Gâteau Aux Fraises
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Respondendo e-mail:
De: Mari Yamazaki (yamanee@)
Assunto:...
R., por favor, preciso de um conselho... Gás de cozinha ou navalha?
Resposta:Bom, acredito que remédios são mais eficazes, são rápidos e você nem sente! Caso sobreviva a qualquer um desses, era melhor nem ter tentando... É bobagem essa coisa de suicídio; se eu acreditasse que as coisas iriam melhorar dessa forma, então eu estaria aqui há muito tempo, (:
De:Kipei Nagari (k.naga@)
Assunto:help!
Descobri faz pouco tempo que vou me mudar. Também estou indo aí para Karakura! O problema é que... Na KHS já têm um príncipe, acho que o nome dele é Kurosaki Ichigo... E... Gostaria de saber se ele é gay! Obrigado.
Resposta:Se ele é gay? Hm... Totalmente. Meu conselho é: vai fundo nesse relacionamento!
De:Yagami Akira (akirocks@)
Assunto:(sem assunto)
Posso ser seu amigo?
Resposta:…
Foi o último e-mail que Kuchiki Rukia sentiu vontade de responder naquela tarde demasiadamente fria. O inverno ainda não era a estação do momento, mas sua chegada tão esperada se refletia na ânsia das crianças pelo primeiro floco de neve cair, ou mesmo até nas mulheres ricas da cidade comprando as novas coleções de casacos luxuosos que eram inspiradas em alguma estrela de cinema.
O fato era que, ainda era verão. Ainda estava entediante ficar em casa sem fazer absolutamente nada. A criança/adolescente mal parava em casa, e sempre que ia buscá-lo na escola, 'estranhamente' ninguém havia visto seu rosto ou o cabelo chamativo, mesmo que Rukia o levasse todos os dias no mesmo horário.
Kurosaki Isshin, disse-lhe no começo do emprego que seria difícil, e 'Conheço meu filho, se ele te der atenção é ruim. Ele vai querer alguma coisa com você. Se ele não te der atenção, é por que vai fazer como se não existisse.'
Haha, que ótimo!
Agora mesmo que a auto-estima que Rukia tinha, já não sabia se ainda a tinha de fato.
-Argh! — esbravejou abafadamente; consigo mesmo, claro.
Como é que não conseguia cuidar de um simples garoto? É, por que era disso mesmo que ele não passava, um garoto mimado. Um garoto mimado extremamente bonito com um senso de humor terrível. Igual ao de alguém que todos aqui sabem quem.
Rukia decidiu por fim desligar o notebook, já que não tinha mais ânimo pra responder mais um desses e-mails. Que mais serviam de passatempo mesmo, não que não fosse cansativo, óbvio.
Os orbes olhos azuis espiaram o tempo lá fora de relance, só pra garantir que ainda não chovia. Por sorte da pequena, não, não estava chovendo, o céu apenas estava escuro como a blusa que vestia no momento.
-Rukia-chan? — ouviu a voz fininha, e deduziu que era Yuzu. — Posso entrar?
A morena assentiu, e depois se deu conta de que ela não podia enxergar. Correu até a porta do quarto para abri-lá, tropeçando em seu tênis velho jogado no meio do caminho.
-Ah, desculpe a demora Yuzu-chan. — Rukia deu espaço para a irmã gêmea mais nova de Ichigo de entrar, porém essa hesitou. — Tem algo que eu possa ajudar?
-Um... Como eu posso dizer? — as bochechas de Yuzu queimaram com a pergunta repentina, mas assentiu de qualquer forma. — É que eu estou preparando o meu jantar, e... — apertando a barra da saia de bolinha, as palavras custavam a sair, e alto. — E eu acabei de perceber que não tinha macarrão, então... Eu até iria sair pra comprar, mas eu não posso sair da cozinha, já que a Karin-chan foi jogar futebol e, você foi a única pessoa que sobrou pra eu perguntar, já que papai também está trabalhando... — a loira apertava com força a barra do avental, tímida e com as bochechas ardendo, quase pegando fogo. — Então... Teria como Rukia-nee comprar o macarrão?
E Rukia tinha como dizer não?
II
Rumores eram, até certo ponto, normais quando ainda se estava no colegial. Principalmente na Karakura High School, onde todos sabiam a vida de todos, já que a cidade era pequena, os pais amigos e toda aquela velha estória de 'vida do interior'. Ou seja, os rumores se espalhavam rapidamente. Só quem não tinha orelhas, ou era surdo, que não sabia de algum 'escândalo'.
E quem é que nunca ouviu falar no novo rumor do príncipe da KHS? Sim, o lindo de cabelos chamativos chamado Kurosaki Ichigo, do terceiro ano, cujo os olhos eram tão penetrantes quanto- a-ham, e os lábios levemente rosados, finos e tão tentadores quanto seu físico im-pe-cá-vel.
Que rumor?
O rumor de que agora tinha uma babá.
E, Tatsuki Arisawa, a menina do 'me-toque-e-você-fica-sem-braço', felizmente não era surda, muito menos sem orelhas; estava por dentro do assunto. E é claro que dessa vez, como a maioria das outras vezes, era mentira. O Kurosaki Ichigo que ela conhecia não iria ter uma babá com meio metro de altura, e tão autoritária quanto aparentava ser, refletiu a morena de cabelos curtos sentada no caixa da pequena loja de conveniência que, por um acaso, ficava bem perto da casa de Ichigo e onde passou a trabalhar meio-período fazia um mês.
Se a memória de Arisawa não estava tão ruim quanto parecia, aquela menina que passava segurando um pacote de macarrão e indo até os produtos infantis era a mesma que via todos os dias, de manhã e de tarde, junto de Ichigo e seus amigos.
Não era de toda feia; grandes olhos azuis, pele alva e um cabelo negro irrevogavelmente liso de dar inveja a qualquer menina vaidosa. Parecia uma criança, concluiu Tatsuki ao vê-la abafar um sorrisinho enquanto lia algum mangá água com açúcar. Eca.
Só de pensar, tinha dó da coitada. Infelizmente conhecia muito bem Ichigo. Sabia que não daria a mínima atenção à tal Kuchiki por ser tão... Pequena. Em todos os sentidos. Se ainda tivesse algo que chamasse atenção como sua amiga Orihime, ou mesmo até Matsumoto. Tudo ficaria bem mais fácil.
Com um sorriso amigável no rosto, ficou a esperar pela à adolescente já próxima do caixa.
-Boa noite. — murmurou a tal Kuchiki, colocando os produtos em cima do balcão.
-Boa noite. — respondeu a filha única dos roqueiros mais esquecidos do mundo. — Hm, você é Kuchiki Rukia, certo? — arriscou puxar algum assunto.
-Oh, sou eu sim. — a morena abriu um sorriso e logo desconfiou. — Como sabe disso?
-Você é o assunto do momento na nossa escola; todo mundo sabe seu nome. — Tatsuki digitalizou mais alguns produtos e finalmente, quando a curiosidade já não conseguia mais ser contida, resolveu perguntar. — É verdade que é babá de Ichigo?
-Ah, isso... — logo os orbes olhos azuis se curvaram de uma maneira estranha. Como se estivessem tristes. — Sou a babá dele sim. Conhece Ichigo?
-Ichigo? — dessa vez até ela riu. Quem é que diabos não conhecia esse menino? — Estudei com ele desde o primário.
-Hm, que estranho. — Rukia tombou a cabeça para o lado, tentando lembrar-se de algo -Acho que nunca te vi perto dele, ou do resto.
-É por que nós não nos falamos mais. — Tatsuki pegou o dinheiro da pequena, e logo lhe entregou o troco, junto com as compras. — Aqui, está pesado. E obrigada.
Kuchiki disse-lhe o mesmo, e antes de sair completamente, preferiu voltar. Queria perguntar, saber tudo sobre Kurosaki Ichigo. E quem melhor do que Tatsuki pra isso?
-Se não for muito rude da minha parte, mas... — mordeu os lábios rosados. — Por que vocês não se falam mais?
Então era isso. Tatsuki riu. Essa babá podia pelo menos tentar não ser tão fofinha quando perguntasse as coisas, já que ficava difícil de negar ou ser grossa.
-Muitas meninas, muitas mesmo... Pelo menos alguma vez já se sentiu atraída por Ichigo, isso é fato. — cruzou os braços ao explicar. — E comigo, que cresci junto com ele, não foi tão diferente. Eu era tão boba naquela época... — riu. — Foi na oitava série que nós, você sabe, transamos pela primeira vez. Na verdade, foi um acidente mesmo... Como meus pais viviam fora o dia inteiro, Ichigo sempre ia à minha casa pra poder passar algum tempo. E naquele dia, quando agente voltou do dojo, sem querer ele tropeçou e acabou caindo em cima de mim... E o resto, foi puro hormônio. — Tatsuki olhou de relance para Rukia e não pôde deixar de reparar como as bochechas estavam em brasa. — Depois disso, Ichigo deixou de ir à minha casa... Na escola poucas vezes falava ou sequer olhava pra mim.
-Hum.. — Rukia, ainda segurando a sacola, escutava atentamente tudo o que Tatsuki dizia, mas era difícil de acreditar no que ouvia.
-Piorou tudo quando nós entramos pra KHS... Aliás, quando ele ficou popular e esqueceu mesmo da nossa amizade. Tanto que até ano passado namorava com a minha melhor amiga.
-Inoue? — ela assentiu. — Eu não sabia disso... — pelo visto, Rukia estava arrependida da pergunta feita. — Ichigo nunca mencionou que-
-Que é um desgraçado? Se for isso, nem precisa. Só de olhar dá pra saber.
-Tatsuki-san... — ainda refletindo sobre o assunto, sentiu um tom de angústia na voz dela. Parecia tão mais melancólica do que raivosa, como as palavras de agora pouco.
-Sabe Kuchiki, — a voz de Tatsuki amoleceu um pouco mais dessa vez. — ser babá de um menino assim... Eu tenho muita dó de você.
Eu também, viu os lábios da mesma balbuciarem.
-Mas, se quiser, eu posso até ajudá-la com algumas coisas que dizem respeito ao Kurosaki. — sorriu.
-Obrigada- — Rukia não terminou de falar, pois o celular agora vibrava dentro da calça jeans.
Tatsuki preferiu ignorar a conversa, mas pela expressão dela, não parecia nada bom.
-Hm, eu preciso ir agora Tatsuki. E awn, obrigada. — acenou levemente, e saiu pela porta praticamente correndo; a preocupação estampada no rosto.
E quem é que não iria ficar com uma feição dessas se fosse babá de um inconseqüente como Kurosaki Ichigo?
III
Era a terceira vez naquela mesma semana que Rukia tinha que sair às pressas logo depois que o telefone começava a vibrar. Não precisava olhar no identificador para ver quem era, já sabia de cor. Hisagi Shuuhei, o melhor amigo bonitinho de Kurosaki Ichigo que conheceu na semana passada, quando de passagem para buscá-lo.
As ligações eram em sua maioria sempre no mesmo horário, por volta das sete ou oito horas da noite, quando nenhum daqueles adolescentes irresponsáveis, mimados e babões conseguiam mais manter o nível do álcool estável no corpo.
Por isso que não passavam de adolescentes irresponsáveis, mimados e babões.
Rukia não demorou muito pra chegar até a casa de Hisagi; mesmo as pernas sendo pequenas, elas conseguiam marcar um ritmo maior do que de uma pessoa com pernas longas – leia-se normais – .
Ao avistar o moreno do 69 tatuado no rosto, sentiu-se um pouco mais aliviada. Pelo menos nenhum dano físico parecia ter, muito menos o saco de batata em forma de adolescente, Ichigo, estirado no jardim da bela mansão dos pais de Shuuhei parecia ter algum arranhão.
Só a camiseta, que até essa manhã era verde claro, estava agora um verde musgo.
No-jen-to.
-Ru-chan! Que bom que chegou. — o sóbrio, que nem estava tão sóbrio assim, acalmou. — Por que demorou?
-Hm, estava fazendo compras, tive que ir pra casa primeiro. — respondeu a menina de um metro e meio, não tão amigável pelo 'Ru-chan'. — O que aconteceu dessa vez? — amoleceu o tom de voz, ao ver Ichigo gemer baixinho por causa do vento, que cada vez mais ia ficando intenso.
-A mesma coisa de dois dias atrás. – Hisagi chutou a perna de Ichigo, e só escutaram uma risada abafada em resposta.
Estava completamente bêbado.
E chapado também. Sentia o cheiro de ambos longe, tão insuportáveis.
-Eu não acredito nisso. – levou a mãozinha até o rosto, de forma a não se conformar com o fato de que estava mais cuidando de um gambá do que de um menino de dezessete anos!
-Qual é o problema dele? — murmurou sozinha.
-Ichigo... Ele não é uma pessoa fácil. — Rukia levou os olhos até Shuuhei, e constatou que ele também parecia estar chapado. — Um dia você vai se acostumar com ele.
-O problema é, que dia? — se abaixou até o jovem mencionado agora pouco, e com um sinal, pediu para que Shuuhei a ajudasse com Ichigo até o carro que o próprio ganhou dos avós no natal retrasado.
-O dia em que você colocar alguns bons litros de silicone, e um implante de canelas. — insinuou educadamente o moreno.
Bom, oi, ele estava certo.
-Droga! — praguejou consigo mesma ao enfiar Kurosaki no automóvel. — Droga, droga, droga!
-Por que tanto 'droga'? — Shuuhei indagou ao vê-la andar de um lado para o outro, pensativa demais pra dizer outra coisa senão 'droga'.
-O que é que eu vou dizer pra família dele? Que 'Kurosaki-kun' resolveu sair pela terceira vez no meio da semana pra se embebedar e fumar só por que ele quer me ferrar? Qual vai ser a desculpa dessa vez, Shuuhei? — Rukia encostou-se na porta do carro e esperou por uma simples risada chapada, que não veio.
-Eu acho que você... Devia mais é se preocupar como chegar em casa, do que a explicação que vai ter que dar se chegar atrasada. — olhou pra Shuuhei, e pela primeira vez, depois de uma semana, percebeu como os olhos eram tão negros. Tão brilhantes.
E tão bonitos de se ver.
-Tem razão... Melhor eu ir pra casa.
-Não quer que eu leve vocês dois? — Hisagi ofereceu gentilmente.
Ah, tá bom que eu iria preferir um bêbado chapado à mim mesma.
-Hm, acho melhor não. Obrigada de qualquer forma. — sorriu genuinamente a morena antes de entrar no carro e sair em disparada segundos após sua última sentença, sem antes dar um aceno simples ao adolescente que ficara a observá-la ir embora.
É... Ichigo sempre foi um filho da puta sortudo.
IV
Rukia fez todo o esforço que pôde para não acertar um soco na cara de Kurosaki Ichigo durante o caminho inteiro para a mansão dos Kurosaki.
Isso é, toda vez que o infeliz colocava a mão em suas pernas brancas.
Ela era uma babá, não uma prostituta, oi.
O jeito como ele enrolava ao falar algo, ou mesmo até os olhos vermelhos eram realmente engraçados. Provavelmente iria estar rindo numa hora dessas, se não fosse pelo simples detalhe de que ela era a culpada por isso.
Se ao menos conseguisse impor certos limites a Ichigo, sua vida seria tão mais tranquila... E tão mais fácil.
-Vem, vamos entrar pela porta dos fundos. — desceu do Audi TT tão rápido que Ichigo mal pôde abrir os olhos direito.
Ajudou-o a descer do carro, e cambaleando, Ichigo se apoiou no pequeno corpinho de Rukia, o que não era muito bom. Além de andar, tinha que carregar um gigante em seus ombros. Como se não bastasse a mão boba que o adolescente ali tinha.
Ah, desgraçado... Se aproveitando da situação.
Rukia abriu a porta dos fundos com o máximo de cuidado, olhando sempre para os dois lados. Para sua sorte, os empregados estavam auxiliando Yuzu com a mesa de jantar, então não teria problema em passarem despercebidos.
Quer dizer, se Ichigo não continuasse a falar alto, claro.
-Rukiaaa...! — chamou por seu nome repetidas vezes, que até mesmo a própria cansou-se do nome lhe dado.
-Quieto Ichigo. — mesmo com a mãozinha pequena, conseguiu calar Ichigo até o quarto do mesmo. Subiram as escadas com um pouco de dificuldade, mas mesmo assim, ninguém os viu. E era isso que importava.
-Onde você... Urgh, tá me levando? — indagou levemente preocupado à Rukia, enquanto ela o fazia sentar-se na tampa do vaso sanitário de seu luxuoso banheiro.
-Hei... Hei, isso faz cócegas! — Ichigo ria instantaneamente ao toque das mãos geladas de Rukia, ao tirar as roupas de si mesmo. — Por que está tirando minhas roupas? — o sorriso maroto no rosto se formou logo após pegar a idéia errada. Totalmente errada.
-Porque você vai tomar um bom banho – Rukia parou ao ver a cueca do ruivo, e decidiu que iria deixar do jeito que estava.
OK, se acalma vaca.
Colocou Ichigo de pé com o intuíto de levá-lo sem nenhum problema até a grande e espaçosa banheira, onde iria deixá-lo lá, se Deus quisesse até amanhã, quando o acordaria com um belo grito. Quer dizer, Rukia estava crente que seria tudo tão fácil assim, se não fosse pelo simples fato de que era tão pequena, e ficava exatamente bem em frente ao peito nu e branco de Ichigo, com seus músculos definidos de dar inveja a qualquer um da idade dele. E era nesses momentos que [adorava] odiava ser tão pequena.
Respirou fundo, e tentou conter a ardência nas bochechas. Estava agindo-de-um-jeito-que-não-era-exatamente-o-dela nesse momento, o que chegava a assustá-la com a possibilidade de pular naquele bêbado a qualquer hora.
Não era como se Rukia nunca tivesse visto um homem sem camiseta... Mas era a primeira vez que via um homem, melhor, menino sem camiseta e calça. Tá bom, era completamente constrangedor... E um pouco adorável.
Quando conseguiu mexer as pernas, Rukia o colocou, quer dizer, praticamente o jogou na banheira. Pensou em ajudá-lo, mas Ichigo era grandinho demais para tomar banho sozinho.
-Rukia? — Ichigo a chamou quando a viu virar-se para ir embora. — Você é minha babá... E dar banho no bebê faz parte do trabalho. — riu, vitorioso como sempre.
Então era só nessas situações... Constrangedoras que o idiota fazia questão de indicar o tipo de relação que tinham.
Agora Rukia estava puta; o que não era boa coisa.
-Ah claro... — virou-se para ele com um sorriso tão enorme no rosto, que até o príncipe sentiu-se acuado. — Com. Todo. O. Prazer, bebê.- abriu a torneira de água gelada ao máximo, e se deleitou ao ouvir o gritinho saindo da boca de Ichigo.
-RUKIA!
V
Ao sair do banheiro, Rukia achou melhor deixar que o 'bebê' terminasse o banho sozinho, enquanto ela iria descer as escadas e procurar pelo jantar dos dois. Se o levasse para a mesa de jantar, onde estaria a família Kurosaki inteira, provavelmente ela estaria na rua no dia seguinte. Era arriscado demais levá-lo até a comida. Mais fácil mesmo era levar a comida até ele. E depois a comida até a privada.
Ao descer o último degrau, sentiu todos os três pares de olhos colados nela, como se estivessem curiosos para saber o que estava se passando.
-Rukia-chan! — exclamou Isshin Kurosaki, um pouco preocupado. — O que estava fazendo lá em cima que demorou tanto? — um pouco preocupado, mas sempre brincalhão.
-O que ela faz da vida dela não te interessa, seu velho. — para a sorte de Rukia, Karin havia intervido a seu favor. Mas de alguma forma, sentiu que a morena sentada à mesa sabia de alguma coisa.
-Karin-chan! Não seja tão fria assim com seu papai! Vamos, me dê um-
-Saí daqui, esclerosado! — deu um murro na cadeira de Isshin, e o mesmo acabou voltando para o lugar.
-Huh, Rukia-chan... Não ligue para eles. — pediu Yuzu, a irmã gêmea de Karin, logo que o alvoroço sobre a mesa de jantar começara segundos atrás.
-Sem problemas Yuzu... — Rukia sorriu para ela, e meio que quase deixou escapar uma risadinha por conta da briga entre pai e filha.
-Cadê Ichi-nii? — indagou a loira, enquanto varria a sala com seus olhos castanhos a procura do irmão problemático.
-É que... — mordeu o lábio um pouco insegura. — ele acabou chegando um pouco tarde hoje, e disse que está muito cansado. — olhou de relance para a briguinha, e sentiu-se mais aliviada quando viu que nenhum dos dois prestava atenção do que dizia. — E como babá dele, achei melhor que levasse nosso jantar lá em cima.
-Entendo... — disse Isshin, para seu espanto. — Yuzu, peça para um dos empregados levarem o jantar lá em cima... Tenho certeza de que Ichigo deve estar muito cansado. — sorriu para Rukia, o que não foi boa coisa.
Isshin sabia.
Isshin sabia que o filho dele era um bêbado drogado.
Isshin sabia de tudo isso.
Isshin com certeza ia lhe demitir.
Meu. Deus.
-B-bom, acho melhor eu subir agora. — a pequena não conseguiu disfarçar o tremor na voz, e quase cuspiu as palavras, de tão rápido que as soltou. — Obrigada.
-Velho... — foi a voz de Karin que invadiu a sala de jantar quando Rukia desapareceu das vistas de todo mundo. — Você não vai demiti-lá, vai?
Soltou uma risada, à guisa de explicação.
-Karin, Karin... — afagou os cabelos negros da filha, ainda sorrindo. — Vamos logo comer nosso jantar, antes que esfrie.
VI
Encostou-se na porta do quarto ao fechá-la, ainda com as pernas bambas. Praticamente subiu às escadas correndo, com a sensação de que os dias dela na casa dos Kurosaki estava com os dias contados.
Iria ser demitida.
Iria ser demitida e não teria para onde ir. Tóquio?
Nunca mais. Preferia morrer do que voltar para aquele inferno. Depois de tanto custo para vir até aqui, não podia ir assim. Não podia ser demitida. E o mais importante, não queria ser demitida.
-Rukia? — a voz grossa e rouca de Ichigo invadiu seus ouvidos, fazendo com que voltasse ao normal. — Você está bem?
-Hm... — quando iria dizer o 'sim, estou bem', reparou que o adolescente sentado na cama não vestia nada além de uma simples cueca samba canção azul, da cor do sutiã que ela mesma estava usando nesse momento.
Não, ela não estava bem.
-Eu que deveria estar fazendo essa pergunta. — tirou sua sapatilha preta de camurça, e instantes depois, subiu na cama kingsize do adolescente. — Me dá a toalha. — pediu gentilmente à Ichigo, e este não fez nada mais do que entregar a toalha amarela de algodão.
Quando a babá começou a secar seus cabelos ruivos, quase que deixou soltar um gemido despercebido, de tão boa que era a sensação das pequenas mãozinhas remexendo em seus cabelos de uma forma tão... Gentil. Já fazia um bom tempo desde que se sentia assim, tão confortável... Sua mãe que costumava secar seus cabelos depois do banho quando criança. Era uma sensação tão... Maternal.
Que ele pouco desfrutou.
-Ichigo...? — ouviu Rukia chamá-lo, mas não sentiu vontade de responder. Os olhos estavam vermelhos e pesados, que mal conseguia deixá-los abertos.
-Isso é bom... — murmurou, ainda com um pouco de álcool evidente em suas ações e palavras. — Das outras vezes que eu fiquei bêbado você não fez nada disso...
-Ichigo... — parou estantâneamente o que estava fazendo, e puxou o corpo de Ichigo para trás, fazendo com que a cabeça do mesmo caísse em seu colo. — Qual é o seu problema?
-Meu problema? — riu, tentando pegar uma das mechas de cabelo negro de Rukia que caía em seu rosto. — Você... Você é o meu problema.
-Pelo menos agora você foi sincero. — Rukia suspirou, e arqueou seu corpo para trás. Estava exausta. Precisava dormir, colocar as idéias no lugar. Depois procurar um lugar para ir, já que seria demitida daqui há poucas horas. Ou talvez minutos. Segundos quem sabe...
-Você é o meu problema porque é cética demais... Você e esse seus olhos... Eles me irritam... Eles me fazem querer gostar de você... E eu não quero gostar da minha babá... Não quero uma babá... É esse o meu problema.
Surpresa por ouvir isso ela não estava. Na verdade, o que a surpreendeu mais é que ele teve coragem para dizer... Finalmente.
-Obrigada Ichigo... — me sinto menos pior agora.
-De nada Rukia... — disse, antes de cair num sono profundo.
É... De certa forma, ela o entendia. Isso era o que a assustava.
VII
Um pouco de curiosidade não fazia mal a ninguém, muitos menos à ela, já que como Ichigo disse, era cética demais. Além do mais, sentir uma pontada de curiosidade não era um crime, como certos pensam.
Foi o que Kuchiki Rukia pensou ao sair do quarto do príncipe da KHS, segurando um pequeno saco plástico com alguma coisa que ela não conseguiu identificar dentro.
Com os cabelos negros por cima dos ombros finos cobertos apenas por uma blusa fina de algodão, o peito inflado e aquela sensação de que algo ruim iria acontecer a qualquer momento, Rukia conseguia ainda se equilibrar em suas pernas até seu quarto, que não era longe. Aliás, era logo ao lado.
Logo após fechar a porta do quarto, teve o simples reflexo de trancá-la. Foi tão automático para ela que chegou a dar um certo medo. Não-era-como-se-ela-tivesse-cometido-algum-crime-ou-qualquer-coisa-do-gênero.
Quer dizer, ela não. Mas Ichigo...
-Droga... Esse menino. — praguejou tão baixinho que até das paredes Rukia duvidava naquele momento tão... Crítico?
-Até eu descobrir o que é, isso aqui fica comigo. — enrolou o pequeno saquinho de plástico e foi até seu armário, onde enfiou em sua bolsa de tecido leve com uma estampa completamente brega e ultrapassada.
Pelo menos ali teria a certeza de que ninguém iria descobrir onde tinha guardado, muito menos o que era. Apesar de ainda se indagar a procedência do conteúdo.
Enfim... Ichigo deve saber o que faz.
Ou não.
Rukia era do tipo de pessoa que não conseguia ficar com uma questão em sua cabeça martelando por muito tempo... Queria descobrir o que era aquilo que havia acabado de guardar, e mais... Queria mesmo era saber o que Ichigo fazia com isso.
Ainda eram dez horas... Hisagi Shuuhei não parecia ser do tipo de pessoa que dormia tão cedo.
VIII
Que Hisagi Shuuhei era apaixonado por Kawaguchi Reira, sua prima inconseqüente de dezesseis anos, desde sempre não era novidade pra ninguém.
Quase ninguém.
E que ela nunca deu bola pra ninguém também não era novidade; nem pro pobre coitado que ainda caía de amores só de sentir sua fragrância embriagante no ar. Pois é, Hisagi já era um caso perdido há muito tempo.
Mas isso não explicava a ânsia que sentiu quando recebeu uma ligação minutos atrás da babá de seu melhor amigo e príncipe da KHS, pedindo-lhe gentilmente com sua voz e jeito tão encantadores de ser para que a encontrasse em um café perto da residência dos Kurosaki.
E é claro que, como homem e não somente isso; como gentil que era, disse que ia esperá-la.
Em sua imaginação fértil poderiam ocorrer várias coisas, mas Kuchiki Rukia não parecia ser do tipo de menina que se oferecia apenas por ser oferecida. E infelizmente, ela não iria se jogar em seus braços fortes e calorosos como queria naquele momento... Não exatamente naquele momento, mas há um mês atrás, quando viu seu exorbitantes olhos azuis cristalizados e hipnotizantes pela primeira vez.
Ou então seu jeitinho nada delicado quando ia buscar por um Ichigo bêbado em sua casa, na maioria das vezes que o fato ocorria. Pois é, o próprio ruivo não sabia se deleitar dos privilégios de adquirir, mesmo que de contragosto, uma babá tão...
Excêntrica como Rukia.
Era assim que a via... Uma figura excêntrica que consegue chamar a atenção de todos por onde passar, mesmo que não se enquadre nos padrões de beleza da sociedade moderna, como Inoue Orihime; mas que causava o mesmo efeito que a ruiva era quase impossível de se negar... Não tinha como não reparar nos lábios finos e perfeitos, de uma coloração natural tão adorável como eram. Ou então na pele tão branca como porcelana, mas macia como uma nuvem.
Quando Hisagi a avistou entrar no café, preferiu se conter. De certa forma, chegava até ser divertido vê-la procurar por ele, enquanto andava na ponta dos pés, já que a altura não ajudava muito. Os demasiados olhos cristalizados varriam o estabelecimento, e já parecia dar se por vencida quando conseguiu avistar seus cabelos negros espetados.
Hisagi abriu um largo sorriso a esperar pela chegada da branquinha; um tanto... Atordoada, observou astuto como sempre.
-Esperou por muito tempo? — foi a primeira coisa que Rukia perguntou ao sentar-se em frente ao adolescente dos olhos mais impecáveis que já viu. Eram de um negro tão profundo, que chegavam a ser fúnebres, mas continuavam encantadores.
-Não, cheguei quase há pouco também. — ainda bem que a babá não sabia da fama de mentiroso mais competente da KHS que Hisagi tinha, do contrário, duvidaria da resposta recebida. Não que depois do telefonema de Rukia ele já estivesse aqui cinco minutos depois, uns quarenta e cinco minutos atrás.
Claro que não...
-Que bom que não esperou por muito tempo... Tive que sair pelos fundos, que foi mais complicado do que eu imaginei que seria... — olhou de relance para o moreno e percebeu o jeito que ele a olhava. E decidiu que aquele olhar era... Irritante, por algum motivo. Era uma mistura de desdém com malícia.
-Ichigo deu muito trabalho? — Hisagi riu, chamando pela garçonete; essa que não demorou mais de cinco segundos pra estar com a barriga colada na mesa deles.
-Hm, digamos que sim. — Repuxou os lábios de canto, decidindo o que pedir. E Hisagi achou isso, de certa forma, encantador.
-Boa noite, já fizeram seus pedidos? — perguntou a gentil, ou nem tanto, moça de cabelos compridos encaracolados loiros e com uma blusa completamente apertada, que chegava até dar aflição de ficar muito perto. Era provável que um daqueles botões da pobre blusa iriam sair voando daqui a pouco.
-Acho que vou querer só um frappuccino de morango. — Rukia lhe entregou o cardápio, e não pôde fingir não ver como a moça olhava para Hisagi.
Era realmente cômico.
-Bom, acho que alguém aqui arranjou uma fã. — comentou ao rapaz do 69 tatuado no rosto quando a garçonete já estava a uma distância boa. Ele só riu.
Se ela soubesse quem é que tem um monte de fãs aqui nesse lugar, não estaria tão tranquila assim.
-Então, Ru-chan, o que queria conversar comigo? Aposto que não me chamou aqui só por que eu sou bonitinho... Acertei?
-Sem ofensas, mas não te chamei até aqui só por que você é bonitinho. — Rukia riu quando Shuuhei fingiu-se de ofendido.
-Ofensas não aceitas. — o moreno brincou com o copo, esperando pela pequena começar a falar.
-Bom... Eu nem sei por onde começar direito. — mordeu o lábio inferior, com hesitação visível em seu rosto. — Não quero parecer ou agir precipitadamente, mas é que se eu não tirar a minha dúvida nesse momento... Eu sei que mais tarde eu posso me arrepender. — Rukia abriu sua bolsa de tecidinho fino vermelha, e retirou de lá um saquinho plástico. — Será que você pode me falar o que é exatamente isso aqui?
No momento em que a mão delicada e pequena de Rukia escorregou lentamente pela mesa sobre um saco plástico, Hisagi já tinha uma disconfiança do que poderia ser. E quando o próprio pegou o objeto não identificado em suas mãos não teve dúvidas.
-Onde você conseguiu isso aqui? — o olhar de desdém e malícia agora eram de espanto e descrença.
-Quase agora, quando eu estava saindo do quarto de Ichigo... Vi isso caído no canto do quarto... — os cristalizados olhos de Rukia já estavam com um ar de decepção. — Hisagi-
-Shuuhei, por favor. — tentou sorrir, mas estava surpreso demais.
-Okay, Shuuhei, como eu ia dizer... Você sabe o que é isso aí, não sabe?
-Ru-chan... — o rapaz soltou um suspiro, tentando formular algumas palavras coerentes. — Não faz a menor idéia do que seja isso aqui?
-Evidente que não... Ou não iria chamá-lo aqui, esqueceu? — tsc, pelo visto isso não era um método novo para atrair Hisagi à ela. Infelizmente. E pelo visto, Rukia era tão inocente quanto seu corpo e alma.
-Isso aqui é... — pegou um comprimido dentro do saco plástico para examinar melhor e sorriu. — Ecstasy. Vários deles.
Como é que é?
-Aqui em Karakura é normal encontrar desses comprimidos em qualquer lugar, com qualquer pessoa, inclusive entre os alunos do ensido médio... — continuou ele. — Ainda mais com Ichigo, o que não me espanta muito.
-Isso é algum tipo de piada? — riu sem muito humor. — Por que se for, eu não achei graça nenhuma.
-Ru-chan, você veio aqui pra saber o que era isso aqui, não foi? — tentar fazê-la enxergar a verdade era difícil, mas fazê-la reconhecer seus ímpetos era mais fácil. — Sinto muito se foi além de suas expectativas, mas... De certa forma, você desconfiava de alguma coisa, então não se sinta tão surpresa com isso.
-Me desculpe Shuuhei, não queria... — ela já não sabia mais no que pensar. Saiu de Tóquio com o intuito de ficar o mais longe possível de problemas, e restabelecer sua vida como era antes aqui em Karakura... Mas está tudo errado. — É só que... Eu não sei o que fazer numa situação dessas...
-Simples. — Hisagi abriu um sorriso tão confiante e bonito, que ela mesmo sentiu a confiança transparecer em suas palavras. — Não faça nada... É o melhor que tem a fazer nesse momento. Se pegar esses comprimidos e dedurar Ichigo a Isshin, como acha que vai ser a reação dele dali pra frente com você? Provavelmente vai ser um dia pior que o outro, até você pedir demissão...
A confiança e a certeza como aquelas palavras saíram... De alguma forma, fluíam pelo corpo de Rukia.
Já tinha decidido o que fazer.
Iria seguir os conselhos daquele tão inexperiente adolescente. E daí se ele estivesse errado? Se não fosse o melhor a fazer? Ela precisava arriscar e confiar seu trabalho nas mãos de Hisagi, e era isso o que iria fazer.
-Obrigada Shuuhei... Acho que você tem razão, de alguma forma... — ela suspirou.
-Pode confiar em mim Ru-chan, vai dar tudo certo. — o modo como falava... Chegava até ser encantador, se não fosse pela irônica contida em suas palavras.
-Espero...
Ainda bem que Rukia não fazia a menor idéia que a melhor habilidade de Hisagi Shuuhei era... Mentir.
Ficaram mais uns minutos no café, trocando idéias aleatórias sobre assuntos em comum e acabaram perdendo a noção do tempo. Já estava tarde, as pessoas precisavam dormir e quem eram aqueles dois pra relutar contra o cansaço alheio?
Rukia tirou algumas cédulas de sua carteira, mas não precisou.
-Ru-chan, hoje fica por minha conta. — disse ele com tamanha gentileza refletindo em seus olhos.
-Claro que não, eu que-
-Não é nada de mais... Além disso, foi divertido conversar com você. — sorriu.
Por mais que Kuchiki Rukia tivesse seus vinte e dois anos, ainda era uma menina ingênua por dentro. As bochechas ainda ardiam, denunciando sua pouca experiência com sutilezas do sexo oposto. Não estava acostumada com esse tipo de... Cortesia. Era... Estranho. E embaraçoso.
O que a tornava ainda mais graciosa.
Definitivamente não era uma menina comum.
-Vamos, eu te levo até os Kurosaki. — ajudou Rukia a se levantar e foram os dois últimos clientes a saírem. Quem via de longe, muito de longe, acreditariam ser um casal... Bem de longe.
O Mustang GT prateado de Shuuhei, ou melhor, do pai dele, estava estacionado bem em frente ao estabelecimento. O que facilitou muito pra ele, já que a qualquer momento suas pernas bambas de tão bêbado que estava iriam denunciar que bebia até pouco tempo atrás, antes do pseudo-encontro-que-não-era-exatamente-um-pseudo-encontro com Rukia. Não fazia a menor idéia de como ela ainda não havia percebido, já que seus olhos estavam avermelhados e o cheiro de álcool que emanava de seu corpo era tão forte que qualquer um do outro lado da cidade poderia perceber.
Realmente, Rukia era inocente até demais.
Para sua sorte, era só apertar um botão que a porta se abria sozinha.
-As damas primeiro, por favor. — Shuuhei esperou pela branquinha ajeitar-se dentro do carro para poder ele fazer o mesmo. Deu a volta, e logo já se encontrava ao lado dela, com a marcha engatada e prontos para saírem... Iriam, se não fosse pela hesitação nos movimentos do adolescente.
-O que foi Shuuhei? Aconteceu alguma coisa? — a babá se preocupou, e inclinou seu corpo um pouco pra frente. — Está se sentindo mal?
-Não... Eu to perfeitamente bem... — ah tá. — É só... Aquela mulher ali. — apontou ele para uma mulher do outro lado da rua. Estatura média, cabelos negros e curtinhos, olhos claros, pele alva e um belo corpo. Bonita.
O que Rukia não entendia era o por que no interesse, melhor, espanto. Não estava usando nada fora do normal, só um sobretudo preto e discreto. Como se o intuito fosse passar despercebida... !
-O que tem ela? — quis saber, não conseguindo conter a curiosidade que aguçava sua mente.
-Ela... Katsumi, professora substitua de detenção... Ichigo havia me falado dela... — murmurou as palavras o jovem, ainda a pensar que a cena diante de seus olhos fosse só um delírio de bêbado. — Mas... Não pode ser.
-Ela? Uma professora? — dessa vez Rukia se permitiu rir. Cada uma... — Ela não parece nada como uma professora pra mim. Deve estar confundindo Shuuhei.
-É, deve ser. — é claro que uma professora da Karakura High School não iria entrar numa limousine preta cheia de homens bêbados com suas gravatas enroladas na cabeça com mais algumas outras meninas... Como se fosse uma prostituta de luxo. Claro que...
-Não, é ela sim. Consegue ver a pulseira do braço dela? — Rukia estreitou bem seus olhos para poder enxergar alguma coisa...
-Mas o que isso tem a ver? Pode ser uma pulseira qualquer e-
-Não... Aquela ali não. — informou ele. — Na nossa escola, todos os professores substitutos devem usar uma dessas para poder entrar nos pertences da KHS...
-Eu não consigo acreditar nisso... — por mais perplexada que ela estivesse naquele momento, — Quer dizer, eu consigo... — ver a tal professora substituta aos beijos com aqueles empresários não surtiam tanto efeito quanto causariam em uma pessoa comum.
Pois bem, uma pessoa comum, não ela.
-Preciso tirar uma foto disso, ou então ninguém vai acreditar em mim. — num movimento rápido, tirou seu celular do bolso e não perdeu tempo. A foto estava tão esclarecedora quanto ver ao vivo.
-Shuuhei... — por algum motivo, a indecisão estava presente no timbre de voz da morena ao lado dele — O que você vai fazer com essa foto? Por um acaso, não está pensando em-
-Não, — riu – nunca faria uma coisa dessas... É só no caso de alguém não acreditar no que eu disser...
Okay, então era desse tipo de pessoa que ela estava confiando?
-Mas não precisa se preocupar, – guardou o celular, pisando no acelerador novamente – vou apagar essa foto daqui uns dias... Também por que eu não vou ter o que fazer com ela... Então...
-Assim espero. – sorriu – Se encontrarem essas fotos... Não quero nem imaginar.
-Bom, melhor irmos agora. Já está ficando tarde e nós dois precisamos acordar cedo amanhã... — constatou ele.
-Você parece tão responsável... — comentou ela, olhando a paisagem lá fora. — Por que não é assim sempre? Principalmente quando está com Ichigo?
-Digamos que ser responsável demais é... Completamente chato. E me cansa. — virou-se para Rukia e sorriu.
É, ainda era um garoto no final das contas.
VIII
Chappy's Wonderland
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Pílulas 'mágicas'
Olá pessoal!
Estranharam minha a minha presença constante aqui nesse blog esses últimos dias? Pois é... Infelizmente vocês vão continuar se surpreendendo, por que aqui é o único lugar que eu posso verdadeiramente desabafar sobre a minha vida nada descolada.
Bom, vamos começar por ontem, ou hoje, como preferirem.
Hm, conheci outra pessoa aqui em Karakura, por incrível que pareça. Comecei a acreditar naquela frase 'o mundo é mesmo pequeno'.
Ontem à noite fui comprar umas coisinhas que KY, a irmã-que-parece-mais-uma-mãe de I, me pediu.
Quando eu já estava pagando pelas compras, descobri que a menina do caixa registrador estudava na KHS, e é meio que uma... Hm, digamos assim, ex dele?
Nunca tinha visto AT junto com o pessoal antes, mas depois eu entendi por que. Ou melhor, ela própria acabou por me dizendo tudo.
Ela e I eram melhores amigos desde... Hm, muito tempo. E, sabe aquela estória de 'amizade entre homem e mulher não existe'? Pois é, eles infelizmente tentaram provar que essa frase estava errada... Mas acho que os hormônios falaram um pouquinho mais alto.
Tudo bem, já faz quase um mês que eu conheço I, mas... Cada dia que passa ele consegue me surpreender mais ainda. No fundo, continua sendo uma criancinha (apesar de fazer coisas que as pobres criaturas não fariam nunca), e não sabe como se desculpar pelo pequeno deslize.
Como se dormir com outra pessoa fosse um deslize, mas enfim...
Depois HS pediu para eu ir buscarI em sua casa, por que o infeliz estava completamente bêbado. E tarado também, diga-se de passagem.
Não sei se quando eu o coloquei dentro do carro ele estava se aproveitando da situação, ou por que estava fora de si mesmo. Acho melhor que eu fique com a segunda opção, por que afinal, I tem nojinho de mim. E vice-versa.
Ainda continuo com o meu palpite de que ele é carente ou algo do tipo... Foi só eu enxugar os cabelos dele que ficou um pouco mais... Maleável. É, foi isso...
Eu poderia terminar meu post aqui, mas infelizmente não foi só isso o que aconteceu.
Quando eu estava saindo do quarto de I, encontrei algumas pílulas... As 'pílulas mágicas', como preferirem.
HS me contou que aqui em Karakura isso é normal entre os jovens, e principalmente I, que é um aspirante à delinquente.
Brincadeirinha, mas... Ainda estou completamente assustada com essa possibilidade.
Afinal, o 'ecstasy' aqui é comum.
Comum coisa nenhuma! De onde eu vim, me ensinaram a ficar longe desse tipo de coisa, e me ensinaram também a não me misturar com pessoas desse tipo.
Pessoas que se assemelhavam a I, de quem eu mesma sou babá.
Que irônico.
Não tão irônico assim, mas... Ah, irônico sim.
De qualquer forma, não vou entregar I ao seu pai, tanto por que, eu já fui uma adolescente também... Não tão inconsequente como esse ruivo é, porém, eu não sou tão desumana ao ponto de não me 'sensibilizar' um pouco com a situação.
As drogas, o álcool... Fazem tudo parte de uma fase chamada 'dane-se o mundo, quero ser um rebelde que vai aproveitar a vida ao máximo até eu não poder mais', que era passageira.
Bom, pelo menos eu espero que seja.
Por falar em HS – depois de muito tempo -, descobri mais sobre esse menino.
É o completo oposto de I, e acho que é por isso que são melhores amigos.
Foi também a primeira vez que nós realmente paramos para conversar sobre qualquer coisa e... Acho que podemos ser bons amigos também. Ele é o tipo de pessoa que todo mundo quer ter como melhor amigo. E I tem sorte.
Bom, cansei de escrever, minhas mãos estão doendo, e eu preciso descansar um pouco até I voltar da KHS.
Desejem me sorte!
Até amanhã, :*
Ouvindo: Bringing You Love_Big Bang
Adicionado: 17/02/09 – 08:59 PM Posted by:R.
Hisana... Eu tenho medo... Medo de que quando eu chegue no fim, não tenha alguém para me segurar quando eu cair. Você vai estar lá?
Continua...
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