Notas iniciais
Mãe é o nome de Deus no coração da criança. Acho essa frase tão bonita... E nesse caso seria Pai, mas isso não vem ao caso no momento XD Tenham uma boa leitura :)

Dois tiros. Dois tiros selaram seu destino.

Camus conseguiu segurar Hyoga na base por meses, não o deixava fazer missões de jeito nenhum, as vezes ele mal podia andar pela base, era proibido de sair do próprio alojamento. Somente quando Isaak conseguiu uma folga prolongada, é que Camus, com muito receio, deixou que Hyoga participasse de uma missão de reconhecimento. Claro que o francês exigia que, além de vestirem suas armaduras — no caso de Isaak a armadura dos soldados do Santuário -, eles estivessem armados até os dentes para o caso de emergências.

Anna, por outro lado, não queria deixar ele ir de jeito nenhum. Chorava e esperneava, parecia a vez em que Shun desapareceu por alguns dias, ela implorava que ele não fosse, mas ordens eram ordens e ela tinha que entender. Shun e Milo se ofereceram para ir junto no intuito de acalmar a pequena, mas ela gritava que podia ir quantas pessoas fossem, mas a ave de gelo ainda se quebraria e somente a ave de fogo a traria de volta. Demorou, mas conseguiu sair sem a menina ver, o que fez seu coração pesar. Devia ter ficado.

A missão era relativamente fácil, estava acompanhado de Isaak, Shun e Milo, que se ofereceu para ir junto. Era apenas uma área, uma área a ser reconhecida, ver como era o terreno, ter uma ideia do que poderiam ser pontos estratégicos, se era um ambiente favorável ou não, só tinha um problema. Tropas de reconhecimento jamais devem se encontrar.

Isaak e Shun foram os sortudos que encontraram o grupo inimigo da pior forma desejada, eles literalmente esbarraram nos soldados inimigos. Nenhum deles era servo de Afrodite, eram apenas soldados, mas o medo que tiveram ao verem-nos de armadura foi tanto, que eles começaram a atirar a esmo e, provavelmente o mais ridículo de tudo aquilo, começaram a correr por suas vidas. O que era algo sem sentido, pois nenhum dos dois machucaria um “inocente”. Porém tinha um sério problema em deixá-los ir embora, os servos de Afrodite apareceriam para caça-los, o melhor seria capturá-los, então os dois começaram a correr atrás do outro grupo.

¬ ISAAK!! — Milo gritava a plenos pulmões. — SHUN!!

Eles normalmente teriam ignorado o escorpiano, ainda mais em uma situação como aquela, mas algo dizia que eles deviam voltar. Isaak foi o primeiro a desviar seu trajeto e correr para socorrer o grego.

A visão que Shun e Isaak tiveram foi o bastante para fazê-los perderem o chão. Hyoga estava nos braços do escorpiano, que estava completamente desesperado, o russo sangrava e muito. Ele tinha levado dois tiros, um na altura do peito, que entrou por uma fenda na armadura, e um na barriga, o tiro levado na barriga fez com que a bolsa rompesse e agora, além de gravemente, para não dizer mortalmente, ferido, ele estava em trabalho de parto.

¬ Temos que tirá-lo daqui, agora!! — o menor era puro desespero.

Isaak segurava Hyoga por seu ombro esquerdo e Milo pelo direito, Shun corria na frente. O aquariano gemia de dor, chorava e por vezes gritava que não aguentaria, todas as vezes Shun olhava para trás e na última vez, ao ver a quantidade de sangue que pingava no solo, concluiu que o amigo estava certo, ele não aguentaria, os bebês tinham que nascer agora.

Ele sabia que ali perto tinha uma cabana abandonada quando aquele lugar se tornou um campo de batalha, fazia tempos que a descobriu e ela ficava muito mais próxima que a base, era um abrigo ideal para o momento. O virginiano mudou o curso de imediato e sem pensar mais nenhuma vez ou notificar os demais sobre seus planos.

A cabana ficava na encosta de uma colina, difícil de se ver dependendo do ponto de vista, e ficava ao lado de uma enorme arvore que dava uma excelente vista de tudo ao seu redor. Era um bom esconderijo temporário.

Shun entrou praticamente que arrombando a porta e arrancando a própria armadura, Milo e Isaak seguiaram seu exemplo de tirar a armadura, ficando com apenas algumas partes e largando todas as armas pelo caminho. O pequeno virginiano encontrou um quarto que ainda tinha colchão e mandou que o loiro fosse deitado ali, começou a vasculhar a casa que nem um louco com a ajuda de Isaak. Com os gritos de Hyoga ao fundo, encontraram tudo de básico que precisavam para realizar um parto normal, o que era inviável no momento, eles precisavam era realizar uma cesárea. Definitivamente aquele não era o melhor lugar para se realizar um parto, ainda mais em condições tão precárias, mas era o que tinha.

Shun teve que trabalhar rápido, achou álcool para higienizar as mãos e uma tesoura de costura que tinha encontrado. Pegou barbante, agulha, linha, todos os panos limpos que tinha encontrado e um lençol, voltando correndo para o quarto.

A calça que Hyoga usava foi praticamente rasgada e sua armadura arrancada, o lençol cobria-lhe da cintura para baixo. Shun o examinou e concluiu que a bala que lhe atingira o abdome tinha saído do mesmo jeito que entrou, passando de raspão por vários órgãos e os bebês em desenvolvimento, agora a bala que lhe atingira o peito tinha ficado alojada e pelo ângulo em que ela se encontrava, toda vez que o aquariano sentisse uma contração e se contorcesse em decorrência disto, a bala se aprofundaria mais e poderia perfurar-lhe o coração, resultando na morte. O virginiano tratou de explicar tudo isso, Isaak e Milo estavam totalmente perdidos, não queriam arriscar a vida do russo, mas não queriam que nada de errado acontecesse com os bebês, mesmo assim, a opinião de quem realmente importava era a de Hyoga.

¬ SÓ TIRA ELES!! — aquilo foi uma ordem bem clara e dolorida.

Shun o examinou mais uma vez e teve uma pequena surpresa ao descobrir que os bebês poderiam vir ao mundo através de um parto normal. Ou Saori era uma maldita maluca ou era uma deusa de ouro e marfim puro.

¬ Você me desculpa. — pediu. — Mas isso vai doer um pouco.

Se colocou entre as pernas do amigo, ajudando-o a acomodar-se em decúbito dorsal e cortou a fina pele que impedia os bebês de nascerem, tirando um grito ensurdecedor do loiro. Agora ele apoiava as pernas do aquariano em seus ombros e procurava limpar o sangue, enquanto Milo estava nas costas do russo, ajudando-o a elevar o tronco. Isaak ficou com a parte mais fácil, conversar com Hyoga, de forma que transmitisse confiança e positividade, era basicamente o apoio moral, ele segurava a mão do mais velho como se ambos fossem sair voando pelo espaço.

Shun coordenava de quanto em quanto tempo o mais velho deveria fazer força, estava preparado para segurar o bebê a qualquer minuto se este estivesse perto de nascer. Milo empurrava suas costas, ajudando-o a fazer a força necessária. E Isaak apenas segurava sua mão.

O processo era doloroso, Hyoga teve que ser acordado diversas vezes por desmaiar de dor, cada vez que empurrava, sentia uma forte contração, mais o ferimento no abdome arder como fogo em brasa e a bala no peito se aprofundar ainda mais na direção do coração. Ele perdia muito sangue, aquilo estava perto de se tornar uma hemorragia e estava muito fraco, sua cosmo-energia estava muito fraca, era quase inexistente.

¬ Milo! — o virginiano o chamou por cima dos gritos e gemidos de dor do amigo. — Eu quero que você retire aquela bala do peito de Hyoga, não importa como, só tira! Isaak! — chamou pelo outro. — Você vai estancar os sangramentos, a última coisa que queremos é que ele sangre até morrer.

Milo não conhecia nada de primeiros socorros, tanto que não pensou duas vezes em fazer uso de sua agulha para retirar aquela bala, enquanto o russo se contorcia de dor. Isaak, por outro lado, tinha um bom conhecimento de primeiros socorros, ele primeiro estancou o sangramento de ambas as feridas e depois as cobriu com panos limpos, no caso do abdome um pano úmido, e usou pequenas faixas de tecido para prender os panos.

Os quatro começaram a sentir cosmos ameaçadores rondando o lugar. Isaak então olhou para o mais velho e tomou a decisão mais importante de sua vida até então. Soltou-se do aperto que Hyoga exercia em sua mão, pegou o rifle e a pistola mais próximos junto com todos os pentes que encontrou e foi na direção da porta, porém sentiu sua calça ser segurada, o que atraio seu olhar para o russo, ele se contorcia de dor, mas não o soltava de jeito nenhum.

¬ Isaak... — conseguiu sussurrar em meio a gemidos e urros de dor. — Não... — ele tinha lágrimas de dor marcando-lhe a face.

¬ Hyoga, eu já fiz coisas boas na vida, mas eu fiz muita merda também. — afirmou entre lágrimas, como o russo. — Ao menos uma vez, me deixa fazer o que é certo. Me deixa te proteger. Me deixa ir lutar e te proteger. Proteger você, proteger seus filhos. Proteger meu irmão e sobrinhos. — o finlandês se abaixou e segurou sua mão com firmeza, enquanto que urrava de dor ao fazer força. — Eu vou proteger vocês! E não vou morrer! Como Mestre Camus sempre nos dizia, geleiras são eternas, lembra?

Ele não esperou a resposta do aquariano mais velho, apenas saio da cabana. Examinou o arredor e procurou a presença dos inimigos cada vez mais próxima. Escalou a arvore ali ao lado, se escondendo entre os galhos e passou a mirar nos inimigos ao longe, disparando sem arrependimento algum.

O estouro gerado pelo primeiro tiro fez Hyoga gritar ainda mais alto, agora Isaak estava oficialmente em perigo apenas para salvá-lo mais uma vez, se seu amigo, se seu irmão, realmente morresse dessa vez, ele não saberia dizer se aguentaria.

Isaak atirava na cabeça, com uma precisão assustadoramente fria e calculada, ele não errava o alvo, seja ele servo de Afrodite ou um mero soldado, ele não deixaria nenhum deles se aproximar do russo. A ideia de perder aquele a quem tinha como irmão era dilacerante demais, era o que o impulsionava a jamais errar, ele não podia errar e cada um dos gritos que o mais velho soltava eram um lembrete do que poderia acontecer se errasse um único tiro.

Hyoga não conseguia pensar, só conseguia sentir aquela dor. Era algo indescritível, algo que nunca imaginou ser possível, mas agora estava ali à vivenciando com uma intensidade insana e devastadora, sabia que se continuasse assim o stress gerado sobre seu corpo poderia resultar em uma parada cardíaca.

O lençol que lhe cobria estava empapado de sangue, assim como boa parte das roupas de Shun e Milo. Parecia que aquilo não tinha fim, já tinha perdido a noção do tempo e a conta de quantos disparos foram executados por Isaak, uma das últimas coisas de que teve certeza antes de se render totalmente a dor, foi ouvir sons de luta.

¬ Vamos, Alexei! Você consegue! — incentivava o virginiano. — Vamos! Força! — outro grito de dor encheu a cabana vazia. — Tá Coroando! — afirmou animado o virginiano.

¬ Quê? — indagou o escorpiano sem compreender nada, mas prosseguindo com seu trabalho.

¬ Eu tô vendo a cabeça do bebê! — isso responde. — Vamos, Alexei! Força!

Após ouvir as palavras do amigo, mesmo que distantes, Hyoga fez ainda mais força daquela vez e na segunda vez também, chegando a perder a consciência por alguns instantes tamanho o seu esforço. Um choro estridente e alto invadiu os ouvidos do aquariano.

¬ É uma menina! — bradou o virginiano enquanto cortava o cordão umbilical com a tesoura e amarrava a ponta com um barbante. — Milo! Que dia é hoje? Que horas são? — o escorpiano olhou para o pulso onde havia um relógio.

¬ Hoje é 21 de novembro. — Milo sorria como um tolo. — São 23:50 e nós temos uma pequena escorpiana. — riu alto. — Minha neta é uma escorpiana. — riu ainda mais.

Não houve muito tempo para comemorações, outro urro de dor vindo do aquariano os trouxe de volta a realidade. Hyoga teve breves momentos de paz para sentir dores ainda piores em seguida, ele se contorcia de dor, seus punhos estavam serrados com tanta força, que as unhas já tinha perfurado a carne e o sangue pingava.

¬ Milo! — chamou o virginiano. — Dei-me sua capa!

O escorpiano correu até o torço de sua armadura e arrancou a capa dela, voltando o mais rápido possível. A capa fora entregue, rasgada ao meio e um pedaço foi usado para embrulhar a pequena recém-nascida, que berrava tanto quanto o pai e que era do tamanho de duas mãos juntas, ela foi colocada com todo cuidado sobre os panos restantes ao lado de Milo, Shun logo voltou sua atenção para o amigo que gritava e gemia. Por enquanto não podia dar atenção a menina, mas estava sempre a espiando, assim como o escorpiano que não tirava os olhos de cima dela.

Foi preciso muito tempo e esforço até Shun ver o bebê que faltava vir ao mundo. Hyoga empenhou ainda mais esforço, ele chegou ao limite com o próprio corpo, tinha certeza de que logo seu coração começaria a falhar. Outro choro, dessa vez mais forte e igualmente alto, irrompeu no lugar.

¬ É um menino! — a voz de Shun era pura alegria ao repetir o processo de cortar o cordão umbilical.

Milo deitou o russo com cuidado e passou a dar risada, também chorava, mas sua risada triunfava. Ele estava verdadeiramente alegre com os netos. A menina nasceu no fim do dia 21 de novembro e o menino nasceu minutos depois, no dia 22 de novembro, mesmo sendo gêmeos, a menina nasceu sobre a proteção de Escorpião e o menino conseguiu a proeza de nascer sobre a proteção de Sagitário. O Santuário que se cuide.

Hyoga conseguiu levantar a cabeça com uma expressão cansada e um sorriso alegre no rosto. Aqueles eram seus filhos, seus e de Fênix, o mesmo sangue, a mesma carne. Queria tanto que ele estivesse ali...

Shun agora envolvia o minúsculo menino na outra metade da capa de Milo com cuidado e o colocava ao lado da irmã, oferecendo os devidos cuidados aos pequenos, que deviam ter no máximo 25cm, eram muito pequenos, mas perfeitamente saudáveis.

¬ Que nomes você vai dar? — perguntou o escorpiano, que agora observava Shun cuidar dos pequenos.

¬ Sarah. — ele tentava padronizar a respiração mas estava muito difícil. — Miguel. — ele sentiu uma forte pontada no peito e soube que era definitivo, ele tinha levado o próprio corpo ao limite.

¬ Belos nomes. — constatou o virginiano.

Isaak já tinha acabado com todos aqueles que tentaram mandar atrás deles, tinha uns arranhões aqui e ali, assim como alguns cortes feios, mas nada mortal. Ele entrou apressado na cabana, caindo de joelhos junto aos pequenos que ainda choravam. Quando ele tencionou pegar os pequenos e dá-los ao aquariano, com o senso do virginiano, é claro, percebeu que tinha algo muito errado.

A cabeça do mais velho estava tombada, ele estava absurdamente branco, havia ausência de movimentos do tórax e seus olhos estavam entreabertos, brilhando com lágrimas presas. Só foi preciso um olhar para que Shun percebesse tudo.

¬ Isaak leve os pequenos com você para o outro quarto! Cuide deles lá! — dito e feito, o finlandês pegou os pequenos com todo o cuidado de seu ser e se sentou de costas para parede no outro cômodo. — Milo, você vai ajudar!

¬ Mas e você?

¬ Eu me viro!

Shun não perdeu tempo, teria de fazer uma massagem cardíaca em Hyoga se ainda quisesse o amigo por mais uns anos. A cada “golpe” que atingia o coração sem vida do amigo, ele falava coisas que acreditava que o trariam de volta, os palavrões eram um mero detalhe.

¬ Escuta aqui seu filho da puta do cu arrombado! — mesmo ouvindo e vendo, era muito difícil de acreditar no que o virginiano falava, Milo que o diga por achar que o rapaz era um santo. — Você passou por porras e porras loucas nessa vida! — a força exercida pelo virginiano para fazer o coração voltar a bater estava começando a trincar as costelas. — Eu não vou deixar você fazer uma visita para aqueles desgraçados/tarados/pedófilos/estupradores que trabalham para o Hades antes da hora! Você vai viver para ver a pirralhada crescer, casar e te dar netos! Você ainda vai jogar xadrez comigo numa casa de repouso! E vamos morrer bem velhinhos durante o sono! — exigiu. — Puta que o pariu, Hyoga! — o aquariano não apresentava sinais de que o coração voltaria a bater. — Caralho! Porra! Acorda! — Shun concentrou uma enorme quantidade de cosmo em suas mãos, se Hyoga não acordasse pelo amor, acordaria pela dor. — Acorda, teu arrombado! Acorda! — o último “golpe” fez com que aquela quantidade enorme de cosmo atravessasse seu peito e corpo, eletrocutando todas as células, fazendo-as reagir ao impulso de uma forma violenta. — Acorda. — pediu com lágrimas escorrendo ao não ver nenhum reação. — Você agora é pai de três, você não pode abandoná-los. Você é um cara muito importante para um monte de gente. — Shun chorava sem parar. — Você é meu melhor amigo, um segundo irmão. — ele deu as costas, não conseguia mais olhá-lo, caio sentado em meio as lágrimas. — Isaak sempre te viu como um irmão mais velho. Milo e Camus te veem como um filho. Todos te veem como um amigo e exemplo. — o choque ainda atingia o corpo, fazendo alguns músculos contraírem e relaxarem. — Onegai. — pediu com a voz embargada. — Levanta.

O corpo reagia ao choque, não somente no exterior, o interior também, seu coração batia, mas não com força o bastante para que ele voltasse a vida.

Tum...

Tum-tum...

Shun chorava e soluçava, primeiro seu irmão, agora seu melhor amigo. Não! Não podia ser! Não podia ser verdade! Mas era a verdade, o coração de Hyoga não estava batendo com força o bastante para mantê-lo vivo.

¬ Você uma vez me perguntou o que diria para as crianças quando perguntassem do meu irmão. — conseguiu dizer entre um soluço e outro. — Mas o que Eu direi quando as crianças e Ikki perguntarem de você?

Tum...

Tum-tum...

Tum... Tum-tum... Tum... Tum-tum...

O peito, antes inerte, subia e descia no compasso de uma respiração enquanto aquela presença calorosa abandonava o lugar. Os olhos piscavam e focavam o ambiente com certa lentidão. Os ouvidos captavam os sons cada vez mais próximos. Uma sensação de peso tomava-lhe o corpo. Era estranho. O que tinha acontecido mesmo?

Se lembrava de ter saído em uma missão de reconhecimento com Milo, Shun e Isaak. Se dividiram em duplas, lembrava-se de ter ido com o escorpiano tagarela, sons de vozes altas lhes chamaram a atenção e ambos, escorpiano e aquariano, foram verificar. Lembrava-se de chegar ao topo de uma pequena colina, sons de disparos e... pensou ter sentido a presença do leonino enquanto mergulhava no abismo.

Ele sentou-se em um salto, amarrou o lençol ensanguentado na cintura e se abaixou ao lado do amigo, tocando-lhe o ombro, pode perceber que ele se assustou. Shun o olhava com lágrimas escorrendo, um sorriso tolo e muita surpresa, ele tencionou falar alguma coisa, mas foi cortado antes mesmo de falar.

¬ Ei! — aquilo chamou a atenção do escorpiano e do aquariano na outra sala com os recém-nascidos. — Geleiras são eternas.

A voz do aquariano mais velho fez com que os outros corressem de volta ao quarto, encontrando um Shun em prantos, agarrado ao pescoço do aquariano sorridente. Hyoga os olhou com carinho e um “Q” de gratidão, em um pedido silencioso, mirou os pequenos embrulhos que Isaak segurava, os pequenos ainda choravam.

Isaak se aproximou, afastou o virginiano com delicadeza e estendeu os pequenos. O mais velho começou a chorar, passava a mão nos rostinhos delicados dos bebês, que pararam de chorar com seu toque, com um cuidado sobre humano, os pegou no colo e ria.

¬ Eles são tão lindos... — sussurrou. — Você é uma pequena princesa, Sarah. — dirigiu a palavra aos pequeninos. — E você é igual à um anjo, Miguel.

¬ Ele se parece muito com você. — comentou Milo.

¬ E ela é a cara do Fênix. — comentou Isaak sobre a sobrinha.

Os pequenos estenderam as mãozinhas, agarrando a regata do aquariano com força, ele sorria abertamente, nem se lembrava direito quando foi a última vez que sorriu daquele jeito. Se sentia tão vivo, sabia que faltava algo, mas se sentia vivo. E sabia muito bem o porque, sua vida não era mais sua, era de Fênix, Anna, Miguel e Sarah, assim como a vida deles era sua vida, seus maiores tesouros. Suas vidas...

Notas finais
Espero que tenham gostado ^.^ Bjs. L