ela, e segurou ambas as mãos frias da adolescente.
-É que... Você realmente não percebeu?
-Percebeu o quê? — parecia confuso. De verdade.
-Inoue... Todos estavam falando dela... Como eu sou estúpida, droga... — murmurou desconsolada – Alguém contou pra ela que você foi à minha casa ontem, e... Meio que, disseram que ela não veio hoje. — abaixou a cabeça, não permitindo que o jovem pudesse ver os olhos levemente marejados.
-Inoue... — balbuciou o nome da ex-namorada e então sentiu todo o peso cair sobre os ombros. Como é que podia ter se esquecido dela assim? Era um desgraçado, sabia muito bem... Droga, sentia-se bem pior agora. A raiva, a frustração não se comparava a nada do que sentia neste momento... Vergonha e culpa estavam estampados em seu rosto. Mas, mais do que isso... Egoísmo. Só pensou em si quando procurou por Tatsuki, quando... Droga, por isso estava aquela balbúrdia toda. E o pior de tudo era que... Ele, Kurosaki Ichigo, era o pivô de tudo aquilo, mais uma vez. Estava desfazendo alguns laços importantes como a amizade de Tatsuki e Inoue... Principalmente o seu com esta última.
-E o pior de tudo é que... Esses dias nem conversamos direito, e nem tive a oportunidade de explicar tudo pra ela... Ichigo... O que eu faço? — pediu silenciosamente, o que fez com que o ódio que Ichigo sentia por si mesmo aumentasse cada vez mais.
Sinceramente, o que é que eles iriam fazer?
-Procurar por ela seria um bom começo, não acham? — mais do que rápido, viraram suas cabeças em direção da voz e viram Ishida encostado no vão da porta, com os braços cruzados – Kurosaki... Você faz as besteiras e depois quem tem que limpá-las pra você são os seus amigos... Que vergonha.
-Ishida, seu-
-Ishida o quê? — soltou os braços e começou a caminhar até onde o ruivo estava, determinado – Sabe que estou falando a verdade, não sabe? Droga... Eu disse para não machucá-la, não foi? Por que faz o oposto disso? Sabe que Inoue nunca iria demonstrar que estava magoada, muito menos... Muito menos brigar com as pessoas que espalharam esses rumores idiotas... Pessoas como você, e você – apontou para Tatsuki, que o olhava surpresa – só existem para pisar nos sentimento dos outros por que existem pessoas como Inoue-san...
-Droga! Eu sei disso! Acha que não me sinto tão mal quanto você, ou pior? Acha que é legal ser motivo de briga entre duas pessoas? Se não sabe, então vou te dizer, não é legal... É horrível, sinto ódio de mim mesmo! É isso que quer ouvir? Que sou tão imbecil quanto Grimmjow, hm? Eu não ligo se quiser descontar a sua raiva em mim, com toda a razão, mas não coloque Tatsuki no meio disso! Ela não tem nada a ver com o nosso problema... Eu já me desculpei, já me culpei, o que mais quer que eu faça pra você acreditar em mim? — berrou.
Ali já não discutiam mais sobre a suposta relação que poderia haver entre Ichigo e Tatsuki. Discutiam sobre um tópico pendente, e não menos doloroso e delicado quanto este. Discutiam sobre algo que ia além das perspectivas da garota ali sentada, que assistia aquela cena de boca aberta. Um assunto que atormentava Ichigo só de olhar para o amigo... Atormentava por que fazia o sentir-se envergonhado.
-Eu não quero suas desculpas... Você tem que pedi-las para outra pessoa, que está esperando por elas há muito tempo, mais do que eu, ou qualquer outra pessoa... Sabe de quem estou falando, não sabe, Kurosaki? — disse Ishida, mantendo a voz calma. Não queria brigar, não queria mais discutir aquele assunto... Não queria sentir-se mais derrotado só de olhar para o amigo.
-Eu... Sei. — murmurou, acalmando os nervos exaltados.
Sabia disso há muito tempo... Mas havia algo que estava sempre ali, impedindo-o de fazer qualquer coisa. Algo que viveria para sempre com ele.
Algo chamado covardia.
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Assunto: Coisas... Pessoais.
R., preciso de ajuda. Meu amigo tem uma namorada, e ele acha que ela está traindo-o com o melhor amigo dele... O que meu amigo deveria fazer?
Resposta: Deponde... Você tem amor próprio? Se tem, já sabe a resposta, (:
De: lili.hitomi21@ ...
Assunto:...
R., se eu te dissesse que tenho 15 anos e não consigo dormir sem colocar um pingo de álcool na boca, acharia isso um absurdo?
Ou seria mais absurdo se eu dissesse que estou grávida?
Enfim... Não sei o que fazer, alguma opção ou mesmo... Uma solução?
Resposta: Com certeza essas duas coisas tão absurdas... Mas, o que eu poderia dizer? Talvez o primeiro passo é você procurar por ajuda com o primeiro problema... Já o segundo problema, acredito que seus pais deveriam ser os primeiros a saberem que vão ser avôs em pouquíssimo tempo... E depois, faça essa mesma pergunta que fez à mim a você mesma... Talvez encontrará a solução para seus problemas... Espero que encontre algumas respostas também, ;]
De: kenpeinagaku ...
Assunto: Vizinhos?
R., não consigo acreditar que está morando em Karakura! Talvez, um dia, quem sabe, possamos nos encontrar, não é? Eu estudo na SPHS, e sou o representante do conselho estudantil, me procure algum dia, (:
Ah, quanto ao 'procura-se', acho que encontrei a menina que você está atrás...
Acabei de vê-la saindo de um pub no centro de Karakura, perto da KHS... Acho que ela estava bêbada... O nome do lugar é Las Noches.
Resposta: Obrigada pela informação!
XI
Parado ali estava mais ou menos uns dez minutos, talvez mais. Com sua altura privilegiada, tinha uma boa visão do lugar, apesar da pouca luz e da música alta que rolava ali dentro.
O pub – algo como Las Noches – era grande, e a quantidade de pessoas que tinha ali chegava a ser um absurdo em relação aos outros bares de Karakura em meio à semana.
Os rostos condecorados de pequenos rubores causados pela bebida daqueles ali em meio à multidão, de alguma forma, deixava-o deprimido. Deprimido porque já não tinha mais sua liberdade; não podia mais fazer o que queria, e o que mais gostava.
Kurosaki Ichigo não podia mais beber nada que contesse álcool até que completasse dezoito anos... E isso por quê?
-Aquela demônia... Maldita – murmurou ele, tentado ao máximo não fraquejar e se encostar no balcão bem ao seu lado, onde o bartender parecia bem ocupado fazendo aquelas bebidas tão deliciosas.
De todos os lugares, aqui seria o último que ela deveria me trazer, certo?
Então... Por que estava ali, naquele pub imenso, com aquela música alta de estourar os tímpanos e de contagiar qualquer pessoa, e principalmente, com todas aquelas bebidas tentadoras?
-Tem certeza de que Orihime pode estar num lugar desses? — perguntou à sua babá, logo a frente.
Chegava até ser um pouco cômico vê-la no meio de tantas pessoas, e pedindo educadamente para lhe darem licença, sem que precisasse empurrá-las. Parecia uma criança perdida completamente... Quer dizer, perdida estava. E muito.
Bares como aquele em que se encontravam agora não fazia muito a cara de Rukia... Bares em geral não faziam a cara de Rukia.
-Certeza absoluta não tenho, mas... Continua procurando por ela. — respondeu sua babá aos berros.
Oh, sim... Agora Ichigo lembrava o por quê de estarem ali.
Mais cedo, quando saíam da KHS em disparada para algum lugar aleatório procurar pela ruivinha, viram Rukia na metade do caminho, que se juntou à eles – Ishida, Ichigo e Tatsuki – na busca por Orihime.
Não que a babá tivesse sido autoritária e ordenado para que viessem aqui nesse pub no centro de Karakura... De forma alguma, e ainda, sob qualquer tipo de ameaça que pudesse haver.
Às vezes, Ichigo imaginava se aquela branquinha não deveria fazer um exame psicológico a cada mês... Semana quem sabe.
E talvez trancá-la em algum manicômico por muito tempo.
-Tenta ligar pra Tatsuki e aquele... Aquele menino que eu não sei quem é, talvez eles tenham achado ela. — pediu Rukia, chutando a perna de um bêbado que tentava agarrá-la.
Tsc, tudo culpa do vestido tomara-que-caia que deixava muita pele branca de porcelana exposta aos olhos de qualquer um.
-Droga... Por que nos separamos? — boa pergunta.
-Porque assim fica mais fácil, idiota.
-Idiota é a- Ishida? — atendeu o celular.
-Kurosaki, eu não sou surdo... Aliás, estou vendo seu cabelo ridículo daqui.
-Maldito... Conseguiram achar Inoue? — Ichigo inclinou-se um pouco para que Rukia pudesse ouvir junto o que o amigo tinha a dizer.
-Não... Aqui não parece muito a cara... Meu Deus...
-Ishida? O que aconteceu? — perguntou o ruivo apreensivo, quase esmagando o celular ao mesmo tempo em que falava/berrava.
-Eu achei... Inoue...
-Achou? — Ichigo e Rukia soltaram um suspiro aliviado – Onde ela está?... Ishida? Ishida, responde... Tá me ouvindo? — a raiva já voltava a atormentar o adolescente.
Fechou o celular com força, e varreu o lugar com os olhos estreitos, procurando por uma cabeça enorme com um óculos de decoração. Quando o localizou, notou que nem ele, muito menos Tatsuki que estava ao seu lado, mexiam-se... Pareciam pasmos com alguma coisa, além das bocas abertas e dos olhos arregalados.
-Meu... Deus... — Ichigo deslizou lentamente seus olhos para a babá, que também parecia surpresa. Seu braço estava esticado, apontando para alguma coisa... Alguma coisa para que Ichigo olhasse também.
E quando o fez, sua reação não poderia ter sido outra.
-O que...? — não terminou sua frase. O queixo já estava no chão, assim como os olhos estavam igualmente ou mais arregalados que os dos amigos.
Não conseguia acreditar naquilo que os olhos tentavam registrar para que o cérebro pudesse processar... Não conseguia, muito menos queria admitir que aquilo ali estava realmente acontecendo, que aquilo ali não passava de um engano...
Não queria acreditar que aquela menina ali, em cima do balcão junto com mais algumas da mesma idade, dançava descontroladamente com o ritmo da música alta... Era somente parecida com Inoue, sua ex-namorada e amiga, a pessoa mais... Pura que existia. A mais inocente...
-Inoue...? — balbuciou seu nome, na tentativa de tentar chamar a atenção dela. Mas a voz fraquejava, assim como todo o restante do corpo.
A forma como os cabelos ruivos, longos e cintilantes balançavam em perfeita sincronia com a cintura fina; o modo como balançava os braços, um deles com uma garrafa de Dom; o rubor nas maças do rosto; o jeito com que os lábios formavam um sorriso lindo, como se... Como se fosse livre, e ao mesmo tempo, era um sorriso triste... Angustiante.
Não levou mais do que dois segundos para que Ichigo pudesse sair do pequeno devaneio em que se encontrava, e caminhasse até o balcão do outro lado em passos firmes, com a determinação estampada em sua face, em seus traços jovens, perfeitos... Tinha que tirá-la dali, fazer com que não se embaraçasse ainda mais, e por fim... Fazer o que deveria ter feito há tempos.
-Kurosaki-kuuuuun! — exclamou Inoue ao avistar Ichigo caminhando em direção à ela.
Parou de dançar estantâneamente, e com a ajuda de algum indivíduo que o ruivo não soube identificar, colocou-se no chão. Mesmo tropeçando no próprio salto, conseguiu correr até ele... Parecia tão feliz... Uma felicidade que Ichigo não soube lhe dar.
-Haha, eu estava dançando, e você deveria dançar também! É tão bom, eu me sinto tão leve... Haha, por que eu tô rindo desse jeito? — Ichigo aproximou-se mais do que rápido, e colocou os braços em volta da cintura de Orihime, impedindo que caísse no chão – Ooops... Acho que preciso de mais um drinque-
-Inoue, chega... Vamos sair daqui. — pediu ele, ainda inconformado com o fato de que sua ex namorada estava bêbada.
-Por que está tããão bravo, Ku-ro-sa-ki-kun? Haha, tente se divertir um pouco e- Tatsuki, Ishida-kun... Rukia-chan também! — acenou para os citados, enquanto o adolescente tentava mantê-la estável – O que estão fazendo aqui? AH, não respondam, eu já sei!
-Inoue... Nós viemos para- — Tatsuki tentou informá-la, mas não deu tempo.
-Uma festa? Aposto que vieram para a minha festa, não é? — concluiu, enrolando um pouco a língua para formular as palavras.
-Não Inoue-san, nós viemos para buscá-la... — Ishida disse, oferecendo sua blusa para que a ruivinha pudesse esconder as curvas chamativas.
-Kurosaki-kuuun... Vocês vão me levar embora? Mas já? Minha festa mal começou e... Eu quero ficar! Por favor! — implorou ela, choramingando no ombro de Ichigo, um pouco impaciente.
Quando Ichigo pensou em responder, seus olhos conseguiram captar alguns fios azuis... E um sorriso horripilante que reconheceria em qualquer lugar.
-Grimmjow, o que está fazendo aqui seu desgraçado? — Ichigo logo perdeu as estribeiras, chamando a atenção de muitas pessoas.
-Ora, ora... O que eu posso estar fazendo no meu próprio estabelecimento? — respondeu ao se aproximar, abrindo um sorriso com os olhares surpresos que lhe foram lançados – Vocês estão estragando a festa... Da Hime-chan, não é?
-Grimm! — Inoue tentou desvincilhar-se de Ichigo, e não obteve sucesso. Agora mesmo que ele não a soltaria.
-Ichigo, Tatsuki, Ishida... Até a Rukia-chan... — Grimmjow sorriu para essa última, que fez questão de ignorar tanto aquele riso, quanto o olhar curioso do ruivo – Não acham melhor soltá-la? Ela está bem aqui comigo, eu garanto.
-Se ela está com você, nunca vai estar bem! — Tatsuki impôs, com os braços cruzados, não perdendo a oportunidade de fuzilá-lo com os olhos.
-Bom... Nunca fiz nada a ela, já você... Deixa eu ver, além de ser a melhor amiga dela, nem se lembrou disso quando se deitou com o Kurosaki-kun, não foi? — perante a tal constatação, a garota não conseguiu retrucar. Não foi preciso.
-Grimmjow, seu-
-Ichigo! — Rukia interviu, e se colocou entre os dois, antes que pudesse haver uma confusão maior do que aquela – Levem Orihime lá pra fora, agora. Por favor.
-Mas-
-Ichigo! — era quase que um berro.
Se não fosse pelo tom ameaçador da voz grossa de Rukia, e o modo como aqueles olhos, violetas quando sérios, o persuadia a fazer qualquer coisa, teria retrucado e ainda não iria tentar conter-se em dar um belo soco naquele sorriso arrogante que Grimmjow fazia questão de alargar a medida do tempo.
Resmungando, enlaçou a cintura fina de Orihime, e com a ajuda de Ishida, caminhavam em direção à saída, enquanto Tatsuki os seguia.
-Rukia-chan... Queria ficar sozinha comigo? — ouviu a voz asquerosa e tampouco aveludada de Grimmjow sussurrar em seu ouvido quando os jovens já se encontravam em uma distância boa.
-Nunca... – virou-se para ele, e com as palmas abertas, empurrou o corpo enorme de Grimmjow para trás, um pouco hesitante em tocar seu corpo também cheio de músculos.
Rukia fez uma careta, a fim de deixar bem claro que a última coisa que poderia querer em toda sua vida, era ficar sozinha com aquele cidadão asqueroso e horripilante.
-Então, por que ainda está aqui? Presumo que queira algo... Vamos ver, que tal me contando quem é a verdadeira Kuchiki Rukia? — insinuou ele ao pegar um copo de uísque da bandeja de uma garçonete que passava ali perto.
-Já disse... – com a voz trêmula, tentava a todo custo negar – Não sei o que está querendo insinuar, mas, garanto que se continuar insistindo nesse assunto eu vou ser obrigada-
-Obrigada a quê? Contar tudo ao Kurosaki? É, faça isso, garanto que ele não lhe permitirá ficar nesse emprego idiota por mais de dois segundos... Ou estou enganado, Ruu-chan? — colocou suas mãos enormes no braço fino de Rukia, e a arrastou com ele até o balcão, onde colocou-a sentada bem ao seu lado.
-Grimmjow, me solta – Rukia pediu raivosa, inconformada com a força que aquele canalha segurava seu braço delicado. Outra marca que teria de esconder.
-Haha, não precisa ficar tão nervosa... Ou então, eu mesmo conto-
-...! — Rukia abriu a boca para protestar, mas emitiu som algum quando viu a expressão vitoriosa que se formava no rosto simétrico do adolescente.
Ele, em retorno, nada fez. Apenas ficou a observá-la, com aqueles olhos azuis; tão azuis quanto o céu quando o sol se fazia presente. Por algum motivo, Rukia os achou intrigantes, mas por outro lado... Sentia raiva. Raiva dele, e de si mesma por ter caído em uma armadilha verbal tão ridícula quanto aquela.
-O que... O que você quer, afinal? — indagou a figura diminuta que era a babá, com os olhos firmes sobre os dele; uma confusão de azuis... Tonalidades tão distintas quanto os sentimentos por trás deles guardados.
-Tsc, eu não preciso de nada... – disse, com um tom zombeteiro – A não ser que você tenha algo a me oferecer – sem muita cerimônia, a mão de Grimmjow já se encontrava sobre a perna torneada e macia de Rukia.
Ao sentir a mão quente tocar-lhe a perna, a reação foi rápida. Com um tapa forte, afastou-a de onde nunca deveria ter tocado. Tentando disfarçar o rubor que se formava em suas bochechas, colocou-se em pé, pronta para ir embora. Caso contrário, se continuasse ali, não iria conseguir segurar sua mão de se colidir com a maça do rosto daquele ser.
-Ru-chan... — segurou novamente o braço de Rukia, onde já havia deixado uma marca – Pense bem sobre o assunto, garanto que vai ser vantajoso para as duas partes.
-Então faça o que quiser, porque minha resposta pra isso vai ser sempre não. Se quiser procurar saber sobre mim, não me importo mais. Mas se for preciso, vou jogar tão sujo quanto você para que me deixe em paz de vez – e assim, desvencilhou-se dele, desaparecendo entre a multidão de pessoas.
Grimmjow riu... Finalmente havia encontrado alguém para brincar.
Continua...
Notas finais
ps: a partir do cap. 7 é que a fic realmente vai parecer ichiruki, mas aos poucos !
Boa semana a todos!
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