Fínem
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Nova vida, ela disso que eu precisava, ela disso que eu sempre precisei. Não que eu não estivesse satisfeita com minha antiga vida no Brasil, com minha amigas e minha família, mas senti que precisava de algo novo. E agora aqui estou, em Londres, indo em direção da minha nova casa, ficarei na casa de um antigo colega do meu pai, o Mauro, ele tem um filho, o Diego, e uma filha que está fazendo intercambio, a Nadia, a esposa dele se chama Jamine.
Apesar da empolgação, estou um pouco nervosa, vou morar por meses na casa de pessoas que eu nem conheço, alias estou nesse instante na porta da frente deles, meus dedos estão tremendo, mas finalmente consegui força e apertei a campainha.
– Olá, você deve ser a Vileot – uma mulher disse me abraçando, eu automaticamente retribui o abraço sem saber o que fazer – prazer, sou Jamine – ela disse quando se afastou – vamos entre – ela disse me ajudando com as malas. A porta da frente dava direto para uma sala grande e aconchegante.
– Muito obrigada por me receber em sua casa – eu disse finalmente.
– Imagina, sue pai só fala bem de você, tenho certeza que vai adorar a Inglaterra, venha vou te ajudar com as malas – ela disse subindo as escadas com as malas que segurava. Jamine parecia um pouco nervosa, não parava de falar, mas eu até entendo ela, uma estranha vindo morar em minha casa, eu também ficaria nervosa. As escadas davam para um corredor cumprido, onde começamos a caminhar.
– Por que eu tenho que ser a babá? – ouvi vindo de dentro de um quarto, curiosa parei para escutar.
– Você sabe o quanto ela é caçada, o homem que a protegia foi morto, você só precisa ficar de olho nela enquanto procuramos por um verdadeiro protetor – uma voz mais firme falou.
– Protetor? Todos querem ver ela morta ou como “fazedora de feitiço”.
– Confie em mim, ainda restam pessoas que acham que ela pode retomar a paz entre os mundos, mas precisamos manter ela longe de todos, entendeu?
– Vileot? – Jamine me chamou.
– Desculpe – eu disse apresando o passo.
– Esse é seu quarto – ela disse abrindo uma porta e dando a vez para que eu entrasse primeiro. O quarto ela enorme, em uma das paredes havia um papel de parede florido, as outras eram brancas com vários quadros decorando, os móveis pareciam ser antigos, mas estavam restaurados, eu abri uma porta que dava para uma sacada.
– Obrigada, ele é incrível – eu disse quando voltei para dentro.
– Imagina, quero que se sinta a vontade para fazer qualquer modificação. Vou deixar você um pouco sozinha, daqui a pouco o jantar já vai estar pronto – ela disse saindo do quarto.
Me jóquei na cama, por mais que tivesse amado o quarto, não podia tirar da cabeça a conversa que ouvi, eu tinha uma estranha sensação que se tratava de mim, mas isso era impossível, por isso comecei a arrumar minhas coisas, para ocupar a mente.
Depois de alguns minutos decidi descer, caminhei lentamente pelo corredor e pela escada, porque estava com muita vergonha. Chequei a sala e atravessei ela passando por uma abertura, chequei a cozinha, onde estavam Jamine, Mauro e Diego.
– Vileot – Mauro disse vindo me dar um abraço, reconheci como sendo a voz mais forte.
– É um prazer conhecer você – eu falei quando ele me soltou.
– Igualmente – ele disse com um sorriso – venha, junte se a nós – ele disse e eu me sentei em uma cadeira em volta da mesa. Respondo várias perguntas sobre o Brasil e o meu pai, eles também me contaram várias coisas sobre a Inglaterra, minha aulas começariam amanhã.
Frio na barriga é assim que estou me sentindo, nesse estante já estou sentada na minha certeira na nova escola, não tive coragem de falar com ninguém, apesar de uma menina não parar de me olhar, ela é ruiva de cabelos compridos, com pele bem clara e olhos azuis, imagino que seja por eu ser novata.
– Bom dia – a professora falou entrando na sala.
– Bom dia – a turma respondeu.
Depois da clássica apresentação da novata, a aula seguiu normal, igual o resto do dia. Apenas duas coisas que eu quero descartar, primeiro: A menina ruiva me seguiu o dia inteiro, pelo menos foi isso que eu penso, porque para todos os lugares que eu olhava via ela. Segundo: Nos horários livres, o Diego não saiu de perto de mim, isso fazia com eu me lembrasse da conversa que escutei noite passada, mas tentei ignorar ao máximo esse pensamento. Agora nós estamos voltando para casa, ele continua no meu lado, como em todo o dia.
– Diego – uma voz chamou, ambos nos viramos, acho que é um amigo dele. – Ei cara, a gente vai sair, quer ir?
– Eu adoraria, mas tenho que levar ela para casa – ele disse apontando para mim.
– Relaxe, eu vou sozinha, é só mais dois quarteirões – eu disse rapidamente, louca pra ficar um pouco sozinha.
– Não sei... – ele começou a tentar protestar, mas depois de eu e o amigo falarmos um monte conversemos ele – Direto pra casa – ele ordenou para mim.
– Tudo bem capitão – eu disse imitando o que os soldados fazem, tirando risadas de todos.
Segui caminhando, aproveitando a paisagem, até que senti um ar diferente, quando olhei para o lado, não pude acreditar no que via, Theo, encarei ele por alguns minutos para ter certeza.
– Theo? – eu disse incerta, ele se virou e em seguida sumiu, eu não pude ver ele correr nem nada, ele simplesmente sumiu. Foi como se olhar ele nos olhos, igual aconteceu quando ele se virou, me visse-se ter um dejá-vi. Senti o mundo todo girar, em seguida vi tudo ficar preto.
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