Fínem
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Só abri meus olhos quando senti que ele parou de pular, mas sinceramente não vi nada de especial onde nós estávamos, só tinha um monte de rojas em nossa volta.
– Onde estamos? – perguntei fingindo interesse
– Relaxa não é aqui – ele respondeu e eu fiquei mais perdida ainda. Em seguida ele foi para perto de uma das rojas e começou a empurrar *força de vampiro* pensei – é por aqui – ele disse apontando para um caminho dentro das rojas.
– Onde vai dar? – perguntei curiosa e com um pouco de medo
– Surpresa – ele respondeu e em seguida percebeu minha cara de incerteza – relaxa, vai ser divertido. Prometo – ele falou quase implorando.
– Okay, mas é bom que seja divertido mesmo – eu falei fazendo graça.
Entrei primeiro no corredor e ele logo atrás de mim, caminhamos em silêncio por um pouco mais de cinco minutos, o caminho ela um pouco difícil de andar e tinha bastante infiltração de água, me senti muito desconfortável andando por aquele caminho com o meu minúsculo pijama, corei pensando nisso, eu não tinha pensado nisso até agora.
Quando chegamos ao fim, eu fiquei de boca aberta, era uma gruda aberta no topo, deixando com que a luz da lua entrasse e refletisse na água. Em volta de toda a gruta havia quedas de água e no meio de toda a extensão várias pedras que vaziam daquele lugar ainda mais mágico. Com certeza era um dos lugares mais lindo onde eu já estive.
– É lindo – foi à única coisa que eu consegui dizer – como encontrou? – perguntei enquanto caminhávamos na água que era rasa.
– Encontrei esse lugar logo depois que me transformei – ele começou a explicar, enquanto me ajudava a subir em uma pedra – estava estressado, não vi o caminho direito enquanto caminhava e caí – ele contou apontando para cima. Estávamos sentados em uma das pedras, enquanto molhávamos os pés.
– Você nunca me dize como sabe... Se transformou – eu disse meio incerta, com medo de acabar com aquele momento, acho que eu não deveria ter dito, porque um longo silencio precedeu aquele momento – me desculpa – dize por fim – não deveria ter dito nada – falei meio sem graça.
– Eu só não gosto de falar sobre isso – ele falou.
– Tudo bem, eu entendo – um longo silencio procedeu aquele momento também.
– Foi em 1981 – ele falou por fim.
– O que? – perguntei sem entender.
– Me transformei em 1981.
– Não precisa me contar se não quiser – falei rapidamente, a última coisa que queria era obrigar ele a me contar alguma coisa.
– Eu quero, sinto que posso confiar em você – ele falou isso e eu corei – um vampiro matou meu pai e minha mãe – consegui enxergar a sua expressão de tristeza, percebi que ela difícil falar sobre isso – isso foi em 1978, naquele dia não entendi porque ele não me matou, quando me viu apenas disse “pode chorar ou vir comigo”, eu escolhi ir com ele, não tinha família, estava sozinho no mundo, o que mais me restava? Depois de um tempo viajando de cidade em cidade fiquei um pouco mais confiante e comecei a falar com ele. Ficamos próximos, ele não me matou porque quando ele era criança o pai dele abusava dele, então ele tinha políticas sobre machucar crianças, eu me identifiquei com ele, meu pai também abusava de mim.
– Eu sinto muito – falei meio baixo, senti que lágrimas começavam a escolher do meu rosto.
– Depois de três anos de convivência ele me transformou – ele continuou, como se eu não tivesse dito nada – no começo foi difícil, mas como eu estava acostumada com a vida de vampiro logo peguei o jeito. Passamos bons seis anos, de pura diversão, como uma verdadeira família, a família que eu sempre quis ter.
– O que aconteceu? – perguntei meio sem jeito.
– Ele foi morto, por humanos.
– Como aconteceu? – não tinha certeza se deveria perguntar, mas uma voz interior me dizia que eu precisava ajudar ele a tirar esse peso de si mesmo.
– Estávamos a alguns meses em um povoado, com o aumento de mortes eles perceberam a presença de alguma coisa diferente, uma bruxa contou a eles sobre os vampiros. Eles vieram atrás de nós, e para que eu conseguisse fugir, Robert se sacrificou – eu sentia que meu coração poderia sair pela minha boca, a única coisa que fiz foi abraçá-lo e depois de alguns longos segundos ele retribuiu. Ficamos assim por alguns minutos e depois nós separamos.
– Essa pode não ser a pergunta mais adequada – comecei com medo de qual seria a resposta – quantas pessoas você já matou? – falei olhando seria para ele
– Eu fiz coisas que não me orgulho Vileot, mas juro que isso está no passado, não mato ninguém há anos. Eu juro – senti que ele falava a verdade.
– Eu acredito em você – respondi com um sorriso bobo no rosto – acredito – confirmei para mim mesma em voz alta. Alguns segundos de silêncio se passaram, eu joguei um pouco de água com meus pés nas pernas dele, ele vez a mesma coisa e logo estávamos dentro da água totalmente encharcados e dando muita risada.
– Nem lembrava como era ter momentos assim – ele falou, enquanto tentávamos nós enxugar um pouco.
– Assim como? – perguntei ainda dando um pouco de risada.
– Tão humanos – ele falou e eu senti um aperto no meu peito.
– Você gostaria de voltar a ser humano? – nem sei de onde essa pergunta saiu, apenas fiz.
– Não existe jeito – ele respondeu – além do mais não é tão ruim assim. Eu tenho super velocidade, super força... Sou quase como um super-herói – ele respondeu fazendo graça.
– Nada faria você querer? – insisti na pergunta.
– Sei que essa não era a resposta que você queria ouvir, mas é a verdade – ele falou com tristeza em sua voz, enquanto tirava uma mexa do meu cabelo que estava no meu rosto, para poder olhar nos meus olhos – mas eu acho que você tem que aproveitar sua vida humana – ele disse surrando, o que me deu arrepios.
– Eu sou bruxa – falei no mesmo tom, quase gaguejando.
– É verdade – ele disse dando uma rápida risada.
Não sei por quanto tempo ficamos assim, olhando um para o outro, depois de um tempo que parecia infinito ele se aproximou e me beijou. Eu já tinha sido beijada antes, mas sentia como se tivesse vivido para aquele beijo. Foi à melhor sensação que eu já tinha sentido na minha vida. Ao mesmo tempo em que queria me afastar, queria continuar lá, era como se meu cérebro e meu coração estivessem em guerra e eu não sabia em que lado lutar.
Depois de alguns minutos assim, nós separamos, estávamos com nossas cabeças encostadas uma na outra, ambos estávamos ofegantes e olhando um no olho do outro. Senti a mesma coisa de semanas atrás, quando o vi em Londres pela primeira vez, senti que tudo começar a girar e ele me segurou.
– Vileot – escutei ele gritar, em seguida tudo ficou preto.
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