Notas iniciais
Faz muuuuuito tempo que eu não posto aqui, meu deus. Então gente (se é que tem alguém lendo), o que aconteceu foi: eu não tenho postado mais aqui desde que migrei pro AO3 (inclusive: https://archiveofourown.org/users/amethxxt). Resolvi revisitar esse perfil porque tava com vontade de reler algumas das minhas fanfics favoritas do passado. Ontem, quando cliquei nas notificações, vi que tinham comentado no capítulo 2 no final do ano passado, pedindo por mais. Então, obrigada VadTheInvader!! Acontece que "Férias Na Praia" foi publicada tanto aqui (antigo Nyah!) quanto no Spirit, e, por algum motivo, eu cheguei a postar até o capítulo 5 lá. Foi mal. Por isso, fiquem agora com uma não-tão-nova atualização. Esse capítulo tem referência à algumas edições da TMJ: Par Perfeito (primeira série, nº 67) ; Cebola na Austrália (segunda série, nº 06) e faz menção ao intercâmbio que a Aninha tem interesse em fazer (o qual vemos na edição O intercâmbio da Aninha, segunda série, nº 39). Espero que gostem!!

— A gente precisa de tantos potes de sorvete? – Franja coçou a nuca enquanto Denise e Jeremias pararam de colocá-los no carrinho, encarando-o.

— Mas é claro, né meu amor. Você sabe que a Magá tá na casa né? – a garota exclamou enquanto continuava o que estava fazendo.

— Toma, pega mais um de sabor brownie, é seu favorito. – Jeremias piscou para ela enquanto lhe entregava o pote, ambos corando levemente, o que fez Franja piscar lentamente, tentando processar o que estava acontecendo em sua frente.

Desde que haviam chegado no mercado mais próximo, eles haviam se separado. Franja pegando tudo o que era saudável e Denise e Jeremias todo o resto que, com certeza, os levariam à falência. No entanto, quando o loiro havia pego tudo que julgou necessário, encontrou os amigos na frente dos freezers, numa proximidade maior que o necessário e tentou ligar os pontos. Havia notado que alguma coisa ficava diferente em Jeremias quando falavam sobre ou com Denise, ele parecia mais tímido, quase nervoso, mas sempre com um sorriso no rosto. Igual ele sempre fazia quando estava com Marina.

— Ok, já é o suficiente. Vamos logo ou o dinheiro não vai dar.

Depois de passarem no caixa, enquanto Denise guardava as compras, Franja se aproximou do amigo, que parecia perdido nos próprios pensamentos.

— Pode tratar de me contar essa sua história com a Denise depois.

— Quê? – Jeremias sentiu o rosto queimar, tentando disfarçar de todas as maneiras.

— Ah qual é, eu não sou conhecido como gênio à toa. Qualquer um consegue ver que você não tirou os olhos delas desde que saímos da casa. E você vai se explicar depois. – Franja disse para o outro antes de ir ajudar a menina.

Jeremias suspirou derrotado antes de ir fazer o mesmo.

X

— E ele não te deixa mais em paz?

Aninha revirou os olhos enquanto acompanhava a garota ao seu lado.

— Pior que não. E mesmo que ele não fique o tempo todo atrás de mim como antes, parecendo um guarda-costas, o Titi parece sempre estranho quando eu falo com qualquer pessoa ou resolvo fazer algo diferente. É claustrofóbico.

— Então... – Bia começou, sorrindo de lado – Se o Titi visse a gente andando aqui agora, ele ia ter uma crise de ciúmes?

— Olha, como você é uma garota ele só ia ficar revoltado que não foi convidado. A mente dele é fechada demais pra ver algo além disso.

— Ah, então tem algo além pra ver? – a loira sorriu maliciosa, fazendo Aninha para por poucos segundos antes de fazer o mesmo.

— Não sei, tem?

Bia deu uma cotovelada de leve em seu braço, ambas continuando a caminhada pela borda do mar.

— Não sabia que você gostava de meninas... – Aninha sabia que era uma frase arriscada, mas precisava ter certeza antes de prosseguir com o que quer que estivesse acontecendo ali.

— Ah, sim. Eu já me assumi pro Xaveco, mas ele é tão de boa que deve ter até esquecido. Mas se quer saber, tudo bem. Não acho que sexualidade devia ser uma questão tão grande assim, é normal, um assunto como qualquer outro.

— É. – a ruiva sorriu – Concordo. Viu, você acha que tem alguma vaga de emprego temporário na cidade?

— Pode até ter, mas por que você quer um?

— Ah, eu tô sempre arrumando uns bicos. Tava dando uma ajuda na padaria do pai do namorado da Magá antes da gente vir pra cá. É que é meu sonho fazer um intercâmbio e sei que é caro pra minha mãe bancar sozinha.

— Nossa, que maneiro, eu ia amar fazer intercâmbio! Soube que o Cebola fez um na Austrália, sou doida pra surfar lá. Quer ir pra onde?

— Canadá. Tenho pesquisado bastante e queria ia pra lá antes de acabar o colégio.

— Eu não tenho dúvidas que você vai conseguir. – sorriram uma pra outra – Você tá aqui de férias, não pra trabalhar, mas já que é pro seu sonho, que tal se você me ajudasse nas aulas de surf que eu dou?

— Mas eu só comecei a aprender ontem...

— Ah, mas eu vou te ensinando. Além disso, eles passam por umas aulinhas na areia também. E eu também faço uns bicos na loja de pranchas, você podia me cobrir de vez em quando.

— Você faria isso mesmo, Bia? – Aninha perguntou animada.

— É claro. Além disso... – a loira acariciou seu braço levemente – Seria uma ótima oportunidade pra gente passar mais tempo juntas, o que você acha?

Aninha certeza que deu um sorriso bobo mas não conseguiu evitar.

— Eu acho ótimo. Topo.

X

Cebola mudava de canal com uma face entediada enquanto fazia cafuné em Mônica, que mantinha a cabeça deitada em seu peito. Ela suspirava calmamente, precisando relaxar depois da manhã estressante que tivera com Denise.

— Aí, esse não é o filme de super herói que o Cascão ama? – sua namorada perguntou apontando para a tela.

— É sim. E o cara tá dormindo.

— Ué, você não acordou ele?

— Em minha defesa, eu tentei, mas é impossível. Até chute no estômago eu levei. – ele resmungou, fazendo-a gargalhar.

— Vai lá, até o Xaveco já levantou.

— Eu não, já arrisquei minha vida hoje.

— Dramático. – ela riu, dando-lhe um selinho.

— E aí, casal? – Magali disse sentando-se ao lado dele – Atrapalho?

— Que isso, Magá. A gente tava falando que o Cás não acordou até agora. Vai lá acordar ele, vai.

— Por que, Mô? – a mais alta resmungou.

— Porque você já me fez acordar a Denise e essa é minha forma de dar o troco.

— Ai, tá, eu vou lá. Esse namoro não tá te fazendo bem não, tá muito vingativa pro meu gosto...

Magali sorriu enquanto caminhava até o quarto e ouvia os amigos rirem. Seu sorriso só aumentou ao ver a cena que estava diante de seus olhos ao abrir a porta. Cascão parecia que tinha sido arremessado na cama ao invés de simplesmente deitado, o lençol estava metade no chão e a metade que ainda resistia em cima da cama mal o cobria, sua boca estava meio aberta e ele roncava suavemente. Ela caminhou até ele e sacudiu-o lentamente.

— Cás... Cás, acorda.

— Hm. – ele resmungou, fazendo menção de virar para o outro lado, mas desistiu quando sentiu os raios de sol batendo em seu rosto – Fecha a cortina.

— Nada disso, até o Xaveco já levantou!

— Bom pra ele, deixa eu mimir... – Magali riu e o cutucou novamente quando viu que ele já estava pegando de novo no sono.

— Vamos! O Cê falou que tá passando um filme que você gosta. Sério, se você não levantar por bem, vai levantar por mal!

Ele abriu um olho em uma mistura de desconfiança e medo e ela teve que conter o riso para não estragar sua pose séria.

— Você não faria isso...

— Não? – ela ergueu as mão antes de começar a cutucar a barriga dele – Cócegas!

— Não! Para, Magá... – ele gargalhava enquanto ela finalmente deixou um sorriso brotar em seu rosto, apreciando o som tão familiar – Por favor! Eu levanto!

A porta foi aberta e uma Cascuda atônita encarava a cena, sem saber exatamente como reagir. Magali instantaneamente parou o que estava fazendo, uma onda de nervosismo a atingindo como uma tapa, como se ela tivesse sido pega fazendo algo extremamente errado.

Cascão olhava para a namorada sem muito entusiasmo. Eles haviam discutido por besteiras de novo e ele não estava disposto para mais uma DR naquele momento, e, por poucos segundos, desejou que Magali voltasse a tortura-lo com as cócegas.

— O que tá acontecendo? – Cascuda perguntou, tentando soar o mais relaxada possível.

— A Mô e o Cê disseram que o Cás ainda tava dormindo e nenhum queria passar pelo pesadelo que é acordar ele... – Cascão interrompeu com “Ei!”, mesmo não estando realmente ofendido. Logo, ela ouviu o som de motor da van parando e levantou-se rapidamente – Então eu vim ajudar. Já tava de saída, vou ver se o Franja, a Dê e o Jerê precisam de ajuda com as compras. Tchau gente.

Saiu correndo apressada, sem nem olhar para o casal que assistia TV na sala mais uma vez. Não sabia a razão de estar tão nervosa, mas desde que ela e Cascão começaram a ser vistos mais como casal ao invés de só amigos por algumas pessoas, sua relação com Cascuda não havia sido mais a mesma. Ao chegar aonde o veículo tinha estacionado, Magali viu Franja tirando as compras da van enquanto Denise e Jeremias conversavam tranquilamente, contudo, logo que a amiga a viu, se afastou do garoto com um sorriso e caminhou até ela.

— Oi, fofa. Passou a manhã olhando pro sol? Tá com a cara tão vermelha que parece que tá queimada.

— Não é isso, é que... É a Cascuda.

Denise agarrou seu braço e a arrastou até chegarem no quarto que dividiam com Mônica. Sentaram-se na cama de solteiro em que a de marias-chiquinhas dormia e ela a encarou.

— Tá, agora me conta tudo.

— Você não pode contar pra ninguém. – Magali avisou, séria.

— A Mô sabe? – ao ver a amiga negar com a cabeça, ela arregalou os olhos – Uau, agora tô até me sentindo importante. Pode deixar, eu sei que não parece mas eu sei guardar segredo, miga.

— Cebônica não tava a fim de acordar o Cascão porque ele dorme pior que você. – Denise colocou a mão no peito, fingindo estar ofendida mas deixou que a amiga continuasse – Então eu fui, e ele tava dormindo que nem um anjinho mas eu tinha que fazer ele levantar, então comecei a fazer cócegas nele...

— A Cascuda viu tudo, né?

— Ela abriu a porta bem na hora.

— Puts... – Denise suspirou e Magali só concordou com a cabeça.

— Pois é. Só que isso não seria tão ruim se ela não estivesse estranha comigo desde que você inventou que a gente devia ser um casal. Aliás, não sei nem porque tô desabafando com você sendo que tudo isso é culpa sua!

— Ei, ei, ei! Vamo com calma aqui. Querida, eu tenho todo o direito de shippar quem eu quiser, só aconteceu de ser vocês. E tá, eu admito que talvez eu tenha ido um pouco longe, mas eu não tenho feito mais comentário nenhum, tenho a minha própria vida pra resolver.

— Mas podia nunca ter falado nada. Agora ela fica me encarando estranho, e eu sei que ela tá tentando disfarçar mas não consegue, acho que ela pensa que no fundo nós dois temos alguma coisa.

— Olha, se você quer a minha humilde opinião, eu acho que o relacionamento Cascão e Cascuda já esfriou faz tempo. Eles vivem brigando, não são mais como antes. Mas vamos combinar que isso não deveria ser tão surpreendente quando se namora a mesma pessoa desde que se tem 7 anos de idade.

— Vale lembrar que eu também namoro a mesma pessoa desde essa época. – Magali interrompeu – Você acha mesmo que isso acontece?

— Eu acho que todo mundo precisa de uma mudança no roteiro, sabe? – Denise falou enquanto agarrava o travesseiro – Tipo, você e o Quim estão bem mas isso não significa que ainda seja a mesma coisa. Vocês são amigos, companheiros e tals, mas ainda tem aquela paixão, aquele amor de antes? Pra mim, o Cás e a Cá já não tem mais isso, a chama apagou, entende? Agora, o relacionamento é só cômodo porque eles tem feito isso há 9 anos.

Magali ficou em silêncio por mais tempo do que gostaria de admitir. Seria isso o que estava acontecendo entre ela e Quim? O relacionamento deles era cômodo pros dois, e por isso continuavam juntos? Ela sabia que não devia ter essas dúvidas todas, e se sentia culpada, ele sempre fora um bom namorado, mas de uns tempos pra cá...

— Magá, tá aí ainda?

— É que... Eu tô com medo de isso ter acontecido comigo e com o Quim.

— Peraí, me explica isso direito.

Magali suspirou pesadamente. Talvez fosse bom ela dividir com alguém.

X

— Nimbus, eu acho melhor você fazer uma mágica e fazer a Aninha aparecer pro Titi poder sair da frente da janela.

Titi viu os amigos rindo e revirou os olhos, bufando. Cebola e Mônica continuavam abraçados, a garota novamente adormecida. No sofá e Jeremias e Franja guardavam as compras, parecendo ter uma conversa silenciosa, feita somente com olhares dos quais Jeremias tentava fugir. Xaveco e Nimbus, que antes estavam no celular, o encaravam com sorrisos quase maldosos.

— Olha só, alguma coisa pode ter acontecido, quem é que vai ajudar ela?

— Deixa de ser ridículo. – Carmem interrompeu enquanto adentrava o local junto com Maria Mello – A Aninha é muito capaz de se virar sozinha e mesmo que ela precisasse de ajuda, a última pessoa que ela ia querer que ajudasse é você.

Maria falhou em segurar o riso, o mesmo para os outros meninos, fazendo Carmem sorriu satisfeita. Ele apertou os punhos.

— Olha quem tá falando, a garota que não faz nada sozinha na vida.

— A Carmem se vira muito bem sozinha, ao contrário de você que precisa ficar olhando pela janela que nem um cachorrinho, esperando pela ex-namorada que não tá nem aí pra você. – Maria Mello comentou, um semblante raivoso em seu rosto, quase imperceptível, enquanto ela se colocava um pouco afrente da amiga.

— Toma! – Cebola exclamou enquanto todos os outros a encaravam chocados. Bom, quase todos.

Carmem a olhava, meramente maravilhada, com um certo brilhos nos olhos. Sim, ela estava surpresa, nunca imaginou que Maria fosse capaz de um comentário assim, mas a surpresa não chegava nem perto do modo como seu coração palpitou ao ver o modo como a garota havia a defendido. Sentia suas mãos suando e um certo frio na barriga. Por que ela se sentia assim quando se tratava dela?

— Quer saber? Eu vou malhar, muito melhor do que aguentar vocês me tratando que nem palhaço. – Titi saiu e Xaveco limpou a garganta, fazendo Carmem sair de seu transe.

— Climão agora, hein?

— Ah, nem é. – Jeremias deu de ombros – Isso aí drama do Titi, acontece pelo menos uma vez por dia, esquenta não, daqui a pouco ele supera.

— Beleza. Galera, o que a gente vai fazer hoje?

— Nem sei. Tô quebradão de ontem. – Nimbus disse enquanto pegava um copo de água – Talvez a gente devesse tirar o dia pra relaxar mesmo, sem ir no mar ou coisa assim.

— O que vocês acham, meninas? – Cebola perguntou.

— Por mim pode ser, a gente podia assistir um filme depois né? Todo mundo. – Maria respondeu, olhando para Carmem como que quisesse saber sua opinião. A loira, ainda se sentindo meio perdida, apenas assentiu e os meninos emitiram sons de concordância – Ok, depois a gente luta pra escolher um que todo mundo concorde, por enquanto eu vou tomar banho. Você vem, Carmem?

Por um momento, seu cérebro interpretou a pergunta como um convite para se juntar à ela e a sensação em seu estômago se intensificou, como se milhares de borboletas estivessem voando dentro dele e Carmem sentiu seu rosto esquentar, o que, felizmente, passou despercebido por todos.

— Ah, claro. Vou sim. – manejou sem gaguejar.

O que tem de errado comigo?

Notas finais
Como vocês podem ver, eu não gosto nem um pouco do Titi (sinto muito se você gosta dele), mas eu amo escrever sobre a Aninha! O que eu escrevi sobre o namoro do Cascão e da Cascuda é como eu realmente me sinto sobre eles. Espero que vocês tenham gostado, mil desculpas novamente por ter deixado essa fic com capítulos a menos. Logo logo já posto o 4 e o 5 <3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.