Félix & Niko - Dias Inesquecíveis

89 O Baile de Máscaras -- parte 1


Notas iniciais
Capítulo especialmente feito para o carnaval 2015 com uma dose de um flashback muito especial... Um dia que Félix Khoury não esqueceu!

Mais um dia agitado no restaurante da família Corona-Khoury. Na semana anterior ao carnaval, o restaurante lotou, principalmente de turistas que iam a Angra passar um carnaval tranquilo na praia. Eles vinham tanto do Brasil quanto de fora e Niko se desdobrava para atender tantos clientes, quando mais um chegou e se dirigiu direto ao balcão. O loiro viu que era um conhecido e foi até lá.

– Oi Samuel! Há quanto tempo! Não sabia que estavam aqui em Angra! E o Túlio?

O amigo de Niko deu um profundo suspiro parecendo chateado.

– O que foi?

– Ah Niko... O Túlio é um idiota!

– Mas... Por que tá dizendo isso? Vocês brigaram?

– Sim!...

–... Por quê?

– Por que ele é um idiota, já disse!

– Peraí, Samuel, não tô entendendo... Você tá com raiva ainda... A briga foi há pouco tempo?

– Não faz nem uma hora!

– Quê? E por que motivo?

– Por que ele é um idiota e só fala besteira! Acredita que... Brigamos por causa do carnaval?!

– Não acredito! Samuel, não me diga que você é desses que termina o relacionamento dias antes do carnaval só pra curtir a festa sem compromisso e...

– Não! Não, Niko, eu não sou assim! O que aconteceu foi o seguinte...

... ...

Mais tarde, em casa...

– Então, Félix, aí o Samuel disse que ralou pra conseguir os convites para o baile de máscaras de carnaval, ele quase implorou ao chefe dele pra levar o companheiro dele pra a festa, por que o chefe dele é sócio do clube onde vai haver a festa, mas aí, adivinha!... O Túlio disse que não iria por que o baile é justo na noite de sexta antes do carnaval!

– E daí ser na noite de sexta, carneirinho?!

– Daí que essa sexta é sexta-feira treze, e o Túlio tem uma coisinha chamada... Deixa eu ver se lembro o nome... Ah, paraskevidekatriafobia!

–... Tem o quê?!

– Ah amor, não me faz repetir! Demorei pra caramba pra aprender a falar isso! – Riu. – Bom, ele tem fobia da sexta-feira treze! Ele vem de família alemã com inglesa e brasileira... Já viu né?! Ele é extremamente supersticioso! Enfim, pra resumir, o fato é que ele não sai de casa às sextas-feiras treze e se recusou a ir com o Samuel para o baile. Ele insistiu, eles acabaram discutindo feio, e por fim... Adivinha!

– Fala logo, carneirinho!

Niko tirou do bolso dois convites decorados e balançou na frente do rosto do marido.

– Ele disse que ficou sem clima para ir e me deu os convites! Sei que não deveria estar alegre, afinal meus amigos brigaram, mas... Nós vamos ao baile de máscaras, meu amor! – Pulou abraçando Félix que ainda estava surpreso.

– Como é?!

Niko o soltou. – Não entendeu, amor? O Samuel me deu os convites para nós dois irmos ao baile!

– Ah... – O tom de voz de Félix não foi exatamente de alegria.

– Que foi, Félix? Até parece que não gostou.

– Bom... Ai carneirinho, pelas contas do rosário, baile de máscaras, criatura?! Coisa mais brega...

– Félix, será divertidíssimo! Eu não te disse naquela vez em que estávamos indo resgatar nosso Fabrício que um dia te levaria para conhecer o carnaval? Então? Seria uma ótima oportunidade, além do mais não é nenhuma festa de rua com todo mundo suado nem nada disso que eu sei que você não ia gostar! É um baile de gala num clube muito chique!

– Eu sei Niko, inclusive eu já fui a esse clube aí do convite muitos anos atrás, e... Eu... Eu já estive num baile assim, tá bom?! E... Não gostei nada...

Niko levou as mãos à cintura.

– Quer dizer que você já esteve em um baile de máscaras?

Félix desviou o olhar e coçou a nuca.

– Já... Quando eu era jovem...

– Jovem quando?

– Jovem... Ora... Um jovem de... D-dezesseis...

– Dezesseis anos?

– É...

Niko sentou de frente para ele na cama e pediu:

– Muito bem, Félix. Me conta essa história!

– Hein?!

– Me conta! Como foi esse baile, o que aconteceu... Me conta vai!

– N-não... Não tem nada pra contar, carneirinho...

Mas Niko já conhecia o marido bastante bem para perceber quando ele ficava esquivo.

– Félix!... – Cruzou os braços. – O que houve nesse baile? Quero saber!

– Pra quê, carneirinho?! Agora vai ficar se importando com o que houve há séculos?! Pelas pulseiras de Salomé, era só o que me faltava! Eu era um adolescente, poxa vida!

– Pelas pulseiras de Salomé, pelas botas de Judas ou pela coroa do Rei Davi, você começou agora vai falar, Félix!

Félix olhou para ele erguendo uma sobrancelha. – Nossa... Que autoritária! – Reclamou consigo ajeitando a sobrancelha. – Isso é o que dá falar demais na frente de um carneirinho genioso! – Então respirou fundo e começou: — Tá bom, carneirinho, eu conto... Mas depois não vá bancar a geniosa viu?! Vou logo avisando que não foi nada demais! Além disso, já disse que eu era um adolescente inconsequente que fazia as coisas sem pensar!

– O que você fez? Deve ter sido algo marcante pra você lembrar até hoje!

– É... Tá, foi, mas... Acontece que... Nesse baile eu conheci alguém que mexeu comigo...

– Que... Mexeu com você?

– Foi. Mas, nem de longe mexeu tanto comigo quanto você mexeu, carneirinho!

Aquela resposta fez Niko sorrir e ouvir o que Félix tinha a dizer...

– Bom, lá estava eu em casa, o adolescente rebelde, às vésperas do carnaval, louco pra sair, dar uma volta, ir a uma festa, enfim, fazer qualquer coisa menos ficar em casa aguentando as broncas do papi! Eu soube que uns colegas do colégio estavam combinando de irem a uma festa que um deles ia dar nesse mesmo clube. Só que como eu não era lá muito amigo de ninguém e os que se aproximavam de mim era só quando lhes interessava, ninguém me disse direito o que estava acontecendo, nem quando seria e tal... Eu acabei investigando por mim mesmo e descobri que a única festa que teria nesse clube no dia que eles falavam era um tal baile de máscaras. Só que, o que eu não sabia, é que haveria duas festas ao mesmo tempo lá nesse clube! Uma numa sala à parte que seria a festa desse colega e outra no salão principal que era o baile de máscaras. Como eu só sabia de uma, eu fui a caráter né?! Peguei minha mesada, fui sozinho comprar uma fantasia lindíssima...

– Você se fantasiou de quê?

– Do chapeleiro de Alice no País das Maravilhas! E a máscara era junto da famosa cartola dele!

– Nossa! Você deve ter ficado lindo assim...

– Claro que fiquei, eu sou lindo! – Riu. – Pena que não tenho uma foto pra te mostrar... Se bem que... – Pôs a mão no queixo lembrando: — Tem sim uma foto... Não sei se ela permanece guardada, mas eu tirei uma foto de recordação desse dia e coloquei num álbum particular que eu deixava muito bem escondidinho lá na casa de mami...

– Será que ainda tem? Eu bem que gostaria de te ver vestido assim... – Falou com um sorrisinho.

– Que carinha é essa, carneirinho? O senhor está fantasiando algo nessa sua cabecinha de cachos loiros?

– Eu?!... Imagina Félix...

– Imagino... Imagino sim... Por isso sei que o senhor pensou com segundas intenções, carneirinho travesso! Só me fala se estava imaginando a mim ou ao Johnny Depp vestido de chapeleiro!

Niko riu levando as mãos ao rosto. – Agora que você falou... Pensei nos dois! Você é tão sexy quanto ele, deve ficar igual mesmo vestido de maluco!

Félix o encarava balançando a cabeça com um sorriso. – É o apocalipse mesmo!... Eu não vou nem comentar! Eu vou ligar para casa de mami mais tarde e peço pra darem uma olhada se minhas fotos continuam no mesmo lugar tá?!

– Tá! Mas... – Niko suspirou ficando sério. – E a tal pessoa que mexeu com você?

– Ah... Pois é... Bom, foi o seguinte... Eu acabei entrando na festa errada, mas no final era a certa para a roupa que eu estava, por que se eu tivesse acertado a festa dos meus colegas e chegasse fantasiado e mascarado eu ia virar a piada de todo mundo, ia pagar o maior mico do século! Mas no final foi bom eu ter me enganado... Como eu já tinha quase essa altura que tenho hoje aos dezesseis anos eu pude me passar por mais velho facilmente quando notei meu engano! E acabou sendo divertido por que... Eu não esqueci mais aquela noite!

... ...

– Deve ser aqui... Só pode ser esse o lugar...

O jovem Félix chegava ao clube e logo que avistou o salão principal adentrou.

– Agora só preciso achar algum conhecido... Mas... Pelas contas do rosário, como eu vou achar um conhecido se não dá pra reconhecer ninguém assim?!

O jovem se pôs a andar pelo salão sem notar que estava sendo observado.

...

– Claro que pouco tempo depois eu já havia percebido que havia entrado na festa errada! Daí eu fui para perto da mesa das bebidas pronto para ir embora a qualquer momento! Eu estava me sentindo totalmente deslocado ali, queria sumir! Até que alguém se aproximou de mim...

– Quem?

– Era... Olha, eu vou contar, mas vê se não fica todo ciumentinho tá?! Era um homem muito charmoso... Provavelmente bonito, mas não dava para ver o rosto! A máscara que ele usava era parecida com a do fantasma da ópera, só que cobria os dois lados do rosto, só dava para ver a boca. Ele usava um chapéu com um lenço que escondia os cabelos e uma roupa linda de príncipe toda branca com marfim e com uma capa dourada esvoaçante!

– Nossa! Devia ser muito bonito mesmo!

– Talvez, eu não vi nem a cara do sujeito! Vai que era feio e estava escondendo! – Riu. – Mas acho que não, por que eu tenho um feeling pra gente bonita, eu tenho bom gosto né?! Senão, não estaria com você, meu carneirinho lindo!

Niko deu um sorrisinho fofo. – Você só está comigo por que eu sou bonito, Félix?

– Claro... Que não, criatura! Você é lindo por fora e por dentro, e também tem diversas qualidades... E eu adoro todas! E também, eu amo você!

– Oh, você é um amor! – Lhe deu um selinho. – Vai, continua contando... O que aconteceu para tornar aquela noite inesquecível?

– Bom... Aconteceu que...

...

– Olá! – Disse o príncipe mascarado com uma voz grave, ao mesmo tempo de leve rouquidão e extrema sensualidade.

– O-oi! – Respondeu o jovem Félix virando para ele quase deixando cair o copo de ponche que tinha na mão.

– Convidei muita gente, mas não me lembro de você. Sinceramente, reconheci a maioria dos meus convidados, mas você ainda não sei quem é!

– E-eh... E-eu? Eu... – Pigarreou e engrossou a voz, mas se sentia envergonhado. – Eu acho que entrei na festa errada...

O homem mascarado sorriu. – Imagine... Você está na festa certa! Não importa quem seja... Gostei de você!

– H-hã?

– Venha... Não quer ir lá fora?

– L-lá fora? Por quê?

– Não gosto de ficar em lugares fechados por muito tempo! Mas se não quiser me acompanhar não tem problema. Termine sua bebida... E depois, se quiser, vá!

O mascarado saiu. Félix ficou olhando. Aquele homem havia chamado sua atenção. O jovem então se decidiu. Bebeu o copo de ponche de uma vez só, se serviu de outro bem cheio, e então, saiu para o jardim do clube. A noite estava lindamente estrelada e, ao olhar para um lado, ele avistou o tal príncipe branco encostado numa grande árvore. De mansinho foi chegando perto, mas sem se aproximar muito, até que o mascarado notou sua presença:

– Pode se aproximar!

Félix se sentiu corar, mas respirou fundo e foi até ele. O homem olhava para o céu.

– Bela noite não é?

– É!... – Deu uma golada na bebida.

– Não gosta de admirar as estrelas?

– Pra falar a verdade... Não vejo muita graça nisso...

O homem riu de leve. – Você ainda é muito jovem para compreender certas peculiaridades da natureza!

– C-como assim muito jovem?

O homem o olhou, e nesse momento Félix pôde perceber que ele tinha lindos olhos esverdeados.

– Que idade você tem?

Félix pigarreou e respondeu: — É... Dezoito!

– Mesmo?

– C-claro! Claro... Não tem por que duvidar de mim, ora! Afinal, você nem sabe quem eu sou como você mesmo disse! Você não me conhece!

O jeito de ser de Félix já se sobressaía na adolescência e isso encantou o homem mascarado que sorriu para ele.

– Você tem personalidade...

– Ah... Tenho! Tenho e muita! – Bebeu mais um pouco.

– Bom saber... Difícil encontrar pessoas interessantes e desinteressadas hoje em dia!

– Interessantes e desinteressadas? Como assim?

O homem o olhou. – Eu não sei quem você é... E você também não sabe quem sou!

– Óbvio que não!

– Com isto você confessa que não foi convidado para esta festa. Que você entrou de penetra!

Félix se surpreendeu. Sentiu-se pego.

– E-eh... E-eu... Eu só... Eu...

– Calma, relaxe... Não vou lhe expulsar. Você não causou nenhum problema, e nem pretende causar não é?!

– Não! Não, claro que não!... É... Eu só entrei por que eu pensei que fosse outra festa, uma com uns colegas, mas... Errei o local...

– E essa tal festa com seus colegas também era um baile de máscaras? Ou você costuma andar assim normalmente? – Indagou com um jeito cínico.

Félix olhou a si mesmo de cima a baixo e riu. O efeito do álcool já se fazia presente. – Não... Já imaginou eu andando assim de chapeleiro maluco pela rua?! Seria o apocalipse! – Riu de novo e bebeu o resto da bebida em seu copo. – Então, o negócio é o seguinte, eu achei que a festa dos meus colegas fosse esse baile de máscaras, mas desde que cheguei percebi que não era, eu estava enganado, por isso, se quiser eu vou embora agora mesmo... Quer dizer, por que acho que você seja o dono da festa né?! Então pode me expulsar se quiser...

Antes que ele terminasse de falar, o homem chegou mais perto.

– Jamais o expulsaria!

– A-ah... Não?

– Claro que não! Já disse que é raro encontrar pessoas assim tão interessantes e que se aproximem de mim desinteressadamente! – O homem parecia melancólico ao confessar: — A maioria que está agora nesta festa se divertindo à minha custa não passa de falsos que não querem meu bem, apenas meus bens! Entende?

– Acho que... Entendo!... – Félix olhou para o salão. – Quer dizer que as pessoas lá dentro vêm... Te cumprimentam... Convivem com você... Mas não gostam de verdade de você, não é? Elas se aproximam de você não por quem você é, mas pelo que você tem, não é?!

Félix olhava para o salão, mas na verdade seu olhar estava distante. Isso surpreendeu o homem mascarado. Era como se aquele jovem conhecesse a realidade angustiante que ele vivia, como se também vivesse algo assim.

– É exatamente isso!

Félix voltou seu olhar para o mascarado.

– Você é muito rico?

–... Talvez!... Mas trocaria todo dinheiro do mundo por um pouco de afeto... Carinho sincero... Calor humano... – A cada palavra se aproximava mais de Félix.

Quando o jovem notou o quanto já estavam perto um do outro ficou um tanto agitado.

– É... E-eu espero que você encontre o que quer! – Se virou para sair, mas o mascarado pegou em seu braço.

– Não, não vá! Fique!

Félix estava um tanto ofegante, se sentindo encurralado pelo charme e sensualidade daquele homem desconhecido que o deixava sem jeito.

– E-eu tenho que ir...

– Por quê?

– P-por que... Por que... Por que tenho que ir, ora!

O homem sorriu tocando-lhe o rosto.

– Eu gostaria de saber quem se esconde por trás dessa máscara!

Félix ruborizou. – P-pra quê?

A voz daquele homem se tornava cada vez mais sensual.

– Deves ser muito bonito, jovem chapeleiro! Bonito e nada maluco, pois fala muito bem... Fala como alguém que tem uma tristeza na vida... Pois uma tristeza no olhar, vejo que tens!

Isso fez Félix parar e olhar para ele.

– Tenho?

– Tem... – O homem pôs as duas mãos em seu rosto e foi levantando a máscara lentamente. Félix segurou.

– Não. Não quero que tire. Se você é da alta sociedade pode ser que conheça minha família e não quero que ninguém saiba que estive aqui!

– Então sua família também é da alta sociedade?

– Pode ser...

– E eles não te deixariam vir?

– Não...

– Por que te proibiram?... Você não disse que já é maior de idade?

– E... E sou! Mas eles não iriam gostar de saber que vim!

O homem soltou sua máscara e seu rosto, mas segurou em seu queixo, dizendo:

– Engraçado como para alguns a vida é o oposto do que a sociedade prega não é?

– Como assim?

– Hoje é carnaval... Deveríamos estar alegres e sorridentes... E, no entanto... Somos dois infelizes!

– Você também é infeliz?

– Ninguém que viva sem amor pode ser feliz, meu caro! É o seu caso, por acaso?

–... É!

– És muito jovem para sofrer por amor...

– Nunca se é jovem demais para sofrer por falta de amor!

O olhar triste de Félix ao falar essas palavras fez o homem ficar tão perto dele que podia sentir o calor de seu corpo.

...

–... Quando eu disse isso, carneirinho, eu fiquei tão triste que nem pensei se ia embora ou ficava, ou só fiquei ali parado olhando pra o nada...

– E o que ele fez?

– Ele... – Pigarreou e ajeitou a sobrancelha. – E-ele foi chegando em mim e...

– O que ele fez?

– E-ele... Ai Niko, foi assim...

...

Félix ficou de costas olhando para o jardim quando o mascarado encostou seu corpo ao dele. Logo o jovem ficou paralisado, sem saber o que fazer ao sentir as mãos daquele homem deslizarem por seus braços.

– Você é tão alto e esguio... Tem um corpo lindo...

Félix engoliu seco. Já estava nervoso.

– O-obrigado...

O homem roçou os dedos suavemente por seu pescoço.

– Eu nunca conheci alguém que mexesse comigo como você! Agradeço você ter invadido minha festa! – Então sussurrou ao seu ouvido: — Gostaria de ir para um lugar mais íntimo?

Isso provocou um arrepio no jovem Félix.

– M-m-mais... Íntimo?

– Sim!... – O mascarado o virou para ele. – Não me diga que você nunca...

– N-nunca... Nunca o quê?

– Nunca... – O homem riu de leve. – Não! Você nunca foi convidado para ir a um lugar mais íntimo por ninguém! Posso ver nos seus olhos!

O mascarado virou e se afastou um pouco quando Félix, um tanto confuso, mas com personalidade de sobra, comentou:

– Ei! Aonde você pensa que vai? Pelas contas do rosário, você não acha que eu sou tão inocente a ponto de não perceber o que você quer né?! V-você me assediou, eu sei!

O mascarado virou para ele e riu. – Você é engraçado!

– N-não sou não! Estou vestido de palhaço por acaso? Não estou!

Mas, o homem riu mais. – Você é mesmo uma graça!

Félix corou. – S-sou?

– Claro que é! – Mirou em seus olhos e se reaproximou dele. – Eu me afastei por que te vi nervoso quando dei a entender que queria ter algo mais com você! Desculpe se pareci muito atirado, mas é que... – Fez um carinho no rosto de Félix. – Você é apaixonante!

– S-sou?

– É!... – Os rostos se aproximaram e um beijo aconteceu. O clima de desejo era muito grande e logo o beijo se tornou mais vigoroso, os corpos ficaram mais colados, e as mãos passeavam pedindo por contato com a pele.

Ao se separarem do beijo para recuperarem o fôlego, o mascarado falou com a voz mais doce e quente que o jovem Félix já havia ouvido até então:

– Venha comigo! Mas não se preocupe... Não farei nada que você não queira!

...

Notas finais
Hum... O que será que vai acontecer, ou melhor, o que aconteceu no passado do jovem Félix?! Continua...