Gâteau Aux Fraises

5 Je te parle comme à un homme doux et sensible


Notas iniciais
Olá pessoal, quanto tempo ! Enfim, ultimamente está uma correria, mas agora que estou de férias, pretendo dar continuidade a fic !

I

Verão... Sempre foi uma estação da qual os adolescentes mais gostavam. O sol estava presente em quase todos os dias; aproveitavam as tardes livres em clubes particulares ou em praias reservadas com os amigos.

Ambos os sexos aproveitavam-se da estação. Os meninos só com os calções, expondo os músculos ganhados 'naturalmente', e as garotas com seus biquínis extremamente curtos, exibindo boas curvas.

Verão é também a estação mais promíscua do ano; festas até o amanhecer, bebidas que não acabavam mais... E muita, muita libertinagem. Talvez fosse o calor que alterasse os hormônios; ou o verão fosse uma mera desculpa para que aqueles adolescentes pudessem fazer o que quisessem sem se preocupar ou se culpar mais tarde.

Mas alguém em Karakura conseguia aproveitar o verão de outro jeito. Não só no verão, como em todas as outras estações.

Shigure Senna.

Ainda era cedo, os portões da Karakura High School encontravam-se fechados, e só estava ela ali, com um copo de café com leite desnatado nas mãos. Mesmo com aquele calor dos diabos, adorava bebidas quentes.

E não somente isso.

Senna não estava ali somente por que queria parecer ser uma aluna aplicada. Estava ali por que queria ver com seus próprios olhos a professora substituta, ou melhor dizendo, prostituta de luxo, Katsumi Sayuri.

Estava indignada também pelo nível da KHS, melhor escola de toda Karakura, no departamento de contratações.

Porque, definitivamente, não era nada normal ter uma prostituta que trabalhava como professora em meio período.

Senna não precisa de aulas daquele tipo.

Não mesmo?

Continuou a observar alguns funcionários se aproximarem, e percebeu que não era somente ela a única estudante presente tão cedo.

Um jovem conseguia se destacar com roupas brancas, pareciam Armani, em meio àquelas pessoas. Os cabelos em contraste com as vestes, eram negros e desfiados.

E só então Senna conseguiu identificar quem era aquele adolescente misterioso.

Ishida Uryuu, melhor amigo de infância do seu príncipe dos olhos de mármore.

Viu-o entrar em um beco ali perto da entrada, sempre com os olhos alternando de um lado para o outro, como se quisesse passar despercebido aos outros.

Bom, que pena. Shigure Senna estava bem ali para o seu azar.

E esta não hesitou em levantar-se rapidamente e ir em passos silêncios até onde o jovem encontrava-se. Colocando a bolsa por cima do ombro, fingiu procurar por algum lixo próximo. O que não deixava de ser impossível, já que o beco onde Uryuu havia se 'escondido' era entre duas paredes de tijolos, bem estreito, e com um latão de lixo bem visível.

A morena apoiou-se na parede, e cuidadosamente, tombou sua cabeça para o lado, a fim de tentar ver, ou enxergar alguma coisa.

Porém, só havia-

O quê?

Chacoalhou a cabeça uma, duas, três vezes e mesmo assim, ainda sentia-se surpresa com o que estava bem em frente aos seus olhos cor de âmbar.

Em todos aqueles anos, sempre que pensava em alguém responsável, inteligente, recatado e sério demais a imagem que lhe remetia era a de Ishida Uryuu. Foi sempre assim que o enxergou, e não conseguia imaginá-lo com alguma mulher...

Quer dizer, agora ela conseguia sim.

E uma mulher mais velha, o que ainda era menos esperado.

Pode-se dizer que era bem menos esperado que Uryuu tivesse uma namorada, mais velha, e ainda... Uma prostituta de luxo que trabalhava meio período como professora da KHS.

Se ela não estivesse ali, com a prova bem escancarada, Senna jamais iria acreditar numa estória que pareceria tão estúpida... Como essa.

E não perdeu tempo em sacar seu celular da bolsa McQueen esverdeada para tirar uma foto daquele casal tão... Estraho.

O modo como aqueles dois, abraçados, sorriam... Faziam-na sorrir também. Sorrir por saber que agora tinha mais de uma prova para ameaçar aqueles dois. Sorrir também por saber que o poder em destruir o mesmo casal estava em suas tão delicadas e inocentes mãos.

Cada vez mais... Cada vez mais Senna sentia que aquele tédio profundo em qual vivia ia se dispersando aos poucos.

Com os casais a sua volta aconteciam a mesma coisa.

Se dissipavam em segundos.

II

Em dias de verão o melhor que se tinha a fazer era ficar em casa, estirado na cama com o ar condicionado soprando nas faces até elas congelarem. E claro, tomar várias raspadinhas. De todos os sabores, se fosse possível.

Um pensamento tanto quanto inocente para qualquer adolescente terceiranista.

Verão era com muita bebida gelada. Se possível, com álcool.

Mas, infelizmente, Kurosaki Ichigo não poderia estar incluído nas festas. Quer dizer, poderia estar nelas, porém, não estaria participando. Ou seja, o que diabos ele estaria fazendo?

Nada, absolutamente nada.

E isso simplesmente por que sua babá agora havia imposto limites, horários e o pior de tudo... Censura.

Era da casa para escola; da escola para casa; e de vez em quando de casa para algum lugar chato.

O horário limite eram oito horas da noite, se ultrapassasse, teria de correr o determinado número de minutos atrasados em volta de quatro quarteirões.

E Ichigo não era do tipo esportista.

E sim do sedentário.

Como se isso não fosse pouco, ela também havia cortado toda a diversão.

Suas bebidas.

Um dia sem elas ele já não conseguia suportar aquela sede angustiante na garganta seca; quanto mais um ano até que fosse maior de idade.

Onde é que ele estava com a cabeça quando decidiu aceitar a ajuda daquela babá demônio?

Ah sim, em Arisawa Tatsuki.

E aqui estava ele, parado em frente ao portão da KHS junto de sua babá e de seu melhor amigo esperando aquela menina aparecer. E odiava como estava ficando apreensivo.

Não somente pela demora, mas também... O jeito como Hisagi olhava sua babá...

Era extremamente irritante.

Parecia que estava devorando-a com seus olhos negros.

Porém, o pior mesmo... É que ela parecia ser a única que não havia percebido como Shuuhei estava... Agindo.

Como ela conseguia ser tão inocente assim? Não ver a maldade naqueles gestos impuros que eram os de seu amigo?

Ou será que Ichigo era o único ali que conseguia enxergar maldade em tudo?

-Ichigo! — Rukia parecia rir com alguma besteira que Hisagi havia dito. — Não acha que já está na hora de entrar?

-Tsc, Tatsuki sempre atrasada... — murmurou consigo mesmo, antes de virar seus calcanhares para passar os portões. — Bom, acho melhor eu ir... Hisagi, vamos.

-Pode ir, eu já vou... Preciso falar com a Ruu-chan em particular. — acenou ele de um jeito tão... Tão cafajeste que Ichigo se conteve em ir até lá e arrastá-lo junto consigo antes que ele fizesse alguma coisa imprópria com sua babá.

Hisagi sorriu. Ichigo parecia claramente incomodado com aquela relação de 'melhor-amigo-com-a-babá', e o mais engraçado daquilo tudo... Era que o príncipe não sabia disfarçar nem um pouco seu descontentamento.

Viu Ichigo resmungar alguma coisa, e logo voltou-se para a morena ao seu lado.

E não conseguiu não apreciar aquela visão. Os olhos azuis cristalizados de Rukia encarando-o, curiosa... Aqueles olhos; as vezes tinha a impressão que podiam enxergar além dele.

-O que queria falar comigo? — quis ela saber, um pouco curiosa.

-Ah sim... — tornou seus olhos para o chão, um pouco envergonhado. Não sabia se era pelo o que iria dizer agora, ou pelo modo como a presença daquela babá o deixava desconcertado. — Se lembra daquele dia, quando nós encontramos a professora...? — murmurou ele.

Rukia assentiu levemente, e entendeu por que Hisagi não continuou a frase. Muitos alunos que passavam por ali pareciam curiosos e atentos às conversas alheias.

-Então... Eu não apaguei aquela foto, e... Meio que... — coçou a bochecha totalmente culpado.

-Não me diga que... — os olhinhos azuis da pequena se alargaram de forma assustadora.

-Eu perdi meu celular... — fez uma cara esquisita e esperou pelo sermão de Rukia. Do jeito que Ichigo lhe falava deles, eram longos, enfadonhos e sonolentos. É só dizer que concordava no final, que ele foi o culpado de tudo que ela logo iria parar de falar.

-Shuuhei! Eu não acredito nisso... Como? — estava inconformada. Certo que ela não conhecia a professora, mas... Uma dor ligeiramente conhecida estava começando a incomodar. Se alguém tivesse conhecimento daquela foto...

-Eu também não sei! — mentira, ele sabia sim. Foi mais ou menos uns cinco dias atrás, no vestiário, quando aconteceu aquela briga estúpida entre Ichigo e Grimmjow. Deveria tê-lo perdido naquela confusão toda, mas claro, como um bom amigo que era, não iria dedurar o príncipe à sua baba. — Até outro dia ele estava aqui no meu bolso, e depois eu não o vi mais...

-Se pegarem essa foto, você consegue imaginar o que pode acontecer com essa pro-, digo, essa moça? — Rukia olhava atentamente para os lados, e tentava não alterar seu tom de voz.

-Eu sei, eu sei... Tsc, droga! — suspirou o moreno, ainda sentindo-se culpado.

A babá observou pequena e cuidadosamente a expressão de culpa daquele jovem. Os lindos olhos negros estavam caídos para o lado; mostravam-se decepcionados... Decepcionados consigo mesmo.

E com ela ali, lembrando-lhe muito bem do que ele provavelmente já sabia, e até de cor, não ajudava em nada. Aliás, só piorava.

-Está certo, me desculpe Hisagi... — Rukia levou sua mãozinha até o braço dele, alisando-o num movimento de vai-e-vem. — Faz assim, tente procurá-lo... Deve estar em algum lugar dessa escola, então... Talvez não deva ser tão difícil encontrá-lo, certo?

Assentiu ele levemente, ainda abobado com a mudança de comportamento daquela ali à sua frente. Dois segundos atrás achou que seria estrangulado, e agora... A voz era tão serena e aveludada quanto suas afeições delicadas.

Realmente... Kuchiki Rukia era um complexo agradável. Adorável. Incansável.

-Bom, melhor eu ir agora... Você também. — deu meia volta, mas antes lembrou-o: — Se achar o celular, me avisa... Vou me sentir melhor.

-Pode deixar... Até mais tarde, Ruu-chan. — acenou ele, indo em direção oposta a Rukia.

O que ela não percebeu foi o sorriso abobado no qual ficou estampado na face de Shuuhei pelo resto da primeira aula.

III

Ficar atrás de alguma das milhares de árvores do campus da KHS era o melhor esconderijo quando não se queria assistir aula.

Os inspetores folgados não se preocupavam nem um pouco com aqueles que estavam a cabular aula. Principalmente por que estavam preocupados demais com que sabor de sorvete eles deveriam se deleitar naquele verão.

Grimmjow tinha um certo nojinho deles. Sempre com os uniformes terríveis azul marinho sujos com grande manchas de gordura ressecadas na gola, e no meio da barriga. Em que posição aqueles meros empregos se divertiam com suas comidas ele nem quis imaginar.

Era uma visão decadente demais.

Decadente demais comparado àquele ensolarado dia que fazia. O sol queimando sobre as cabeças ocas dos alunos, o calor suportável junto com a leve brisa matinal e as faces bronzeadas, dando aparência de saúde nas pessoas.

Como se Grimmjow se importasse com uma porcaria dessas.

Ainda encostado no enorme tronco da árvore, ficou a observar de onde estava, os portões da KHS se fecharem lentamente. E a pequena confusão de motoristas particulares manobrando carros importados; a correria de alguns alunos atrasados e, por que não uma babá se despedindo de um fracassado como Hisagi Shuuhei, melhor amigo do príncipe?

Levantou-se num pulo, e apertou os passos até onde estava seu carro estacionado. Se encostou nele, e continuou a observar, ou melhor, contemplar aquela visão um tanto quanto... Adorável?

Pelos rumores que corriam de boca em boca, devia ser uns cinco anos mais velha que todos eles. Mesmo que aparentasse o contrário.

Não só pelo tamanho diminuto, mas também pelos traços... As feições serenas e infantis, o corpo sem curvas ao olho nu. Deviam estar escondidas sobre o vestido amarelo cheesecake.

Apesar disso, não deixava de ser adorável. Os exorbitantes olhos de cor azulada que podiam ser enxergues a metros de distância eram, sem dúvida alguma, perfeitamente proporcionais ao rosto delgado daquela pequena.

Aqueles sim, eram os mais bonitos que ele já havia visto. E ao mesmo tempo intrigantes.

Por trás daquele oceano, deveria ter algum tesouro escondido. Alguma coisa... E Grimmjow estava ali justamente por isso.

Mesmo que fosse muito fundo, ele não iria desistir de cavar até achar algo.

O por quê?

Simples, porque ele era Grimmjow Jeagerjaques.

Grimmjow esperou que ela se aproximasse mais um pouco, e quando a morena fez-se de costas à ele, não perdeu tempo. Jogou-se no chão o mais rápido que pôde, e com força para que fizesse barulho.

-Ai, meu braço! — grunhiu ele de falsa dor, esperando por ajuda.

Não demorou muito até a babá girar seus calcanhares e correr até onde ele encontrava-se estirado no chão.

-Você está bem? — indagou com o semblante sério. As sobrancelhas estavam apertadas, os olhos cor de oceano estavam cheios de preocupação.

-Sim, eu só machuquei meu braço. — sorriu ele meio de canto, enquanto Rukia continuava a examinar o braço com alguns arranhões.

Viu como a morena examinava-o detalhadamente, com as mãozinhas delicadas percorrendo todo o seu braço.

-Deveria tomar cuidado quando anda. — advertiu ela, ainda séria. — Mas, acho que você sobrevive com esses arranhões. — sorriu gentilmente, e o ajudou a se colocar de pé.

-É, acho que sim... — Grimmjow apalpou sua calça jeans Brooksfield levemente suja, e abriu o seu melhor sorriso para ela. — Você é a babá do Ichigo, não é? Qual seu nome?

-Ah, pode-se dizer que sim... Meu nome é Kuchiki Rukia, prazer. — apertou a mão estendida de Grimmjow e esperou para que ele a soltasse.

-Prazer, Rukia. — murmurou com sua voz rouca... Assustadora. — Meu nome é Grimmjow Jeagerjaques...

Não pôde deixar de sorrir quando as pupilas de Rukia se dilataram ao ouvir seu nome. Era ele tão assustador assim?

Claro... Que sim.

-Muito prazer Grimmjow, mas... Eu preciso ir agora. — a babá tentou desvincilhar-se, porém, ele conseguiu pegar o braço e apertá-lo. Sem dó alguma ao fazê-lo.

-Kuchiki... É um nome muito familiar, sabe? — continuou ele, ainda se divertindo com a expressão de horror que se formava no delicado rosto de Rukia. — O que foi? Está com medo do que?

-Eu não estou com medo... — não mesmo? — Eu preciso ir-

-Pelo visto não gosta que falem do seu nome... Por quê? Algum motivo específico?

-Claro que não, por que... Por que está dizendo isso? — os olhos azulados alternavam entre os lados com um certo desespero presente. — Será que pode me soltar? — o braço fino de Rukia já estava marcado. Provavelmente iria ficar um hematoma daqueles.

-Como quiser. — assim que o fez, a babá começou a dar alguns passos para trás. — Você deve esconder alguma coisa... Kuchiki Rukia. — seu sorriso alargou-se ainda mais, tornando-se assustador.

-Não sei do que você está falando. — murmurou ela, antes de virar-se e continuar sua trajetória em passos largos. Massageava o braço avermelhado, e tentava inutilmente não olhar para trás.

-E eu vou descobrir o que é. — disse para si mesmo, ainda observando-a se afastar rapidamente.

Pelo modo como as pupilas se dilataram... Devia ser um tesouro muito grande.

E seria ele quem iria desenterrar aquele baú obscuro que parecia ser o passado de Kuchiki Rukia.

IV

Riram sobre alguma bobagem, e continuaram o projeto de ciências. Algo como dissecar sapo, nem eles sabiam. Não pareciam estar realmente prestando atenção na aula. Muito menos nas pessoas ao redor, o que chegava a incomodar.

Incomodava o modo como os olhares eram tão... Sinceros, incomodava como as risadas pareciam ser verdadeiras, incomodava a proximidade daqueles dois. Incomodava a nova

relação entre Kurosaki Ichigo e Arisawa Tatsuki.

O por quê?

Porque de repente pareciam tão perfeitos juntos naquele momento... Agiam como se fossem namorados. Ou mais do que isso.

-Ichigo... Acho que Hisagi está apaixonado... — comentou baixinho, e o ruivo direcionou seus olhos ao melhor amigo que se localizava do outro lado do laboratório.

-Por que diz isso? — uma pergunta desnecessária. Só de ver o sorriso estampado na cara do moreno sem motivo algum e a cara de idiota era suficiente.

-Está na cara! — Tatsuki riu baixinho consigo mesma, e logo voltou-se para o ruivo ao seu lado. — E eu acho que é pela sua babá...

-Tsc... — estalou sua língua, mostrando o desgosto que sentia. — Aquele idiota... Como ele pode estar apaixonado por aquela... Demônia? — apertou as sobrancelhas mais ainda.

-Rukia não é uma 'demônia', e... Eu acho que eles fazem um casal bonitinho. — riu ela, cortando a caixa toraxica do sapo.

-Isso foi desnecessário. — resmungou. Shuuhei e Rukia eram tão... Estranhos juntos. Além de fazer seu melhor amigo parecer um pedófilo, mesmo sendo o contrário.

-Não entendo sua implicância com esses dois. — admitiu ela, com uma cara diferente. Estava levemente nauseada. Como se fosse vomitar a qualquer momento.

-Deixa que eu faço isso. — Ichigo puxou uma cadeira para que ela se sentasse, e tomou os objetos das mãos de Tatsuki. — Não me diga que ficou enjoada com uma coisinha dessas? — provocou, a fim de mudar de assunto.

-Cala a boca. — apoiou seu antebraço na bancada, e observou os movimentos nada delicados e completamente violentos do ruivo para com o pobre sapo. Não pôde deixar de rir, e acabou chamando a atenção dele.

-Tá tudo errado. — Tatsuki deu um pulo da cadeira, e aproximou-se mais de Ichigo. — É desse jeito que deve fazer. — apoiou sua mãozinha sobre a dele, e começou a movimentá-la devagar.

Meu Deus.

Apesar de terem recuperado a relação de 'melhores-amigos-de-infância', continuava sendo um pouco constrangedor em certos momentos. Como agora; a proximidade, as respirações quentes em contraste, pele sobre pele... Argh, tudo isso era demais para o pobre ruivinho.

Não era como se pudesse fingir não ter tido aquele corpo quente junto ao seu.

Não era como se soubesse cada curva, cada textura.

Não era como se não soubesse cada detalhe.

Então por que um simples toque já desencadeava aquele bando de emoções desnecessárias?

Simples.

Era um adolescente perfeitamente normal.

Era um adolescente cheio de hormônios.

Hormônios malditos.

-E pronto... Agora só precisamos tirar as tripas e os órgãos. — disse ela, soltando-o.

Bom, se os hormônios estavam alterados, depois desse comentário eles já não estavam mais.

-É... — foi a única coisa que Ichigo disse, ainda sentindo-se acuado. Vergonha?

Não.

Medo. Medo de tentar algo a mais e acabar com aquela amizade novamente.

-Ichigo... Você está ocupado hoje a tarde? — perguntou casualmente, fazendo algumas anotações em seu caderno. Não olhava diretamente para o príncipe, e só de saber que estava sendo observada pelo mesmo, as bochechas ardiam.

-Acho que não... — quer dizer, se Rukia não tivesse planos para eles.

-Se quiser, podemos terminar o trabalho em casa... — sugeriu, ainda com os olhos direcionados às linhas pautadas.

Wow... A sugestão foi um tanto quanto inesperada. Mas não descartável.

-É, pode ser. — Ichigo concordou, tentando conter a animação em seu tom de voz.

-Então, te vejo mais tarde. — Tatsuki fechou seu caderno, e deu um pulo da cadeira. Ichigo a seguiu com os olhos até a porta, onde ela acabou por se misturar na multidão de pessoas e não conseguiu mais vê-la.

Suspirando, lavou suas mãos e pegou seus materiais. Não demorou muito para que Hisagi se juntasse a ele no corredor estreito e cheio de pessoas.

-Você e a Tatsuki... Voltaram? — perguntou curioso.

A primeiro momento o ruivo não respondeu. Estava a se perguntar em que sentindo a palavra 'voltaram' estava relacionada.

-Hm, não. — quer dizer – Ahn, não sei... Nós estamos nos falando e tudo mais...

-Mas? — instigou Shuuhei.

-Não sei... Não quero estragar tudo de novo. — admitiu ele, um pouco indeciso.

-Devia conversar com a Ruu-chan sobre isso, ela sempre tem bons conselhos... — comentou Hisagi, um pouco empolgado ao soltar o nome da babá. O que não passou despercebido por Ichigo, e cerrou as sobrancelhas de modo que as pessoas que estavam à sua frente desviavam-se rapidamente. Sabe como é, não queriam levar um soco ou um pontapé de graça.

E espera um pouco... Ruu-chan? De onde esse apelido ri-dí-cu-lo tinha saído?

Talvez a relação entre aqueles dois estivesse realmente ficando mais estreita... Não pela parte da figura diminuta que era sua babá, e sim pela parte de seu amigo com o gosto mais estranho para mulheres. Não era como se Ichigo tivesse apagado de sua memória todas as meninas as quais Shuuhei saíra. Magrelas, cabelos escuros e olhos claros. Não era a toa que Rukia seria a próxima da listinha nada pequena de seu amigo.

O que restava saber era... Shuuhei se enquadrava aos padrões nada exigentes de Rukia?

V

Ela realmente não queria olhar para trás. Evitou fazer isso até chegar à residencia dos Kurosaki, e logo se trancou em seu quarto nada pequeno. Tirou os pequeninos sapatos e jogou-se na cama, com a cabeça enterrada no travesseiro macio que era o seu.

Soltou um longo e demorado suspiro, ainda refletindo sobre os acontecimentos deste dia que ainda estava pelo começo.

Aquele... Grimmjow, certo? Ichigo havia lhe falado, quer dizer, só saia ofensas e mais ofensas daquela boca referentes àquele adolescente.

A princípio, Rukia imaginava se era alguma coisa infantil entre aqueles dois, como egos grandes demais para duas pessoas suportarem num espaço muito pequeno...

Porém, agora sabia que não era. E sabia o por quê de Ichigo detestar tanto aquele jovem dos cabelos azuis, vívidos e chamativos.

Ele era um verdadeiro desventurado, para não dizer outra coisa.

'Você deve esconder alguma coisa... Kuchiki Rukia. E eu vou descobrir o que é.'

Sinceramente, quem aquele rapaz pensava que era?

Aliás, tinha ela feito algo para que despertasse tanto interesse, a ponto de querer revolver num passado nada... Prazeroso, e cheio de falhas?

Como se não fosse difícil o suficiente fingir que estava tudo bem... Como se fosse realmente normal fugir daquilo que a perseguia, até mesmo em sonhos... Como se não bastasse ficar longe das pessoas que mais amava justamente por culpa daquele passado infeliz e obscuro...

Como se ele tivesse se quer o direito de se intrometer em seus problemas, em suas feridas que não iam se cicatrizar tão cedo... Não tinha ele o direito de se intrometer e estragar novamente uma vida que, depois de tanto tempo, ela parecia estar aceitando como era.

Rukia sentou-se na cama, e seus olhos captaram de relance os documentos em cima da escrivaninha de marfim; não havia como não se deprimir um pouco mais... Não era como se pudesse ser evitado que aquelas memórias começassem a voltar mais claramente e mais perturbantes.

Admitir pra si mesmo que no fundo, ela mesmo sabia e não queria enxergar, mas... Grimmjow tinha uma certa razão.

Do quê exatamente ela estava a fugir?

Do passado, das memórias angustiantes...

Ou o medo da rejeição, da vergonha daqueles que amava tanto?

Talvez, ela estivesse mesmo era fugindo desse pequeno e complicado dilema.

Até quando?

Quando...?

Outra questão a se resolver.

Estimar um tempo certo era besteira... As feridas mais profundas, aquelas que atingiam a alma, talvez não pudessem ser curadas. Nem mesmo o tempo, a razão, nem mesmo os sentimentos mais puros... Nem mesmo a chuva poderia levar embora a humilhação;

Ou aqueles olhos... Olhos envergonhados daqueles que amava.

Envergonhados de quê exatamente?

Dela.

Seus pensamentos só não foram adiante, e cada vez mais deprimentes, pois a houve batidas fortes e insistentes na porta.

-Rukia-chan? Está acordada? — disse uma voz masculina vinda do outro lado da porta, esta ainda fechada.

-Ah, só um minuto Isshin-san! — deu um pulo da cama, e girou a maçaneta com rapidez. — Precisa de algo?

-Na verdade, sim... — coçou a cabeça, com um sorriso acolhedor nos lábios.

Não tinha como não dizer, por mais que Ichigo protestasse, que aqueles dois homens eram iguais. Não somente na aparência, pois o patriarca dos Kurosaki era um homem muito charmoso e conservado para a idade; barba por fazer, as sobrancelhas grossas e levemente caidas para o lado davam-no uma aparência jovial; eram parecidos também no modo de agir. De remexer nos cabelos enquanto falavam.

Chegava a ser bonitinho.

-Será que teria um tempinho para conversar comigo? — continuou ele, ainda plantado em frente ao quarto de Rukia.

-Ah, claro, entre por favor... Só não repare na bagunça. — disse ela um pouco culpada, recolhendo algumas peças de roupas jogadas no chão, inclusive sua camisola com Chappy, o coelho, estampado. Não pôde deixar de conter o rubor nas maças do rosto ao ver o sorriso nos lábios de Isshin.

Ela era infantil e sabia muito bem disso, qual o problema?

-Ichigo está dando muitos problemas ultimamente? — quis saber, dirigindo-se à enorme janela que se situava do outro lado do cômodo, oposta a cama. Rukia tinha uma bela visão de Karakura pela manhã, quando via a aurora, o pôr-do-sol, a noite estrelada – Quer dizer, mais do que o normal?

Riram.

-Ele já não me desobedece mais... Como antes... — colocou-se sentada na cama, e continuou a observar as costas larga e comprida de Isshin. — Quer dizer, acho que ele ainda está um pouco relutante quanto à essa coisa toda de babá, mas ele vai se acostumar...

-Achei que ele iria se comportar pior, para falar a verdade. — o médico enfiou suas mãos nos bolsos da calça caqui e continuou: — Ichigo... Tem algo sobre ele que queira me contar?

A primeiro momento ficaram em silêncio. Se Rukia fosse sincera, estouraria imediatamente todas as besteiras as quais Ichigo havia feito desde a sua chegada. As festas, as bebibas, as drogas... Porém, ela continuava a seguir os conselhos de Shuuhei; seria melhor deixar tudo como estava até o próprio príncipe se dar conta de que aquilo não é vida. É o oposto disso.

-Não, não... Ele só é teimoso e mal humorado... Mas é uma boa criança. — riu mentalmente, como se fosse a própria senhora falando. Parecia até que era mãe dele.

Isshin nada disse, e Rukia a princípio pensava se ele tinha percebido como sua voz tremia quando mentia. Entretanto, era algo além disso, muito além, para deixá-lo tão distante e tão calado. Completamente diferente.

-Rukia-chan... — começou ele, quase que como cautelosamente – Hisana, me ligou.

O coração começou palpitar mais rapidamente a medida que o silêncio aumentava, e teve de apertar a bainha do vestido. Não queria mostrar-se nervosa, surpresa... Confusa, e talvez, mesmo que pouco, feliz com esta sentença.

-Deveria retornar a ligação... Ela parecia bem preocupada. — continuou, para o desespero da babá.

-É-é... Eu vou fazer isso. — garantiu, ainda trêmula e desacreditada.

Não ousava levantar seus olhos, não ousava continuar a falar, muito menos pensar... O desespero que tomava conta do corpo e da alma era tão grande que a sufocava, e dificultava formular qualquer frase coerente que fosse.

-Rukia-chan, não se preocupe, não vou fazer nada... — mesmo que a pequena naquele momento não estivesse em si, ainda conseguia distinguir um tom de bondade na voz de Isshin – Você deve ter tido seus motivos para mentir, e quem sou eu para julgá-la? — riu – Mas... Eu gostaria de saber o que há por trás desse sorriso triste, o que a incomoda... Não vou pressioná-la para contar o que aconteceu em Tóquio, se quiser, nem toquemos mais nesse assunto... Só gostaria de saber, não como Kurosaki Isshin, mas sim como melhor amigo do seu pai... Será que tem algo que eu poderia ajudar? Mesmo que for só para escutar, as vezes até mesmo aqueles mais fortes precisam de bons conselhos...

Ainda cabisbaixa, escutava atentamente as palavras acolhedoras proferidas. Eram tão sinceras, tão cheias de confiança e de amizade... As primeiras oferecidas a ela como gesto de carinho... Sorria com aquele gesto singelo.

Me desculpe Isshin-san... Mas ninguém pode me ajudar.

O subconsciente ainda não estava preparado para remexer naquele turbilhão de emoções enroscadas ao medo que evitara desde o princípio. Não era tão forte assim... Nunca fora.

E só de pensar em se livrar daquela bagunça, daquela confusão em que se encontrava, sentia-se cada vez mais fraca... Cada vez com a sensação de fracasso acumulado à culpa, à vergonha.

-Obrigada Isshin-san... De verdade. — murmurou por fim, ainda absorta em pensamentos – Mas não há nada para se contar, porque nada aconteceu... Não precisa se preocupar. — levantou o rosto e abriu o melhor sorriso que poderia fingir. — Agradeço o gesto.

-Não há de quê Rukia-chan... Eu acredito que tudo tem seu tempo, e o seu algum momento vai chegar... Se precisar de um ombro amigo, vou estar no quarto ao lado... Não se esqueça. — sorriu, e fez-se fora do cômodo.

'Não há nada para se contar, por que nada aconteceu...'

Fingir que o problema não existia não era a melhor solução.

Mas ajudava a enganar o coração, e fazia com que aquela dor fosse embora.

Por uns instantes.

VI

Dissecar sapos era até um conforto em relação à cena piegas a qual o príncipe da KHS protagonizava junto daquela anônima na aula anterior.

O nome... Como era mesmo?

Ah sim, Arisawa Tatsuki... Se até ontem era indiferente aos corredores, agora passou a ser a menina mais inveja da escola. Almadiçoada ambém.

Chegava a ser estranho, já que Arisawa e Orihime eram amigas de infância que não se largavam por motivo se quer.

Todo mundo ali sabia da paixão não correspondida da ruivinha pelo príncipe, e todo mundo sabia que logo mais teria uma confusão dos diabos envolvendo aquele triângulo amoroso.

A bomba iria explodir por questão de segundos. Ou detalhes escondidos que seriam revelados a qualquer momento.

E por quem?

Como se Shigure Senna não tivesse se juntado ao musical 'Kurosaki-e-Arisawa-não-combinam'. Seria pedir demais para que a morena ficasse fora, ainda mais em um assunto que envolvesse seu príncipe, a quem estava destinada desde o momento em que ambos se cruzaram pela primeira vez, há dois anos atrás.

Yuna, sua melhor-e-não-melhor-amiga, que se encontrava ao seu lado, completamente concentrada na matéria que estava a ser explicada na lousa, era mais uma que tinha uma paixão escondida por Kurosaki. Quer dizer, não somente ele, como todos os outros namorados de Senna... Uma invejosa. Uma invejosa com suas utilidades.

-Sabe onde está a Inoue-san? — questionou ela à loira artificial de cachos também artificiais.

-O que quer com ela? — quis a outra saber, mordendo levemente a ponta do lápis rosa.

-Primeiro me fale se sabe onde ela está, depois eu conto. — murmurou impaciente. Se uma coisa que Senna odiava era quando a indagavam sobre suas ações. Como se fossem da conta de alguém senão somente dela mesmo.

-Não, não sei... — sorriu, alimentando ainda mais a raiva da morena. — Por um acaso... Você soube da última? — Yuna continuou a escrever, e sorriu.

-Que última? — agora a raiva já não era mais tão presente. A curiosidade havia tomado seu lugar.

-Sobre o príncipe e aquela... Plebéia. — Senna fez que não, e ela continuou. — Me falaram que depois da aula ele vai pra casa dela... Acho que eles já tinham uma relação antes, e voltaram a se falar agora... — a loira aumentou ainda mais o sorriso, como se tivesse zombando da cara de Senna. — O que vai fazer?

Senna só não espalhava as besteiras de Yuna por que esta lhe era muito útil em certas ocasiões, como agora.

Talvez por isso aguentasse fingir-se humilhada sobre as zombações nada relevantes daquela ali ao seu lado.

-Vou estourar a bomba. — sorriu.

E o som prazeroso do tique-taque já poderia ser ouvido por Senna.

VII

Os últimos dias que se passaram não estavam tão interessantes assim para a ruivinha terceiranista da KHS. Por mais que estivessem ensolarados desde quando abria os olhos até um pouco antes de voltar a fechá-los novamente, o verão por algum motivo este ano estava sem graça. As flores não esbanjavam suas essências pelo ar, o calor não era tão suportável assim e sentia-se cansada por nada.

Tradução: estava desanimada, triste e amuada.

Orihime encontrava-se desanimada por não ter mais companhia durante as aulas, já que Tatsuki, sua melhor amiga, havia mudado os horários das classes que freqüentavam juntas alegando precisar dedicar-se mais aos treinos de caratê, pois o campeonato já estava próximo. Seria dentro de algumas semanas, e como sempre... Orihime seria a única a acompanhá-la.

Porém, depois que Tatsuki mudara os horários, ela já não tinha mais com quem conversar as aleatoriedades e besteiras com que sempre estavam acostumadas... Sentia-se tão solitária durante as aulas, e mais ainda no intervalo, que era raro ver a presença de Tatsuki, sempre ocupada com as atividades extracurriculares que mal tinham tempo de trocarem um simples 'oi', ou 'que aula você vai ter agora?'.

Por outro lado... Quando andava pelos corredores estreitos da KHS, sentia que boa parte, senão todos, olhavam-na de modo diferente. Como se tivessem compaixão dela por algo que parecia totalmente absurdo... Certo?

Inoue podia transparecer avoada e desligada ao mundo para alguns, porém... Ela ouvia entre sussurros os novos rumores. E sempre envolvendo as mesmas pessoas.

Kurosaki Ichigo e Arisawa Tatsuki.

Era daí que surgiam os olhares de compaixão... De pena.

Ah, como odiava aquela sensação de inferioridade. Como se por um acaso algo estivesse realmente acontecendo e que só ela não conseguia enxergar. Não, ela não estava fingindo não ver... Por que simplesmente não tinha o que de fato ver.

Orihime não iria, de forma alguma, julgar sua melhor amiga e aquele que... Infelizmente, não retribuía seus mais puros sentimentos.

Então... Por que sentia-se amuada daquele jeito?

Realmente... Talvez os olhares de compaixão fossem de fato o que ela merecesse.

Ela estava com ciúmes, simples assim.

O corpo inteiro formigava, e a mente não a deixava pensar outra coisa.

Inoue Orihime estava morrendo de ciúmes de Arisawa Tatsuki, sua praticamente irmã.

Não tinha como não deixar de se sentir suja perante à esta constatação. Tatsuki era sua melhor amiga, por Deus! Ela nunca iria pisar em seus sentimentos daquela maneira como muitos ali sugeriam. Tatsuki, aquela que ficou o tempo todo ao seu lado quando Sora, seu irmão mais velho, havia fugido para o exterior junto com a noiva e a deixado sozinha. Tatsuki, sempre estava lá quando precisava chorar, rir, abraçar...

Então por que, apesar de saber tudo isso, aquele sentimento impuro não ia embora? Aumentava mais a medida do tempo, e por conta própria...

Sinceramente, Inoue não merecia aquela amizade. Era uma ingrata. Um lixo.

E sentia-se como tal, apesar de tudo.

Quando o último sinal tocou, foi a primeira a sair da sala de aula. O burburinho atrás dela também aumentou, e não fez questão de prestar atenção. Eram as mesmas besteiras o tempo todo, já estava começando a ficar inconvenientes.

Inconvenientes por que ela própria já estava acreditando naqueles bobagens. Mesmo?

-Inoue-san! — gritaram seu nome, e esta, que a esta altura já se encontrava sentada em dos milhares de bancos de madeira espalhados pelo campus da KHS, levantou os olhos para ver quem a chamava.

Do outro lado do pátio, o barulhinho nos novos Manolos cor de âmbar podiam ser ouvidos nitidamente a cada passo que a adolescente dos cabelos negros dava em direção à Orihime, acenando levemente.

Desde os tempos de caloura, Shigure Senna agia de uma mesma forma para com o resto das pessoas ali. Arrogante e egocêntrica. Por diversas e inúmeras vezes, Orihime tentou se aproximar, pois achava que aquele jeitão com que a morena agia era apenas por timidez.

E com o tempo, revelou-se que não era timidez. Senna era daquele jeito mesmo, porém, Orihime nunca dera ouvidos ao que os outros alunos diziam sobre ela. Parecia ser uma boa menina, um pouco solitária, mas... O que ela podia fazer? Senna que escolhera ser assim.

-Ah, olá Shigure-san... — Inoue sorriu, dando espaço para que a pequena se sentasse ao seu lado. Estava um calor daqueles, e praticar qualquer exercício que fosse o corpo já ficava exausto. Principalmente para a princesinha, que corria em cima dos saltos.

-Ah, obrigada. — Senna colocou-se sentada segundos depois, recuperando o ar que lhe faltava. — Saiu tão rápido da sala de aula, achei que estivesse passando mal. — comentou ela, como se fossem amigas há tempos.

-É, eu estava um pouco tonta... Talvez por causa desse calor. — riu, batendo levemente na cabeça. — Queria conversar comigo? — questionou curiosa.

-Não, só achei que... Você sabe, precisasse de alguém para conversar. — fez uma cara de compaixão, e a ruivinha sentiu o coração bater mais devagar. — Eu sei que nós não somos tão amigas assim, mas... Sei lá, achei que depois do que aconteceu, precisasse desabafar...

O que supostamente estava acontecendo, certo? Ou já havia acontecido?

-Como assim? — riu ao perguntar, ainda confusa. E ao fazê-lo, sentiu que não queria saber a resposta. Talvez fosse melhor não ouvir. — O que aconteceu?

-Ai meu Deus, será que você não sabia e eu... — Senna tapou a boca, parecendo completamente constrangida. — Melhor eu ir embora e- pegou sua bolsa e fez menção de levantar-se, mas a esta altura, Orihime já a impedira.

-Shigure-san... Por favor, me conte o que aconteceu. — era quase uma súplica. Viu que a morena hesitou por alguns segundos, e finalmente, abriu a boca para falar.

-Achei que você soubesse, que bom... Todos estão falando que... Que o Kurosaki-kun vai pra casa da Arisawa hoje a tarde... Ai meu Deus, me desculpe, não queria que achasse que sou mais uma dessas fofoqueiras e...

O resto Orihime não quis prestar atenção. Estava ainda concentrada na oração anterior.

Ichigo... E Tatsuki? Não seria possível... Seria? Afinal, qual era a maldita relação entre aqueles dois? Por que é que ninguém podia explicar o que estava realmente acontecendo?

-Eu preciso ir agora Inoue-san, e... Me desculpe mesmo. — levantou-se e logo se pôs a correr para alguma direção que Orihime não fez questão de prestar atenção. Quer dizer, ela já estava tão desatenta... E agora parecia mais ainda.

Respirou fundo, contendo que as lágrimas que se acumulavam abaixo dos olhos escorressem pelo rosto fino. E, de alguma forma, era como se todo mundo estivesse olhando para ela. Os mesmos olhares de compaixão, os mesmos suspiros, as mesmas lamentações...

Era sempre a mesma coisa, e agora... O buraco estava bem maior. E doía cada vez mais.

O que não deveria... Era outro rumor, certo? Não tinha cabimento ela ficar se martirizando sobre algo que... Algo que não tinha realmente certeza de que estava acontecendo...

Algo que talvez ela estivesse fechando os olhos para não ver. Para o coração não sentir.

Mas este começava a se quebrar do mesmo jeito.

-Hime? Hime? — levantou seu belo par de olhos castanhos para cima, e deparou-se com o rosto simétrico de Shuuhei. Parecia preocupado. — Está tudo bem? — continuou ele, agachando-se em frente a ela.

-Shuu-chan... — murmurou com a voz completamente embargada, denunciando o choro que estava por vir.

-O que... O que aconteceu? Alguém te fez alguma coisa? Se for isso, pode me falar quem foi que eu acabo com essa pessoa. — a ruiva riu, enquanto o adolescente acariciava seu rosto. — Hime-chan...

-E-eu... Queria te perguntar uma coisa. — disse ela baixinho, evitando qualquer tipo de contato visual que pudessem ter.

-Pode me perguntar qualquer coisa que eu respondo. — brincou ele, porém, a ruiva não riu dessa vez. Podia imaginar o por quê. Era o mesmo motivo de sempre.

-Eu sei que... Não tenho o direito de perguntar isso, m-mas... — mordeu o lábio inferior para que parasse de tremer, e continuou receosa – Kurosaki-kun... Vai à casa da Tatsuki-chan, não é?

A primeira reação de Shuuhei foi alargar os lindos olhos que tinha. Não sabia que informações daquele tipo corriam tão rápido pelos corredores da KHS. Por outro lado, arrependeu-se ao fazê-lo... Dar a resposta com todas as letras iria ferir ainda mais o coração da pobre menina, e a reação agora pouco já dava para se deduzir o que o adolescente iria dizer.

-Haha, como eu sou boba... — pegou a bolsa e o restante dos livros ao lado – Eles devem provavelmente estar estudando, ou fazendo algum trabalho... Não deve ser nada demais... — levantou-se num pulo, e Shuuhei fez o mesmo.

-Hime-chan, deixa que eu te levo pra casa. — ofereceu gentilmente, com um certo tom de preocupação na voz.

-Obrigada Shuu-chan, mas... Preciso ficar sozinha. — acenou fracamente para o amigo e se pôs a correr.

Corria tão rápido que não dava tempo de pensar nas emoções. Corria contra as lágrimas, que a esta altura, já despencavam uma por uma. Corria para não ter que ver as pessoas rindo do fracasso ao qual ela se encontrava. Corria dos próprios sentimentos.

Até quando?

-Inoue-san! — ouviu uma voz grossa, porém, feminina ao esbarrar em um pequeno corpo; logo deduziu ser Rukia, a babá de Ichigo. — Você está bem? — perguntou ela, já longe.

-Acho que... Eu nunca estive bem Rukia-chan... — respondeu de volta, colocando-se a correr novamente, após murmurar um sinto muito.

Rukia tentou chamá-la por diversas vezes, mas não adiantou. Ninguém iria fazê-la parar agora.

Talvez nunca mais.

VIII

Contemplavam o teto em absoluto silêncio, enquanto recuperavam o fôlego. Os corpos estirados sobre o lençol branco, completamente nus, queimavam a cada segundo que se passava.

Maldito verão... Mas, era o verão mesmo? Ou os corpos queimavam em outro sentido?

Depois da aula, Ichigo e Tatsuki seguiram para a casa da mesma, com a simples finalidade de se terminar um trabalho. Algo sobre dissecar sapos, até agora não faziam muito discernimento do que era na realidade.

Os primeiros minutos foram normais. Estavam realmente empenhados em terminar aquela coisa que mal sabiam o que era. Estavam mesmo...

Porém, era verão... E verão altera os hormônios de qualquer adolescente perfeitamente normal, o que não era novidade.

O que não foi novidade também quando Ichigo inclinou-se para tocar os lábios de Tatsuki quando esta estava distraída procurando por alguma borracha.

A princípio, Tatsuki se recusava a beijá-lo de volta. Mesmo que o coração mandasse fazer algo, o corpo traiçoeiro fazia outra. Não tinha como resistir em retribuir aquele gesto quando Ichigo parecia incrivelmente determinado no que estava fazendo. Quem era ela para contestar algo ali?

Bom, a melhor amiga da ex-namorada dele.

Correção: ex-melhor amiga da ex-namorada dele.

Quando Tatsuki finalmente conseguiu entender o que estava acontecendo, já tinha acontecido. Arfavam profundamente, ainda com os corpos enlaçados um ao outro.

-Ichigo... — começou ela, após recuperar o fôlego. — Quando nós vamos conversar sobre o que acabou de acontecer aqui? — tombou o rosto para o lado, e xingou-se mentalmente.

Xingou-se por continuar a admirar os olhos cor de marfim que Ichigo possuía. Não somente os olhos, como a linha dos lábios, o maxilar com barba por fazer e o cenho levemente franzido que o deixava charmoso.

-Não quero conversar sobre isso... Não agora... — admitiu, ainda receoso. Pelo jeito, Tatsuki não parecia brava, tampouco insatisfeita com o que acabaram de fazer. Porém, havia algo a mais... Não devia ser tão importante se nem ao menos fazia idéia do que poderia ser.

-Eu também não... — suspirou, aninhando-se mais ao corpo quente que Ichigo lhe oferecia. — Me sinto... Estranha. — ele assentiu, enroscando seus braços na cintura fina de Tatsuki.

-Não é só você... — murmurou contra o pescoço fino da adolescente, dando pequenos beijinhos até os ombros alvos. — Não deveríamos ter feito nada disso, você sabe...

-Pois é... — mordeu o lábio, a fim de conter um gemido que insistia em sair.

-Não vamos mais fazer isso então. — continuou ele, já com o corpo sobre o dela e a boca colada no lóbulo direito da mesma.

-Não vamos... — enlaçou seus braços ao pescoço de Ichigo e entreabriu os lábios para aceitar o beijo que estava por vir.

-Só mais essa vez... — disse antes de beijá-la profundamente, enterrando suas mãos ávidas por curvas ao corpo de Tatsuki. Esta fez o mesmo, e, apesar de estar com os lábios ocupados, não conseguiu deixar de não sorrir.

Um sorriso que não demonstrava nem um pouco de arrependimento ou culpa por dormir três vezes com aquele que sua [ex] melhor amiga morria de amores. Eram meros detalhes, não tão importantes assim... Talvez.

IX

-Então... Foi isso o que aconteceu? — suspirou, ainda remexendo na raspadinha de morango já derretida com o canudo amarelo. — Tsc, além de tudo... Ichigo me desobedeceu mais uma vez...

Shuuhei continuava dirigindo, ainda concentrado. Porém, algo como 'estou-preocupado-demais-para-fazer-brincadeiras' estava presente em seu semblante. Imaginava onde Orihime poderia estar, se estaria bem e se ficaria bem sozinha.

-Ichigo... Será que ele não pensa um pouco? Hime-chan ultimamente andava tão solitária e triste, imaginei que poderia ser algo relacionado aquele idiota... — disse o adolescente irritado – Como se não bastasse, todo mundo ali sabe como ela gosta de Ichigo... E ninguém perde a oportunidade de falar sobre esse assunto tão... Delicado. — finalizou.

-É, eu sei como é isso. — Rukia murmurou, entediada ao olhar pela janela – Imagino se algum dia aquela cabeça oca vai criar algum juízo...

O farol tornou-se vermelho, e obrigou Shuuhei a parar. Olhou para o lado, e não conseguiu conter a pequena felicidade que tinha só de tê-la ali ao seu lado. E, incrivelmente, parecia tão mais bela nas tardes de verão. O sol que invadia a janela e se refletia nos olhos cristalizados da morena deixavam-no de outra cor, um violeta... Tão lindos.

-O que me preocupa mais é... Desde que eu conheço Orihime, ela vive grudada em Tatsuki. Quando Sora, o irmão mais velho e inconseqüente, fugiu com a noiva para o exterior, não contou a ninguém o que realmente tinha acontecido... E só depois de algumas semanas, Tatsuki descobriu o que era e me contou... — percebeu que tinha toda a atenção da pequena e continuou – Orihime têm tendência de guardar tudo pra ela, além de se culpar por cada coisa, mesmo que não tenha sido ela a causadora...

-Não sabia... Orihime não parece ser uma menina tão... Solitária assim como você diz. — parecia uma surpresa, pelo tom de voz que Rukia usava. — Por isso achei estranho que uma pessoa fosse tão feliz daquele jeito... É só um disfarce... — constatou triste.

-O único que não percebe isso é ele... Ichigo às vezes parece não se importar com quem está a sua volta, ou se está magoando alguém quando toma atitudes... Precipitadas como essa de ir à casa de Tatsuki.

Rukia concordou, e voltou a calar-se. Só de pensar que todos aqueles sorrisos no aniversário de Tatsuki eram falsos... Sentiu vontade de se bater por não ter percebido antes. Estava tão visível...

-Precisamos encontrar Orihime... Se ela ficar sozinha, pode fazer alguma besteira. Quer procurá-la comigo? — questionou Shuuhei, com um meio sorriso.

-Uhum, vou ficar mais tranquila se souber que ela está bem. — disse, e voltou sua atenção para o movimento fora do carro.

Deveria ser umas 17hrs agora, já que a multidão nas calçadas largas de Karakura era grande. Muitos adolescentes voltando de algum karaokê, muitos voltando do trabalho e muitos se divertindo em algum bar ou restaurante.

O que, de alguma forma, a fez lembrar se o adolescente ao lado havia encontrado o celular com as fotos comprometedoras da professora substituta. Iria virar o rosto para indagá-lo, porém, um mar de cabelos alaranjados acabou por chamar sua atenção. Estreitou bem os olhos azuis cristalizados, e quando identificou quem era quase soltou um grito.

-Shuuhei, pare o carro! Não, eu não estou- Faça o que eu mandei! — disse apreensiva, enquanto tirava o cinto. Alguns carros atrás buzinaram fortemente e xingaram pela parada brusca, mas ela nem ligou.

-Ruu-chan, onde está indo? — quis saber, desculpando-se com alguns motoristas ao lado.

-Atrás da Orihime! — gritou pra ele, já do lado de fora do auto – Anda logo, o que está fazendo ai?

-Pode ir na frente que eu já te alcanço! — gritou ele de volta. Depois percebeu que havia gritado para ninguém, já que a pequena não era a paciência em pessoa e já se encontrava mais a frente.

Em Tóquio, apesar de sempre ser a menor da sala, e a pessoa quem herdava os apelidos mais idiotas sobre sua altura, Rukia era uma ótima corredora. Uma das melhores no tempo de ginásio. Tinha pernas longas, e não muito finas, eram perfeitas. Quer dizer, são.

-Inoue! — tentou chamá-la mais uma vez, esbarrando em algumas pessoas ao fazê-lo – Inoue! — a ruiva parecia não escutá-la, muito menos dava sinal de que iria parar de andar a qualquer momento. Quanto mais a babá corria, mais parecia que a jovem se distanciava. Maldita multidão que não abria caminho para que ela pudesse passar e acabar com aquilo tudo de uma vez.

-Inoue! — foi a última vez que gritou, e estranhamente, esta parecia ter surtido algum efeito na menina que estava a frente. Rukia agitou seu bracinho curto no ar. Indicando para que parasse.

E, estranhamente, ela somente virou-se para ver quem a chamava e logo voltou a andar, um pouco mais lentamente. Rukia teve de conter a surpresa ao ver o rosto de Orihime quando esta se virou. Não tinha aquele sorriso enorme, muito menos uma expressão feliz. Aparentava deprimida, os olhos estavam vermelhos e inchados, como se estivesse chorando a pouco tempo.

Aquela ali não era Inoue Orihime. Definitivamente não.

Viu que o sinal para atravessar estava vermelho e sorriu. Pelo menos alguém ali em cima parecia estar ao lado da pequena.

Pediu licença para algumas pessoas, e logo, se encontrava muito próxima a Orihime. Tocou seu ombro levemente, e a adolescente virou-se no susto.

-Ah, Rukia-chan... — suspirou, nem ao menos dando-se ao trabalho de sorrir – O que está fazendo aqui?

-Eu e Shuuhei estávamos preocupados, e decidimos te procurar. — disse Rukia entre pausas para recuperar o ar – Não acha melhor voltar para casa? Lá, se quiser... Nós podemos te escutar... — ofereceu gentilmente.

-Obrigada Rukia-chan... Mas o que eu menos quero agora é conversar... — a ruiva voltou a olhar o semáforo de pedestres e viu que este já estava verde – E eu fico dando trabalho à vocês... Me desculpe...

-Não há nada para se desculpar Orihime... — garantiu ela, pegando a mão da menina – Não-

Rukia não conseguiu terminar sua frase pois uma luxuosa e enorme limousine parou bem em frente as duas, bloqueando a passagem de várias pessoas. Estava buziando, como se fosse pra elas entrarem. — Está esperando alguém? — decidiu perguntar, arqueando uma sobrancelha.

-Me desculpe Rukia-chan... Eu realmente sinto muito. — murmurou manhosa, desprendendo sua mão à dela – Preciso ir agora. — anunciou quando a porta da limousine se abriu.

-H-hei, Orihime... Espera, onde está indo assim? — tentou impedi-lá – E com quem?

-Não se preocupe comigo Rukia-chan... Obrigada, e... Até mais. — acenou fracamente, adentrando o auto, que se foi em alguns segundos.

Ficou a vê-lo se afastar, ainda tentando compreender o que estava se passando.

Mas, infelizmente, mal sabia ela que não havia nada para se compreender, muito menos tentar.

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Oi, pessoal!

Tenho dois avisos que preciso fazer. O primeiro é sobre os e-mails que estou recebendo... Gostaria de me desculpar a quem continua me mandando perguntas, mas... Com esse negócio de babá mal tenho tempo de responder qualquer coisa que seja, e tampouco atualizar isso aqui como antigamente. Ficar correndo atrás de um adolescente não é legal, reflitam.

E o outro aviso é para quem mora em Karakura. Se alguém ver uma menina de uns dezessete anos, ruiva e com alguns atributos... Exagerados demais, me avisem. É realmente muito importante, (:

Bom, agora chega de avisos. Hoje especialmente foi um dia muito... Agitado. Quer dizer, não diria exatamente agitado, é a falta de um termo próprio; e eu estou realmente precisando desabafar, já que não tenho ninguém aqui no momento, e... Acho que vocês são a melhor opção...

Por onde eu posso começar? Ah, sim... Quando eu realmente achava que I havia criado algum juízo, acabei por fazer papel de idiota... Deus, como essa criança me dá trabalho! Será que eu atirei pedra na cruz para merecer este martírio? Às vezes acho que sim...

Além disso, acredito que há alguém que esteja sofrendo mais do que eu com essa estória toda... IOé realmente uma menina muito doce, não merecia uma amor platônico tão idiota quanto esse. Quase agora eu e HS estávamos atrás dela, e, sei lá... Senti uma coisa estranha, quase que um pressentimento ruim quando a encontrei... Só trocamos algumas palavras, e depois ela entrou em uma limousine suspeita... Me pergunto onde ela estaria agora, e com quem...

Me senti uma inútil completa de não ter conseguido interceptar o que quer que ela estivesse fazendo... Ela estava tão deprimida... E uma pessoa deprimida é capaz de fazer qualquer coisa, acreditem... Eu já vi esse filme antes, sei como é... Espero que não vá fazer alguma besteira que se arrependa depois...

E por mais que eu esteja muito irritada com Ineste momento, tenho que admitir que em algumas coisas ele estava certo. Quer dizer, apesar de tê-las dito em momentos os quais encontrava-se completamente bêbado... Sempre me dizia que um tal de GJ não prestava, que era um desgraçado e derivados bem piores. A princípio achei que fosse só aquela coisa idiota de adolescente que não gosta do outro porque ambos os egos são grandes demais, já que eu também passei por essa fase...

Depois de deixar I na escola, sem querer acabei conhecendo esse tal de GJ... Não sei, mas só de falar ou escrever o nome desse menino me dá arrepios... Como aquele sorriso irritante que vai de orelha a orelha. Odiei-o por isso. E odiei-o mais ainda por fazer... Insinuações sobre a minha vida...

Pois é... De repente minha vida ficou tão absurdamente interessante para aqueles alunos... Tanto até que todos já sabem meu nome, quantos anos eu tenho e várias outras coisas que nem mesmo eu sabia... São um bando de fofoqueiros desocupados.

Faria alguma diferença se soubessem o que eu sou, quem eu sou, e o que já fui?

Isso, de certa forma, me decepciona ainda mais... Daqui a pouco não vai dar mais para esconder do que exatamente... Eu estou fugindo. É, acho que estou fugindo... Não sei direito ao certo, é complicado... Penso que, se desde o começo eu tivesse sido realmente honesta com o KI, talvez nem aqui estivesse... Ninguém iria querer KRpor perto... Nem mesmo eu.

A verdade é que eu... Gostaria de ser outra pessoa. Gostaria de mudar meu nome, um que não exercesse tanta influência como esse... Aliás, seria melhor se eu esquecesse o passado... Não quero passar por cima dele, por que no fundo... Ainda me sinto injustiçada com todas aquelas acusações... Dói só de lembrar.

Espero que um dia, quem sabe... Talvez alguém acredite em minhas palavras, alguém que não me julgue, muito menos me condene... Acredito que o Sr. KIseria essa pessoa... E estar perto dele me faz lembrar tanto do meu pai... Sinto falta dele, sinto falta dos meus amigos, da minha família... Será que eles sentem minha falta também?

Ouvindo: I'll follow you into the dark_Deaath Cab For Cutie
Adicionado:
10/03/09 19:27 PM Posted by:R.

Casa... Será que algum dia poderei voltar?

Notas finais
Espero que tenham gostado, apesar da enrolação ! É uma fic IchiRuki sim gente, eu só gosto de ir com [muita] calma, (: