Fênix da Noite Estrelada
2 Não Chore...
Notas iniciais
Fechar os olhos só parecia fazer tudo piorar. Todas as imagens, todas as palavra, todas as cores, absolutamente tudo o que envolvia Fênix invadiam sua mente, coisa que só piorara desde que seu Mestre lhe contara a história de Phoenix e Cygnus.
Seu peito doía. Ikki era tão diferente do que ouviu falar de Phoenix, eles eram muito parecidos, mas Ikki era muito mais distante do que sua "suposta" vida passada, quase inalcançável. Nem percebeu quando as lágrimas começaram a escorrer, só conseguia pensar na lenda e no leonino.
“Suas lágrimas tinham propriedades para curar qualquer tipo de enfermidade ou ferida, suportava cargas muito pesadas, e dominava a arte da Pirocinese. Muitos diziam que suas cinzas tinham o poder de ressuscitar os mortos e que era um guerreiro imbatível. Mas nada diziam sobre seu coração, apenas que era forte.
Então, como serei capaz de esperar o amor de um ser que vive apenas para lutar? Um ser que nasce e morre em cinzas, que se tornou vazio pelo sofrimento que experimentou?
Como eu, a reencarnação de Cygnus, segundo Mestre Camus, serei capaz de amar e ser amado por essa casca vazia, que é a reencarnação de Phoenix?”
Se sentou na cama e cobriu o rosto, deixou as lágrimas escorrerem. Agora que ficaria sozinho com Fênix por quase 2 anos, não sabia como agir, não sabia o que fazer, não sabia o que falar, não sabia nem se resistiria. Sua dor e dúvidas eram tantas que nem percebeu alguém entrando.
Shun de Andrômeda sempre foi amigo de Hyoga, desde tempos que nem se lembravam eles eram amigos, o virginiano foi o único que conseguiu transpassar todas as barreiras impostas pelo aquariano, tocar seu coração e se tornar seu melhor amigo, seu confidente e irmão. Hyoga era mesmo como um segundo irmão para o jovem japonês, conhecia o amigo como a palma da mão, sabia tudo o que se passava pela mente e coração do russo.
Ao entrar no alojamento do amigo, não ficou surpreso ao encontrá-lo chorando. Shun se sentou ao lado do amigo na cama, este, por sua vez, pareceu levar um susto e olhou para ele com os olhos transbordando de lágrimas. Hyoga se surpreendeu de inicio, mas ao ver que era Shun se deixou relaxar, voltou a chorar e não negou o abraço oferecido pelo amigo.
Encostou a cabeça no ombro de Shun e o abraçou pela cintura. Este acaricia as madeixas loiras com a outra mão pousada em seu braço e a cabeça apoiada na dele, cantarolava uma música de ninar qualquer. Por incrível que pareça, aquela era a única maneira de fazer o Cavaleiro de Cisne se acalmar.
¬ Não chore... — pediu. — Não há motivos para chorar.
¬ Como não há, Shun? — perguntou com a voz embargada.
¬ Sei o que passa em seu coração e seu o que se passa no coração do Nii-san. — declarou. — Não é o fim do mundo, Hyoga.
¬ Você sabe o que se passa no coração dele, eu não! — exclamou ainda mais triste. — Nunca pensei que seria assim. Nunca pensei que um dia me apaixonaria, ainda mais por outro homem. E o pior nem é isso, Shun! — o coração pareceu se tornar ainda mais pesado. — Você não tem ideia do que é amar sem ser correspondido?!
¬ Você está certo. — respondeu calmamente. — Eu não sei o que é amar sem ser correspondido e espero nunca descobrir. Porém, eu sei o que é amar e não poder ficar com a pessoa amada. — ouviu o mais velho tentar engolir um soluço. — Mas não quero que desista. O Nii-san sente algo por você, eu só não sei ainda...
Hyoga se calou, porém não parou de chorar. Shun entendia, a sua própria maneira, a dor que ele sentia e nunca foi contra os sentimentos do amigo, muito pelo contrario, ele apoiava Hyoga em sua busca pelo amor do Amamiya mais velho.
¬ Shun! — falando no diabo.
Hyoga não ousou levantar o olhar, não queria que o vissem chorando. Shun, muito pelo contrario do amigo, se dignou a olhar para o irmão, ele estava com a postura de sempre, mas ainda era possível ver um certo nível de irritação.
¬ O que está fazendo, Shun? — indagou com a voz tempestuosa.
¬ Estou apoiando meu amigo. — respondeu. — Sentir falta de quem se foi, machuca o coração de qualquer um. — mentiu pelo bem de Hyoga.
Ikki nada disse, só lhe deu as costas. A verdade era que ele ficou muito irritado com o que viu, tinha inveja por Shun ter chegado ao coração de Cisne e ele não, queria ser ele ali a consolar Hyoga, não o irmão. Estava procurando Shun, queria falar com ele e acabou se deparando com aquela cena, sentiu uma raiva absurda tomar-lhe o coração e a tristeza os cobrir, vulgo ciúme, porque não podia ser ele ali? Ah, sim... Hyoga era uma fortaleza, ninguém se aproximava a não ser que ele deixasse, estava começando a ter a irritante ideia de um caso entre os dois.
Com Fênix, mais uma vez, longe, Hyoga fechou os olhos com força, o que só fez as lágrimas se intensificarem e indagou o amigo:
¬ Ainda acha que tenho chance?
Shun não sabia bem o que responder, Ikki estava cada vez mais difícil de se interpretar, até mesmo para ele que sempre soube dizer o que se passava com o irmão. Só conseguiu consolar o amigo.
¬ Não chore...
E voltou a cantarolar.
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