Gâteau Aux Fraises
7 J'aime bep la vie
Notas iniciais
Desculpem o sumiço, mas não vou tentar arranjar mais justificações! Sei que fui muito desleixada quanto a fic, porém, o que posso eu fazer quando há um bloqueio criativo? Para ser sincera, estava pensando seriamente em desistir dessa história, mas... Desistir? Justo agora? Ainda tenho tantas ideias, tanto a revelar, e sinto que se eu não continuar, não estou decepcionando somente vocês (haha, presunção minha?), mas principalmente a mim mesma... Não é o que eu quero, desistir justamente agora...
Enfim, como eu havia dito no capítulo anterior, haveria uma pitadinha de ichiruki aqui...
...
Er, me confundi de capítulo! Mãããs, como eu prometi, lá em baixo tem uma surpresinha pra vocês, isto nada mais é do que minha forma de agradecer aos reviews lindos, fofos, encantadores! Não sei como retribuir o carinho e explicar o quão boas foram as críticas/elogios, o 'bloqueio' parece que está indo embora... E isso graças a vocês! Obrigada, obrigada, obrigada... Agora, parei com meu drama! Boa leitura!
Capítulo 07 — J'aime bep la vie
I
A aula já havia terminado há muito tempo, mas os alunos eram obrigados a ficar na escola para organizar o baile que a KHS oferecia todo mês, com diversos temas variados e que, na concepção do próprio príncipe – o infame Kurosaki Ichigo – era um tanto quanto... Inútil.
Os adolescentes, principalmente os primeiranistas, carregavam caixas de um lado para o outro; moviam isso ou aquilo de lugar; alguns arrumavam a enorme quadra, que nessas ocasiões, servia como um salão principal.
O tema dessa vez seria verão. Ah, o verão!
Um tema que todas as terceiranistas temiam... Desde a fundação da KHS, os bailes de verão sempre davam errado... Ou as bebidas acabavam, ou os fios de eletricidade eram cortados, ou acontecia algo extremamente ruim. Este último não era do conhecimento de algumas pessoas, nem mesmo o comitê organizador desses bailes sabiam o que esse 'algo extremamente ruim' poderia significar...
Kurosaki Ichigo sabia por alto que em um desses bailes de verão aconteceu algum acidente... Acidente este que a KHS fazia questão de tapar os olhos e ouvidos, e fingir que nunca houve algo desse tipo.
Não que ele se importasse de qualquer forma. Era só mais um baile estúpido.
Estúpido porque ele não iria poder ir.
Quer dizer, permissão até tinha... O problema era o brinde que teria de ir junto também, se não outra pessoa, sua babá.
Que graça teria em levar uma pessoa que não o deixaria fazer absolutamente nada, além de controlá-lo o tempo todo?
Não, o melhor que tinha a fazer era ficar em seu quarto, dormindo em sua cama quentinha... Tão quentinha quanto a grama do campus em que se encontrava todo esparramado no momento, apenas observando aquelas pessoas andarem de um lado para o outro semelhantes a baratas tontas.
-I-chi-go! — disse em tom de brincadeira seu melhor amigo, ao juntar-se a ele na grama.
O ruivo fechou os olhos, na tentativa de ignorar qualquer tipo de brincadeira que Shuuhei pudesse vir a fazer. Não estava com muita paciência, quanto mais vontade de falar.
-Tsc... – fez um muxoxo quando sentiu a intensidade com que estava sendo encarado pelo amigo – Já disse que não vou ir ao baile, então desiste... Ela também não irá. – não, ele não tinha um sexto sentido ou algo assim, mas a maneira que Shuuhei o atormentou praticamente o dia inteiro fazendo indiretas para saber se iria ao baile, tinha uma certa noção do que se tratava. Não era nele que estava interessado, e sim, em uma outra pessoa de um metro e meio que o próprio tinha de aturar todos os dias.
A não ser que Shuuhei tivesse virado gay... Er, talvez ainda não.
-Woah, por que o mau humor? — o amigo riu, um pouco desapontado.
Boa pergunta.
Já fazia uma semana desde que foram ao clube Las Noches, um pub no centro da cidade, e se surpreenderam várias vezes numa mesma noite.
A primeira certamente foi ver sua ex-namorada em cima de um balcão dançando sensualmente ao lado de várias meninas, com uma certa malícia inocente embutida na forma como se movimentava.
Talvez fosse a bebida, que, quando exercia efeito sobre as pessoas, as descontrolava.
Claro que com Orihime não poderia ser diferente... Já que era a pessoa mais pura e inocente que conhecia.
A segunda surpresa daquela catastrófica noite foi saber que Grimmjow já conhecia sua babá. E maneira como se dirigiu à ela irritou Ichigo, que nem mesmo sabia o por quê.
Quer dizer, saber ele até sabia, mas era melhor fingir que não. Assim como também fingia que não estava morrendo de curiosidade sobre o que eles poderiam ter conversando uns minutos depois que todos haviam saído do pub carregando Orihime.
E a terceira surpresa foi descobrir que aquele clube no centro da cidade pertencia a ninguém mais ninguém menos que Grimmjow Jeagerjaques; isso porque os rumores que rolavam pelos corredores estreitos da KHS era de que na verdade era um prostíbulo.
Rumores...
Quem ligava para eles?
-Já faz uma semana... – constatou distraído o jovem dos cabelos chamativos.
Uma semana exata desde aquele dia.
Uma semana desde a última vez que viu sua ex-namorada, ou mesmo, Tatsuki.
Ao saírem do pub, levaram Inoue diretamente para sua casa. Fizeram tudo o que o procedimento para bêbados pedia: um bom banho de água fria, depois muito café forte.
Mesmo assim, logo após todo esse processo, a ruivinha havia caído num sono tão profundo que a conversa inacabada entre aqueles três não houve.
Nos dias seguintes, Ichigo mal via sua própria babá, que passava mais tempo cuidando de Orihime; e esta, por meio de Rukia, pedia para que Tatsuki e Ichigo não a procurassem.
É claro que eles estavam respeitando esse pedido, mas... Às vezes a culpa acumulada, dia após dia desde o incidente, não o deixava dormir... Quanto mais respirar e viver normalmente, como se aquilo tudo não houvesse de fato ocorrido.
Por fim, a coerência que havia decidido bater na porta de sua consciência, não o deixava – e nem mesmo queria – procurar por Tatsuki.
Usava a desculpa de que quanto mais andassem juntos, mais rumores iriam surgir, e quanto mais surgisse... Maior era a culpa que formava aquele estranho abismo entre eles.
-Ru-chan me disse que ela já está melhor... Você devia melhorar essa sua cara de derrota também, não acha? — disse Hisagi, numa tentativa de amenizar o clima pesado.
Pensou em responder, mas o amigo logo continuou:
-Hime-chan... Acho que um pouco de álcool fez bem pra ela, não é? Ru-chan me disse que ela sorria de uma forma tão...
-Natural? Ah sim, isso é verdade... Parecia feliz. – completou o próprio príncipe – Mas... Não entendi aonde você quer chegar com essa conversa.
-O que eu estou tentando dizer é que... Tudo isso que está acontecendo talvez seja bom para ela; Orihime tem tendência de guardar as mágoas pra si, e isso não faz bem... Por mais que a bebida seja também um meio errado de extravasar o que sente, acredito que ela busca no álcool a própria terapia, muitas pessoas fazem isso... Então, não se sinta o culpado de tudo pelo que Orihime está passando; ela própria decidiu que quer ser desse jeito.
-Álcool uma terapia? Só se for uma terapia para piorar ainda mais, Shuuhei-
-Ichigo, para ser mais claro do que água, o que eu quero dizer é que... A bebida, de alguma forma, está ajudando ela, mesmo que não pareça... Está ajudando a tirar toda aquela mágoa, aquela angústia... Com tudo isso, Orihime vai aprender de uma vez por todas, nem que seja da pior maneira, superar os sentimentos que ela tem por você, entende?
-Não... Quando você diz ‘superar os sentimentos que ela tem por mim’ você quer dizer, virando alcoólatra? – soltou um riso, e continuou a observar o amigo.
Desde quando começou sentir confiança nas palavras de Shuuhei, Ichigo não fazia a menor idéia. As palavras, os gestos, os pontos de vista; tão responsáveis para um cara como ele, que geralmente era o mais animado nas festas entre os alunos da KHS, o mais engraçado, e o mais maluco.
Porém, Shuuhei tinha razão... O único que teve coragem de dizer o que ninguém mais teve, nem mesmo Rukia. Dizer que aquela era a melhor forma para que Orihime pudesse deixar o passado para trás; deixar os sentimentos por ele também.
Ichigo concordava com tudo aquilo, apesar da culpa ter uma pressão esmagadora todas às vezes que se permitia pensar dessa forma.
-Eu acho mesmo é que, se você quer tanto assim que Rukia vá nessa droga de baile como seu par, devia parar de agir como uma menininha e convidá-la, em vez de ficar me irritando – Ichigo riu da cara do amigo, este já com as bochechas inflamadas.
-O-oe! Não estou agindo como uma menininha! — cruzou os braços, tentando a todo custo disfarçar a vermelhidão das maças do rosto – E-e quem disse que estou interessado na Ru-chan?
-Eu nunca disse que está interessado nela, haha... Só disse que deveria chamá-la para ser o seu par, em vez de ficar me irritando. São duas coisas completamente diferentes.
-Tsc... — Shuuhei virou o rosto, ainda enrubescido – Está tão na cara assim é? — perguntou depois de um bom tempo.
-Para ser sincero, sim, você não consegue disfarçar esse sorriso idiota de quem tá apaixonado quando eu falo o nome da Rukia- aí! Já está sorrindo, igual a um retardado! — apontou Ichigo, um tanto quanto abobado.
-A culpa não é minha... – tentou se defender, contemplando as próprias mãos – Mas, sei lá... Convidá-la para o baile, é meio complicado...
-Complicado por quê? — quis um Ichigo levemente irritado saber – Você nunca é tão indeciso assim quando quer chamar alguém pra sair – constatou o ruivinho.
-Esse é o problema, a Ru-chan não é um simples 'alguém', entende? — tentou explicar timidamente.
-Quer saber o que eu entendo? — Shuuhei fez que sim com a cabeça – Que tanto você quanto eu precisamos de uma boa tequila – sorriu para o amigo, e este meneou a cabeça.
-Realmente, eu falando de uma coisa importante e você só pensa em-
-Bebida? Ah, quem precisa de mulher quando nós temos ela? — ambos riram, e se levantaram para ir embora.
É, e quem precisava dos homens quando se tinha chocolate?
II
Por mais que tentasse, ou quisesse, era praticamente impossível abrir os olhos para o mundo a fora. Se o fizesse, saberia o que aconteceria: a dor que sentia em sua têmpora ficaria ainda mais torturante, e como consequência, sentir-se-ia ainda mais zonza e acabaria colocando para fora o pouco que seu estômago ainda conseguia segurar.
Vomitaria em seu lindo ursinho de pelúcia, relíquia que guardara desde que tinha uns três anos. A única lembrança que Inoue Orihime tinha de seus pais.
De certo, nunca soube o motivo pelo qual eles desapareceram pelo mundo, deixando-a sozinha com o irmão mais velho.
Doía só de lembrar deste, de quem sentia muitas saudades, mas que havia fugido com a noiva para o exterior, e abandonado-a completamente sozinha naquele mundo.
Fazia mais ou menos dois anos desde a partida de Sora, seu irmão, e, fazia também dois anos desde que Ichigo colocara um fim naquele relacionamento.
E cada vez que se lembrava dessas feridas acumuladas pelo tempo, sentia um algo estranho crescer em seu íntimo. Um gosto meio amargo, parecido com o uísque, porém, sem o prazer que com ele vinha.
Como era mesmo o nome daquele sentimento? Ah, solidão? Não, algo mais... Algo chamado tristeza.
Só não sabia o que era mais triste. Não lembrar as feições, as expressões, os traços, o rosto de seus pais; engolir a saudade que sentia do irmão mais velho; fingir que estava tudo bem, quando não estava; orgulhar-se de ser a pessoa mais solitária de Karakura;
Ou... Saber que sua melhor amiga estava tendo ‘alguma’ coisa com seu ex-namorado, a quem continuava a amar com tamanha sofreguidão.
No fim das contas, ela, Inoue Orihime, era uma verdadeira egoísta.
Egoísta por achar que seu irmão deveria sentir saudades dela também, ligar de vez em quando para perguntar se estava tudo bem; quando na verdade deveria ficar feliz pela felicidade do mesmo.
Egoísta por não conseguir sentir coisa alguma pelos pais, que nem mesmo as memórias insistiram em permanecer em seu subconsciente; quando na verdade, Inoue deveria saber que eles estavam fazendo o melhor para ela, e não para eles próprios, como pensava.
Egoísta por sentir-se a pessoa mais solitária de Kakura; quando possuía tantos amigos que só queriam seu bem.
Egoísta por pensar em se sentir traída pela melhor amiga; e na verdade deveria se sentir feliz por ela, a única pessoa que a apoiou quando o irmão fugiu de casa, a única que estava sempre ali com a mão estendia para qualquer problema que pudesse haver, e a única que sentia como se fosse uma irmã.
Por fim, egoísta por achar que seu amor por Kurosaki Ichigo fosse somente um sentimento que ela deveria ter, um tesouro que só ela possuía e mais ninguém.
Quando na verdade... Quando na verdade o quê?
Era a resposta que procurava quando abria os olhos até fechá-los novamente, para que no dia seguinte pudesse fazer o mesmo, até encontrá-la.
E quando a encontrasse... O que ela faria?
Algo que deveria ter feito há muito tempo, mas que o coração insistia em deixá-lo permanecer.
Expulsaria, definitivamente, o amor que sentia por Ichigo. E dessa vez, para sempre.
-Orihime, está se sentimento melhor? — disse uma voz grossa, com um timbre feminino, ao fundo, muito, muito longe.
Apertou os olhos para tentar identificar quem era, mas teve de abri-los, já que ainda se sentia um pouco enjoada e com as ideias fora de lugar.
-R... Rukia-chan? — murmurou, um pouco sem força, ao fechar novamente seus olhos, estes carregados de sono, e levemente inchados.
Sua aparência não devia estar uma das melhores. Os cabelos ruivos cintilantes já não brilhavam tanto, como as bochechas já não tinham cor, nem mesmo os lábios.
A maquiagem borrada não ajudava muito a disfarçar a vermelhidão dos olhos, e as bolsas roxas que se formavam em baixo deles.
Estava praticamente irreconhecível.
-Já passa da hora do almoço, não está com fome? — voltou a pequena babá que pouco conhecia a perguntar carinhosamente, enquanto se fazia confortável ao pé da cama.
-Arhn... — tentou Orihime, inutilmente, apoiar-se em seus cotovelos, mas não tinha equilíbrio algum sobre o corpo – Estou enjoada... — disse com dificuldade, ainda tentando achar algum ponto de estabilidade.
-Deixa eu te ajudar – Rukia logo se sentou na cama, e inclinou um pouco o tronco da jovem para frente, colocando alguns travesseiros e almofadas atrás para que pudesse se encostar – Assim está melhor?
-Obrigada Rukia-chan – forçou um sorriso fraco nos lábios pálidos e secos; logo, não demorou muito para que a dor de cabeça voltasse a incomodar, assim como a ânsia que sentia.
-Ah, trouxe um almoço pra você, foi a Yuzu-chan que fez, está uma delícia. Não quer comer um pouco? — Rukia ofereceu mais uma vez, e a ruiva meneou a cabeça – Tem certeza de que não quer comer nada? Precisa se alimentar direito, ou vai acabar desmaiando – tentou alertar, em vão.
-Me desculpe Rukia-chan, ficar te incomodando e dando trabalho todos os dias – abaixou a cabeça, completamente envergonhada.
Envergonhada por depender tanto assim de uma pessoa que mal conhecia. Envergonhada por não conseguir suprir suas próprias feridas sozinha.
E principalmente, envergonhada porque era impossível resistir a tentação do álcool todos os dias.
A sede que sentia não conseguia simplesmente ser saciada com água ou qualquer outra bebida.
A sensação que tinha todas as vezes que colocava uma gota de álcool na boca era indescritível.
Ao descer pela garganta queimava tudo, e depois... Depois era aquela sensação de prazer, puro êxtase, que até seus dezessete anos não sabia que existia.
Agora entendia porque Ichigo, Shuuhei e o resto adoravam tanto assim o álcool.
-Não precisa se preocupar com isso agora, Orihime... Se estou aqui é porque eu quero, e também, porque uma pessoa me fez prometer que cuidaria de você.
Uma pessoa? E ela existia, de fato?
-Como... Como estão todos? — indagou, ainda timidamente.
-Todos estão bem, mas preocupados e cheios de saudades... Por que não vai amanhã ao baile? — sugeriu a pequena, mesmo sabendo a resposta.
Em contrapartida, Orihime soltou uma risada amarga. Ir ao baile pra quê? Confirmar com os próprios olhos o que vinha evitando ultimamente?
Não, muito obrigada, mas essa ela passaria.
-Sabe, Rukia-chan... Eu sou tão egoísta – começou ela, não totalmente sóbria, a babá constatou – Eu devia ficar feliz por eles, não é? Digo... Se a gente gosta tanto assim de uma pessoa, deveríamos querer apenas a felicidade dela, certo? Mesmo que isso custe a nossa própria felicidade... — sentiu a visão tornar-se embaçada e já sabia o que estava por vir – Além do mais, Tatsuki-chan é a minha melhor amiga, sempre me ajudando com o dever de casa, com os meus problemas... Se eu não posso fazê-lo feliz, ela pode, e isso que importa... Mas, de alguma forma, não consigo pensar assim... — a essa altura, as lágrimas já rolavam soltas pelo rosto angelical da menina – Eu sou tão idiota por sentir essa mágoa que não deveria existir, e tão-
-Genuína – completou a morena, segurando a mão daquela adolescente inocente – Se pensa dessa forma como disse, então não há nada de egoísta, idiota, ou qualquer coisa do tipo... Se pensa dessa forma, é porque seu coração é tão puro e bondoso, que não aceita qualquer sentimento ruim que possa surgir em você... Isso é um sentimento que poucos nesse mundo possuem, e deveria se orgulhar disso... Se orgulhar por colocar sempre as pessoas que mais ama a frente de tudo, até mesmo, a frente do seu próprio sofrimento, da sua angústia...
Cada palavra proferida... Cada uma, escutava atentamente. Algo, Orihime não sabia o que era, mas a fazia querer acreditar no que Rukia dizia, e dizia com tanta convicção que... A confusão que acontecia dentro do peito ia parando aos pouquinhos.
-E não é errado se sentir triste, magoada, ou mesmo com raiva; isso é perfeitamente normal... Porém, o que não é certo, é se achar culpada por sentir tudo isso... Não é certo não se achar no direito de estar sofrendo, se achar culpada por pensar assim... Todo nós sofremos, todos nós choramos, todos nós temos nossas fraquezas, e todos nós também amamos... E o seu amor por aquele cabeça oca é tão grande, que até mesmo quem nunca se apaixonou, depois de te conhecer, vai querer se apaixonar também – riram.
-O que eu quero você entenda, Orihime, é que... Na vida, sim, vão haver ilusões e desilusões, sejam elas amorosas, econômicas ou familiares, mas, temos que aprender a conviver com elas; ou acha que toda vez que tiver um tropeço, vai poder agir da forma que está agindo agora? É com esses tropeços que nós fazemos os acertos... Vamos errar muito, e vamos aprender a concertá-los, um de cada vez...
-Muitas pessoas estão lhe oferecendo a mão, e a vontade de querer fugir desse abismo em que se encontra só faz parte de você; e não importa o que os outros pensam, vão deixar de pensar, ou sentir... Você também tem que aprender a se valorizar, a se achar bonita, e no direito de sentir o que quiser, sem colocar ninguém a sua frente, ou então, sua vida vai continuar sempre desse jeito; por mais que eu admire essa sua genuinidade, as pessoas do mundo à fora vão pisar nela, sem se importar, e sabe por quê? Porque você não se importa... Até o momento em que aprender a se respeitar, a se valorizar, a se amar, para então, ser amada... Compreende?
Após todo aquele discurso, Orihime fez que sim com a cabeça, mesmo que surpresa, e até emocionada, de ouvir todo aquele não tão pequeno sermão.
E com certeza, não era nas palavras que ela parecia acreditar, por mais sinceras e corretas que fossem.
E sim, naqueles exorbitantes olhos azuis cristalizados que tanto admirava desde o primeiro encontro. Eles transmitiam tranquilidade, sinceridade e, sobretudo, confiança e determinação.
Não tinha mais como tapar os ouvidos, muito menos os olhos.
Depois daquele sermão, não havia mais do que fugir. Do que temer em sentir.
Temer em dizer, e ferir.
A raiva, a culpa, a mágoa... Já nem se lembrava direito o que era aquilo.
Autonomia.
-Obrigada Rukia-chan, pelas palavras, pelo carinho e pela paciência... — apertou mais ainda a mão da morena, e a puxou para um abraço tão apertado que Rukia se viu na obrigação de corresponder da mesma forma – Não sei como te agradecer pelo que está fazendo por mim... Se tiver algo que eu possa fazer para retribuir, não hesite em me dizer.
-Não seja boba – riu, afastando-se um pouco – mas em vez de me agradecer, primeiro deveria resolver essa situação toda, não acha?
-Eu sei... Só não sei por onde começar – disse a ruiva, limpando o rosto encharcado de lágrimas.
-Existem várias formas, por exemplo – tomou a mão de Orihime, e num pulo, colocou-a de pé, mesmo que se desequilibrando um pouco – Que tal tomar um bom banho para relaxar, e tirar esse cheiro de bebida, e depois... Ter uma boa conversa com duas pessoas que não param de me ligar perguntando por você. O que acha? — arrastou a adolescente até a porta do banheiro, que não era muito longe, pegando uma toalha seca no meio do caminho.
-É o que eu mais quero no momento – abriu um sorriso fraco, ainda sentindo-se zonza – Depois podíamos comer um pouco de brigadeiro com batata frita e molho de espinafre! Pode deixar que eu mesma preparo pra nós duas depois do banho! — disse ao fechar a porta do banheiro, ainda mais animada.
Rukia não conseguiu conter uma risadinha. Pelo visto Orihime parecia estar voltando ao normal.
Parecia estar voltando a ser aquela menina doce, gentil, inocente e animada que conhecera algumas semanas atrás, e que a cativou logo que se conheceram melhor.
Por sorte, agradeceu a Deus por ter trazido um pouco da comida de Yuzu, caso contrário...
Quem estaria deitada na cama seria ela.
III
-Senna, o que vai usar amanhã? — perguntou Yuna Yaguchi, a loira oxigenada que se dizia sua melhor amiga de infância; mas é claro que Shigure Senna não tinha um padrão de amigos tão baixo quanto aquele.
Yuna servia apenas para copiar as lições de matemática, física e biologia; também era prestativa para espalhar os melhores boatos, e uma fonte incrível de informações referentes ao seu tão amado príncipe, Kurosaki Ichigo.
Era alta, esquia, e tinha os ombros largos demais para os quadris não muito voluptuosos. Os cabelos eram finos, compridos e cheios de pontas duplas devido a água oxigenada que usava para tingi-los.
A falta de peitos também não a ajudava muito, mas como os cabelos ficavam por cima deles, não dava muito nas vistas que era uma taboa quase que plana.
As canelas eram magricelas, e a cor da pele era um branco estranho... Branco de pessoa doente.
A boca também era larga, os lábios finos e pálidos. Tinha uma constante marca roxa abaixo dos olhos que disfarçava com quilos de base e corretivo, que não ajudavam muito.
Um verdadeiro desastre natural.
Porém, Senna mal a suportava. Além de terem praticamente o mesmo corte cabelo – claro que o dela era natural e lindo, não oxigenado e cheio de pontas duplas –, usavam as mesmas marcas de sapato – porque aquela no face só sabia imitá-la –, bolsas e roupas.
Era completamente irritante ter uma constante cópia ao seu lado, apesar de inflar seu ego. Saber que era a inspiração de algumas pessoas... Mas logo esvaziava por ser pessoas daquele tipo que a copiavam.
'O que vai usar amanhã?' era a típica pergunta inocente com um objetivo obscuro embutido. Comprar uma roupa da mesma marca que ela, mas claro, que não cairia tão bem pois não tinha o corpo perfeito, igual Senna.
Foi no primeiro baile, quando ainda eram calouras da KHS, que Yuna lhe fez essa mesma pergunta as vésperas, e claro que Senna, tão inocente, respondeu-lhe: 'Vou usar uma túnica Givenchy sem muitos detalhes, e nos pés um Jimmy Choo rosa'.
É claro que no dia seguinte apareceram exatamente iguais, sem contar que o scarpin Jimmy Choo rosa também era do mesmo modelo.
Não é preciso mencionar que durante o baile as pessoas passam e falavam: 'Nossa, que bonitinhas vocês duas, calouras! Podia jurar que são gêmeas', 'Meu Deus! A amizade de vocês é tão linda! Até usam a mesma roupa para combinar!'.
Três erros:
1)'Bonitinha' é um termo usado para pessoas feias arrumadas, que não era o caso de Senna.
2) Yuna não era sua amiga, e sim, uma pessoa com quem passava seu tempo para obter informações sobre seu príncipe, portanto a suposta 'amizade' não era linda, e sim, um fardo para ela.
3) Combinar roupas é o cúmulo da breguice, fato.
Desde aquele terrível dia, nunca mais disse-lhe honestamente o que usaria. Fazia pior.
-Hmm, acho que vou usar o meu Stella McCartney azul bebê, o da coleção de primavera, sabe? Um que a Ayumi Hamasaki usou no VMA – mentiu, satisfeita consigo mesma.
É claro que Senna não iria usar Stella McCartney porque além de ser brega, Ayumi nunca usou um vestido horrível daquela coleção. Mesmo se tivesse usado, não iria querer imitá-la.
-E você? — quis ela instigar, ainda que de bom humor.
Bom humor? Desde quando?
Desde o momento em que se sentaram embaixo de uma das enormes árvores do campus da KHS para se esconderem do sol escaldante, e também, do esforço que exigia os preparativos para o baile.
Além disso, tinha uma bela visão, mesmo que os óculos escuros dificultassem um pouco na observação de um tal príncipe chamado Kurosaki Ichigo. Apesar das lentes, os cabelos alaranjados espetados conseguiam se sobressair e se destacar; estava deitado na grama, com seu permanente franzido no cenho que Senna achava charmoso, enquanto conversava com seu melhor amigo, Hisagi Shuuhei.
O sol refletindo no rosto dele deixava-o ainda mais belo do que de costume. O contorno dos lábios em um semi-sorriso também era tão cativante quanto seus gestos serenos para com o amigo, que tagarelava sem parar.
Senna também conhecia muito bem a expressão corporal de Ichigo, e podia constatar pela respiração tranquila que hoje estava mais relaxado, talvez até, um pouco mais animado.
-Minha mãe comprou um Dior esses dias, acho que vou roubá-lo – confessou Yuna, entre risinhos.
Mas Senna não estava nem aí para o que ela iria ou deixaria de vestir. Nada ficaria bom mesmo.
-Aliás, tenho tantas novidades! — exclamou a loira entusiasmada, captando a atenção da 'melhor amiga de infância' – Semana passada disseram que viram a Orihime-chan dançando em cima de um balcão, acredita nisso? Pois é, eu também não acreditava, mas depois me mandaram um vídeo – riu, divertindo-se com aquela confusão – coitada, nem parece ela!
Bom, a notícia era velha.
Velha porque Senna estava presente naquele fatídico dia, misturada entre as pessoas do pub Las Noches, o qual o dono era ninguém mais ninguém menos que Grimmjow Jeagerjaques.
E mais velha ainda porque quem filmou aquela cena tão grotesca foi, senão ela própria.
-E hoje de manhã ouvi dizer que o Kurosaki e Arisawa fizeram... Certas coisas na rua detrás do colégio... Eca, lá deve ser no-jen-to demais – finalizou ela, com certo tom de deboche.
Hm, Senna sabia que eles tinham aquele tipo de relação desde a oitava série, então, isso não a surpreendia tanto. Nem a magoava, como Yuna pensava que iria.
Simplesmente não ligava, já que como a garota mesma disse, aquele beco era nojento demais para se fazer algo.
Mas, por existir pessoas daquele tipo como Arisawa que o mundo nunca ia pra frente.
Quando é que iriam aprender que um bom colchão de uma cama kingsize nunca poderia ser substituído por uma parede imunda e desconfortável?
IV
-Tem certeza que não quer nem um pouquinho Rukia-chan? Está tão delicioso! — ofereceu Orihime gentilmente à aprendiz de babá.
Certeza absoluta Rukia tinha de que não queria passar a noite inteira colocando aquela mistura que a adolescente chamava de comida para fora.
E também, era jovem demais para morrer.
Quer dizer, não tão jovem assim... Vinte e poucos anos era o começo de uma vida, certo? Bom, era o que seu pai costumava dizer quando sua irmã reclamava da idade que tinha.
-Muito obrigada Orihime-chan, mas eu já comi. Quem sabe da próxima vez? — tentou compensar, mas logo se arrependeu.
Próxima vez? Mesmo?
-Então da próxima vez vou fazer uma torta de framboesa com pedacinhos de gengibre e sardinha enlatada, com maionese de banana e ovo de acompanhamento, o que acha? — perguntou com o cantinho da boca sujo de chocolate e um pouco daquele molho com cor estranha.
-Ah, acredito que eu vou adorar – adorar ficar uma semana de cama?
É, isso porque dizia que existia louco pra tudo. Agora sabia o que era fazer parte desse conjunto. Não era nada legal.
-Rukia-chan... Você tem namorado? — perguntou Orihime, com o par de olhos castanhos grudados na pequena.
Assim como a pergunta foi repentina, o susto que levara também foi. Aquela era uma pergunta totalmente fora do contexto e de hora; falar de sua vida pessoal era meio... Embaraçoso.
-Ah, desculpe-me pela pergunta repentina! — agitou as mãozinhas no ar, envergonhada consigo mesma após a pausa pensativa de Rukia em relação à pergunta – Não precisa responder Rukia-chan! Não vou ficar chateada, é que... Você é tão bonita que eu achei que-
-Haha, não se preocupe com isso Orihime-chan, e obrigada pelo elogio – riu – Mas... É complicado... Como posso explicar? — pôs a mão no queixo, formulando algo que não parecesse tão idiota e complexo – Em Tóquio, quando eu estava na faculdade, tinha um senpai que eu gostava, só que... Era uma coisa sem compromisso, sabe? Ele era uma pessoa livre, não gostava de relacionamentos sérios, e naquela época, eu também não... Só procurávamos um ao outro quando queríamos, e de certa forma, era divertido... Tsc, você deve me achar uma idiota – fitando o nada, tentou não se lembrar daqueles momentos que viveram juntos.
Vida nova, vida nova!
-Não é idiota Rukia-chan – pegou a mão gelada da morena e abriu um sorriso cheio de conforto e sinceridade – É amor?
Amor?
-Não... Amor, amor, nunca foi... Só não tenho interesse por esse tipo de coisa, por mais que as pessoas digam que eu preciso casar e ter filhos; gosto da minha solidão, me sinto bem comigo mesma – sorriu com a careta que Orihime fez.
-Solidão demais nunca é bom Rukia-chan! — tentava, inutilmente, explicar – Aliás, solidão não é bom pra ninguém, ainda mais pra você, que é jovem, bonita e inteligente!
-Ah, chega de elogios Orihime – pediu a babá com as bochechas em brasa; quase não recebia elogios, e não estava muito acostumada. Chegava até ser errado.
-Está bem Rukia-chan, acho que me empolguei demais, certo? — colocou a mão em cima da boca para abafar uma risadinha.
-Um pouco – admitiu a morena, enquanto colocava-se de pé no meio da sala da mais nova amiga – O que vamos fazer agora?
-Hmm, eu estava pensando se--
Orihime logo calou-se quando o celular de Rukia começara a tocar.
-Shuuhei? Ah, já estão aqui? Pensei que fossem demorar... De qualquer forma, estou descendo- Sim, sim, eu já entendi, manda ele parar de gritar, dá pra escutar daqui- Tá bom, tá bom, já entendi! Vou levá-la comigo- Shuuhei, manda ele se aquietar, por favor? Obrigada.
-Algum problema Rukia-chan? — perguntou a adolescente curiosa, enquanto observava atentamente sua babá temporária pegar a bolsa – Já está indo embora?
-Ah, sim... Shuuhei está lá embaixo, me esperando. Por que não vem comigo, dar um oi? — sugeriu, ajudando-a a colocar-se de pé também.
-Ótima ideia – sorriu, pegou a mão de Rukia, e correndo porta a fora do apartamento, riam alto ao ponto de acordar alguns vizinhos.
Fazia um tempo que a diminuta figura de cabelos pretos não se divertia tanto assim.
E correr por um acaso era algum novo tipo de diversão?
Não exatamente... A diversão ficava por conta daquela que a acompanhava. A diversão estava ali, nas gargalhadas despreocupadas e tranquilas de Orihime que ecoavam pelos corredores.
Uma risada tão gostosa de ouvir, igual a de uma criança, tão inocente.
Traziam uma sensação de paz, e principalmente, de felicidade.
Tamanha sensação que a fazia rir também, de tão contagiosa que era.
-Cansei... Mas... Foi... Divertido – dizia ela entre pequenas pausas para recuperar o fôlego, logo que estavam em frente a portaria do apartamento.
-Foi – admitiu Rukia, também ofegante – cadê– parou de falar quando sentiu duas mãos enormes cobrirem seus exorbitantes olhos azuis, dando-lhe um pequeno susto.
-Adivinha quem é, Ru-ki-a-chan? — disse a pessoa das mãos grandes, num tom divertido. Podia ouvir também a risadinha divertida de Orihime, e então, sabia quem era.
-Shuuhei? — tentou ela, juntando-se a brincadeira, apesar de saber a resposta.
-Tsc, não tem graça brincar com você – murmurou o adolescente, com falsa decepção. Logo, não demorou muito, para receber um pequeno tapa por parte de Rukia – E você? O que está esperando para me dar um abraço? — dirigiu-se a Orihime, ainda encenando.
-Ah, desculpe Shuu-chan! — agora menos ofegante, a ruiva enlaçou a cintura do amigo, puxando-o para um abraço apertado, apoiando a cabeça no peito deste, sorrindo.
-Nunca mais faça coisas desse tipo, entendeu? Eu te proíbo! — censurou com a preocupação evidente nos olhos fúnebres – Sair todos os dias pra beber sem me convidar? Mesmo? — ah, então era por isso que parecia tão 'bravo' – Não adianta ficar rindo não, porque não tem graça, ouviu? Além do mais, me deixou a semana inteira preocupado...
-Sim, sinto muito Shuu-chan, mas agora eu já aprendi, graças à Rukia-chan! — apontou para pequena, que assistia àquela cena quieta.
-Ah, não exagera Orihime, não foi nada – murmurou ela, sem jeito.
-Ela tem razão Ru-chan – Shuuhei concordou, deixando-a ainda mais envergonhada. E de certa forma, o adolescente fazia isso exatamente porque gostava da reação. O modo como as bochechas tornavam-se coradas em questão de segundos, e os gestos envergonhados eram realmente cativantes; ainda mais porque não era todo o dia que se via Kuchiki Rukia envergonhada e sem jeito.
-Aliás – rapidamente a babá mudou de assunto, para não constranger-se ainda mais – onde...?
-Onde...? — a princípio, o jovem não tinha entendido a deixa, e depois, quando o raciocínio parecia ter chegado, era tarde demais.
-Estamos bem aqui – disseram duas pessoas atrás deles.
Shuuhei e Rukia não precisaram virar as cabeças para ver quem eram os donos das vozes, mas Inoue teve de fazê-lo.
Apesar de saber a quem pertenciam, tinha de ver com os próprios olhos para acreditar que sua melhor amiga e seu ex namorado estavam ali, bem em frente à ela.
Mesmo assim, quando a confirmação se refletiu nos olhos, não conseguiu deixar de sentir-se surpresa a primeiro momento.
A respiração que agora pouco havia recuperado já não existia mais, muito menos a serenidade e as risadas.
Os braços que enlaçavam a cintura de Shuuhei foram se afrouxando, até que, não o abraçava mais, muito menos se movia. Como também nenhuma expressão se formava no rosto.
Simplesmente não fazia nada.
-Orihime... Será que nós podemos conversar? — foi Tatsuki quem começou, receosa.
Algo ali... Algo ali estava errado. Talvez fosse a sensação.
A sensação de que pareciam duas estranhas que se encontravam pela primeira vez.
E Tatsuki não gostava disso; não gostava daquele abismo, e não gostava de pensar que todos os momentos que viveram juntas nunca existiram.
Nota: que ela mesma fez questão de contribuir para tal.
-Ah, eu... – Orihime mordeu o lábio inferior, tentando ao máximo dizer para si mesma que ela era corajosa, e que sim, poderiam conversar a qualquer momento para esclarecer aquela confusão toda... Porém, mesmo que repetisse isso mentalmente várias vezes, não era tão forte assim; os medos, a insegurança e o egoísmo que pensava ter sumido depois do sermão de Rukia, pareciam ter voltado, e ainda mais resistentes. Tão resistentes que não ela mesma não conseguia dissipá-los.
-Preciso ir agora, acho melhor deixarmos pra mais tarde. Até mais Shuu-chan, Rukia-chan... — acenou tão rápido quanto disse, e logo, se pôs a correr de volta para o apartamento, nem se incomodando em ouvir uma réplica.
-Orihime! — foi a vez de Ichigo pronunciar-se, em vão, para o ar, e para decepção de todos ali – Merda! — praguejou irritado, remexendo nos cabelos ruivos, quase os arrancando.
Novamente, o peso que recaía sobre os ombros largos de Ichigo aumentava gradativamente. A culpa, o fracasso, a frustração... O repulso?
Repulso por si próprio; repulso por ter se tornado uma pessoa daquele tipo... Uma pessoa que desde um dado momento não fazia nada além de magoar as pessoas próximas; repulso por ser ele o motivo de tantas lágrimas, tantas brigas... Tantos laços desatados.
Não. Não queria mais sentir-se um lixo, um cretino e um otário, apesar de cada célula do seu corpo exclamar para o mundo todo sobre seus defeitos; não queria mais fazer ninguém desperdiçar lágrimas, muito menos magoá-las com suas atitudes. Não queria mais que aquela dor na consciência perseguisse seus sonhos, que não o deixasse respirar sem sentir-se angustiado.
Definitivamente, não queria mais ser aquele Kurosaki Ichigo.
-Eu preciso vê-la – foi tudo o que a determinação do ruivo o permitiu dizer em voz alta, um pouco antes de sair em disparada para dentro do prédio.
Ouviu seu nome ser chamado várias e várias vezes; estavam tentando impedi-lo e usavam como argumento o 'tempo' que Orihime precisava para superar e colocar as ideias no lugar.
Tempo? Irônico.
Kurosaki Ichigo já tinha desperdiçado tempo demais, e não iria parar agora.
Não iria parar nunca; até que resolvesse aquele problema pendente de dois anos atrás.
Problema este que suplicava por uma solução.
E a solução estava ali, entre os corredores estreitos do terceiro andar do prédio residencial Karakura Bourbon.
-Orihime! — gritou ele ao bater insistentemente em sua porta – Orihime, abre essa porta! — seu pedido ecoava pelo resto do corredor. Ichigo nem ligava se estava incomodando alguém ou não; precisava dizer aquilo, precisava cuspir aquilo tudo pra fora de uma vez por todas, e não podia mais remediar tal fato.
Por outro lado, Orihime apertava os braços em volta das canelas, com a cabeça apoiada nos joelhos. Não iria abrir a porta, ainda não estava preparada como achava estar; mesmo com o sermão de Rukia ecoando várias e várias vezes sobre sua cabeça, sentia uma certa hesitação por parte do coração...
Então era assim? Se abrisse aquela porta, seria o fim de tudo? O fim daquele sentimento que carregava junto consigo todos os dias? Sentimento este, que apesar de não ser correspondido, a qual se abraçava para não sentir-se tão... Solitária... Não queria que aquela sensação de estar sozinha do mundo voltasse.
Tinha medo de encarar a verdade que há muito tempo não podia mais fugir.
A verdade que sem aquele amor, ela não era ninguém...
-Orihime... Por favor... — disse uma voz mais calma – Nós precisamos conversar, sabe disso, não é? — tentou argumentar ele, com a testa colada sobre a porta.
-K-kurosaki-kun, por favor, vá embora... — pedia entre soluços, e quanto mais tentava fazer-se de forte, as lágrimas insistiam em cair.
-Eu não vou embora Orihime... Nunca mais – sussurrou a última parte, porém, a ruiva conseguiu captá-la – Se não abrir essa porta, tudo bem... Eu digo tudo o que tenho pra dizer aqui mesmo, não me importa, contanto que você possa me ouvir – suspirou o adolescente, tentando organizar as palavras que precisava colocar pra fora.
-Sabe, aqueles dois meses, foram divertidos ao seu lado; lembra quando derrubei refrigerante no seu vestido no primeiro encontro? Minhas mãos tremiam, estava nervoso e não sabia se segurava sua mão ou se deixava como estava... No fim, você sorriu e me disse 'tudo bem Kurosaki-kun, não tem problema, é só um vestido'... E quando terminamos, você me disse a mesma coisa 'tudo bem Kurosaki-kun, não tem problema'... Orihime, não está realmente tudo bem, certo? Nunca esteve, e eu fui o único que nunca percebeu isso.
Um meio sorriso se formou no cantinho dos lábios da ruivinha; ele se lembrava, e isso que a deixava um pouco mais animada. Sempre achou que aquelas memórias faziam parte somente dela.
-E agora que me dei conta de tudo isso, precisava dizer... Me desculpe, Orihime... Por tudo, por todas as vezes que te fiz chorar, que te magoei com as atitudes egoístas, com o meu descaso; me desculpe por ter interferido na sua amizade com Tatsuki, e principalmente, me desculpe por... Por não conseguir retribuir seu amor da mesma forma que você merece – disse ele, com os olhos fechados – Eu sei que essas desculpas vieram tardiamente, e sei também que já te magoei demais, mas precisava dizer... Orihime, só porque não retribuo seu amor da mesma forma, não quer dizer que você é menos importante pra mim do que qualquer outra pessoa – finalizou, respirando fundo.
'Me desculpe por não conseguir retribuir seu amor da mesma forma'
O medo que tinha de ouvir essa frase todas as noites não se comparava com a pontada que sentia no coração. O ar lhe faltava à medida que o tempo passava, e as lágrimas nem esperavam para se desatarem dos olhos.
Porém, por mais que aquilo tudo doesse, conseguia enxergar melhor. Conseguia encarar a verdade cruel como era, e não era tão ruim assim quanto imaginava ser; conseguia encarar o fato de que aquele amor não traria benefícios a ninguém... E que insistir em se magoar, e magoar as pessoas ao redor era insistir no mesmo tropeço, no mesmo erro...
Não queria mais empacar no meio da estrada; queria se levantar por contra própria, não seria a primeira nem a última decepção que teria; já havia feito isso uma vez, por que não outra?
Orihime era forte, certo? Forte o bastante para acabar de uma vez por todas aquela fantasia que vinha criando todos os dias, e que seria só... Fantasia... Precisava acordar, precisava perceber que a vida não girava apenas em torno de uma pessoa...
Queria viver.
Queria amar sem sentir medo, sem mágoas e sem barreiras.
Queria ser correspondida.
Ela tinha esse direito, certo?
-Orihime... Você está aí? — Ichigo disse, levemente preocupado. Preparava-se para bater na porta novamente – Ori-- quando ela simplesmente abriu-se sozinha, revelando uma enorme confusão de cabelos alaranjados, tão brilhantes e cintilantes que exalam sua fragrância angelical pelo ar.
-Bem aqui, Kurosaki-kun... — disse ela ao agitar a palma da mão aberta, juntamente com um sorriso nos lábios rosados; os olhos, apesar de inchados e tão vermelhos quanto a ponta do nariz delgado, sorriam também; possuíam um brilho diferente, parecia em paz consigo mesma.
Finalmente.
Orihime estava linda; linda como a primeira vez que Ichigo pousou seus olhos sobre a mesma, e que o encantou profundamente... Ainda continuava a encantá-lo, mas não da mesma forma; encantava-o como pessoa, como aquela menina doce, meiga, gentil e compreensiva que sempre seria, e que o surpreendia cada vez mais.
-Será que... Seria muito se eu pedisse um abraço? — questionou Orihime, num tom meio brincalhão e meio choroso; depois de toda aquela confusão, as bochechas nunca deixaram de enrubescer, principalmente com um pedido tão 'atrevido' quanto aquele!
-E precisa perguntar? — aproximou-se ele devagar, primeiro limpando as lágrimas restantes que deslizavam sobre a pele macia da ruivinha. Não demorou muito para que então, as mãos quentes deslizassem do rosto para os ombros, para os braços, e depois, para cintura, onde pararam e a puxaram para um abraço apertado.
-Obrigada, Kurosaki-kun... Sinto-me melhor agora – murmurou ela, com a cabeça enterrada no peito do príncipe, enquanto os bracinhos finos passeavam pelas costas do mesmo.
-Nunca mais vou decepcioná-la, ou magoá-la de novo... Isso é uma promessa – sussurrou nos cabelos ruivos, determinado.
Promessas... Kurosaki Ichigo era um homem – menino – que as cumpria, certo?
Orihime preferiu acreditar que dessa vez ele as cumpriria.
V
-Imagino o que deve estar acontecendo lá em cima – um Shuuhei completamente entretido com o canudinho do frapuccino – pois é, na falta de álcool e na frente da babá, tinha de se fazer um bom moço, coisa que ele normalmente não era – murmurou para a companhia ao lado, que fazia exatamente a mesma coisa que ele.
-Espero que eles estejam se entendendo... Acho que esperaram tempo demais para resolver essa situação – comentou, irritando-se com o canudo – Só espero que aquele Neandertal não complique mais as coisas – suspirou, e jogou o copo vazio no lixo ao lado.
-Tatsuki-chan estava tão arrasada que até foi embora sem esperar para ver o que acontecia... — o moreno fez o mesmo que a pequena, e logo, ambos se se encostaram à lateral do Audi TT prateado de Ichigo, que estava bem em frente ao prédio residencial Karakura Bourbon – Ichigo é um maluco, isso sim...
-Maluco, irresponsável, bêbado, folgado, arrogante e-- continuou Rukia; tinha uma enorme lista, e que a cada dia ia aumentado consideravelmente – Ops, acho que exagerei – abafou uma risadinha com a mão quando os olhos negros de Shuuhei pousaram sobre ela, de uma forma que a incomodava um pouco. Talvez fosse a intensidade com que o melhor amigo de Ichigo o fazia, não sabia muito bem.
-Nah, ele é isso tudo mesmo, e mais um pouco... Mas é meu melhor amigo, então, o que eu posso fazer senão apoiar todas essas maluquices? — riu, tentando não concentrar-se demais naqueles exorbitantes olhos azuis que tanto adorava.
-Em Tóquio, também tinha uma amiga assim, muito irresponsável; toda idiotice que ela fazia, sempre me arrastava, então, acho que entendo como se sente – suspirou, fazendo-se mais confortável na lateral do carro, mesmo que isso parecesse impossível – Sinto falta dela... — murmurou com os olhos fechados, e continuou, sabendo que tinha toda a atenção do adolescente – Sabe, na nossa formatura de ensino médio, ela ficou tão bêbada, mas tão bêbada, que deu em cima do nosso professor! — ria, enquanto as memórias voltavam – O pior, era que a mulher dele estava lá, bem ao lado. Imagina a cena, eu e metade da escola tentando puxar Hikari de um lado, e o professor sozinho puxando a mulher dele... Quase que ela não consegue o diploma.
-E como ela fez para conseguir? — perguntou Hisagi intrigado, e maravilhado. Aquelas risadas eram verdadeiras, podia sentir isso. E faziam-no querer rir também.
-Hikari me arrastou até o diretor e me obrigou a dizer que ela sofria de transtorno bipolar, e que ela às vezes se descontrolava... O diretor só acreditou em mim porque na época, eu era a representante do conselho estudantil; foi mais uma das várias mentiras que já contei para ajudá-la...
-E quais foram as outras? — quis saber, não conseguindo conter a curiosidade. Queria saber tudo, cada detalhe, cada pedacinho da vida de Rukia; e não sabia muito bem o por que dessa sua nova obsessão.
-Ah, isso vai ter que ficar para um outro dia – sorriu pequenamente – Não é justo só falar de mim, aqui... Vamos falar de você – resolveu a pequena, que também estava curiosa; das poucas vezes que ficavam sozinhos, como agora, Shuuhei quase não falava sobre sua vida.
Não sabia se tinha pai, mãe, amigos ou namorada – não que isso realmente importasse, porém, era um adolescente tão charmoso para a idade, que deveria ter uma em cada canto da cidade –, ou coisas banais, como coisas que mais gostava e desgostava, etc.
Não era justo falarem só dela todas as vezes que conversam. Sua vida não era tão interessante assim.
-Falar de mim? — cruzou os braços, e tentou se concentrar – Mas, não tem o que falar...
-Tá, então eu faço as perguntas e você responde, certo? — ele fez que sim com a cabeça, e então, Rukia começou – Hmm, qual a sua cor favorita?
O que veio como resposta foi somente uma gargalhada, meio debochada da parte de Shuuhei.
-Qual a graça? — logo, a aprendiz de babá cruzou seus braços, e juntou firmemente as sobrancelhas finas.
-Não, é que... Eu esperava perguntas diferentes, sabe? — ria ele, limpando o cantinho dos olhos.
-Perguntas diferentes como? — mesmo a risada do adolescente cessando, o modo como o encarava continuava o mesmo. Possessa.
-Ru-chan, não precisa ficar brava! Não estava rindo de você, e nem da pergunta, foi só... Inesperado – tentava se explicar na defensiva. A intensidade com que aqueles exorbitantes orbes azuis o encaravam lhe dava arrepios, apesar de deixá-la um pouco mais... Sensual, ousava ele pensar?
-Tudo bem, então eu-
-Minha cor favorita é verde, e eu gosto de lasanha. Odeio peixe, e tudo o que tem cenoura. Hmm, não tenho namorada porque não gosto de complicações; também não sou gay, eu acho... Brincadeira! — sorriu quando a morena fez o mesmo – Gosto de dormir tarde e acordar tarde; gosto de sol com frio, sorvete com café; odeio ficar em casa sem fazer nada... E acho que é isso tudo o que eu lembro no momento... — finalizou Shuuhei pensativo.
-Acho que isso... Já te deixa uma pessoa menos misteriosa pra mim – admitiu Rukia, ainda olhando-o com ternura.
-Pessoa misteriosa, eu? — riu mais uma vez – Não sou tão misterioso assim...
-Não sei... Acho que são os seus olhos... São tão, fúnebres... — constatou, e continuou a encará-lo.
Logo, arrependeu-se do comentário feito. Aquela frase havia soado tão... 'Estou-dando-em-cima-de-você-gato'; não que tenha sido exatamente nesse sentido, mas... O modo como Shuuhei a encarou de volta lhe deu calafrios, tamanha a profundidade com que ele o fazia; foi obrigada a desviar os orbes azuis cristalizados, com as bochechas em brasa.
-Ahn... — foi ele que interrompeu aquele silêncio, um tanto quanto, constrangedor – Agora é a minha vez de fazer as perguntas – ela assentiu – Hmm, você trabalha aos sábados?
-Depende... Por quê? — estranhou.
-Quer ir amanhã ao baile comigo? — questionou Shuuhei, com a mesma intensidade que a encarava segundos atrás – Não tenho par, mas sou obrigado a ir, então, não quero ir sozinho... Achei que você gostaria de vir comigo... Enganei-me? — arqueou uma sobrancelha, tornando-o charmoso.
E tinha como recusar um pedido daqueles?
-Hmm, sinto muito Shuuhei... Mas, essa coisa toda de baile, vestidos, maquiagens... O meu tempo já foi, não tenho mais paciência para esse tipo de coisa... Além do mais, deveria chamar alguém da sua idade! Meninas é o que não faltam para você, estou errada? — questionou-o com um meio sorriso. Por detrás dele sentia-se um tanto quanto mal pelo declínio ao convite lhe feito com tanto carinho.
-Não precisa se sentir mal Rukia-chan, está tudo bem... Só achei que gostaria de se divertir um pouco, sabe como é, cuidar de uma pessoa igual ao Ichigo não deve ser fácil – tentou argumentar, mal conseguindo disfarçar a decepção – E-
-Rukia, Shuuhei – foi a voz de Ichigo que ecoou até o fim da rua, que estava vazia.
Ambos levaram seus olhos para a entrada do prédio, e se depararam com o mesmo, segurando a mão de Inoue, com os olhos levemente avermelhados.
-Cadê a Tatsuki? — quis saber ele.
-Hm, ela... Tatsuki achou melhor... Bom, provavelmente deve estar em casa – resumiu a babá com certa alegria. Tanta alegria que a atrapalhava ao tentar formular frases coerentes – Deviam procurá-la.
-É, é o que eu vou fazer – Inoue abriu um sorriso, enxugando os olhos – Shuu-chan, será que você pode me dar uma carona?
-Ah, claro – aceitou sem hesitar o adolescente de cabelos negros. Pelo menos assim, não ficaria sozinho com a babá ao lado, portanto, conseguiria agir como se não houvesse sido rejeitado – Ru-chan, você vem, ou...?
-Não, vão vocês... Ainda estou em horário de trabalho, e por falar nisso, melhor Ichigo e eu irmos pra casa, já está tarde – sorriu a morena, colocando-se ao lado do ruivo.
-Bom, vejo vocês amanhã então – comentou Ichigo, ainda segurando a mãozinha quente de Inoue – Isso a inclui em 'vocês', ok? — inclinou-se um pouco, e plantou um beijo terno na testa da ruiva, fazendo-a corar – E se não aparecer, nós todos vamos vir buscá-la.
-Pode deixar, Kurosaki-kun... — sorriu, soltando a mão do amigo. O coração doeu ao fazê-lo, mas... Já estava na hora de deixar tudo aquilo para trás, e começar uma nova etapa. Uma vida nova.
Shuuhei que já estava dentro do carro, esperou que Inoue se acomodasse a seu lado, e acenou para os dois na calçada.
Ichigo e Rukia permaneceram mais alguns segundos ali, observando o carro se afastar até tudo tornar-se um borrão de luzes.
-E nós? Vamos voltar pra casa? — sugeriu a pequena casualmente para Ichigo, que tinha as mãos enfiadas no bolso da blusa.
-Vamos – respondeu ele, depois de alguns segundos observando sua babá. Se não fosse por ela... Tudo estaria do mesmo jeito, e ele, continuaria acomodado com toda essa situação.
Talvez estivesse criando alguma responsabilidade... Ou talvez fosse somente a presença dela em sua vida que mudava tudo.
Ichigo até agradeceria, mas seria muito 'não-Kurosaki-Ichigo-jeito-de-ser'. Simplesmente suspirou, e enlaçou os ombros esqueléticos de sua babá, trazendo-a mais para perto de si.
Rukia tentou até protestar, porém, não o fez... A sensação que sentia ao ficar assim tão perto do ruivo era somente de calma e alívio.
Alívio por estarem os dois ali, juntos... Como companheiros.
VI
Chappy's Wonderland
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Babá temporária nunca mais!
E aí, pessoal?
Ah, parece que faz uma eternidade desde a última vez que atualizei esse blog, apesar de terem sido apenas alguns dias...
Antigamente costumava pensar que em uma semana a vida não podia dar tantas voltas, muito menos rodopiar em acontecimentos constantes. Pois bem, estava eu novamente errada.
Desde minha chegada à Karakura, percebi como os dias se passaram voando... Correr atrás de um KI não é fácil e nem impossível, somente cansativo. Apesar de que nos últimos dias mal tenho o visto, o que já faz uma grande diferença.
Meu dia simplesmente não termina.
Como posso explicar? Acho que já me acostumei ao Sr. Fraldinha... E nunca pensei que fosse dizer/escrever ou mesmo admitir, mas, de certa forma, estou começando a gostar do meu trabalho... Não da parte em que tenho que cuidar do Sr. Fraldinha, já que não sei cuidar de mim mesma direito; gosto mesmo é de acompanhar a evolução que venho percebendo por parte dele... Sinto um certo orgulho, se é que assim posso dizer.
Agora que os problemas entre o triângulo amoroso estão praticamente resolvidos, sinto que posso sentir-me aliviada novamente. Um problema a menos...
Por falar em problemas, hoje, depois de muito tempo, lembrei-me do meu tempo de colegial... Ah, bons tempos aqueles... As conversas, a cumplicidade, as brincadeiras, as brigas...
Sinto falta de tudo aquilo... Sinto falta de todas as pessoas que me ajudaram a formular essas memórias... Sinto falta de mim mesma... E apesar de não querer admitir, sei que estou com saudades de Tóquio... Será que um dia vão me perdoar?
Bom, chega de drama! Preciso dormir, e vocês também... Prometo que respondo os e-mails essa semana mesmo, não se preocupem!
Até mais, :*
Ouvindo: So sorry_Feist
Adicionado: 18/03/09 – 00:02 AM Posted by:R.
Continua...
Preview para o próx. cap:
[...]
‘Como, quando, e o porquê ela não sabia responder. Sabia, entretanto, que havia sido pega e por algum motivo, estava completamente deitada numa cama king size, enquanto um ruivo seminu a pressionava com o próprio corpo e continuava a segurar a mão de Rukia em seu rosto.
...
-Eu deveria começar perguntando o motivo por você estar aqui... — Ichigo foi o primeiro a falar, e então sorriu ao ver as bochechas de sua babá inflamarem gradativamente – Ou... — inclinou-se mais um pouco – Por que estava me molestando enquanto eu dormia? — sussurrou a última parte com os lábios colados ao lóbulo da orelha dela’.
[...]
Notas finais
*todos comemora*
Bom, essa Inoue que eu fiz foi baseada em mim, rs, quando era mais nova, beeeem ingênua... Gosto dessa Inoue, apesar de boba, haha...
Enfim, deixem reviews, me xinguem, critiquem, qualquer coisa, só quero a opinião, sincera, de vocês, seus lindos (as) !
Boa nooooite! ;*
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